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Mesmo com subsídio do governo, total de investimentos em inovação recua

Os investimentos em inovação feitos pelas grandes empresas caminham na contramão de todo o discurso federal, que busca dar maior competitividade à economia. De acordo com balanço divulgado sobre o desempenho da Lei do Bem, um conjunto de 787 empresas declararam investimentos de R$ 5,3 bilhões em 2012, obtendo benefício fiscal sobre essas despesas.

O dado, vendido pelo governo como avanço, já que mais empresas declararam despesas com inovação, aponta uma marcha à ré, no entanto: o total de investimentos contemplados com os incentivos da Lei do Bem despencou 22% entre 2011 e 2012. A queda tem sido drástica: em 2008, o total de investimentos declarados foi de R$ 8,8 bilhões.

Pela Lei do Bem, as grandes empresas, que recolhem impostos sobre o lucro real, conseguem obter descontos tributários do Imposto de Renda (IR) e da Contribuição sobre Lucro Líquido (CSLL) quando declaram ao governo gastos com pesquisa e desenvolvimento (P&D), além da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) quando adquirem máquinas e equipamentos voltados para P&D e inovação.

De 2006, quando a Lei do Bem foi criada, até 2012, a renúncia fiscal total do governo foi pouco superior a R$ 7 bilhões, sendo R$ 1,1 bilhão apenas em 2012, o dado mais recente.

Péssimo timing. Para o especialista Valter Pieracciani, sócio da Pieracciani Desenvolvimento de Empresas, o quadro é "gravíssimo", uma vez que as empresas estão colocando o pé no freio da inovação justamente quando ela se faz mais necessária - quando há desaceleração econômica -, ao mesmo tempo em que a Receita Federal tem sido cada vez mais rígida na análise dos investimentos. Cabe ao Fisco verificar se o investimento em P&D registrado pelas empresas no governo pode receber os benefícios fiscais previstos pela Lei do Bem.

"Há problemas com a Receita, que restringe o tipo de investimento que pode ser incluído na Lei do Bem, para diminuir a renúncia fiscal", disse Pieracciani, que apontou para a baixa adesão das grandes empresas brasileiras à inovação. "Apenas 787 empresas, em todo o ano de 2012, conseguiram benefício fiscal oriundo do investimento em P&D", afirmou o especialista. "É preciso ser mais incisivo na política de inovação e também reduzir a burocracia da Receita, que pensa apenas em engordar os cofres do governo."

Cultura. De acordo com o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, Álvaro Prata, do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o governo trabalha para que o número de companhias aumente - o volume de investimentos aumentará como consequência. "Claro que queremos ter grandes acúmulos de investimentos em P&D, mas neste momento de construção da cultura inovadora no País nosso objetivo é dar mais capilaridade aos instrumentos de apoio", disse Prata.

O secretário afirmou que o volume de investimentos registrados em 2012, de R$ 5,3 bilhões, "não é desprezível", mas que "certamente" aumentou em 2013. "Teremos uma chance de ouro neste ano que começa para impulsionar a inovação, seja com o amadurecimento da política que temos conduzido há quatro anos, seja pela própria Embrapii, que deve engatar em 2014", disse o secretário, em referência à Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial, criada em 2013 para incrementar a relação entre as universidades e centros tecnológicos e as empresas privadas.

Sobre o excesso de burocracia da Receita em avaliar os investimentos declarados em P&D e, assim, reduzir a renúncia fiscal, Prata afirmou apenas que o Fisco "se preocupa em restringir aquela despesa declarada pela empresa para aquela diretamente ligada a P&D, enquanto muitas vezes a empresa declara que a compra de qualquer máquina e equipamento já seria inovação."


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Educação Aberta e Flexível, um caminho sem volta

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Estadão. EDU

12 Dezembro 2017,  por Luciano Sathler*
A Educação a Distância (EaD) é um fenômeno alinhado à luta por uma sociedade mais justa e menos desigual, onde o maior número possível de pessoas possa estudar e ampliar o leque de oportunidades para avançar na vida.
A EaD leva a novas práticas que vão ao encontro da aprendizagem em um mundo saturado de informação. O que é criado, replicado, alterado e divulgado hoje nos meios de comunicação massivos e na internet chegou a níveis inéditos em termos de quantidade, velocidade e variedade.
Essa realidade afeta a percepção humana, que não lida bem com a linearidade estabelecida por currículos que não valorizam a personalização das relações de ensino-aprendizagem e não incorporam as possibilidades trazidas pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC)
Em sua atual fase, a EaD também pode colaborar com o desenvolvimento das chamadas competências digitais, essenciais para promover a capacidade de utilizar as TIC de maneira crítica, criativa, autônoma e sem se enredar nas mentiras ou cair na manipulação.
Apesar de a EaD ser praticada há séculos em várias parte do mundo, salta aos olhos o seu crescimento no Brasil em anos recentes. O número de matrículas em cursos de graduação a distância aproximou-se de 1,5 milhão, em 2016, o que correspondia a 18,6% dos oito milhões de universitários no país.
De acordo com a pesquisa TIC Domicílios 2016, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), mais de dezesseis milhões de pessoas participaram de cursos a distância naquele ano. Os resultados demonstram também que cerca de 80 milhões de brasileiros realizou atividades ou pesquisas escolares e 72 milhões estudaram por conta própria utilizando a internet.
A Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED) verificou, em seu censo de 2016, o montante de 2,9 milhões de alunos que participaram de cursos livres corporativos e não corporativos. Trata-se de uma análise qualitativa mais aprofundada sobre a EaD, que se encontra disponível gratuitamente online.
Há uma nítida convergência entre o crescimento da EaD e a disseminação TIC. Temos mais computadores, tablets, celulares, usuários, maior acesso à banda larga e volume exponencialmente crescente de informação disponível no universo digital. Redução nos preços de hardwares e softwares, aumento na capacidade de processamento e memória, nas nuvens ou em máquinas domésticas e no trabalho.
Aproxima-se a “digitalização de tudo”, que aumenta o potencial de indivíduos e organizações que saibam se inserir nesse universo. Ao mesmo tempo, há uma série de impactos negativos e riscos de desigualdades ainda maiores que levem à concentração de poder militar, econômico, político e simbólico.
Há novas profissões surgindo e previsões alarmistas sobre o desaparecimento de muitas outras ocupações, a serem eliminadas ou substituídas pela automação. Também cresce a quantidade de empregos e trabalhos que exigem mais competências e habilidades digitais, especialmente devido a grandes mudanças nas profissões existentes, que incorporam as TIC em seu cotidiano.
Nos países empobrecidos – eufemisticamente chamados ‘em desenvolvimento’ – aumenta a demanda por Educação Superior de boa qualidade e mais acessível. As salas de aula são cada vez mais frequentadas por estudantes com um novo perfil, ou seja: idade maior que 25 anos, primeiro da família a frequentar uma universidade, trabalhador de tempo integral, que sustenta dependentes econômicos e não completou o Ensino Médio na idade considerada normal.
Pelas próprias condições de vida, esses estudantes tendem a preferir mais possibilidades de aprendizagem a distância, especialmente mediadas online. Também as novas gerações, que cresceram em contato com tablets e celulares, não suportam mais as aulas exclusivamente no modelo tradicional. Observa-se que os cursos presenciais passam a incluir metodologias EaD em suas práticas didático-pedagógicas, numa tendência chamada ‘educação híbrida’.
Em breve, será difícil identificar a modalidade de uma oferta educacional, pois em todo caso as TIC permitirão maior flexibilidade de tempo e espaço nos quais os alunos vão estudar e interagir.
A tendência é a educação aberta e flexível, com uma presença permanente na vida das pessoas, pois ninguém mais pode deixar de estudar.
A EaD ainda faz levantar a sobrancelha dos mais céticos. Porém, ao longo de seus 24 anos de existência, a ABED constata que a qualidade dos cursos está diretamente relacionada à qualidade da instituição ofertante. Isso vale para o ensino presencial e a distância.
Esse alinhamento se confirma pelos resultados do Enade, exame que é aplicado igualmente para alunos de cursos de Graduação a distância e presenciais.
Apresentamos, a seguir, uma figura que ilustra, de forma sintética, o que é ser bem-sucedido na EaD e quais os fatores que influenciam o maior ou menor sucesso em um curso a distância.
A educação de qualidade é a tarefa principal e primordial para qualquer governante ou, simplesmente, cidadão. A EaD permite alcançar novos patamares educacionais com escalabilidade e maior agilidade. 

* Luciano Sathler é Diretor da Associação Brasileira de Educação a Distância e Reitor do Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix.

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Fies, programa de crédito para ensino superior particular, abre inscrições

Fies, programa de crédito para ensino superior particular, abre inscrições | Inovação Educacional | Scoop.it
Programa agora tem três modalidades e governo e escolas vão dividir a responsabilidade pela inadimplência.
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Sesi aposta em metodologia inovadora e garante bons resultados no vestibular

Sesi aposta em metodologia inovadora e garante bons resultados no vestibular | Inovação Educacional | Scoop.it
Entre as distinções de ensino do colégio, que fazem esse resultado ser tão expressivo nos vestibulares, está a proposta de um novo modelo de sala de aula, em que os alunos sentam em carteiras dispostas em círculos e não em fileiras. O objetivo é promover o debate sobre pesquisas, compartilhar ideias e trabalhar em equipe. Para a gerente dos Colégios Sesi no Paraná, Lilian Luitz, esse tipo de metodologia promove o trabalho em conjunto, em que todos precisam estar unidos em busca de um objetivo. "Além da disposição das carteiras, as turmas são interseriadas (1º, 2º e 3º ano). No futuro, em um ambiente de trabalho, eles terão que lidar com pessoas de lugares e idades diferentes. É necessário que vivenciem as diferenças desde o ensino médio", explica.
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As Universidades e os professores que não gostam de ensinar

O paradigma de acesso, avaliação e progressão na carreira no ensino superior português, desde o início do séc. XXI, foi-se reconfigurando no sentido de se adaptar a certos padrões internacionais, com principal foco na avaliação e recompensa do desempenho científico das instituições.
Esse rumo estratégico (que também se transmitiu ao Politécnicos, dada a esquizofrenia do sistema de ensino superior nacional, em que os Politécnicos tendem a ser uma cópia fraca da Universidade, e não verdadeiras instituições de ensino e preparação de técnicos profissionais, com ofertas claramente distintas das Universidades) está a fazer com que a preocupação quase exclusiva das instituições de ensino superior seja conseguirem publicar o maior número de artigos em revistas científicas, de preferência naquelas que detêm as mais elevadas posições em certos rankings internacionais.

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The Changing Business Model For Colleges And Universities

The Changing Business Model For Colleges And Universities | Inovação Educacional | Scoop.it

To ensure financial sustainability, many colleges and universities are responding by experimenting with changes to their business models. Historically, many of us advised institutions to “stay in their lane” meaning that they should stick with their mission no matter how narrowly defined. The advice was just to execute better on what you were good at doing. Today, I think most colleges with narrowly defined mission statements especially those which are primarily undergraduate liberal arts institutions need to think very seriously about moving outside their lanes. There are some schools which have made very large changes to their business models and have recreated themselves as very different institutions from the way they began.
Most prominent among these schools is Southern New Hampshire University which until 1995 was a relatively traditional college on 300 acres in Manchester, NH offering bachelors and master’s degrees. In 1995, it launched an on-line program. By 2002, the on-line program had significant enrollment and today it has over 80,000 students while the traditional campus-based program continues with more than 5,000 students. In 2009, it added the SNHU Advantage Program which allows people to work full-time and receive an AA degree at a 60% savings from SNHU’s regular undergraduate tuition rate. It has recently added College for America, a competency-based and project-based program which is to be “radically affordable” and workplace relevant delivered through employer partnerships. Other institutional innovators include Georgia Tech which began offering a Master's in  Computer Science in collaboration with Udacity and AT&T on-line in 2014 and has just added an on-line Master’s in Analytics both for $10,000 for the whole program although many students are able to complete the MS in Computer Science program for less than $7,000. Arizona State has partnered with Starbucks to offer the Starbucks Achievement Academy and has just begun the Global Freshmen Academy which offers courses to freshmen all over the world on-line for $200 a course and the student only pays after completing the course. Another model is exemplified by the proposed Purdue-Kaplan relationship which will bring together a traditional public research university with a for-profit on-line institution if approved by the Higher Learning Commission this month. And there is Sweet Briar College, a woman's college in Amherst, VA which is reinventing itself after almost closing in 2015.  With a new president since May, 2017, the College has changed its term structure, redone its core curriculum, created three interdisciplinary centers of excellence in place of traditional departments  and reduced its tuition by $15,000.

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Percursos Formativos ampliam repertório de metodologias de ensino

Percursos Formativos ampliam repertório de metodologias de ensino | Inovação Educacional | Scoop.it

Ampliar as estratégias de mediação da aprendizagem e colaborar para a formação de uma rede de compartilhamento de experiências do corpo docente da UFMG é o objetivo da nona edição dos Percursos Formativos em Docência do Ensino Superior (PFDES). As atividades integram as comemorações dos dez anos da Diretoria de Inovação e Metodologias de Ensino – GIZ. As inscrições estarão abertas de 1º a 16 de março na página do GIZ, e as atividades serão realizadas de 16 de março a 15 de junho. São ofertadas 120 vagas.
Os Percursos são destinados a professores e estudantes de pós-graduação da UFMG e estão estruturados na modalidade a distância, com carga horária de 60 horas, distribuídas em encontros presenciais e atividades on-line. Estão programadas oficinas gerais de caráter teórico-prático, com o objetivo de ampliar e consolidar o repertório de metodologias de ensino e recursos tecnológicos empregados nos processos de ensino-aprendizagem.

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SESI oferece 13 cursos gratuitos de Ensino a Distância; saiba mais

SESI oferece 13 cursos gratuitos de Ensino a Distância; saiba mais | Inovação Educacional | Scoop.it
A duração do curso é de até 30 dias, dependendo do dia de inscrição no curso. A matrícula fica disponível entre de 1 à 25 de cada mês. O início do curso ocorre sempre no dia 1º. O prazo para conclusão é o último dia do mês (28, 29, 30 ou 31).
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UFMG abre as inscrições para curso gratuito a distância sobre febre amarela

UFMG abre as inscrições para curso gratuito a distância sobre febre amarela | Inovação Educacional | Scoop.it
Profissionais de diversas áreas podem se inscrever. Iniciativa procura formar educadores para identificar casos suspeitos
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UFMG tem concursos abertos para o Departamento de Botânica

UFMG tem concursos abertos para o Departamento de Botânica | Inovação Educacional | Scoop.it

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) está com inscrições abertas, até dia 23 de fevereiro de 2018, em concursos de professores adjuntos para o Departamento de Botânica do Instituto de Ciências Biológicas.
São duas vagas, em regime de dedicação exclusiva e 20 horas semanais. Elas são para as áreas de conhecimento em “Ecologia de Comunidades Vegetais” e “Genômica Evolutiva Vegetal”. A remuneração inicial será composta pelo vencimento básico e pela retribuição por titulação e a remuneração final será de R$ 9.585,67.

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O Spotify mudou a música, mas ainda não sabe como ganhar dinheiro 

O Spotify mudou a música, mas ainda não sabe como ganhar dinheiro  | Inovação Educacional | Scoop.it

Em dez anos, a firma nunca obteve lucro e sua verba vem basicamente de investidores, de publicidade e dos assinantes. No Brasil, a assinatura custa R$ 16,90 mensais. O Spotify acredita que pode se tornar rentável depois de ter acumulado usuários suficientes, sem especificar qual seria essa escala. Mas essa necessidade é urgente. 
O Spotify alcançou 140 milhões de usuários globais -- metade deles paga pelo serviço, e a outra metade usa a versão gratuita. O lance é que os que pagam são responsáveis por quase toda receita da empresa. No final de 2016 (quando 50 milhões dos 140 milhões de usuários eram pagos), os assinantes geraram receita de US$ 2,9 bilhões, enquanto a receita vinda de anunciantes foi de US$ 338 milhões. Ou seja, dos US$ 3,3 bilhões abocanhados pela firma, 87% foi gerado por 35% dos usuários.  

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Redesigning Learning Spaces: What Do Teachers Want for Future Classrooms?

The concepts of future classrooms, multimedia labs or active learning space has recently gained prominence in educational research. Evidence-based research has found that well-designed primary school classrooms can boost students' learning. Also, schools' principals, teachers and students are requesting for more flexible, reconfigurable and modern classrooms' layouts, where technology and active pedagogical practices can be incorporated into an easier way. Under the scope of TEL@FTELab Project (Technology enhanced learning at Future Teacher Education Lab) of the Institute of Education of University of Lisbon an empirical study was conducted with 82 teachers of elementary and secondary schools aiming to capture their vision about what the classrooms for the future should be. Data was collected through a focus-group methodology. Teachers were asked to form groups of 3-to-8 elements and challenged to build a 3D mock-up of their future classroom by using a 1:20 scale kit provided by the researchers. The process of the classrooms construction was videotaped and content analysis of the mock-ups was conducted. This article presents the results of the data collected, focusing specifically in the following aspects: descriptive key concepts of what is seen as a future classroom, spatial organization (different working zones identified by the teachers), physical elements (furniture and equipment) and environmental aspects (light, sound, air quality, temperature, colour, natural elements, comfort and security).
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Empresas aceleradas pelo Seed crescem e colhem frutos da participação

Empresas aceleradas pelo Seed crescem e colhem frutos da participação | Inovação Educacional | Scoop.it

Considerado um dos maiores projetos públicos de aceleração de startups da América Latina, o Seed – Startups and Entrepreneurship Ecosystem Development deve abrir, nas próximas semanas, as inscrições para a quinta rodada do programa. A grande novidade é que, em iniciativa inédita no país, o Seed vai treinar os próprios agentes de aceleração, que irão auxiliar na capacitação das startups participantes na próxima rodada.
“Vamos contratar pessoal e dar um treinamento de agente de aceleração, durante seis semanas. Isso nunca foi feito antes no programa. O principal diferencial é que essas pessoas serão treinadas por nós, que já estamos no programa, e, portanto, dentro da cultura do Seed, o que afina o trabalho”, explica Bruno Scolari, que acaba de assumir a coordenação do programa junto ao colega Daniel Oliveira.
“Estávamos à frente da aceleração e agora assumimos o Seed. O fato de nós dois sermos empreendedores também agrega ao trabalho, pois entendemos o que todos passam”, frisa Scolari.

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Universities are not ivory towers. Here's the role they can play today

Universities are not ivory towers. Here's the role they can play today | Inovação Educacional | Scoop.it
What role can universities play in this changing world? How can we help people like this find hope, confidence, opportunity and respect?

I think part of the answer is to develop new ways of collaborating and engaging with the residents of these communities. We need to create opportunities for those who are part of our universities to work personally and directly with community residents, to share knowledge, to listen to their creative ideas and to work together on projects that have practical applications within the community.

Universities understand the importance and power of collaboration. We practice it daily with academics at other universities and with our partners in government and the business community. We need to broaden our collaborative networks to more actively include those who doubt us the most, but know us the least.
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¿Cuándo llegará la tecnología a las aulas universitarias?

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Al menos en el caso de los cursos introductorios de gran escala, ¿por qué no dejar que los alumnos en todas partes miren grabaciones sumamente producidas de los mejores profesores y conferenciantes del mundo, como hacemos con la música, el deporte y el entretenimiento? Esto no significa un escenario igual para todos: podría haber un mercado competitivo, como el que ya existe para los libros de texto, tal vez con una docena de personas que dominen gran parte del mercado.
Y los vídeos se podrían utilizar en módulos, de manera que una escuela podría elegir utilizar, por ejemplo, un paquete para enseñar la primera parte de un curso, y un paquete totalmente diferente para la segunda parte. Los profesores podrían incluso interactuar en conferencias en vivo sobre sus temas favoritos, pero por placer, no como una rutina tediosa.

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Brasil precisa melhorar na inovação. Especialista mostra caminhos

Brasil precisa melhorar na inovação. Especialista mostra caminhos | Inovação Educacional | Scoop.it

Uma realidade que precisa seguir mudando. Conforme Egídio Dias, coach corporativo e criador do método de desenvolvimento coaching para gestores de alto rendimento baseado em Learning Agility, o momento é desafiador.
“Em um momento em que se fala e se cobra tanto sermos inovadores, agirmos de forma diferente e criar empresas ágeis, ainda temos um grande desafio de como criar uma cultura que desenvolva lideranças e modelos de negócios que facilitem essas ações”, comenta o especialista.
Dias, que já treinou mais de 7 mil pessoas entre coaching de executivos e treinamento de competências, atua em projetos de mudança cultural em empresas nacionais e globais de setores como tecnologia, serviços e financeiro. Segundo ele, o trabalho de aculturação à inovação tem de passar por todas as alas – do conselho de administração até o grupo de líderes das organizações.

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USP é a universidade mais empreendedora do Brasil

USP é a universidade mais empreendedora do Brasil | Inovação Educacional | Scoop.it

Segundo pesquisa feita pela Brasil Júnior – Confederação Brasileira de Empresas Juniores – a Universidade de São Paulo (USP) é a instituição de ensino superior mais empreendedora do país. A pesquisa foi realiza com 50 estabelecimentos e 10 mil alunos das 27 unidades da federação no ano passado.
Para chegar a esta conclusão a Brasil Júnior levou em consideração os seguintes aspectos de cada instituição em relação ao empreendedorismo: infraestrutura, internacionalização, capital financeiro, cultura empreendedora, inovação e extensão. Os alunos entraram com a perspectiva dos estudantes perante ao tema.

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Educação oferece plataforma gratuita para estudar Matemática

Educação oferece plataforma gratuita para estudar Matemática | Inovação Educacional | Scoop.it
Além da vasta gama de jogos e atividades guiadas, a Khan Academy oferece espaço para pais e professores acompanharem o desempenho dos estudantes
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Pronatec Turismo oferece mais de 200 mil vagas; saiba como se inscrever

Pronatec Turismo oferece mais de 200 mil vagas; saiba como se inscrever | Inovação Educacional | Scoop.it

O Pronatec Turismo Voluntário abre, nesta segunda-feira (19), a pré-matrícula para 24 cursos a distância. Nesta edição, serão 207.375 vagas para maiores de 15 anos. As inscrições devem ser feitas pela internet.
Entre as opções estão cursos de Inglês e Espanhol básico, Língua Brasileira de Sinais (Libras), Mensageiro, Recepcionista, Reciclador, Agente de Microcrédito, Auxiliar de Fiscalização Ambiental, entre outros. A carga horária de cada curso varia entre 160h e 300h.

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ODEM.IO lança venda coletiva para o primeiro mercado de educação do mundo

ODEM.IO lança venda coletiva para o primeiro mercado de educação do mundo | Inovação Educacional | Scoop.it

A ODEM.IO, criadora do primeiro Mercado de Educação Sob Demanda do mundo, lançou sua venda coletiva (crowdsale) de ODEM Tokens.
A ODEM.IO tem o orgulho de anunciar o lançamento de sua tão esperada venda coletiva para financiar o desenvolvimento de sua plataforma ODEM, baseada em cadeia de blocos. A ODEM.IO estabeleceu a quantia máxima (hard cap) de € 9 milhões (US$ 11,26 milhões) a partir da venda planejada de 180 milhões de ODEM Tokens por cerca de  € 0,05 cada. Os Tokens serão definidos em ETH, 24 horas antes do início da venda coletiva. O projeto já arrecadou € 2,2 milhões, mais do que o dobro da quantia mínima (soft cap) da ODEM.IO de € 1 milhão. A venda coletiva continua até 19 de março.

“O que adoro na venda coletiva é que ela dará poder para as pessoas para apoiarem e nos aconselharem sobre o desenvolvimento da plataforma ODEM”, disse Richard Maaghul, Executivo-Chefe da ODEM.IO. “É você, são as pessoas que estão fazendo com que essa plataforma exista”.

A ODEM.IO está liderando o desenvolvimento de uma plataforma colaborativa, interativa para capacitar os estudantes a interagirem com os principais acadêmicos de todo o mundo, para criarem experiências educacionais de alta qualidade a um custo razoável. Diferentemente dos fornecedores de educação online, a plataforma ODEM se concentra na criação de cursos e programas pessoais em tempo real. A ODEM.IO pretende se tornar a Airbnb da educação internacional.

A plataforma, impulsionada pelo ODEM Token, agiliza a organização e o fornecimento de cursos acadêmicos. O token facilitará os pagamentos internacionais e incentivará os principais educadores a alinharem suas ofertas de cursos com as necessidades sempre em mudança dos estudantes.

“Nossa visão final é assegurar que cada estudante tenha acesso igual à educação da mais alta qualidade”, disse o CEO Maaghul. “A plataforma ODEM irá mudar a educação como a conhecemos até agora”.   

Os benefícios de adquirir os ODEM Tokens durante a venda coletiva incluem:

  • Adesão imediata à comunidade ODEM.
  • Uso da plataforma e serviços ODEM com descontos.
  • O poder de patrocinar educadores e estudantes para reduzir seus custos participando do ecossistema ODEM.

“A compra dos ODEM Tokens permite que os participantes acessem a plataforma e participem diretamente da comunidade ODEM”, disse Bill Bayrd, Executivo-Chefe de Operações da ODEM.IO. “A posse de ODEM Tokens também expõe os participantes ao crescimento da plataforma ao longo do tempo”.

Ao mesmo tempo, a ODEM.IO continua a processar inscrições ‘conheça seu cliente’ para a venda coletiva pública. Todos os participantes deverão apresentar prova de identidade e residência antes de poderem comprar os tokens. As divulgações refletem orientações internacionais para assegurar que todos os fundos arrecadados na venda sejam legítimos.

A KPMG Switzerland é a conselheira jurídica da ODEM.IO, enquanto a SICOS (Lux) S.C.S. forneceu à ODEM assessoria e consultoria sobre a venda coletiva e sua estrutura.

Para mais informações, acesse: ODEM.IO. Ou participe da conversação da ODEM no Telegram.

Contato com a mídia da ODEM: press@odem.io
Telefone do Contato com a Mídia: (424) 327-5682
Via Balestra 6
6830 Chiasso, Suíça
Participe da Conversação da ODEM.IO no Telegram
https://www.linkedin.com/company/odem-io/ 
https://www.facebook.com/odemio/ 
https://twitter.com/ODEM_IO

Logo – https://mma.prnewswire.com/media/639718/ODEM_IO_Logo.jpg  

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Novos formatos em EaD surpreendem com alta taxa de retenção

A perspectiva é que em 2026 o número de estudantes online represente 51% dos 9,2 milhões estudantes que estarão matriculados em instituições privadas naquele ano aponta o estudo realizado pela consultoria Educa Insights. Um número promissor que vem atraindo cada vez mais instituições dispostas a fazer a transição do mundo físico para o online e tem proporcionado que muitos brasileiros realizem o sonho de estudar, aprimorar competências e investir em novas empreitadas profissionais. Essa transição exige capacitação tecnológica e principalmente entendimento do comportamento humano por parte das instituições. Só assim os cursos manterão os alunos engajados, evitando evasão e contribuindo para a desafiadora métrica de crescimento da taxa de retenção, confiando bons resultados aos alunos e credibilidade para as instituições.
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A esquerda deve superar velhas concepções de ‘industrialização’ e política industrial

A esquerda deve superar velhas concepções de ‘industrialização’ e política industrial | Inovação Educacional | Scoop.it
É preciso repensar a ideia, muito presente na literatura brasileira sobre desenvolvimento, da industrialização como carro chefe do processo de desenvolvimento econômico e como finalidade última da política industrial. O conceito de industrialização, processo transformador das relações sociais e modernizador dos modos de produção, não dá conta dos desafios e por vezes se contrapõe a um projeto de desenvolvimento que busque uma transformação social substantiva com redução das desigualdades e melhorias sociais. A centralidade desse conceito contrasta, por exemplo, com a necessidade de apoio popular à estratégia de desenvolvimento, com as diversidades regionais, com a crise das cidades, com os desafios relacionados à preservação do meio ambiente, com a diversificação extrema dos padrões de consumo e com a crise de sociabilidade do capitalismo moderno.

Isso não significa abandonar a ideia, mas repensar a tradicional concepção de política industrial como política voltada à promoção de setores, empresas e tecnologias tidas como chave para a modernização das forças produtivas e para aproximação da fronteira tecnológica. Esse modo de operação desgastou a própria ideia de política industrial e vendo sendo frequentemente associada, com ou sem razão, aos benefícios de grupos privados, aos escândalos de corrupção e à degradação do meio ambiente. No período recente, se presenciou não somente o desmonte de mecanismos importantes para a execução da política industrial, como também a criminalização da política industrial frente à opinião pública.

Diante desse cenário, é necessário rediscutir o tema e pensar novas formas de conduzir políticas para o setor industrial. Nesse breve artigo, propomos uma nova forma de orientação da política industrial e tecnológica a partir da ideia de “política orientada por missões”, discutida por Mariana Mazzucato entre outros. Isto é, a construção dessas políticas deve estar voltada para resolução de problemas concretos e de longa data da sociedade brasileira, com objetivo social bem definido.

Em outras palavras, propõe-se a formação de eixos de atuação da política industrial voltados para “missões orientadas à solução de problemas históricos da sociedade brasileira”. A organização a partir de tais eixos procura construir novas formas de apoio popular às políticas industrial e tecnológica a partir da geração de benefícios sociais diretos, de médio e longo prazo.

Colocando em exemplos práticos, podem-se sugerir eixos da política industrial em torno da ideia de “investimento social”: infraestrutura urbana de transporte, moradia, saneamento básico, tecnologia verde, habitação popular, saúde – em particular a cadeia produtiva em torno do SUS – e a educação, além de outros eixos voltados para as especificidades regionais como desenvolvimento das atividades agropastoris do semiárido, desenvolvimento sustentável da Amazônia (incluindo a expansão do mapeamento do genoma da região amazônica), expansão, entre outros a serem elencados.

Essa forma de pensar a política industrial é mais adequada à superação da longa crise estrutural em que se encontra a indústria brasileira, que ampliou o imenso hiato tecnológico da indústria nacional frente aos padrões de competitividade dos países desenvolvidos. Nesse contexto, a  incapacidade de penetrar na terceira revolução industrial não permitiu que a indústria local desenvolvesse os mecanismos necessários de disseminação tecnológica e a privou das capacitações mínimas para internalizar parte considerável da chamada “Indústria 4.0”. Já com a nova orientação, em detrimento de correr atrás de uma fronteira tecnológica cada vez mais distante e de promover concorrentes nacionais para oligopólios globais, a política industrial e tecnológica deve se voltar para tecnologias e setores produtivos funcionais à melhoria do bem-estar social da população.
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Não está na hora da elite usar seu poder para liderar uma transformação na educação brasileira?

Não está na hora da elite usar seu poder para liderar uma transformação na educação brasileira? | Inovação Educacional | Scoop.it
Reunimos um time de brasileiros pensantes, homens e mulheres de todas as gavetas e escaninhos da estante brasileira, membros de algumas das mais abastadas famílias do país, gente de origem muito pobre, artistas, pensadores, alguns muito novos, outros já mais velhos, para refletir sobre a educação brasileira a partir de suas próprias perspectivas. Em comum a todos, o fato de que não se deixaram lobotomizar por competição, consumo, necessidade desesperada de aprovação social e, em última análise, de fama e de dinheiro. Gente que mantém e exercita (ou está buscando exercitar) o olhar para o outro e a tal empatia.

As perguntas variaram, mas fundamentalmente queríamos saber: é possível reeducar nossas elites? Aliás, o que é exatamente elite? É possível sonhar com gente um pouco mais razoável e humanizada nos postos de liderança de governos, empresas, partidos, religiões, entidades esportivas, nas artes, na cultura? Nossa elite, afinal, tem jeito?

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Participaram Ana Júlia Ribeiro, ativista que ganhou destaque no movimento secundarista em 2016; Ana Moser, ex-jogadora de vôlei e presidente do Instituto Esporte & Educação; Camila Pitanga, atriz; Christian Dunker, psicanalista; Eduardo Lyra, empreendedor social; Elisa Lucinda, atriz; Flávio Canto, ex-judoca e fundador do Instituto Reação; Francisco Bosco, filósofo; Marcello Dantas, curador de arte e documentarista; Marcio Black, cientista social; Marina Person, apresentadora e cineasta; Marisa Moreira Salles, fundadora dos projetos Por quê? e Arq.Futuro; Neca Setubal, cientista social e presidente da fundação Tide Setubal; Sidarta Ribeiro, neurocientista; Tábata Amaral de Pontes, estudante de escola pública formada em Harvard e criadora do projeto Mapa Educação; e Teresa Bracher, diretora do instituto Acaia Pantanal.


Tábata Amaral de Pontes, estudante da escola pública brasileira formada em Harvard e criadora do projeto Mapa Educação. A primeira coisa que eu penso quando a gente fala de educação voltada para elite é em educação política e cívica, que te leva a entender em que momento histórico estamos vivendo, o que está acontecendo com a política, qual é o meu papel como cidadã e como sou responsável não só pelo que eu fiz, mas também pela posição em que eu nasci.

Marisa Moreira Salles, sócia-fundadora da BEI Editora, do Por quê? e do Arq.Futuro. Há o preconceito de uma geração com a educação cívica, que ficou associada ao período militar. E não é. No fundo, é “como é que eu vivo numa cidade?”. Se eu não fizer as minhas escolhas, alguém vai fazer por mim. Então, é muito mais inteligente eu tentar entender a complexidade daquilo e ir formando opinião. Agora, a minha opinião, vazia, não é nada se ela não foi educada pelo contato, pela troca. Na hora que eu me fecho em muros e acho que estou protegida, é uma grande mentira. Porque tem alguém que pegou um transporte de três horas, saiu de um mundo completamente diferente, entrou nessa muralha... Ele conhece meu mundo. Mas quantas vezes eu saio do meu mundo e vou lá? Pouquíssimas. Você tem de fazer um esforço para isso e essa é a maior riqueza que a gente tem na vida.

Marcio Black, cientista político e produtor cultural. O nosso papel é tentar criar esses diálogos – quanto mais pra cima, melhor – e garantir que as portas estejam abertas para quem está vindo atrás da gente. Se eu abrir uma porta, preciso falar: “Galera, vem por aqui”. Aos poucos, algumas pessoas vão se desarmando, vão entendendo, se colocando no nosso lugar, a empatia rola. Mas pesquisas dizem que um homem negro, com a mesma formação de um homem branco, ainda levará 30 anos para ter a mesma renda. Para quem está lá atrás então...

Neca Setubal, cientista social, acionista do Itaú e presidente da fundação Tide Setubal. Temos um desafio cultural a ser cumprido, que é a igualdade dos direitos. Os países na Europa têm isso muito forte. Mais do que políticas universais, iguais para todos, nós temos que ter uma universalização dos direitos. Para isso, é preciso que as escolas que tenham alunos mais vulneráveis, mais pobres, tenham os melhores professores, os melhores materiais, inverter, dar mais para quem tem menos.

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Elisa Lucinda, atriz. A gente precisa ter um olhar crítico e ao mesmo tempo conhecedor das nossas raízes; nós não temos. O que está posto nos cânones da nossa história é uma história mentirosa. A história foi escrita pelos caçadores, pelos domadores, e não pelo ponto de vista dos leões. Precisa haver uma educação sincera brasileira.

Ana Júlia Ribeiro, ativista que ganhou destaque no movimento secundarista em 2016. A educação que a elite precisa é a que toda população precisa. Tanto a elite quanto a periferia precisam da mesma educação. Essa educação da qual os dois setores estão com carência (só que um lado é muito mais afetado) é uma educação emancipadora, de qualidade, que desenvolve o cidadão em sua integralidade. Não uma educação voltada só para o mercado de trabalho. A educação hoje, na maior parte, é voltada para o mercado de trabalho. A diferença é que a elite tem acesso à cultura, ao lazer, a um milhão de coisas que nós, estudantes da escola pública, não temos. É por isso que ela consegue se sobressair.

Neca Setubal. Roberto DaMatta, sociólogo, fala que as elites no Brasil, não só as financeiras, mas as elites intelectuais, artísticas, esportivas, políticas, não querem se igualar, elas querem ter o seu destaque, não abrem mão do privilégio. Ele fala: “Você sabe com quem você tá falando?”. Isso acontece com muitas dessas elites. Ela não quer ficar na fila.


Christian Dunker, psicanalista, professor livre-docente do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). As elites são convidadas a se perceberem parte de uma paisagem muito maior do que elas estão acostumadas. Então, isso cria uma espécie de crise narcísica, em que o capital financeiro não consegue mais transformar o capital cultural em capital social. Estudar na USP não garante mais que você pertencerá à elite, mas, sim, o capital social gerado desde a infância, nas escolas ricas, em que se assegura o networking para manter o status até a vida adulta.

Teresa Bracher, diretora do instituto Acaia Pantanal. A elite brasileira precisa, em seu processo de educação, ter contato com outras classes sociais. Esse fosso que a gente tem hoje é criado por essa distância. As pessoas não se conectam, não se conhecem. É muito importante, desde criança, você ter contato, conviver com famílias de classes mais baixas, com outro mundo. Não é só a escola que é responsável por isso, as famílias também. A gente vive num país onde os mundos estão separados, e isso é ruim para todo mundo. Eu acho muito importante que as escolas de elite insiram no seu currículo trabalho voluntário e experiências com outras realidades. Tem que fazer parte da formação conhecer o Brasil.

Marcello Dantas, curador de arte e documentarista. Tem uma coisa muito simples da qual as pessoas se esquecem: elite, especificamente, não é uma coisa ruim. Toda sociedade precisa de alguma espécie de elite, seja intelectual, política, financeira... Mesmo as sociedades socialistas, quando tentaram fazer o socialismo se implantar, a primeira coisa que eles criaram foi uma elite. Mesmo dentro de um sistema operário se criou um líder sindical, um líder trabalhista, e por aí vai. É difícil olhar isso. O que a gente pode olhar no Brasil não é a palavra elite, porque quando você pensa em elite, assim, você não quer uma elite intelectual no país? Você não quer uma elite de liderança no país? Você não quer uma elite criativa no país? Claro que você quer.


Marina Person, apresentadora e cineasta. A elite não tem contato com a realidade brasileira. Não estuda com pessoas de classe social diferente da dela, e quando ela chega no momento da universidade, tem para si uma universidade pública que tampouco contempla quem não tem acesso à educação particular.

Marisa Moreira Salles. Não foi dada a base para eles [camadas mais pobres] competirem de igual para igual nas escolas públicas, que é onde deveria haver essa igualdade de oportunidade. E é o oposto. Eles pagam caro. Qualquer educação é melhor do que nenhuma, mas é aquela educação de base, a saúde de base, que vai te dar oportunidade de competir pela universidade pública gratuita, que é melhor. Não que não existam universidades privadas muito boas também, mas houve uma inversão de tudo. Devia ser a primeira exigência nossa como povo. É educação. É saneamento. É saúde. Para mim, é esse o ponto que mais incomoda o tempo todo. Quando a gente teve a oportunidade de vender os valores reais da vida, a gente vendeu consumo.

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Sidarta Ribeiro, neurocientista. A única maneira de o Estado brasileiro dar certo é se as pessoas enriquecerem de baixo pra cima; isso gera consumo, circulação de mercadorias, cobrança de impostos, o sistema se realimenta. Mas aqui a elite não tem essa responsabilidade com o futuro, com o que vai acontecer daqui a dez, 20, 30 anos. Isso começa lá na escola, quando a gente aprende sobre a história da Europa, e não sobre a história da América Latina ou da África.

Marina Person. O mundo ideal seria aquele em que a gente tivesse uma educação pública de qualidade no ensino fundamental, onde ricos e pobres se misturassem. Isso seria o grande passo para que as elites tomassem contato com o que é a maior parte da realidade brasileira.

Teresa Bracher. Infelizmente, muitas famílias só viajam pra fora. É engraçado que quando as escolas propõem isso [conhecer outras realidades brasileiras] os pais têm medo. Tem escola que leva os alunos para a Serra da Capivara, no Piauí, mas, quando propôs isso, os pais ficaram apavorados, ninguém queria, tinham medo. Mas depois passou. As escolas têm que abrir essa porta e as famílias também. Senão a criança não conhece a realidade do país, ela acha que a realidade é aquela bolha em que ela vive. Viver nessa bolha é uma coisa muito desinteressante, é empobrecedor demais, como experiência de vida, como compromisso para você contribuir com um Brasil melhor.


Neca Setubal. A elite financeira é uma elite cosmopolita que conversa com escolas cosmopolitas globais. Eu vejo com muita preocupação, eu fico triste, para dizer a verdade. O problema não é a escola, é a desconexão com a realidade brasileira. Talvez a escola reforce essa desconexão, você se conecta cada vez mais com o mundo.

Marina Person. Em São Paulo tem duas novas escolas que estão sendo inauguradas com mensalidades de R$ 8 a R$ 10 mil. Escolas bilíngues, que têm base muito forte de inglês, educando pessoas que não vão fazer universidade no Brasil e que concorrem nessa fatia da ultraelitização da nossa juventude, de novos líderes. Tem um individualismo em um sistema como o nosso, capitalista. As pessoas querem só se salvar. Você tem que cuidar pra que você se salve nesse meio todo. É falta de noção de pertencimento a essa sociedade

Teresa Bracher. Tem que internacionalizar mesmo, o mundo hoje é conectado. Mas também tem que lidar com a realidade imediata. Porque do lado da sua casa tem uma favela. E aí, esse mundo não existe para você?

Flávio Canto, ex-judoca e fundador do Instituto Reação. Tudo é muito injusto. Nos primeiros dois anos de Reação, na primeira vez que subi numa favela do Rio de Janeiro, eu tinha 25 anos. Era um mundo novo que me era apresentado ali e que estava do meu lado o tempo inteiro e no qual eu nunca tinha entrado. A gente não fala de inclusão social, a gente fala em integração, porque parece que quem está embaixo precisa conhecer quem está em cima na pirâmide social, mas quem está em cima não precisa ir para baixo, porque lá não presta.


Sidarta Ribeiro. Seria muito importante que a gente federalizasse a educação, subisse o nível, transformasse a educação em uma atividade de alta prioridade do Estado. E que os ricos pudessem participar da educação pública. Se o filho do rico estuda na mesma escola do filho do pobre, começa a existir a possibilidade da empatia.

Eduardo Lyra, empreendedor social e fundador da ONG Gerando Falcões. A discussão de classes afasta as pessoas, a gente precisa de exemplos de pessoas que unam as classes. OK, você nasceu rico e não tem culpa, como não tenho culpa de ser pobre, mas e aí? Como podemos juntos tornar o país menos desigual e mais justo?

Tábata Amaral de Pontes. Eu não acho que o ponto seja arrogância, acho que é ignorância e medo. Tenho muitos amigos próximos que, quando eu chamava para ir para minha casa, os pais deles morriam de medo, tinham que ir de motorista. As pessoas têm um receio muito grande, que não é fundamentado. São Paulo, por exemplo, é uma cidade perigosa. Se você não conhece, não recomendo que vá sozinho para a periferia ou para a favela. Mas precisamos entender que, se a gente não quebrar as barreiras de alguma maneira, a sensação de insegurança, o crime e a desigualdade só aumentam. As pessoas têm receio porque não têm ideia do que vão encontrar lá. Você vê no noticiário dizendo que o bairro é perigoso, por que você vai se relacionar com essas pessoas? Isso aumenta o preconceito, a desigualdade e tudo o que a gente tem de ruim.

Marisa Moreira Salles. O medo ocupou o espaço do convívio. A gente está vivendo uma crise de confiança absurda. Aí, se a gente olhar politicamente, o que a gente tem é uma crise de confiança. Como vencer isso? Na verdade, você tem políticos que uma hora falam uma coisa e outra hora falam outra. Não são eles. Eles são um retrato da gente. Somos nós, né, que temos essa atitude em relação a tudo. E temos medo do outro. A gente está com medo de sair na rua. O espaço que era da educação cívica, do respeito, do espaço de todos, do espaço público, foi se perdendo. E a gente foi se trancando, se fechando, e foi criando esse abismo, que eu não acho que é só um abismo de classes sociais. A educação é grande parte disso.


Elisa Lucinda. Eu creio que a elite brasileira precisa de uma educação com princípios de cooperação para além da família, algo que você só conhece entre os povos mais pobres. A vida coletiva, além de ser uma lição dos povos primitivos, é também uma necessidade da vida em comunidade. Grosso modo, o que quero dizer é que meninos pobres dividem o brinquedo entre irmãos, vizinhos, criam juntos estratégias que supram a falta, enquanto meninos ricos se isolam em seus quartos com o seu brinquedo que vai ter mais valor, de preferência, se for melhor do que o do irmão. Isso é muito grave. O ensino brasileiro de elite trata da mesma maneira o seu conteúdo e o objetivo de estudar: competir, vencer o outro, ser o melhor, derrotar. Quando colégios caros são especialistas no ranking que eu acabei de listar, temos um diagnóstico de uma educação egocêntrica, excludente e, por isso mesmo, para produzir e manter a injustiça e a guerra. O menino branco é criado em seu condomínio branco, servido por empregados pretos, para que ele e seus descendentes sejam sempre os patrões dos outros, os melhores.

Christian Dunker. Isso gera demandas como escolas condominiais, escolas que vão vender a ideia de que, no fundo, essa elite não pertence ao Brasil, ela já é uma elite que precisa ser reconhecida por outras linguagens. Tem que falar inglês, morar em Miami, estudar nas escolas das princesas, que vão internacionalizar nossas elites. Esse sonho é antigo, é anacrônico e, no fundo, bastante vergonhoso porque é provinciano. A elite precisa sair do país movida pela vergonha, pela incapacidade de se deixar reconhecer, por limitar e ampliar o acesso aos bens simbólicos, por lutar por uma educação qualitativamente mais justa e diversificada.

Flávio Canto. Existe uma apatia que já é histórica do brasileiro em relação à política. A gente tem uma visão assistencialista, esperando um Estado-mãe que tem que fazer tudo, mas não vai fazer nunca, a gente tem uma epidemia de corrupção. Falta para a sociedade, e para a elite brasileira, matar a bola no peito e falar “pô, tem que ser com a gente”.

Marina Person. Isso melhorou um pouco com as cotas, mas ainda assim há um abismo muito grande entre a elite financeira e a maioria do país.


Marcello Dantas: Sabe o que o Brasil perdeu? Meritocracia. É isso o que a gente perdeu. Ou seja, tá tudo certo em ter elite, se você tiver meritocracia. Se a pessoa chegou ali por mérito, não porque é filho do César Maia, ou porque é filho do fulano de tal, ou porque é filha do deputado. Neto do Antônio Carlos Magalhães. Abençoado pelo Lula. Toda essa putaria, que eu acho que é a coisa que a política brasileira virou. É hereditária, e não é por mérito. Se chegasse lá por mérito, estava tudo certo.

Neca Setubal. Dentro das condições que eu estou colocando de igualdade, as cotas fazem parte disso. Vou falar um pouco de meritocracia, que é um conceito extremamente liberal, não é do Brasil, vem do século 19, mas, sem radicalizar a questão, eu vou defender a meritocracia. Num país como o Brasil, o que não é meritocracia é nepotismo, é interesse político, interesse dos meus amigos. Obviamente não se trata disso. É importante a meritocracia, mas ela é importante desde que as pessoas estejam no mesmo ponto de partida. Como isso não acontece e estamos longe disso, a meritocracia tem que olhar e perceber onde eu tenho que tratar diferente para que consiga a igualdade. Tratar diferente os desiguais. Tem uma frase naquele filme Nunca me sonharam, que o Instituto Unibanco produziu, que o menino fala que acha legal a meritocracia, mas enquanto uns estão no primeiro andar, ele está no segundo subsolo.

Marcio Black. Se a meritocracia fosse aplicada num sistema racional e objetivo, e devolvesse para as pessoas conforme o esforço que elas colocaram, quantas horas você não dormiu, quantas horas você trabalhou, quanto do seu fim de semana você comprometeu para estudar, uma pessoa como o [sociólogo negro] Túlio Custódio seria imperador do mundo.


Sidarta Ribeiro. No Brasil, o rico tem o discurso de que é roubado, injustiçado... um discurso de underdog, que permite que ele venda o país. Por que não vender o óleo da Petrobras para os outros, já que a gente é incompetente? Esse discurso de perdedor é o discurso da elite brasileira. Quem tem discurso de liderança na elite brasileira hoje? O discurso de vencedor, que diz que o povo é capaz e vamos crescer juntos… A gente não vê isso. A elite está se escondendo das coisas erradas que eles historicamente fazem. A elite fica mal-educada quando ela é criada por uma babá que faz tudo por ela e por quem ela não tem nenhum respeito. Quando você cria pessoas em condomínios fechados e em escolas cheias de serviçais, elas vivem em uma bolha que acha o Brasil cafona e que não vai dar certo. E não interessa para a sociedade essa pessoa rica que não sabe o que fazer com esse dinheiro.

Francisco Bosco, filósofo e poeta. É uma elite hipocritamente identificada com o que ela considera primeiro mundo. Essa identificação acaba quando se discute as mesmas medidas políticas que fazem desses países democracias mais robustas, com mais igualdade. Quando se tenta abrir qualquer discussão sobre essas medidas no Brasil, as elites são as mesmas a sabotar essa discussão com argumentos terroristas, do tipo, se você faz uma reforma tributária profunda, no sentido progressista, assusta o investidor. Se o governo taxar grandes fortunas, vão tirar o dinheiro do país, vai ter consequências ruins. Existe um terrorismo.

Christian Dunker. Como membro de uma elite cultural, acadêmica e intelectual, percebo que passamos muito tempo sem nos responsabilizarmos pela nossa posição social. O ódio que a gente percebe, o antiacademicismo, um ressentimento contra as universidades, contra os professores, têm em grande medida alguma razão de ser. A universidade teve que se proteger atrás dos muros e dar continuidade para sua função de ser babá de certa elite, não se responsabilizando muito pela intervenção na sociedade civil que, no fundo, é quem paga a conta.


Marcio Black. Quantos colunistas negros você tem hoje em grandes veículos? Quantos diretores de empresas? Quantos professores universitários? E aí quando você olha para o corpo docente da universidade, quantos desses professores ocupam cargos de direção ou coordenação de curso? Eu fiz doutorado na USP e não tem, apenas os quadros históricos, não renova. A gente não consegue multiplicar essas vozes.

Eduardo Lyra. Quando a gente vai discutir elite, favela, classe média, branco, preto, o que é importante considerar, para início de discussão, é que ninguém tem culpa de onde nasceu, de nascer rico ou pobre. As pessoas simplesmente vêm ao mundo e ganham CEP, RG, sobrenome, cor de pele, conta bancária. A gente precisa ter generosidade quando pensa em relação à favela e também quando pensa em relação à elite. Ninguém escolheu onde nasceu. O que a gente tem que fazer é uma reflexão que é: qual resposta eu vou dar para a minha realidade social, para a cor da minha pele, para o meu sobrenome, para a escola onde estudei, para a minha conta bancária e para as oportunidades que eu tive ou não tive na vida?

Tábata Amaral de Pontes. Uma coisa que escutei em uma conferência da fundação Obama, em Chicago, e que achei muito bacana é que se algo não é sua culpa, não significa que não é de sua responsabilidade. Quando a gente olha pros filhos da elite brasileira, não é culpa deles que, por causa da condição financeira dos pais, tenham saído tantos quilômetros à frente da linha de partida e estejam em uma condição privilegiada. Mas é responsabilidade dessas pessoas, já que tiveram tantas oportunidades, e aí eu me incluo porque tive muitas oportunidades, usar como instrumento tudo que recebeu para lutar por um país inclusivo, justo, desenvolvido e ético.


Sidarta Ribeiro. As pessoas hoje não têm constrangimento em ganhar mais dinheiro enquanto tem gente morrendo de fome. Juízes que não têm constrangimento em ganhar acima do teto constitucional. O mais incrível é que não tem empatia, não está nem aí se o outro está sofrendo e não percebe que, em um país que não cuida das suas crianças, vai se agravar o conflito social. Em vez de darmos alguma chance de equalização de oportunidades, melhorando as escolas, não, a gente faz muros altos, mais polícia, mais segurança, mais repressão. É uma corrida armamentista. É triste. A gente precisa sair disso, precisamos de uma elite que diga: “Depende de nós mudar isso, nós temos os meios, vamos parar de explorar o povo e investir no povo”.

Eduardo Lyra. A questão pra mim não é se a pessoa é de elite ou de favela, é o que ela decide fazer com a vida dela. Com as oportunidades que ela teve ou não teve. Essa é a resposta. Agora, se parte considerável da elite não está dando a resposta certa, isso é um problema pro país. Os ricos da nossa geração e os grandes herdeiros precisam dar uma resposta à altura do desafio do seu tempo. Por que essa resposta às vezes não é dada? O grande problema é de consciência e de como ela é formada.
A gente vive em uma sociedade dividida por muros que colocam brancos de um lado e negros de outro, ricos de um lado e pobres de outro, direita de um lado e esquerda de outro. Eles são divididos e decidem conversar com quem é igual e tem as mesmas opiniões.

Teresa Bracher. Eu acho que a gente [a elite] tem que ter esse compromisso, sim, o país é nosso e as oportunidades têm que existir para todo mundo. A desigualdade social é uma violência tremenda e a gente tem que trabalhar para mudar isso. Afeta todo mundo. É muito empobrecedor, é violento, não conectar com as pessoas que não têm o tanto de dinheiro que você tem. As pessoas que têm outra condição de vida você não conhece, não tem contato, não sabe de nada. Por quê?


Camila Pitanga, atriz. Estamos falando de uma elite que só vive o seu feudo, o seu espaço protegido. Carece de conhecer outra realidade que não a sua, de sensibilizar o seu olhar para o outro, para fora. Melhorar a educação brasileira necessita de um compromisso de Estado e da elite, sem dúvida. A questão é como sensibilizar essa elite a pensar no coletivo, a sair do seu conforto, a sair da esfera individualista e competitiva e abrir mão de privilégios? Não tenho essa resposta.

Marcio Black. Eu nasci na favela, consegui superar todas as barreiras que foram colocadas para mim, tanto sociais como raciais. Eu poderia estar confortável no meu lugar, eu tenho minha renda, moro em Perdizes [bairro de São Paulo], estou nesse lugar da classe média. O que me bota pra me movimentar todos os dias pra diminuir a desigualdade é que eu acordo envergonhado com isso. Eu acordo com vergonha disso. E me assusta ver que a elite, que nasce em condições muito mais privilegiadas, não sinta essa mesma vergonha e não tenha como meta diminuir essa desigualdade. E se você se colocar nesse lugar, você vai construir essas pontes pra conversar e chegar nesses lugares.

Camila Pitanga. A crise da educação no Brasil não é uma crise, é projeto, já disse Darcy Ribeiro.

Sidarta Ribeiro. A carência da nossa elite é assumir uma responsabilidade em vez de querer continuar a sugar e extrair. Estou falando isso tanto para os empresários que sonegam impostos e têm trabalho escravo, pagam mal os empregados e foram a favor da reforma trabalhista, quanto para quem está no Estado, como juízes que ganham acima do teto porque é legal, mas é imoral. Um Estado no qual as pessoas tiram R$ 100 mil por mês e não querem pagar a aposentadoria de quem ganha mil?

Neca Setubal. A equidade tem que estar na ponta, eu tenho que atuar pela igualdade de oportunidades, que é um discurso liberal, de direita, de esquerda, de todo mundo. Mas fazer isso acontecer de verdade. As dicotomias de direita e esquerda podem se encontrar na igualdade de oportunidades de partida. Eu tenho que criar uma maior igualdade das condições para que eu possa garantir uma maior qualidade de educação para todos. É nessa questão da política pública, onde o território importa; temos que pensar em diferentes estratégias, diferentes formas de atuar com conteúdos básicos e alguns específicos. Eu tenho que ter clareza de olhar um território, as condições dos valores, as necessidades, quem são aquelas pessoas, para poder dar o máximo possível para criar igualdade de condições.


Camila Pitanga. Há uma dívida que nasce na aceitação de sermos uma sociedade escravocrata. Essa naturalização se dá porque não enfrentamos de verdade o racismo como uma doença viva em nossa sociedade. Enquanto o branco de classe abastada não se enxergar como parte do problema, tudo se mantém como está. 

Teresa Bracher. Há duas coisas com as quais a elite precisa se envolver: com a política e com o terceiro setor, a cultura de compromisso com o público. Doando seu tempo, seu dinheiro, seja para entidades que fazem trabalhos em saúde, educação, meio ambiente etc., seja na própria atuação política. Porque o país vai ser construído pelos brasileiros, tanto da elite econômica, quanto da intelectual. Pessoas que tenham o desejo de contribuir para o bem comum. Como essas pessoas se afastaram da política, quem a ocupou foram pessoas que defendem os próprios interesses. O Estado foi capturado por pessoas que defendem seus interesses individuais ou de grupos. Tanto que você vê a quantidade de parente que tem lá, é o filho, o neto. Política virou negócio.

Flávio Canto. A minha maneira de fazer política nos últimos 17 anos tem sido no terceiro setor. É frustrante porque às vezes você se sente enxugando gelo. Um caso fácil de entender é: tenho 1.500 alunos e só 70 deles têm bolsa de estudos [em escolas privadas]. Então você tem uma limitação muito grande. Talvez o lugar onde você consiga promover mudanças mais significativas não seja no terceiro setor. Quando vejo gente decente, estadistas – porque a gente não tem né, tem só oportunista –, então, quando vejo gente assim entrando para a política, me dá um conforto de saber que vai ter gente remando junto.


Neca Setubal. Hoje eu sou presidente do conselho do Gife [Grupo de Institutos Fundações e Empresas], que tem como associados as fundações familiares e empresariais. Eu pego o censo que saiu ano passado e 80% das fundações atuam na área de educação.

Teresa Bracher. No Brasil existe uma cultura muito baixa de doação, tanto de dinheiro, como de tempo. Uma cultura fraca de compromisso com o público. Isso precisa melhorar muito.

Ana Moser, ex-jogadora de vôlei e presidente do Instituto Esporte & Educação. A gente é financiado, na maior parte, pelo setor privado. Quem toma a decisão nessas empresas são representantes da elite. Está crescendo cada vez mais a consciência das limitações que a gente tem na nossa sociedade e da responsabilidade de todos para superar essas limitações. Há alguns anos, era muito mais comum você lidar com projetos de marketing para dar visibilidade a marcas, produtos, isso tem evoluído. O próprio envolvimento com o projeto é o marketing social. As métricas das empresas têm mudado bastante, com o desenvolvimento da noção de responsabilidade social e do reconhecimento dessa responsabilidade na prática, não só no discurso. As empresas são feitas de pessoas e eu tenho encontrado cada vez mais lideranças sensíveis a isso.

Flávio Canto. Vejo um movimento interessante, com essa coisa do “good is the new cool”.  A gente está em um momento de busca por propósito, das empresas, das pessoas.

Marcio Black. A Angela Davis fala que não adianta mais dizer que não é racista. A grande questão é qual o seu comprometimento com as pautas antirracistas? O quanto você trabalha pela inclusão dessas pessoas no mercado de trabalho, no seu espaço de trabalho? Qual é o esforço que você está fazendo pra romper sua bolha? O cara cresce na zona oeste, não se enxerga como racista, o corpo negro não o incomoda, mas estudou no Dante, no São Luís, vai pra PUC, pra USP… Ele pode passar a vida inteira sem conviver numa situação social de igual para igual com um negro em São Paulo. A gente está falando de um cenário em que mesmo a mão de obra negra qualificada não consegue lugar no mercado de trabalho – não estou falando de negro da periferia, que está sendo alfabetizado, estou falando de classe média, gente bem preparada. E por que não consegue? Eles querem preservar o lugar. Aí fala que é meritocracia, mas mesmo quando as pessoas correm e superam todas as barreiras, ainda não conseguem chegar.


Neca Setubal. Sempre tem o discurso “vou lá na FGV, no Insper, na USP buscar os estagiários e os trainees”, só que não há negros. As empresas dizem “não é minha culpa”. Algumas estão buscando o apoio de ONGs, de algumas agências que focam nisso para que elas possam selecionar outros grupos sociais que não estavam entrando em seus cargos. É um começo muito incipiente, mas eu acho que existe uma movimentação por pressão da sociedade, não por iniciativa das empresas. É uma resposta porque nas redes sociais se cobra, então, as empresas tentam ampliar. 

Marcello Dantas. A elite cultural estava superafastada e agora parece que está voltando a se mexer a respeito. Pra mim, o lado positivo dessa crise política é isso: as classes artísticas e intelectuais passaram a acreditar que precisam fazer parte desse jogo.


Sidarta Ribeiro. As pessoas das ciências humanas estão há mais tempo engajadas nesse debate político. Já nas ciências biomédicas e exatas, agora com essa catástrofe do governo Temer com a ciência, está havendo uma nova politização. Mas se você perguntar para qualquer cientista ou acadêmico se ele quer se candidatar a alguma coisa, ele provavelmente vai dizer que não. Isso gera uma alienação. As pessoas ficam em seus escritórios e laboratórios alheias ao processo.

Neca Setubal. Existem escolas que estão nos primeiros lugares e que têm uma visão muito mais aberta, mais progressista. Nesses casos, são escolas que buscam uma visão mais crítica, ter um olhar mais amplo da sociedade, tanto do próprio conteúdo, quanto das experiências dos alunos. Então, você vai ver escolas que fazem intercâmbio com alunos de escolas de periferias, desenvolvem trabalhos juntos. Isso está longe de ser algo que possamos dizer “ah, é por aí” ou esses alunos são formados e conhecem uma realidade outra que não o seu próprio umbigo. Mas, é um começo.

Elisa Lucinda. A gente paga um preço altíssimo por não fundamentar o nosso ensino, nosso estudo, nossa educação formal, na história real brasileira. Tem dias que são verdadeiros equívocos e vultos históricos que são verdadeiros equívocos enquanto heróis, mas eles perduram dentro dos currículos. Ninguém entende direito a Inconfidência Mineira, a Guerra do Paraguai, não tem a dimensão da nossa escravidão de 400 anos, não tem os fundamentos dos povos primitivos, indígenas e negros, a gente não tem esses fundamentos. A dominação branca extremamente pretensiosa achou que podia prescindir de tais fundamentos e de tais culturas, e isso reflete na nossa educação.

Ana Júlia Ribeiro. A preocupação que uma educação emancipadora deveria ter vai muito além de ensinar só a decorar uma fórmula de química, matemática e física. É você conseguir ver além daquilo. É quando você tá andando pela rua e consegue ligar o que vê com o que aprendeu na escola, é esse tipo de ensino que a gente procura. Mais do que isso. Um ensino em que nós, estudantes, possamos questionar, discutir, sem sermos desmoralizados porque temos 17 anos. Um ensino que emancipe a gente e nos torne cidadãos, não robôs.
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Delegação brasileira visita Didacta em Hannover

Delegação brasileira visita Didacta em Hannover | Inovação Educacional | Scoop.it

A partir de hoje (19), uma delegação brasileira do setor de Educação e Formação Profissional passará por várias cidades na Alemanha para realizar visitas técnicas em renomadas empresas e instituições alemãs envolvidas na Formação Dual. A programação proposta pela Câmara Brasil-Alemanha, que vai até o dia 24 de fevereiro, terminará com a visita na maior feira mundial de educação profissional Didacta.
A viagem começará no Sul do país com a visita técnica na Duale Hochschule Baden-Württemberg e na Robert Bosch GmbH, em Stuttgart. Em seguida a delegação viajará para Karlsruhe para conhecer o Instituto de Tecnologia Karlsruhe KIT e a Fábrica de Aprendizagem 4.0. O último compromisso no Sul será a empresa Festo AG & Co. KG, em Ostfildern.
Depois a delegação viajará para o Norte. Em Wolfsburg eles visitarão a Volkswagen AG, antes de chegar no destino final da viagem: Hannover. Nesta ocasião, acontecerá o momento mais esperado da viagem: a visita guiada na Didacta.
Um dos focos da delegação é a apresentação dos diversos cursos no sistema Dual, oferecidos em um formato de aprendizado que une a teoria à prática, técnica muito utilizada pelas instituições e empresas alemãs que seguem esse modelo de formação.
Entre os participantes estão profissionais do SENAI, da Bosch Rexroth Ltda., da Fatec Sebrae – Centro Paula Souza, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – Campus Pirituba, do Centro Universitário ENIAC e da Fundação Dom Cabral. Os integrantes da delegação têm um grande interesse em conhecer a metodologia da Formação Dual alemã para implementá-la futuramente na própria Formação Profissional em cooperação com empresas brasileiras. Durante as visitas técnicas haverá a oportunidade de trocar informações e experiências com profissionais experientes nesse ramo de Educação.
“A Alemanha é uma referência na Formação Profissional Dual e o programa de visitas proporcionará aos participantes um panorama da 4ª Revolução Industrial conciliada à educação técnica”, afirma Patrícia Caires, Diretora do Centro de Competência Formação Profissional da Câmara Brasil-Alemanha.
O objetivo da viagem é proporcionar a troca de informações quanto ao desenvolvimento educacional nas empresas alemãs, apresentar instituições de ensino técnicas, faculdades e projetos colaborativos de aprendizado da Indústria 4.0 além de identificar as tendências da digitalização na formação profissional.

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A China sabe muito sobre o Brasil e o Brasil sabe muito pouco sobre a China

A China sabe muito sobre o Brasil e o Brasil sabe muito pouco sobre a China | Inovação Educacional | Scoop.it

O crescente papel econômico da China também é uma realidade irrefutável no Brasil. Dependemos cada vez mais da demanda chinesa de commodities, e a China em breve se tornará o maior investidor no Brasil, dando-lhe influência econômica e política sem precedentes. O Brasil tem pouca escolha além de operar dentro dessas restrições estruturais. A questão não é aceitar ou rejeitar essa realidade de crescente dependência, mas como gerenciá-la para que ela beneficie os nossos interesses estratégicos.
As crescentes tensões entre China e o Ocidente terão um grande impacto sobre a ordem global, e o Brasil pode tirar lições importantes dos episódios descritos acima, se o país aprender a navegar nesse novo ambiente geopolítico fortemente influenciado por Pequim. No entanto, em uma recente reunião, em Brasília, entre especialistas em China, participantes do governo, do mundo acadêmico e do setor privado concordaram abertamente que o Brasil não tinha uma estratégia clara em relação ao novo cenário. Isso ocorre em parte porque os desafios domésticos atualmente reduzem a margem de manobra do Brasil no domínio da política externa. No entanto, uma razão mais preocupante é que a natureza fundamental dos laços Brasil-China hoje é uma das mais profundas assimetrias do conhecimento: a China sabe muito sobre o Brasil, enquanto o Brasil sabe muito pouco sobre a China.
Pequim investe sistematicamente na formação de uma elite de analistas com uma compreensão sofisticada do Brasil — incluindo metas precisas sobre quantos chineses devem aprender português. O Brasil, por sua vez, não possui uma estratégia comparável. De quantos sinólogos o país precisará nas próximas décadas? Quantos estudantes brasileiros devem ter passado pelo menos um semestre em universidades chinesas? Qual o número desejável de turistas chineses no Brasil em médio prazo?

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Sonho ou pesadelo? Cientistas desenvolvem dispositivo capaz de manipular a memória

Sonho ou pesadelo? Cientistas desenvolvem dispositivo capaz de manipular a memória | Inovação Educacional | Scoop.it

A memória humana é o fantasma da medicina neurológica, uma rede ampla em mudança contínua, com comunicação multidimensional entre as células, que permite saber qual é a capital do Kentucky e reproduzir as emoções do primeiro amor.
A notícia divulgada na última semana de que os cientistas desenvolveram um implante cerebral que pode aumentar a memória --uma "prótese cognitiva", no jargão médico-- pode ser espantosa até mesmo para os céticos.
Certamente, os desenvolvedores de aplicativos já estão pensando em outro conjunto de exercícios para o cérebro tendo em conta essa novidade da medicina. E os roteiristas que criam personagens assassinos com amnésia terão algum apoio na realidade quando tentarem vender suas histórias.

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O que a maior feira de tecnologia do mundo nos mostrou sobre o futuro?

Zeitgeist. Do alemão, o espírito do tempo: o conjunto de pensamentos, hábitos, crenças e ideias de um determinado período. Quando colocado sob a ótica da inovação tecnológica, Zeitgeist diz muito sobre como invenções iguais ocorrem em diferentes regiões, na mesma época, sem que sequer tenham tido algum contato. Por trás desse fenômeno, pesquisadores compreenderam: as invenções são, em grande parte, fruto dos encontros naturais de tecnologias e conhecimentos disponíveis em um determinado período — e menos da inventividade exclusiva de algum brilhantismo individual. Zeitgeist, deste modo, embasa os argumentos sobre a necessidade da exposição a novas ideias, da divulgação das próprias ideias e da concentração de cérebros em ambientes que permitam um maior número de colisões de conhecimentos.
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