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Demanda por cursos técnicos

Marcelo Neri para a Folha de São Paulo, 22/04/2012

 

Gestores e pesquisadores têm o hábito de basear decisões e sugestões de política pública seguindo uma perspectiva de oferta e não de demanda. Mas o derradeiro teste da política pública se dá na sua aceitação, ou não, pela respectiva clientela final.Por exemplo, quando perguntamos aos pequenos empresários qual a natureza da maior dificuldade percebida do negócio, tais como deficiência de tecnologias, infraestrutura, formalização, crédito, mão de obra qualificada, entre outras, a resposta mais frequente é "nenhuma das alternativas acima", mas "a falta de clientes ou o excesso de concorrência no mercado".

 

Proporção semelhante é encontrada em pesquisas que perguntam ao jovem, de 15 a 17 anos, por que não está na escola regular: 67% das respostas abrangem elementos de demanda como a falta de interesse ou renda. Antes de um Gosplan (política de economia planejada da União Soviética) de educação profissional, é preciso ouvir a demanda do trabalho e do capital. Não basta ter no papel um bom plano de educação profissional que atenda as prioridades produtivas vislumbradas para a nação; acima de tudo, antes ele tem de atender as aspirações dos trabalhadores e das empresas. A demanda por educação profissional é muito mais complexa do que a da escola regular.

O menu profissionalizante inclui cursos de qualificação profissional, técnico de ensino médio e graduação tecnológica numa miríade de temas que vão da informática à saúde, passando por cursos de estética e de gestão, entre outros.

 

Nessa selva de cursos em diferentes níveis e temas ofertados por diversos atores, é fácil se perder no caminho. Essa é a lição de uma pesquisa realizada pelo CPS/FGV para o Senai (www.fgv.br/cps/senai) sobre as razões da demanda pelos cursos profissionalizantes. Uma linha de investigação pouco explorada é composta de perguntas aos jovens sem educação profissional quanto à falta de motivações: seria a ausência de interesse, necessidade imediata de geração de renda ou os baixos retornos prospectivos percebidos por eles?

 

Essas questões encontram respostas naqueles sem curso profissionalizante. A falta de demanda é a razão majoritária para não fazer cursos profissionalizantes, que se divide por sua vez em dois tipos básicos: ausência de interesse intrínseco (68,8%) e falta de condições financeiras (14,17%), que é motivo de demanda, mas poderia ser enfrentado com a oferta de bolsas de estudo profissionalizantes, como nas tentativas de atrelá-las ao Bolsa Família, na criação de um Fies ou de um ProUni do ensino técnico.

Os demais motivos alegados são residuais (6,57%) ou a falta de oferta (10,47%). As motivações de oferta, por sua vez, se dividem em falta de escola na região (8,64%), ausência de curso desejado na escola existente (1,4%) e falta de vagas nos cursos existentes.

 

Nada menos que 83% das razões apresentadas pelos sem educação profissional se referem à falta de demanda e não de oferta. Isto é, os cursos oferecidos não encontram correspondência nem no mercado de trabalho nem no interesse dos alunos -69% daqueles sem educação profissional apontam falta de interesse nos programas oferecidos e não falta de cursos. A perda de interesse, por sinal, também é a razão apresentada por 55% dos que abandonaram as aulas. Somente 8% abandonam, mostrando que o gargalo maior está em atrair -e não em manter- o jovem.

A falta de interesse das empresas em contratar, por sua vez, explica 31% da não colocação no mercado na opinião dos egressos desses cursos. Esse desinteresse reflete a inadequação dos cursos às necessidades das pessoas e às especificidades do mercado, como a oferta de um curso de datilografia quando as pessoas querem um de informática.

 

Esse seria o lado Gosplan de não olhar para o que as pessoas físicas e as empresas, que formam o mercado de trabalho, querem. Outro ponto é que falta informação da população sobre os impactos do curso. Por exemplo, o técnico médio alavanca o salário em 14% para cima do que se obtém com o médio regular.

 

MARCELO NERI, 49, é economista-chefe do Centro de Políticas Sociais e professor da EPGE, na FGV, e autor de "Microcrédito, o Mistério Nordestino e o Grameem Brasileiro" (editora da FGV) e "A Nova Classe Média" (editora Saraiva).

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Senado aprova R$ 460 milhões para o Pronatec

Senado aprova R$ 460 milhões para o Pronatec | Inovação Educacional | Scoop.it

Os senadores aprovaram, nesta quarta-feira (21), o Projeto de Lei de Conversão (PLV) 5/12, proveniente da Medida Provisória (MP) 548/11, que abre crédito extraordinário de R$ 460 milhões em favor do Ministério da Educação, para a oferta de bolsas para estudantes e trabalhadores no âmbito do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). O texto segue para sanção presidencial.

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Câmara aprova R$ 460 milhões para bolsas do programa de ensino técnico

O Plenário aprovou, nesta terça-feira, a Medida Provisória 548/11, que concede crédito extraordinário de R$ 460 milhões para o pagamento de bolsas de estudantes e trabalhadores no âmbito do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). A matéria será analisada ainda pelo Senado, na forma do projeto de lei de conversão do deputado Artur Bruno (PT-CE), que fez apenas ajustes técnicos no texto.

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Financiamento estudantil: Instituições de ensino técnico aprovadas já podem fazer sua adesão ao Fies

O Diário Oficial da União de sexta-feira, 30, publicou portaria que regulamenta o processo de adesão das mantenedoras de instituições privadas de educação profissional e tecnológica ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). A portaria veda a concessão do benefício a alunos de cursos de educação profissional técnica de nível médio e de cursos de formação inicial e continuada ou qualificação profissional ministrados na modalidade de ensino a distância. A concessão de uma linha específica de financiamento para cursos técnicos e de formação inicial e continuada integra o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego (Pronatec).

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Qualificação é a aposta do setor industrial para futuro

O setor industrial passa por escassez de mão de obra. O emprego na área caiu 0,3% em janeiro sobre dezembro e 0,5% em relação ao mesmo mês de 2011, segundo o IBGE. Mas as vagas são oferecidas aos montes. Para se ter ideia, só para indústria da construção civil, instituições como Faetec e Seconci-Rio têm mais de 22.500 vagas de qualificação em todo Estado do Rio, este ano.

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