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O Brasil deve eleger a capacitação em Ciência, Tecnologia e Inovação como uma de suas prioridades 

O Brasil deve eleger a capacitação em Ciência, Tecnologia e Inovação como uma de suas prioridades  | Inovação Educacional | Scoop.it

Por Luciano Sathler

O desenvolvimento de competências para ciência, tecnologia e inovação (CTI) é algo fundamental. Mais: é urgente e deve ser priorizado para a transformação da realidade socioeconômica brasileira.

Durante meus estudos de mestrado e doutorado, tive o privilégio de conviver com pesquisadores que, à sua profunda erudição e elevado rigor científico, somavam uma visão instigante de mundo, que mobilizava estudantes a refletirem sobre si mesmos e sobre a sociedade.

Um desses mestres foi o economista Ladislau Dowbor, cuja história de vida se soma a uma vastidão de conhecimentos e profícua produção científica – características que o permitem ser reconhecido internacionalmente. Seu foco principal? Enfrentar a pobreza e combater a desigualdade. Via de regra, Ladislau não é considerado simpatizante das políticas defendidas pelo Banco Mundial e outros órgãos multilaterais. Mas sempre teve abertura intelectual o suficiente para analisar os dados publicados por essas instituições – seja para refutar, criticar ou demonstrar fatos que saltavam aos olhos.

Na mesma linha crítica do mestre Ladislau, quero refletir sobre uma de 2008, escrita por autores designados pelo Banco Mundial, com o título “Science, technology, and innovation: capacity building for sustainable growth and poverty reduction”. Na data em escrevo está disponível para download aqui.

O trabalho advém do Fórum Global de Ciência, Tecnologia e Inovação, realizado em fevereiro de 2007, nos Estados Unidos. O objetivo foi discutir estratégias, programas e políticas para ampliar a capacidade científica, tecnológica e de inovação nos países empobrecidos, para promover o crescimento sustentável e, consequentemente, a redução da pobreza. Vejamos alguns tópicos:

  • Redução de pobreza e caminhos para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis promulgados pela ONU – Para que consigam aplicar Ciência, Tecnologia e Inovação na resolução de seus problemas, as comunidades locais devem ser participantes ativas no processo de desenvolvimento – e não meramente destinatários passivos da tecnologia desenvolvida por outros povos. O empreendedorismo e as habilidades de marketing também são importantes. Mas sem a capacidade de desenvolver soluções tecnologicamente superiores ou inovadoras, ambas serão competências que não garantirão sucesso na construção das capacidades produtivas dos países.
  • Ampliação do valor agregado aos recursos naturais exportados – Embora possa parecer paradoxal num primeiro momento, muitos economistas consideram a oferta abundante recursos naturais como um potencial problema. O raciocínio sugere que a abundância desacelera o crescimento e dificulta a diversificação econômica. É preciso escapar desse ciclo vicioso. Para isso, os países têm que desenvolver competências adequadas de CTI para que as organizações locais tenham a capacidade de produzir e exportar mais bens e serviços de maior intensidade tecnológica. Fundamental é que cientistas, empreendedores e demais trabalhadores estejam aptos para executar tarefas mais complexas, que pedem melhor formação e espaço para a criatividade.
  • Atualização tecnológica e captura da vantagem do retardatário – Os países empobrecidos são, atualmente, os retardatários tecnológicos – uma desvantagem frente aos países ricos no que diz respeito à capacidade em CTI. Porém, isso não significa uma condenação permanente que empurre as nações pobres para trás. É possível diminuir o fosso e recuperar terreno se houver aprendizagem, convertendo o atraso em vantagem. Por exemplo: os retardatários não têm que inventar a maioria das tecnologias de produção ou processos a serem adotados. Nem precisam começar com a tecnologia mais antiga e trilhar o mesmo histórico de progressão que os países mais ricos seguiram. É possível saltar e mover-se diretamente para as tecnologias mais avançadas. Essa rápida progressão tecnológica pede o desenvolvimento interno da capacidade de encontrar tecnologias existentes, adaptá-las para uso local e incorporá-las ao processo produtivo. É o que a China tem feito nas últimas décadas.
  • O papel da Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) – Já existem muitas tecnologias que podem colaborar para reduzir a pobreza, agregar valor às exportações e atualizar a proficiência tecnológica da população em nações empobrecidas. É comum que muitas estejam com seu uso difundido nos países ricos. Portanto, uma das primeiras tarefas no desenvolvimento da CTI deve ser voltada ao uso e adaptação das tecnologias existentes. Para a maioria, isso requer o desenvolvimento de competências técnicas e profissionais no campo das ciências, tecnologias, engenharias, artes e matemática – conhecido pela sigla em inglês Steam. Não significa a ideia de que nenhum papel há para P&D nas fronteiras do conhecimento. Mas somente que os dois tipos de esforços devem estar previstos nas políticas públicas e iniciativas privadas de inovação.

Dentre as conclusões principais do Fórum, destaco:

O Ensino Fundamental de boa qualidade é essencial, mas não suficiente. Nenhum país terá condição de melhorar suas condições socioeconômicas se não cuidar da qualidade e inclusão no Ensino Médio e na Educação Superior. O pensamento que defende serem os salários baixos um diferencial competitivo não se sustenta diante da crescente automação dos trabalhos manuais e repetitivos.

A centralidade das mulheres para a redução da pobreza exige que o combate à Desigualdade de Gênero seja priorizado nas estratégias para o desenvolvimento das competências para CTI.

Desenvolver competências para CTI é muito mais do que focar apenas em tecnologias de ponta. As necessidades locais em países empobrecidos pedem um olhar também para as questões mais básicas, tais como saneamento básico, economia ambiental, doenças tropicais, desnutrição e combate à violência. Soluções intensivas de tecnologia concebidas ou adaptadas para temas como esses têm elevado potencial de gerar maior prosperidade e competitividade.

DIMENSÕES DA CAPACITAÇÃO EM CTI

O infográfico a seguir apresenta quatro dimensões necessárias à capacidade para a CTI: pessoas competentes; empreendedorismo, organizações e ecossistema de inovação. Confira no infográfico acima.

Mesmo que um país empobrecido aumente drasticamente o tamanho, a qualidade e seu esforço de pesquisa, é improvável que o sistema local de P&D gere mais do que uma pequena fração do total de conhecimento necessário para mudar a matriz socioeconômica. Portanto, a maioria do conhecimento que qualquer nação vai precisar será produzido por outros.

Como resultado, o desenvolvimento da capacidade de identificar, localizar, adquirir, adaptar e adotar esse conhecimento existente deve ser um componente indispensável da capacidade em CTI.

E a capacidade de produzir e usar novos conhecimentos por meio de P&D? Bem, ela implica na capacidade de conduzir a pesquisa básica de alto nível, sozinhos ou em parceria com os principais institutos globais de P&D. Ou ser capaz de encontrar novas maneiras de resolver problemas locais como, por exemplo, sistemas de filtragem de nanotecnologia para fornecer água potável ou biogás como alternativa energética.

O Brasil deve eleger a capacitação em CTI como uma de suas prioridades. Não há outro caminho, a não ser mudar a forma como são administrados os sistemas de educação, para incorporar também nestes a inovação – na gestão, nas parcerias, nas metodologias, nos conteúdos, nos espaços e nas relações.

Publicado originalmente por Desafios da Educação, em 28 de março de 2018.

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Alunos brasileiros não chegam ao fim de prova em avaliação mundial 

Alunos brasileiros não chegam ao fim de prova em avaliação mundial  | Inovação Educacional | Scoop.it

O fraco desempenho dos alunos brasileiros na principal avaliação internacional de educação básica, o Pisa, não ocorre apenas porque eles não acertam as perguntas da prova. A maioria dos estudantes piora a performance ao longo do exame e não consegue sequer chegar ao fim da prova.
A análise aparece em uma pesquisa inédita capitaneada pelo professor Naercio Menezes Filho, do Insper e da USP, e permite ampliar a interpretação dessa avaliação.
"Parte do diagnóstico é de que os alunos não sabem o que é pedido, ou têm dificuldade de entender os enunciados, mas há outros fatores por trás", diz. "Há também uma questão de estímulo, de motivação dos alunos brasileiros", afirma o pesquisador.
O comportamento dos brasileiros aponta também a falta de habilidades de fazer provas, além do baixo conhecimento das disciplinas e de competências socioemocionais, como resiliência. 
Caso os brasileiros soubessem administrar melhor o tempo na prova, a pontuação poderia ser melhor –embora não o suficiente, de acordo com o estudo, para alavancar a posição do país.
O Pisa de 2015, a edição mais recente, avaliou jovens de 15 e 16 anos em 70 países e territórios em matemática, leitura e ciências. A média geral deixa o Brasil nas últimas posições: fica na 63ª posição em matemática, 58ª em leitura e 65ª em ciências.
Organizado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, uma entidade que reúne países desenvolvidos), ocorre a cada três anos.
Essa nova pesquisa destrinchou o desempenho em cada questão. Como o último Pisa foi totalmente aplicado pelo computador, foi possível medir ainda o tempo que os alunos perderam com cada item. 
O estudo aponta que 61% dos brasileiros não conseguem chegar até a última questão da primeira parte da prova. Entre os estudantes da Finlândia, por exemplo, esse índice é de apenas 6%. 

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Rankings oferecem retrato importante, mas incompleto da Universidade 

Rankings oferecem retrato importante, mas incompleto da Universidade  | Inovação Educacional | Scoop.it

Nesta semana, a USP se deparou com os resultados de dois rankings universitários: perdeu a liderança de quatro anos no Ranking Universitário Folha (RUF) e caiu colocações na lista mundial divulgada pelo Times Higher Education (THE), permanecendo, porém, no primeiro lugar entre as universidades da América Latina. Já na última edição do QS World University Ranking, a USP subiu 23 colocações e obteve sua melhor avaliação na história da lista. Esta aparente discrepância nos indica que, apesar de sua importância, os rankings universitários precisam ser relativizados.
As listas são populares pois traçam um quadro fácil de visualizar, com métricas que dão objetividade às comparações – volume de publicações, número de estudantes estrangeiros, quantidade de Prêmios Nobel conquistados, por exemplo. Os especialistas, no entanto, ressaltam as divergências de critérios entre os rankings e as constantes mudanças dentro de alguns deles. Mas há mais fatores para que o sobe e desce das colocações seja visto com cautela.
Uma das críticas aponta para a desvantagem de se colocar instituições com características tão distintas em um mesmo pacote e daí tirar um número final para classificá-las.

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USP abre inscrições para curso grátis EAD de Pedagogia e Aprendizagem

USP abre inscrições para curso grátis EAD de Pedagogia e Aprendizagem | Inovação Educacional | Scoop.it

A USP (Universidade de São Paulo) está com inscrições abertas para o curso grátis EAD sobre Pedagogia e Aprendizagem em Plataformas Digitais. A oportunidade é oferecida em parceria com a Universidade Aberta de Portugal.
O curso tem duração de 40 horas que precisam ser completadas em no máximo 9 semanas. O estudo será acompanhado por tutores, que estarão disponíveis online para sanar dúvidas, mediar discussões nos fóruns e corrigir provas e trabalhos.
Inscrições no curso grátis EAD da USP
Interessados podem se inscrever até o dia 30 de setembro de 2018 clicando aqui.
O curso será realizado de 01/10/2018 a 15/11/2018.

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Kroton autoriza Somos a seguir fazendo aquisições

Kroton autoriza Somos a seguir fazendo aquisições | Inovação Educacional | Scoop.it
Além da Santi, a Somos está para fechar mais uma compra em São Paulo, no valor de 60 milhões de reais, e outra no Nordeste. Os contratos já estão prontos, mas as empresas envolvidas decidiram deixar o anúncio para o fim de julho, quando as aulas voltarão. Executivos ouvidos por EXAME afirmam que um acordo com a Kroton permite à Somos investir os 315 milhões de reais que tem em caixa em até dez aquisições daqui para o final do ano. O curioso nesse caso é que a Kroton, pela lei, não pode ter acesso à estratégia de aquisições da Somos. A Somos é um dos maiores grupos de educação básica do país, com 33 escolas. A Kroton, líder em educação superior com 997 000 alunos, escolheu a educação básica como uma nova prioridade. Mapeou 13 mesorregiões do país onde seria interessante comprar uma escola tradicional para, depois, construir até cinco unidades em bairros e cidades vizinhas com aquela marca. Como não sabe qual é a estratégia da Somos, a Kroton só pode torcer para que os planos das duas empresas coincidam.
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Para a Philips, o futuro da saúde é digital

Para a Philips, o futuro da saúde é digital | Inovação Educacional | Scoop.it

centenária Philips, conhecida por sua história na área de produtos elétricos e bens de consumo, está cada vez mais voltada para o campo da saúde. A mudança vem de uma decisão estratégica tomada no início da década. No entanto, a empresa com sede em Amsterdã, na Holanda, tem enfrentado uma série de desafios na empreitada. O mercado de saúde passa por uma transformação digital. E, apesar do consenso de que a digitalização trará tratamentos melhores e menos custosos, ainda há entraves para a adoção das tecnologias. Os pacientes temem pela segurança das informações, os médicos dizem que a tecnologia aumenta o trabalho e os políticos precisam ser educados para montar uma boa regulação. “Estamos vivendo uma fase de adaptação”, diz o pediatra belga Jan Kimpen, de 60 anos, que foi presidente do hospital da Universidade de Utrecht e desde 2016 é diretor médico da Philips. Na empresa, a área de saúde domina os recursos para pesquisas e tem ganhado espaço no faturamento. Kimpen concedeu a entrevista a seguir no escritório central da Philips.
Por que a Philips focou seus negócios em saúde?
Essa é uma área que cresce, mas que tem desafios e oportunidades. Os sistemas de saúde dos países estão mudando de um modelo baseado em volume de serviços para um modelo baseado no valor trazido pelos serviços. Isso significa gerar o melhor resultado com o menor custo. A digitalização vai ajudar. Com ela, é possível compartilhar dados eletronicamente e monitorar pacientes em casa, por exemplo.
Os médicos e os pacientes estão convencidos dos benefícios da digitalização?
Em todo o mundo, inclusive no Brasil, eles acreditam que a digitalização é parte do futuro da saúde e que trará tratamentos médicos mais eficientes e menos custosos. Como exemplo, uma pesquisa que fizemos mostra que, para 81% dos profissionais da saúde e para 74% da população em 16 países, a tecnologia melhora a assistência médica a distância.
Os pacientes estão dispostos a pagar mais por soluções digitais?
Em países como os Estados Unidos, onde os serviços de saúde são caros, as pessoas pagam por um tratamento digital que não é oferecido pelo seguro de saúde. Na Holanda, por outro lado, as pessoas não querem pagar nada além do seguro. Se uma empresa quiser implementar uma solução digital na Holanda, portanto, terá de ser muito competitiva, porque aqui é muito difícil pedir mais dinheiro para isso.
Como lidar com esse ambiente mais hostil?
Existe uma prática de os seguros remunerarem os hospitais de acordo com um preço fixo para o tratamento. Não importa como o hospital entrega o serviço, desde que a qualidade seja boa. O paciente pode ir toda semana ao hospital ou ter consultas por vídeo. Nessa situação, seria mais fácil adotar soluções digitais, porque o hospital vai gastar o dinheiro que receber da maneira que desejar, e será estimulado a encontrar uma maneira mais eficiente.
De que forma os médicos lidam com a digitalização?
Até agora a digitalização causou mais trabalho. E a classe médica em vários países está com um volume excessivo de trabalho. Cerca de metade dos profissionais em alguns países, como na Holanda, tem a síndrome de Burnout, que decorre do esgotamento físico e mental. Foi divulgado um paper que mostra que os médicos estão trabalhando 10 horas a mais por semana checando mensagens e preenchendo prontuários eletrônicos. Temos de fazer um trabalho melhor.
Tudo isso é normal de uma fase de transição da saúde, da analógica para a digital?
É uma fase de adaptação, sim. Existe um legado muito grande dos sistemas antigos, que estão mais presentes na Europa e também nos Estados Unidos, com os quais médicos e pacientes estão acostumados. Fora isso, é difícil entender o panorama da digitalização. Há muitas empresas prometendo o céu com a digitalização, e só podem entregar um pouco de avanço.
Qual tem sido o ritmo de adoção da digitalização nos hospitais?
O panorama não é muito simples. Eu fui presidente executivo de um hospital e sempre me senti confortável construindo uma nova sala de tratamento intensivo, porque eu tinha referência de preço e do resultado. Mas pense na aquisição de um prontuário eletrônico: o que ele entregará de resultado ou quando terei de atualizá-lo? Essa realidade é menos tangível, porém é um passo que teremos de dar.
De que forma os governos estão regulando as soluções digitais diante do receio dos pacientes com o vazamento de informações?
As regras estão travando o progresso da transformação digital. Tentamos educar os governos e os parlamentares sobre o que temos a oferecer e quais os cuidados a tomar. Mas, às vezes, os burocratas não entendem a diferença entre uma droga e um dispositivo médico disponível para o paciente.
Com tantos desafios à digitalização, a Philips tem tido sucesso em sua mudança de foco?
Éramos um conglomerado industrial. Estávamos em muitos mercados, mas para ter sucesso precisávamos apostar em um. Hoje, 60% dos investimentos da empresa vão para pesquisa em saúde. E 70% das receitas são de negócios de curto prazo, como vender produtos, enquanto 30% são de parcerias de longo prazo em saúde, que não existiam há alguns anos. A saúde está se transformando. Queremos ser parte disso.

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Japão quer um mercado de trabalho com idosos mais fortes

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Para enfrentar os desafios do envelhecimento da população, o Japão procura um mercado de trabalho com mais idosos e mais equidade
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Singapura tem o sistema de saúde com o melhor custo-benefício

Singapura tem o sistema de saúde com o melhor custo-benefício | Inovação Educacional | Scoop.it

Os 5,6 milhões de singapurianos são o melhor exemplo de uma sociedade que conseguiu brecar a escalada de custos médicos, um problemão nos países ricos. Os gastos públicos e privados na OCDE, o clube das nações mais desenvolvidas, subiram de 9% para 12% do produto interno bruto em 15 anos. Enquanto isso, Singapura seguiu gastando perto de um terço da média de uma nação rica: mais ou menos 4% do PIB. A austeridade está longe de significar serviços precários. Em 2014, um ranking da empresa de análise financeira Bloomberg escolheu a medicina de Singapura como a de melhor custo-benefício em 55 países. Boa parte da elite médica da Ásia está na cidade-estado, que sedia filiais de renomados hospitais americanos, como o Johns Hopkins, cuja sede em Baltimore é referência mundial em cirurgias neurológicas. Ainda assim, gastar pouco com saúde é um contrassenso num lugar como Singapura, em que um de cada 35 habitantes é milionário e cujo custo de vida é dos mais elevados. Em março, a cidade ganhou pela quinta vez o título de mais cara do mundo, à frente de metrópoles como Londres e Tóquio, segundo a consultoria Economist Intelligence Unit.
Por que Singapura gasta tão pouco com saúde se é um lugar tão caro? Uma parte da resposta está no movimento do fim de tarde em Padang, área central da cidade localizada a poucos metros da Baía da Marina, um de seus cartões-postais. Ali, quando o sol e o calorão tropical dão uma trégua, milhares de pessoas saem para correr, andar de bicicleta ou jogar rúgbi, futebol americano ou críquete em áreas verdes ou no meio das ruas, fechadas aos carros ao cair da noite. Singapura é pioneira na “promoção de saúde”, jargão médico para a luta contra o inimigo número 1 do custo galopante: o tratamento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, causadas por maus hábitos, como o sedentarismo. Em 2001, o governo local criou uma agência só para botar os singapurianos em forma. Para dar conta da missão, entre outras iniciativas, hoje o órgão mantém um canal no YouTube com dicas de alimentação, uma linha de crédito para restaurantes dispostos a tirar frituras do cardápio e um calendário de exercícios gratuitos em praças e escritórios — no portfólio estão aulas de ioga, boxe e até zumba, um tipo de malhação inspirado em danças latinas. O resultado disso tudo são hábitos mais saudáveis que em outros países. Seis em cada dez singapurianos se exercitam regularmente, uma das taxas mais altas do mundo (no Brasil, são três em cada dez). Em Singapura, 11% dos adultos estão obesos. A média dos países ricos é de 17%. Os hábitos saudáveis colaboraram para a longevidade da população superar a média dos países ricos desde 1980. Hoje é de 83 anos, três anos acima do padrão na OCDE.

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Brasil tem um grande desafio à frente: envelhecer com saúde

Brasil tem um grande desafio à frente: envelhecer com saúde | Inovação Educacional | Scoop.it
Até 2030, o país terá pela 1ª vez mais idosos que crianças. O setor de saúde será pressionado, mas a tecnologia e a gestão eficiente podem trazer equilíbrio
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Gargalos na ciência: Por que falta visão de longo prazo no país

Gargalos na ciência: Por que falta visão de longo prazo no país | Inovação Educacional | Scoop.it

A economista paranaense Fernanda De Negri é uma profunda conhecedora dos gargalos da ciência no Brasil. Doutora em economia pela Universidade de Campinas e pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Fernanda publicou cinco livros sobre o tema. Um deles, Produtividade no Brasil: Desempenho e Determinantes, foi finalista do Prêmio Jabuti, o mais prestigiado do mercado editorial brasileiro, em 2015. Atualmente, ela é pesquisadora convidada do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, onde prepara estudos sobre os entraves ao investimento em pesquisa científica no Brasil. Na entrevista a seguir, Fernanda explica por que falta visão de longo prazo sobre o tema no país — e como corrigir o problema.
FO Brasil investe pouco em ciência?
O país tem investido menos do que outras economias emergentes, como China e Coreia do Sul. Mas o problema mais grave é não ter uma preocupação sobre aonde a gente quer chegar como país com o recurso aplicado. Os investimentos em ciência percorrem um caminho longo até trazer resultados. Um exemplo que costumo citar é o do Captopril, tratamento para hipertensão que passou a ser comercializado no mundo nos anos 70.
A fabricação do remédio foi possível com o uso de moléculas presentes no veneno da jararaca, cuja propriedade medicinal havia sido descoberta por cientistas brasileiros 30 anos antes. Apesar disso, no Brasil, estamos acostumados a ver períodos de maiores investimentos seguidos por cortes abruptos das verbas disponíveis, como os que estão acontecendo agora. O orçamento do governo federal para a pesquisa científica caiu pela metade do ano passado para cá. Isso é péssimo para o cientista, que, sem segurança sobre o futuro de suas pesquisas, desiste dos estudos ou vai para outros países para terminá-los.
Por que isso acontece?
Há uma porção de fatores por trás do problema. Um dos principais é a falta de um diálogo da comunidade científica brasileira com o restante da sociedade sobre quais desafios a própria sociedade gostaria de ver resolvidos pelos cientistas. Essa visão deveria estar nas estratégias de ciência e tecnologia do governo, mas não está. Os documentos muitas vezes atendem aos pleitos da comunidade científica em detrimento das necessidades do país, o que é um erro.
E a crise econômica deve piorar a situação…
Numa situação de ajuste fiscal, como a que o Brasil vive agora, pouca gente entende a importância de preservar a ciência dos cortes de verbas. Isso acaba colocando em risco todo o investimento já realizado.
Como resolver essa falta de diálogo?
A agenda de ciência e tecnologia do governo deveria envolver gente de todas as áreas, e não apenas de um ministério designado para o assunto, como é o comum no Brasil. Nos Estados Unidos, a maior parte da verba para o tema sai do orçamento dos departamentos de Energia e Defesa. Há uma secretaria específica, ligada ao presidente da República, que coordena a comunicação entre os departamentos e estabelece as pesquisas estratégicas para o futuro do país. É um modelo com eficácia comprovada: os americanos estão tradicionalmente na vanguarda do avanço científico. O Brasil deveria espelhar-se nesse tipo de governança.
As empresas privadas poderiam investir mais em ciência no Brasil?
Achar que as empresas serão as grandes protagonistas do avanço científico é um mito. Normalmente, elas não dispõem de tempo, muitas vezes longo, para uma descoberta chegar ao mercado. No MIT, por exemplo, que é uma das maiores referências no mundo em ciência básica, apenas 10% do orçamento para as pesquisas vêm diretamente de empresas. O restante é verba do governo federal e dos fundos patrimoniais da universidade, os chamados endowments, mantidos por doações de ex-alunos ou de empresas que financiam o ensino superior em troca de benefícios fiscais. Dito isso, creio que as empresas poderiam colaborar mais para o avanço do conhecimento no Brasil.
Quais são os principais obstáculos para a participação privada e como removê-los?
Em grande medida, na raiz do problema, estão grandes carências do capitalismo brasileiro, como a baixa abertura comercial e o excesso de burocracia no ambiente de negócios. Esses entraves reduzem os incentivos e trazem complicações desnecessárias para as empresas inovadoras. Há ainda questões intrínsecas ao modelo de financiamento à ciência, como a falta de regras claras sobre a gestão dos fundos patrimoniais de universidades. Discutir o assunto, como o Congresso brasileiro vem fazendo atualmente, é um bom caminho para estimular a participação das empresas no financiamento da ciência no Brasil.

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A universidade (com jeito de startup) que quer mudar tudo

A universidade (com jeito de startup) que quer mudar tudo | Inovação Educacional | Scoop.it

No centro de São Francisco, estão instaladas as sedes de algumas das mais famosas empresas de tecnologia do momento. Na Market Street, o prédio do Twitter, sinônimo de comunicação rápida, é um ponto de referência. A uma quadra de distância, estão o escritório do Uber, que nasceu com o objetivo de revolucionar a mobilidade urbana, e o do Square, que quer fazer a mesma coisa com os meios de pagamento. Como tudo por ali, sobra ambição de mudar o mundo. Não é de espantar que uma universidade que pretende transformar o modelo de educação superior esteja cravada no epicentro da inovação tecnológica mundial.
A Minerva tem todo o jeito de uma startup. Concebida em 2012 e em operação desde 2014, ocupa um andar do número 1 145 da Market Street. Ali não há salas de aula, bibliotecas, laboratórios — nem estudantes, exceto os que fazem um estágio entre os 120 funcionários da Minerva. Boa parte da vida escolar dos 450 alunos da faculdade ocorre no exterior. Apenas o primeiro ano é cursado em São Francisco. No momento, um grupo passa uma temporada em Seul, na Coreia do Sul. Antes disso, essa turma morou um semestre em Berlim e outro em Buenos Aires.
Até a graduação, esses alunos ainda viverão em residenciais estudantis itinerantes em Londres, Taipei (em Taiwan) e Hyderabad (na Índia). O que une esses estudantes não é apenas a intensa experiência global, mas também a vontade de aprender livre das paredes da sala da aula, por meio de uma plataforma digital única.
Lusana Ornellas, aluna brasileira da Minerva: projetos na Argentina, no Brasil e na Coreia do Sul | Germano Lüders
A Minerva é uma experiência educacional observada em tempo real. Não há um único aluno formado pela escola ainda. Os primeiros formandos receberão seu diploma apenas em maio de 2019. O que poderia ser somente mais uma extravagância do Vale do Silício, porém, tem atraído o interesse de educadores e de jovens em busca de uma educação superior, digamos, disruptiva — adjetivo que parece estar associado a qualquer novidade tecnológica.
Neste ano, 20 000 jovens de todo o mundo disputaram uma das 200 vagas da nova turma, iniciada em setembro. A concorrência para entrar ali é maior do que no Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), considerada a terceira melhor universidade do mundo pelo ranking britânico Times Higher Education. No cardápio da Minerva, há cinco cursos de graduação: ciências sociais, ciências da computação, ciências naturais, artes e humanidades e administração. Cada curso oferece seis áreas de especialização. E há dezenas de disciplinas, como sistemas complexos, análise empírica e astrofísica — tudo isso sempre num ambiente digital.
O modelo Minerva só existe porque a tecnologia permite que uma aula online seja um ambiente em que professores e alunos conseguem interagir. Não se trata do modelo de ensino a distância que cresce a taxas impressionantes no Brasil, no qual a maioria dos cursos recorre a aulas gravadas e apostilas com a matéria resumida, e hoje já tem 1,5 milhão de brasileiros matriculados. Na Minerva, um professor se conecta a uma sala de aula virtual com, no máximo, 19 alunos, numa espécie de teleconferência.

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Tecnologia pode ajudar o Brasil a dar um salto na educação

Tecnologia pode ajudar o Brasil a dar um salto na educação | Inovação Educacional | Scoop.it

É quase impossível chegar à vila de Oiteiro, no interior de Pernambuco, sem a indicação de uma pessoa que conheça o caminho. A estrada de terra de 10 quilômetros que liga a comunidade de 698 moradores ao centro do município de Vitória de Santo Antão, a 1 hora de Recife, não tem sinalização. A via também não aparece nos aplicativos de mapas e no GPS. E o sinal de celular para de funcionar nos primeiros quilômetros. Os motoristas são obrigados a dirigir devagar por causa dos buracos. Nos dias de chuva, só as caminhonetes e os veículos pesados conseguem vencer a lama. De manhã e à tarde, é comum ver o movimento de carretas transportando alface, cebolinha e outras hortaliças.
A maioria dos habitantes formada por trabalhadores rurais ou agricultores que produzem em pequenas hortas. Cada pé de alface costuma ser vendido por 8 centavos. A agricultora Daniele do Nascimento, de 25 anos, é uma das moradoras. Ela vive com os três filhos — de 11, 9 e 6 anos —, a mãe, Célia, e um irmão de 10 anos. Todos os dias, as crianças se levantam ao amanhecer, ajudam a cuidar da horta da família e, pouco antes das 7 da manhã, atravessam a vila para estudar na única escola de Oiteiro, a Manoel Domingos de Melo, que oferece o ensino fundamental.
A vida rural e a infraestrutura de baixa qualidade contrastam com o que os visitantes encontram dentro da escola. Na Manoel Domingos de Melo, todos os 153 alunos, do 1o ao 5o ano, têm aulas usando tablets e uma internet de alta velocidade, de 40 megabits por segundo. Nas grandes capitais brasileiras, é fácil contratar uma banda larga igual ou mais veloz do que essa. Mas internet rápida ainda é uma raridade nas escolas brasileiras. Entre as escolas urbanas — incluindo as particulares —, somente 7% têm uma conexão parecida.
Já nas rurais, como na Manoel Domingos, ter uma conexão veloz é ainda mais excepcional. Isso só foi possível porque a operadora de telefonia Vivo e a fabricante de equipamentos de telecomunicações Qualcomm instalaram em 2016 uma estação de celular 4G na escola. Com base nas estatísticas, os especialistas estimam que ela seja a escola pública com a melhor conexão de internet por aluno do país.

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A ciência no Brasil é a que cabe no bolso

A ciência no Brasil é a que cabe no bolso | Inovação Educacional | Scoop.it
A cientista carioca Suzana Herculano-Houzel criou uma técnica de contagem de neurônios inédita no mundo. Em 2016, sem verbas para continuar sua pesquisa no Brasil, ela aceitou um convite da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos. Suzana conversou com EXAME sobre o atraso brasileiro em pesquisa científica.
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Vereador quer exemplares da Bíblia em todas as bibliotecas e escolas da cidade

Vereador quer exemplares da Bíblia em todas as bibliotecas e escolas da cidade | Inovação Educacional | Scoop.it
Um Projeto de Lei (PL) apresentado pelo vereador Júlio Obama Jr (PHS) prevê a manutenção de exemplares da Bíblia Sagrada nos acervos de todas as bibliotecas públicas, privadas e das escolas municipais e particulares de Juiz de Fora, na Zona da Mata.
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Fundador da Faculdade Anhanguera abre escola de música

Fundador da Faculdade Anhanguera abre escola de música | Inovação Educacional | Scoop.it

A plataforma funcionará de maneira totalmente digital, utilizando o mesmo método de ensino à distância criado para a Anhanguera. Carbonari, que não faz mais parte do conselho da faculdade, mas segue acionista, afirma que a expertise desenvolvida nos negócios anteriores foi providencial para o projeto sair do papel.

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Ânima Educação compra Faculdade Jangada em Santa Catarina por R$7,6 mi

A Ânima Educação anunciou nesta quarta-feira acordo para aquisição da Faculdade Jangada, em Jaguará do Sul (SC), pelo valor de 7,6 milhões de reais, no segundo negócio anunciado nesta semana.
A Faculdade Jangada, que teve receita líquida de 7,2 milhões de reais e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) perto de zero no ano passado, tem aproximadamente 700 alunos matriculados, distribuídos em 8 cursos de gradução com foco na área de saúde.
"A Anima Educação entende que a transação representa um importante passo em seu plano de expansão em Santa Catarina", disse a empresa, que anunciou na segunda-feira a aquisição de 100 por cento do Centro de Ensino Superior de Catalão (Cesuc), em Goiás, pelo favor de 31,25 milhões de reais.

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A saída para o capitalismo? O combate aos monopólios e à desigualdade

A saída para o capitalismo? O combate aos monopólios e à desigualdade | Inovação Educacional | Scoop.it
Em um novo livro elogiado pelos economistas mais importantes do mundo, dois pesquisadores defendem o combate aos monopólios e à desigualdade
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Onde mora o segredo da medicina de precisão? No DNA

Onde mora o segredo da medicina de precisão? No DNA | Inovação Educacional | Scoop.it
O sequenciamento genético de grandes populações pode eliminar custos e garantir o melhor tratamento para cada paciente
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O que faz do sistema de saúde na Holanda o melhor da Europa

O que faz do sistema de saúde na Holanda o melhor da Europa | Inovação Educacional | Scoop.it
O que destaca o sistema holandês — e o senhor Zeeuw diz concordar — é a atenção especial ao cuidado primário, para controlar as doenças crônicas e evitar a hospitalização. O objetivo tem sido alcançado com uma rede de quase 14 000 médicos de família, o equivalente a 0,8 para cada 1 000 habitantes, que estão próximos da casa dos pacientes e sempre têm horário disponível, pessoalmente ou por telefone. É como o programa de saúde de família do sistema único brasileiro, que tem médicos em postos nas periferias, mas com um adendo: só vai a um hospital holandês para exames, cirurgias ou consultas com um especialista quem tiver uma carta de recomendação do médico de família ou sofreu um acidente. Os hospitais não estão de portas abertas a quem desejar. Na Holanda, os médicos de família são capazes de resolver 96% dos casos. E quem precisa de serviço hospitalar é atendido rapidamente: a espera para uma cirurgia eletiva, aquela que pode levar mais tempo para ocorrer, é de menos de um mês, em média, para algumas doenças. “A rede de médicos de família torna o acesso ao sistema fácil e o relacionamento com o paciente mais pessoal”, diz Nick Guldemond, professor no Instituto de Política de Saúde e Gestão da Universidade Erasmus, em Roterdã.
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Startups apostam no novo Elixir: a cura das doenças do envelhecimento

Startups apostam no novo Elixir: a cura das doenças do envelhecimento | Inovação Educacional | Scoop.it

O pai do biólogo americano Nathaniel David começou a sofrer os sintomas de osteoartrite na coluna cervical quando ainda era adolescente. Hoje, aos 78 anos, sua postura é curvada e ele não consegue mais se mover. David, de 50 anos, descobriu há três anos que herdou a doença degenerativa do pai e está numa corrida contra o tempo para não ter o mesmo destino. Em maio, o biólogo molecular com doutorado pela Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados Unidos, conseguiu captar 85 milhões de dólares para desenvolver tratamentos que devem ajudar os 31 milhões de pessoas que já sofrem com a doença no país. O dinheiro veio de uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) de sua startup Unity Biotechnology na bolsa americana Nasdaq. Sediada em São Francisco, no coração do Vale do Silício, a Unity está desenvolvendo medicamentos para prevenir, retardar ou até mesmo reverter doenças relacionadas à idade — e, de quebra, expandir a expectativa da vida humana. Em 2016, a empresa já havia chamado a atenção ao receber 116 milhões de dólares de investidores, entre eles Jeff Bezos, fundador do gigante de comércio eletrônico Amazon, e Peter Thiel, um dos criadores da empresa de pagamentos PayPal. “Imagine ficar velho sem ficar velho”, disse David recentemente em Paris, na França, num evento de startups cujas tecnologias prometem mudar o mundo. Em junho, a empresa realizou o primeiro teste clínico de uma de suas drogas — justamente a de osteoartrite — em uma pessoa.
A Unity Biotechnology é uma das muitas startups que apostam na ampliação da longevidade. Se por muito tempo esse setor foi sinônimo de cremes de beleza e Botox, hoje ambiciosas startups espalhadas por Estados Unidos, Europa e Ásia têm objetivos que vão desde acabar com doenças que impedem o envelhecimento saudável até expandir a vida humana em 20 anos, 50 anos ou, quem sabe, até a eternidade. Com seu IPO, a Unity tornou-se a segunda startup de longevidade listada na bolsa. Em janeiro, a Restorbio, que também desenvolve remédios para doenças relacionadas ao envelhecimento, levantou 98 milhões de dólares em sua oferta pública de ações. “Há muita expectativa sobre o potencial de melhora da saúde tratando doenças degenerativas. Nosso foco é aplicar a ciência para ajudar as pessoas a viver com mais saúde e por mais tempo”, afirma o israelense Chen Schor, cofundador e presidente da Restorbio. Se antes os estudos sobre o tema estavam confinados em laboratórios de universidades, eles ganharam impulso com a indústria da tecnologia. “Sempre houve investidores habilidosos e confortáveis com alto risco e alto retorno, mas as pesquisas que tratavam de longevidade não se enquadravam nessa categoria. Com os avanços recentes, as empresas que lidam com o prolongamento da vida agora estão dentro de uma faixa de risco que permite investimentos”, afirma Aubrey De Grey, um dos maiores pesquisadores sobre envelhecimento e diretor da ONG dedicada à longevidade Sens Research Foundation.
O valor dos investimentos em startups de biotecnologia especializadas em saúde humana chegou a 9 bilhões de dólares em 2017. Apenas nos dois primeiros meses deste ano, outros 2,8 bilhões foram captados por empresas novatas. Uma das maiores aceleradoras do mundo, a Y Combinator anunciou no início do ano que está à procura de startups de longevidade que estejam em fase inicial para fazer aportes que podem variar de 500 000 a 1 milhão de dólares. A ONG Academia Nacional de Medicina dos Estados Unidos também lançou uma premiação para pesquisas sobre longevidade que totaliza 100 milhões de dólares. À medida que a oferta de dinheiro se espalha pelo setor, a morte é tratada cada vez menos como um processo biológico natural e mais como um cadeado com um segredo. Para descobrir a solução, portanto, seria preciso encontrar uma combinação de milhões — talvez, bilhões — de possibilidades. “Creio que o corpo perde a resiliência com a idade, perde a capacidade de responder aos desafios. Precisamos descobrir por que isso acontece e parar esse processo. O envelhecimento é algo codificado e, se algo está codificado, é possível descobrir seu segredo”, afirma o médico sul-coreano Joon Yun, que comanda o Palo Alto Investors, fundo americano de investimentos de 1 bilhão de dólares, que doou 2 milhões de dólares ao prêmio da Academia Nacional de Medicina, além de lançar seu próprio prêmio na área no valor de 1 milhão de dólares.

Estreia da Restorbio na bolsa Nasdaq: a empresa captou 98 milhões de dólares em sua oferta de ações | Divulgação
Antes mesmo de se tornarem desejadas pelo mercado financeiro, as startups da longevidade contaram com o dinheiro — e o interesse pessoal — dos bilionários do Vale do Silício nos últimos anos. Em 2013, Sergey Brin e Larry Page, os fundadores da empresa de tecnologia Google, foram precursores na área ao criar a Calico, empresa de pesquisa em longevidade. Os dois esperam, entre outras coisas, ajudar o próprio Brin — que tem uma variante genética que o predispõe à doença de -Parkinson. O fundador da empresa de softwares Oracle, Larry Ellison, gastou 430 milhões de dólares em pesquisas de longevidade depois de afirmar que “a morte nunca fez nenhum sentido para mim”. Peter Thiel, do PayPal, já declarou que espera algum dia poder “curar a morte”, e é constantemente associado ao boato de que faz transfusões sanguíneas com sangue de adolescentes para ficar mais jovem — uma espécie de drácula do século 21. A ideia pode parecer maluca, mas nada é demais para o Vale do Silício. Fundada em 2016, a startup Ambrosia Plasma faz transfusões com sangue de adolescentes para clientes com 35 anos ou mais por um preço inicial de 8 000 dólares e afirma ter 150 clientes. Ninguém supera Jeff Bezos quando o assunto é saúde — sobretudo a dele. Um magrelo desengonçado no fim dos anos 90, época de criação da Amazon, Bezos, hoje com 53 anos, vem chamando a atenção por seus músculos avantajados. A aparência, segundo ele, é fruto de uma rotina de exercícios desde 2013. Mas o bilionário tem investido tempo e dinheiro no tema saúde. Em 2014, colocou 25 milhões de dólares em uma companhia dedicada ao combate ao câncer, a Juno Therapeutics. No ano passado, fez um aporte de valor não revelado na startup Grail, especializada no diagnóstico rápido de câncer. No início deste ano, Bezos anunciou uma parceria com o megainvestidor Warren Buffett, presidente do conglomerado Berkshire Hathaway, e o banqueiro Jamie Dimon, presidente do banco JP Morgan Chase. O objetivo do trio é criar uma empresa sem fins lucrativos que ofereça serviços de saúde acessíveis aos trabalhadores de suas empresas. O último negócio veio no final de junho: a Amazon anunciou a aquisição da loja digital de remédios PillPack, em um negócio avaliado em 1 bilhão de dólares.

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No Brasil de 2018, 1 em cada 5 pessoas ainda morre por doenças infecciosas

No Brasil de 2018, 1 em cada 5 pessoas ainda morre por doenças infecciosas | Inovação Educacional | Scoop.it
A vacinação retrocedeu e novas epidemias estão surgindo. O país que anseia pelas novidades da medicina não resolveu problemas do passado
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Investimento em pesquisa: o que a Austrália tem a nos ensinar

Investimento em pesquisa: o que a Austrália tem a nos ensinar | Inovação Educacional | Scoop.it

Assim como a Austrália, o Brasil também está investindo num acelerador de partículas. O clima por aqui, no entanto, é de apreensão com a possível falta de recursos para terminar o projeto. Há duas décadas o país já tem uma dessas estruturas, o Laboratório Nacional  de Luz Síncroton, mantido pelo Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), organização social fundada por cientistas em Campinas, no interior paulista. Considerado ultrapassado pela comunidade científica mundial, o acelerador deve ser desativado quando ficar pronto o Sirius, uma nova estrutura com 68 000 metros quadrados de área construída ao lado do laboratório atual, ao custo de 1,8 bilhão de reais.
O Sirius terá capacidade para realizar quatro vezes mais testes do que faz hoje o similar australiano. A promessa é que o brilho gerado pelos elétrons na nova estrutura tenha qualidade superior à dos demais aceleradores no mundo todo, o que permitirá testes em materiais impenetráveis pelo laboratório atual, como as rochas ao redor da camada de pré-sal, onde está boa parte das reservas de petróleo brasileiras.

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Este é o novo polo do saber de Nova York

Este é o novo polo do saber de Nova York | Inovação Educacional | Scoop.it
David Cheng, de 29 anos, terminou o MBA em junho deste ano na Universidade Cornell Tech, em Nova York. Formado em ciência da computação, ele tinha trabalhado como engenheiro de software na empresa de tecnologia IBM e numa consultoria especializada, e no final do curso estava considerando “algumas excelentes ofertas de emprego”. Mas Cheng disse não a todos os recrutadores. Luis Serota, que tinha acabado de concluir o mestrado em computação na mesma escola, e Eliza Bruce, recém-formada em design de interação na Parsons School of Design, também recusaram convites para entrar no mundo corporativo. Hoje, os três trabalham juntos numa startup.
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Uma faculdade voltada a formar “resolvedores de problemas”

Uma faculdade voltada a formar “resolvedores de problemas” | Inovação Educacional | Scoop.it

O senhor costuma dizer que o ensino universitário está em crise. Por quê?
A maioria das universidades americanas não entrega o que os estudantes e os pais querem. Elas não preparam os alunos para ser bem-sucedidos depois da graduação. Essa insatisfação é ampliada porque as universidades são caras. Fica a sensação de que se paga muito e não se recebe algo útil de volta. Quando o projeto da Minerva começou, surgiu a pergunta: quais conhecimentos e habilidades são necessários para os estudantes se adaptarem a um mundo em constante mudança? E concluímos que precisávamos de um currículo focado no conhecimento prático. Não se trata de ensino técnico ou vocacional, que prioriza uma carreira. É o conhecimento que ajuda o aluno a ser bem-sucedido ao -longo da vida dele, que não é focado no imediatismo.
E quais são essas competências ?
Nosso currículo é focado em quatro competências: duas no campo cognitivo — que são o pensamento crítico e o pensamento criativo — e duas no campo pessoal, que são aprender a comunicar-se e a interagir de forma efetiva com pessoas e instituições. A partir disso, surgiu uma centena de objetivos específicos de aprendizagem.
Como isso é aplicado em sala de aula?
Mais do que conteúdo, ensinamos a melhor forma de os estudantes aprenderem. As aulas-palestras são uma grande forma de ensinar, porque se trata de um modelo que pode atingir de dez a 1 000 pessoas, mas são uma péssima forma de aprender. Há inúmeros estudos mostrando que as pessoas não retêm muito o que ouvem numa aula expositiva. Na Minerva, todas as aulas são em formato de seminário, e vemos que a aprendizagem ativa é bem mais eficiente, pois exige o engajamento dos alunos.
Por que o ensino tradicional é tão ineficiente?
O que acontece hoje é o que chamo de “ilusão do aprendizado”. O que é isso? O professor chega com um punhado de conteúdos para passar e os alunos tomam nota de tudo aquilo. Ambos acreditam que funcionou: o professor acha que ensinou e o aluno que aprendeu. Mas não deu certo. Existe uma crença de que, ao anotar o conteúdo, você está aprendendo, mas isso não é verdade. Na aprendizagem ativa, o aluno não toma notas e está focado na solução de problemas e na construção de argumentos. Isso de fato faz com que ele retenha o conhecimento.
O modelo Minerva é de ensino digital, criticado pela menor interação entre alunos e professores…
Isso depende de que tipo de ensino digital está sendo feito. A tecnologia aqui está a serviço da pedagogia. Numa aula online da Minerva, é como se todos os alunos estivessem sentados na primeira fila e interagindo diretamente entre eles. Ninguém está sentado na fileira de trás, vendo o pescoço do colega. Para funcionar, há um limite de 19 alunos por aula para que todos participem. Além do engajamento do aluno, a plataforma permite que o professor reveja a participação de cada estudante. A ciência do aprendizado já provou que o feedback contínuo é fundamental para aprender mais. Uma das coisas interessantes em relação à Minerva é que esse é um projeto que começou do zero. Não havia interesses a ser defendidos, não havia legado, não havia restrições. Então, podíamos fazer algo inovador em relação à aplicação de tecnologia do século 21 no aprendizado.
A Minerva é uma faculdade que nasceu no Vale do Silício. Existe uma vocação para a criação de startups na escola?
Embora algumas startups já tenham sido desenvolvidas aqui, nós não somos uma faculdade de startups. Não achamos que todo mundo vai criar uma startup, porque nem todo mundo quer isso. Queremos ser uma faculdade que forma bons “resolvedores de problemas”. A cidade de São Francisco, por exemplo, tem um problema sério com a população de rua há anos. E nossos estudantes têm feito um trabalho com a prefeitura local para desenvolver políticas públicas nesse sentido. O que tentamos ensinar é que, quando se cria uma solução, podem surgir efeitos de primeira e de segunda ordem. Portanto, não se pode ter uma visão de curto prazo nem inventar uma solução rápida sem ir fundo nas consequências que ela possa ter. Isso pode ser aplicado dentro de uma empresa, de uma ONG ou originar uma startup. De fato, temos um número grande de estudantes com veia empreendedora. Mas certamente esse não é o único caminho.

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Para receber mais tecnologia, a escola vai ter de mudar

Para receber mais tecnologia, a escola vai ter de mudar | Inovação Educacional | Scoop.it
O alemão Andreas Schleicher trabalha há mais de duas décadas na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) pesquisando os impactos da educação. Hoje, ele é diretor da divisão de educação do órgão e é o responsável pelo Pisa, maior e mais conhecido teste de avaliação educacional do mundo. Para Schleicher, o desafio de levar mais tecnologia vai além da infraestrutura e passa por uma total revisão dos modelos pedagógicos. “É preciso que os professores sejam os protagonistas dessa mudança. Se isso não acontecer, colocar a tecnologia na frente dos alunos não vai fazer muita diferença”, diz ele.
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RedEmprendia anuncia chamada para o programa Heads of Entrepreneurship: Empowering the Educator, da Babson College

RedEmprendia anuncia chamada para o programa Heads of Entrepreneurship: Empowering the Educator, da Babson College | Inovação Educacional | Scoop.it

Educadores e profissionais relacionados sempre devem buscar aumentar suas habilidades de pensamento criativo e empreendedor, bem como sua compreensão do contexto do ecossistema estabelecido na universidade, a fim de melhor atender os estudantes em um mundo em rápida transformação. O programa Heads of Entrepreneurship: Empowering the Educator na Babson College (Boston) oferece àqueles que trabalham com alunos / empreendedores a possibilidade de desenvolver um conjunto específico de habilidades que os ajudarão a se tornarem professores, mentores e consultores mais preparados, criativos e empreendedores.
O objetivo do programa é criar profissionais inovadores que possam efetivamente educar e, de forma habilidosa, fomentar o ecossistema de empreendedorismo na universidade, maximizando assim o impacto dos programas criados para nutrir e lançar a próxima geração de empreendedores.

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