Ciência, digital, humanos e AI
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A realidade que emerge da avalanche de dados

A realidade que emerge da avalanche de dados | Ciência, digital, humanos e AI | Scoop.it

Computadores são uma ferramenta de trabalho para pesquisadores de todas as áreas do conhecimento, mas, no caso da comunidade das ciências humanas e sociais, a digitalização de acervos artísticos e históricos e a oferta de gigantescos bancos de dados com informações econômicas e sociais abriram novas frentes de observação de fenômenos e de análise de tendências. Houve uma natural aproximação com os cientistas da computação, cujas pesquisas em Big Data multiplicaram as formas de organizar e analisar informações, dando origem a um campo interdisciplinar: as humanidades digitais. “O termo foi cunhado para definir a pesquisa que incorpora a tecnologia computacional a estudos em humanidades, mas também aquela que usa as humanidades para estudar a tecnologia digital e sua influência na sociedade e na cultura”, explica Brett Bobley, diretor do Escritório de Humanidades Digitais da National Endowment for the Humanities (NEH), agência de fomento do governo norte-americano. Não se trata, segundo ele, de uma nova área do conhecimento, mas de uma gama de atividades que pode abranger o uso de fotografias aéreas por arqueólogos para escanear sítios, o desenvolvimento de técnicas de análise de dados que ajudam linguistas a estudar jornais antigos, o estudo da ética da tecnologia por filósofos, entre outros exemplos.

Um dos projetos financiados pela NEH em humanidades digitais resgatou os diários de campo do explorador britânico David Livingstone (1813-1873). Relatos de sua viagem à África Central em 1871 foram escritos em jornais velhos, por falta de papel disponível. Com o tempo, a tinta esmaeceu e ficaram ilegíveis os textos em que Livingstone registrou suas impressões sobre a dinâmica do comércio de escravos, entre outras observações. Entre 2013 e 2017, um grupo de pesquisadores de humanidades e de ciências da computação dos Estados Unidos e do Reino Unido conseguiu resgatar os escritos utilizando técnicas de fotografia de imagem espectral, capazes de recuperar informações que não são visíveis ao olho humano.

Outro exemplo foi a colaboração de historiadores de várias partes do mundo para organizar registros de cerca de 36 mil viagens de navios negreiros entre 1514 e 1866, que levaram mais de 12 milhões de escravos da África. O esforço, iniciado nos anos 1990 pelo historiador norte-americano David Eltis, da Universidade Emory, resultou no Banco de Dados sobre o Comércio de Escravos, disponível na internet desde 2007 no endereço slavevoyages.org. A análise dos dados, que reúne registros em vários idiomas e abrange a movimentação nos portos por onde passaram os navios, apontou para os historiadores novas dimensões sobre como os africanos experimentaram e resistiram à deportação e à escravização e revelaram novas conexões transatlânticas no comércio de escravos.

Um primeiro levantamento foi lançado em 1999 sob a forma de CD-Rom, mas o esforço colaborativo para obter dados sobre as viagens conseguiu traçar posteriormente um retrato mais amplo do comércio de escravos. Na primeira fase, estimou-se que o Brasil havia recebido cerca de 3,6 milhões de escravos, mas documentos mostraram que esse contingente chegou a 5 milhões – num total de 10,7 milhões de africanos deportados para as Américas. A iniciativa produziu impactos diversos nas pesquisas sobre escravidão, diz Manolo Florentino, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e responsável pelo braço brasileiro do projeto. A principal delas foi substituir estimativas por dados consolidados, obtidos de fontes primárias. Outra foi mostrar a proeminência brasileira no comércio de escravos. “Boa parte dos documentos obtidos pelo projeto é escrita em português, uma espécie de língua franca do tráfico negreiro”, conta Florentino, que se empenhou em anos recentes em traduzir todo o site para o português. A coleção de dados sobre a deportação e a escravização dos africanos permite agora, segundo o historiador, alimentar uma frente de pesquisa menos explorada, que são as trajetórias cumpridas pelos escravos depois que chegaram aos portos, pelo interior do Brasil.

© ZÉ VICENTEDiversidade de projetos
Os resultados de uma recente chamada internacional de projetos mostraram a diversidade das humanidades digitais. Cento e oito propostas feitas por equipes interdisciplinares de 11 países foram submetidas à quarta edição da chamada Digging Into Data Challenge, e 14 foram aprovadas. A iniciativa é parte da Plataforma Transatlântica (T-AP), colaboração em ciências humanas e sociais que reúne 16 agências de fomento da Europa e das Américas, entre as quais a FAPESP. “Tivemos um aumento expressivo de países participantes, que eram apenas quatro em chamadas anteriores. Isso faz uma grande diferença, com o surgimento de novas colaborações”, diz Brett Bobley, que idealizou o programa Diggind Into Data em 2008. Os projetos aprovados se distribuem por disciplinas como musicologia, linguística, história, ciência política e economia e vão receber investimentos que somam US$ 9,2 milhões, o equivalente a R$ 29 milhões. Uma das propostas contempladas reúne pesquisadores dos Estados Unidos, da Alemanha e da Holanda e vai se debruçar sobre três bancos de dados que agrupam registros escritos e orais sobre folclore em vários pontos da Europa. A meta é identificar padrões que se repitam ao longo do tempo em lugares diferentes e ajudem a mostrar quais eram as crenças comuns no passado, com base nas histórias que se contavam e na dispersão de lendas e casos sobrenaturais.

Outro exemplo, liderado por economistas e cientistas da computação dos Estados Unidos, Canadá e Holanda, pretende cruzar informações sobre a variação dos preços de produtos vendidos pela internet no mundo inteiro, coletadas continuamente pelo projeto Billion Prices, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), com dados econômicos para produzir pesquisas sobre a inflação, o poder de compra e o padrão de vida em vários países. Há também uma iniciativa que analisará 70 anos de cobertura na imprensa de ataques terroristas, em busca de padrões sobre o que seria uma abordagem responsável do problema, e ainda outra que investigará estruturas melódicas de gravações de jazz, tentando associá-las à evolução do contexto histórico e social em que as canções surgiram.

Para selecionar os 14 contemplados, mais de 200 especialistas avaliaram as 108 propostas. “A diversidade de problemas abordados mostra que há um potencial grande a desenvolver nas humanidades digitais no Brasil”, conta Claudia Bauzer Medeiros, professora do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e representante da FAPESP na T-AP, que participou de todo o processo, desde o preparo do edital até a seleção dos projetos. “Esse campo é pouco explorado no país porque aqui há ainda pouca colaboração entre pesquisadores das ciências humanas e sociais e da computação. Eles estão aos poucos percebendo que essa interação é possível. Não é preciso que o pesquisador em ciências humanas e sociais seja um entendedor de computação para trabalhar nessa área, mas é necessário que colabore com especialistas nos aspectos computacionais”, afirma a pesquisadora, que é coordenadora do Programa de Pesquisa em eScience da FAPESP.

Um dos projetos selecionados no Digging Into Data Challenge tem a participação de brasileiros. Trata-se de uma colaboração entre pesquisadores da França, da Argentina e do Brasil que busca estudar como as opiniões se difundem na sociedade e como o processo sofreu transformações com o avanço da tecnologia da informação. A pesquisa vai analisar dois bancos de dados para mapear a construção de redes de relações entre grupos de indivíduos – tais conexões serão representadas em estruturas visuais, os grafos. Em um dos acervos, o do jornal The New York Times, o objetivo será analisar reportagens sobre o Brasil publicadas ao longo de 70 anos a fim de mapear as relações entre grupos de indivíduos e entidades mencionadas nesses textos que falaram sobre o país. “A intenção é compreender de onde vinham e como se relacionavam as ideias e opiniões reproduzidas nos textos, principalmente sobre temas políticos e econômicos, e como isso evoluiu no tempo. E também verificar a possível influência das notícias publicadas no jornal por correspondentes estrangeiros na constituição da opinião pública no país”, explica a pesquisadora Maria Eunice Quilici Gonzalez, líder do grupo brasileiro que participa do projeto e professora do Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Marília.

O segundo banco de dados é uma coleção de postagens sobre processos eleitorais da rede social Twitter. A ideia é mostrar como opiniões se constituem e se consolidam no ambiente virtual. “Queremos analisar a dinâmica de disseminação de opiniões em redes sociais. Quanto mais frequentes são as relações, mais densos se tornam os nós das redes representadas nos grafos. A tendência é que eles ganhem centralidade e inibam o crescimento de outros nós, mostrando o percurso da formação de uma opinião”, informa Eunice. Um dos interesses é estudar a formação de ambientes de polarização política em redes sociais. “Grupos que antigamente estavam isolados conseguem fortalecer suas opiniões e conquistar adeptos, alimentando-se das comunicações nas redes sociais. Isso aconteceu recentemente, por exemplo, com os grupos favoráveis e contrários ao impeachment no Brasil.” Além de objetivos específicos, o projeto tem ambições mais gerais, entre as quais a de avaliar a possibilidade de criar modelos para estudar atividades sociais e investigar possíveis consequências éticas do uso da análise de Big Data em processos de auto-organização social, aqueles que emergem da interação espontânea entre vários atores sociais, sem liderança ou interferência de um centro organizador.

O projeto será realizado em parceria com pesquisadores das universidades de Cergy-Pontoise, na França, e de Buenos Aires, na Argentina. A equipe critica a tese de que é possível moldar comportamentos ou direcionar a formação de opinião manipulando tendências obtidas apenas através da análise de Big Data. “É exagerado afirmar que o Donald Trump se elegeu presidente e os britânicos votaram pela saída da União Europeia exclusivamente porque as respectivas campanhas usaram serviços de uma empresa de marketing político, a Cambridge Analytica, que teria utilizado dados e ferramentas das redes sociais para manipular medos e desejos de eleitores”, diz Eunice. “O estudo de Big Data pode apontar tendências, mas está longe de explicar a natureza humana. Seu uso só será eficiente se vier acompanhado do estudo das disposições de certos grupos, que no caso dos Estados Unidos e do Reino Unido estavam relacionadas à preponderância de um nacionalismo com aversão ao multiculturalismo.”

Graduada em física, com mestrado em filosofia e doutorado em linguística e ciência cognitiva, Eunice também vai contribuir para o projeto, com o apoio de uma equipe de pesquisadores brasileiros, com reflexões sobre a ética que envolve as ações de indivíduos em redes sociais. “O conceito de privacidade, por exemplo, está mudando. Algumas das noções de privacidade da minha geração não se aplicam aos sujeitos nas redes sociais, que expõem sistematicamente detalhes pessoais. Há, também, o problema de indivíduos que criam falsos perfis, alterando suas características pessoais, situação socioeconômica e até seu gênero para interagir virtualmente com os outros”, diz. Segundo ela, se em casa muitas vezes a pessoa tem que manter uma identidade que não lhe agrada, nas redes sociais suas fantasias podem ser realizadas sem supostas pressões familiares. “A identidade é fictícia, mas a interação que ela proporciona pode ser real, em algum sentido. Por meio dela, é possível criar uma relação com parceiros virtuais, o que não existia antigamente.” Para tratar de situações desse tipo, o grupo brasileiro irá refletir sobre como a análise de Big Data pode ajudar na compreensão de novos padrões de conduta e da dinâmica de formação da opinião coletiva.

© ZÉ VICENTETemas e avanços
A programação da próxima edição da conferência Digital Humanities, que reunirá em agosto cerca de mil pesquisadores de vários países na cidade de Montreal, Canadá, dá a dimensão dos temas e dos avanços que estabeleceram pontes entre cientistas da computação e profissionais das ciências humanas e sociais. Workshops vão tratar de tópicos como a aplicação em pesquisas de humanidades de ferramentas de visão computacional, conceito usado principalmente em robótica por meio do qual sistemas artificiais são capazes de extrair informações de imagens simulando o funcionamento da visão humana. Ou levantar discussões sobre problemas éticos e legais relacionados ao uso de dados digitalizados que podem expor a privacidade de indivíduos. Serão homenageados na conferência de Montreal os responsáveis pelo projeto Text Encoding Initiative (TEI), consórcio que há 30 anos desenvolve e mantém um padrão para a codificação de textos em formato digital que os torna legíveis por máquinas e que impulsionou pesquisas em ciências humanas, principalmente na área de linguística. “Nos últimos 15 anos, tivemos uma mudança qualitativa no volume de dados textuais disponíveis, o que mudou radicalmente as possibilidades de pesquisa”, afirma Karina van Dalen-Oskam, presidente da Aliança das Organizações em Humanidades Digitais (ADHO), entidade que organiza a conferência. Professora de estudos literários computacionais da Universidade de Amsterdã, Holanda, Dale-Oskam destaca o progresso de novas abordagens para a pesquisa em literatura, como o conceito de leitura distante, que analisa grandes volumes de dados relacionados não somente à obra estudada, mas a todo o contexto histórico em que ela foi produzida, ou a área de estilometria, que permite reconhecer a autoria de textos apócrifos. “Tais abordagens permitem saber mais sobre o desenvolvimento de gêneros literários e até mesmo sobre fatores que fazem um texto se tornar ou não um best seller”, diz.

O crescimento desse campo interdisciplinar convive com críticas de que as humanidades digitais produziriam mais manchetes do que avanços robustos do conhecimento e também que rivalizam com os campos tradicionais das humanidades na divisão do financiamento à pesquisa. Em um artigo publicado no diário The New York Times em 2015, Armand Marie Leroi, professor de biologia evolutiva do Imperial College de Londres, Reino Unido, pôs em dúvida a capacidade de as humanidades digitais produzirem análises inovadoras de literatura. Segundo ele, o expediente de converter arte em dados torna possível procurar novos significados em uma obra por meio de novos algoritmos. “Mas será preciso criar um algoritmo muito esperto capaz de sinalizar a ironia na obra de Jane Austen”, escreveu. “A verdade da crítica de arte não é do mesmo tipo da verdade científica.”

Os pesquisadores da área respondem com o argumento de que as humanidades digitais oferecem apenas uma extensão dos métodos e habilidades tradicionais, sem a ambição de substituí-los. Escrito por um conjunto de autores, o livro Digital humanities (MIT Press, 2012) sustenta em seu primeiro capítulo que as humanidades digitais “não obliteram as ideias do passado, mas suplementam o compromisso das humanidades com a interpretação acadêmica, a pesquisa informada, o argumento estruturado e o diálogo entre as comunidades que a praticam”.

O cientista político Eduardo Marques, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), ressalta que as abordagens da ciência da computação e das ciências humanas e sociais dentro das humanidades digitais têm origens diferentes. “Houve o encontro de dois movimentos. Um veio das ciências duras, com o desenvolvimento de ferramentas de mineração de dados que permitiram produzir informações sobre o mundo social e gerar novos campos empíricos. Já nas ciências humanas, partiu do uso já existente de ferramentas estatísticas para estudar fenômenos sociais”, explica. Como as lógicas são distintas, há dificuldade em unificá-las, observa Marques. “Enquanto os cientistas da computação buscam padrões nos grandes volumes de dados para levantar perguntas de pesquisa, os cientistas sociais partem de pressupostos teóricos e usam ferramentas digitais para testar sua validade. O diálogo é grande, mas há dificuldade de unificar formas diferentes de se aproximar das questões.”

Esse diálogo vem influenciando a formação de pesquisadores. No caso das ciências humanas e sociais, cursos e disciplinas em métodos e análise quantitativa ganham mais espaço. “É uma boa notícia porque as ciências sociais sempre tiveram uma grande fragilidade nesse campo no Brasil, que se estende também à análise qualitativa e a estudos com amostras pequenas”, avalia Marques, referindo-se a iniciativas como a Escola de Verão em Conceitos, Métodos e Técnicas em Ciência Política e Relações Internacionais oferecida pela Associação Internacional de Ciência Política (Ipsa), o Departamento de Ciência Política da FFLCH-USP e o Instituto de Relações Internacionais da USP. Também ganham importância as disciplinas sobre o uso ético de dados. “É um tema emergente e não busca apenas prevenir a divulgação de dados sigilosos sobre pacientes ou informações sensíveis à segurança pública”, acentua Claudia Bauzer Medeiros. Há o risco de produzir análises enviesadas porque muitos programas de computador “aprendem” com os dados processados. Os softwares são desenvolvidos para identificar padrões ao longo do tempo e incorporá-los à sua capacidade de análise. “Já houve situações em que o aprendizado inadvertidamente reproduziu preconceitos. Nos Estados Unidos, descobriu-se que um programa utilizado experimentalmente por juízes em algumas cidades para agilizar decisões tratava com mais rigor negros e latinos, porque usava dados de decisões anteriores tomando-os como lição.”

O desenvolvimento de ferramentas computacionais que auxiliam na análise de grandes volumes de dados sobre saúde, demografia e violência alimenta estudos sobre processos sociais que ganham aplicações em políticas públicas. “É comum utilizar análises de dados socioeconômicos e demográficos em estratégias de planejamento urbano. A digitalização de dados sobre ondas migratórias abastece estudos que ajudam a compreender tendências futuras em imigração”, exemplifica a pesquisadora do IC-Unicamp.

Um exemplo do envolvimento crescente das ciências sociais com o Big Data no Brasil pode ser visto no Centro de Estudos da Metrópole (CEM), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) financiados pela FAPESP. Uma das vertentes do centro é produzir e disseminar dados georreferenciados sobre as metrópoles brasileiras. Órgãos públicos produziam dados, que acabavam não sendo disponibilizados e eram apropriados por empresas, que cobravam para fornecê-los. O CEM comprou várias bases de dados e digitalizou outras, disponibilizando-as em seu site. A princípio, as coleções não eram grandes o suficiente para se enquadrarem no conceito de Big Data. Isso mudou há alguns anos, quando o centro desenvolveu um banco de dados talhado para um grande esforço de pesquisa sobre o estudo dos padrões de desigualdade nos últimos 60 anos. Foi necessário um intenso trabalho para dar consistência a questionários e corrigir lacunas de uma amostra remanescente do Censo de 1960, cujos cartões perfurados se perderam, e reorganizar as informações dos cinco recenseamentos posteriores para gerar dados comparáveis. “Isso gerou um banco de muitos terabytes de informação, em um volume muito maior do que o tradicional nas ciências sociais no país”, afirma Eduardo Marques, que foi diretor do CEM entre 2004 e 2009. O esforço produziu o livro Trajetórias das desigualdades – Como o Brasil mudou nos últimos 50 anos (Editora Unesp, 2015), coordenado pela atual diretora do CEM, Marta Arretche, com capítulos escritos por especialistas em temas como educação e renda, demografia, mercado de trabalho e participação política. Cada capítulo exigiu um processamento específico de dados.

© ZÉ VICENTELondres contra o crime
Ferramentas exploram dados sobre 197 mil julgamentos

Registros sobre 197 mil julgamentos realizados entre 1674 e 1913 no Tribunal Criminal Central de Londres, mais conhecido como Old Bailey, que é o nome da rua em que fica a corte, foram disponibilizados para consulta na internet a partir de 2003 no endereço oldbaileyonline.org. O desafio de identificar fenômenos e tendências em meio a um volume de informações que chega a 127 milhões de palavras mobilizou pesquisadores do Reino Unido e dos Estados Unidos, que desenvolveram formas de explorar dados textuais bem mais sofisticadas do que a busca disponível no repositório.

O projeto Data Mining with Criminal Intent, financiado em 2009 pela primeira chamada Digging Into Data, esquadrinhou os registros de Old Bailey com o auxílio de uma combinação de ferramentas digitais. Uma delas é a Zotero, que permite coletar e organizar informações, e a outra, um portal chamado TAPoR, que ajuda os usuários a analisar textos utilizando diferentes softwares. A estratégia permitiu chegar a resultados curiosos. Foi possível ver, por exemplo, que a palavra “veneno” tinha associações muito mais frequentes com “café” do que com “comida”, numa indicação da forma como os londrinos eram assassinados por envenenamento.

Da mesma forma pode-se observar que as punições para bígamos se tornaram menos severas ao longo do século XIX. Segundo Stephen Ramsay, professor de inglês da Universidade de Nebraska-Lincoln, um dos líderes da iniciativa, a contribuição do projeto não se limita a obter evidências históricas que não eram percebidas anteriormente. “As histórias de Old Bailey expressam as motivações mais densas da condição humana, como a vingança, a desonra e a perda, que são matéria-prima das humanidades”, disse, segundo o 
Como São Paulo se urbanizou
Plataforma vai reunir dados georreferenciados sobre a transformação da capital paulista entre 1870 e 1940

São Paulo urbanizou-se em velocidade superior à de outras metrópoles, saindo de apenas 30 mil habitantes em 1870 para 1 milhão de pessoas em 1940. O estudo das transformações da cidade nesse período terá o respaldo de uma plataforma com informações georreferenciadas, que será abastecida por inúmeras fontes, como teses, relatórios ou mapas. Qualquer pesquisador que tiver dados e puder relacioná-los a um endereço da capital paulista está convidado a incluí-los na plataforma Pauliceia 2.0, cujo projeto foi apresentado a potenciais usuários em 4 de abril, em busca de sugestões.

O projeto, que reúne pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Arquivo Público do Estado de São Paulo e da Emory University, dos Estados Unidos, é financiado pelo Programa FAPESP de Pesquisa em eScience. “Quem estudou os hotéis de São Paulo poderá alimentar os endereços com informações sobre cada um deles. Quem estudou os crimes cometidos na cidade também. Qualquer informação que possa ser situada no espaço pode alimentar a plataforma”, diz o historiador Luis Ferla, professor da Unifesp que coordena o projeto.

Há uma equipe dentro do projeto dedicada a desenvolver um banco de dados com a numeração de edificações da época, para garantir que a localização das informações seja fidedigna. “É um trabalho tão complexo que está sendo testado primeiro numa área-piloto, no centro de São Paulo”, explica Ferla. Uma versão preliminar da plataforma estará disponível para testes em julho de 2018. “Quem quiser estudar esse período vai encontrar muito material na plataforma para produzir suas reflexões. O projeto quer fazer uma curadoria do conhecimento sobre a urbanização da cidade.” Mais informações estarão disponíveis no endereço unifesp.br/himaco.

Um corpus histórico da língua portuguesa
Banco de dados com 3,3 milhões de palavras reúne anotações sobre textos de várias épocas

Em algumas áreas das humanidades, a colaboração com os cientistas da computação aconteceu de forma mais natural do que em outras. Um exemplo são os estudos sobre as transformações no uso da língua. Charlotte Galves, professora do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas (IEL-Unicamp), costuma dizer que se dedicava às humanidades digitais muito antes de saber que a denominação existia. Em 1998, ela começou a compilar textos dos séculos XVI ao XIX para compor um corpus histórico da língua portuguesa, um banco de textos com anotações morfossintáticas de palavras e de frases, que já serviu de base para uma série de estudos sobre a história do português em Portugal e no Brasil. “Está sendo possível observar como o idioma se transformou ao longo dos séculos, em particular no Brasil, onde vem se distanciando do português europeu sob o efeito do contato com outras línguas, apesar de voltar a sofrer a sua influência na segunda metade do século XIX”, conta Charlotte.

O banco de dados foi crescendo e hoje conta com 3,3 milhões de palavras de 76 textos originais. Batizado de Corpus Tycho Brahe, em referência ao astrônomo dinamarquês do século XVI que se propôs a catalogar o movimento dos planetas, o acervo teve suas primeiras ferramentas para etiquetar palavras desenvolvidas pelo cientista da computação Marcelo Finger, professor do Instituto de Matemática e Estatística da USP. A evolução foi lenta – as correções das anotações automáticas foram sendo feitas pessoalmente por Charlotte, com o auxílio de pós-doutores e orientandos. “Aprendi muita coisa sobre Big Data, mas não poderia prescindir da ajuda dos cientistas da computação”, afirma ela. O próximo passo é tornar o banco de dados integralmente acessível via internet – atualmente, é possível fazer o download do acervo no endereço tycho.iel.unicamp.br/corpus, mas não pesquisas on-line.

O mesmo modelo do português histórico está sendo utilizado agora por Charlotte e Filomena Sandalo, também professora da Unicamp, para o estudo de uma língua indígena, o idioma kadiwéu, falado por uma etnia que habita o Mato Grosso. Relatos orais de indígenas foram coletados e estão sendo convertidos em textos escritos com anotações. “A ideia é criar corpora de outras línguas dentro da mesma plataforma, usando as mesmas ferramentas”, explica Charlotte.


Via Luciano Sathler
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Inteligência Artificial poderá superar a capacidade de raciocínio do ser humano?

Inteligência Artificial poderá superar a capacidade de raciocínio do ser humano? | Ciência, digital, humanos e AI | Scoop.it
Vira e mexe a ficção científica imagina como seria o nosso convívio com robôs dotados de Inteligência Artificial. Nos diversos livros de Isaac Asimov, na trilogia "Matrix", os filmes do Exterminador do Futuro, e em "2001 - Uma Odisseia no Espaço", a coisa realmente fede pro nosso lado. Ao invés de criadores, nos tornados vítimas dessas criações e aí já viu, é aquele deus nos acuda contra as máquinas.
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Sem trabalho, mas maravilhoso

Sem trabalho, mas maravilhoso | Ciência, digital, humanos e AI | Scoop.it

Domenico de Masi olha para a câmera do computador e pede desculpas. "Acabei de pedir um cafezinho e infelizmente não posso oferecer um pouco para você", afirma, dando risada, enquanto bebe um gole. "Pelo menos por enquanto. Porque, na próxima revolução tecnológica, certamente o café vai até aí." Para o sociólogo italiano, o fato de ele estar em Tiradentes, enquanto a reportagem do Valor o entrevistava de São Paulo, via Skype, é um "verdadeiro milagre".
"Passei metade da minha vida sem tecnologia e posso garantir que a segunda metade foi muito melhor", diz ele, que foi a Minas Gerais participar da primeira edição do Fórum do Amanhã. Lá, foram discutidos o futuro da política, da educação, da economia, das cidades, do meio ambiente, do trabalho e da governança. Para De Masi, é exatamente essa tecnologia que acabará com o trabalho como o conhecemos hoje e obrigará as pessoas a repensarem todas suas relações. "Haverá a necessidade de uma educação para o tempo livre, como hoje temos hoje a educação para o trabalho", diz. Leia, a seguir, trechos da entrevista que De Masi concedeu.

Valor: Em suas entrevistas mais antigas, o senhor tinha uma visão bastante otimista do Brasil: já éramos o país do presente e não mais o do futuro. Continuamos, porém, com 13 milhões de analfabetos e 40 milhões de analfabetos funcionais. Há um descrédito gigantesco na política e o país está quebrado. Sua visão do futuro do Brasil ainda é a mesma?

"Só restará o trabalhador criativo. Todos os outros serão substituídos por máquinas. Devemos (...) preparar o mundo sem trabalho"

Domenico De Masi: Há três anos, o Brasil não era um país desesperançado. Eu pergunto: o que aconteceu em três anos para transformar um país tão otimista em um país tão sem esperança? Não foram nem três anos: foram três meses. Quando Dilma foi reeleita, 52% dos brasileiros eram otimistas. Poucos meses depois, todos estavam pessimistas. Parece estranho porque ninguém sabe a resposta. Para nós, que estamos longe do Brasil, é difícil entender. Mas sou otimista porque o elemento de base do Brasil continua o mesmo, de três ou de dez anos atrás. O Brasil é um país 28 vezes maior do que a Itália, com matérias-primas abundantes, 200 milhões de habitantes, 42 etnias de todos os tipos e uma riqueza cultural que vai dos índios e da pré-história à Embraer, uma companhia aérea das mais modernas do mundo. Nenhum país do mundo apresenta uma variedade tão ampla da realidade. Os elementos de base estão aqui, o problema é a redistribuição deles.

Valor: É o mesmo cenário, inclusive com alguns políticos e alguns brasileiros que às vezes têm práticas pouco éticas.

De Masi: Não creio que haja diferença entre o povo e a elite. Por exemplo, vi em um centro comercial do Rio uma loja onde se vendiam Ferraris. Quem compra Ferrari em um shopping? Em nenhum país há centros comerciais ricos e luxuosos como no Brasil e em nenhum deles se vendem Ferraris. Há um sentimento forte coletivo contra a corrupção. Por outro lado, muitos brasileiros também se comportam como bilionários. Apesar de ser o sétimo país em PIB, o PIB per capita não é tão grande. O Brasil não é um país singularmente rico.

Valor: O senhor acredita que a operação Mãos Limpas, que resultou na eleição de Silvio Berlusconi, se repetirá com a Lava-Jato?

De Masi: Do que entendo, a técnica e o objetivo da Mãos Limpas são os mesmos da Lava-Jato. Idênticas. A técnica usada pela Mãos Limpas foi, ao saberem que uma pessoa era corrupta, prendiam-na e esperavam que delatasse o outro. Me parece que é a mesma usada no Brasil. O objetivo também me parece o mesmo. A Mãos Limpas queria eliminar uma classe dirigente corrupta. Creio que [o juiz Sergio] Moro tem como objetivo acabar com a classe política corrupta. Não é culpa dos juízes o que ocorre depois. O que acontece depois é culpa da sociedade civil e da sociedade política.

Valor: Como assim?

De Masi: Na Itália, as sociedades civil e política não estavam prontas para essa transição. Quem se aproveitou da situação foi o Berlusconi, que tinha nas mãos uma grande potência: a mídia. Só que, a Berlusconi não interessa a política, não interessa o poder, mas sim sua empresa e as mulheres. Ele não levou o país nem adiante nem à frente: ficamos parados por 20 anos, que são muito nesse momento histórico em que vivemos, é quase como um século. Experimentamos uma forma pós-industrial de ditadura, a ditadura midiática, feita não pela força, com as armas, mas pela sedução da mídia. Foi um experimento muito trágico para a Itália: hoje temos 13% de graduados nas universidades, enquanto a Turquia tem 15%. O percentual italiano é menos do que a metade dos EUA. Isso se deu pelo fato de que, durante o período Berlusconi, a cultura e os interesses humanísticos eram secundários. Foi um grande dano para o país. Outro dano foi que não se criou uma nova classe dirigente. Depois da Lava-Jato, se o Brasil conseguir nova classe dirigente que não seja corrupta, não seja violenta, que reduza a distância entre ricos e pobres, os efeitos serão positivos. Se o Brasil não tiver nova classe dirigente, o problema será igual ao italiano.

Valor: Em entrevistas antigas, o senhor falava com admiração de vários políticos brasileiros. Eles foram uma decepção?

De Masi: Venho ao Brasil há 25 anos. Na primeira vez que vim ao país, Fernando Henrique Cardoso estava no poder. Eu o conhecia como um grande sociólogo. Li seus livros sobre a sociologia do subdesenvolvimento e muitos outros de autores brasileiros. Naquele período, conheci ministros, governadores, arquitetos, artistas, intelectuais. Fiquei muito impressionado com a qualidade da classe dirigente brasileira. Comparada com a Itália, era muito boa, sobretudo a classe dirigente periférica, dos Estados, os governadores. Na Itália, os governadores quase sempre são muito medíocres. Criei lá um seminário anual de italianos e brasileiros e muitos dos que conheci aqui foram à Itália para as discussões.

Valor: O que aconteceu com alguns desses políticos?

De Masi: Um dos grandes problemas do Brasil é a distância entre ricos e pobres. É um dos países com maior desigualdade social, ocupa o 127º lugar no índice Gini, entre 196 nações. Como sociólogo, sempre julguei os governos pela capacidade de reduzir a distância entre ricos e pobres. No segundo governo FHC e nos dois governos Lula, a distância entre ricos e pobres no Brasil diminuiu. Só dois países no mundo passaram por isso: China e Brasil. Mas no Brasil foi muito mais. Saíram da pobreza 40 milhões de brasileiros. Na China foram 300 milhões, mas sobre 1,4 bilhão de pessoas, é um percentual muito menor. Além disso, o Brasil é um país democrático. Como sociólogo, o Brasil representou uma exceção única: foi o único país capitalista no qual 20% da população mudou de nível social. É um fato único. Para mim, sociólogo, isso é muito importante. Os elementos racionais, para admirar o governo de Fernando Henrique e depois o governo de Lula eram certos. Eram dados objetivos. No primeiro governo de Dilma [Rousseff], houve uma grande crise mundial, que não existia na época de Fernando Henrique nem de Lula. Mesmo com a crise internacional, a distância entre ricos e pobres não aumentou. Com essa base de dados objetiva, tive grande admiração por esses três governantes. Tenho simpatia pela Dilma também porque é mulher. Na Itália não conseguimos levar uma mulher à Presidência. Nem na França. Ou nos Estados Unidos. Não é algo trivial, e Dilma conseguiu ser eleita duas vezes. Havia elementos para que tivesse grande estima pelos governantes brasileiros. Sempre ouvi dizer que havia corrupção no Brasil, inclusive no tempo de Fernando Henrique. A Itália também é corrupta. Mas para que haja a corrupção, é necessário corruptos e corruptores. Não estão na prisão apenas os políticos. É preciso dizer que a política e a economia são corruptas. São corruptos os políticos, os empresários e a mídia, que não os denunciou antes.

Valor: Em um país com desemprego crescente, o trabalhador pode aproveitar de alguma maneira o ócio criativo para se qualificar?

De Masi: O problema do trabalho depende de multifatores, sendo que os principais são a globalização e a tecnologia. Existem três tipos de trabalho: o físico do operário; o intelectual executivo, do empregado de bancos e escritórios; e o trabalho intelectual criativo, que fazemos eu e você. As primeiras máquinas automáticas substituíram muito o trabalho físico de operários, o que gerou grande desocupação nessa categoria. Depois chegaram os computadores, que substituíram muito trabalho intelectual executivo. Agora, com a inteligência artificial, será substituído também muito trabalho criativo. Sou professor universitário e muitos estão sendo substituídos pelo "e-learning". Todos os trabalhos estão sendo ameaçados pela globalização e pela tecnologia. Seguramente, num futuro próximo, em dez anos, precisaremos de muito menos trabalho humano. Produziremos melhor os serviços, com menos trabalho. O problema será como redistribuir a riqueza. Hoje, a riqueza é distribuída pelo trabalho. Para o desocupado, não há riqueza. Quando forem multidesocupados, o que acontecerá?

Valor: O quê?

De Masi: Creio que possam acontecer duas coisas: uma fisiológica e outra patológica. A patologia serão grandes conflitos sociais. A fisiologia se dará em três níveis: no atual, se toma consciência do problema; na segunda fase, ao ter consciência, se redistribui o trabalho. Hoje, o pai trabalha dez horas por dia e o filho é desocupado. Numa segunda fase, o pai vai trabalhar cinco horas e o filho cinco horas. Numa terceira fase, o problema será o tempo livre. O que fazer com o tempo livre será o grande problema do futuro. Quando todos tivermos muito tempo livre de trabalho, se formos pessoas cultas, saberemos como viver. Se formos pouco cultos, há o perigo da droga, da violência, da depressão. Haverá a necessidade de educação para o tempo livre, como hoje temos uma educação para o trabalho.

Valor: Não seria o momento de qualificar a população, nesse momento de alta de desemprego?

De Masi: Em 1930, Keynes calculou que a nossa geração deveria trabalhar 15 horas por semana para evitar a desocupação. No futuro próximo não haverá trabalho. É inútil essa qualificação para o trabalho. Será sempre menos trabalho. Só restará o trabalhador criativo. Todos os outros serão substituídos por máquinas. Devemos pensar, inventar e preparar o mundo sem trabalho. Será um mundo maravilhoso.

Valor: Estamos discutindo a reforma da Previdência num país quebrado e a principal alternativa apresentada é o aumento da idade para a aposentadoria. Não haveria uma alternativa a isso? Reduzir a carga de trabalho gradativamente, mais cedo?

De Masi: O Brasil não está sem dinheiro. Os milionários não fazem parte do país? O Brasil tem muito dinheiro. Os pobres é que não têm dinheiro. Os impostos no Brasil são de cerca de 30%, enquanto na Itália giram em 60%. É preciso redistribuir essa carga. Bem como muitas coisas: é preciso redistribuir o trabalho, a riqueza, o poder, o saber, as oportunidades e as garantias. A economia liberal não é capaz de distribuir, mas de produzir. Para distribuir, é preciso uma economia social democrática.

Valor: Como o senhor vê o impacto das novas tecnologias e engajamento popular? A Primavera Árabe, em última instância, ajudou a deflagrar a crise dos refugiados. Nós soltamos o gênio mau da lâmpada?

De Masi: Passei uma parte da minha vida sem tecnologia. A segunda parte, com tecnologia. A segunda fase da minha vida foi muito melhor, graças às novas tecnologias. Percebe que você está em São Paulo e eu em Tiradentes, vendo as belas plantas que estão atrás de você? Para mim, isso é um milagre. Demos grandes passos adiante e não vejo aspecto negativo na tecnologia. A Primavera Árabe foi sufocada pelos países ocidentais que forneceram armas aos inimigos. Por outro lado, a falta da tecnologia traz isso sim, muito mais problemas. Quantas vidas humanas o celular salvou? Se houvesse celular no tempo de Romeu e Julieta, bastava um telefonema dela avisando que estava chegando. Se Napoleão tivesse um telefone em Waterloo… a história teria sido outra.


Via Luciano Sathler
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Admirável cérebro novo - Inovação

Admirável cérebro novo - Inovação | Ciência, digital, humanos e AI | Scoop.it

Em sua frase mais famosa, René Descartes (1596-1650), filósofo e matemático francês, redefiniu o conceito sobre a natureza humana: "Penso, logo existo". Em busca do conhecimento, ele começou a duvidar de tudo, inclusive de sua própria existência. Percebeu, então, que não podia duvidar da dúvida. Se duvidava, é porque pensava, e, se pensava, é porque existia. A consciência de si mesmo, ensinou Descartes, distingue o que é humano.
Agora, passados mais de 350 anos, a inteligência artificial (IA) experimenta um avanço inédito na história. Nunca se investiu tanto para fazer com que as máquinas "pensem" e tomem decisões capazes de ajudar as pessoas em suas tarefas diárias. Chegará o dia em que a máquina vai duvidar de si mesma? E, a partir desse dia, será humana? Afinal, máquinas inteligentes são uma boa ou má notícia para nós, humanos?
Uma década atrás, essa discussão praticamente não ultrapassava os limites dos laboratórios acadêmicos. As universidades continuam sendo o local por excelência da pesquisa pura sobre a inteligência artificial, mas foi depois que as grandes empresas descobriram como usar seus princípios em aplicações comerciais que o assunto ganhou a atenção do público em geral - virou pop.
"A inteligência artificial, hoje, é um fato, não uma visão de futuro", diz ao Valor a executiva Paula Bellizia, presidente da Microsoft no Brasil. "Tudo o que estamos fazendo está ligado à IA." A aplicação mais conhecida da empresa na área de IA é a assistente pessoal Cortana. O sistema ajuda o usuário a traçar rotas, consultar a agenda, checar a previsão do tempo etc. Desde que foi lançada, em 2014, a Cortana já arregimentou 133 milhões de usuários no mundo e recebeu 12 bilhões de perguntas.
Estudo da consultoria Accenture mostra o potencial econômico de uma das tendências tecnológicas mais importantes dos próximos anos
O programa não é o único de sua categoria. Na concorrência estão softwares como a Siri, da Apple; a Alexa, da Amazon; e o Google Assistant. Todos "entendem" a linguagem falada e tentam responder a comandos de voz. Para o usuário, fica a sensação reconfortante de que existe uma pessoa do outro lado do computador, tablet ou smartphone, por mais que ele saiba tratar-se de um robô.
Os assistentes virtuais estão ficando tão populares que a expectativa é de que, em 2019, 20% de todas as interações de usuários com smartphones vão ocorrer por meio desses sistemas, segundo uma pesquisa da consultoria Gartner. O levantamento, feito com 3.021 pessoas e divulgado no mês passado, mostra que 42% dos entrevistados nos EUA e 32% no Reino Unidos usaram esses programas nos celulares nos três meses anteriores.
Há duas semanas, Mark Zuckerberg, cofundador e diretor-presidente do Facebook, anunciou ter criado seu próprio assistente pessoal. Batizado de Jarvis - uma homenagem ao mordomo eletrônico de Tony Stark, o alter ego do Homem de Ferro nos filmes da Marvel -, o sistema foi construído para automatizar a casa da família. Pode acender e apagar as luzes, tocar música, fazer torradas, reconhecer visitantes à porta etc. Parte do que é mostrado nos vídeos parece ser só brincadeira, como escolher uma camiseta e lançá-la do armário por meio de um tubo. Mas o importante é o potencial de uso. Zuckerberg diz ter gasto cem horas para criar o Jarvis, que tem um charme adicional - sua voz é a do ator Morgan Freeman.
A despeito de tanta badalação, porém, os assistentes digitais mostram só a superfície da inteligência artificial. Por baixo dessas aplicações, voltadas às conveniências da vida prática, existem profundezas que só agora começam a ser exploradas. Do tratamento de câncer ao desenvolvimento de carros sem motorista, de algoritmos que negociam ações a supermercados que dispensam caixas, os campos de aplicação da IA parecem intermináveis. E em cada segmento o impacto pode ser enorme.
As projeções sobre a receita mundial com produtos e serviços de inteligência artificial variam bastante, mas todas indicam crescimentos expressivos. A consultoria Tractica estima um aumento de 57 vezes entre 2016 e 2025, de US$ 643,7 milhões para US$ 38,8 bilhões. A IDC prevê um crescimento de US$ 8 bilhões no ano passado para US$ 47 bilhões em 2020, e a Frost & Sullivan projeta uma taxa anual composta de 40%, entre 2014 e 2021, de US$ 633,8 milhões para US$ 6,6 bilhões. Todas as consultorias são americanas.
Como a IA não trata de uma única tecnologia, mas de um conjunto de disciplinas - robótica, reconhecimento de voz e imagens, aprendizagem de máquina etc. -, o que se prevê é uma espécie de círculo virtuoso, com o estímulo a novos negócios em várias áreas. É algo semelhante ao que ocorreu com o smartphone, cuja disseminação fortaleceu toda a cadeia de produção dos aparelhos, estimulou a oferta de serviços de streaming e praticamente criou a indústria dos aplicativos. "A IA vai ser um catalisador de investimentos em várias áreas, como o desenvolvimento de software, chips e dispositivos que ainda nem existem", diz o analista Bob O'Donnell, da TECHanalysis Research, dos EUA.
Encurtar o tempo necessário para cumprir uma tarefa, qualquer que seja ela, é um dos principais papéis reservados à inteligência artificial. A Microsoft traduziu "Guerra e Paz" (1869), do russo para o inglês, em 2,6 segundos. A cada segundo, o sistema decifrou 558 páginas do clássico de Liev Tolstói (1828-1910). Pode-se perguntar por que tanta urgência para traduzir um livro, mas o ponto é outro - ao abreviar processos, máquinas inteligentes podem reduzir custos, estabelecer correlações de informações quase imperceptíveis e, dependendo do caso, cumprir a missão proposta com menos erros que um agente humano.
Uma das áreas em que isso fica mais evidente é a saúde. No mês passado, a IBM anunciou ter identificado cinco genes ligados à esclerose lateral amiotrófica, conhecida pela sigla em inglês ELA. A doença, de caráter degenerativo, atinge os neurônios motores e provoca atrofia muscular até a paralisação total do paciente, que não perde suas capacidades mentais ao longo do processo. A doença ficou mais conhecida a partir de 2014, quando várias personalidades, de George W. Bush a Justin Bieber, começaram a postar vídeos em que jogavam um balde de água com gelo na cabeça para levantar fundos para pesquisa. A vítima mais conhecida da ELA é o físico inglês Stephen Hawking.
No filme "Ela" (2013), um escritor solitário começa a "namorar" um sistema operacional dotado de inteligência artificial e voz feminina (da atriz Scarlett Johansson)
O Watson, o sistema de IA da IBM, começou lendo todas as publicações conhecidas sobre a doença. Depois, classificou quase 1,5 mil genes humanos e começou a analisar quais deles poderiam estar associados à ELA. A IBM trabalhou com o Instituto Neurológico de Barrow, em Phoenix, nos EUA, cuja equipe avaliou que oito dos dez genes indicados estavam, de fato, ligados à doença - para cinco deles, essa associação era inédita. O processo levou meses, mas os cientistas envolvidos disseram que teriam levado anos se não fosse o Watson - o nome é uma homenagem da IBM a seu fundador, Thomas Watson (1874-1956).
"O debate é entre o 'fast data' e o 'big data'", disse Marcelo Porto, presidente da IBM no Brasil, em encontro com jornalistas. "Big data" é o nome dado ao acúmulo de dados proporcionado pela internet a empresas, governos e indivíduos. Para extrair informações dessa base e estabelecer relações capazes de ajudar a tomar decisões, as organizações investiram fortemente em softwares analíticos, que ajudam a procurar a separar o que é importante do que não é no palheiro digital.
Agora, porém, isso se tornou insuficiente, diz Porto. O problema é que os chamados dados desestruturados são cada vez mais relevantes. Uma foto divulgada no Instagram, um vídeo no YouTube ou um comentário no Facebook podem fornecer pistas significativas sobre a aceitação de um produto pelo consumidor ou a avaliação de um candidato pelo eleitor, por exemplo. E como na internet tudo muda rapidamente, é preciso ser capaz de detectar a tendência de maneira instantânea. É algo que os softwares analíticos tradicionais não conseguem fazer. Para dar conta desse trabalho são necessários programas capazes de entender o contexto de uma frase ou identificar rostos em uma foto, habilidades que só são possíveis com a inteligência artificial.
No Brasil, a aproximação entre grupos de tecnologia e empresas de outros setores, principalmente na área de saúde, tem avançado. O Grupo Fleury, de laboratórios, passou a usar o Watson para mapear mutações genéticas no DNA de pacientes e o Hospital 9 de Julho, de São Paulo, vai adotar um sistema de IA que usa câmeras para evitar acidentes, como pacientes que caem do leito. O software está sendo desenvolvido no Centro de Tecnologia Avançada aberto pela Microsoft no Rio de Janeiro.
Apesar dos seus benefícios, muitas vozes têm se levantado quanto aos riscos da inteligência artificial. Isso não é surpresa. Toda vez que uma inovação importante ganha espaço, reaparece o temor de que a tecnologia possa se virar contra seu criador. No século XIX, "Frankenstein" (1818) já cumpria esse papel. No livro, Mary Shelley (1797-1851) narra a história do cientista que tenta criar um ser vivo com pedaços de cadáveres. A história termina com a morte do doutor, como um lembrete sobre o risco de se conceber algo potencialmente incontrolável.
O cinema amplificou esses temores. No pós-guerra, a desconfiança quanto às armas nucleares provocou uma profusão de filmes de baixo orçamento em Hollywood. Muitos eram variações sobre o mesmo tema - um animal inofensivo que, exposto à radiação, ficava gigante e destruía tudo à sua frente. Podiam ser formigas ("O Mundo em Perigo", 1954), um polvo ("O Monstro do Mar Revolto", 1955) ou um lagarto, como é o caso do japonês "Godzilla" (1954).
O avanço sem precedentes da sociedade digital passou a inspirar terrores mais sofisticados, com uma máquina superinteligente no lugar do monstro. É o caso do computador HAL 9000 de "2001 - Uma Odisseia no Espaço" (1968), de Stanley Kubrick; do sistema autoconsciente Skynet, da série "O Exterminador do Futuro" (iniciada em 1984), do mais recente "Ex-Machina: Instinto Artificial" (2015), e de "Matrix" - um mundo simulado pelas máquinas para controlar a consciência humana e usar as pessoas como fonte de energia. Em "Ela" (2013), que remete a Siri, da Apple, a "monstra" é capaz de partir o coração de um apaixonado homem solitário.
A ficção científica não costuma ser boa conselheira porque seu foco é o entretenimento e não a ciência. Mas suas advertências insistentes fazem pensar se a humanidade poderia ou não ser destruída pela máquina, algo que tem sido levado a sério nas esferas acadêmicas.
Em '2001 - Uma Odisseia no Espaço' (1968), o computador HAL 9000 elimina os tripulantes de uma nave
Um dos estudiosos mais importantes do assunto é o matemático e filósofo sueco Nick Bostrom, diretor do Instituto do Futuro da Humanidade, na Universidade de Oxford, e autor do livro "Superintelligence: Paths, Dangers, Strategies" (em tradução livre, Superinteligência: Caminhos, Perigos, Estratégias). A obra já foi endossada por gente como Bill Gates, da Microsoft, e Elon Musk, da Tesla Motors, a fabricante de carros elétricos.
Bostrom adverte contra o risco de antropomorfizar as máquinas e imaginar que elas possam vir a odiar a humanidade. Máquinas, simplesmente, não têm sentimentos e não há motivo para que venham a ter. Mesmo assim, alerta o acadêmico, podem representar ameaça real para civilização. Por quê? A explicação foi bem resumida pela revista britânica "The Economist" no título de um artigo do ano passado sobre as questões éticas que rondam a IA ("Os clipes de papel de Frankenstein").
Vamos supor, propõe Bostrom, que no futuro uma inteligência artificial complexa assuma como missão produzir a maior quantidade possível de clipes de papel. Depois de esgotar as fontes existentes, ela procuraria novas formas de cumprir sua tarefa. Eventualmente, acabaria usando todos os recursos do planeta para fazer mais clipes, até aniquilar o homem, se isso significasse atingir seu objetivo. E em meio ao processo, tomaria todos os cuidados para evitar que fosse impedida de alcançar sua meta, o que significaria blindar-se contra eventuais ataques. Não se trata de ódio, vingança ou ressentimento. Só de eficiência.
Por ora, uma das maiores preocupações é com o desemprego que a inteligência artificial pode provocar. Há quem acredite que o avanço da IA terá impacto semelhante ao da Revolução Industrial. Mas, se no século XVIII a automação roubou vagas da população com menos escolaridade, a IA estaria posicionada, agora, para fazer o mesmo com a classe média. Só cargos que exigem muita criatividade ou habilidade gerencial estariam a salvo. O próprio Stephen Hawking defendeu essa ideia em um artigo publicado meses atrás no jornal britânico "The Guardian".
Os números dão indícios inquietantes. Segundo um estudo da consultoria McKinsey, cerca de 45% das funções existentes poderiam ser substituídas por mão de obra mecanizada com a adaptação de tecnologias já existentes. Nos EUA, essas atividades representariam US$ 2 trilhões em salário anuais.
No mês passado, a Casa Branca divulgou um relatório no qual reconhece que a IA pode levar à perda de milhões de empregos e acirrar a divisão de classes nos EUA, mas conclui, curiosamente, que a economia americana precisa de mais inteligência artificial, não menos. O motivo? A tecnologia é chave para aumentar a eficiência na produção de bens, indica o relatório, o que poderia levar a salários médios mais altos e menos horas de trabalho.
Muitos especialistas acreditam que a inteligência artificial não vá, necessariamente, substituir a mão de obra humana. Em vez disso, criará sistemas para auxiliar o trabalhador a desempenhar melhor suas funções. É o conceito do "centauro". Como o mito grego, metade homem e metade cavalo, o centauro digital misturaria a habilidade e a criatividade humanas com a força e o poder de processamento da máquina. O termo foi cunhado pelo campeão de xadrez Garry Kasparov, que em 1997 perdeu uma partida para o computador Deep Blue, da IBM. Já existem campeonatos de xadrez que permitem o auxílio da máquina, mas o conceito pode ser aplicado a qualquer área. Por exemplo, no campo militar, para definir soldados equipados com exoesqueletos ou que lutariam abrigados dentro de robôs.
A segurança cibernética é outro item que preocupa. No ano passado, a Darpa, braço de pesquisa do Departamento de Defesa americano, promoveu um concurso no qual sete supercomputadores competiram entre si para encontrar vulnerabilidades em sistemas e, então, corrigi-las. Foram distribuídos US$ 55 milhões em prêmios. Ao fim de 95 rodadas, o vencedor foi o computador Mayhem, da ForAllSecure, uma companhia novata de segurança. Embora o objetivo fosse elevar o grau de segurança cibernética, o concurso gerou especulações sobre a possibilidade de a IA ser usada para explorar as falhas, em vez de repará-las. Estaria criada uma nova casta de super-hackers, formada por máquinas.
Em contrapartida, aumentam os esforços para usar a IA na defesa de sistemas complexos, cada vez mais dependentes de algoritmos. A Nasdaq e a Bolsa de Londres já anunciaram que vão adotar mecanismos de inteligência artificial para coibir fraudes e abusos. E a Autoridade Regulatória da Indústria Financeira (Finra, na sigla em inglês), uma organização não governamental sem fins lucrativos, está desenvolvendo um software que será capaz de varrer mensagens de chat para detectar atitudes suspeitas na negociação de grandes volumes de ações. No foco estão estratégias como o "layering" - quando um corretor faz e depois cancela uma ordem de compra (de uma ação que ele nunca pretendeu comprar) só para influenciar seu preço.
Esses e outros casos sugerem que à semelhança das demais tecnologias que tiveram impacto transformador no modo de produção - como a luz elétrica, o automóvel e a internet -, a adoção crescente da inteligência artificial será inevitável, independentemente dos problemas que venha a provocar. Não escapam nem as artes, considerada outra exclusividade humana. Em Amsterdã, no ano passado, foi apresentado o quadro de um homem branco, entre 30 e 40 anos, com cavanhaque ruivo, chapéu preto e gola branca. O título da pintura? "O Próximo Rembrandt". Mas não se tratava de nenhuma peça perdida do mestre holandês. O quadro, feito em uma impressora 3D, foi concebido por um sistema de inteligência artificial, que analisou 346 pinturas do artista e se baseou em 168.263 fragmentos para "pintar" sua própria tela. O trabalho levou 18 meses para ser concluído e o software usou um algoritmo de reconhecimento da face para identificar os padrões geométricos mais comuns na obra de Rembrandt. Outros elementos foram levados em consideração, como composição e material de pintura.
Os organizadores da experiência, feita pela agência J. Walter Thompson para o ING Bank, se apressaram em dizer que "só Rembrandt poderia criar um Rembrandt", mas destacaram o valor de lembrar ao público os elementos que fizeram do pintor o gênio que ele era.
Parece uma boa aspiração para a inteligência artificial: copiar os meandros do cérebro humano para, tanto quanto possível, melhorar a vida das pessoas, mas sem sobrepujar a alma, esse elemento etéreo que nos define.


Via Luciano Sathler
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O aluno sabe-tudo. E agora, professor?

“Os professores podem ser substituídos por uma máquina”. “As escolas como as conhecemos estão obsoletas”. As duas frases, a primeira proferida na Campus Party, em São Paulo, em 2012, e a segunda na TED, na Califórnia, em 2013, são de autoria do Dr. Sugata Mitra, professor da Newcastle University, da Inglaterra, e um dos maiores especialistas do mundo em tecnologia educacional.

Os pensamentos do professor Mitra são a síntese das transformações que estão desafiando os modelos pedagógicos desenhados há centenas de anos para formar aprendizes que até recentemente eram estimulados a exclusivamente repetir e decorar informações e não a aprender a partir de suas próprias descobertas.

Há tempos que a neurociência vem investigando como o cérebro consegue se desenvolver quando estimulado, criando novas conexões na medida em que adquirimos mais conhecimentos ao longo da vida. Aplicada no campo da educação, diversos estudos indicam que os nativos digitais já não retêm mais informações e conceitos como seus pais e avós, que seguiam uma mesma cartilha e metodologia de ensino, e que o desenvolvimento de suas habilidades cognitivas ocorre de maneira muito mais independente, ou seja, eles têm maior capacidade de aprender sozinhos.

Impossível não vincular o nascimento de uma nova geração de aprendizes ao surgimento das novas tecnologias digitais, que passaram a disponibilizar informações a qualquer hora e em qualquer lugar em dispositivos móveis. Se antes o professor exercia seu poder sobre a classe porque era o único detentor do saber, hoje basta uma rápida pesquisa no celular para acessar respostas e conteúdos didáticos de qualquer disciplina.

A partir do final dos anos 90, o professor Mitra realizou diversas experiências em comunidades pobres da Índia, disponibilizando computadores com acesso a Internet para crianças que nunca tinham visto um PC e sem passar nenhuma orientação de como usá-los. Descobriu que, mesmo sem a presença de um professor, elas conseguiram aprender inglês e questões complexas como a replicação do DNA.

Atualmente, Mitra está mergulhado em um projeto de criação de “escolas na nuvem”, nas quais os alunos, conectados e guiados por professores-mentores que trarão propostas de discussão de temas diversos, estarão no comando da aprendizagem e irão compartilhar a distância o que sabem, ajudando na formação de outros estudantes, mesmo os que vivem em regiões remotas.

Já não nos impressionamos com crianças de dois anos que mexem intuitivamente em um tablet ou smartphone. Seria inócuo negar os benefícios que a tecnologia pode trazer para a formação dos futuros profissionais, que mais do que saber ler, escrever e fazer as quatro operações matemáticas precisam desenvolver a inteligência emocional, entre outras habilidades.

Mas qual será então o futuro dos professores? Serão mesmo substituídos por máquinas e as escolas deixarão de existir? Certamente que não. Com um universo cada vez maior de conteúdos armazenados em grandes bancos de dados, que poderão ser interconectados para estruturar novas redes de conhecimento, a eles caberá o importante papel de tutores e de identificar os potenciais de seus alunos para adaptar o aprendizado de acordo com os interesses e habilidades de cada um.

Jean Piaget já antecipava a visão de pensadores como o professor Mitra muito antes da tecnologia derrubar as paredes das salas de aula: “A principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram. Homens que sejam criadores, inventores, descobridores. A segunda é formar mentes que estejam em condições de criticar, verificar e não aceitar tudo que a elas se propõe”.

Via Luciano Sathler
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As manifestações de apoio aos justiceiros do Rio poderiam ser escritas por um só cretino fundamental

As manifestações de apoio aos justiceiros do Rio poderiam ser escritas por um só cretino fundamental | Ciência, digital, humanos e AI | Scoop.it
  Falar mal do beijo gay não pode. Falar mal dos preços não pode. Falar mal de políticos corruptos não pode. Será que estamos em uma ditadura democrática? Eu sou a favor de liberar geral o uso de armas e que cada brasileiro tenha um revólver na mão. Vamos ver quem vence a parada: os assassinos ou nós. O povo brasileiro tem de ser forte e firme na defesa de seus inerentes direitos, evitando assim entregar sua liberdade nas mãos de um estado totalitário. Alguém aqui já viu algum representante dos direitos humanos apoiando famílias que tiveram entes queridos mortos pelas mãos de meliantes? Se ninguém percebeu ainda, estamos vivendo uma crise de segurança pública e não me admira que a população comece a fazer justiça com as próprias mãos. O que me chocou foi a podre da Rede Globo fazendo entrevista com o safado malandro como se fosse a vitima. Tá de um jeito que daqui a pouco teremos de nos envergonhar por sermos honestos. Estamos em guerra declarada e os inocentes serão os primeiros a cair. São centenas de mortos e assaltados a cada dia por criminosos que adoram quando indolentes e sonhadores os defendem. Se for para cairmos, que seja atirando. Não devemos morrer como gado aguardando o abate. É um absurdo um marginal ser tratado como se fosse um coitado. Aos 17, ele “só” tem 3 passagens pela polícia. Imagine aos 30. São os direitos dos manos. Hoje em dia não existem vitimas da sociedade coisa nenhuma. Existem vitimas da preguiça, que querem explorar e ter dinheiro fácil, roubando ou matando. Trabalho, tenho empréstimo para pagar e já estive devendo uma vela pra cada santo. Quando o povo cansa, começa a fazer justiça com as próprias mão. Aí não tem religião ou crença que resistam. É o momento do olho por olho, dente por dente. Guerra é guerra. Precisamos do regime militar para colocar ordem e disciplina neste país governado por bandidos. Na época do militarismo, a maioria que morria eram marginais e muitos foram enterrados como indigentes por usarem documentos falsos adquiridos em Cuba. Hoje, são taxados de desaparecidos políticos. O Brasil virou um país onde a meritocracia é atacada e o roubo elogiado. O legal é ser pobre e extorquir o outro. Já passou da hora de ter aqui nesse país lixo a famosa e tão temida prisão perpetua. Ficou com dó do bandidinho? Adote ele, então.   ****   Este texto foi feito a partir de uma seleção de comentários nos portais alusivos ao discurso de Rachel Sheherazade a favor dos justiceiros do Rio. Uma tempestade de ódio e ignorância que poderia ser de autoria do mesmo cretino fundamental — e que é resumida numa velha defesa dos camisas negras, a milícia fascista de Mussolini: “Nós não compartilhamos a opinião de quem deseja condenar qualquer ação fascista sob a acusação generalizada de que é violência. Há momentos em que a violência, mesmo que assuma a aparência de agressão, na verdade é uma violência defensiva, que é legítima.”  

Via EUCLIDES SANTANA
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​Ted Chiang, o autor por trás de ‘A Chegada’, quer invadir sua mente - Motherboard

O filme mais falado dos últimos meses é A Chegada, um drama de ficção científica estrelado por Amy Adams que tem sido amplamente elogiado pela crítica e que, na semana passada, recebeu oito indicações ao Oscar. A trama retrata a história de uma linguista convocada pelo exército para se comunicar com os primeiros visitantes alienígenas da Terra, seres não-humanóides surgidos em naves esféricas, belas e ameaçadoras que pairam sobre diversos pontos do planeta. O surgimento destes alienígenas cria, logicamente, um clima de frenesi global.
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A produção científica quer ser livre

A produção científica quer ser livre | Ciência, digital, humanos e AI | Scoop.it

Existe atualmente um paradoxo no que se refere à produção científica brasileira: embora ela seja financiada com dinheiro público – via agências como Capes, CNPQ, Faperj e Fapesp –, boa parte fica r...


Via Bia Martins
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Stephen Hawking is wrong. Humans won't compete with AI – we will merge with it

Stephen Hawking is wrong. Humans won't compete with AI – we will merge with it | Ciência, digital, humanos e AI | Scoop.it
Stephen Hawking summed up the thinking of many of the researchers and funders behind artificial intelligence this week when he launched the new Leverhulme Centre for the Future of Intelligence at Cambridge by claiming that AI is "...
Via Sonia Achdjian
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Can we build AI without losing control over it?

Can we build AI without losing control over it? | Ciência, digital, humanos e AI | Scoop.it
Scared of superintelligent AI? You should be, says neuroscientist and philosopher Sam Harris -- and not just in some theoretical way.
Via Sonia Achdjian
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10 Reasons Why People Should Not Fear Digital Health Technologies - The Medical Futurist

10 Reasons Why People Should Not Fear Digital Health Technologies - The Medical Futurist | Ciência, digital, humanos e AI | Scoop.it
The development of digital health technology cause many concerns regarding bioethics. Here are 10 examples why people should not fear it.
Via Sonia Achdjian
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Transhumanism May Change Racism in the Future

Transhumanism May Change Racism in the Future | Ciência, digital, humanos e AI | Scoop.it
Despite decades of progress, racism and bigotry are still prevalent in the United States. Coming transhumanism technology might help us all get along better.
Via Sonia Achdjian
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Filmes sobre inteligência artificial que todo fã de ficção científica deveria assistir - ClickGrátis

Filmes sobre inteligência artificial que todo fã de ficção científica deveria assistir - ClickGrátis | Ciência, digital, humanos e AI | Scoop.it
Em se tratando de filmes de ficção científica, poucos temas costumam chamar mais a atenção dos fãs do que aqueles relacionados à inteligência artificial. E pudera, esse é de fato um assunto fascinante e que até ganha ares de realidade à medida em que a tecnologia avança.

Felizmente, para quem gosta do gênero, hoje já existem excelentes obras à disposição no mercado.
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Máquinas pensantes dão o tom da inovação

Máquinas pensantes dão o tom da inovação | Ciência, digital, humanos e AI | Scoop.it

Há cerca de uma década, a pesquisa sobre inteligência artificial (IA) estava praticamente restrita a dois territórios: os laboratórios acadêmicos e as obras de ficção científica. Nos últimos tempos, porém, a IA passou a ser alvo do interesse de mais e mais companhias à medida que se descobriam aplicações práticas para esse ramo da ciência. O resultado é uma revolução silenciosa que está modificando o dia a dia das pessoas.
Não por acaso, a IA é o elo que liga a maioria das 10 tendências tecnológicas do Valor para 2017, uma lista que completa sua 7ª edição neste ano. A relação, além da própria inteligência artificial, inclui os seguintes temas: blockchain, carros autônomos, fintechs, gêmeos digitais, novos riscos virtuais, pós-verdade, realidade virtual/aumentada, streaming de vídeo e substituição mais lenta de equipamentos.
Os assistentes pessoais digitais são a parte mais conhecida da inteligência artificial. São programas como a Siri, da Apple; a Cortana, da Microsoft; e o Google Assistant. Eles ajudam a fazer buscas na web, agendar compromissos, verificar o trânsito, checar a previsão do tempo etc.
Boa parte dessas funções já existiam. A novidade é a interface. A IA muda a maneira como as pessoas interagem com o mundo virtual. Em vez de seguir vários passos - pegar o aparelho, abrir o aplicativo, pressionar botões - basta fazer uma pergunta à assistente para ouvir a resposta. É a simulação de uma conversa, como se existisse uma pessoa real do outro lado. E a tendência é que esses softwares fiquem cada vez mais inteligentes, antecipando as necessidades do usuário. Por exemplo, consultar a agenda de compromissos e tomar a liberdade de chamar um táxi com antecedência para que o usuário não perca o horário.
Há, no entanto, muitos avanços em outras áreas. É o caso dos carros autônomos. Os sistemas de IA são imprescindíveis para o sucesso dos veículos que dispensam motorista. A expectativa é que, no futuro, eles tomem decisões sobre o que fazer no trânsito, sem colocar em risco a segurança de pedestres e passageiros. Um carro que dispense totalmente a interferência humana ainda está distante, mas a expectativa é de anúncios importantes em 2017.
A IA também está sendo fortemente usada pelo setor financeiro. As fintechs estão liderando parte desse movimento. Essas empresas, cujo DNA mistura serviços financeiros com tecnologia, já constavam na lista de 2016. Retornam, agora, sob outra perspectiva - como alvo de aquisição dos bancos tradicionais, que têm encontrado valor nas inovações propostas pelas startups do setor.
Mesmo áreas que aparentemente não teriam muito a ver com a IA estão sob sua influência. Os serviços de streaming de vídeo, como o Netflix, usam essas tecnologias para fazer recomendações de conteúdo que podem interessar ao espectador. Se o sistema entende que alguém é fã de filmes de terror, por exemplo, fará mais sugestões de títulos do gênero, determinadas pelas escolhas anteriores do assinante.
A IA já encontrou até um papel de corroteirista. O Netflix usou um algoritmo, chamado NetflixBot, para coletar dados sobre os programas mais populares de seu catálogo. Depois, analisou os temas de maior destaque e os mesclou num único seriado. O resultado é a série de mistério "Stranger Things", que traz de volta hábitos e elementos culturais dos anos 80.
Da lista do ano passado, nove previsões se mostraram acertadas, em maior ou menor grau - internet das coisas; cidades inteligentes; a própria inteligência artificial; realidade virtual, que retorna neste ano; drones; equipamentos híbridos entre tablets e notebooks; dinheiro digital; blockchain, outro tema que permanece; e o consumo de entretenimento em múltiplas telas.
O que não ocorreu como previsto foi o avanço mais acelerado das leis relativas à internet. Os crimes digitais continuam a ocorrer - e ameaçam se tornar ainda mais sofisticados em 2017, com o uso da inteligência artificial. O ambiente regulatório, no entanto, ainda apresenta muitas lacunas em relação a infrações cujas características são bem peculiares ao universo digital.


Via Luciano Sathler
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Na era dos robôs, trabalhadores merecem compensação - Inovação

Na era dos robôs, trabalhadores merecem compensação - Inovação | Ciência, digital, humanos e AI | Scoop.it

O destino quase esquecido dos balseiros de Londres, que transportaram pessoas pelo Tâmisa durante séculos, antes de formas mais rápidas de transporte lhes tirarem os empregos, hoje parece de pouca importância. As lições do passado, no entanto, muitas vezes podem guiar as decisões do futuro. Enquanto perdemos o sono com a ascensão dos robôs e o impacto da inteligência artificial, a história dos táxis aquáticos de Londres pode nos ensinar algo sobre como aliviar as rupturas causadas pelas novas tecnologias.
Por muitos anos, os balseiros de Londres foram a categoria de trabalhadores mais numerosa da cidade. As reclamações sobre suas práticas abusivas forçaram o Parlamento a aprovar uma lei, em 1514, para regulamentar a profissão. Outra lei foi aprovada em 1555, estabelecendo a Company of Watermen, a corporação dos balseiros.
Colin Middlemiss, atual secretário da corporação, admite que alguns de seus antecessores provavelmente mereceram o controle. "Éramos uma turma bastante ingovernável", diz. "Não nos privávamos de aumentar o preço no meio da travessia" (uma prática medieval estranhamente reminiscente dos aumentos nos preços do Uber de hoje).
Além de proteger os direitos dos passageiros, a empresa agia como uma associação dos trabalhadores, ajudando a treiná-los e a defender seu meio de sustento. Nos séculos seguintes, sempre que uma nova ponte ou túnel cruzava o Tâmisa, a corporação solicitava ao Parlamento algum tipo de compensação para os balseiros pela perda de receita. Até os construtores da Millennium Bridge, inaugurada em 2000, tiveram de pagar uma soma simbólica para o fundo beneficente da empresa. Para ganhar espaço, os avanços tecnológicos tiveram que pagar, na forma de um dividendo social. "Foi uma maneira de resolver um problema à medida que a tecnologia se desenvolvia", diz Middlemiss.
Hoje, temos um problema similar. As forças da globalização e da revolução tecnológica vêm tornando obsoletos muitos empregos tradicionais, da mesma forma que aconteceu o desaparecimento do negócio dos balseiros. Embora ambas as forças tragam benefícios de forma generalizada, também resultam em dores localizadas.
Essas dores foram identificadas por alguns políticos como o motivo para as convulsões eleitorais que levaram os britânicos a votar a favor do Brexit e geraram o triunfo de Donald Trump nas eleições americanas. O economista Gavyn Davies, em texto recente no "Financial Times", concluiu que a ciência econômica precisa se atualizar urgentemente diante desses descontroles políticos. "Como compensar os que saem perdendo com a globalização vai ser a grande questão de 2017", escreveu.
Alguns economistas argumentam que a solução mais simples e radical seria dar a todos os cidadãos uma renda básica universal, garantida pelo Estado. Houve uma onda renovada de interesse pela ideia neste ano, quando Finlândia e Holanda lançaram experimentos localizados. Em junho, a Suíça promoveu um referendo para determinar a adoção de uma renda básica para todos seus cidadãos, mas a ideia foi derrotada por ampla margem. Alguns no Vale do Silício também apoiam a ideia de um "dividendo digital".
Os defensores da renda básica argumentam que a proposta impulsionaria nossas economias e revitalizaria nossas sociedades, dando mais poder aos cidadãos para que façam suas próprias escolhas de vida. Ajudaria as pessoas a terem tempo livre para criar os filhos, cuidar dos idosos e requalificar-se para outras profissões. Os oponentes argumentam que a renda básica é demasiado simplista, custosa e mal direcionada e que corroeria as relações de causalidade entre esforço e recompensa. Na melhor hipótese, é uma ideia prematura, se não caoticamente utópica. Os atuais sistemas de bem-estar social, apropriadamente ajustados, podem proporcionar mecanismos de compensação mais eficazes.
Um relatório sobre mudanças tecnológicas divulgado pela Casa Branca propôs uma lista de alternativas mais baratas que poderiam, na teoria, ser mais facilmente adotadas. Recomendou o aumento do salário mínimo, o fortalecimento do poder de negociação dos sindicatos, a disponibilização de moradias mais baratas para facilitar a mobilidade, a transferência de maior peso tributário do trabalho para o capital e uma enorme alocação de recursos para treinamento.
Destacando que a tecnologia ainda não tem seu destino traçado, o estudo argumenta que é cedo demais para descartar a possibilidade de emprego quase pleno. "A questão não é que a automação vai tornar a vasta maioria da população impossível de empregar", escreveu Jason Furman, presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca. "Mas sim que os profissionais não vão ter a qualificação para ocupar os empregos bons e de altos salários criados pela automação."
Algumas dessas ideias podem ganhar vazão em Downing Street, residência presidencial britânica, onde a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, se disse comprometida a criar uma economia que "funcione para todos", depois do plebiscito sobre o Brexit. Nos Estados Unidos, entretanto, a alta das ações vista desde a eleição de Trump sugere que é o capital, e não o trabalho, o grande vencedor no novo governo, apesar das promessas de campanhas do presidente eleito de que iria ajudar os abatidos trabalhadores da indústria pesada.
O indicado de Trump como Secretário de Trabalho é, na verdade, um grande apreciador da robotização e crítico feroz do salário mínimo. Não importa quais sejam os desdobramentos, no entanto, é difícil evitar a conclusão de que, cedo ou tarde, vamos precisar encontrar formas mais sensatas de compensar os balseiros.


Via Luciano Sathler
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Quando a tecnologia torna as pessoas estúpidas

Aproximadamente nove milhões de pessoas morrem de câncer a cada ano. Muitas são as razões por trás desse número, mas a velocidade para se identificar o tipo da célula cancerígena e o tempo para definição do tratamento correto são questões fundamentais para se obter uma redução desse dado.
Normalmente, médicos, quando enviam células supostamente cancerígenas para análise, esperam algumas semanas para ter uma resposta sobre o tipo de câncer, o que é fundamental para a próxima etapa do processo: definir o tipo de tratamento mais adequado. Alguns cânceres mais raros demandam semanas de estudos de especialistas, que precisam ler artigos médicos e registros de casos semelhantes, entre outros documentos, para chegar a alguma conclusão sobre o tratamento correto.
No Japão, um grupo de médicos da Universidade de Tóquio utilizou o Watson, sistema de inteligência artificial da IBM, para analisar o material genético de uma paciente e descobrir, em poucos minutos, que ela tinha um caso raro de leucemia que requeria um diferente tipo de tratamento, que foi bem sucedido ao final. O Watson foi capaz de comparar o material genético da paciente com mais de 20 milhões de estudos oncológicos existentes para chegar a uma conclusão, algo inimaginável de ser feito por uma equipe de pessoas.
Esse exemplo representa o poder da tecnologia em gerar soluções que demandariam bastante esforço humano. No caso do combate ao câncer, o Watson é capaz de reduzir o que usualmente levaria semanas para apenas alguns minutos com uma precisão sem paralelo. Bilhões de dólares são desperdiçados a cada ano no combate ao câncer por diagnósticos errados e demorados e, portanto, milhões de vidas são perdidas, gerando também um custo emocional sem tamanho.
A mesma tecnologia pode ter impacto em diversos outros contextos que requerem eficiência e respostas mais inteligentes: meio ambiente, energia, alimentos, transporte e educação, entre muitos outros.
A primeira reação, entre as pessoas que discutem o futuro do trabalho, é que a inteligência artificial e outras tecnologias trazem um nível de eficiência que torna os seres humanos obsoletos para determinadas tarefas. Mas essa pode ser apenas uma forma de ver essa realidade. Muitas pesquisas estão mostrando que a tecnologia pode, de fato, aumentar a capacidade humana, bem como deixar as pessoas mais inteligentes.
Ao acelerar a busca por uma cura, o Watson elimina a necessidade de os médicos perderem tanto tempo pesquisando artigos que têm pouco valor para o que eles pretendem resolver, e os ajuda a aprender sobre diferentes casos mais rapidamente. Outra vantagem é o aprendizado de usar a tecnologia em benefício próprio. Acessar o que já foi pesquisado ajuda o ser humano a trazer o que há de melhor na sua natureza, sua capacidade de conectar pontos ainda não imaginados, criar novas possibilidades.
Cientistas de inteligência artificial são (quase) unânimes em dizer que seus sistemas são, sim, os melhores para analisar informações e aprender com base em dados que já foram criados e registrados, mas só os seres humanos são capazes de ter "insights" a partir do que os sistemas geram.
Tim O'Reilly, fundador da O'Reilly Media, diz que "as empresas devem usar a tecnologia para aumentar a capacidade dos trabalhadores, não apenas para substituí-los, para que eles possam fazer coisas que eram anteriormente impossíveis".
Da mesma forma, a tecnologia também pode tornar pessoas não só obsoletas como mais estúpidas. Pesquisas mostram que quem envia e lê e-mails enquanto faz outras tarefas têm uma redução de 10 pontos em seu QI ao longo do tempo, na comparação com quem não faz isso. Outras pesquisas mostram que ferramentas de buscas podem fazer com que as pessoas não desenvolvam a profundidade necessária em seus campos de conhecimento, algo essencial para o aprimoramento do pensamento crítico e a solução de problemas mais complexos.
Tudo isso leva a uma pergunta-chave: as empresas estão realmente preparadas para tirar todo o proveito da tecnologia a seu favor?
Usualmente, o foco da tecnologia tem sido o ganho de produtividade em funções nas quais ela pode substituir o trabalho humano. Aqueles que não são eliminados têm que aprender a operar os novos sistemas. Esse fenômeno é histórico e deve se acelerar com todas as novas tecnologias que estão aparecendo.
Mas o que Tim O'Reilly e outros especialistas estão falando é que a vantagem competitiva deve vir daqueles que conseguirem desenhar suas organizações de forma que seus profissionais possam se desenvolver ampliando suas competências por meio da tecnologia que está disponível para eles.
Ou seja, um "design" inteligente do uso da tecnologia tem a possibilidade de não somente tornar organizações mais eficientes, mas de aumentar as capacidades dos seus profissionais. Para aquelas organizações não tão atentas, a tecnologia pode também transformar seus profissionais em pessoas mais estúpidas.


Via Luciano Sathler
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Don't fear superintelligent AI

Don't fear superintelligent AI | Ciência, digital, humanos e AI | Scoop.it

A nova tecnologia gera novas ansiedades, diz o cientista e filósofo Grady Booch, mas não precisamos ter medo de um AI todo-poderoso e insensível. Booch alivia nossos piores temores sobre computadores superinteligentes, explicando como vamos ensinar, não programar, para compartilhar nossos valores humanos. Em vez de se preocupar com uma ameaça existencial improvável, ele nos exorta a considerar como a inteligência artificial irá melhorar a vida humana.


Via Kim Flintoff
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Escolas que Inovam | Entorno virtual de aprendizagem: para compartilhar práticas e reflexões

Escolas que Inovam | Entorno virtual de aprendizagem: para compartilhar práticas e reflexões | Ciência, digital, humanos e AI | Scoop.it
Para proporcionar um suporte virtual às ações de formação dos professores e fomentar a cultura de rede entre os educadores das escolas, o projeto “Escolas que Inovam” criou o EVA, o entorno virtual de aprendizagem. Composto por uma rede NING – rede social especialmente criada para articular professores da EMEF Campos Salles e EMEF Amorim Lima – esta plataforma será  inicialmente o “centro” do processo de articulação online e funcionará como local de ancoragem das formações e do desenvolvimento de atividades pedagógicas do projeto que se estendem por uma “periferia”, conectada a outras redes como o Facebook, Twitter, Pinterest, Google+, YouTube, Flickr, entre outras. Seu uso é dedicado exclusivamente aos professores.

“A ideia é que esses espaços se retroalimentem em vários aspectos considerados importantes pela proposta do projeto Escolas que Inovam como: a comunicação entre escolas, parceiros, apoiadores e financiadores, a interatividade, a formação para uso pedagógico das tecnologias de informação e comunicação, o incentivo à autoria/coautoria, a possibilidades de produção,pass 4 exams
registro e sistematização de conhecimento”, explica Sônia Bertochi, responsável pela gestão do EVA. A previsão é de que o Ning conecte até 400 usuários entre educadores das escolas, gestores públicos e parceiros do projeto.

Via Luciano Sathler
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Lendas e folclore da Internet: O suposto discurso de Evo Morales

Lendas e folclore da Internet: O suposto discurso de Evo Morales | Ciência, digital, humanos e AI | Scoop.it
O tal discurso já tinha circulado pelas redes antes, mas com outros supostos autores. Nos últimos dias voltou a circular, como já tinha circulado em 2013, como sendo de autoria de Evo Morales. O discurso é bonito e tem conteúdo que merece ser aplaudido, sem dúvida nenhuma. Mas assim como falsamente atribuem este discurso a…

Via EUCLIDES SANTANA
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Freenet

Freenet | Ciência, digital, humanos e AI | Scoop.it

A collaborative doc about the future of Internet freedom / Documental colaborativo sobre el futuro de la libertad en la red


Via Bia Martins
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A Batalha do Vinagre: por que o #protestoSP não teve uma, mas muitas hashtags

A Batalha do Vinagre: por que o #protestoSP não teve uma, mas muitas hashtags | Ciência, digital, humanos e AI | Scoop.it

Estranhei o porquê uma manifestação tão intensa - uma luta contra o aumento da tarifa de ônibus em São Paulo - ser convocada na internet sem o uso de uma hashtag.


Via Bia Martins
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Robots may take two thirds of jobs in developing countries,report says

Robots may take two thirds of jobs in developing countries,report says | Ciência, digital, humanos e AI | Scoop.it
As manufacturers increasingly turn to industrial robots, workers in developing countries will be hit hardest, a new report from the UN Conference on Trade and Development warns.
Via Sonia Achdjian
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Jia Jia the 'robot goddess' chats with crowd at World Robot Conference

Jia Jia the 'robot goddess' chats with crowd at World Robot Conference | Ciência, digital, humanos e AI | Scoop.it
Among the robots on display at thge conference in Beijing was, Jia Jia , the brain child of researchers from the University of Science and Technology of China.
Via Sonia Achdjian
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Transhumanism May Change Racism in the Future

Transhumanism May Change Racism in the Future | Ciência, digital, humanos e AI | Scoop.it
Despite decades of progress, racism and bigotry are still prevalent in the United States. Coming transhumanism technology might help us all get along better.
Via Sonia Achdjian
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