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Brasil dos romances contemporâneos se distância da realidade brasileira

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O campo literário brasileiro ainda é bastante homogêneo, dominado por autores homens, brancos, de classe média, moradores de Rio e São Paulo e cujas profissões são ligadas a espaços já privilegiados de produção de discurso. Essas são algumas das conclusões da pesquisa realizada durante 15 anos por Regina Dalcastagnè, professora da Universidade de Brasília (UnB), e publicada agora no livro Literatura brasileira contemporânea: um território contestado.


Na primeira parte, o livro trata do percurso da representação do "outro" na literatura brasileira, partindo do regionalismo até a denúncio do subdesenvolvimento para chegar, a partir dos anos 60, nas figuras urbanas e nos problemas da cidade. Dentro desse grupo, Dalcastagnè vê três correntes históricas; as que abordam o tema com exotismo, com criticismo e, por fim, "de dentro", aproximando os pontos de vista de narrador e personagem.


Na segunda parte, a autora retoma trabalho a respeito dos personagens do romance brasileiro contemporâneo a partir da análise de 258 obras de ficção publicadas entre 1990 e 2004. A pesquisa aponta que: 72,7% dos romances foram escritos por homens; 93,9% dos autores são brancos; o local da narrativa é a metrópole em 82,6% dos casos; o contexto de 58,9% dos romances é a redemocratização, seguida da ditadura militar (21,7%). O homem branco é, na maioria das ocorrências, representado como artista ou jornalista, e os negros como bandidos ou contraventores; já as mulheres, como donas de casa ou prostitutas.


2007 – Alguns dados da pesquisa quantitativa sobre os romances já tinham sido revelados em 2007, durante apresentação no Itaú Cultural. À época, a pesquisa foi comentada por alguns escritores em matéria publicada no jornal O Estado de S.Paulo. Para Ricardo Lísias, por exemplo, a pesquisa "concluiu algo sem querer: esse é o perfil do imaginário do que seria o consumidor de livros. Pois bem: a maior parte dos prosadores contemporâneos escreve tendo em mente esse perfil". http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,escritores-e-professores-comentam-o-resultado-da-pesquisa,7638,0.htm


Naquele ano, Dalcastagnè apontou o que para ela seria uma ausência de características que marcam a rotina do brasileiro: quase não há citações sobre futebol, carnaval e religião. Assim, apesar de ser muito referencial (o Brasil retratado é o atual) o que lhe confere um caráter realista, o romance traz personagens pouco realistas. "É como se o cenário das histórias fosse uma reprodução fiel da realidade, enquanto as figuras que ali se situam não são." http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,pesquisa-traca-perfil-de-personagem-da-literatura-brasileira,7637,0.htm

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Por que artistas visuais colaboram pouco com o teatro?

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redação Transversais – Mark Lawson escreve para o inglês Guardian sobre a relação colaborativa entre artistas plásticos, artistas gráficos e produções teatrais. O autor se pergunta porque tais as colaborações não são mais frequentes, lembrando os casos exemplares de Picasso, Munch, Dalí e do contemporâneo Antony Gormley. Para Lawson, uma possível explicação para o caso passa pelas determinações do mercado de arte. Ele aponta também a especialização e a segmentação no ensino da cenografia como entraves para a colaboração transversal. Leia aqui o original em inglês.

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