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Escritoras e Poetisas
Mulheres poetas, mulheres e letras
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JULIETA FERREIRA

JULIETA FERREIRA | Escritoras e Poetisas | Scoop.it

SEM PALAVRAS

As palavras soltaram-se de nós
No corte gélido do teu abandono
Voaram ocas negras e fendidas
Na seca lonjura perderam sua voz
O silêncio encheu-se de latos vazios
Sem palavras onde sorver um sentido
O céu subiu mais alto e minguou
E o amor expulso dos meus versos
Despejado das sílabas com sabor
Cada vez mais distante ficou.

Imagem:Anne-Julie Aubrey

(9/8/2011)

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Blanca Varela

Blanca Varela | Escritoras e Poetisas | Scoop.it

La muerte se escribe sola...
Blanca Varela

la muerte se escribe sola
una raya negra es una raya blanca
el sol es un agujero en el cielo
la plenitud del ojo
fatigado cabrío
aprender a ver en el doblez
entresaca espulga trilla
estrella casa alga
madre madera mar
se escriben solos
en el hollín de la almohada

trozo de pan en el zaguán
abre la puerta
baja la escalera
el corazón se deshoja
la pobre niña sigue encerrada
en la torre de granizo
el oro el violeta el azul
enrejados
no se borran
no se borran
no se borran

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¿Para qué sirve la literatura?

¿Para qué sirve la literatura? | Escritoras e Poetisas | Scoop.it
À quoi sert la littérature ? (French) What good is literature, anyway? (English) ¿Para qué sirve la literatura? (II) ¿Para qué sirve la ...

Via maripax62
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Maria João Saraiva

Maria João Saraiva | Escritoras e Poetisas | Scoop.it

XII

Sei que o amor é a única mão que abre portas no labirinto que me encerra tantas vezes, na desesperança. Quando deixo que esta força de sol me guie, surgem muros que se derretem e abrem em novos caminhos, como por magia; cantos escuros de jardim que, iluminados, afinal são passagens secretas para outros jardins ainda mais belos. O que me tolhe é a perda desta esperança; e sou eu que me perco dela, que vou para longe, porque ela afinal está sempre lá, aguardando que eu a leia, que eu a comungue, mesmo na incerteza - que ela, alegremente e com sorriso de criança, me dá...ainda.
MARIA JOÃO SARAIVA, in A DOR QUE ME DEIXASTE, (Trilhos ed., 2ª ed, 2011)

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Lurdiana Araújo lança hoje livro sobre Cerrado de forma poética - CorreioWeb

Lurdiana Araújo lança hoje livro sobre Cerrado de forma poética - CorreioWeb | Escritoras e Poetisas | Scoop.it
CorreioWebLurdiana Araújo lança hoje livro sobre Cerrado de forma poéticaCorreioWebUma das mais comprometidas poetisas de Brasília, nasceu no interior de Tocantins, na secura da roça. Em 2012, Lurdiana Araújo completa 20 anos na capital.
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Viagem a Andrómeda: Ursula K. Le Guin (1929 - )

Viagem a Andrómeda: Ursula K. Le Guin (1929 - ) | Escritoras e Poetisas | Scoop.it

"Filha do antropólogo Alfred. L. Koeber e da escritora Theodora Koeber, desde cedo Ursula K. Le Guin se notabilizou na literatura fantástica, que procurou utilizar para abordar de forma menos restrita temas relevantes como as questões de género, o feminismo ou a identidade racial - o que é visível sobretudo (mas não só) em algumas das obras que compõem o célebre "Hainish Cycle"."


Via Jorge Candeias
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Cora Coralina

Cora Coralina | Escritoras e Poetisas | Scoop.it

 

A gleba me transfigura
Cora Coralina

Sinto que sou a abelha no seu artesanato.
Meus versos têm cheiro dos matos, dos bois e dos cerrais.
Eu vivo no terreiro dos sítios e das fazendas primitivas.
Amo a terra de um místico amor consagrado, num esponsal sublimado,
procriador e fecundo.
Sinto seus trabalhadores rudes e obscuros,
suas aspirações inalcançadas, apreensões e desenganos.
Plantei e colhi pelas suas mãos calosas
e tão mal remuneradas.
Participamos receosos do sol e da chuva em desencontro,
nas lavouras carecidas.
Acompanhamos atentos, trovões longínquos e o riscar
de relâmpagos no escuro da noite, irmanados no regozijo
das formações escuras e pejadas no espaço
e o refrigério da chuva nas roças plantadas, nos pastos maduros
e nas cabeceiras das aguadas.
Minha identificação profunda e amorosa
com a terra e com os que nela trabalham.

A gleba me transfigura. Dentro da gleba,
ouvindo o mugido da vacada, o mééé dos bezerros,
o roncar e focinhar dos porcos, o cantar dos galos,
o carcarejar das poedeiras, o latir dos cães,
eu me identifico.
Sou árvore, sou tronco, sou raiz, sou folha,
sou graveto, sou mato sou paiol
e sou a velha trilha de barro.

Pela minha voz cantam todos os pássaros
e coaxam as rãs, mugem todas as boiadas que vão pelas estradas.
Sou a espiga e o grão que retornam à terra.
Minha pena (esfereográfica) é a enxada que vai cavando,
é o arado milenário que sulca.
Meus versos têm relances de enxada, gume de foice e peso de machado.
Cheiro de currais e gosto de terra.

Eu me procuro no passado.
Procuro a mulher sitiante, neta de sesmeiros.
Procuro Aninha, a inzoneira que conversava com as formigas,
e seu comadrio com o ninho das rolinhas.
Onde está Aninha, a inzoneira,
menina do banco das mais atrasadas escolas de Mestra Silvina...
Onde ficaram os bancos e as velhas cartilhas da minha escola primária?
Minha mestra... Minha mestra... beijo-lhe as mãos,
tão pobre!...
Meus velhos colegas, um a um foram partindo, raleando a fileira...
Aninha, a sobrevivente, sua escrita pesada, assentada
nas pedras da nossa cidade...

Amo a terra de um velho amor consagrado
através de gerações de avós rústicos, encartados
nas minas e na terra latifundiária, sesmeiros.
A gleba está dentro de mim. Eu sou a terra.
Identificada com seus homens rudes e obscuros,
enxadeiros , machadeiros e boiadeiros, peões e moradores.
Seus trabalhos rotineiros, suas limitadas aspirações.
Partilhei com eles de esperança e desenganos.

Juntos rezamos pela juventude e pelo sol.
Assuntamos de um trovão longínquo, de um fuzilar
de relâmpagos, de um sol fulgurante e desesperador,
abatendo as lavouras carecidas.
Festejamos a formação no espaço de grandes nuvens escuras
e pejadas para a salvação das lavouras a se perderem.
Plantei pelas suas enxadas e suas mãos calosas.
Colhi pelo seu esforço e constância.

Minha identificação com a gleba e com sua gente.
Mulher da roça eu o sou. Mulher operária, doceira,
abelha no seu artesenato, boa cozinheira, boa lavadeira.
A gleba me transfigura, sou semente, sou pedra.
Pela minha voz cantam todos os pássaros do mundo.
Sou a cigarra cantadeira de um longo estio que se chama vida.
Sou a formiga incansável, diligente, compondo seus abastos.
Em mim a planta renasce e floresce, sementeia e sobrevive.
Sou a espiga e o grão fecundo que retornam à terra.
Minha pena é a enxada do plantador, é o arado que vai sulcando
Para a colheita das gerações.
Eu sou o velho paiol e a velha tulha roceira.
Eu sou a terra milenária, eu venho de milênios.
Eu sou a mulher mais antiga do mundo, plantada e fecundada
no ventre escuro da terra.

http://portodoceu.terra.com.br/artesimbolismo/signos-06b.asp

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Sylvia Plath

Sylvia Plath | Escritoras e Poetisas | Scoop.it
Palavras (tradução de Ana Cristina César)

Golpes

De machado na madeira,
E os ecos!
Ecos que partem
A galope.

A seiva
Jorra como pranto, como
Água lutando
Para repor seu espelho
Sobre a rocha

Que cai e rola,
Crânio branco
Comido pelas ervas.
Anos depois, na estrada,
Encontro

Essas palavras secas e sem rédeas,
Bater de cascos incansável.
Enquanto do fundo do poço, estrelas fixas
Decidem uma vida.

http://hope-landic.blogspot.com.br/2010_04_01_archive.html
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Adelia Prado

Adelia Prado | Escritoras e Poetisas | Scoop.it
Tão bom aqui

Adélia Prado



Me escondo no porão
para melhor aproveitar o dia
e seu plantel de cigarras.
Entrei aqui para rezar,
agradecer a Deus este conforto gigante.
Meu corpo velho descansa regalado,
tenho sono e posso dormir,
Tendo comido e bebido sem pagar.
O dia lá fora é quente,
a água na bilha é fresca,
acredito que sugestionamos elétrons.
Eu só quero saber do microcosmo,
O de tanta realidade que nem há.
Na partícula visível de poeira
Em onda invisível dança a luz.
Ao cheiro de café minhas narinas vibram,
Alguém vai me chamar.
Responderei amorosa,
Refeita de sono bom.
Fora que alguém me ama,
Eu nada sei de mim.


Texto extraído do livro “A duração do dia”, Ed. Record, 2010 - Rio de Janeiro (RJ), pág. 09.

http://www.releituras.com/aprado_menu.asp
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Helena Kolody

Helena Kolody | Escritoras e Poetisas | Scoop.it

LIÇÃO

A luz da lamparina dançava
frente ao ícone da Santíssima Trindade.
Paciente, a avó ensinava
a prostrar-se em reverência,
persignar-se com três dedos
e rezar em língua eslava.
De mãos postas, a menina
fielmente repetia
palavras que ela ignorava,
mas Deus entendia.
Helena Kolody – “Poesias escolhidas”
(em português e ucraniano).

http://literaturahelenakolody.blogspot.com.br/p/poesias-de-helena-kolody.html

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Cecilia Meireles

Cecilia Meireles | Escritoras e Poetisas | Scoop.it

Encomenda
Desejo uma fotografia
como esta - o senhor vê? - como esta:
em que para sempre me ria
como um vestido de eterna festa.

Como tenho a testa sombria,
derrame luz na minha testa.
Deixe esta ruga, que me empresta
um certo ar de sabedoria.

Não meta fundos de floresta
nem de arbitrária fantasia...
Não... Neste espaço que ainda resta,
ponha uma cadeira vazia.

Cecilia Meireles


http://dolugardosoutros.blogspot.com.br/2008/06/encomenda-desejo-uma-fotografia-como.html


Cecília Meireles é uma das maiores poetisa brasileiras. nasceu em 1901 no Rio de Janeiro e morreu em 1964. Fonte:http://www.releituras.com/cmeireles_bio.asp (Today, 11:29 AM)

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Marcia Regina Munhoz's comment, October 20, 2012 11:29 AM
Cecília Meireles é uma das maiores poetisa brasileiras. nasceu em 1901 no Rio de Janeiro e morreu em 1964. Fonte:http://www.releituras.com/cmeireles_bio.asp
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Alice Ruiz

Alice Ruiz | Escritoras e Poetisas | Scoop.it

Socorro

socorro, eu não estou sentindo nada.
nem medo, nem calor, nem fogo,
n ão vai dar mais pra chorar
nem pra rir.

socorro, alguma alma, mesmo que penada,
me empreste suas penas.
já não sinto amor nem dor,
já não sinto nada.

socorro, alguém me dê um coração,
que esse já não bate nem apanha.
por favor, uma emoção pequena,
qualquer coisa que se sinta,
tem tantos sentimentos,
deve ter algum que sirva.

socorro, alguma rua que me dê sentido,
em qualquer cruzamento,
acostamento, encruzilhada,
socorro, eu já não sinto nada.

:http://www.aliceruiz.mpbnet.com.br/

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Marcia Regina Munhoz's comment, October 20, 2012 12:16 PM
Alice Ruiz nasceu em Curitiba em1946, escreve poesias, haikais, letras de canções. Foi casada com o poeta Paulo Leminski. Seu site oficial:http://www.aliceruiz.mpbnet.com.br/
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XIV PREMIO "GLORIA FUERTES" DE POESÍA JOVEN (2013) - ESCRITORES. Recursos para escritores

XIV PREMIO "GLORIA FUERTES" DE POESÍA JOVEN (2013) - ESCRITORES. Recursos para escritores | Escritoras e Poetisas | Scoop.it
ESCRITORES. Recursos para escritoresXIV PREMIO "GLORIA FUERTES" DE POESÍA JOVEN (2013)ESCRITORES.
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ALICE VIEIRA

ALICE VIEIRA | Escritoras e Poetisas | Scoop.it

ALICE VIEIRA, in DOIS CORPOS TOMBANDO NA ÁGUA ( Caminho, 2007)

3

Esperar por ti agora quando já todos me explicaram
Como está completemante gasto o tempo de esperas
Com telefonemas fora de hora recados fortuitos e
Sinais desajustados
Pode parecer daquelas coisas que fazíamos
Quando há muitos anos as pessoas
Olhavam para nós e repetiam meu deus
Onde é que o mundo vai parar
(havia uma velha no jardim da parada
Que dizia isto todas as manhãs mal nos via chegar
E tu murmuravas havemos
De convidá-la para o nosso casamento
E ríamos muitos e tínhamos a certeza
De que viver era isso)

Não importa hoje temos
Outras maneiras de fugir e de resto
Já morreram todos os que então
Furiosamente nos vigiavam
Embora possa ainda
Haver quem nos reconheço e se espante
E invente presságios e vozes de oráculos
Ou muito simplesmente destinos banais
Adivinhados nas folhas de chá
E em surdina nos avise
Que as rugas lavradas pelo tempo tornaram
Demasiado inóspito o lugar
Onde nos encontramos

Mas eu já percorri muitos lugares em chamas
E esperar por ti agora é apenas
Mais um longo corredor de memórias regressadas
Que se atravessa entre os nossos corpos
Pelo meio de retratos desfocados com o Sena ao fundo
E discos de vinil com velhas canções
Que nunca partilhámos com mais ninguém

- até chegar ao lugar do amor subitamente desocupado
Pronunciando devagar cada sílaba do nome com que de mim nascias

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Elvira Vigna

Elvira Vigna | Escritoras e Poetisas | Scoop.it

Concomitância dos efêmeros. Texto que a Elvira Vigna apresentou semana passada, na PUC-RS.

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Alfonsina Storni

Alfonsina Storni | Escritoras e Poetisas | Scoop.it

Tú me quieres alba,
Me quieres de espumas,
Me quieres de nácar.
Que sea azucena
Sobre todas, casta.
De perfume tenue.
Corola cerrada
Ni un rayo de luna
Filtrado me haya.
Ni una margarita
Se diga mi hermana.
Tú me quieres nívea,
Tú me quieres blanca,
Tú me quieres alba.
Tú que hubiste todas
Las copas a mano,
De frutos y mieles
Los labios morados.
Tú que en el banquete
Cubierto de pámpanos
Dejaste las carnes
Festejando a Baco.
Tú que en los jardines
Negros del Engaño
Vestido de rojo
Corriste al Estrago.
Tú que el esqueleto
Conservas intacto
No sé todavía
Por cuáles milagros,
Me pretendes blanca
(Dios te lo perdone),
Me pretendes casta
(Dios te lo perdone),
¡Me pretendes alba!
Huye hacia los bosques,
Vete a la montaña;
Límpiate la boca;
Vive en las cabañas;
Toca con las manos
La tierra mojada;
Alimenta el cuerpo
Con raíz amarga;
Bebe de las rocas;
Duerme sobre escarcha;
Renueva tejidos
Con salitre y agua;
Habla con los pájaros
Y lévate al alba.
Y cuando las carnes
Te sean tornadas,
Y cuando hayas puesto
En ellas el alma
Que por las alcobas
Se quedó enredada,
Entonces, buen hombre,
Preténdeme blanca,
Preténdeme nívea,
Preténdeme casta.


(Poeta y escritora argentina del modernismo. Feminista, con su obra literaria abogó por la igualdad de género. Hasta último momento defendió su derecho a decidir. Padeciendo un cáncer de mama incurable, se suicidó el 25 de octubre de 1938 internándose mar adentro en la playa de Mar del Plata).

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Lia Beltrão

Lia Beltrão | Escritoras e Poetisas | Scoop.it
o estranho que me visita
lia beltrão


Eu sei quando ele chega. Gosta de me pegar distraída dentro de um livro, aparando as unhas ou bordando com meus bastidores. Quando me dou conta, ele já sumiu lá para os fundos do corredor. Nas primeiras vezes, tremia de medo e me distraía ligando a tv, cantando alto, telefonando para qualquer pessoa. Até que ele sumisse.
Mas teve um dia em que criei coragem e fui caçá-lo pela casa. Entrei no quarto, ele deu sinal de estar no banheiro. Abri de um brusco a porta do banheiro, ele mexeu na torneira da cozinha. Acendi a luz da cozinha, ouvi o seu suspiro lá na sala.
Com o tempo, aprendi que ele não queria ser visto. Me acostumei com a sua presença pela casa. Quando ele chega, finjo que não percebo. Continuo presa no livro, na serrinha de unhas ou na agulha que passa de um lado a outro do tecido esticado nos bastidores. Faço falsas poses distraídas, sabendo que ele gosta de me ver assim, vivendo a vida, passando o tempo, pensando coisas. Gosto desse estranho que me quer assim, na mais banal intimidade. Gosto que vasculhe minha casa, que me vasculhe por fora e por dentro. Gosto que me mostre a estrangeira que eu sou dentro do próprio território.
http://www.escritorassuicidas.com.br/lia_beltrao.htm
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Ficção científica: a nova utopia anarquista

Ficção científica: a nova utopia anarquista | Escritoras e Poetisas | Scoop.it

"Músicos anarquistas como Thom Yorke (Radiohead), Eugene Hutz (Gogol Bordello), Jello Biafra (ex-Dead Kennedys, presentemente com o grupo Guantanamo School of Medicine), Jude Abbot (Chumbawamba), Holger Czukay (Can, ainda e sempre), Chris Johnston (Ghost Mice) e Lemmy (Motorhead, ex-Hawkwind) terão, com certeza, consciência de que a música que fazem, da maneira como a fazem e, sobretudo, como a apresentam e colocam em circulação, é um produto formatado pela «sociedade do espectáculo»."


Via Jorge Candeias
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ANA HATHERLY

ANA HATHERLY | Escritoras e Poetisas | Scoop.it

viver sem amor
É como não ter para onde ir
Em nenhum lugar
Encontrar casa ou mundo.

É contemplar o não-acontecer
O lugar onde tudo já não é
Onde tudo se trnsforma
No recinto
De onde tudo se mudou.

Sem amor andamos errantes
De nós mesmos desconhecidos

Descobrimos que nunca se tem ninguém
Além de nós próprios
e nem isso se tem.

http://nescritas.com/poetasapaixonados/listapoesiasdeamor2/1871/08/

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Gabriela Mistral

Gabriela Mistral | Escritoras e Poetisas | Scoop.it

A casa

A mesa, filho, está posta
em brancura quieta de nata,
e em quatro muros que mostram sua cor azul
dando brilhos, a cerâmica.
Este é o sal, este o azeite
e ao centro o Pão que quase fala.
Ouro mais lindo que ouro do Pão
não está nem em fruta nem em retama,
e do seu cheiro de espiga e forno
uma fortuna que nunca sacia.
O partimos, filhinho, juntos,
com dedos duros e palma branda,
e tu o olhas assombrada
de terra preta que dá flor branca.
Abaixada a mão de comer,
que tua mãe também a abaixa.
Os trigos, filho, são do ar,
e são do sol e da enxada;
porém este Pão "cara de Deus"*
não chega as mesas das casas;
e se outras crianças não o tem,
melhor, meu filho, não o tocares,
e não tomá-lo melhor seria
com mão e mão envergonhadas

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Marcia Regina Munhoz's comment, October 20, 2012 11:24 AM
Gabriela Mistral era o pseudonimo de Lucila de Maria del Perpetuo Socorro, nasceu no Chile em 1889e morreu em Nova York em 1957. Ganhou o prêmio Nobel de Literatura em 1945.
Marcia Regina Munhoz's comment, October 20, 2012 11:26 AM
Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Gabriela_Mistral
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Ana Cristina César

Ana Cristina César | Escritoras e Poetisas | Scoop.it
Flores Do Mais

Devagar escreva
uma primeira letra
escreva
nas imediações construídas
pelos furacões;
devagar meça
a primeira pássara
bisonha que
riscar
o pano de boca
aberto
sobre os vendavais;
devagar imponha
o pulso
que melhor
souber sangrar
sobre a faca
das marés;
devagar imprima
o primeiro olhar
sobre o galope molhado
dos animais; devagar
peça mais
e mais e
Mais
http://www.lumiarte.com/luardeoutono/accesar.html
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Hilda Hilst

Hilda Hilst | Escritoras e Poetisas | Scoop.it
Sonetos que não são

Aflição de ser eu e não ser outra.

Aflição de não ser, amor, aquela

Que muitas filhas te deu, casou donzela

E à noite se prepara e se adivinha



Objeto de amor, atenta e bela.

Aflição de não ser a grande ilha

Que te retém e não te desespera.

(A noite como fera se avizinha.)



Aflição de ser água em meio à terra

E ter a face conturbada e móvel.

E a um só tempo múltipla e imóvel



Não saber se se ausenta ou se te espera.

Aflição de te amar, se te comove.

E sendo água, amor, querer ser terra.

( Roteiro do Silêncio(1959) - Sonetos que não são - I)

http://www.angelfire.com/ri/casadosol/psilencio.html
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Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen | Escritoras e Poetisas | Scoop.it

 

Mar


Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.

E se vou dizendo aos astros o meu mal
É porque também tu revoltado e teatral
Fazes soar a tua dor pelas alturas.
E se antes de tudo odeio e fujo
O que é impuro, profano e sujo,
É só porque as tuas ondas são puras.

Sophia de Mello Breyner Andresen

http://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=108

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Marcia Regina Munhoz's comment, October 20, 2012 12:32 PM
Sophia de Mello Breyner Andersen é uma Sá maiores poetisas portuguesas, nasceu em1909 e morreu em 2004. Outros poemas podem ser encontrados no site:http://www.astormentas.com/andresen.htm
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Florbela Espanca

Florbela Espanca | Escritoras e Poetisas | Scoop.it

Mistério


Gosto de ti, ó chuva, nos beirados,
Dizendo coisas que ninguém entende!
Da tua cantilena se desprende
Um sonho de magia e de pecados.


Dos teus pálidos dedos delicados
Uma alada canção palpita e ascende,
Frases que a nossa boca não aprende,
Murmúrios por caminhos desolados.


Pelo meu rosto branco, sempre frio,
Fazes passar o lúgubre arrepio
Das sensações estranhas, dolorosas…


Talvez um dia entenda o teu mistério…
Quando, inerte, na paz do cemitério,
O meu corpo matar a fome às rosas!


(in Antologia de poetas Alentejanos)

http://clubedapoesia.com.br/V1/mestres/mesflorpoe.htm

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Marcia Regina Munhoz's comment, October 20, 2012 11:34 AM
Poetisa portuguesa, nasceu em 1894 e morreu em 1930' seus poemas e mais sobre sua vida podem ser encontrados no blog:http://espancaflorbela.blogspot.com.br/
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Emily Dickinson

Emily Dickinson | Escritoras e Poetisas | Scoop.it

Depois de imensa dor, segue-se um sentimento formal -

Os nervos, feito lápides, severos -

Hirto, o coração se pergunta se, de fato, a suportou

Há séculos ou se foi ontem apenas?

Os pés andam mecanicamente em círculo -

Pelo chão, no ar, por onde for -

Uma trilha tosca,

Aberta ao acaso;

Uma serenidade de quartzo, como têm as pedras -

Essa é a hora de chumbo -

Que se relembra, se superada,

Como alguém enregelado recorda a neve:

Primeiro, o frio – depois, o torpor – e, então, o deixar-se ir -

http://andretoso.wordpress.com/category/mulheres/

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Marcia Regina Munhoz's comment, October 20, 2012 12:23 PM
Emily Dickson, poetisa americana, nasceu em 1830 e morreu em 1886. Outros poemas seus podem ser encontrados em http://www.releituras.com/edickinson_menu.asp