Mário Jorge Lima
191 views | +0 today
Follow
Your new post is loading...
Your new post is loading...
Scooped by Mario Jorge Lima
Scoop.it!

65 ANOS

Viver é um pouco morrer. A cada dia. Jamais me imaginei com essa idade. Quando menino esses números me assustavam. Agora, vejo-me a apenas 5 anos da marca inicial estabelecida por Moisés no seu Salmo para delimitar os anos da canseira e do enfado.

 

Tive infância feliz e absolutamente normal. Joguei bola, soltei pipa, rodei pião, li muito gibi, subi em árvores e no telhado de casa - de onde caí duas vezes e quebrei os dois braços - roubei manga e jaca no quintal do vizinho, briguei na rua - e apanhei, era pequeno e franzino - quebrei vidraças, fui mordido por cachorro por faze-lo de cavalo, impliquei muito com minha irmã, apanhei de cinto e chinelo inúmeras vezes.

 

Tive pai e mãe abençoados. Perdi meu pai aos 9 anos, mas foi o suficiente para guardar dele a melhor imagem e ter tido experiências espirituais e culturais marcantes. Dele herdei um certo refinamento e o prazer pela leitura, prosa e poesia. Li coisas ótimas e coisas que não prestavam. Mas, meu pai me dava dicionários para ler, e foi daí que me ficou uma certa habilidade com as palavras e o prazer por descobrir o significado das mesmas. Na vida e morte do meu pai eu comecei, em tenra idade, a perceber o que é sofrer uma religião que não manifesta graça. Deus tinha que ser mais que justiça. E o melhor é que Ele é. Um dia eu conto aqui. Nunca o esquecerei, Raymundo de Souza Lima, falecido aos 34 anos. Vai ser insólito reencontrá-lo, paizinho, tendo talvez mais que o dobro da sua idade.

 

Minha mãe foi mãe e pai, e consolidou em mim o amor pelas coisas de Deus, a fé e a dependência dEle. Vivenciei sua luta para criar-me e à minha irmã querida, Rubenita, com seu trabalho de costureira e depois de obreira bíblica. Quero revê-la em breve, D. Mariazinha Lima, cristã da melhor qualidade, salva pela graça, falecida aos 76 anos.

 

Apaixonei-me pela primeira vez aos 7 anos. Heloísa, era o nome dela, a menina mais linda da segunda série. Diga-se de passagem, paixão correspondida por bilhetinhos pueris. Em seguida veio a paixão pela professora, claro, D. Consuelo.

 

Trabalhei cedo, empregado em banco aos 14 anos. Considero ter sido adolescente e jovem feliz. Ouvi Beatles, Birds e Rolling Stones, curti muito toda a música romântica italiana, francesa e americana dos anos 60/70, e amei a bossa nova e parte da jovem guarda. No início do tropicalismo desinteressei-me pela MPB, nem sei se ela ainda existe.

 

Vi jogar Pelé, Garrincha e Reinaldo, talvez por isso até hoje minha simpatia e torcida por Santos, Botafogo e Atlético. E no mesmo Maracanã assisti os inesquecíveis shows de Francis Albert Sinatra e Sir James Paul McCartney.

 

Cedo abri o coração para a fé, e aprendi desde então sobre a graça salvadora. Sei que não fosse por ela, eu já seria poeira cósmica. Conheço o Deus da segunda chance, o Deus justificador e restaurador, o Deus santificador. Só me falta o Deus glorificador, a Quem quero contemplar face-a-face.

 

Deus me deu muitas e boas oportunidades, não tendo eu aproveitado tudo que podia e devia. Fiz boas e más escolhas. Como todo ser humano. Arquei com consequências, claro, embora tenha consciência de que Deus nunca me tratou "segundo as minhas iniquidades, pois Ele sabe que sou pó". Ao contrário, livrou-me da morte várias vezes e deu-me sobrevida sem preço.

 

Ele me proporcionou a maior de todas as bênçãos: ter gerado 5 filhas. Mariana, Isabela, Julia, Laura e Luiza, amo vocês, mais do que a mim mesmo. Obrigado Arminda, obrigado Helena. Vocês todas são as mulheres da minha vida. Daria essa vida por qualquer uma de vocês sem pestanejar.

 

Tenho uma grande e preciosa família, tios, primos e afins. Tenho também "um milhão de amigos", muitos deles são como irmãos de sangue, na eternidade quero te-los sempre por perto, vamos "aprontar" muito por esse mundão de Deus, dessa vez com mentes transformadas e corpos glorificados.

 

Obrigado Pai Eterno, obrigado por Teu perdão e por teres pago minha dívida impagável. Obrigado por acalmares o meu interior em relação às minhas dúvidas e questionamentos, dando-me confiança de que um dia terei todas as respostas. Obrigado pela experiência enriquecedora que foi viver esses 65 anos. A senda estreita se afunila, eu sei, mas, não tenho medo. Descobri na semana passada esse texto significativo:

 

"Por isso, o Senhor Deus diz: Estou colocando em Sião uma pedra, uma pedra preciosa que eu escolhi, para ser a pedra principal do alicerce. Nela está escrito isto: Quem tem fé não tem medo." Is. 28:16 (BLH). Essa última frase, em outras duas traduções diz: "Aquele que crer não foge." (ARA) ou "Aquele que crer não se apresse." (ARC).

 

Não tenho medo, não há razão pra fugir, e não estou com a menor pressa. Pra que? Apenas aguardo.

 

Mário Jorge Lima - 17/03/2014

"Livre pensar é só pensar" - Millor Fernandes

more...
No comment yet.
Scooped by Mario Jorge Lima
Scoop.it!

VITÓRIA SOBRE O PECADO

Vitória sobre o pecado é obtida numa base diária, respondendo ao amor de Deus, deixando-se transformar pelo relacionamento e pela submissão à Sua vontade, interagindo com Ele no processo de santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.

Vitória sobre o pecado não significa não mais pecar, considerando-se ações, atitudes, palavras e pensamentos. Até porque aquele que diz não cometer pecados torna-se mentiroso. (I Joao 1:8-10). Fomos justificados - considerados justos - por Deus quando abrimos o coração para a fé genuína, e assim passamos a ser considerados e chamados santos, separados. Mas infelizmente, somos santos que, miseravelmente, ainda pecam. Para isso nosso advogado diante de Deus provê e torna disponível a dádiva incondicional do perdão, a qual só temos que aceitar.

Vitória sobre o pecado, portanto, significa não ter mais o pecado reinando na vida (Rom. 6), não tê-lo mais como a força determinante de nossas ações, não ser escravo dele, não ser dominado por ele, não mais viver nele. (I Joao 5:18), crescer na graça, seguindo a vereda do justo. Essa é a vitória que podemos obter em Deus, mesmo tendo natureza caída, imperfeita e ainda mortal. É uma vitória pessoal, mas, insuficiente, que só tem valor diante de Deus porque Cristo Jesus venceu essa luta de forma total e completa e em âmbito maior e cósmico, e Sua vitória se torna nossa vitória quando O aceitamos pela fé.

 

Essa é uma situação de alegria em Deus, de religião não-raivosa, que se traduz em aprender da Palavra, orar e servir ao próximo. Fomos salvos da condenação do mal, sem nenhum mérito nosso, por um simples ato de fé, estamos em outra casa, sob nova direção. Apesar de todas as dificuldades e agruras do cotidiano de nossas vidas, tem coisa melhor? 

Por outro lado, somos responsáveis por todo conhecimento que venhamos a obter. Que ninguém se deixe levar por displicência e relaxamento espirituais, pensando que “assim é muito fácil” e que poderá enganar ao Senhor, e de forma dissimulada conseguirá viver a santificação sem compromisso e sem mudança de vida. Em Deus é fácil, sim, mas sem Sua graça restauradora é impossível, por duas simples razões:

. Primeiro, porque Quem identifica os impulsos, julga os motivos e administra todo esse processo dinâmico de salvação é Alguém que não erra, é o Senhor de toda a terra, que é misericordioso, justo, santo e infalível.

. E, segundo, porque a graça e o amor de Deus são forças, necessariamente, transformadoras.

Mário Jorge Lima - 12/Fev2014

"Livre pensar, é só pensar" - Millor Fernandes

more...
No comment yet.
Scooped by Mario Jorge Lima
Scoop.it!

... QUE VOS AMEIS UNS AOS OUTROS

Tenho cotidianamente pensado nisso, principalmente naqueles momentos em que se torna bem difícil aplicar esse conceito de vida, e que é ao mesmo tempo um mandamento. Seja no trabalho, na rua, na igreja, na escola, ou até mesmo no melhor ambiente da nossa vida, que é o nosso lar, nem sempre estamos abertos e dispostos a manifestar esse belo, perfeito e maior de todos os dons. Digo por experiência própria, isso bate em minha hipocrisia e mordo a própria língua todo dia.

 

Interessante notar que, em todos os comandos neo testamentários em que isso é dito, se procurarmos no grego transliterado (acha-se na web), veremos que o amor referenciado é sempre o amor ágape, que é o amor mais próximo do amor de Deus, o amor filial, de pai e mãe, o amor incondicional e mais puro, um amor também espiritual, que se preciso dá a vida pelo outro. Não é pouca coisa o que se pede daquele que ousa, que se atreve a amar o semelhante.

 

Esse sentimento foi a tônica da vida, das palavras, das ações, da guarda da lei e da pregação e ministério de Cristo Jesus. Alguns anos mais tarde, um ex-fariseu, da tribo de Benjamin, captou essa nuance e disse que sem esse dom maior, nada que eu faça, nada que eu seja, nada que eu diga tem qualquer valor ou significado; não passará de ação vazia, fria. No passado, ele praticara uma religião raivosa, disposta a colocar em prisões e a matar quem não “rezasse” pela sua cartilha, mas, depois de passar pelo discipulado do amor, foi capaz de morrer pela mesma cartilha e pelos seus irmãos.

 

Falamos muito de graça, e isso é bom e necessário, por ser ela a real e única garantia da nossa salvação da condenação, do poder e finalmente da presença do pecado e do mal. Mas, como no dito popular, “falar é fácil”. Realmente é fácil, é bacana, é prazeroso, é inteligente, é até mesmo “cult” cantar, ensinar, pregar sobre a graça. O difícil e necessário, é viver na graça, é viver a graça no dia-a-dia, nos nossos relacionamentos, nas nossas atitudes, nas nossas palavras.

 

Tenho visto, e me envergonhado, diariamente, como me falta esse dom, como sou deficiente nesse aspecto! Ao corrigir minhas filhas, ao ensiná-las, ao dirigir minha família, ao conduzir meu trabalho e até mesmo ao defender o que me parece certo e justo, em questões seculares ou espirituais, sinto que falta esse tempero, que é a prova de discipulado, que é o que será requerido pelo Rei naquela cena antológica de separação entre bodes e ovelhas.

 

E não estou falando aqui em salvação por obras próprias, aliás, nem estou falando de salvação. Estou falando de vida cristã, de bem-viver, de fruto do espírito, no qual pelo menos cinco dos nove gomos tem a ver diretamente com esse dom: amor, paciência, benignidade, bondade e mansidão. Muito significativo, não?

 

A religião verdadeira de Cristo Jesus e o processo de salvação têm vários elementos, tais como a fé, a obediência, o conhecimento, o perdão e diversos outros. Todos são importantes e requeridos, cada um com sua função, cada um no seu momento, não como meio de salvação, mas, como frutos do evangelho. No entanto, nenhum deles é superior ao dom do amor ou prescinde da manifestação e aceitação da graça de Deus na vida.

 

A própria lei de Deus, na eternidade, que estará escrita nos nossos corações e mentes, terá a forma de um código de amor e será a base e a norma do Reino de Deus, como sempre foi no universo pré-lapsariano.

 

Deixo com vocês, para esse final de semana, um texto dos mais significativos e profundos:

 

“A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama o próximo tem cumprido a lei.” Romanos 13:8.

 

É perfeitamente possível, pois, guardar a lei, cumprir reclamos divinos e não possuir amor. Nesse caso, já sabemos que não há qualquer valor ou propósito nisso. Mas, é virtualmente impossível possuir verdadeiro amor e não ter cumprido a lei, a vontade de Deus. Feliz Sábado. Shabat Shalom!

 

Mário Jorge Lima - 31/Jan/2014

"Livre pensar, é só pensar" - Millor Fernandes

more...
No comment yet.
Scooped by Mario Jorge Lima
Scoop.it!

NO ESPELHO

Eu moro em um bairro aqui em São Paulo, chamado Vila Clementino, que já foi, quando vim pra ca há alguns anos, o que o Grajaú e a Tijuca foram no Rio de Janeiro nos anos 60/70, um mar de tranquilidade. Hoje já não é, mas não é dos piores, ainda tem muitas casas e até ruas de paralepípedos, com árvores que recebem revoadas de pássaros de todo tipo, e eu gosto muito das calopsitas, pelo barulho que fazem.

Uma das minhas tarefas em casa, cedinho, antes até de levar minhas filhas ao colégio, é sair pra comprar pão fresquinho. E gosto quando estou com tempo e posso ir a pé. É um dos raros momentos do dia em que caminho, deveria fazer muito mais, até pelos meus problemas coronarianos. 

Por estranho que possa parecer, esse é um dos momentos em que eu falo e gosto de falar com Deus. Olhando as pessoas nas ruas, cumprimentando idosos como eu, vendo os que correm para o trabalho, os que saem com seus cachorros, o trânsito começando a enlouquecer, sinto claramente a influência de Seu Espírito nessas horas, atuando sobre o meu lobo frontal, que alguns cientistas chamam ponto-Deus. Não poucas vezes, como hoje, voltei dessas caminhadas com idéias novas para textos, poemas, letras e projetos espirituais. Não poucas vezes reconsiderei atitudes minhas e coisas que fiz e falei. Não poucas vezes sentei-me na mureta de alguma casa ainda fechada, numa rua tranquila, pra orar. Algumas vezes pra chorar. Se alguém já prestou atenção em mim nesses momentos deve ter pensado: esse aí tem Alzheimer (rsrs).

Hoje cedo estava pensando na capacidade que Jesus tinha de ler corações (mentes). Não que Ele vivesse como um fiscal severo e atento a cada erro dos Seus discípulos e do povo em volta, mas sempre que o Mestre identificava uma oportunidade de intervir numa situação qualquer, com Seus conselhos amoráveis ou Sua ação corretiva, Ele o fazia, e essa característica de saber o que pensavam ou falavam às escondidas Lhe dava possibilidade de ir direto ao ponto, com sabedoria e sem margem a erros de interpretação. Capacidade essa - é bom anotar - que nós não temos.

Lendo os Evangelhos também podemos perceber que Ele era especialmente duro com aqueles que, a serviço do reino das trevas, executavam ações mesquinhas, diretamente sob as ordens e os planos de satanás, para O apanharem em armadilhas ou atrapalhar Seu projeto de tirar o pecado do mundo. Com esses não havia negociação, provavelmente já eram casos perdidos. Mas, com os miseráveis, os doentes, com a escória da terra, com as prostitutas e pecadores de todo tipo, com aqueles que tinham sinceras dúvidas e questionamentos, sendo assim todos vítimas dessa guerra cósmica entre Ele e satanás, Jesus era suave, doce, restaurador, não condenava, apenas estendia Seus braços de amor e olhava-os com misericórdia. Podia julgá-los, mas não julgava. Seu coração se compadecia, pois sabia que eram como ovelhas que não tinham pastor. Não raro, chorava.

E nas Suas avaliações, como já disse, não havia qualquer possibilidade de erro. Jesus nunca usou seus poderes divinos em benefício próprio, mas certamente os usava em benefício da humanidade que viera salvar. E como era o Filho de Deus e lia as intenções e motivações mais escondidas dos corações, era o único que podia fazer as abordagens necessárias e condizentes com cada caso. Jesus era o único que podia tirar o cisco do olho alheio sem se preocupar primeiro em tirar a trave do próprio olho. Jesus era o único que podia fazer o bem com a mão direita sem se preocupar com esquerda. Jesus era o único que não precisava pedir perdão.

Fiquei emocionado enquanto caminhava e pensava nisso e confesso que meus olhos ficaram turvos com algumas lágrimas teimosas. Até agora mesmo, ao escrever esse texto, elas insistem em aparecer. Não tenho essa capacidade de Cristo e nem de longe possuo o Seu amor imenso. Puxa, como eu falho nas minhas avaliações! Faço isso com as criaturas que mais amo, minhas próprias filhas e minha família! Faço também com meus amigos, com meus vizinhos, com os não-crentes, com os que não vivem, pensam ou creem como eu, com os irmãos da minha própria fé! Quantas vezes esqueci que "chamar o pecado pelo nome" significa necessariamente começar chamando assim os meus próprios erros! Até Deus mesmo fez isso quando numa profecia profilática e radical a Ezequiel, mandou começar pelo Seu santuário. Minha vida e meu corpo são um santuário para Deus, portanto, qualquer ação corretiva ou admoestadora da minha parte, deve necessariamente começar por mim mesmo.

Pedi e peço a Deus então, que nesse dia, e em todos os outros daqui pra frente, eu faça assim. Como que olhando num espelho (não é sem razão que Sua lei é comparada a um) eu fale pra mim, tente apreender em meu próprio olhar se ele é sincero e amoroso, cheio de misericórdia e graça com deveria ser. Que eu dê o "sonido certo à trombeta", mas com a abertura dessa trombeta voltada inicialmente e sempre para minha própria vida. E então saberei que, se chegar a admoestar alguém, seja uma filha minha, seja um amigo, seja um irmão de fé, eu já estou em paz interior com meu Deus, já tirei os empecilhos todos que poderiam atrapalhar a ação de Seu Espírito através de mim. E o amor, verdadeira prova de discipulado, e que apaga uma multidão de pecados, será a única coisa determinante das minhas palavras e das minhas atitudes. Amém!

 

Mário Jorge Lima – 13/Jan/2014
“Livre pensar é só pensar” – Millor Fernandes.

more...
No comment yet.
Scooped by Mario Jorge Lima
Scoop.it!

OUÇAM ESSE SOM DE MAIS DE MEIO SÉCULO

Os Cariocas

Mario Jorge Lima's insight:

Esses caras aconteceram nos anos 50. Olhem o que o maestro Severino Filho (o mais velho) ja aprontava. Dois desses componentes são da formação original. E é dito que Severino Filho fazia esses arranjos um dia ou dois antes das gravações. Aliás, os grandes maestros da época de ouro das Rádios Nacional e Mayrink Veiga, escreviam grades completas de orquestração poucas horas antes dos programas entrarem no ar ao vivo, e as orquestras saiam tocando direto.

 

Nós nos maravilhamos hoje com o som de Take-6, Pentatonix, Singers Unlimited, Real Group, Voca People, e tantos outros, e de fato eles são fantásticos. Mas ouçam um pouquinho do nosso Os Cariocas e o que eles já faziam há mais de meio século. E procurem outras coisas deles no Youtube. Vejam que quase não há uma base tonal, e eles usam um único microfone multi-direcional, ou seja, a equalização é natural, feita pela sensibilidade deles.

 

E como instrumentistas, então, tínhamos os trios de formação piano-baixo acústico-bateria, e eram todos um show: Tamba Trio, Zimbo Trio, Milton Banana Trio e tantos outros.

 

Músicos brasileiros, orgulhem-se disso. Temos passado e história. Quem só conhece a MPB de hoje não imagina o que já tivemos. Os americanos que dão show na música vocal, instrumental, orquestral, todos conhecem e são fãs da música brasileira. Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti, Ivan Lins, Pixinguinha, Djavan, são tão ou mais conhecidos e admirados lá do que aqui.

 

Curtam esse som redivivo dos Cariocas:

 

http://www.youtube.com/watch?v=qFc3XYSgz-o

more...
No comment yet.
Scooped by Mario Jorge Lima
Scoop.it!

FELICIDADE

Fim de tarde. Feriado se aproximando. Estou aqui no escritório, sozinho, pensando, antes de empreender uma tarefa que vai me deixar acordado até de madrugada. Não estou cofiando o bigode ou a barba porque não os tenho, mas estou coçando a imaginação, ouvindo música que me agrada e que resolvi compartilhar com vocês. Antes, um pouco do que estou pensando.

 

Todos, via de regra, tentam ser felizes, seja o que for que a felicidade signifique pra cada um. Na maioria das vezes pensamos em criar nossos filhos para que sejam felizes. Deveríamos também considerar ensiná-los a lidar com a infelicidade, com os desencontros, com as perdas. Afinal, esses elementos do viver estão aí à nossa volta, talvez para nos lembrar quão efêmeros somos.

 

Há muitos anos, quando minhas filhas, que hoje são adultas e casadas, eram crianças, eu frequentava a IASD Central do Rio de Janeiro. E lá conheci Haroldo Pereira de Castro Lobo, o irmão Haroldo, homem já idoso, de imensa cultura e saber, na época um dos vice-presidentes da Sociedade Bíblica do Brasil. Ficamos amigos, e eu lembro que ele levava para mim com frequência, aos sábados, caixinhas de papel, tampinhas coloridas de garrafas, figuras recortadas de revistas, e outras miudezas, e me dizia: “São para suas filhinhas, Mário, criança fica feliz com isso, não gosta de brinquedos caros.”.

 

Estava certo. Sabedoria pura, simples e verdadeira. Naquele tempo, início dos anos 80, trocávamos máximas e mínimas do Barão de Itararé, de quem ele era admirador. Grande figura, o irmão Haroldo Lobo. Chamei uma de minhas filhas de Júlia, em parte como homenagem à sua amável esposa, irmã Júlia Lobo. Ambos já descansam e nos esperam para o grande encontro. Pois é, lembrei dele agora porque ser feliz talvez seja ver a vida como as crianças veem. Elas parecem ter o segredo da felicidade.

 

Crianças não têm nada delas, tudo lhes é dado, portanto não têm essa preocupação de posses pessoais. Crianças não têm passado, não sabem o que é futuro, só vivem o presente, ficando assim livres de culpas por um lado e de ansiedades por outro, vivem um dia de cada vez. Crianças aceitam as pessoas como são, não lhes importa a cor, as origens, os bens, nada, portanto estão livres da discriminação e do preconceito. Crianças perdoam e esquecem com facilidade, não guardam mágoas e rancores “ad eternum”. Crianças acreditam no que lhes dizemos, são, portanto, crédulas e sinceras. Crianças tem o coração aberto para aprender, sem ideias pré-concebidas. Crianças gostam de histórias e de aconchego, tem coisa melhor?

 

Crianças são perfeitas? Claro que não. E quem está falando de perfeição? Crianças são egoístas, ciumentas, encrenqueiras. Mas, isso talvez seja o tempero necessário, o equilíbrio a conquistar, a coisa humana a vencer, que mostra que se não somos perfeitos, somos viáveis. Se guardássemos essas características delas, à medida que passássemos da idade da inocência para a idade da razão, sem deixar que se acumulassem sobre nós camadas espessas de dissimulação, intolerância, vaidade e arrogância, não sei se seríamos felizes da forma como compreendemos a felicidade, mas, com certeza, viveríamos mais e melhor.

 

A propósito de ser feliz, nesse final de semana carnavalesco que está chegando muitos procurarão encontrar a felicidade em alguns litros de cerveja e um samba vertiginoso nos pés. Não os censuro e não os julgo, à sua moda estão em busca de felicidade, de uma catarse que os livre de tantas coisas ruins. O Deus gracioso e misericordioso no qual eu creio haverá de interagir com aqueles que quiserem e deixarem que Ele se aproxime. Que de alguma forma encontrem, e fiquem na paz.

 

Sou acordado diariamente, bem cedinho, pelo meu celular com essa bela canção da tradição cristã, cujo link está abaixo. Coloquem um fone de ouvido, fechem os olhos, recostem confortavelmente a cabeça e ouçam essa belezura de piano, sem arroubos e firulas pianísticas, mas com belos acordes, introspectivos e límpidos, e pensem na letra que diz: Quão Feliz eu Sou em Cristo! ou em outra versão, Que Prazer é Ser de Cristo!

 

Num dos versos da letra, esse velho hino diz: Oh, quão bom é crer em Cristo | Ter certeza do perdão! | Receber de Cristo mesmo | Vida, paz e salvação.

 

Certeza do perdão! Tem tudo a ver com cura. Cura tem tudo a ver com felicidade, real e duradoura, aqui e agora, tem a ver com paz que excede todo o entendimento. Curtam essa reflexão teológica.

 

Só peço aos polemistas de plantão que não estraguem o momento de sensibilidade e prazer dessa postagem, inferindo daí que essa é a música do céu. Não sei qual é a música do céu, saberei isso quando chegar lá. Essa é apenas uma música que me dá prazer, que fortalece a minha fé, que me traz recordações de um tempo em que, na meninice, aprendi dos meus pais as sagradas letras, e quando, com certeza, eu era feliz e não sabia.

 

E àqueles meus amigos que não possuem a fé cristã, peço que ouçam a melodia sentindo paz interior e deixem que esses acordes impregnem suas estruturas de pensamento e, quem sabe, assim sintam-se um pouco mais felizes em meio a tanta infelicidade à nossa volta.

 

EXCELENTE FERIADÃO! SEJAM FELIZES!

 

http://www.multisites.com.br/dl/tissosweettotrustinjesus.mp3

 

Mário Jorge Lima - 27/02/2014.

"Livre pensar é só pensar." - Millor Fernandes

more...
No comment yet.
Scooped by Mario Jorge Lima
Scoop.it!

CRIME E CASTIGO

Venho acompanhando - assim como todos os brasileiros - já há alguns anos, o desenrolar do julgamento e absolvição ou condenação de pessoas indiciadas e envolvidas com os crimes do chamado "mensalão", que outros chamam de "mentirão", e suas variantes regionais e setorizadas, cada uma com seus nomes de operações distintos. Não vou entrar nesses questionamentos até porque tanto um quanto outro lado se movem muito mais por simpatias pessoais por partidos e políticos do que pelos autos dos processos, aos quais não temos acesso, ou temos acesso a partes que nos são mostradas de forma manipulada por uma mídia e órgãos de imprensa facciosos, que também não cumprem o seu papel apenas informativo e isento, mas, se posicionam como se partidários e militantes fossem.

Como cidadão comum, que luta pra sobreviver a toda a truculência estatal, sinto que preciso acreditar minimamente nas instituições e poderes constituídos. Preciso crer que, mesmo com as inúmeras possibilidades - e são reais - de estarem agindo em muitos casos com injustiça, alguma justiça, de alguma forma, ainda se faça. Se não acreditar nisso, só me resta a alternativa de mudar de país ou, se não puder isso fazer, também entrar para a delinquência pública ou privada, engrossando assim as fileiras daqueles que cinicamente reclamam de tudo, mas também fazem de tudo aquilo contra o que se levantam.

Como cristão, não sou adepto do quanto pior melhor, nunca fui, acho que temos que almejar e buscar, sim, aqui e agora, uma vida menos penosa para nós e nossos filhos, bem como do nosso povo, cuja miséria, nem de longe conhecemos, a não ser que nos internemos por esse país a dentro para conhece-la, longe da euforia do litoral bronzeado e movido a festas, baladas e vantagens efêmeras.

Lamentável, por outro lado, é ver que mesmo a falha, imperfeita e também corrompida justiça humana, ainda que pegue às vezes alguns bagres de bom tamanho, deixa de fora enormes tubarões contra os quais nada se consegue ou se quer fazer, e que continuam nadando, mandando e assustando nos mares da vida pública, das empresas e das instituições, tornando a nossa vida, como sardinhas miúdas que somos, cada vez mais difícil, sofrida e sem esperança. Seria ótimo - se não fosse utópico - que a todo crime contra a pessoa, contra a sociedade e contra a humanidade, correspondesse um castigo de igual teor, de igual peso.

Mas, vamos seguir na luta. Não sejamos tolos de achar que partidos e agremiações políticas são, umas mais sérias e competentes que outras, umas mais bem intencionadas e incorruptíveis que outras. Todas, sem exceção, navegam no mar da impiedade e da iniquidade. A corrupção e a maldade são uma doença que se espalha de forma endêmica por todos os segmentos da vida, em todos os níveis econômicos e sociais, e até mesmo na educação, na religião e na família, que deveriam ser os fiéis da balança de uma sociedade caminhando para a extinção. E isso não é privilégio de nenhum país, embora em alguns a coisa possa se apresentar mais exacerbada e maligna que em outros.

E essa será a nossa penosa rotina até que algo de sobrenatural aconteça na vida desse planeta, porque o natural não mais resolve. Como homem de fé, mantenho a esperança de dias melhores, acreditando que o problema desse mundo não é social, político, financeiro, econômico, mas espiritual. O homem perde dia a dia a fé nas coisas do espírito e nas virtudes pessoais, passando a enxergar apenas o que é material, imediato e vantajoso. 

Anseio pelo dia em que olharei pra cima e verei uma nuvenzinha branca, do tamanho da mão de um homem, e que crescerá mostrando ser não exatamente uma nuvem, mas, muito mais que isso: a maior e mais bem-aventurada de todas as nossas esperanças. Alguns podem me tomar por tolo e ingênuo. Espero que estejam errados (rsrs). E como diz um amigo meu aqui da Web, vida que segue. Quem viver, verá.

Mário Jorge Lima - 05/Fev/2014

"Livre pensar, é só pensar" - Millor Fernandes

more...
No comment yet.
Scooped by Mario Jorge Lima
Scoop.it!

ANIVERSÁRIO DE SÃO PAULO

Hoje deu-se o aniversário de uma cidade da qual nunca na vida imaginei gostar. Como bom carioca, eu era naturalmente anti-São Paulo. E nem tinha razoes pra isso. Mas, sempre que vinha aqui, fosse a trabalho, fosse para cursos rápidos, fosse por compromissos musicais, voltava correndo tão logo terminava o que tinha vindo fazer.


"Quis o destino" (rsrs), como diriam alguns, que, por injunções sociais, por escolhas, eu um dia viesse para cá, não mais para uma estada rápida, mas para morar. E não apenas morar, mas, tentar me acostumar a essas novas circunstâncias da minha vida, e - mal sabia eu - para constituir mais uma família, com sogra, cunhados, sobrinhos emprestados, tudo a que se tem direito, e gerar mais três filhas, desta vez paulistanas - já tinha duas cariocas.

Lembro-me do dia em que, tristonho, pela última vez como morador do Rio de Janeiro, peguei um avião no aeroporto Santos Dumont, na companhia solidária da minha falecida mãe, dona Mariazinha Lima, e desci em Congonhas, não mais sob um sol azul e brilhante, mas, cinzento e poluído. Minha mudança viria de caminhão da Granero, e cá estava eu, onde teria que morar, sozinho. Escolhas. 

Hoje, transcorridos 22 anos, posso dizer que me afeiçoei, sim, a essa cidade, que me recebeu com muitos novos amigos, tão queridos como os que eu deixei na romântica Rio de Janeiro, que me traz recordações e memórias de todo tipo. Posso também dizer, com segurança, que esse carioca da gema hoje ama São Paulo. Acho que, tanto quanto o Rio. Amo tudo que a Cidade Maravilhosa me deu, mais que a mim mesmo, mas também amo São Paulo e tudo que ela me proporcionou.

Nesse final de 2013, indo ao Rio de Janeiro com a minha família paulistana, para passar o Ano Novo, lembrei-me de uma significativa passagem bíblica. Jacó voltava para sua terra de origem, vindo de Padã-Arã, onde vivera também por cerca de 22 anos. Assim como eu, ele tinha ido para lá, sozinho, fugindo das situações difíceis que criara em sua terra natal. Agora voltava com uma enorme multidão. E então, ao se defrontar com o vau do rio Jaboque, falando com Deus, entre outras coisas disse: 

"... sou indigno de todas as misericórdias e de toda a fidelidade que tens usado para com teu servo; pois com apenas o meu cajado atravessei este Jordão; já agora sou dois bandos." Gênesis 32:10.

Assim me sentia eu, tendo vindo pra São Paulo, sozinho, apenas com meu cajado, e agora voltando ao Rio, ainda que a passeio, mas com um bando, uma família. A única grande diferença é que Jacó, no seu retorno, era um homem rico (rsrs).

Sou agradecido a Deus, Ele me permitiu aqui passar por experiências felizes, outras duras, mas todas, sem dúvidas, enriquecedoras. Perdi minha querida mãe, mas ganhei uma família. Adquiri uma doença coronariana, mas obtive a cura da alma. Mantive, e em alguns casos, restaurei todos os antigos laços familiares e de amizade que eu tinha. Aqui eu conheci melhor a graça redentora e restauradora de Deus, e nela tenho crescido. Sou imensamente grato a Ele por Sua misericórdia por mim, um ser humano imperfeito, cheio de atos falhos, mas, sem dúvida, objeto de Seu amor e Seu perdão, algo que não compreendo, mas aceito.

Obrigado São Paulo! Viva São Paulo!

Mário Jorge Lima./

more...
No comment yet.
Scooped by Mario Jorge Lima
Scoop.it!

ANO NOVO. VIDA NOVA?

Estava aqui, hoje, domingo 05/01/2014, cedo, tomando tempo para a que está sendo, de fato, minha primeira reflexão matinal nesse novo ano. E pensei que todos temos o conhecidíssimo costume de em algumas ocasiões especiais tomar novos propósitos, nos enchermos de brios e de disposição para desempoeirar resoluções passadas, ativar procedimentos e comportamentos que há tempos temos olvidado, e de fato mudar de vida em diversos aspectos que consideramos importantes e necessários. Ainda que não verbalizemos – não queremos nos comprometer – costumamos pensar nessas coisas.

 

E, infelizmente, todos temos também o costume de esquecer em pouquíssimo tempo aquilo que tínhamos decidido mudar. Percebi que alguns posicionamentos que eu tinha mentalizado e decidido interiormente, há poucos dias, já não os estava cumprindo ou executando. E isso deve ser realidade com cada um que me lê.

 

Na verdade, qualquer resolução que se tome, qualquer mudança de comportamento ou atitude, só tem alguma chance de se tornar efetiva se feita numa base diária. Somos por demais pusilânimes para levar a cabo essas mudanças e nossa memória é muito curta e falha para que sequer nos lembremos que decidimos mudar, quando o prazo dentro do qual aferimos essas mudanças é superior a 24 horas. Portanto, temos que reduzir drasticamente o período de tempo em que queremos empreender essas melhorias no nosso viver, de maneira que consigamos executar as ações e fazer as checagens e verificações necessárias. Se não fizermos isso, como diz a gente jovem, "não vai rolar".

 

O Evangelho é sábio quando nos aconselha a não levarmos nossas preocupações e não mentalizarmos nossas dificuldades em período superior a um dia. Não temos acuidade mental e nem visão e determinação suficientes para muito mais que isso. Nossa natureza caída perdeu essa capacidade, e temos que nos ater a essa dimensão de tempo. E já será muito bom e extremamente eficiente se conseguirmos bem administrar nossas vidas por 24 horas. Na verdade é até menos que isso, porque uma boa parte dessas horas passamos dormindo. E sabemos que dormindo não empreendemos, não realizamos, não aprendemos nada, não acontecemos, nada produzimos e nem crescemos na graça. Felizmente, também não erramos, nada ocorre de bom ou ruim, por isso a morte é comparada a um sono.

 

Mas, não há razão para desânimo. Para empreender mudanças no viver, não preciso de uma virada de ano, de uma data de aniversário, e, sendo cristão, nem mesmo esperar pelos resultados de um evento espiritual festivo, semana de oração ou mês de reavivamento. Só preciso manter relacionamento real com Deus e, é claro, ter atitude, no dia-a-dia. Não consegui? Ainda não foi desta vez? Não tem problema, tento novamente. Sempre numa base diária.

 

Poderia me estender por linhas e mais linhas falando e sendo redundante sobre esse tema, mas, uma das coisas em que resolvi mudar (risos) foi falar menos e ouvir mais, ser mais conciso e objetivo. Quero pensar no que falei acima, não mentalizar o ano, o mês, a semana, mas, sim, o dia. E eu diria que em muitos casos podemos reduzir ainda mais e pensar em termos de hora, de minuto, até de segundo.

 

Deixo pra quem me lê um texto bíblico bem sugestivo, pinçado de um Salmo de Moisés, alguém que teve muitos dias para refletir sobre a brevidade dos mesmos:

 

“Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos coração sábio.” Salmos 90:12.

 

Mário Jorge Lima – 05/Jan/2014
“Livre pensar é só pensar” – Millor Fernandes.

more...
No comment yet.