História Geral
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A verdadeira história do Imperador Calígula

A verdadeira história do Imperador Calígula | História Geral | Scoop.it
Esqueça a imagem do tirano pervertido e insano. O imperador era, sim, um hábil populista. Acontece que a sua história foi escrita pelos inimigos
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Criação do Conselho Nacional do Meio Ambiente no Brasil: 1º de junho de 1982

Criação do Conselho Nacional do Meio Ambiente no Brasil: 1º de junho de 1982 | História Geral | Scoop.it
Conheça fatos de junho que fizeram História
Samuel Alencar's insight:

Face à expansão da indústria para vários outros países nos séculos seguintes, o crescimento industrial propiciado pela Revolução Industrial inglesa já no século XVIII trouxe à população mundial o acesso a uma gama imensa de produtos a preços mais acessíveis, graças à modernização dos processos de produção e também aos avanços na química, metalurgia, transportes, comunicação etc. Contudo, a expansão industrial traria o fenômeno da urbanização, concentrando milhões de pessoas nas cidades de vários países (Estados Unidos, Inglaterra, Bélgica, Alemanha, Itália, Japão, por exemplo) onde as indústrias se estabeleceram.

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O império de Napoleão - Guia do Estudante

O império de Napoleão - Guia do Estudante | História Geral | Scoop.it
O império de Napoleão
Samuel Alencar's insight:

Perguntaram certa vez ao duque de Wellington quem era o melhor general de sua época. A resposta? "Nesta era, em eras passadas, em qualquer era, Napoleão". Vinda do britânico que coordenou a destruição definitiva do exército napoleônico na batalha de Waterloo, o elogio não poderia ser maior. De fato, poucos líderes militares venceram tantas batalhas quanto o oficial baixinho que nasceu na ilha italiana da Córsega e se transformou no imperador da França.

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Samuel Alencar's curator insight, March 21, 2015 10:41 AM

Perguntaram certa vez ao duque de Wellington quem era o melhor general de sua época. A resposta? "Nesta era, em eras passadas, em qualquer era, Napoleão". Vinda do britânico que coordenou a destruição definitiva do exército napoleônico na batalha de Waterloo, o elogio não poderia ser maior. De fato, poucos líderes militares venceram tantas batalhas quanto o oficial baixinho que nasceu na ilha italiana da Córsega e se transformou no imperador da França.

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Jovem é acusado de forjar doença para arrecadar dinheiro - 21/02/2015 - Cotidiano - Folha de S.Paulo

Jovem é acusado de forjar doença para arrecadar dinheiro - 21/02/2015 - Cotidiano - Folha de S.Paulo | História Geral | Scoop.it
"Tudo bem, galera? Eu sou Zacarias, tenho 20 anos, sou skatista amador, moro em Teresina e queria contar minha história para vocês". Foi assim, usando uma máscara cirúrgica e falando pausadamente, que Zacarias Gondim lançou um vídeo nas redes sociais, na semana passada, e iniciou uma campanha para arrecadar dinheiro para um tratamento de leucemia que, segundo ele, acabara de ser diagnosticado.
Samuel Alencar's insight:

Hipocrisia?!

 

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Veja Todos os Temas da Redação do Enem

Veja Todos os Temas da Redação do Enem | História Geral | Scoop.it
Nesta matéria a profa. Camila mostra todos os temas das redações do Enem desde sua primeira edição, em 1998, e ainda analisa a tendência para este ano.
Samuel Alencar's insight:

A prova de redação do Enem faz parte da matriz de referência de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, já que esta abrange os conteúdos de Língua Portuguesa como gramática normativa, interpretação de textos e produção textual. O exame segue a tradição da maioria dos vestibulares do país: incluir uma avaliação de produção textual que, na verdade, não avalia apenas a escrita do candidato, mas também a leitura.

A prova redação está presente no Enem desde a sua primeira edição (1998) e tem como característica abordar temas com viés social, voltados para as realidades política e história do Brasil e, por isso, tem como especificidade buscar uma proposta de intervenção social por parte do candidato, a qual abordaremos a seguir.

Os temas de todas as propostas de redação do Enem, desde sua concepção até o ano de 2014 foram:

1998: Viver e aprender1999: Cidadania e participação social2000: Direitos da criança e do adolescente: como enfrentar esse desafio social2001: Desenvolvimento e preservação ambiental: como conciliar os interesses em conflito?2002: O direito de votar: como fazer dessa conquista um meio para promover as transformações sociais que o Brasil necessita?2003: A violência na sociedade brasileira: como mudar as regras desse jogo?2004: Como garantir a liberdade de informação e evitar abusos nos meios de comunicação2005: O trabalho infantil na sociedade brasileira2006: O poder de transformação da leitura2007: O desafio de se conviver com as diferenças2008: Como preservar a floresta Amazônica: suspender imediatamente o desmatamento; dar incentivos financeiros a proprietários que deixarem de desmatar ou aumentar a fiscalização e aplicar multas a quem desmatar?2009: O indivíduo frente à ética nacional2010: O trabalho na construção da dignidade humana2011: Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado2012: Movimento imigratório para o Brasil no século XXI2013: Os Efeitos da Implantação da Lei Seca no Brasil2014: Publicidade Infantil em Questão no Brasil

Podemos dizer que até 2003 os temas eram abordados de uma forma mais abrangente e generalizada e que a partir de 2004 essa abordagem passou a ser mais específica e detalhada, focando um determinado aspecto. Porém, desde o início do Enem, os temas têm enfoque social, abordando assuntos fundamentais como cidadania, direitos humanos, meio ambiente, educação, convívio social, ética, política, liberdade, comunicação etc. Por vezes, um mesmo tema abrange vários destes subtemas; por exemplo, o tema da prova de 2007 “O desafio de se conviver com as diferenças” engloba a questão da discriminação, dos inúmeros preconceitos (que, infelizmente, ainda estão enraizados na sociedade, não só brasileira) e, portanto, do convívio social e da liberdade de expressão, tanto corporal, sexual, religiosa, de informação, dentre outras.

Com esta postura, o Enem nos mostra que objetiva que os candidatos, além de argumentarem fortemente a favor do seu ponto de vista, atuem como sujeitos autônomos, protagonistas dos seus discursos e cidadãos, não apenas como sujeitos passivos que não tenham nada a dizer, nada a ajudar. A escola, como instituição, tem o dever de formar cidadãos conscientes, proativos e protagonistas de suas vidas e de seus dizeres, já que todos nós temos (e muito) o que falar.

Para tanto, manter-se atualizado acerca das pautas cotidianas atuais, com viés social, é fundamental, já que a tradição é a de abordar temas sociais e atuais, como por exemplo, os efeitos da implementação da Lei Seca no Brasil, como foi o caso do Enem 2013.

Como dissemos anteriormente, desde seu nascimento, o exame traz como propostas de redação temas sociais e nacionais, isto é, que dizem respeito ao Brasil e à sociedade brasileira; portanto, podemos descartar, para a prova de produção escrita do Enem 2015, temas e acontecimentos internacionais.

Voltando ao Enem 2012, a questão da imigração para o nosso país neste século tem a ver com ocorrências internacionais, como a devastação do Haiti, a crise na Zona do Euro, a busca por qualidade de vida dos latinos – americanos (como bolivianos e colombianos, por exemplo, que buscam melhores condições de vida e de trabalho no nosso país), mas relacionados ao Brasil, não isolados em seus países. Assim, temas internacionais podem, sim, servir como panos de fundo para o tema da redação do Enem, que, por sua vez, é sempre relacionado ao nosso país.

 

*CAMILA DALLA POZZA PEREIRA é graduada e mestranda em Letras/Português pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Atualmente trabalha na área da Educação exercendo funções relacionadas ao ensino de Língua Portuguesa, Literatura e Redação. Foi corretora de redação em em importantes universidades públicas. Além disso, também participou de avaliações e produções de vários materiais didáticos, inclusive prestando serviço ao Ministério da Educação (MEC).

**Camila também é colunista semanal sobre redação do infoEnem. Um orgulho para nosso portal e um presente para nossos milhares de leitores! Seus artigos serão publicados todas às quintas-feiras, não percam!

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Brasil Colônia: Documentos (1): Carta de achamento do Brasil

Brasil Colônia: Documentos (1): Carta de achamento do Brasil | História Geral | Scoop.it
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Carta de achamento do Brasil

Pero Vaz de Caminha

 

Senhor

Posto que o Capitão-mor desta vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a nova do achamento desta vossa terra nova, que nesta navegação agora se achou, não deixarei também de dar minha conta disso a Vossa Alteza, o melhor que eu puder, ainda que - para o bem contar e falar -, o saiba fazer pior que todos.

Tome Vossa Alteza, porém, minha ignorância por boa vontade, e creia bem por certo que, para alindar nem afear, não porei aqui mais do que aquilo que vi e me pareceu.

Da mafinhagem e singraduras do caminho não darei aqui conta a Vossa Alteza, porque o não saberei fazer, e os pilotos devem ter esse cuidado. Portanto, Senhor, do que hei de falar começo e digo.

A partida de Belém, como Vossa Alteza sabe, foi, segunda-feira, 9 de março. Sábado, 14 do dito mês, entre as oito e as nove horas, nos achamos entre as Canárias, mais perto da Grã Canária, onde andamos todo aquele dia em calma, à vista delas, obra de três a quatro léguas. E domingo, 22 do dito mês, às dez horas, pouco mais ou menos, houvemos vista das ilhas de Cabo Verde, ou melhor, da ilha de S. Nicolau, segundo o dito de Pero Escobar, piloto.

Na noite seguinte, segunda-feira, ao amanhecer, se perdeu da frota Vasco de Ataíde com sua nau, sem haver tempo forte nem contrário para que tal acontecesse. Fez o capitão suas diligências para o achar, a uma e outra parte, mas não apareceu mais!
E assim seguimos nosso caminho, por este mar, de longo, até que, terça-feira das Oitavas de Páscoa, que foram vinte e um dias de abril, estando da dita ilha obra de 660 ou 670 léguas, segundo os pilotos diziam, topamos alguns sinais de terra, os quais eram muita quantidade de ervas compridas, a que os mareantes chamam botelho, assim como outras a que dão o nome de rabo-de-asno. E, quarta feira seguinte, pela manhã topamos aves a que chamam furabuchos.

Quarta-feira, 22 de abril: Neste dia, a horas de vésperas, houvemos vista de terra! Primeiramente dum grande monte, mui alto e redondo; e doutras serras mais baixas ao sul dele: e de terra chá, com grandes arvoredos: ao monte alto o capitão pôs nome: O MONTE PASCOAL e à terra: a TERRA DA VERA CRUZ.

Quinta-feira, 23 de abril: Mandou lançar o prumo. Acharam vinte e cinco braças: e, ao sol posto, obra de seis léguas da terra, surgimos âncoras, em dezenove braças - ancoragem limpa. Ali permanecemos toda aquela noite. E à quinta-feira, pela manhã, fizemos vela e seguimos direitos à terra, indo os navios pequenos diante, por dezessete, dezesseis, quinze, quatorze, treze, doze, dez e nove braças, até meia légua da terra, onde todos lançamos âncoras em frente à boca de um rio. E chegaríamos a esta ancoragem às dez horas pouco mais ou menos.

Dali avistamos homens que andavam pela praia, obra de sete ou oito, segundo disseram os navios pequenos, por chegarem primeiro.
Então lançamos fora os batéis e esquifes; e vieram logo todos os capitães das naus a esta nau do capitão-mor, onde falaram entre si. E o capitão-mor mandou em terra no batei a Nicolau Coelho para ver aquele rio. E tanto que ele começou de ir para lá, acudiram pela praia homens, quando aos dois, quando aos três, de maneira que, ao chegar o batei à boca do rio, já ali havia dezoito ou vinte homens.

Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijamente sobre o bater; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os pousaram.

Ali não pôde deles haver fala, nem entendimento de proveito, por o mar quebrar na costa. Deu-lhes somente um barrete vermelho e uma carapuça de linha que levava na cabeça e um sombreiro preto. Um deles deu-lhe um sombreiro de penas de ave, compridas, com uma copazinha pequena de penas vermelhas e pardas como de papagaio; e outro deu-lhe um ramal grande de continhas brancas, miúdas, que querem parecer de aljaveira, as quais peças creio que o Capitão manda a Vossa Alteza, e com isto se volveu às naus por ser tarde e não poder haver deles mais fala, por causa do mar. Na noite seguinte ventou tanto sueste com chuvaceiros que fez caçar as naus, e especialmente a capitania.

Sexta-feira, 24 de abril: E sexta pela manhã, às oito horas, pouco mais ou menos, por conselho dos pilotos, mandou o Capitão levantar âncoras e fazer vela; e tomos ao longo da costa, com os batéis e esquifes amarrados à popa na direção do norte, para ver se achávamos alguma abrigada e bom pouso, onde nos demorássemos, para tomar água e lenha. Não que nos minguasse, mas por aqui nos acertamos.

Quando fizemos vela, estariam já na praia assentados perto do rio obra de sessenta ou setenta homens que se haviam juntado ali poucos e poucos. Fomos de longo, e mandou o Capitão aos navios pequenos que seguissem mais chegados à terra e, se achassem pouso seguro para as naus, que amainassem.

E, velejando nós pela costa, acharam os ditos navios pequenos, obra de dez léguas do sítio donde tínhamos levantado ferro, um recife com um porto dentro, muito bom e muito seguro, com uma mui larga entrada. E meteram-se dentro e amainaram. As naus arribaram sobre eles; e um pouco antes do sol-posto amainaram também. obra de uma légua do recife, e ancoraram em onze braças.

E estando Afonso Lopes, nosso piloto, em um daqueles navios pequenos, por mandado do Capitão, por ser homem vivo e destro para isso, meteu-se logo no esquife a sondar o porto dentro; e tomou dois daqueles homens da terra, mancebos e de bons corpos, que estavam numa almadia. Um deles trazia um arco e seis ou sete setas: e na praia andavam muitos com seus arcos e setas; mas de nada lhes serviram. Trouxe-os logo, já de noite, ao Capitão. em cuja nau foram recebidos com muito prazer e festa.

A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes. bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Não fazem o menor caso de encobrir ou de mostrar suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto. Ambos traziam os beiços de baixo furados e metidos neles seus ossos brancos e verdadeiros, do comprimento duma mão travessa, da grossura dum fuso de algodão, agudos na ponta como furador. Metem-nos pela parte de dentro do beiço; e a parte que lhes fica entre o beiço e os dentes é feita como roque de xadrês, ali encaixado de tal sorte que não os molesta, nem os estorva no falar, no comer ou no beber.

Os cabelos seus são corredios. E andavam tosquiados, de tosquia alta. mais que de sobre-pente, de boa grandura e rapados até por cima das orelhas. E um deles trazia por baixo da solapa, de fonte a fonte para detrás, uma espécie de cabeleira de penas de ave amarelas, que seria do comprimento de um coto, mui basta e mui cerrada, que lhe cobria o toutiço e as orelhas. E andava pegada aos cabelos, pena e pena, com uma confeição branda como cera (mas não o era), de maneira que a cabeleira ficava mui redonda e mui basta, e mui igual, e não fazia míngua mais lavagem para a levantar.

O Capitão, quando eles vieram, estava sentado em uma cadeira, bem vestido, com um colar de ouro mui grande ao pescoço, e aos pés uma alcatifa por estrado. Sancho de Tovar, Simão de Miranda, Nicolau Coelho, Aires Correia, e nós outros que aqui na nau com ele vamos, sentados no chão, pela alcatifa. Acenderam-se tochas. Entraram. Mas não fizeram sinal de cortesia, nem de falar ao Capitão nem a ninguém. Porém um deles pôs olho no colar do Capitão, e começou de acenar com a mão para a terra e depois para o colar, como que nos dizendo que ali havia ouro. Também olhou para um castiçal de prata e assim mesmo acenava para a terra e novamente para o castiçal, como se lá também houvesse prata.

Mostram-lhes um papagaio pardo que o Capitão traz consigo; tomaram-no logo na mão e acenaram para a terra, como quem diz que os havia ali. Mostraram-lhe um carneiro: não fizeram caso. Mostraram-lhe uma galinha; quase tiveram medo dela: não lhe queiram pôr a mão; e depois a tomaram como que espantados.

Deram-lhe ali de comer: pão e peixe cozido, confeites, fartéis, mel e figos passados. Não quiseram comer quase nada daquilo; e se alguma coisa provaram, logo a lançavam fora. Trouxeram-lhes vinho numa taça; mal puseram a boca; não gostaram nada, nem quiseram mais. Trouxeram-lhes água em uma albarrada. Não beberam. Mal a tomaram na boca, que lavaram, e logo a lançaram fora.

Viu um deles umas contas de rosário, brancas; acenou que lhas dessem, folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço. Depois tirou-as e enrolou-as no braço e acenava para a terra e de novo para as contas e para o colar do Capitão, como dizendo que dariam ouro por aquilo.

Isto tomávamos nós assim por assim o desejarmos. Mas se ele queria dizer que levaria as contas e mais o colar, isto não o queríamos nós entender, porque não lho havíamos de dar. E depois tornou as contas a quem lhas dera.

Então estiraram-se de costas na alcatifa, a dormir, sem buscarem maneira de encobrir suas vergonhas, as quais não eram fanadas; e as cabeleiras delas estavam bem rapadas e feitas. O Capitão lhes mandou pôr por baixo das cabeças seus zoxins; e o da cabeleira esforçava-se por a não quebrar. E lançaram-lhes um manto por cima; e eles consentiram, quedaramse e dormiram.

Sábado, 25 de abril: Ao sábado pela manhã mandou o Capitão fazer vela, e fomos demandar a entrada, a qual era mui larga e alta de seis a sete braças. Entraram todas as naus dentro; e ancoraram em cinco ou seis braças - ancoragem Jentro tão grande, tão formosa e tão segura que podem abrigar-se nela mais de duzentos navios e naus. E tanto que as naus quedaram ancoradas, todos os capitães vieram a esta nau do Capitão-mor. E daqui mandou o Capitão a Nicolau Coelho e Bartolomeu Dias que fossem em terra e levassem aqueles dois homens e os deixassem ir com seu arco e setas, e isto depois que fez dar a cada um sua camisa nova, sua carapuça vermelha e um rosário de contas brancas de osso, que eles levaram os braços, seus cascavéis e suas campainhas. E mandou com eles, para lá ficar, um mancebo degredado, criado de D. -oão Telo, a que chamam Afonso Ribeiro, para lá andar com eles e saber de seu vivere maneiras. E a mim mandou que fosse com Nicolau Coelho.

Fomos assim de frecha direitos à praia. Ali acudiram logo obra de duzentos homens, todos nus, e com arcos e setas nas mãos. Aqueles que nós levávamos acenaram-lhes que se afastassem e poisassem os arcos; e eles os poi'saram, mas não se afastaram muito. E mal poisaram os arcos, logo saíram os que nós levávamos, e o mancebo degredado com eles. E saídos não pararam mais: nem esperavam um pelo outro, mas antes corriam a quem mais corria. E passaram um rio que por ali corre, de água doce, de muita água que lhes dava pela braga; e outros muitos com eles. E foram assim correndo, além do rio, entre umas moitas de palmas onde estavam outros. Ali pararam. Entretanto, foi-se o degredado com im homem que, logo ao sair do batel, o agasalhou e levou até lá. Mas logo tornaram a nós; e com ele vieram os outros que nós leváramos, os quais vinham já nus e sem carapuças.

Então se começaram de chegar muitos. Entravam pela beira do mar para os batéis, até que mais não podiam; traziam cabaças de água, e tornavam alguns barris que nós levávamos; enchiam-nos de água e traziam-nos aos batéis. Não que eles de todos chegassem à borda do batel. Mas junto a ele, lançavam os barris que nós tomávamos; e pediam que lhes dessem alguma coisa. Levava Nicolau Coelho cascavéis e manilhas. E a uns dava um cascavel, a outros uma manilha, de maneira que com aquele engodo quase nos queriam dar a mão. Davam-nos daqueles arcos e setas por sombreiros e carapuças de linho ou por qualquer coisa que homem lhes queria dar.

Dali se partiram os outros dois mancebos, que os não vimos mais.
Muitos deles ou quase a maior parte dos que andavam ali traziam aqueles bicos de osso nos beiços. E alguns, que andavam sem eles, tinham os beiços furados e nos buracos uns espelhos de pau, que pareciam espelhos de borracha; outros traziam três daqueles bicos a saber, um no meio e os dois nos cabos. Ali andavam outros, quartejados de cores, a saber, metade deles da sua própria cor, e metade de tintura preta, a modos de azulada; e outros quartejados de escaques. Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem moças e bem gentis, com cabelos muito pretos e compridos pelas espáduas, e suas vergonhas tão altas, tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as muito bem olharmos, não tínhamos nenhuma vergonha.

Ali por então não houve mais fala nem entendimento com eles, por a berberia deles ser tamanha que se não entendia nem ouvia ninguém.
Acenamos-lhe que se fossem; assim o fizeram e passaram-se além do rio. Saíram três ou quatro homens nossos dos batéis, e encheram não sei quantos barris de água que nós levávamos e tornamo-nos às naus. Mas quando assim vínhamos, acenaram-nos que tornássemos. Tornamos e eles mandaram o degredado e não quiseram que ficasse lá com eles. Este levava uma bacia pequena e duas ou três carapuças vermelhas para lá as dar ao senhor, se o lá o houvesse. Não cuidaram de lhe tirar coisa alguma, antes o mandaram com tudo. Mas então Bartolomeu Dias o fez outra vez tornar, ordenando que lhes desse aquilo. E ele tornou e o deu, à vista de nós, àquele que da primeira vez o agasalhara. Logo voltou e nós trouxemo-lo.

Esse que o agasalhou era já de idade, e andava por louçainha todo cheio de penas, pegadas pelo corpo, que parecia asseteado como S. Sebastião. Outros traziam carapuças de penas amarelas; outros, de vermelhas; e outros de verdes. E uma daquelas moças era toda tingida, de baixo a cima daquela tintura; e certo era tão bem feita e tão redonda, e sua vergonha (que ela não tinha) tão graciosa, que a muitas mulheres da nossa terra, vendo-lhe tais feições, fizera vergonha, por não terem a sua como ela. Nenhum deles era fanado, mas, todos assim como nós. E com isto nos tornamos e eles foram-se.

À tarde saiu o Capitão-mor em seu batel com todos nós outros e com os outros capitães das naus em batéis a folgar pela baía, em frente da praia. Mas ninguém saiu em terra, porque o Capitão o não quis, sem embargo de ninguém nela estar. Somente saiu - ele com todos nós - em um ilhéu grande, que na baía está e que na baixa-mar fica mui vazio. Porém é por toda a parte cercado de água, de sorte que ninguém lá pode ir a não ser de barco ou a nado. Ali folgou ele e todos nós outros, bem uma hora e meia. E alguns marinheiros, que ali andavam com um chinchorro, pescaram peixe miúdo, não muito. Então volvemo-nos às naus, já bem de noite.

Domingo, 26 de abril: Ao domingo de Pascoela pela manhã, determinou o Capitão de ir ouvir missa e pregação naquele ilhéu. Mandou a todos os capitães que se aprestassem nos batéis e fossem com ele. E assim foi feito. Mandou naquele ilhéu armar um esperavel, e dentro dele um altar mui bem corregido. E ali com todos nós outros fez dizer missa, a qual foi dita pelo padre frei Henrique, em voz entoada, e oficiada com aquela voz pelos outros padres e sacerdotes, que todos eram ali. A qual missa, segundo meu parecer, foi ouvida por todos com muito prazer e devoção.
Ali era com o Capitão a bandeira de Cristo, com que saiu de Belém, a qual esteve sempre levantada, da parte do Evangelho.

Acabada a missa, desvestiu-se o padre e subiu a uma cadeira alta; e nós todos lançados por essa areia. E pregou uma solene e proveitosa pregação da história do Evangelho, ao fim da qual tratou da nossa vinda e do achamento desta terra, conformando-se com o sinal da Cruz, sob cuja obediência viemos. o que foi muito a propósito e fez muita devoção.
Enquanto estivemos à missa e à pregação, seria na praia outra tanta gente, pouco mais ou menos como a de ontem, com seus arcos e setas, a qual andava folgando. E olhando-nos, sentaram-se. E, depois de acabada a missa, assentados nós à pregação, levantaram-se muitos deles, tangeram corno ou buzina e começaram a saltar e a dançar um pedaço. A alguns deles se metiam em almadias - duas ou três que aí tinham - as quais não são feitas como as que eu já vi; somente são três traves, atadas entre si. E ali se metiam quatro ou cinco, ou esses que queriam, não se afastando quase nada da terra, senão enquanto podiam tomar pé.

Acabada a pregação, voltou o Capitão, com todos nós, para os batéis, com nossa bandeira alta. Embarcamos e tomos todos em direção à terra para passarmos ao longo por onde eles estavam indo, na dianteira, por ordem do Capitão Bartolomeu Dias em seu esquife, com um pau de uma almadia que lhe a mar levara, para lho dar; e nós todos, obra de tiro de pedra, atrás dele.

Como viram o esquife de Bartolomeu Dias, chegaram-se logo todos à água, metendo-se nela até onde mais podiam. Acenaram-lhes que pousassem os arcos; e muitos deles os iam logo pôr em terra; e outros não.

Andava aí um que falava muito aos outros que se afastassem, mas não que a mim me parecesse que lhe tinham acatamento ou medo. Este que os assim andava afastando trazia seu arco e setas, e andava tinto de tintura vermelha pelos peitos, espáduas, quadris, coxas e pernas até embaixo, mas o vazios com a barriga e o estômago eram de sua própria cor. E a tintura era assim vermelha que a água a não comia nem desfazia, antes, quando saía da água. parecia mais vermelha.

Saiu um homem do esquife de Bartolomeu Dias e andava entre eles sem implicarem nada com ele para fazer-lhe mal. Antes lhe davam cabaças de água, e acenavam aos do esquife que saíssem em terra.

Com isto se volveu Bartolomeu Dias ao Capitão; e viemo-nos às naus, a comer, tangendo gaitas e trombetas, sem lhes dar mais opressão. E eles tornaram-se a assentar na praia e assim por então ficaram.

Neste ilhéu, onde fomos ouvir missa e pregação a água espraia muito, deixando murta areia e muito cascalho a descoberto. Enquanto aí estávamos, foram alguns buscar marisco e apenas acharam alguns camarões grossos e curtos, entre os quais vinha um tão grande e tão grosso, como em nenhum tempo vi tamanho. Também acharam cascas de berbigões e amêijoas, mas não toparam com nenhuma peça inteira.

E tanto que comemos, vieram logo todos os capitães a esta nau, por ordem do Capitão-mor com os quais ele se apartou, e eu na companhia. E perguntou a todos se nos parecia bem mandar a nova do achamento desta terra a Vossa Alteza pelo navio dos mantimentos, para melhor a mandar descobrir e saber dela mais do que nos nós podíamos saber, por irmos de nossa viagem.

E entre muitas falas que no caso se fizeram, foi por todos ou a maior parte dito que seria muito bem. E nisto concluíram. E tanto que a conclusão foi tomada, perguntou mais se lhes parecia bem tomar aqui por força um par destes homens para os mandar a Vossa Alteza, deixando aqui por eles outros dois destes degredados.

Sobre isto acordaram que não era necessário tomar por força homens, porque era geral costume dos que assim levavam por força para alguma parte dizerem que há ali de tudo quanto lhes perguntam: e que melhor e muito melhor informação da terra dariam dois homens destes degredados que aqui deixasse, do que eles dariam se os levassem, por ser gente que ninguém entende. Nem eles tão cedo aprenderam a falar para o saberem tão bem dizer que muito melhor estoutros o não digam, quando Vossa Alteza cá mandar. E que portanto não cuidassem de aqui tomar ninguém por força nem de fazer escândalo, para todo mais os amansar e a pacificar, senão somente deixar aqui os dois degredados quando daqui partíssemos. E assim, por melhor a todos parecer, ficou determinado.

Acabado isto, disse o Capitão que fôssemos no batéis em terra e ver-se-iam bem como era o rio, e também para folgarmos.

Fomos todos nos batéis em terra, armados e a bandeira conosco. Eles andavam ali na prata. à boca do rio, para onde nós íamos; e, antes que chegássemos, pelo ensino que dantes tinha, puseram todos os arcos. e acenavam que saíssemos. Mas, tanto que os batéis puseram as proas em terra, passaram-se logo todos além do rio, o qual não é mais largo que um jogo de mancal. E mal desembarcamos, alguns dos nossos passaram logo o rio, e meteram-se entre eles. Alguns aguardavam; outros afastavam-se. Era, porém, a coisa de maneira que todos andavam misturados. Eles ofereciam desses arcos com suas setas por sombreiros e carapuças de linho ou por qualquer coisa que lhes davam.

Passaram além tantos dos nossos, e andavam assim misturados com eles, que eles se esquivavam e afastavam-se. E deles alguns iam-se para cima onde outros estavam.

Então o Capitão fez que dois homens o tomassem ao colo, passou o rio, e fez tornar a todos.

A gente que ali estava não seria mais que a costumada. E tanto que o Capitão fez tornar a todos, vieram a ele alguns daqueles, não porque o conhecessem por Senhor, pois me parece que não entendem, nem tomavam disso conhecimento, mas porque a gente nossa passava já para aquém do rio.

Ali falavam e traziam muitos arcos e continhas daquelas já ditas, e resgatavam-nas por qualquer coisa, em tal maneira que os nossos trouxeram dali para as naus muitos arcos e setas e contas.
Então tornou-se o Capitão aquém do rio, e logo acudiram muitos à beira dele.

Ali veríeis galantes, pintados de preto e de vermelho, e quartejados, assim nos corpos, como nas pernas, que, certo, pareciam bem assim.
Também andavam, entre eles, quatro ou cinco mulheres moças, nuas como eles, que não pareciam mal. Entre elas andava uma com uma côxa, do joelho até o quadril, e a nádega, toda tinha daquela tintura preta; e o resto, tudo da sua própria cor. Outra trazia ambos os joelhos, com as curvas assim tintas, e também os colos dos pés; e suas vergonhas tão nuas e com tanta inocência descobertas, que nisso não havia vergonha alguma.

Também andava aí outra mulher moça, com um menino ou menina ao colo, atado com um pano (não sei de quê) aos peitos, de modo que apenas as perninhas lhe apareciam. Mas as pernas da mãe e o resto não traziam pano algum.

Depois andou o Capitão para cima ao longo do rio, que corre sempre chegado à praia. Ali esperou um velho, que trazia na mão uma pá de almadia. Falava, enquanto o Capitão esteve com ele, perante nós todos, sem nunca ninguém o entender, nem ele a nós quantas lhe demandávamos acerca douro, que nós desejávamos saber se na terra havia.

Trazia este velho o beiço tão furado, que lhe caberia pelo furo um grande dedo polegar, metida nele uma pedra verde, ruim, que cerrava por fora este buraco. O Capitão lha fez tirar. E ele não sei que diabo falava e ia com ela direito ao Capitão, para lha meter na boca.

Estivemos sobre isso rindo um pouco; e então enfadou-se o Capitão e deixou-o. E um dos nossos deu-lhe pela pedra um sombreiro velho, não por ela valer alguma coisa, mas por amostra. Depois houve-a o Capitão, segundo creio, para. com as outras coisas, a mandar a Vossa Alteza.
Andamos por aí vendo a ribeira, a qual é de muita água e muito boa. Ao longo dela há muitas palmas, não mui altas, em que há muito bons palmitos. Colhemos e comemos deles muitos.

Então tornou-se o Capitão para baixo para a boca do rio, onde havíamos desembarcado.

Além do rio, andavam muitos deles dançando e folgando, uns diante dos outros, sem se tomarem pelas mãos. E faziam-no bem. Passou-se então além do rio Diogo Dias, almoxarife que foi de Sacavém, que é homem gracioso e de prazer; e levou consigo um gaiteiro nosso com sua gaita. E meteu-se com eles a dançar, tomando-os pelas mãos; e eles folgavam e riam, e andavam com ele muito bem ao som da gaita. Depois de dançarem, fez-lhe ali, andando no chão, muitas voltas ligeiras e salto real, de que eles se espantavam e riam e folgavam muito. E conquanto com aquilo muito os segurou e afagou, tomavam logo uma esquiveza como de animais monteses, e foram-se para cima.

E então o Capitão passou o rio com todos nós outros, e fomos pela praia de longo, indo os batéis, assim, rente da terra. Fomos até uma lagoa grande de água doce, que está junto com a praia, porque toda aquela ribeira do mar é apaulada por cima e sai a água por muitos lugares.
E depois de passarmos o rio, foram uns sete ou oito deles andar entre os marinheiros que se recolhiam aos batéis. E levaram dali um tubarão, que Bartolomeu Dias matou, lhes levou e lançou na praia.

Bastará dizer-vos que até aqui, como quer que eles um pouco se amansassem, logo duma mão que para a outra se esquivavam, como pardais, do cevadouro. Homem não lhes ousa falar de rijo para não se esquivarem mais; e tudo se passa como eles querem, para os bem amansar.
O Capitão ao velho, com quem falou, deu um carapuça vermelha. E com toda a fala que entre ambos se passou e com a carapuça que lhe deu, tanto que se apartou e começou de passar o rio, foi-se logo recatando e não quis mais tornar de lá para aquém.

Os outros dois, que o Capitão teve nas naus, a que se deu o que já disse, nunca mais aqui apareceram - do que tiro ser gente bestial, de pouco saber e por isso tão esquiva. Porém e com tudo isto andam muito bem curados e muito limpos. E naquilo me parece ainda mais que são como aves ou alimárias monteses, às quais faz o ar melhor pena e melhor cabelo que às mansas, porque os corpos seus são tão limpos, tão gordos e formosos, que não pode mais ser.

Isto me fez presumir que não têm casas moradas a que se acolham, e o ar, a que se criam, os faz tais. Nem nós ainda até agora vimos casa alguma ou maneira delas.

Mandou o Capitão àquele degredado Afonso Ribeiro, que se fosse outra vez com eles. Ele foi e andou lá um bom pedaço, mais à tarde tornou-se, que o fizeram eles vir e não o quiseram lá consentir. E deram-lhe arcos e setas; e não lhe tomaram nenhuma cousa do seu. Antes - disse ele - que um lhe tomara umas continhas amarelas, que levava, e fugia com elas, e ele se queixou e os outros foram logo após, e lhas tomaram e tornaram-lhas a dar; e então mandaram-no vir. Disse que não vira lá entre eles senão umas choupaninhas de rama verde e de fetos muito grandes, como de Entre Doiro e Minho.

E assim nos tomamos às naus, já quase noite, a dormir.

Segunda-feira, 27 de abril: A segunda-feira, depois de comer, saímos todos em terra a tomar água. Ali vieram então muitos, mas não tantos com as outras vezes. Já muito poucos traziam arcos. Estiveram assim um pouco afastados de nós; e depois pouco a pouco misturaram-se conosco. Abraçavam-nos e folgavam. E alguns deles se esquivavam logo. Ali davam alguns arcos por folhas de papel e por alguma carapucinha velha ou por qualquer coisa. Em tal maneira isto se passou que jinte ou trinta pessoas das nossas se foram com eles, onde outros muitos estavam moças e mulheres. E trouxeram de lá muitos arcos e barretes de penas de aves, deles verdes e deles amarelos, dos quais, segundo creio, o Capitão há de mandar amostra a Vossa Alteza.

E, segundo diziam esses que lá foram, folgavam com eles. Neste dia os vimos mais de perto e mais à nossa vontade, por andarmos quase misturados. Ali, alguns andavam daquelas tinturas quartejados; outros de metades; outros de tanta feição, como em panos de armar, e todos com os beiços furados, e muitos com os ossos neles, e outros sem ossos.

Alguns traziam uns ouriços verdes, de árvores, que, na cor, queriam parecer de castanheiras, embora mais pequenos. E eram cheios duns grãos vermelhos pequenos, que, esmagados entre os dedos, faziam tintura muito vermelha, je que eles andavam tintos. E quanto mais se molhavam, tanto mais vermelhos ficavam.

Todos andam rapados até cima das orelhas; e assim as sobrancelhas e pestanas. Trazem todos as testas, de fonte a fonte, tintas da tintura preta, que parece uma fita preta, da largura de dois dedos.

E o Capitão mandou àquele degredado Afonso Ribeiro e a outros dois degredados, que fossem lá andar entre eles; assim a Diogo Dias, por ser homem ledo, com que eles folgavam. Aos degredados mandou que ficassem lá esta noute.

Foram-se lá todos, e andaram entre eles. E, segundo eles diziam, foram bem uma légua e meia a uma povoação, em que haveria nove ou dez casas, as quais eram tão compridas, cada uma, como esta nau capitaina. Eram de madeira, e das ilhargas de tábuas, e cobertas de palha, de razoada altura; todas duma só peça, sem nenhum repartimento, tinham dentro muitos esteios; e, de esteio a esteio, uma rede atada pelos cabos, alta, em que dormiam. Debaixo, para se aquentarem, faziam seus fogos. E tinha cada casa duas portas pequenas, uma num cabo, e outra no outro.

Diziam que em cada casa se recolhiam trinta ou quarenta pessoas, e que assim os achavam; e que lhes davam de comer daquela vianda, que eles tinham, a saber, muito inhame e outras sementes, que na terra há e eles comem. Mas quando se fez tarde, fizeram-no logo tornar a todos e não quiseram que lá ficasse nenhum. Ainda, segundo diziam, queriam vir com eles.

Resgataram lá por cascavéis e por outras coisinhas de pouco valor, que levavam, papagaios vermelhos, muito grandes e formosos, e dois verdes pequeninos e carapuças de penas verdes, e um pano de penas de muitas cores, maneira de tecido assaz formoso, segundo Vossa Alteza todas estas cousa a, porque o Capitão vô-ias há de mandar, segundo ele disse.
E com isto vieram; e nós tornamo-nos às naus.

Terça-feira, 28 de abril: A terça-feira, depois de comer, fomos em terra dar guarda de lenha e lavar roupa.

Estavam na praia, quando chegamos, obra de sessenta ou setenta em arcos e sem nada. Tanto que chegamos, vieram logo para nós, sem se esquivarem. Depois acudiram muitos, que seriam bem duzentos, todos sem arcos; e misturaram-se todos tanto conosco que alguns nos ajudavam a acarretar lenha e a meter nos batéis. E lutavam com os nossos e tomavam muito prazer.

Enquanto cortávamos a lenha, faziam dois carpinteiros uma grande Cruz, dum pau, que ontem para isso se cortou.

Muitos deles vinham ali estar com os carpinteiros. E creio que o faziam mais por verem a ferramenta de ferro com que a faziam, do que por verem a Cruz, porque eles não têm coisa que de ferro seja, e cortam sua madeira e paus com pedras feitas como cunhas, metidas em um pau entre duas talas, mui bem atadas e por tal maneira que andam fortes, segundo diziam os homens, que ontem a suas casas foram, porque lhas viram lá.
Era já o conversação deles conosco tanta que quase nos estorvavam no que havíamos de fazer.

O capitão mandou a dois degradados e a Diogo Dias que fossem lá à aldeia (e a outras, se houvesse novas delas) e que, em toda a maneira, não viessem dormir às naus, ainda que eles os mandassem. E assim se foram.
Enquanto andávamos nessa mata a cortar lenha, atravessavam alguns papagaios por essas árvores, deles verdes e outros pardos, grandes e pequenos, de maneira que me parece haverá muitos nesta terra. Porém eu não veria mais que até nove ou dez. Outras aves então não vimos, somente algumas pombas seixas, e pareceram-me bastante maiores que as de Portugal. Alguns diziam que viram rolas; eu não as vi. Mas, segundo os arvoredos são mui muitos e grandes, e de infindas maneiras, não duvido que por esse sertão haja muitas aves!

Cerca da noite nos volvemos para as naus com nossa lenha.

Eu, creio. Senhor, que ainda não dei conta aqui a Vossa Alteza da feição de seus arcos e setas. Os arcos são pretos e compridos, as setas também compridas e os ferros delas de canas aparadas, segundo Vossa Alteza verá por alguns que eu creio - o Capitão a Ela há de enviar.

Quarta-feira, 29 de abril: A quarta-feira não fomos em terra, porque o Capitão andou todo o dia no navio dos mantimentos a despejá-lo e fazer às naus isso que cada um podia levar. Eles acudiram à praia; muitos, segundo das naus vimos. No dizer de Sancho de Tovar, que lá foi, seriam obra de trezentos.

Diogo Dias e Afonso Ribeiro, o degredado, aos quais o Capitão ontem mandou que em toda maneira lá dormissem, volveram-se já de noite, por eles não quererem que lá ficassem. Trouxeram papagaios verdes e outras aves pretas, quase como pêgas, a não ser que tinham o bico branco e os rabos curtos.

Quando Sancho de Tovar se recolheu à nau, queriam vir com ele alguns, mas ele não quis senão dois mancebos dispostos e homens de prol. Mandou-os essa noite mui bem pensar e tratar. Comeram toda a vianda que lhes deram; e mandou fazer-lhes cama de lençóis, segundo ele disse. Dormiram e folgaram aquela noite.

E assim não houve mais este dia que para escrever seja.
Quinta-feira, 30 de abril: A quinta-feira, derradeiro de abril, comemos logo, quase pela manhã, e fomos em terra por mais lenha e água. E, em querendo os Capitão sair desta nau, chegou Sancho de Tovar com seus dois hóspedes. E por ele ainda não ter comido, puseram-lhe toalhas. Trouxeram-lhe vianda e comeu. Aos hóspedes, sentaram cada um em sua cadeira. E de tudo o que lhes deram comeram mui bem, especialmente lacão cozido, frio, e arroz.

Não lhes deram vinho, por Sancho de Tovar dizer que o não bebiam bem.
Acabado o comer, metemo-nos no batei e eles conosco. Deu um grumete a um deles uma armadura grande de porco montês, bem revolta. Tanto que a tomou, meteu-a logo no beiço, e, porque se lhe não queria segurar, deram-lhe uma pouca de cêra vermelha. E ele ajeitou-lhe seu adereço detrás para ficar segura, e meteu-a no beiço, assim revolta para cima. E vinha tão contente com ela, como se tivera uma grande jóia. E tanto que saímos em terra, foi-se logo com ela, e não apareceu mais aí.

Andariam na praia, quando saímos, oito ou dez deles; e de aí a pouco começaram a vir mais. E parece-me que viriam, este dia, à praia quatrocentos ou quatrocentos e cinqüenta.

Traziam alguns deles arcos e setas, que todos trocaram por carapuças ou por qualquer coisa que lhes davam. Comiam conosco do que lhes dávamos. Bebiam alguns deles vinho; outros o não podiam beber. Mas parece-me, que se lho avezarem, o beberão de boa vontade.

Andavam todos tão dispostos, tão bem feitos e garantes com suas tinturas, que pareciam bem. Acarretavam dessa lenha, quanta podiam, com mui boa vontade, e levavam-na aos batéis.

Andavam já mais mansos e seguros entre nós, do que nós andávamos entre eles.

Foi o Capitão com alguns de nós um pedaço por este arvoredo até uma ribeira grande e de muita água, que a nosso parecer era esta mesma, que vem ter à praia, e em que nós tomamos água.

Ali ficamos um pedaço, bebendo e folgando, ao longo dela entre esse arvoredo, que é tanto, tamanho, tão basto e de tantas prumagens, que homem as não pode contar. Há entre ele muitas palmas, de que colhemos muitos e bons palmitos.

Quando saímos do batel, disse o Capitão que seria bom irmos direitos à Cruz, que estava encostada a uma árvore, unto com o rio, para se erguer amanhã, que é sexta-feira, e que nós puséssemos todos em joelhos e a beijássemos para eles verem o acatamento que lhe tínhamos. E assim fizemos. A esses dez ou doze que aí estavam acenaram-lhe que fizessem assim, e foram logo todos beijá-la.

Parece-me gente de tal inocência que, se homem os entendesse e eles a nós, seriam logo cristãos, porque eles, segundo parece, não têm, nem entendem em nenhuma crença.

E portanto, se os degredados, que aqui hão de ficar aprenderem bem a sua fala e os entenderem, não duvido que eles segundo a santa intenção de Vossa Alteza, se hão de fazer cristãos e crer em nossa santa fé, à qual praza a Nosso Senhor que os traga, porque certo, esta gente é boa e de boa simplicidade. E, imprimir-se-á ligeiramente neles qualquer cunho, que lhes quiserem dar. E pois Nosso Senhor, que lhes deu bons corpos e bons rostos, como a bons homens, por aqui nós trouxe, creio que não foi sem causa.

Portanto Vossa Alteza, que tanto deseja acrescentar a santa fé católica, deve cuidar da sua salvação. E prezerá a Deus que com pouco trabalho seja assim.

Eles não lavram, nem criam. Não há aqui boi, nem vaca, nem cabra, nem ovelha, nem galinha, nem qualquer outra alimária, que acostumada seja ao viver dos homens. Nem comem senão desse inhame, que aqui há muito, e dessa semente e fruitos, que a terra e as árvores de si lançam. E com isto andam tais e tão rijos e tão nédios que o não somos nós tanto, com quanto trigo e legumes comemos.

Neste dia, enquanto ali andaram, dançaram e bailaram sempre com os nossos, ao som dum tamboril dos nossos, maneira que são muito mais nossos amigos que nós seus.

Se lhes homem acenava se queriam vir às naus, faziam-se logo prestes para isso, em tal maneira que se a gente todos quisera convidar, todos vieram. Porém não trouxemos esta noute às naus, senão quatro ou cinco, a saber; o Capitão-mor, dois: Simão de Miranda, um, que trazia já por pajem; e Aires Gomes, outro, também por pajem.

Um dos que o Capitão trouxe era um dos hóspedes, que lhe trouxeram da primeira vez, quando aqui chegamos, o qual veio hoje aqui, vestido na sua camisa e com ele um seu irmão; e foram esta noute mui bem agasalhados, assim de vianda, como de cama, de colchões e lençóis, para os mais amansar.

Sexta-feira, 1 de maio: E hoje, que é sexta-feira, primeiro dia de maio, pela manhã, saímos em terra, em nossa bandeira; e fomos desembarcar acima do rio contra o sul, onde nos pareceu que seria melhor chantar a Cruz, para melhor ser vista. Ali assinalou o Capitão o lugar, onde fizessem a cova para a chantar.

Enquanto a ficaram fazendo, ele com todos nós outros fomos pela Cruz abaixo do rio, onde ela estava. Dali a trouxemos com esses religiosos e sacerdotes diante cantando, em maneira de procissão. Eram já aí alguns deles, obra de setenta ou oitenta; e, quando nos viram assim vir alguns se foram meter debaixo dela, para nos ajudar. Passamos o rio, ao longo da praia e fomo-la pôr onde havia de ficar, que será do rio obra de dois tiros de besta. Andando ali nisso, vieram bem cento e cinqüenta ou mais.
Chantada a Cruz, com as armas e a divisa de Vossa Alteza, que primeiramente lhe pregaram, armaram altar ao pé dela. Ali disse missa o Padre Frei Henrique, a qual foi cantada e oficiada por esses já ditos. Ali estiveram conosco a ela obra de cinqüenta ou sessenta deles, assentados todos de joelhos, assim como nós.

E quando veio ao Evangelho, que nos erguemos todos em pé, com as mãos levantadas, eles se levantaram conosco e alçaram as mãos, ficando assim, até ser acabado; e então tornaram-se a assentar como nós. E quando levantaram a Deus, que nós pusemos de joelhos, eles se puseram assim todos, como nós estávamos com as mãos levantados, e em tal maneira sossegados, que, certifico a Vossa Alteza, nos fez muita devoção.
Estiveram assim conosco até acabada a comunhão, depois da qual comungaram esses religiosos e sacerdotes e o Capitão com alguns de nós outros.

Algum deles, por o sol ser grande, quando estávamos comungando, levantaram-se, e outros estiveram e ficaram. Um deles, homem de cinqüenta ou cinqüenta e cinco anos, continuou ali com aqueles que ficaram. Esse, estando nós assim, ajuntava estes, que ali ficaram, e ainda chamava outros. E andando assim entre eles falando, lhes acenou com o dedo para o altar e depois apontou o dedo para o Céu, como se lhes dissesse alguma coisa de bem; e nós assim o tomamos.

Acabada a missa, tirou o padre a vestimenta de cima e ficou em alva; e assim se subiu, junto com o altar, em uma cadeira. Ali nós pregou do Evangelho e dos Apóstolos, cujo é o dia, tratando, ao fim da pregação, deste vosso prosseguimento tão santo e virtuoso, o que nos aumentos a devoção.

Esses, que estiveram sempre à pregação, quedaram-se como nós olhando para ele. E aquele, que digo, chamava alguns que viessem para ali. Alguns vinham e outros iam-se. E, acabada a pregação, como Nicolau Coelho trouxesse muitas cruzes de estanho com crucifixos, que lhe ficaram ainda da outra vinda, houveram por bem que se lançasse uma ao pescoço de cada um. Pelo que o Padre Frei Henrique se assentou ao pé da Cruz e ali, a um por um, lançava a sua atada em um fio ao pescoço, fazendo-lha primeiro beijar e a levantar as mãos. Vinham a isso muitos; e lançaram-nas todas, que seriam obra de quarenta ou cinqüenta.
Isto acabado - era já bem uma hora depois do meio-dia - viemos a comer às naus, trazendo o Capitão consigo aquele mesmo que fez aos outros aquela mostrança para o altar e para o Céu e um seu irmão com ele. Fez-lhe muita honra e deulhe uma camisa mourisca e ao outro uma camisa destoutras.

E, segundo o que a mim e a todos pareceu, esta gente não lhes falece outra coisa para ser toda cristã, senão entender-nos, porque assim tomavam aquilo que nos viam fazer, como nós mesmos, por onde nos pareceu a todos que nenhuma idolatria, nem adoração têm. E bem creio que, se Vossa Alteza aqui mandar quem entre mais devagar ande, que todos serão tornados ao desejo de Vossa Alteza. E por isso, se alguém vier, não deixe logo de vir clérigo para os baptizar, porque já então terão mais conhecimento de nossa fé, pelos dois degredados, que aqui entre eles ficam, os quais hoje também comungaram ambos.

Entre todos estes que hoje vieram, não veio mais que uma mulher moça, a qual esteve sempre à missa e a quem deram um pano com que se cobrisse. Puseram-lho a redor de si. Porém, ao assentar, não fazia grande memória de o estender bem, para se cobrir. Assim, Senhor, a inocência desta gente é tal que a de Adão não seria maior, quanto a vergonha.

Ora veja Vossa Alteza se quem em tal inocência vive se converterá ou não, ensinando-lhes o que pertence à sua salvação.

Acabado isto, fomos assim perante eles beijar a Cruz, despedimo-nos e viemos comer.

Creio, Senhor, que com estes dois degredados ficam mais dois grumetes, que esta noite se saíram desta nau no esquife, fugidos para terra. Não vieram mais. E cremos que ficarão aqui, porque de manhã, prazendo a Deus, fazemos daqui nossa partida.

Esta terra, Senhor, me parece que da ponta que mais contra o sul vimos até outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas por costa. Tem, o longo do mar, nalgumas partes, grandes barreiras, delas vermelhas, delas brancas; e a terra por cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta, é tudo praia-palma, muito chã e muito formosa.

Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos ver senão arvoredos. que nos parecia muito longa.
Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem 1ho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados, como os de Entre Doiro e Minho, porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá.

Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem.
Porém o melhor fruto, que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar.

E que aí não houvesse mais que ter aqui esta pousada para esta navegação de Calecute, isso bastaria. Quanto mais disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento da nossa santa fé.

E nesta maneira, Senhor, dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta terra vi. E, se algum pouco me alonguei, Ela me perdoe, pois o desejo que tinha de tudo vos dizer, mo fez pôr assim pelo miúdo.

E pois que, Senhor, é certo que, assim neste cargo que levo, com em outra qualquer coisa que de vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer graça especial, mande vir da ilha de São Tome a Jorge de Osório, meu genro - o que d' Ela receberei em muita merçê.

Beijo as mãos de Vossa Alteza.

Deste Porto Seguro, da vossa Ilha da Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500.

Pero Vaz de Caminha
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A Idade Moderna

Revisão para aulas de História sobre a Idade Moderna
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Samuel Alencar's curator insight, November 18, 2013 8:25 PM
A IDADE MÉDIA Economia auto-suficiente; Sociedade estamental; Poder político local; Desde a queda do Império Romano, em 473, novas condições se estabeleceram sobre a Europa medieval. Prevaleceu o Sistema Feudal e suas características:2. O feudalismo começou sua decadência a partir do século X, quando novas técnicas, avanços produtivos e certa melhoria nas condições de vida influenciaram o aumento da população, resultando em um maior desenvolvimento urbano e comercial. Cidade medieval3. Outra característica marcante do período medieval foi a forte influência da Igreja Católica, que controlava não apenas a vida espiritual, mas regulava a sociedade medieval em vários outros sentidos. A mentalidade medieval era estabelecida através das orientações da Igreja, que mantinha uma relação que variava em apoio e conflito com os senhores feudais e os reis. O povo era dominado pela ideologia e poder da Igreja.
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História do mundo - A História da Humanidade a um Clique

História do mundo - A História da Humanidade a um Clique | História Geral | Scoop.it
Os problemas e saberes relacionados a esse período histórico.
Samuel Alencar's insight:

Atualmente, com a transformação dos sentidos da ciência histórica, sabemos que os homens pré-históricos não podem ser arbitrariamente excluídos da “História”. Por meio dos vestígios materiais, pinturas e outras manifestações, vários historiadores se lançam ao instigante desafio de relatar sobre o passado dos homens que viveram há milhares de anos. Ao contrário do que muitos pensam, estes não eram simples versões mais próximas dos primatas ancestrais.

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TESOUROS NO FUNDO DO MAR

TESOUROS NO FUNDO DO MAR | História Geral | Scoop.it
 Misturadas às exuberantes flora e fauna subaquáticas do litoral brasileiro estão embarcações antigas e suas preciosas cargas;muitas já foram resgatadas, outras ainda permanecem como mistério a des...
Samuel Alencar's insight:

Misturadas às exuberantes flora e fauna subaquáticas do litoral brasileiro estão embarcações antigas e suas preciosas cargas;muitas já foram resgatadas, outras ainda permanecem como mistério a desvendar.

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Alencarnovomundo: Brigas entre famílias no Brasil Colônia duram até hoje

Alencarnovomundo: Brigas entre famílias no Brasil Colônia duram até hoje | História Geral | Scoop.it
Samuel Alencar's insight:
Disputas por poder e terras, rivalidades cultivadas de geração em geração. Brigas mortais entre famílias marcaram o Brasil Colônia, mas algumas pendengas sobrevivem até hoje
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ÍNDICES DE DESPERDÍCIO DE ALIMENTOS NO BRASIL

ÍNDICES DE DESPERDÍCIO DE ALIMENTOS NO BRASIL | História Geral | Scoop.it
O desperdício de alimentos no Brasil e no mundo é muito grande, confira os dados estatísticos e as causas desse problema mundial.
Samuel Alencar's insight:

Um dos grandes problemas relacionados ao desperdício no Brasil são os restaurantes e supermercados que jogam quilos e mais quilos de comidas prontas para o consumo no lixo todos os dias. Isso ocorre devido o medo de doações, muitos problemas relacionados a essas ações têm sido questionados no país. O desperdício doméstico também é considerado grande no Brasil, segundo pesquisas as classes médias e altas desperdiçam por mês uma quantidade que daria para alimentar uma pessoa por seis meses.

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As melhores frases da história da humanidade: Albert Einstein #11

As melhores frases da história da humanidade: Albert Einstein #11 | História Geral | Scoop.it
Para se tornar uma frase de efeito , a citação precisa resumir características de um povo, mexer com os sentimentos e fazer ... (As melhores frases da história da humanidade: Albert Einstein #11 ..

Via André Soares
Samuel Alencar's insight:

Albert Einstein nasceu no dia 14 de março de 1879, em Württemberg, na cidade de Ulm, Alemanha. Pertencente a uma família judaica não praticante, donos de uma loja de materiais elétricos.

Quando pequeno, não apresentava qualquer genialidade, apenas se preocupava em sonhar e apreciar a natureza ao seu redor. Na escola, ia mal em geografia, francês e história, pois preferia números e fórmulas matemáticas. Quando fez doze anos, foi presenteado com um livro que falava sobre álgebra e foi então, que tomou maior interesse pelas questões de raciocínio e compreensão.

Além do mais, os professores do pequeno Einstein chegaram a dizer que ele era um caso perdido.

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Um herói invisível na História do Brasil

Um herói invisível na História do Brasil | História Geral | Scoop.it
A saga de Zumbi dos Palmares nos chega aos dias atuais por meio do fio quase que imperceptível da História do Brasil. Entender o ato heroico de Zumbi, em 1695, pressupõe uma compreensão do fenômeno da economia escravista ...
Samuel Alencar's insight:

A saga de Zumbi dos Palmares nos chega aos dias atuais por meio do fio quase que imperceptível da História do Brasil. Entender o ato heroico de Zumbi, em 1695, pressupõe uma compreensão do fenômeno da economia escravista e suas consequências para os cativos negros.

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Criação do Conselho Nacional do Meio Ambiente no Brasil: 1º de junho de 1982

Criação do Conselho Nacional do Meio Ambiente no Brasil: 1º de junho de 1982 | História Geral | Scoop.it
Conheça fatos de junho que fizeram História
Samuel Alencar's insight:

Face à expansão da indústria para vários outros países nos séculos seguintes, o crescimento industrial propiciado pela Revolução Industrial inglesa já no século XVIII trouxe à população mundial o acesso a uma gama imensa de produtos a preços mais acessíveis, graças à modernização dos processos de produção e também aos avanços na química, metalurgia, transportes, comunicação etc. Contudo, a expansão industrial traria o fenômeno da urbanização, concentrando milhões de pessoas nas cidades de vários países (Estados Unidos, Inglaterra, Bélgica, Alemanha, Itália, Japão, por exemplo) onde as indústrias se estabeleceram.

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Aprendendo.com

Aprendendo.com | História Geral | Scoop.it
Samuel Alencar's insight:

OPERAÇÕES FUNDAMENTAIS: adição, subtração, multiplicação e divisão

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Samuel Alencar's curator insight, March 21, 2015 10:42 PM

OPERAÇÕES FUNDAMENTAIS: adição, subtração, multiplicação e divisão

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Apresentação "SISTEMAS DE NUMERAÇÃO. No processo histórico do assentamento humano na Terra, ocorreram permanentes deslocamento de pessoas, às vezes de povos inteiros."

Apresentação "SISTEMAS DE NUMERAÇÃO. No processo histórico do assentamento humano na Terra, ocorreram permanentes deslocamento de pessoas, às vezes de povos inteiros." | História Geral | Scoop.it
SISTEMAS DE NUMERAÇÃO. No processo histórico do assentamento humano na Terra, ocorreram permanentes deslocamento de pessoas, às vezes de povos inteiros.
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Poveglia: a ilha mais assombrada de Itália (com FOTOS)

Poveglia: a ilha mais assombrada de Itália (com FOTOS) | História Geral | Scoop.it

O local já foi outrora um lazareto e um asilo psiquiátrico. Actualmente está desabitado, estando sob o controlo do governo de Itália e as visitas são interditadas"

Samuel Alencar's insight:

A Ilha de Poveglia já foi muitas coisas: um local de quarentena, um desterro para os infectados com a peste e, mais recentemente, um asilo para doentes mentais. Actualmente, o local é apenas uma ilha desabitada na Lagoa de Veneza, entre Veneza e Lido.

A particularidade desta ilha reside nas estórias populares que dela se contam e de estar interdita a visitas, estando sob o controlo do Governo italiano. Contrariamente às várias ilhas da Lagoa de Veneza, que estão ocupadas por mansões ou grandes estâncias turísticas, Poveglia continua desabitada e o que resta do seu passado vai apodrecendo com o tempo. Talvez seja pelas estórias que se contam sobre o local que a ilha permanece desabitada.

Apesar de os habitantes de Veneza tentarem negar os rumores que correm sobre a ilha, a verdade é que se diz é um local assombrado. Um dos rumores que se conta é que metade do solo da ilha é composto por cinzas humanas devido à quantidade de pessoas que foram queimadas ou enterradas no local durante a peste negra. Outro é que o asilo psiquiátrico era dirigido por um talhante e torturador que se suicidou por culpa da torre da ilha e sobreviveu à queda, sendo foi estrangulado por fantasmas dos antigos pacientes. Rumores.

Também se diz que os pescadores locais não pescam nas redondezas da ilha, com medo que as suas redes apanhem os ossos dos que lá foram enterrados.

A história de Poveglia remonta à civilização romana, quando o local era utilizado para isolar as vítimas da peste. Séculos mais tarde, já o local era permanentemente habitado, Veneza foi atacada por Génova e os habitantes de Poveglia foram deslocados para Giudecca. Na mesma altura, o Governo de Veneza construiu um forte para, para poder combater a frota do inimigo. O forte, em forma de octógono, ficou conhecido como “o Octógono”, e lá permanece nos dias de hoje. A ilha ficou então desabitada e quando surgiram os primeiros surtos de peste negra na Europa tornou-se num lazareto, um local de quarentena para quem entrasse em Veneza.

Mas o confinamento no lazareto de Poveglia nem sempre era uma sentença de morte. Apesar de ser um local aborrecido, como escreve Ransom Riggs, que visitou a ilha para perceber melhor os rumores, não era necessariamente desagradável. Os habitantes temporários tinham o seu próprio quarto – por vezes até uma pequena casa – e podiam receber e enviar correspondência.

Porém, durante os piores surtos da peste, Poveglia era invadida por milhares de infectados, que acabavam por lá morrer. Devido ao elevado número de mortos, os cadáveres eram enterrados em valas comuns ou queimados, quando as valas estivessem cheias. As estórias locais indicam que morreram em Poveglia mais de 160 mil pessoas vítimas da peste.

Agricultura  e pesca são uma realidade

Escavações recentes na ilha de Lazareto Vecchio, perto de Poveglia, revelaram várias valas comuns. No meio dos restos mortais, os peritos encontraram vários cadáveres com pedras na boca, o que significa que, segundo as crenças medievais e renascentistas, se tratava de um vampiro, o que serviu para alimentar ainda mais os rumores da ilha.

O lazareto de Poveglia foi encerrado em 1814 e a ilha ficou desabitada até 1922, altura em que foi construído um asilo psiquiátrico. Os dados oficiais da instituição indicam que o espaço era um lar para idosos. Porém, várias visitas à ilha depois do encerramento da instituição, em 1968, indicam que a instituição era mais um asilo para doentes com perturbações mentais que um asilo.

Verdade ou não, desde o fecho do asilo a ilha tem estado desabitada, havendo apenas o cultivo de pequenas vinhas pois, segundo os agricultores, o solo naquele local é bastante rico.

Um dos rumores que Ransom Rigs constatou ser mentira é o facto de os pescadores não pescarem nas redondezas da ilha. Na sua visita, o jornalista e blogger encontrou várias redes depositadas no canal que separa a ilha do octógono.

Averiguar se as estórias que se contam sobre o local são verdadeiras ou não é também difícil, já que visitar a ilha é difícil, uma vez que os gondoleiros se recusam a transportar pessoas para o local.

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Samuel Alencar's curator insight, February 3, 2015 11:36 AM

A Ilha de Poveglia já foi muitas coisas: um local de quarentena, um desterro para os infectados com a peste e, mais recentemente, um asilo para doentes mentais. Actualmente, o local é apenas uma ilha desabitada na Lagoa de Veneza, entre Veneza e Lido.

A particularidade desta ilha reside nas estórias populares que dela se contam e de estar interdita a visitas, estando sob o controlo do Governo italiano. Contrariamente às várias ilhas da Lagoa de Veneza, que estão ocupadas por mansões ou grandes estâncias turísticas, Poveglia continua desabitada e o que resta do seu passado vai apodrecendo com o tempo. Talvez seja pelas estórias que se contam sobre o local que a ilha permanece desabitada.

Apesar de os habitantes de Veneza tentarem negar os rumores que correm sobre a ilha, a verdade é que se diz é um local assombrado. Um dos rumores que se conta é que metade do solo da ilha é composto por cinzas humanas devido à quantidade de pessoas que foram queimadas ou enterradas no local durante a peste negra. Outro é que o asilo psiquiátrico era dirigido por um talhante e torturador que se suicidou por culpa da torre da ilha e sobreviveu à queda, sendo foi estrangulado por fantasmas dos antigos pacientes. Rumores.

Também se diz que os pescadores locais não pescam nas redondezas da ilha, com medo que as suas redes apanhem os ossos dos que lá foram enterrados.

A história de Poveglia remonta à civilização romana, quando o local era utilizado para isolar as vítimas da peste. Séculos mais tarde, já o local era permanentemente habitado, Veneza foi atacada por Génova e os habitantes de Poveglia foram deslocados para Giudecca. Na mesma altura, o Governo de Veneza construiu um forte para, para poder combater a frota do inimigo. O forte, em forma de octógono, ficou conhecido como “o Octógono”, e lá permanece nos dias de hoje. A ilha ficou então desabitada e quando surgiram os primeiros surtos de peste negra na Europa tornou-se num lazareto, um local de quarentena para quem entrasse em Veneza.

Mas o confinamento no lazareto de Poveglia nem sempre era uma sentença de morte. Apesar de ser um local aborrecido, como escreve Ransom Riggs, que visitou a ilha para perceber melhor os rumores, não era necessariamente desagradável. Os habitantes temporários tinham o seu próprio quarto – por vezes até uma pequena casa – e podiam receber e enviar correspondência.

Porém, durante os piores surtos da peste, Poveglia era invadida por milhares de infectados, que acabavam por lá morrer. Devido ao elevado número de mortos, os cadáveres eram enterrados em valas comuns ou queimados, quando as valas estivessem cheias. As estórias locais indicam que morreram em Poveglia mais de 160 mil pessoas vítimas da peste.

Agricultura  e pesca são uma realidade

Escavações recentes na ilha de Lazareto Vecchio, perto de Poveglia, revelaram várias valas comuns. No meio dos restos mortais, os peritos encontraram vários cadáveres com pedras na boca, o que significa que, segundo as crenças medievais e renascentistas, se tratava de um vampiro, o que serviu para alimentar ainda mais os rumores da ilha.

O lazareto de Poveglia foi encerrado em 1814 e a ilha ficou desabitada até 1922, altura em que foi construído um asilo psiquiátrico. Os dados oficiais da instituição indicam que o espaço era um lar para idosos. Porém, várias visitas à ilha depois do encerramento da instituição, em 1968, indicam que a instituição era mais um asilo para doentes com perturbações mentais que um asilo.

Verdade ou não, desde o fecho do asilo a ilha tem estado desabitada, havendo apenas o cultivo de pequenas vinhas pois, segundo os agricultores, o solo naquele local é bastante rico.

Um dos rumores que Ransom Rigs constatou ser mentira é o facto de os pescadores não pescarem nas redondezas da ilha. Na sua visita, o jornalista e blogger encontrou várias redes depositadas no canal que separa a ilha do octógono.

Averiguar se as estórias que se contam sobre o local são verdadeiras ou não é também difícil, já que visitar a ilha é difícil, uma vez que os gondoleiros se recusam a transportar pessoas para o local.

 

Poveglia

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Guerra Fria

Guerra Fria | História Geral | Scoop.it

Guerra Fria, A Guerra Fria foi uma batalha sem armas, baseada apenas no poder exercido pelos países socialistas e capitalistas do mundo.

Samuel Alencar's insight:

A Guerra Fria foi uma batalha sem armas, baseada apenas no poder exercido pelos países socialistas e capitalistas do mundo. Este nome é dado ao período histórico que foi marcado por conflitos indiretos entre os Estados Unidos e a União Soviética.

A Guerra Fria aconteceu entre o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, e a extinção da União Soviética, em 1991. O período foi repleto de conflitos ideológicos, políticos, sociais e econômicos.

Estados Unidos e União Soviética exerciam influência sobre os outros países do mundo. O período não teve uma guerra direta entre as superpotências, mas contou com uma intensa corrida armamentista, onde os países opositores se armavam para amedrontar os adversários.

Assista a aulas sobre a Guerra Fria:
Fonte: http://www.grupoescolar.com/pesquisa/guerra-fria.html
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joao's curator insight, September 17, 2015 9:23 AM

guerra fria 

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Conhecer a história da escravidão colabora na luta contra racismo - Portal Vermelho

Conhecer a história da escravidão colabora na luta contra racismo - Portal Vermelho | História Geral | Scoop.it
Ottobah Cugoano foi um escravo. Nascido em Gana, por volta de 1757, foi capturado por comerciantes de escravos e transportado para o Caribe por volta de 1770. Cugoano, ao contrário de muitos outros escravos dessa época, teve sorte.  

Por Susana Moreira Marques, no Ópera Mundi
Samuel Alencar's insight:

Ao chegar à Inglaterra foi libertado e trabalhou como um homem livre em Londres, cidade onde se juntou a um grupo de abolicionistas africanos nos anos 80 do século 18. Faziam parte do movimento contra a escravidão que começava a ganhar apoio público e a fazer pressão junto do parlamento britânico nessa época. Em 1807, o Reino Unido era o primeiro país a abolir o comércio de escravos. O Brasil seria o último país a abolir totalmente a escravidão, em 1888.

Cugoano e alguns poucos africanos daquela época tiveram a possibilidade de partilhar a sua narrativa e o seu lado da História, mas ao longo do tempo, mesmo depois da abolição do comércio de escravos e da escravidão, faltou sempre fazer a história do ponto de vista dos africanos e daqueles que tinham sido escravos.

A escravidão é – e talvez seja sempre – um problema contemporâneo. Não se trata apenas de observar que continuam a existir no mundo modelos de exploração semelhantes ao da escravatura e que o tráfico de seres humanos continua a existir.

Este tipo de escravidão moderna já não é exclusivo dos africanos, como lembra Vladmiro Fortuna, diretor do Museu Nacional da Escravatura, em Angola, mas é um fato, diz, que ainda é real “a discriminação dos descendentes das vítimas da escravatura [do comércio Atlântico] nos países onde o fenômeno foi muito intenso.”

Isabel Castro Henriques, historiadora ligada ao projeto da UNESCO “Rota do Escravo”, em Portugal, diz que a palavra “escravo” ficou associada a “negro” e que os longos séculos de escravatura transatlântica, de domínio europeu e americano, estão na base do racismo que continuou muito depois da abolição, que fortaleceu-se durante os regimes coloniais europeus na África e que continua a subsistir hoje.

Para vários pesquisadores e historiadores, em Portugal e Angola, é importante passar a mensagem para a sociedade civil e para o poder político de que preservar e ensinar a memória da escravatura não é fazer um mero exercício de história, mas é uma ação efetiva na luta contra o racismo.

“Uma boa divulgação da história da escravatura – e da sua violência e crueldade – poderá despertar a atenção de determinados setores da sociedade para fenômenos contemporâneos de racismo e de xenofobia, de forma a promover a coesão social e as relações interraciais”, resume Vladmiro Fortuna.

Recentemente, dos Estados Unidos ao Brasil, intensificou-se o debate sobre a forma como devemos conservar a memória da escravatura e cresceram também os apelos – e os argumentos a favor e contra – para que sejam feitas reparações, inclusive financeiras.

No Brasil, a Ordem dos Advogados anunciou em novembro de 2014 a formação de uma Comissão da Verdade da Escravidão Negra. A Comunidade do Caribe (Caricom), que tinha estabelecido em 2013 uma Comissão para Reparações, decidiu recentemente fazer um pedido de indenizações a vários países europeus, entre eles Portugal. Mas se este parece ser um tema que tem ganhado força no início do século 21, quando o equilíbrio do poder no mundo se alterou e o mundo ocidental já não tem a hegemonia dos outros séculos, a verdade é que não é uma ideia nova – é pelo menos tão antiga quanto a própria ideia da abolição, até mesmo a ideia de compensação financeira.

Em 1783, em Massachusetts, no leste dos Estados Unidos, uma mulher livre que tinha sido raptada em criança, no Gana, e escravizada durante 50 anos fez um pedido às autoridades do estado para receber o que seria hoje considerado uma indenização. Pedia que fosse poupada, ela e a filha doente, “da miséria mais extrema”. Descrevendo os anos de opressão, dizia ao juiz que se tratava de “uma devolução justa” receber parte da “imensa riqueza” que ela própria, enquanto escrava, tinha ajudado a “acumular” e “aumentar”. Belinda Royall (Royall era o nome da família que fora sua “proprietária”) conseguiu que fosse estabelecida uma pensão retirada do patrimônio da família para quem tinha sido escrava. Ela foi, é claro, uma exceção e as indenizações pagas foram-no, em grande maioria, aos proprietários dos negócios que dependiam dos escravos. De certa forma, foi preciso pagar para conseguir impor a abolição da escravatura.

A lógica do pedido de reparações aos países protagonistas do tráfico de escravos e da escravatura de africanos em larga escala não é muito diferente da história de Belinda Royall e do mesmo raciocínio: se os países lucraram durante tanto tempo com este comércio, por que não devolverem parte desse lucro aos que contribuíram, sem qualquer reconhecimento, para que essa riqueza existisse?

As reparações financeiras colocam vários problemas, a começar pela dificuldade em calcular quantias concretas. “Podemos até ter uma ideia do número de pessoas envolvidas no tráfico de escravos, mas como calcular um valor para a violência e a crueldade?”, pergunta Vladmiro Fortuna. “A minha opinião tem sido sempre esta: não é dinheiro que pode pagar o crime que foi a escravidão.”

O diretor do Museu Nacional da Escravatura de Angola reforça a ideia de que são necessárias, sim, reparações éticas, morais, históricas e científicas: “É preciso criar condições para a preservação da memória e colocar a história da escravatura no seu verdadeiro lugar – e com isso ajudar a diminuir os focos de discriminação das pessoas de descendência africana em países onde ela foi muito intensa. É esta a melhor forma de reparar esse erro do passado.”

Também Isabel Castro Henriques acha que as reparações financeiras podem desviar as atenções daquilo que é realmente importante: “O problema do preconceito é um problema profundo e o que é preciso é que as pessoas mudem a maneira de pensar”. 

A pesquisadora e professora, especialista em História da África, lembra que existe o perigo de se achar que “o assunto fica resolvido” pelo dinheiro. Admite que em certos tipos de situação, compensações financeiras podem ajudar, mas que não é o caso de séculos de tráfico de escravos e de escravatura que moldaram relações entre povos e continentes.

“No caso de Portugal, é preciso desconstruir um imaginário que foi construído ao longo dos séculos”, diz Isabel Castro Henriques. “As pessoas em Portugal muitas vezes são racistas sem sequer se darem conta.”

Em Portugal, antes sequer de pensar em reparações, seria preciso dar importância à história da escravidão, reconhecer o seu impacto ainda hoje, debatê-lo de forma séria publicamente. Mas isso ainda não está acontecendo.

Os projetos para um museu da escravatura em Lagos, no sul de Portugal, têm avançado a passos lentos. E Henriques lamenta que a tentativa de preservar um cemitério de escravos também em Lagos não tenha sido bem sucedida. No lugar onde tinham sido encontrados 155 esqueletos de escravos africanos e onde se poderia ter feito algo para honrar a memória destes homens, mulheres e crianças, foi construído um estacionamento – os esqueletos foram retirados para serem estudados. É apenas um exemplo, para a pesquisadora, de como em Portugal ainda não é vista como uma prioridade a preservação da memória da escravatura.

“Se não há um debate sobre o passado, não podemos rever o presente nem podemos ter desenvolvimento no futuro. As reparações passam primeiro por uma revisão histórica.” Portugal, diz, não ganha nada em querer fixar-se numa História de vencedores. “Portugal não ganha nada com continuar a olhar dessa forma [como “vencedor”] para a escravidão, a não ser vergonha eterna.”

Segundo Vladmiro Fortuna, em Angola o debate existe a um nível institucional – e as instituições angolanas vão sendo confrontadas com a maneira como a discussão vai evoluindo internacionalmente – mas ainda não chegou à sociedade angolana. “A memória da escravatura em Angola ainda não é suficiente conhecida”, diz, “mas creio que é uma questão de tempo até a sociedade estar mais atenta a estes temas.”

O diretor do Museu Nacional da Escravatura lembra que há muito trabalho por fazer para se conhecer a fundo a história da escravatura em Angola – para além da história do tráfico de escravos, há muito por explorar no que toca à escravidão dentro do país, nas antigas fazendas coloniais, por exemplo, entre muitos outros espaços que ainda não foram suficientemente estudados. Vladmiro Fortuna diz que o acervo do Museu Nacional da Escravatura é extraído na sua maioria da região de Luanda, onde o museu está localizado, e que falta fazer trabalho arqueológico no resto do país.

Agora, lembra, no resto do mundo tem crescido a investigação sobre a escravatura e em muitos estudos internacionais Angola é referida. “No site Trans-Atlantic Slave Trade Database, os números mais recentes apresentados colocam Angola como umas das regiões que mais exportou escravizados. Esta confirmação dá-nos mais responsabilidades no processo da valorização e preservação da memória da escravatura.”

“É um assunto que deve envolver todos os povos do mundo no sentido de preservar a história para a educação das novas gerações, porque é esta a melhor forma de honrar as vítimas”, diz Vladmiro Fortuna.

Este parece ser o grande consenso: que a verdadeira reparação começará quando nas escolas a história da escravidão seja contada a partir de vários pontos de vista e seja tratada como um tema fundamental. Talvez quando os nomes e as histórias de pessoas como Cugoano ou Belinda Royall passarem a fazer parte do nosso imaginário.

*Susana Moreira Marques é correspondente da Rede Angola em Luanda

**Título original "Resgatar história da escravidão negra colabora na luta contra racismo e xenofobia"

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WhatsApp agora pode ser usado no computador

WhatsApp agora pode ser usado no computador | História Geral | Scoop.it
2015 trazendo a nova versão do WhatsApp para ser acessada pelo computador.
Samuel Alencar's insight:

A tecnologia evolui a cada dia que passa. Na área dos celulares, ela vem sendo considerada uma revolução, e não uma mera opção, pois possui inúmeras funções para realizar as tarefas, tendo sua única dificuldade evidenciada no momento da escolha do aplicativo, já que a variedade é extensa. Tais aplicativos são atualizados constantemente, deixando os clientes angustiados para saber mais sobre as novidades.

São inúmeros aplicativos, desde os mais simples ao avançados. Destaque maior para o WhatsApp, lançado em 2013, e já tendo alcançado, até o momento, 700 milhões de pessoas em todo o mundo. Devido a esse grande sucesso, o aplicativo acabou sendo comprado pelo dono do Facebook, Mark Zuckerberg. Dentre as inúmeras opções do WhatsApp pode se destacar: mandar mensagens texto/voz, fotos, imagens, vídeos, músicas e até mesmo a criação de grupos, como por exemplo, amigos, família, colegas de trabalho, torcedores de determinados times de futebol, etc.

Nesta quarta-feira (21), foi anunciada pelo fundador Jan Klon, executivo-empresário do WhatsApp, o tão sonhado acesso pelo computador. Nesse primeiro momento, o acesso será limitado para os celulares da marca IPhone, pois existe uma limitação da plataforma da Apple. ''Hoje, pela primeira vez, milhões de vocês terão a capacidade de usar o WhatsApp no seu navegador. Nosso cliente web é simplesmente uma extensão do seu telefone. Navegador da web espelha as conversas e mensagens do seu celular. Este dispositivo significa que todas suas mensagens ainda vivem em seu telefone'', afirmou Jan Klon, em sua página no facebook.

E como baixar o software pelo computador?

Muito simples. Entre no site do WhatsApp pelo navegador Google Chrome, logo após escanear um código QR com a câmera do seu telefone, uma medida de segurança para possíveis fraudes. É necessário ter a versão atualizada (aos poucos todos os usuários serão atualizados) e está conectado no celular. Como ainda é muito recente, não sabemos quais serão as desvantagens, mas os clientes estão otimistas com essa atualização.

E você, o que achou dessa nova versão? Quais suas vantagens? Quais suas desvantagens? Conte sobre sua experiência, ela vale muito para nós.

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Conheça os grandes naufrágios do século passado

Conheça os grandes naufrágios do século passado | História Geral | Scoop.it
Saiba quais foram os grandes naufrágios do século passado
Samuel Alencar's insight:

Os naufrágios são acidentes que ocorrem com as mais diversas embarcações e podem ser causados por diversos fatores. A condição climática é uma dessas principais causas.

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A História o condenará

A História o condenará | História Geral | Scoop.it
Joaquim Barbosa faz política usando sua cadeira no mais alto tribunal do país, o que é ilegítimo e antidemocrático. É herói da direita ideológica e dos milhões de desinformados pela mídia

Via EUCLIDES SANTANA
Samuel Alencar's insight:

Diante dos  prós e contras; justiça seja feita!

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Idade Antiga - História do Mundo

Idade Antiga - História do Mundo | História Geral | Scoop.it
Samuel Alencar's insight:

Quando adentramos o estudo da Antiguidade ou Idade Antiga, é bastante comum ouvir dizer que esse período histórico é marcado pelo surgimento das primeiras civilizações. Geralmente, ao adotarmos a expressão “civilização” promove-se uma terrível confusão que coloca os povos dessa época em uma condição superior se comparados às outras culturas do mesmo período.

Na verdade, a existência de uma civilização não tem nada a ver com essa equivocada ideia de que exista um povo “melhor” ou “mais evoluído” que os demais. O surgimento das primeiras civilizações simplesmente demarca a existência de uma série de características específicas. Em geral, uma civilização se forma quando apontamos a existência de instituições políticas complexas, uma hierarquia social diversificada e de outros sistemas e convenções que se aplicam largamente a uma população.

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Descubra como o Brasil conquistou sua primeira medalha de ouro em uma Olimpíada – História sem Fim

Descubra como o Brasil conquistou sua primeira medalha de ouro em uma Olimpíada  –   História sem Fim | História Geral | Scoop.it
Descubra como o Brasil conquistou sua primeira medalha de ouro em uma Olimpíada (RT @revistasuper: Foi em 1920.
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Aconteceu em 1920. Os Jogos Olímpicos, realizados desde 1896, aconteceriam em Antuérpia, na Bélgica. Pela primeira vez, o Brasil competiria em uma Olimpíada, com 29 atletas disputando em cinco modalidades: remo, tiro, polo aquático, salto ornamental e natação. Entre os competidores, nenhuma mulher (a primeira atleta, a nadadora Maria Lenk, só participaria dos jogos em 1932). O Comitê Olímpico Brasileiro, fundado em 1914, ainda não funcionava de maneira independente e quem tomou a frente na hora de organizar a logística da participação do Brasil nos jogos foi a Confederação Brasileira dos Desportos (CBD).
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Torquemada, o temível inquisidor - História do Mundo

Torquemada, o temível inquisidor - História do Mundo | História Geral | Scoop.it

Via anisio luiz nogueira
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Na Baixa Idade Média e no período Moderno, a Inquisição Católica foi um artifício utilizado pela Igreja para se contrapor às pessoas que ameaçavam a hegemonia católica. Por meio de processos, pessoas eram presas, interrogadas, punidas e, em casos extremos, lançadas à morte na fogueira. Do ponto de vista católico, a perseguição era fundamental para que as heresias, o judaísmo e a bruxaria não desarticulassem o cristianismo na Europa.

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