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Curso de pedagogia não é reconhecido pelo MEC em Boituva, SP

Aproximadamente 60 estudantes universitários buscam na Justiça uma solução sobre a falta de reconhecimento do curso de pedagogia em uma faculdade em Boituva, SP. Após concluírem o curso, descobriram que não era reconhecido pelo MEC.

A estudante Gabriela Policeno Pereira conta que foram três anos de estudos em vão. O sonho de ter um diploma, virou pesadelo. Ela contou que começou o curso em 2005 pela Faculdades Integradas de Boituva (FIB). No final do primeiro ano, os universitários chegaram a realizar o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE), que é um dos procedimentos de avaliação do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior.

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Profissionais de 60 anos concorrem com jovens

Eles criam negócios voltados para a área de tecnologia, antes exclusivos da nova geração

Aos 58 anos, William Agush foi informado pela startup de tecnologia de Boston (com cinco anos de vida), onde estava trabalhando, de que ele não era mais necessário. Assim, após uma carreira de 30 anos como assalariado em várias companhias de tecnologia da informação, grandes e pequenas, Agush decidiu fundar sua própria empresa de aplicativos de negócios, a Shuttersong.

A ideia, surgida quando ele se deparou com um porta-retratos "falante", era permitir aos usuários de smartphones anexar arquivos de som às suas fotografias digitais, para que eles depois as compartilhassem com os amigos no Twitter ou no Facebook. Hoje, Agush usa aparelho auditivo nos dois ouvidos, mas continua sendo um grande apreciador da palavra falada, interesse que desenvolveu ouvindo "talk shows" no rádio.

"Foi uma epifania maravilhosa", diz. Agora, Agush espera concluir uma segunda rodada de financiamentos antes de chegar aos 60 anos, em fevereiro. Isso aumentará o orçamento de sua equipe para 8,3 milhões de libras, em Boston e Londres, para um maior desenvolvimento da funcionalidade do aplicativo, de modo que possam começar a cobrar dos usuários.

A primeira e segunda rodadas de financiamentos do Shuttersong, que levantaram um total de US$ 2,1 milhões, incluíram dinheiro de sócios da firma de advocacia Bingham McCutchen, de Boston. "Acho que eles consideraram confiável a pessoa para quem estavam dando dinheiro", diz Agush. "Esses garotos que fundam empresas logo depois de sair da faculdade não têm habilidades operacionais. Eles são apaixonados, mas queimam dinheiro porque cometem erros que um empresário experiente não comete."

Muitos dos que adotaram inicialmente o Shuttersong são exatamente jovens recém-formados que Agush acredita estarem mal preparados para empreender. Mas o aplicativo também se mostrou um sucesso entre os aposentados, que baixam o Shuttersong para compartilhar lembranças de projetos que realizam na aposentadoria, além de usuários corporativos que criam material para campanhas de marketing.

Neste ano, o Shuttersong foi selecionado para o V2Venture, um concurso para a busca de parceiros realizado pelo South by Southwest, o encontro anual de fanáticos por tecnologia em Austin, no Texas. Agush era o finalista mais velho. "Não vejo por que uma pessoa na casa dos 50 anos não possa iniciar uma empresa de tecnologia", afirma. "Mas, se você tiver a minha idade e quiser seguir o caminho dos aplicativos, é melhor não criar nada relacionado a encontros ou outros serviços que possam ser considerados meio repulsivos", aconselha.

Assim como boa parte dos fundadores de empresas de tecnologia, Agush trabalha em um escritório compartilhado com outras startups. No entanto, ele é a única pessoa na sala que usa camisa e gravata. Durante uma visita ao Reino Unido, ele fez uma palestra em um dos velhos armazéns de Southwark que abrigam algumas das startups mais interessantes de Londres, como a Zoopla e a Joseph Joseph. Enquanto falava, mexia em seu colarinho, aparentemente mais desconfortável com a escolha de sua roupa do que com sua nova carreira.

"Todo mundo envelhece, não há como evitar. Hoje, nossa expectativa de vida pode chegar aos 90 ou 100 anos. O que vamos fazer com todos esses anos? A aposentadoria não é a mesma coisa que foi para meu pai."

A decisão de Agush de iniciar uma empresa quando se aproxima dos 60 anos é algo que está ficando cada vez mais comum. Em julho, a edição britânica da "Global Entrepreneurship Monitor", que analisa a atividade de startups em estágios iniciais, constatou que 6,5% dos britânicos com 50 anos ou mais estão empreendendo - a maior proporção já registrada, eclipsando os 6% de jovens na faixa dos 18 aos 29 anos que estão fazendo o mesmo.

Entre os mais velhos, muitos são forçados a considerar esse caminho após perderem o emprego. Outros, porém, fazem isso porque detectam oportunidades. "Para quem já passou dos 50 anos, a maior motivação para começar uma empresa é aumentar a renda. Os empreendedores mais jovens, por sua vez, estão em busca de independência", afirma Jonathan Levie, professor de empreendedorismo da Strathclyde University.

Martyn Curley, 63, e Steve Oldbury, 59, que fundaram o serviço de preparação profissional Bidwriting.com, em 2007, são claramente ambiciosos. Eles inscreveram sua companhia em um programa ministrado pela Cranfield School of Management, do Reino Unido, que auxilia no desenvolvimento e no crescimento de negócios. "Uma das vantagens de se ter mais de 50 anos é que já passamos por várias recessões", diz Curley, que já foi um diretor da Connaught, empresa que faz parte do índice de ações FTSE 250. "As lições que aprendemos são muito valiosas. Entendemos totalmente nosso mercado e o que nossos clientes querem", enfatiza.

Empreendedores com mais de 50 anos têm uma propensão menor a demonstrar medo do fracasso, segundo a pesquisa Gem UK. Por outro lado, eles também admitem menos que precisam de aconselhamento técnico - o que pode ser visto como uma fraqueza quando o empreendedorismo bem-sucedido depende muito da troca de experiências.

Mãe de cinco filhos, Geraldine Abrahams lançou a empresa de produtos infantis Tummy With Mummy, de Glasgow, em 2010, quando tinha 60 anos. A empresa, que vende uma cadeira infantil dobrável projetada para exercícios físicos suaves, é a realização de uma ideia que ela alimentou durante anos, enquanto trabalhava como jornalista.

Aos três meses de idade, uma neta serviu de modelo para que a cadeira pudesse ser colocada à venda na internet. Embora a receita mal chegue aos seis dígitos, a empresa é lucrativa, com 90% das vendas realizadas para clientes de outros países. A ajuda para estabelecer o negócio e buscar mercados exportadores veio do programa Business Gateway Glasgow, do governo escocês e da Scottish Enterprise.

Entretanto, as diretrizes empresariais vêm de seus filhos David e Mike, que entraram para a empresa como diretor de produção e diretor de marketing, respectivamente. Eles também são acionistas minoritários. "Se estivesse fazendo tudo sozinha, não estaria aqui agora. Precisava da determinação juvenil de meus filhos, assim como de seu apoio."

Construir uma empresa leva tempo, admite Geraldine, que esperou até que o filho mais novo começasse a universidade para se lançar na empreitada. Há instituições que ajudam outras pessoas a tocar seus próprios negócios, mas ela não gosta da ideia do aconselhamento diferenciado de acordo com grupos de diferentes faixas etárias. "Isso realmente não deveria ter importância. Um empresário é um empresário."

Apesar do fenômeno, o professor Jonathan Levie afirma que a taxa de criação de startups cai drasticamente após os 64 anos. A razão, segundo ele, são fatores como a piora da saúde física, que se acelera depois desse ponto. "O empreendedorismo entre as pessoas mais velhas pode ganhar força na medida em que a idade de aposentadoria aumenta, mas não será nada muito significativo", diz.

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Programa de universitário - APP

Para contornar o sistema de matrículas que trava ou gerenciar suas faltas, alunos driblam a universidade e criam seus próprios aplicativos; "eles são sempre mais inovadores que os burocratas", afirma professor.

Com uma ideia na cabeça e um smartphone na mão, os universitários estão preenchendo, por conta própria, as lacunas deixadas por sistemas arcaicos que gerenciam a vida acadêmica.

Foi o caso de Lucas Argate, 24. Ele perdeu as contas das vezes em que presenciou seus colegas perdidos durante a embaralhada troca de salas no curso de sistemas de informação, na PUC de Campinas (a 93 km de São Paulo).

Ele viu que havia uma demanda: era preciso organizar o caos. Assim nasceu o aplicativo gratuito "PUC Grade".

O aluno o acessa com a mesma senha que insere no sistema da universidade. Lá encontra a grade curricular, a localização dos prédios do campus e as atividades desenvolvidas no curso.

O aplicativo atualiza as informações do aluno graças a um servidor alugado pelo estudante nos EUA -Lucas gasta US$ 90 por mês com isso.

Na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), alunos de ciência da computação também trabalham para quebrar um ciclo vicioso: o sistema de matrícula da universidade vez ou outra emperra. A cada novo semestre, muitos universitários ficam perdidos pelos blocos do campus.

No rastro desta demanda, surgiu o "Guia UFSCar". O aplicativo tem 4.000 usuários.

"A gente adicionou funções que faziam falta no nosso dia a dia", diz Henrique Galo, 24, um dos inventores.

No "Guia", os alunos têm um mapa com a localização dos blocos, o cardápio do restaurante universitário e um gerenciador de faltas.

As iniciativas de Lucas e Henrique são apenas uma mostra dos primeiros passos na carreira que muitos estudantes da área de tecnologia têm dado Brasil afora.

"É o tipo de aluno que identifica o problema e põe em funcionamento uma solução melhor que a existente. Isso requer uma certa maturidade", reflete Leandro Tessler, especialista em ensino superior da Unicamp.

A própria Unicamp é um exemplo disso. Detentora de uma plataforma para os graduandos (com informações como salas, professores e matriz curricular) que era alvo de reclamações, a universidade absorveu ao seu sistema um software criado pelo estudante Felipe Franco, da engenharia da computação.

"[O software] utiliza a linguagem própria dos alunos e permite o acesso das informações em qualquer ponto com acesso à internet", diz a universidade em comunicado.

O fenômeno é mundial. "Os estudantes são sempre mais inovadores do que os burocratas", diz Harry Lewis, do departamento de ciências da computação de Harvard. "Os alunos fazem sistemas com usabilidade muito melhor do que os oficiais."

Os inventores têm opinião parecida. "A universidade não incentiva e não vê o aplicativo como uma necessidade", diz Eduardo Ferreira, 21, criador do "Partiu Bandeja?", que disponibiliza informações do bandejão da UFRJ.

Henrique Galo diz que a ampliação do "Guia UFSCar" ainda engatinha. "Para o mapa sair, fomos anotando à mão a longitude e a latitude de cada bloco. Queremos trazer a biblioteca e a rádio para o aplicativo, mas os sistemas da UFSCar são tão ruins que é desanimador fazer um contato com a direção", diz.

Leandro Leite, 24, partiu por outra via. Ele e um amigo criaram o grupo de pesquisa Web & Mobile, na UFRJ. O desafio é ousado: formar desenvolvedores de aplicativos. "Quem sabe, poderemos fazer disso um negócio", sonha.

Apesar das dificuldades, especialistas dizem que tais aplicativos são uma bela porta de entrada para o mercado de trabalho. "Quando o estudante traduz uma necessidade, supera dificuldades e cria uma solução, ele está cumprindo um ciclo de entrega, como um profissional", analisa Renato Fonseca, gerente de Inovação do Sebrae-SP.

Para Fernando Pires, 25, sócio da Start Apps, empresa que desenvolve aplicativos para celular, a universidade tem a vantagem de permitir ao desenvolvedor experimentar.

"No ramo de tecnologia, a aposta sempre vale a pena. Não se pode ter medo do erro. Todos ainda estão aprendendo. O importante é perceber que o 'app' precisa ter uma razão para existir, ser funcional, pensar qual público pretende atingir."

 

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Consultoria divulga 'fórmula de sucesso' das melhores universidades do mundo

Consultoria divulga 'fórmula de sucesso' das melhores universidades do mundo | Inovação Educacional | Scoop.it

De acordo com THE, as instituições mais bem colocadas em seu ranking tem ingredientes em comum

Segundo o estudo, em média, essas universidades têm uma receita anual de US$ 751.139 por pesquisador. Já o montante anual gerado por pesquisas é de US$ 229,109 por pesquisador. Além disso, elas contam com forte internacionalização, com cerca de 19% de seu corpo de alunos formado por estrangeiros e 43% das pesquisas publicadas com co-autoria internacional. Além disso, 20% dos funcionários dessas instituições são de outros países. Já a relação de alunos por profissionais que atuam nessas universidades é de 11,7 por um.

No ranking mundial do ano passado, o Instituto de Tecnologia da Califórnia encabeçou a relação, à frente das prestigiadas universidades de Harvard e Oxford. O Brasil ficou de fora das 200 primeiras. Apesar da USP ter ficado com a 158ª posição em 2012, ela escorregou para 226ª em 2013. Outra brasileira mencionada foi a Unicamp, em 275º lugar.

— Uma universidade de classe mundial deve ser realmente internacional, atraindo os profissionais mais talentosos e estudantes de toda parte do mundo, para que possa unir as pessoas a partir de uma gama de diferentes culturas e origens, capazes de combater de maneira compartilhada os desafios globais. É preciso trabalhar e pensar além das fronteiras nacionais.

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Chefes que ignoram equipe são pouco eficientes

Estudo revela que gestores inseguros e de baixo desempenho tendem a não ouvir sugestões dos funcionários

Quem já teve a impressão de estar sendo sabotado pelo chefe talvez descubra que a suspeita tem fundamentos - ao menos se o superior for um profissional inseguro e com resultados abaixo das expectativas. Essa conclusão está em um artigo de escolas de negócios americanas, publicado na edição atual do "Academy of Management Journal".

Por meio de um estudo de caso e um experimento, dois pesquisadores da McCombs School of Business da Universidade de Texas em Austin, e um da University of Southern California (USC), investigaram a relação entre a disposição de gestores a valorizar as ideias dos subordinados e a percepção desses superiores em relação a sua própria competência.

Os resultados revelam o que muitos profissionais podem já ter percebido no dia a dia: aqueles gestores com menos segurança nas próprias habilidades são mais propensos a ignorar ou a vetar sugestões dos funcionários - independentemente da qualidade da contribuição dada.

De acordo com o coautor e professor de gestão da McCombs, Ethan Burris, enquanto a maioria das pesquisas existentes foca as experiências dos funcionários, esse estudo tentou identificar quais aspectos comportamentais dos chefes contribuem para um ambiente no qual os colaboradores têm mais voz ativa. "Descobrimos que algumas pessoas são mais capazes do que outras de aceitar feedback crítico, especialmente sobre como o trabalho na equipe poderia melhorar", explica.

Em um estudo de caso em uma multinacional de óleo e gás, gestores com baixo índice de eficiência solicitaram a opinião dos funcionários com menos frequência. Já em um experimento posterior, com 131 participantes, os professores perceberam que chefes com esse perfil também tinham uma aversão maior a contribuições espontâneas dos funcionários - resultando, inclusive, em avaliações negativas de profissionais que se esforçavam para opinar e na pouca implementação das contribuições oferecidas. Segundo os professores, essa atitude é uma espécie de defesa do próprio ego.

Os resultados, na prática, são equipes menos eficientes e funcionários menos motivados, na opinião de Burris. "Recusar-se a prestar atenção nas ideias dos empregados leva à frustração e ao aumento no turnover. Subordinados expressam opiniões para tentar resolver problemas observados por eles. Quando não conseguem fazer isso, provavelmente vão buscar oportunidades em outras empresas", diz.

Para o pesquisador, contudo, a solução não é investir no recrutamento e na promoção de gestores mais confiantes, e sim na criação de uma cultura mais inclusiva e menos baseada no medo - uma iniciativa que precisa vir de cima. "Se você seleciona alguém muito confiante em todas as áreas, ela vai ser uma pessoa bastante narcisista. Por outro lado, se os líderes criarem um ambiente onde as pessoas se sintam confortáveis ao realizarem mudanças, os funcionários vão se esforçar para procurar maneiras novas de melhorar o trabalho como um todo", ressalta.


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País perde formandos na universidade

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Em 2013, o número total de calouros nas instituições de ensino superior públicas e particulares foi de 2,742 milhões de alunos, uma queda de 0,15% em relação a 2012

Depois de uma década de crescimento praticamente contínuo, o número de ingressantes e de concluintes do ensino superior público e privado caiu no ano passado. Além disso, a expansão do volume total de matriculados em cursos de graduação presencial e a distância perdeu ritmo na passagem de 2012 para 2013, de acordo com dados divulgados ontem pelo Ministério da Educação (MEC). A queda chama atenção porque mostra uma reversão na tendência de forte alta, impulsionada por programas de acesso no setor privado (Fies e Prouni) e pela expansão das universidades federais.

No ano passado, o número total de calouros, seja por meio de processos seletivos ou transferências, nas instituições de ensino superior públicas e particulares foi de 2,742 milhões de alunos, o que representa uma queda de 0,15% em relação a 2012. Esse resultado foi influenciado pelos cursos de ensino a distância tanto das instituições particulares quanto das públicas, que tiveram queda de 5,2% no período e também nos cursos presenciais das instituições públicas. No total, os concluintes passaram de 1,050 milhão para 991 mil no período.

Na modalidade de curso a distância, 39,1% das matrículas são de licenciatura, 31,3% no bacharelado e 29,6% em curso tecnológico. A rede privada concentra 86,6% das matrículas. Dos 2,7 milhões dos que ingressaram em 2013 na graduação, 18,8% optaram por essa modalidade de curso.

O ministro da Educação, José Henrique Paim, destacou que o ensino a distância é indispensável, principalmente na formação de professores. "Vamos ter que usar essa ferramenta. É uma ferramenta importante para que se possa avançar na formação de professores", afirmou Paim. O presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Chico Soares, ressaltou que o ensino a distância ainda é uma modalidade nova e muitas vezes recebida "com uma certa crítica", mas que tem crescido e que, atualmente, extrapola a formação de professores e chega a bacharelados e cursos tecnológicos.

No fim da noite de ontem, o Ministério da Educação (MEC) esclareceu que 97% da queda no número de concluintes dos cursos de graduação está concentrada em 14 instituições de ensino superior entre as mais de 2,4 mil existentes no país. Dessas 14, a maioria passou por processo de supervisão que resultou em suspensão, redução de vagas ou descredenciamento.

Sobre a desaceleração do ritmo de crescimento das matrículas, Paim não demonstrou preocupação. "É natural que o ritmo do número de matrículas diminua, porque vínhamos de um volume relativamente baixo na primeira década de 2000. Nós estamos fazendo um esforço significativo, e todas as políticas que temos adotado, seja através do Prouni ou do Fies, nós achamos que vão ter um efeito importante", explicou o ministro.

Considerando apenas os calouros, aprovados por meio de vestibular, em cursos presenciais houve uma queda de 0,97%. Apesar de a redução ter sido branda, o que surpreendeu ao mercado foi a queda de 0,9% no número de novos matriculados nas instituições privadas. "Os números surpreenderam. Pelas nossas projeções o Fies sustentaria a expansão por pelo menos mais dois anos. Acredito que esse resultado é reflexo do desempenho econômico do país", disse Ryon Braga, consultor da Hoper, especializada em educação.

"Também acreditava que o Fies puxasse o setor. Mas o financiamento estudantil ainda representa pouco do total de matrículas. Há 1,5 milhão de alunos com Fies para uma base de mais 6 milhões de matriculados no ensino superior", disse Rodrigo Capelato, diretor-executivo do Semesp, sindicato que reúne as instituições privadas de ensino superior.

Em relação à queda de 5,6% no volume de concluintes, Capelato acredita que dois fatores foram responsáveis: "Em 2009, no ano da crise econômica o número de ingressantes nas instituições particulares caiu e agora quatro anos depois, a quantidade de formados é menor. Há também a questão econômica", disse Capelato.

O Brasil atingiu, no fechamento de 2013, 7,305 milhões de matrículas nos cursos de graduação presencial e a distância em faculdades e universidades - uma alta de 3,8% em relação a 2012. Do total de alunos matriculados, 73,5% (5,373 milhões) estão em instituições privadas e 26,5% (1,932 milhão), em públicas. Somente nas universidades federais há 1,137 milhão de alunos. Enquanto as matrículas na rede particular cresceram 4,5% na passagem de 2012 para 2013, no conjunto das universidades públicas o crescimento foi de 1,9%.

Marcos Vinicius Pó, professor do curso de políticas públicas da Universidade Federal do ABC (UFABC), avalia que o crescimento do setor universitário no país é consistente se olhado no horizonte de uma década e que, no momento, atingiu um patamar de expansão "vegetativa". O fator econômico também pode explicar eventuais mudanças de tendências nos dados universitários.

"É um cenário de acomodação. A economia está mais parada, mas, no geral, as famílias têm conseguido manter seus jovens na universidade. Nos próximos anos o quadro não será muito diferente, não teremos aceleração muito firme, a não ser que a renda cresça muito."


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Família fundadora da Anhembi Morumbi cria incorporadora

Família fundadora da Anhembi Morumbi cria incorporadora | Inovação Educacional | Scoop.it

A Gamaro Desenvolvimento Imobiliário vai atuar na região metropolitana da capital paulista

A família fundadora da Universidade Anhembi Morumbi está entrando no ramo de incorporação de imóveis para venda, por meio da Gamaro Desenvolvimento Imobiliário. A nova incorporadora nasce com banco de terrenos correspondente ao Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 2,5 bilhões a serem lançados no período de cinco anos. O primeiro lançamento tem VGV de R$ 340 milhões e será feito em Osasco, na Região Metropolitana de São Paulo, após as eleições.

À frente da Gamaro está Angela Freitas, filha de Gabriel Rodrigues - atualmente presidente do conselho de administração da Kroton - e especializada em mercado imobiliário, com atuação nos prédios da Anhembi Morumbi e em imóveis de outros grupos educacionais, além do ramo hoteleiro.

A partir de 2015, a incorporadora pretende lançar de dois a três projetos por ano, no total de R$ 500 milhões. Inicialmente, a atuação da incorporadora será concentrada na capital paulista e no seu entorno.

Os terrenos da Gamaro pertenciam à empresa patrimonial da família, fundada para administrar os imóveis da Universidade Anhembi Morumbi e que estendeu sua atuação para construir imóveis sob medida para locação para o setor de educação. O banco de áreas com perfil de projetos de incorporação foi formado a partir de parcelas de terrenos não utilizadas nos projetos de renda e de oportunidades de aquisições nos últimos anos.

Ao reunir terrenos e experiência no mercado imobiliário, a família decidiu criar uma empresa com foco em incorporação que vai atuar, principalmente, no segmento residencial de médio e alto padrão (80% dos projetos), além de imóveis corporativos e salas comerciais (demais 20%).

Da experiência da família no setor de educação, a presidente da Gamaro conta que leva para a incorporadora a visão de longo prazo, a busca de qualidade e o otimismo. Neste cenário macroeconômico de mais cautela, além de mirar o longo prazo, a nova companhia aposta na localização de seus terrenos - alguns em áreas nobres da capital paulista, como a Vila Olímpia -, e em produtos "melhores" para disputar o mercado, de acordo com a executiva.

Todos os projetos a serem desenvolvidos nos terrenos que a empresa possui na cidade de São Paulo foram protocolados conforme as regras do antigo Plano Diretor da capital. "Nossos terrenos estão muito bem localizados. Podemos lançar produtos mais competitivos num momento de mercado mais seletivo", diz o diretor de incorporação da Gamaro, Vinicius Amato. Alguns projetos começaram a ser desenvolvidos há mais de dois anos.

A Gamaro Desenvolvimento Imobiliário tem 30 pessoas em seu quadro de pessoal. A área de back-office - que abrange contas a pagar e a receber e controladoria - será compartilhada entre a incorporadora e a empresa patrimonial com o objetivo de economia de custos.

A GMR Participações, empresa patrimonial, passará a se chamar Gamaro Participações e dará início, em breve, à construção de seu primeiro projeto de hotel.

A Kroton não tem participação nem na Gamaro Desenvolvimento Imobiliário ou na Gamaro Participações.

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Cresce automação na publicidade digital

Cresce automação na publicidade digital | Inovação Educacional | Scoop.it

De uma hora para outra, o mesmo anúncio aparece por toda parte, em quase todo site que você acessa, em qualquer língua. É a chamada publicidade programática, que utiliza um software para encontrar os usuários da internet que mais interessam ao anunciante, levando a mensagem até eles em tempo real.

A consultoria Outsell estima que "programmatic advertising", expressão da moda no setor de mídia, já é 75% dos investimentos publicitários digitais nos EUA.

"No fundo, programático' significa simplesmente associar tecnologia automatizada à compra, à alocação e ao rastreamento da publicidade digital", diz Ken Doctor, analista-chefe da Outsell.

Em outras palavras, todo o processo da publicidade –da encomenda ao pagamento, passando pela verificação de que está atingindo o alvo– começa a ser automatizado.

Doctor acredita até que a palavra "programático" desapareça com o tempo, pois a automação parcial ou completa alcançará 98% da publicidade digital nos EUA já em 2018. Programático e digital virariam sinônimos.

"A questão é: por que um anunciante não usaria tecnologia para ajudar a tornar os seus investimentos mais baratos e os seus resultados mais eficientes?", diz.

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Biblioteca Pública em Toronto, remodelada

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Escola aposta em sete horas diárias de atividades e lidera Ideb no RS

Escola aposta em sete horas diárias de atividades e lidera Ideb no RS | Inovação Educacional | Scoop.it

Com 7,7 colégio de Jacutinga supera a média estadual de 5,5.
Índice é indicador geral da educação nas redes privada e pública do país.

Uma escola de Jacutinga, na Região Norte do Rio Grande do Sul, aposta em sete horas diárias de atividades para garantir o topo da lista do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), referente aos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano), no estado. Os números foram divulgados pelo Ministério da Educação (MEC). Com 7,7, a Escola Estadual Érico Verissimo, divide a primeira posição com Morro Reuter, no Vale do Sinos, como mostra a reportagem do Bom Dia Rio Grande da RBS TV (veja o vídeo). A média total estadual foi de 5,5.

O Ideb é um indicador geral da educação nas redes privada e pública. Nos anos finais, a Escola Estadual Érico Veríssimo, de Jacutinga, ficou em segundo lugar, com 6,6, atrás das escolas municipais de Picada Café, na Região Serra.

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Falhas no Ciência sem Fronteiras fazem governo aumentar rigor sobre bolsista

Falhas no Ciência sem Fronteiras fazem governo aumentar rigor sobre bolsista | Inovação Educacional | Scoop.it

Brasileira que estudava na Escócia foi expulsa da instituição por não comparecer às aulas; série de reportagens 'Ciência com Fronteiras', publicada em junho pelo iG, revelou falhas.

As falhas observadas no Ciência sem Fronteiras – programa que dá bolsas para universitários estudarem no exterior – levaram o Governo Federal a propor mecanismos mais rigorosos visando a um maior controle das atividades dos bolsistas durante o intercâmbio realizado em instituições de ensino estrangeiras. O programa, criado em 2011, conta com um orçamento de mais de R$ 3 bilhões e, neste momento, já está passando por uma fiscalização da Controladoria-Geral da União (CGU).

Conforme documento a que o iG Educação teve acesso, elaborado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – um dos órgãos federais responsáveis pelo programa –, bolsistas que iniciarão os estudos agora em setembro de 2014 já serão obrigados a formalizarem um plano de estudo.

"O Learning Agreement deverá ser formalmente estabelecido pelo estudante e pela universidade estrangeira. Este plano deverá ser levado ao conhecimento da universidade brasileira de forma a facilitar o controle e o reconhecimento de atividades acadêmicas realizadas pelo bolsista quando de seu retorno", diz relatório que foi encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU).

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'Educar não é só transmitir conhecimento', diz economista

A seguir, Flávio Comim defende o aumento de recursos em educação.

Folha - O Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica; o índice mais recente mostrou que o aluno perde rendimento com o tempo) reforça a necessidade de aumentar os recursos para educação?

Flávio Comim - Sim. Não sei por que nos espantamos com esses resultados, quando temos professores mal pagos, alunos com poucas horas de aula por dia, uma infraestrutura escolar inadequada, um alto nível de disfuncionalidade nas escolas. Precisamos financiar mais tempo e mudar uma cultura conteudista nas escolas. Mais importante: ainda não entramos na discussão central para nosso futuro que educar não é somente transmitir conhecimento aos alunos, mas estimular sua inteligência (cognitiva, emocional e cidadã).

O Brasil precisa aumentar os recursos para educação, ou basta melhorar a gestão?

O Brasil investe entre 5,6% e 5,8% do PIB em educação. A França gasta 5,68%, a Finlândia 6,76%, a Espanha quase 5%. Alguns cometem a falácia de dizer que, por isso, não precisamos aumentar os recursos, que o mais importante é gastar o que temos de forma eficiente. Esses países têm metade da população brasileira de 5 a 9 anos. Então, por uma conta simples, a gente precisaria investir o dobro.

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Dilma cogita limitar Ciência Sem Fronteiras a estudantes de baixa renda

Ao anunciar que todos os inscritos na última etapa do programa Ciência Sem Fronteiras vão ganhar bolsa de estudos no exterior desde que cumpram os requisitos exigidos pelo programa, a presidente Dilma Rousseff afirmou neste domingo (14) que poderá incluir a renda como critério na seleção de estudantes.

Isso aconteceria num eventual segundo mandato da petista, que disputa a reeleição e voltou a prometer neste domingo mais 100 mil bolsas de estudo para brasileiros no exterior.

"Não está afastado o corte por renda", afirmou Dilma, dizendo que o programa continuaria em seu próximo governo, mas permaneceria limitado às bolsas para as áreas de exatas, que incluiu cursos como de engenharia e biomédica.

Sobre uma possível inclusão da área de humanas no Ciência sem Fronteiras, a presidente afirmou: "Não temos dinheiro para abrir para todo mundo".

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Verba para pesquisa é fator decisivo para qualidade de universidades

Dados do RUF (Ranking Universitário Folha) 2014 indicam que o montante de recursos para pesquisa obtidos pelas universidades brasileiras é um dos fatores decisivos para a qualidade das principais instituições do país.Das dez universidades no topo do ranking, oito também lideram a lista das que mais conseguem financiamento para projetos científicos.A USP, cabeça do ranking geral e maior universidade brasileira, é, de longe, a que recebe mais recursos para pesquisa das principais agências de fomento federais e do Estado.Em 2012, o valor chegou a R$ 813 milhões, superando com folga a soma do montante destinado às três universidades que vêm logo depois dela nesse quesito

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O junco, o carvalho e a prosperidade para hoje e para o futuro

Empresas e pesquisadores juntam-se em torno da ideia-chave de resiliência

Existem quatro atitudes diante das crescentes dificuldades ambientais. As duas primeiras só se distinguem pelos teores de ingenuidade ou cinismo. E as outras duas, pelos graus de racionalidade e realismo.

A primeira consiste em simplesmente rejeitar que tais problemas existam, linha na qual se destacam os negacionistas climáticos ao afirmarem que não há aquecimento global, e que, se houvesse, não seria por influência humana.

A segunda é exagerar no otimismo tecnológico, esvaziando a preocupação com os problemas ambientais, como se não houvesse dúvida de que eles acabarão sendo inevitavelmente resolvidos por infalíveis avanços das engenharias.

A terceira, mais prudente e responsável, é a dos ambientalistas que, corretamente, enfatizam a necessidade de mudanças culturais e sócio-políticas, além das técnicas, mas com advertências de um alarmismo que, por suas apreensões apocalípticas, causam cansaço e fastio em vez de engajamentos para mudanças de rota. Muitas vezes, até se parecem com os castigos profetizados na Bíblia por Jeremias, e em certos casos beiram o sado-masoquismo.

A quarta atitude também recusa o reducionismo tecnológico, mas procura as bases de sua narrativa no avanço dos conhecimentos científicos. Um recente estudo bibliométrico mostra que foi vertiginoso o crescimento da produção científica sobre desenvolvimento sustentável e sustentabilidade entre 2000 e 2010. E destaca a importância do que vem sendo chamado de "sustainability science", também título de um periódico criado em 2006. Com apenas 21 edições, ainda é uma gota no oceano. Mas a tendência é que, aos poucos, reduza as influências das outras três atitudes.

Na vanguarda dessa quarta tendência estão os 50 intelectuais que lançaram no início de 2010 a revista "Solutions" (www.thesolutionsjournal.com), um híbrido de periódico científico (com "peer-review") e publicação popular, como se fosse uma espécie de pororoca entre "Nature" e "New Yorker". São os dois editores-chefe dessa revista - Robert Costanza e Ida Kubiszewski, professores da Universidade Nacional da Austrália - que acabam de lançar o instigante "Creating a Sustainable and Desirable Future".

A ambição dessa coletânea é buscar consenso sobre uma nova visão comum de prosperidade, que, ao expandir liberdades e reduzir desigualdades, também respeite as condicionantes biogeofísicas do sistema Terra. Seus quatro capítulos introdutórios procuram explicar os porquês da necessidade dessa visão, assim como as virtudes dos esforços futuristas. Os blocos intermediários reúnem duas dezenas de exercícios desse tipo, nos quais se tenta "descrever" o que seria um futuro desejável, principalmente com visitas virtuais à situação mundial e de alguns países por volta de 2050. As outras duas dezenas de capítulos, que formam a quarta parte, voltam-se ao "como se chegar lá" ("getting there").

Dos 45 autores que contribuíram para esses 46 enxutos capítulos, apenas um, Brian Walker, também foi convidado a participar do livro "Turbulence", primeira sistematização das reflexões conjuntas de dez das maiores empresas do mundo, que se articularam, no início de 2012, em Davos, para que fosse criada a Resilience Action Initiative (RAI).

Além de pesquisador em três das mais importantes organizações científicas da área socioambiental - The Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO), Beijer Institute for Ecological Economics e Stockholm Resilience Centre - Walker é o atual presidente do conselho da Resilience Alliance (http://www.resalliance.org/), a rede global que congrega principalmente cientistas para os quais a resiliência dos sistemas socioecológicos deve ser considerada base para a sustentabilidade.

O que mais aproxima livros tão diferentes é, portanto, essa ideia-chave de "resiliência", que por séculos ficou confinada às engenharias (principalmente naval), mas que há 40 anos foi simultaneamente adotada por ecólogos (1973) e psicólogos (1974) para designar, grosso modo, capacidade de recuperação sistêmica pós-choques, ou capacidade de absorção de choques e subsequente reorganização para funcionar como antes.

Hoje são os psicólogos que explicam essa noção da forma mais amigável: "dar a volta por cima", diz a jornalista Chris Bueno, em ótimo texto disponível na UOL. Pessoas resilientes são as que enfrentam as adversidades, conseguindo delas se beneficiar para aprender e amadurecer emocionalmente. Pessoas que mostram a habilidade de superar crises, traumas, ou perdas, tornando-os oportunidades positivas de transformação. Nada a ver, portanto, com "resistência", pois resistente é quem "segura as pontas" em situações de pressão, em vez de mostrar flexibilidade para se adaptar e criatividade para tocar adiante.

Para os ecólogos, resiliência é a "capacidade de um sistema absorver perturbação e reorganizar-se, mantendo essencialmente a mesma função, estrutura e feedbacks, de modo a conservar a identidade". Mas Walker também acha razoável a definição menos formal de "capacidade de se lidar com choques para manter funcionamento sem grandes alterações". Pode-se acrescentar a metáfora didática da fábula em que La Fontaine elogia a superioridade do flexível junco ao compará-lo ao rígido carvalho.

O discurso dos psicólogos é mais nítido porque têm como referência um sistema bem definido: o ser humano. Na ecologia, se já não é fácil delimitar um ecossistema, o que dizer, então, desses sistemas "socioecológicos", objeto das pesquisas da Resilience Alliance?

O fato é que, conforme a utilidade dessa ideia-chave foi se firmando, também virou coqueluche na retórica sobre o desenvolvimento, o que é ilustrado por dois exemplos bem atuais: a sede do município paulista Águas da Prata é destaque na campanha global "Construindo cidades resilientes", iniciativa do Escritório das Nações Unidas para Redução do Risco de Desastres; e o título do Relatório do Desenvolvimento Humano de 2014 é "Sustentar o progresso humano: reduzir as vulnerabilidades e reforçar a resiliência".

Daí a importância de se chamar a atenção para as contribuições de Walker aos dois livros aqui recomendados, assim como para um breve artigo que está disponibilizado em português no Project Syndicate. Nos três, assim como nos livros em coautoria com David Salt (2006, 2012), Walker adverte para certas discrepâncias que tendem a surgir entre o conceito científico e as versões que vão se insinuando nas práticas das empresas, do terceiro setor, dos governos e de organizações internacionais.

Antes de tudo, resiliência não é algo que possa ser sempre considerado positivo. Walker faz alusão a ditaduras e a paisagens salinas, por exemplo, sistemas cuja resiliência precisa é ser combatida. Podem ser acrescentados casos como o das redes de traficantes de cocaína, ou dos vulcões, cujas lavas acabam com qualquer tipo de vida nas redondezas e cujas repercussões atmosféricas podem causar desastres até em outros continentes. Quatro exemplos em que mudanças positivas resultariam de redução de resiliência, e não do contrário.

Também não se pode entender e manejar a resiliência em uma única escala, pois são justamente as conexões entre diversas facetas que a determinam. Mais: é frequente que uma perda de resiliência se deva a consequências indesejadas da busca do que poderia ser ótimo, mas com foco estreito. É o que ocorre quando é privilegiada a "eficiência", principal gancho do livro "Turbulence", justamente voltado para essa tensão que ela mantém com a resiliência.

Feitos esses alertas, Walker passa a expor as lições de sua longa dedicação ao trabalho coletivo de recuperação de uma grande bacia hidrográfica australiana, a "Murray Darling", para explicar as principais dificuldades práticas de ações que sejam coerentes com rigorosa abordagem da resiliência.

Para começar, é preciso que a coletividade envolvida chegue a uma descrição comum do sistema do qual pretende cuidar. E não é nada fácil obter consensos sobre o que está dentro ou fora de um sistema socioambiental, sobre como ele funciona e sobre o que realmente é importante. Em seguida, os atores-chave também precisam obter ao menos três acordos: sobre as escalas-críticas de funcionamento desse sistema, sobre as escalas temporais e sobre o que é mais valorizado pelos envolvidos. Ou seja, responder à pergunta "resiliência do quê?"

Se tiverem sucesso nesses primeiros passos, certamente emergirá consciência coletiva sobre as duas advertências feitas mais acima, e também ficará claro que existem sempre de três a cinco variáveis críticas de controle das coisas que realmente importam. Depois, conforme for evoluindo a descrição do sistema (que nunca chega a uma versão completa, final ou definitiva), certamente serão identificados seus limiares de comportamento, que precisarão ser evitados por capacidade adaptativa, ou superados por transformação, caso a continuidade tenha deixado de ser possível.

Nesse ponto, Walker enfatiza que é frequente e perigoso o engano de se imaginar que resiliência seja equivalente a não mudar, confundindo-a com estabilidade. Ao contrário, tentativas de impedir que os distúrbios ocorram, para que o sistema fique constante, invariavelmente acabam por reduzir sua resiliência.

Fica fácil entender, então, por que o editor de "Turbulence", Roland Kupers (físico teórico holandês que se tornou consultor em complexidade após longa experiência como executivo: dez anos na Royal Dutch Shell, e outros dez na AT&T) escolheu Walker para redigir justamente o epílogo de uma obra cujo "leitmotiv" é: transformações não são possíveis sem uma visão compartilhada do futuro que molde as ações do presente. As corporações que criaram a RAI garantem ter percebido a necessidade de distinguir resultados sistêmicos de resultados empresariais, principalmente no âmbito das relações entre energia, água, alimentos e clima, que elas chamam de "stress nexus".

Também fica óbvio por que, no livro "Creating a Sustainable and Desirable Future", as lições tiradas da profícua experiência de Walker entraram no bloco dedicado ao "como chegar lá" ("getting there"). Afinal, o futuro estará tão mais próximo de uma condição sustentável e desejável quanto mais for possível impedir a irreversibilidade do declínio de ecossistemas dos quais mais dependem as sociedades humanas. O que só poderá ocorrer se os atuais usos dos recursos da biosfera passarem a ser mirados com as lentes da resiliência.

Por isso, as nove contribuições de executivos de grandes corporações que formam o miolo do livro "Turbulence" constituem um ótimo sinal, pois, mesmo sendo muito mais voltadas à prática do que a discussões teóricas, todas mostram bom domínio do conceito. Não explicitam, contudo, se realmente concordam com a proposta da aliança presidida por Walker, de considerar a pesquisa sobre resiliência como "base" para a sustentabilidade. O único que aborda essa questão é o próprio organizador, Roland Kupers, que discorda. Chega a perguntar qual das duas - resiliência ou sustentabilidade - seria "o melhor conceito", para em seguida dizer que, pessoalmente, sempre preferiu o primeiro, pois acha que é o mais apropriado para aprofundar o conhecimento.

Ora, esse é um tique recorrente entre os que não percebem que sustentabilidade não é conceito, mas sim um valor, como é, por exemplo, a justiça. Quando se aponta algo injusto, costuma ser fácil obter consenso, e até unanimidade. Mas isso jamais levará a uma definição sobre o que é a justiça. Quem tiver alguma dúvida precisa examinar o debate filosófico em que se destacam as obras de John Rawls e de Amartya Sen. E refletir sobre todos os outros valores que estão na Declaração dos Direitos Humanos, a começar pela liberdade ou pela igualdade.

Ignorar essa crucial diferença entre valores e conceitos nem chega a ser, contudo, o principal deslize dos que pensam como Kupers. Bem pior é o erro de avaliação histórica, pois nos 35 anos que se passaram desde que o projeto de um desenvolvimento sustentável começou a inspirar a estratégia mundial de conservação (IUCN-UNEP-WWF, 1980), ou mesmo uma nova utopia política (Lester Brown, 1981), a sustentabilidade não cessou de ganhar força social, como escancara o atual debate sobre os ODS (objetivos de desenvolvimento sustentável) que serão adotados pela Assembleia Geral da ONU para susbstituir os ODM (objetivos de desenvolvimento do milênio), no âmbito do que foi batizado de "Agenda Pós-2015".

Diante de tão singular fenômeno histórico, chega a ser assustador o ingênuo reducionismo que pretende abordar a questão pelo seu lado semântico. Mesmo que, hipoteticamente, o termo resiliência fosse mais adequado, é incrível que se despreze a relevância política do processo de superação cognitiva do catastrofismo de ecólogos pioneiros, como Garret Hardin ou Paul Ehrlich, raiz do atual discurso tipo "Jeremias". O uso do termo "sustentável" para qualificar o desenvolvimento sempre exprimiu a possibilidade e a esperança de que o progresso humano poderá se relacionar com a biosfera de modo a evitar os medonhos colapsos profetizados nos anos 1970.

Na essência, sustentabilidade é um valor incompatível com a ideia de que o desastre só estaria sendo adiado, ou com qualquer tipo de dúvida sobre a real possibilidade de expansão das liberdades humanas. Em seu âmago está uma visão de mundo dinâmica, na qual transformação e adaptação são inevitáveis, mas dependem de elevada consciência, sóbria precaução, além de efetiva responsabilidade diante dos riscos e das incertezas.

Já a resiliência - esta sim um conceito científico - tem sido entendida como um dos principais vetores da sustentabilidade. Isto é, um dos meios de se procurar atingir tal fim. Aliás, em abrangente estudo publicado em 2013 pelo National Research Council (2013), uma comissão de 13 renomados pesquisadores, coordenada pelo professor Thomas Graedel (Yale, ecologia industrial) apresentou a resiliência como o terceiro dos quatro "clusters" mais determinantes da sustentabilidade. Não poderia haver melhor "prova dos nove".

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Universidades melhores no ensino buscam autonomia para seus alunos

Universidades melhores no ensino buscam autonomia para seus alunos | Inovação Educacional | Scoop.it

Dar aos alunos autonomia e responsabilidade para solucionar problemas é o objetivo de métodos adotados em universidades com ensino bem avaliado no RUF 2014.

As características aparecem em cursos da UFMG, UFRJ, UnB, UFSCar e USP, que ficaram entre as melhores na análise que considera fatores como opinião dos avaliadores do Ministério da Educação. Os resultados foram divulgados nesta segunda (8).

Por meio de diferentes metodologias, a ideia é fazer os estudantes buscarem soluções para situações da futura profissão, em vez de ficarem nas cadeiras de sala de aula de forma passiva.

Em matéria sobre mediação de conflitos no curso de direito na UFMG, o professor apresenta casos em que pode haver conciliação entre as partes, como a briga de vizinhos devido a uma obra.

A turma foi dividida em três. Cada vizinho foi representado por um grupo e o terceiro fez o papel de conciliador. Ao professor coube balizar as discussões.

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Ideb volta a mostrar quadro decepcionante na educação

O governo já prometeu rever o currículo muito carregado e pouco atraente, que estimula um conhecimento enciclopédico e superficial para os alunos. Mas até agora não houve avanços.

Os resultados mais recentes do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) ajudam a entender a queda do Brasil no ranking de competitividade do World Economic Forum (WEF) e o elevado percentual de 18% de analfabetos funcionais na população do país.

O Ideb de 2013 mostrou pela primeira vez desde 2005, quando o índice foi criado, que a nota do ensino médio ficou estagnada e não atingiu a meta nos anos finais do ensino fundamental (do quinto ao nono ano). Já os alunos dos anos iniciais do ensino fundamental (do primeiro ao quinto ano) até superaram a meta.

Fica cada vez mais distante o objetivo do governo de atingir, em 2021, o padrão das nações desenvolvidas calculado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No caso dos alunos do ensino médio, a nota ficou estagnada em 3,7 pontos, em uma escala que vai de zero a 10, ponto em que está desde 2009. O padrão da OCDE é 5,2 pontos.

No caso dos alunos dos anos finais do fundamental houve avanço de 4,1 para 4,2, abaixo da meta de 4,4 do governo e dos 5,5 da OCDE. Apenas os anos iniciais do ensino fundamental mostraram progresso, com a nota subindo de 5 para 5,2, acima da meta de 4,9 pontos e distante dos 6 da OCDE.

No levantamento anterior o quadro era o mesmo. Há alguns anos o governo aposta que o bom desempenho nos anos iniciais do ensino iria causar um efeito positivo nos períodos posteriores. O ensino médio parece ser a etapa mais problemática. Apenas sete dos 27 Estados da União atingiram as metas dessa fase; seis melhoraram, mas ficaram abaixo das metas. Em 16 Estados as notas do ensino médio pioraram, até nas escolas particulares.

O governo já prometeu rever o currículo muito carregado e pouco atraente, que estimula um conhecimento enciclopédico e superficial para os alunos. Mas até agora não houve avanços.

A intenção foi lembrada pelo ministro da Educação, Henrique Paim, sem um prazo para ser convertida em realidade. Como lembrou a doutora em educação pela PUC do Rio, Andrea Ramal, em entrevista a "O Globo" (6/9), houve cinco ministros da Educação nos últimos dez anos e essa alta rotatividade certamente tem relação com os problemas do ensino.

Há quem diga que a questão é dinheiro. Relatório da OCDE divulgado ontem informa que o Brasil canalizou para a educação 19% do total de gastos públicos em 2011, acima dos 13% médios dos países da organização. O valor de gasto por aluno, no entanto, foi de US$ 2.985, um terço da média dos 34 países integrantes da OCDE, que é de US$ 8.952. É o segundo valor mais baixo entre todos os países da organização, depois da Indonésia. Nos EUA o investimento por aluno é de mais de US$ 15 mil.

As taxas de matrículas vêm crescendo no Brasil, mas abaixo da média dos países desenvolvidos; e as instituições públicas gastam quatro vezes mais por aluno do ensino superior do que do ensino fundamental, o que também é parte da explicação do estágio da educação no país.

O governo vende a promessa de que tudo vai melhorar quando o pré-sal estiver em produção e puder destinar os royalties de sua exploração para a educação, como está previsto no Plano Nacional de Educação (PNE), que foi aprovado há pouco pelo governo e prevê o investimento de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) na educação em 2020, em comparação com 6,4% em 2012. Em artigo publicado no Valor(18/7), o professor Naércio Menezes Filho calculou em R$ 180 bilhões o valor.

O professor acha, porém, que dinheiro não é garantia de melhora do aprendizado, lembrando que os royalties do petróleo aumentaram a arrecadação de muitos municípios, que ampliaram o investimento em educação sem que isso resultasse em melhor desempenho dos alunos no Ideb. Por isso, elogiou a estratégia do PNE de estimular as escolas que aumentarem as notas na avaliação.

Os dados do Ideb passaram quase desapercebidos porque foram divulgados no momento em que o noticiário sobre as denúncias do esquema de corrupção na Petrobras causava grandes ondas de turbulência. A verdade é que o tema pouco é lembrado na campanha eleitoral e competiu também com a notícia da professora esfaqueada pelo aluno em Curitiba, enquanto escrevia no quadro-negro, e a das crianças sitiadas em hotéis da Cracolândia, em São Paulo, que mostram outras facetas do mesmo problema da educação.


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Você está bem cotado?

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Conheça as profissões com maior procura pelos recrutadores e aquelas que já não atraem tanto a atenção dos empregadores no Brasil

Segundo levantamento feito com exclusividade para a VOCÊ S/A pela consultoria Page Personnel, empresa derecrutamento do PageGroup, neste ano a procura por profissionais de relacionamento com investidores, engenheiros de projetos e analistas de planejamento e demanda caiu entre 5% e 15% em relação ao ano passado.

Na outra ponta, na mesma faixa percentual, houve uma alta na demanda por vendedores e analistas de custos. A mudança de foco nas contratações reflete a postura das empresas de investir menos em novos projetos e de buscar a melhoria dos resultados pelo aumento das vendas e da eficiência nos gastos.

“As empresas estão olhando da porta para dentro, buscando otimizar processos. Como está mais difícil elevar o faturamento, elas preferem aumentar a eficiência e, assim, a rentabilidade”, diz Ricardo Haag, gerente executivo da Page Personnel. 

Para Felipe Brunieri, recrutador para as áreas de finanças e contabilidade da Talenses, profissionais que possam trabalhar em projetos de corte de despesas são essenciais no momento. “No atual cenário, se a empresa não consegue aumentar tanto a receita, precisa reduzir custos para elevar a margem de lucro, já que a economia não cresce tanto”, afirma.

De acordo com o especialista em recrutamento, até mesmo a ascensão de cargos como engenheiro ambiental reflete essa tendência de busca de eficiência. “As empresas neste ano estão interessadas em ‘cuidar da casa’ e estão mapeando os pontos nos quais possam diminuir gastos e ser mais eficientes”, diz Felipe.

Isso porque o aperfeiçoamento de procedimentos que reduzam o desperdício de recursos como água e energia ou que facilitem o reaproveitamento dos resí­duos pode ajudar nesse contexto. “Os processos são reanalisados para aparar arestas, rever políticas e normas internas”, afirma Felipe.

A procura por vendedores e executivos de vendas também registrou crescimento. “Num momento de baixa de mercado, é ainda mais essencial expandir a carteira de clientes”, diz o gerente de recrutamento da Talenses. Além disso, funções que conseguem absorver o trabalho de seus pares estão em alta.

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Matrículas Ensino Superior

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Como os ricos dominam

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A crescente desigualdade não apenas resulta em maior exclusão das classes média e baixa, como também fomenta, na elite, uma política venenosa de sectarismo.

Não é novidade que os ricos têm mais poder político do que os pobres, mesmo em países democráticos, onde cada cidadão tem direito a um voto. Mas dois cientistas políticos, Martin Gilens, da Princeton University, e Benjamin Page, da Northwestern University, publicaram estudo com conclusões nítidas, para os EUA, com implicações dramáticas para o funcionamento da democracia - nos EUA e em outros países.

A pesquisa dos autores baseia-se em trabalhos anteriores de Gilens, que compilou meticulosamente pesquisas de opinião pública em cerca de 2 mil questões de política governamental entre 1981 e 2002. A dupla, então, analisou se governo federal dos EUA adotou a política em questão num prazo de quatro anos após a pesquisa e mensuraram em que medida o resultado coincidiu com as preferências dos eleitores em diferentes pontos da distribuição de renda.

Vistas isoladamente, as preferências do eleitor "médio" - isto é, um eleitor no meio da distribuição de renda - parecem ter uma influência fortemente positiva nas ações efetivas do governo. Uma política que o eleitor médio aprovaria tem uma probabilidade significativamente maior de ser promulgada.

Mas, como observam Gilens e Page, isso produz uma impressão enganadoramente otimista das representatividade das decisões governamentais. As preferências do eleitor médio e das elites econômicas não são muito diferentes no que diz respeito à maioria das questões de política de governo. Por exemplo, ambos os grupos de eleitores gostariam de ver uma defesa nacional forte e uma economia saudável. Um teste melhor seria examinar o que o governo faz quando os dois grupos têm pontos de vista divergentes.

Para realizar esse teste, Gilens e Page promoveram uma "corrida de cavalos" entre as preferências dos eleitores médios e os pertencentes a elites econômicas - definidas como o conjunto de indivíduos no décimo percentil superior da distribuição de renda - para verificar quais eleitores exercem maior influência. Eles descobriram que o efeito do eleitor médio cai para níveis insignificantes, ao passo que o das elites econômicas permanece substancial.

A implicação é clara: quando os interesses das elites são distintos daqueles do restante da sociedade, é a opinião das elites que conta - quase exclusivamente. (Como explicam Gilens e Page, deveríamos considerar as preferências dos 10% mais ricos como representativas dos pontos de vista dos verdadeiramente ricos, por exemplo, o 1% mais rico - a verdadeira elite).

Gilens e Page relatam resultados semelhantes para grupos de interesse organizados, que exercem uma influência poderosa sobre a formulação de políticas. Como ressaltam os autores, "faz muito pouca diferença o que o público em geral pensa" depois que são levados em conta os alinhamentos dos grupos de interesse e as preferências dos americanos ricos.

Esses resultados desalentadores levantam uma questão importante: como é que políticos que não correspondem aos interesses da grande maioria de seus eleitores se elegem e, mais importante, são reeleitos, se atendem predominantemente os interesses das pessoas mais ricas?

Parte da explicação pode ser o fato de que a maioria dos eleitores têm escassa compreensão de como o sistema político funciona e como ele é tendencioso a favor da elite econômica. Como Gilens e Page enfatizam, as evidências por eles comprovadas não implicam que a política governamental deixe o cidadão comum em situação pior. Os cidadãos comuns frequentemente obtêm o que querem em virtude do fato de que suas preferências serem frequentemente similares às da elite. Essa correlação entre as preferências dos dois grupos pode tornar difícil, para os eleitores, discernir as tendenciosidades dos políticos.

Porém outra, e mais perniciosa, parte da resposta pode estar nas estratégias às quais os líderes políticos recorrem para serem eleitos. Um político que representa os interesses das elites econômicas tem que encontrar outros meios de apelar às massas. Essa alternativa é proporcionada pela política de nacionalismo, sectarismo e identidade - uma política baseada em valores e simbolismos culturais, e não em interesses concretos. Quando as disputas políticas são travadas nesse terreno, as eleições são vencidas por aqueles mais bem sucedidos em "estimular" nossos "genes" culturais e psicológicos latentes, e não aqueles que melhor representam nossos interesses.

É famosa a afirmação de Karl Marx de que a religião é o "ópio do povo". O que ele quis dizer é que o sentimento religioso pode obscurecer as privações materiais que trabalhadores e outras pessoas exploradas vivenciam em suas vidas quotidianas.

De maneira bastante semelhante, a ascensão da direita religiosa e, com ela, de guerras culturais em torno de "valores familiares" e outros temas extremamente polarizadores (por exemplo, a questão da imigração) serviram para blindar a política americana do forte aumento da desigualdade econômica desde o fim dos anos 1970. Em consequência disso, os conservadores conseguiram manter o poder, apesar de seu foco em políticas econômicas e sociais contrárias aos interesses das classes média e baixa.

"Políticas de identidade" são malignas porque tendem a estabelecer limites em torno de um grupo de privilegiados e requerem a exclusão dos "outros" - de outros países, valores, religiões ou etnias. Isso pode ser visto mais claramente nas democracias não liberais, como Rússia, Turquia e Hungria. A fim de solidificar sua base eleitoral, os líderes desses países apelam fortemente a símbolos nacionais, culturais e religiosos.

Ao fazê-lo, normalmente inflamam paixões contra minorias religiosas e étnicas. Para regimes que representam as elites econômicas (e, frequentemente, corruptos até a medula), é uma manobra que compensa generosamente nas urnas.

A ampliação da desigualdade nos países avançados e em desenvolvimento, portanto, inflige dois golpes contra a política democrática. A crescente desigualdade não apenas resulta em maior exclusão das classes média e baixa, como também fomenta, na elite, uma política venenosa de sectarismo.

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Biblioteca Pública em Toronto, remodelada 2

Biblioteca Pública em Toronto, remodelada 2 | Inovação Educacional | Scoop.it
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Aplicativo da ABL permite consultar grafia de 400 mil verbetes

A Academia Brasileira de Letras (ABL) lançou um aplicativo gratuito de consulta ao Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp). Com ele, é possível ter acesso em smartphones tabletsaos quase 400 mil verbetes que já seguem as novas regras previstas no Acordo Ortográfico.  É uma solução rápida para tirar dúvidas de como se escreve alguma palavra.

O aplicativo pode ser baixado em dispositivos Android, pelo Google Play, e em dispositivos da Apple, pela App Store. Um dos recursos do aplicativo é o de autocompletar-se. Quando a pessoa começa a digitar uma palavra, automaticamente aparece uma listagem de possíveis resultados na tela, e ela poderá encontrar a exibição do vocábulo antes mesmo de terminar a redação de tal termo. É possível também aumentar a letra, para facilitar a leitura.

"A vantagem é que tendo uma dúvida qualquer a respeito de ortografia, pode-se estar no metrô, na rua, onde estiver, com um celular ou tablet, em poucos segundos tem-se a resposta de como se escreve a palavra", explica o presidente da ABL, Geraldo Holanda Cavalcanti. Segundo ele, a tendência do mundo é a composição entre o que é impresso e o que é digitalizado. Utilizando-se dessa ferramenta, a Academia poderá "prestar serviço a um número cada vez maior de usuários, especialmente os estudantes”.

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RNP lança chamada de Grupos de Trabalho para e-saúde e educação a distância

A Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) lançou esta semana, dois Programas de P&D Temáticos, voltados para educação a distância e e-Saúde .

O objetivo é selecionar projetos que promovam o uso inovador da rede através de aplicações que potencializem a colaboração remota nessas duas áreas do conhecimento.
As propostas deverão ser compostas por pesquisadores oriundos de organizações usuárias da RNP, que serão selecionados para desenvolver projetos colaborativos. Outras instituições, universidades ou empresas também podem participar das atividades.
A expectativa da RNP é receber propostas que contemplem arquiteturas de software ou hardware facilmente reutilizáveis, extensíveis e bem documentadas, de forma a facilitar futuras atualizações e que possam ser interoperáveis com outras soluções.
Em educação a distância, serão selecionados projetos que apresentem soluções em produtos e serviços principalmente no que tange a aplicações em aprendizado móvel, laboratórios virtuais e cursos abertos online.
Já o Programa de P&D em e-Saúde visa prototipar soluções em TIC que façam uso de tecnologias móveis para apoiar o trabalho de profissionais de saúde, nos seguintes domínios de interesse: telessaúde para a pessoa idosa, telessaúde na saúde indígena e telessaúde nas doenças raras.
O edital é financiado com recursos da CAPES por meio do Ministério da Educação e da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) do Ministério da Saúde (MS) e faz parte das ações de P&D no escopo do Programa Interministerial RNP.
O prazo para submissão de propostas é dia 13/10.
No dia 1/10, às 14h, será realizada uma webconferência pública para tirar dúvidas sobre a chamada, no endereço http://webconf.rnp.br/gt
Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail gt2015@rnp.br 

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1/3 dos docentes de universidades particulares recebe por hora-aula

Um em cada sete docentes de universidades brasileiras recebe por aula dada e não tem vínculo com a instituição. A distribuição dessa categoria, os "horistas", no entanto, é bastante diferente nas escolas públicas e privadas.

Dados tabulados pelo RUF (Ranking Universitário Folha) com base no MEC mostram que só 4% dos professores das universidades públicas são horistas. Já nas privadas, a taxa sobe para 33%.

A diferença de cenários, dizem especialistas ouvidos pela Folha, tem motivo financeiro: o contratado é caro para as privadas. "Já os horistas ganham, em média, R$ 80,00 por hora-aula", diz Helena Sampaio, da Faculdade de Educação da Unicamp.

Dados sobre corpo docente foram usados no indicador de ensino do RUF, um dos critérios de classificação das instituições. Ganham pontos aquelas com docentes em tempo integral e parcial; horistas não pontuam.

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Criança deve evitar eletrônicos até 12 anos de idade, afirma educador

Criança deve evitar eletrônicos até 12 anos de idade, afirma educador | Inovação Educacional | Scoop.it

Tablets são uma péssima maneira que os pais acharam para ocupar as crianças, diz Flávio Comim, 48, ex-economista sênior do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).

Para ele, o ideal é que as crianças evitem os eletrônicos até os 12 anos. "O uso excessivo de aparelhos eletrônicos limita as conexões neurais. As crianças não pensam aberto, mas dentro da caixa."

Economista, ele é um dos coordenadores do Círculo da Matemática, projeto nascido em Harvard há 20 anos. Leia a seguir a entrevista.

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Critérios do RUF valorizam mais as escolas públicas, afirma especialista

Critérios do RUF valorizam mais as escolas públicas, afirma especialista | Inovação Educacional | Scoop.it

A maioria dos que entraram em contato com a Folha nesta segunda-feira (8) buscou informações sobre a metodologia do ranking de universidades e dos rankings de cursos –o RUF classifica 192 universidades brasileiras e cada um dos 40 cursos com mais ingressantes no país.

Para o presidente da ABMES (Associação Brasileira das Mantenedoras de Ensino Superior), Sólon Caldas, alguns critérios do RUF tendem a valorizar mais as instituições públicas de ensino.

Um exemplo é a proporção de professores com dedicação integral ou parcial no total do corpo docente, que vale 4% da nota recebida pelas universidades no RUF.

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