Inovação Educacional
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Inovação Educacional
Noticias, publicacoes e artigos de opiniao que abram caminhos para a inovacao educacional.
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Com aposentadorias de até R$ 33 mil, previdência do Congresso tem rombo de R$ 2,4 bi por ano

Com aposentadorias de até R$ 33 mil, previdência do Congresso tem rombo de R$ 2,4 bi por ano | Inovação Educacional | Scoop.it
Com 5 mil servidores de carreira na ativa e 10 mil aposentados e pensionistas, a conta da previdência do Congresso não fecha. Enquanto a proporção entre contribuintes e beneficiários no INSS é de dois por um, na Câmara e no Senado ocorre o contrário – há dois aposentados para cada servidor na ativa. O acúmulo de vantagens pessoais e gratificações e a maior concentração de servidores aposentados no topo da carreira acentuam ainda mais o desequilíbrio. As duas casas arrecadam R$ 718 milhões de seus contribuintes e pagam R$ 3,1 bilhões em benefícios anualmente. O resultado é um déficit anual de R$ 2,4 bilhões nas contas da previdência dos servidores. Quem cobre esse rombo, de 77%, é a União, ou seja, o contribuinte. Situação que não vai mudar para os atuais servidores aposentados mesmo com a aprovação da reforma da Previdência, porque eles têm direito adquirido.

Dos 987 analistas legislativos da ativa do Senado, 471 estão no nível máximo do cargo, com salário de R$ 26,8 mil. Entre os aposentados ou instituidores de pensão (servidores que deixaram pensionistas), 2,2 mil estão no nível mais elevado. Na Câmara, 1.036 analistas em atividade (56%) estão no nível máximo. Considerando os aposentados, 2.338 analistas (98,8%) exercem o nível mais alto, com salário de R$ 28,8 mil.

Nos caso dos técnicos legislativos, categoria de nível médio, os 833 servidores da ativa que estão no maior nível, com salário de R$ 22 mil, representam 67% do total. Entre os 1.382 técnicos aposentados, a concentração no maior nível chega a 96,3%.

Além das parcelas fixas – vencimento e gratificações de atividade legislativa, de representação e de desempenho – os servidores da Câmara e do Senado levam para a aposentadoria as parcelas incorporadas: adicionais por tempo de serviço e especialização, quintos/décimos, produtividade e esforço concentrado. Também incorporam as funções comissionadas quem as tiver exercido por cinco anos ininterruptos ou dez anos intercalados até janeiro de 1995.

No teto

Na soma de salários, gratificações e vantagens pessoais, 4.637 servidores ativos e inativos da Câmara e do Senado atingem ou ultrapassam o teto remuneratório do serviço público – R$ 33,7 mil –, pago a  deputados, senadores e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Isso representa 30% do total de servidores das duas casas – cerca de 15 mil. Mas ninguém recebe acima do teto. Quem passa do limite, sofre um corte no salário. Alguns perdem muito. Os aposentados pagam ainda a contribuição previdenciária.

No Senado, o analista aposentado Adriano Faria tem aposentadoria de R$ 26,8 mil, mais R$ 13,2 mil de vantagens pessoais e R$ 5,2 mil de função comissionada (FC). O abate teto cortou R$ 11,6 mil da sua remuneração. O consultor Alexandre Dupeyrat se aposentou com vencimento de R$ 32,1 mil, R$ 12,7 mil de vantagens e R$ 6,7 mil de FC incorporado. Tem um abate teto de R$ 17,8 mil.

Diretor-geral do Senado por 14 anos, Agaciel Maia aposentou-se com vencimento de R$ 26,8 mil, mais R$ 15,4 mil de vantagens e R$ 6,7 mil de FC. O abate teto chegou a R$ 15,2 mil. Mas ele tem como reforço o salário de deputado distrital, mandato que exerce atualmente: R$ 25,3 mil bruto ou R$ 16,5 mil líquido. Agaciel afirma que essa remuneração não entra no abate teto porque não é salário, é subsídio.

O Senado tem outra ilustre aposentada, a ex-senadora e ex-governador Roseana Sarney (PMDB-MA). Ela somou 23 anos de licença da Casa para exercer mandatos eletivos. Aposentou-se com R$ 26,8 mil de vencimentos, R$ 10,3 mil de vantagens e R$ 5,2 mil de função incorporada. Recebe líquido R$ 23 mil, mas tem ainda a aposentadoria pelo governo do Maranhão, de R$ 24 mil.

Diretor-geral da Câmara por 18 anos, Adelmar Sabino teria uma aposentadoria de R$ 55 mil se não fosse o abate teto. Tem direito a vencimento de R$ 32,7 mil, R$ 12 mil de vantagens e R$ 10,4 mil de FC incorporado. O corte ficou em R$ 21,4 mil.

Fórmulas

As duas formas mais utilizadas pelos servidores do Congresso para se aposentar valem para todo o serviço público e são mais generosas do que as previstas para os segurados do INSS. Para quem ingressou no serviço público até dezembro de 1998, são necessários 60 anos de idade (55 para mulheres) e 35 de contribuição (30 para mulheres), sendo 25 anos de serviço público, 15 anos na carreira e cinco no cargo.

Se o ingresso foi até dezembro de 2003, a idade e o tempo de contribuição são mantidos, mas o tempo no serviço público cai para 20 anos e na carreira para 10 anos, mantidos os cinco anos no cargo. Nesses dois casos, os vencimentos da aposentadoria são integrais, com reajustes iguais aos do servidor na ativa. Alguém que contribuiu para o INSS por 15 anos e trabalhou em uma prefeitura, por exemplo, por mais dez anos, após ingressar na Câmara ou no Senado terá que ficar mais 10 ou 15 anos na carreira e já terá direito a aposentadoria integral. No INSS, o valor da aposentadoria é pela média de 80% das contribuições, considerando as maiores.

Auxiliares

Analistas, consultores e técnicos legislativos são cargos ocupados por servidores de carreira da Câmara e do Senado. Mas existem outros funcionários nas duas casas. Os assessores de gabinetes de deputados e senadores, de lideranças e de cargos da mesa, sem vínculo, somam 15 mil servidores. Só nos gabinetes dos deputados trabalham 9.992 secretários parlamentares. Todos eles se aposentam pelas regras do RGPS.

Há ainda 5.687 servidores terceirizados, que desempenham as funções antes executadas pelos auxiliares legislativos – cargos de carreira extintos. Eles contribuem para o INSS por intermédio das empresas prestadoras de serviço.

Entre eles estão 12 lavadores e veículos, 27 carregadores de bens patrimoniais, 47 garçons, 58 recepcionistas, 59 eletricistas, 70 marceneiros, 77 ascensoristas, 87 jardineiros, 139 motoristas, 242 vigilantes, 371 contínuos, 512 copeiros e 1.051 serventes de limpeza.
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Biblioteca do Século XXI: desafios e perspectivas

Biblioteca do Século XXI: desafios e perspectivas | Inovação Educacional | Scoop.it

Biblioteca do Século XXI: desafios e perspectiva. Uma publicação do IPEA.

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Em 2017, Prova Brasil do ensino médio será aplicada em todas as escolas do país

Inep anunciou a expansão da Prova Brasil do ensino médio, que passará a ser censitária, e estima que 2,4 milhões de alunos da rede pública e privada façam a prova em 2017.
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Importações globais de produtos tecnológicos tiveram queda de 3,6% em 2015, diz agência da ONU

Importações globais de produtos tecnológicos tiveram queda de 3,6% em 2015, diz agência da ONU | Inovação Educacional | Scoop.it
Pela primeira vez desde 2009, o valor das importações globais de produtos tecnológicos registrou uma redução — de 3,6%, em 2015. Segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), a queda na demanda por PCs, laptops, tablets, HDs, componentes e acessórios foi responsável por 65% da contração. Reduções do consumo na Europa e no Japão responderam por mais da metade do decréscimo.
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Simpático e eficiente, robô-delivery já faz entregas de comidas na Estônia

Parece até filme de ficção científica, mas já é realidade na Estônia. Um robô de meio metro de altura faz entregas de comida em Tallin, capital do país.
Apesar da neve que cobre as ruas, ele anda com desenvoltura, sempre respeitando a sinalização e a uma velocidade de 6 km/h.
Guiado por GPS, ele possui câmeras acopladas e sensores que evitam que ele se choque com os pedestres.
O cliente faz o pedido por meio de um aplicativo e pode acompanhar o envio em tempo real.

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STF afasta critérios para concessão de imunidade a entidades filantrópicas

STF afasta critérios para concessão de imunidade a entidades filantrópicas | Inovação Educacional | Scoop.it

Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em repercussão geral pode facilitar a concessão de imunidade tributária a entidades filantrópicas. Por maioria de votos, os ministros decidiram que o tema não pode ser disciplinado por lei ordinária, apenas por lei complementar - que exige maior quórum para aprovação. A decisão significa uma perda anual de R$ 12 bilhões na arrecadação, segundo cálculos da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
A questão foi analisada por meio de recurso da Sociedade Beneficente de Parobé contra uma decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região - Sul do país. O acórdão regional admitiu a regulamentação, por lei ordinária, de exigências para a concessão da imunidade tributária referente a contribuições sociais - como PIS, Cofins e cota patronal do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O caso envolvia dispositivos da Lei nº 8.212, de 1991. Os itens foram incluídos em 2001 e condicionam a imunidade tributária à emissão de um certificado ou que, no mínimo, 60% das atividades da entidade sejam voltadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), por exemplo. Os dispositivos foram revogados em 2009. Atualmente há outra lei complementar semelhante em vigor, a de nº 12.101.
A maioria dos integrantes do Supremo acompanhou o voto do relator, ministro Marco Aurélio. Para o magistrado, os requisitos para a imunidade devem estar previstos em lei complementar. De acordo com a Constituição Federal, é a lei complementar que deve regular as limitações constitucionais ao poder de tributar.
Ainda segundo o relator, na ausência de lei complementar, o tema deve seguir o Código Tributário Nacional (CTN), de 1966. O texto traz menos requisitos para a concessão de imunidade tributária. A norma estabelece como condições para a imunidade tributária e previdenciária a inexistência de distribuição de patrimônio e rendas e ainda haver a reaplicação dos resultados em suas atividades.
Além da repercussão geral, ainda existem quatro ações diretas de inconstitucionalidade (Adins) sobre o mesmo assunto na Corte. Os processos também estavam na pauta da sessão de ontem, mas o julgamento deles não foi concluído por uma dúvida no registro do voto-vista do então ministro Teori Zavascki, proferido em 2014.
Por isso, os ministros não estabeleceram a tese da repercussão geral, que vai orientar as demais instâncias em julgamentos sobre o assunto. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional solicitou ao final do julgamento que o resultado fosse modulado, conforme havia sugerido Zavascki.
Por meio da modulação, os ministros do Supremo estabeleceriam a partir de quando a inconstitucionalidade seria considerada, o que faria diferença para as entidades que tiveram a imunidade negada no passado e foram autuadas por essa razão.
A PGFN calcula que o impacto poderá chegar a R$ 65 bilhões se a União tiver que devolver os valores cobrados nos últimos cinco anos das entidades que não conseguiram obter a imunidade em razão dos critérios estabelecidos por lei ordinária.
O julgamento da repercussão geral e das ações diretas de inconstitucionalidade foi iniciado em 2014. Na ocasião, Marco Aurélio e o ministro Joaquim Barbosa (aposentado), relator das Adins, entenderam que, por restringirem a imunidade prevista na Constituição, as alterações só poderiam ser feitas por lei complementar - não por lei ordinária. A ministra Rosa Weber acompanhou os relatores.
Em voto-vista, em sessão realizada em 2016, o ministro Teori Zavascki divergiu. O voto havia sido acompanhado por Dias Toffoli, Luiz Fux, Rosa Weber e Ricardo Lewandowski que, na sessão de ontem, alterou seu entendimento e seguiu Marco Aurélio.
A Lei nº 12.101, de 2009, é alvo de outra ação que tramita no STF, mas a decisão na repercussão geral poderá ser replicada ao caso, segundo a coordenadora da atuação da PGFN no Supremo, Alexandra Carneiro. A procuradoria vai insistir no pedido de modulação, segundo ela. "O Código Tributário Nacional tem requisitos mais simplificados [para a concessão da imunidade]", afirmou. Assim, acrescentou a procuradora, entidades que, pelas leis atuais, não conseguem enquadramento como filantrópicas, poderão obtê-lo.

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Filosofia da suruba serve aos poderosos - Corrupção

Filosofia da suruba serve aos poderosos - Corrupção | Inovação Educacional | Scoop.it

O senador Romero Jucá é um dos mais bem-sucedidos expoentes do modelo tradicional de se fazer política no Brasil. A principal característica desse grupo é a capacidade de se adaptar, mantendo-se no poder quem quer que seja o governante. É onde Jucá sempre esteve desde a redemocratização, sendo líder do governo de todos os últimos governos. Quando percebe que a barca vai virar, muda de lado rapidamente, como bem demonstrou sua famosa conversa com Sérgio Machado, na qual defendeu o impeachment da presidente Dilma como forma de evitar o aprofundamento da Operação Lava-Jato. A luta contra a investigação, no entanto, não acabou, e Jucá formulou uma nova estratégia de defesa: a "filosofia da suruba".
Para quem perdeu o teor dessa proposição filosófica, retomo a definição original dada pelo senador Jucá. Questionado em relação à possibilidade de o Supremo Tribunal Federal restringir o chamado foro privilegiado apenas aos eventuais crimes cometidos ao longo do mandato, o atual (e eterno) líder do governo falou algo que com certeza já está na lista das pérolas da sabedoria política brasileira: "Se acabar o foro, é para todo mundo. Suruba é suruba. Aí todo mundo na suruba, não uma suruba selecionada".
Antes que o leitor faça uma leitura apressada e óbvia, ressalto que não se trata de uma filosofia simples de se entender. Aparentemente, Jucá estava defendendo a igualdade entre todos, mas a sutileza filosófica está em esconder o principal: é preciso evitar a mudança nas regras que regem o foro privilegiado, particularmente protegendo os que precisam hoje desse instituto jurídico. Tal como na conversa com Sérgio Machado, o objetivo é salvar a si próprio e a seu grupo. Qualquer outra forma de regulação que atrapalhe isso tem que levar "todo mundo junto". Trata-se de um argumento diversionista, que ameaça a todos para manter os privilégios dos de sempre.
A "filosofia da suruba" está na mesma linhagem do famoso ditado: "aos amigos, tudo, aos inimigos, a lei". Essa autoproteção das elites tem sobrevivido, mesmo que com menos força, ao processo de democratização do país. Sim, a Justiça começou a chegar aonde antes nem passava por perto, como políticos e empresários. Mas as formas como os políticos governistas têm tentado minar, nas duas últimas semanas, a Lava-Jato são evidentes. O foro privilegiado ao ministro Moreira Franco e a escolha de um ministro do Supremo Tribunal Federal que veio do seio do governo são os dois principais atos dessa estratégia de defesa. É preciso salvar o grupo - especialmente a entourage pemedebista -, e se não for possível, que caía a República como um todo, ameaçam os ilibados senadores! Eis aí a moral da proposição defendida por Jucá.
Só foi possível enunciar a suruba como forma de salvação nacional porque a elite política tradicional não está acostumada a lidar com a ideia correta de igualdade. A trajetória histórica do Brasil foi marcada por uma sociedade dividida entre senhores e escravos, cavalcantis e cavalgados, marajás e barnabés, coronéis e currais eleitorais, padrinhos e apadrinhados, em suma, nossa elite, nos dizeres de Joaquim Nabuco, sempre almejou a desigualdade. A recente democratização do país, com maior participação popular e aumento do controle institucional do poder, está balançando as estruturas do modelo tradicional.
Mas estamos numa transição de costumes políticos, com dificuldades inclusive de definir o poder de cada qual, a forma justa de exercer os instrumentos democráticos. Os grupos sociais que ficaram indignados com bobagens e malfeitos praticados pelo governo Dilma ficaram praticamente calados com a "filosofia da suruba" que imperou no último mês. A Justiça não tem, por ora, tratado igualmente os atores políticos. Considerar que a posse de Moreira Franco é diferente da nomeação de Lula é, no mínimo, um atentado à lógica, tanto a formal como a republicana. Os promotores também, por vezes, expressam um viés nitidamente partidário e noutros momentos expressam uma forma jacobina que, ao final, os transforma em salvadores da Pátria, outra maneira de ferir a igualdade entre os cidadãos.
A superação da "filosofia da suruba" e afins passa por definir mais claramente os papéis dos Poderes e direitos dos cidadãos. A discussão sobre o foro privilegiado é uma ótima oportunidade para definir as estruturas democráticas e republicanas que nos regem. Nas origens, seu propósito era defender a opinião dos eleitos, garantindo a pluralidade das posições políticas e evitando a censura de visões sobre o poder. Muitos outros países garantem esta proteção aos políticos em eventuais ações ilegais feitas durante o mandato, evitando que o Poder público ou uma Justiça estruturada partidariamente ou em torno dos poderosos - algo que não é incomum no plano subnacional brasileiro - persiga representantes populares. O que salta à vista no nosso modelo jurídico é a extensão do foro privilegiado - o número de beneficiários - e sua validade para além do mandato do beneficiado.
Na verdade, o modelo do foro privilegiado adotado por nós representa bem a visão anti-igualitária que dá base à "filosofia da suruba". O número de beneficiários não é amplo apenas para ajudar os "amigos do rei", mas também para dar um poder mais monocrático e incontrastável ao governante, que assim tem maior capacidade de garantir a proteção de sua corte. Desse modo, esse modelo de foro privilegiado é capaz de estruturar um grupo político em torno de uma lealdade lastreada na inimputabilidade penal dos poderosos. E como diria o filósofo, quer dizer, o senador Jucá, se for para mudar isso, que todos os outros sejam prejudicados, para não sobrar ninguém no caos que daí surgirá. É a enunciação de uma igualdade republicana a partir de seu contrário.
A proteção republicana e democrática do foro especial deve estar vinculada ao mandato popular. Em outras palavras, protege-se o povo e sua manifestação por meio do voto. Tudo aquilo que vier antes ou depois do mandato não diz respeito à defesa da vontade do eleitor. Caso não se faça essa diferença, de fato o acesso aos cargos públicos torna-se um meio de se livrar de malfeitos e crimes os mais variados praticados pelos políticos. A Lei da Ficha Limpa corrigiu parte desse problema, mas não em sua totalidade.
Do mesmo modo que é necessário discutir as proteções indevidas à classe política, o mesmo deve ser feito em relação a outros ocupantes de cargos públicos, em particular aqueles que exercem funções no sistema de Justiça. Não é possível que juízes condenados por corrupção ou por qualquer outro crime tão grave continuem recebendo suas aposentadorias, vivendo confortavelmente nesse retiro luxuoso. Isso é um tapa na cara de todos os cidadãos brasileiros, um verdadeiro escárnio em relação à ideia de igualdade de direitos. Este tipo de regalia de certas corporações estatais é o que levava Joaquim Nabuco - novamente citando esse profundo conhecedor de nossa alma - a dizer que o serviço público era a vocação de todos os brasileiros, todos querendo seu naco de privilégios.
Nenhuma pessoa ou grupo social deve ter direitos superiores aos demais que não se justifiquem como uma proteção à própria sociedade. Exemplo: a maioria dos países democráticos garante um grau de estabilidade ao funcionalismo público como uma forma de proteger a população da patronagem política e do patrimonialismo. Claro que isso não pode ser absoluto, pois o que se pretende com esse instituto é a defesa dos direitos da população de receber serviços públicos contínuos e de qualidade. No Brasil, historicamente criamos "direitos adquiridos" e "isonomias" como instrumentos da manutenção de privilégios de determinadas camadas, sem que isso produza melhorias à vida coletiva. Para lembrar de outro exemplar desse republicanismo ao contrário, a aposentadoria de parlamentares era escandalosa, não só para as finanças públicas, como ainda porque criava cidadãos "mais iguais do que os demais".
Daí que a "filosofia da suruba" não se alimenta somente do velho poderio dos "estadistas de Província" (mais uma definição de Nabuco) em suas bases eleitorais. As próprias regras estatais protegem parcela dos detentores de cargos públicos, eletivos ou não, transformando-os, na célebre definição de Raymundo Faoro, em "estamento burocrático": um grupo que só responde a si próprio e não à sociedade e ao público. Mudar o estatuto do foro especial, bem como fazer com que outros atores estatais respondam por seus atos - como os promotores públicos, um controlador que não é controlado por nenhum outro -, é um passo decisivo para instaurar princípios democráticos de igualdade de direitos e de responsabilização do Poder Público, em seus vários ramos governamentais.
O desafio de mudar nossa sociedade, marcada pela cultura do privilégio, para um rumo mais republicano vai exigir a alteração não só nas regras institucionais. Será preciso transformar as práticas e retirar os grupos e pessoas que se alimentam desse modelo. Infelizmente, cresce a reação no sistema político contra tal modificação. O jogo não terminou, mas as avenidas estão vazias agora e as panelas, silenciosas.

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Lavoterapia - Corrupção

Os membros da força tarefa da Lava-Jato sustentam que a corrupção no Brasil é endêmica e sistêmica. Para usar a antiga comparação da corrupção com o câncer, é como se o organismo Brasil estivesse tomado pela metástase.
A corrupção está no interior de muitas relações institucionais que regem as nossas vidas, condicionando a ação de agentes públicos e privados. Assim, ela muitas vezes influencia o modo como se governa e como se presta o serviço público, o modo como diversas empresas produzem e comercializam e os custos que repassam para a sociedade; em alguns casos, o modo como são julgados os criminosos; em muitos casos, o modo como se elegem os representantes e governantes.
De tudo isso já se sabe, há muito tempo. Mas agora está exposto e documentado, em público ou nos processos judiciais. A afirmação da força tarefa não é ideológica, como apregoam seus suspeitíssimos detratores. É factual, cabalmente comprovada. Se vamos ou não encará-la como verdade é uma escolha que define nosso futuro.
Vencer a corrupção é condição para que a justiça social e a democracia prevaleçam no Brasil
Sempre tivemos pessoas de boa fé, nos governos, na academia, no empresariado, nas comunidades e movimentos sociais, trabalhando na busca de soluções para tirar o país de seus atrasos históricos: a degradação social, o déficit educacional, a barbárie da violência, a baixa produtividade e pouca competitividade da economia e sua renitente instabilidade; e o que sempre foi o atraso mais perigoso, porque gerador de outros atrasos, a institucionalidade frágil e a democracia mais formal que real.
Agora sabemos o que suspeitávamos: uma das principais causas desses males é esse "mecanismo" de sabotagem, essa gangrena em partes vitais do organismo político, como bem diagnosticou o cineasta José Padilha em artigo recente. Agora não podemos recuar. Começamos a "lavoterapia" e devemos seguir além, aplicando todas as medidas que ajudem a promover e cultivar a saúde política e institucional do país.
Devemos manter a atenção. Fala-se, abertamente, em "estancar a sangria". A sangria é a Lava-Jato, que está expelindo o sangue ruim da corrupção. E o que vemos é o trabalho incessante dos operadores do "mecanismo" criando todo tipo de garrote: a desfiguração das 10 medidas de combate à corrupção e à impunidade; o desmonte da equipe de delegados da força tarefa na Polícia Federal; o projeto que extingue a possibilidade de punição a partidos políticos; o projeto de anistia ao caixa 2; o projeto sobre abuso de autoridade; e a ocupação de postos-chave na República por políticos investigados ou seus apoiadores.
A Lava-Jato não é apenas a maior operação de combate à corrupção da nossa história. Ela é uma espécie de resposta que a dinâmica social brasileira propiciou para preservar a vida institucional do país. Havíamos chegado a tal nível de degradação política, causadora de tanto sofrimento social, que algo precisava ser feito.
Ocorre-me, nesses dias, a imagem que Caetano Veloso projetou na canção O Ciúme: "tantas almas esticadas no curtume". Sempre a arte nos fazendo entender a profundidade e a importância de tudo, muito além das conjunturas. A função da Lava-Jato não é apenas punir a corrupção, mas ajudar a criar novas condutas nas diferentes dinâmicas da vida pública e da iniciativa privada e, por fim, uma cultura política republicana. A saúde, assim como a doença, não está apenas no corpo.
Em artigo publicado em março de 2016, ousei sonhar: "E se a revelação das relações promíscuas entre algumas empresas e a política nos levasse a estabelecer outro padrão nas contratações do setor público e no comportamento das empresas, com estruturas de governança mais transparentes e procedimentos de controle mais efetivos?".
Continuo esperançosa e insisto na necessidade de aperfeiçoar a legislação eleitoral e os ritos da Justiça Eleitoral para evitarmos eleições fraudadas. Condições mais equânimes de disputa pelo voto popular levariam algumas velhas raposas à aposentadoria e dariam lugar a uma nova geração de políticos com maior sentido de serviço, mais comprometidos, preparados e dispostos a ajudar a melhorar a política e a gestão pública.
Ainda sonho com a recuperação da boa governança ambiental, da legislação e da institucionalidade que estávamos construindo, com esperança de um Brasil sustentável. A maioria dos brasileiros não sabe a íntima ligação entre a corrupção e os crimes ambientais. Eles caminham juntos, fazem parte da mesma teia político-jurídica criada para proteger criminosos e garantir sua impunidade.
Estudo feito pela FGV revelou que de todas as ações movidas contra agentes públicos detentores de foro privilegiado, entre 2011 e março de 2016, menos de 1% resultou em condenação pelo STF. A maior parte (68%) das ações prescreveu ou foi repassada para instâncias inferiores.
E o que chama a atenção: grande parte dessas ações não se refere apenas a crimes de corrupção envolvendo obras e serviços públicos, mas a crimes cometidos contra o meio ambiente. Esses crimes responderam por 34% das 404 ações que tramitaram naquele período.
Isso indica que existe outra gigantesca área de investigação, pois esses detentores de foro privilegiado se aproveitam dele para protegerem da punição os crimes que fazem contra o patrimônio natural da nação.
Enfim, a resistência tem que se dar em todos os setores. Para vencer o câncer e a metástase não há tratamento localizado. É preciso combinar vários fatores: mobilização e vigilância constante da sociedade, liberdade de imprensa, efetividade do Judiciário, eleição de novos governos compromissados com a transparência na gestão pública e novos parlamentares inspirados nos princípios da Constituição de 88, nova cultura empresarial com responsabilidade ética, social e ambiental. São muitas coisas, mas todas começam agora, com a atitude de apoiar a Lava-Jato para que cumpra sua função.
Vencer a corrupção é condição para que a justiça social, a democracia e o desenvolvimento sustentável tenham força e prevaleçam no Brasil.

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Brasil perde empregos com carteira assinada; trabalho informal sobe

O mercado de trabalho perdeu 1,3 milhão de vagas com carteira assinada no trimestre encerrado em janeiro, uma queda de 3,7% ante o mesmo período em 2016, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, entre agosto e outubro, houve queda de 0,5%, um fechamento de 183 mil vagas com carteira assinada, de acordo com o IBGE.
O cenário é ruim também para aqueles que tentam uma alternativa no trabalho por conta própria, que caiu 3,9% e perdeu 902 mil vagas na comparação com o trimestre encerrado em janeiro de 2016. "É aquele que montou o negócio e não deu certo", afirmou o coordenador das pesquisa de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azeredo. Por outro lado, em janeiro, ante o trimestre imediatamente anterior, houve abertura de vagas nesse tipo de ocupação: crescimento de 2,1%, o que representa 450 mil vagas a mais. Nesse caso, houve reflexo das festas de fim de ano, avalia o pesquisador.
O trabalho doméstico também perdeu empregados, segundo a Pnad Contínua. Na comparação anual, a queda de 2,8% significou um fechamento de 177 mil postos de trabalho nesse tipo de ocupação. Houve recuo ainda no trabalho auxiliar familiar, que caiu 5,5%, são menos 127 mil vagas.
Ganhou trabalhadores o setor privado sem carteira, que cresceu 6,4% e incorporou 626 mil pessoas. Isso é reflexo de um mercado de trabalho mais informal, já que é caro assinar a carteira do funcionário. "Para cortar custo as empresas vão para a informalidade, para sobreviver", completou o pesquisador. O empregador, aquele que tem pelo menos um funcionário, teve alta de 8,6% e incremento de 333 mil pessoas.

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Gabaritos definitivos do Enade 2016 já estão disponíveis

Gabaritos definitivos do Enade 2016 já estão disponíveis | Inovação Educacional | Scoop.it

Os gabaritos definitivos do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) 2016 já estão disponíveis, assim como os padrões de resposta das questões discursivas.
Nessa edição, foram avaliadas as áreas de saúde, ciências agrárias e áreas afins. Participaram do exame estudantes de agronomia, biomedicina, educação física, enfermagem, farmácia, fisioterapia, fonoaudiologia, medicina, medicina veterinária, nutrição, odontologia, serviço social e zootecnia.
Também foram avaliados os concluintes de cursos tecnólogos nas áreas de agronegócio, estética e cosmética, gestão ambiental, gestão hospitalar e radiologia.

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Educadores usam histórias e yoga para melhorar concentração das crianças

Educadores usam histórias e yoga para melhorar concentração das crianças | Inovação Educacional | Scoop.it

A ideia surgiu há mais de 22 anos, quando eles trabalhavam em um projeto da Fundação Casa, na época conhecida como Febem. A proposta era desenvolver atividades para crianças e adolescentes em situação de abandono social, violência e maus tratos. “Nós começamos a brincar de contar histórias e dar algumas posições do yoga para as crianças. Depois fizemos adaptações e passamos a incluir novos elementos”, recorda João, que já trazia experiências do teatro e também tinha praticado yoga.
De acordo com ele, a opção de associar narrativas lúdicas aos movimentos do yoga foi para justamente aproximar os pequenos desse universo. “Na minha opinião, uma aula tradicional não funcionaria com essa faixa etária. Com as histórias, conseguimos falar a língua do inconsciente das crianças e trabalhamos com questões simbólicas que envolvem os seus medos e emoções”, explica. Na visão do professor, os personagens presentes nas atividades ajudam meninos e meninas a projetarem seus sentimentos e se fortalecerem emocionalmente.

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Projeto escolar mostra para as crianças que Carnaval não é só samba

Projeto escolar mostra para as crianças que Carnaval não é só samba | Inovação Educacional | Scoop.it

Comecei a atividade com uma roda de conversa na biblioteca. Perguntei para os alunos o que eles sabiam sobre o Carnaval e observei que a referência que eles tinham na mente era apenas a da escola de samba. Foi aí que eu trouxe a reflexão de que, apesar do Brasil ser reconhecido no exterior pelo samba, também temos outros ritmos diferentes no país. Um deles é o frevo, que é considerado um patrimônio imaterial da humanidade.
Para trabalhar essa questão, eu e a bibliotecária incentivamos os alunos a fazerem suas pesquisas. Também contamos com o apoio do livro “Brasil Animado”, da autora Mariana Caltabiano, que apresenta uma viagem cultural pelo Brasil. Já tínhamos adotado esse livro anteriormente, mas decidimos retomar a parte que fala sobre o Carnaval.

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Aulas preparam crianças e adolescentes para lidar com as emoções

Aulas preparam crianças e adolescentes para lidar com as emoções | Inovação Educacional | Scoop.it

Lançado em outubro de 2016, o Programa Semente começou a ser utilizado neste ano em cerca de 30 escolas brasileiras. Sua metodologia foi desenvolvida com base em referências internacionais do Casel (Collaborative for Academic, Social, and Emotional Learning), que há mais de vinte anos estuda o desenvolvimento dessas habilidades na educação básica.
Junto com o executivo André Saretta e uma equipe de cerca de vinte especialistas da área de educação, medicina e psicologia, os amigos produziram um material didático que possibilita aos educadores trabalhar em sala de aula o desenvolvimento de habilidades diversas. “O ensino tradicional cognitivo, que reconhecemos como importante, tem as suas limitações. Nós percebemos que também era necessário fazer uma espécie de alfabetização socioemocional”, conta Calbucci, que já deu aulas de português e produziu materiais didáticos.

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Nova safra de escolas (caríssimas) forma cidadão do século 21

Nova safra de escolas (caríssimas) forma cidadão do século 21 | Inovação Educacional | Scoop.it

A escola em questão é a Concept, do grupo SEB, que tem unidades em Salvador e Ribeirão Preto, no interior de São Paulo — mas é possível encontrar escolas com jeitão muito parecido em São Paulo e no Rio de Janeiro. Elas seguem as técnicas de ensino adotadas em algumas das escolas tidas como as mais modernas do mundo, muitas delas localizadas na Finlândia e nos Estados Unidos. Como dá para ver pelo exemplo acima, a rotina dos alunos é bem diferente do dia a dia das instituições tradicionais — e empresários do setor de educação no Brasil estão tentando montar um modelo de negócios em torno disso. 
Diferentemente do que aconteceu no mercado brasileiro de ensino superior na última década, quando a meta das principais empresas era crescer e sair comprando concorrentes (com uma bela ajuda do financiamento estudantil público), a grande onda do momento nos grupos de educação básica é convencer os pais de que estão colocando seus filhos na escola do futuro. O jogo, portanto, não é de escala, mas de qualidade, preço alto e rentabilidade idem.
Nesse modelo, ganha-se dinheiro cobrando caro — as mensalidades variam de 4 000 a 6 500 reais —, e não por meio das sinergias geradas pela escala. “Na educação básica, os alunos podem ficar até 17 anos na escola e há menos desistências do que nas faculdades, porque os pais fazem questão de manter os filhos estudando em boas instituições”, diz Chaim Zaher, fundador do grupo SEB. Ele vendeu sua participação acionária na rede de ensino superior Estácio para a concorrente Kroton no ano passado (o negócio ainda aguarda a análise do Cade) e vai investir ao todo 270 milhões de reais na Concept, hoje sua grande aposta — já foram investidos 170 milhões.
O plano é abrir, em 2018, unidades em São Paulo (onde já comprou e está reformando o imóvel onde ficará a escola), no Rio de Janeiro e até em Palo Alto, no Vale do Silício. “Queremos que nossos alunos tenham essa experiência internacional, que deve se tornar cada vez mais importante para definir a vida profissional”, diz Thamila Zaher, diretora executiva do SEB e uma das filhas de Chaim. Uma de suas concorrentes — que segue um modelo de ensino bastante parecido — é a Eleva, que fica no Rio de Janeiro e pertence ao grupo Eleva Educação, cujo sócio majoritário é o fundo Gera Venture Capital, controlado pelo empresário Jorge Paulo Lemann. A escola foi aberta em 2017, tem 360 alunos e a meta é dobrar de tamanho até o próximo ano.
O surgimento de mais opções para filhos de pais dispostos a apostar em modelos educacionais novos está acirrando a competição nesse nicho. Novas escolas estão sendo inauguradas e quem já estava nesse mercado decidiu investir para crescer. É o caso da Lumiar, do empresário Ricardo Semler. Fundada em 2002, a escola foi eleita uma das mais inovadoras do mundo pela Unesco em 2007 e passou mais de uma década com três unidades, uma na cidade de São Paulo e duas em Santo Antônio do Pinhal, no interior paulista.
Em 2016, Daniel Castanho, presidente da rede de ensino Anima, tornou-se sócio da Lumiar, e ele e Semler colocaram em andamento um plano de expansão. Em um ano, foram inauguradas duas novas unidades (em Porto Alegre e mais uma em Santo Antônio do Pinhal). “Estamos avaliando se é melhor continuar abrindo escolas ou criar um sistema de ensino e vender para as instituições que querem seguir nosso modelo”, diz Castanho.
Outra pioneira é a Beacon, de São Paulo. Começou em 2010 com 16 alunos no bairro Alto de Pinheiros, hoje tem quatro unidades com  620 alunos e está fazendo um investimento de 30 milhões de reais — cerca de 60% são financiados pelo BNDES — para construir um campus com capacidade para 1 200 alunos. Hoje, a Beacon só atende crianças até 12 anos. O plano é abrir uma nova série por ano para atender até o ensino médio. “Existe uma grande demanda dos pais por um ensino diferente e de alto nível. Mas a contratação de professores qualificados que falem dois ou três idiomas é um de nossos maiores de-safios”, diz Maria Eduarda Sawaya, uma das sócias da Beacon.

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O que você precisa saber para ser um professor do futuro

O que você precisa saber para ser um professor do futuro | Inovação Educacional | Scoop.it

Autor de livros sobre competências empresariais e métodos de ensino para nativos digitais, ele afirma que esses três pilares irão reger a profissão nos próximos anos. “Não precisamos mais da escola ou do professor para ter acesso à informação, mas temos uma overdose no mundo digital. Um dos papéis do profissional do futuro será curar esse conteúdo para ajudar o aluno a escolher e a organizar o seu aprendizado”, destaca.
Para entender como seria organizada a escola do futuro e quais habilidades seriam requeridas dos seus professores, Veras participou de estudos que ouviram alunos, educadores e pais de instituições parceiras do grupo Unità Educacional. A partir dessa experiência, ele cita que existem três grupos principais de competências que devem acompanhar os profissionais da educação: as técnicas, as comportamentais e as de gestão.
No campo das competências técnicas, o especialista em gestão de carreiras chama atenção para o domínio do conteúdo, a atualização tecnológica e a capacidade de comunicação do professor. Já nas comportamentais, ele reforça a necessidade de manter um bom relacionamento com a turma, demonstrar empatia e ter desprendimento para colocar o aluno em um papel de protagonista. “Quando você junta tudo isso, surgem as competências de gestão. O professor líder sabe tocar uma turma, fazer diagnóstico cognitivo e promover o aprendizado de maneira compartilhada”, completa.
Ao apontar o caminho para desenvolver essas capacidades, Veras diz que tudo começa quando o educador tem a convicção de que precisa mudar, entende qual é o seu ponto de partida e encontra as rotas adequadas para seguir. “Uns vão aprender por bem, outros por mal. Mas essa água está subindo e vai chegar no pescoço de muita gente”, alerta.
No caso das competências técnicas, ele diz que não existe segredo: o professor precisa estudar e se manter atualizado. Porém, as habilidades comportamentais e de gestão exigem um pouco mais de treino. “Não tem um livro ou uma palestra que resolva. Eu costumo dizer que é como aprender a andar de bicicleta. Quanto mais você treinar, melhor vai ficar”, compara.
Ele também diz que as capacidades requeridas de um professor do futuro são parecidas com as habilidades necessárias para gestores de grandes corporações. “Na essência, liderar uma sala de aula ou uma equipe em uma empresa é muito parecido. Eu quero a adesão de todos a um projeto e preciso de comprometimento, respeito, colaboração e cooperação”, conclui.

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Universidades globais, combatendo o risco do isolacionismo

Universidades globais, combatendo o risco do isolacionismo | Inovação Educacional | Scoop.it

A universidade deve voltar-se para a promoção de ideias que iluminem a experiência humana e tragam um desenvolvimento mais inclusivo para os países. Para tanto, atrair talentos e ampliar o acesso conta muito.
Garantir, de um lado, que a universidade não ignore as necessidades de seu país e não se limite aos conhecimentos ou reflexões aí presentes. Por outro, ampliar o acesso a seus cursos, assegurando diversidade entre seus alunos.
Nenhum conhecimento é totalmente autóctone; a humanidade sempre teve interações que proporcionaram o avanço das ciências, mesmo que, em muitos casos, isso tenha se associado a formas de dominação. O isolacionismo ou a busca de uma pesquisa "genuinamente nacional" certamente não são respostas a esse risco.
A construção de uma universidade global que contribua com um projeto de nação passa basicamente por três fatores. O primeiro diz respeito à relevância dos currículos para garantir, para além do avanço de diferentes campos de pesquisa, empregabilidade e empreendedorismo para seus egressos.
Outro fator é um sólido controle da qualidade de sua produção e contribuição para a sociedade. O cuidado, nesse caso, é evitar que, em governos não democráticos, o controle de qualidade inclua censura ao labor científico. Há que se garantir liberdade de ensino e pesquisa, sob pena de se perder justamente o que a universidade traz de mais rico.
No entanto, em sociedades democráticas, não cabe à universidade perceber-se só como centro de resistência. As ditaduras levam instituições de ensino superior a se colocar em trincheiras, mas manter-se eternamente entrincheirado mata a possibilidade de dotá-las de um papel mais propositivo.
Finalmente, a universidade deve ser permeável tanto aos interesses da sociedade em que atua quanto aos desafios que o tempo traz para o planeta. Para tanto, ela deve contar com um sistema de governança que não seja autorreferenciado. A universidade não será global vivendo numa torre de marfim!

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Brasil precisa ampliar produção de C&T se quiser dobrar renda per capta em menos de 70 anos

Brasil precisa ampliar produção de C&T se quiser dobrar renda per capta em menos de 70 anos | Inovação Educacional | Scoop.it

Em workshop que reuniu reitores e dirigentes de instituições científicas e agências de fomento em São Paulo nesta quarta-feira (22), para debater os desafios das universidades no País, especialistas destacaram desenvolvimento de pesquisas sob demanda como uma das alternativas para conseguir mais investimentos em P&D

Reitores e dirigentes de instituições científicas e agências de fomento estiveram reunidos nesta quarta-feira, 22 de fevereiro, na Universidade de São Paulo (USP) para um workshop sobre os desafios das universidades brasileiras. Pesquisas sob demanda, sustentabilidade, internacionalização e ampliação dos critérios de avaliação, que incluam empresa e inovação, foram os principais eixos considerados para alavancar a qualidade das universidades no País.

“Temos um problema educacional enorme que afeta tanto a formação profissional quanto a formação universitária”, afirmou João De Negri, diretor do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo ele, a percepção do Ipea é que o Brasil precisa ter um locus de maior escala e maior impacto da produção de ciência e tecnologia.

O aumento na escala e impacto da C&T nacional é, de acordo com João De Negri, é o fator chave do projeto “Desafios da Nação”, lançado pelo Ipea em setembro do ano passado. O projeto parte de três pontos direcionadores: dobrar a renda per capta, reduzir desigualdades e dominar tecnologias críticas.

“Quando sugerimos ao governo diretrizes para pensar no futuro, uma das diretrizes que imaginamos foi que o Brasil deveria dobrar mais rapidamente a renda per capta. Um dos fatores críticos para isso seria aumentar os investimentos em ciência e tecnologia e P&D para algo em torno de 2% do PIB. Isso seria importante se quiséssemos acelerar esse tempo que precisamos para dobrar a renda per capta”, explica.

A estimativa hoje é que isso aconteça em torno de 70 anos. Mas, de acordo com o presidente do Ipea, se a taxa de produtividade triplicar, é possível chegar a essa renda em menos tempo. “Não adianta investir mais com o mesmo padrão, pois não conseguiremos uma diferença”, afirma.

A sugestão do Instituto é impulsionar o desenvolvimento de pesquisas sob demanda, “mission oriented”, envolvendo, inclusive, outros ministérios.

Foco

A diretoria de Estudos e Políticas Setoriais de Inovação e Infraestrutura (Diset) do Ipea, Fernanda De Negri, responsável pelas propostas para C&T no projeto, observa que a ampliação de investimentos orientados a resultados, com demandas para soluções de problemas de diferentes ministérios dentro do governo, pode ampliar o investimento em P&D.

O Ministério da Saúde, conforme exemplifica ela, não possui um programa estruturado de longo prazo para demandar trabalhos da ciência. “Se você olha o gasto em C&T no Brasil, ele está muito concentrado no MCTI e no MEC, que são ministérios transversais. A nossa sugestão não é reduzir o orçamento deles, obviamente. Mas é ampliar o investimento em P&D nos orçamentos do Ministério da Agricultura, Energia, Defesa, Saúde, Cidades”, salienta.

Ela cita o exemplo dos Estados Unidos, onde 50% dos gastos em P&D estão no Ministério da Defesa e 23% está na Saúde. “Ter investimentos em pesquisa patrocinados por ministérios que estão ligados a solução de alguns problemas, pode fazer com que uma parte, pelo menos, do nosso investimento público em P&D seja um pouco mais voltada a missões. O que não significa dizer que a pesquisa básica não deve continuar sendo privilegiada”, pondera.

Para impulsionar essa tendência, Fernanda De Negri, diz que é necessário também aprimorar a legislação de compras públicas. “A gente precisa ter uma legislação clara, que permita ao governo adquirir um o produto que ainda precisa ser desenvolvido, como uma vacina, por exemplo. Mas toda legislação brasileira de compras exige um preço fixo. É preciso introduzir nessa legislação a possibilidade de remunerar o custo do desenvolvimento”, sugere.

Outra diretriz que o projeto coloca é diversificar o sistema de ciência e tecnologia no Brasil. “Boa parte do nosso sistema de C&T é formada por universidades públicas, que são ótimas, mas tem pouca diversidade, tanto em termos de instituições, quanto em termos de políticas. É preciso ousar mais: criar políticas novas, reforçar modelos como Organizações Sociais, criar modelos diferentes – a Embrapii é um modelo diferente que apareceu nesse sistema”, destaca.

Essa diretriz vai, segundo ela, no sentido de experimentar alternativas, favorecer, inclusive, o surgimento de instituições privadas, sem fins lucrativos, como o recém-criado Instituto dos Moreira Sales, no Rio de Janeiro. A mesma orientação serve para políticas. “Falta capital de risco, acordos de cooperação entre governo e instituições de pesquisa. É preciso criar novos instrumentos de fomento à C&T”, acrescenta.

Outra proposta é investir em grandes centros de pesquisa, nos grandes laboratórios. “O CNPEM é o nosso grande exemplo de laboratório nacional, a exemplo do que existe nos EUA. Precisaria investir mais nesse tipo de instituição com o Estado”.

Ela conta que o Ipea realizou um estudo e mapeou mais de 2 mil laboratórios em todas as unidades de pesquisa brasileiras. O que se observou é que, na maioria deles, trabalham três ou quatro pesquisadores, em média, o que acaba fragmentando o investimento em infraestrutura. “Falta escala. É preciso também ter grandes infraestruturas, com pessoas de diferentes formações trabalhando juntas. Onde se tenha ganho de escala e ganho de escopo na produção científica. É um investimento importante, que temos feito pouco no País”, ressalta.

José Goldemberg, presidente da Fapesp e presidente de honra da SBPC, concordou com a questão da falta de foco, apontada pelo estudo do Ipea, e  lembrou a história dos institutos no Estado de São Paulo, que foram criados com um objetivo – como o Butantan. “A ideia de um laboratório Nacional é a ideia que faz a ciência aplicada andar nos Estados Unidos. Ela é aplicada porque os ministérios sustentam esses laboratórios”, disse.

Internacionalização

Um dos fatores para melhorar a qualidade da produção científica, a internacionalização, também foi discutido. Segundo Carlos Henrique Brito Cruz, diretor científico da Fapesp, o aumento do número de publicações científicas com coautores internacionais tem crescido, mas isso não é suficiente para aumentar a qualidade e inserção internacional das pesquisas brasileiras.

O primeiro argumento é que, muitas vezes, o excesso de coautorias pode também indicar uma dependência muito grande de pesquisadores internacionais. O ideal, segundo Brito Cruz, é o Brasil perseguir projetos concebidos completamente em colaboração. “O Brasil deveria perseguir mais esse tipo de projeto, que propicia um ambiente mais original, mais inventivo”.

O cientista adverte que as universidades deveriam se empenhar mais em trazer cientistas internacionais para seus laboratórios, investir nesse tipo de colaboração. Ele conta, ainda, que poucas universidades registram seu sistema de internacionalização e, por isso, é difícil ter um número preciso dos estrangeiros nessas instituições. Mas, de acordo com ele, a USP e a Unicamp – que fazem esse registro – possuem cerca de 5% de pesquisadores estrangeiros na pós-graduação. “São percentuais muito baixos”, afirmou.

A Universidade Federal do ABC (UFABC) é um caso a parte: cerca de 12% dos estudantes, tanto da graduação quanto na pós-graduação, são estrangeiros. O reitor da Universidade, Klaus Capelle, se diz otimista com relação aos objetivos de internacionalização. “Porque o que precisamos para internacionalizar está dentro da nossa governabilidade”, disse.

Já com relação à sustentabilidade financeira, comentou ele, esse é um fator que não está dentro dos limites da governabilidade dos dirigentes das universidades. “Não podemos pensar a sustentabilidade financeira de forma separada da autonomia. A única esperança que vejo é uma evolução das universidades rumo a um modelo híbrido de financiamento, com mais recursos da iniciativa privada e mais recursos públicos nas iniciativas privadas, por meio de projetos. Acho que esse será um grande desafio”, concluiu.

Fontes adicionais

Carlos Alexandre Netto, ex-reitor da UFRGS, observou que a sustentabilidade financeira demanda planejamento de longo prazo. De acordo com ele, a crise econômica de 2015 impactou fortemente a segurança e estabilidade do orçamento das universidades, provocando uma redução abrupta de financiamento: “temos vivido nos últimos anos com níveis inadequados de financiamento”, disse.

As despesas de custeio são as mais afetadas, porque são o que ele chama de “despesas incontroláveis”: energia, segurança, limpeza, e mais especialmente, mão de obra e manutenção. “Essas são despesas importantes, porque a deficiência de qualquer uma delas para a universidade”, disse.

A PEC 55, segundo ele, aumenta ainda mais a incerteza desse cenário, ao congelar por vinte anos as despesas do governo federal aos limites da inflação. “É preciso buscar alternativas nesse cenário de crise”, alertou.

Assim como Capelle, Netto também aposta na busca de fontes de financiamento fora da iniciativa pública. “Temos que continuar defendendo a universidade pública, com sua missão pública e com o compromisso de manter essa universidade. Não significa mais hoje em dia que o financiamento deva vir todo do governo federal. Precisamos ter a liberdade de buscar financiamento em outras instâncias. Uma instituição que não tem sustentabilidade financeira, não vai conseguir ser um locus de pesquisa e de avanço da ciência”, argumentou Neto.

O reitor da USP, Marco Antonio Zago, foi categórico ao afirmar que não ocorrerá ampliação do financiamento às universidades por parte do Estado de São Paulo. “Não existe expectativa de expansão nesse formato de financiamento que estamos recebendo. As universidades, pelo menos as paulistas, terão que buscar fontes adicionais de financiamento”, disse.

Formação x informação

O excesso de aulas nas universidades, especialmente na pós-graduação foi apontado como um fator que também compromete a qualidade das pesquisas. Segundo o presidente da Embrapii, Jorge Guimarães, as universidades brasileiras têm uma carga horária muito extensa, que chega a 40 horas semanais, e isso precisa ser repensado. “Precisamos focar na formação e não na informação”, disse. “E para formar bem, é preciso ter bons professores, uma boa infraestrutura a pesquisa de qualidade. Esses são fatores, que inclusive, atraem pesquisadores de fora”, ressaltou.

O destino dos formados, a colocação de deles, o nível de pesquisa, são alguns dos fatores que precisam ser levados em conta nas avaliações. Conforme ressalta Guimarães, nos últimos 30 anos a produção científica aumentou no Brasil, bem como o número de publicações, o impacto, a colaboração internacional, a ponto de colocar universidades brasileiras em colocações razoáveis nos rankings mundiais. “Mas é preciso avançar os critérios de avaliação”, reforçou.

E, de acordo com ele, é fundamental que todo esse esforço em melhorar a qualidade da pesquisa chegue ao setor produtivo. Guimarães destacou que o grosso da indústria brasileira não possui centro de P&D. E isso volta ao cerne do projeto do Ipea – o desafio de ampliar a produtividade e, consequentemente, se chegar a uma renda per capta melhor. “É preciso que isso fique claro: se não cuidamos do componente empresa, as avaliações não adiantam. Precisamos de um projeto nacional de CT&I”, apontou o presidente da Embrapii.

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Em pesquisa, 61% dos jovens consideram relevante estudar na modalidade EAD

Em pesquisa, 61% dos jovens consideram relevante estudar na modalidade EAD | Inovação Educacional | Scoop.it

Fazer faculdade quando e onde quiser é a maior vantagem para ele
Neste primeiro semestre de 2017, Salvador e outras cidades da Bahia receberam novos cursos na modalidade do Ensino a Distância devido a uma grande busca de jovens que já estão inseridos no mercado de trabalho, mas desejam obter um curso superior. A novidade chama atenção para uma demanda de alunos carentes de tempo e também dinheiro para estudar. Prova disso, são os dados de uma recente pesquisa realizada pela Sagah – empresa especializada em tecnologias para o método. Veja:
• De 15 milhões de pessoas que estão fora da universidade no país, 67% só podem cursar educação superior no preço de EAD.
• A redução de vagas em programas como o FIES (Financiamento Estudantil do Governo Federal) faz a demanda por EAD crescer ainda mais.
• A pesquisa apresenta uma amostra da região de Ipojuca (PE), onde 36 mil jovens têm o ensino médio completo, mas 64% só teria como arcar com o curso superior de mensalidade até R$ 500.
• A existência de uma grande demanda se confirma quando se constata que no Brasil existem mais de 3.800 municípios com o mesmo perfil.
• Apesar dos preços de EAD serem mais acessíveis, esse não é o principal atrativo para o estudante escolher o curso. A pesquisa aponta que 61% consideram mais relevante o fato de poder estudar quando e onde quiser.
Ricardo Althoff, CEO da Seu Professor Empreendedor & Negócios, empresa de plataforma educacional, acredita que o EAD está cada dia mais implementado na educação brasileira. “Esqueçam a discussão sobre o uso ou não da tecnologia como ferramenta de aprendizado. A tecnologia não só faz parte do aprendizado, como é primordial no modo como a geração atual lida com o mundo”, afirmou em uma coluna do site O Progresso, do Mato Grosso do Sul.

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Taxa real de juro: evolução e perspectivas

Taxa real de juro: evolução e perspectivas | Inovação Educacional | Scoop.it

O Brasil tem a mais alta taxa básica de juro do mundo em termos reais. Essa jabuticaba econômica tem sido motivo de debate desde meados da década de 1990. O recente artigo de André Lara Resende (publicado no Valor) reacendeu o interesse sobre o tema 1, sobretudo porque estamos em um momento de intensa discussão monetária nos EUA e de redução da taxa Selic no Brasil.
A partir da chamada Teoria Fiscal do Nível de Preço (TFNP), Lara Resende argumentou que a causalidade entre taxa de juro e inflação poderia ser no sentido contrário ao normalmente atribuído pela teoria convencional. Ao invés de a taxa de inflação determinar a taxa nominal de juro para atingir uma taxa real de juro pré-definida, a taxa nominal de juro poderia determinar a inflação devido à sua influência sobre solvência do setor público.
O sentido intuitivo da TFNP para o caso brasileiro seria que, dada uma taxa real de juro muito superior ao crescimento da economia e um nível elevado de endividamento do governo, o aumento da taxa básica de juro levaria à expansão do déficit público além da demanda do setor privado por títulos do Tesouro. Essa diferença teria, então, que ser preenchida pela expansão da quantidade de moeda ou quase-moeda (operações compromissadas), o que geraria mais inflação e completaria a causalidade da taxa de juro para o nível de preços.
O raciocínio acima é a base da hipótese da "dominância fiscal", segundo a qual, em condições especiais de baixo crescimento e elevada dívida pública, a política monetária perderia sua eficácia sobre a inflação, pois aumentos da taxa básica de juro acabariam gerando mais - ao invés de menos - inflação.
A discussão dessa hipótese ganhou importância diante da recente recessão e aumento da dívida pública no Brasil, mas até o momento nada indica que nossa economia está ou esteve sob dominância fiscal. A evolução dos acontecimentos indica exatamente o oposto.
A combinação de depreciação cambial com realinhamento de preços administrados foi combatida com sucesso pela elevação da taxa básica de juro em 2015. Passados os efeitos adversos dos choques de preços e diante da queda no nível de atividade econômica e da apreciação do real, tudo indica que a inflação voltará para o centro da meta definida pelo governo mesmo no contexto de elevados déficits primários previstos para 2017 e para os próximos anos, isto é, mesmo em um contexto de baixa poupança.
A possibilidade de causalidade inversa entre taxa nominal de juro e taxa de inflação reflete mais o debate monetário nos EUA pós-crise de 2008 do que a realidade brasileira dos últimos anos. Nosso problema ainda é a necessidade de uma elevada taxa real de juro para controlar a inflação, não a necessidade de uma inflação elevada para reduzir a taxa real de juro. Para entender essa questão, vale a pena complementar o debate teórico proposto por Lara Resende com um resumo da evolução histórica de nossa taxa de juro.
A média de taxa real de juro efetiva dos últimos anos está em 5% ao ano (aa), que também é a projeção média do mercado para o futuro. Esse valor é aproximadamente 1/9 do verificado no início dos anos 1990 (45% aa), 1/4 do registrado durante o Plano Real (22% aa) e metade do que prevaleceu no início do regime de metas de inflação (11% aa). Qualquer discussão de política monetária não pode ignorar essa redução.
As figuras 1 e 2 apresentam a evolução das taxas reais de juro efetiva e esperada, respectivamente. A taxa efetiva é a taxa básica de juro verificada em 12 meses, corrigida pela inflação no mesmo período.2 Essa taxa é uma aproximação de quanto o governo pagou ao mercado em juros reais de curto prazo e, portanto, é a variável relevante para a distribuição de renda. A taxa esperada corresponde à taxa nominal de juro pré-determinada para os próximos 12 meses, descontada pela inflação esperada para o mesmo prazo.3 Essa taxa corresponde ao quanto um agente espera ganhar em termos reais no curto prazo e, portanto, é a variável relevante para decisões econômicas.
Em termos econômicos, a figura 1 (acima) aponta dois pontos importantes. Primeiro, a atual fase de taxa real de juro positiva e elevada começou no início dos anos 1990, após o fracasso do Plano Collor II, com a entrada de Marcílio Marques no Ministério da Fazenda e Francisco Gros no Banco Central. Antes disso, a taxa real de juro apresentou grandes flutuações sem tendência definida, alternando valores positivos e negativos. Segundo, apesar de a taxa real efetiva ainda ser elevada atualmente, ela caiu substancialmente desde os anos 1990, sendo estas reduções marcadas por mudanças estruturais de política econômica.
Focando no período mais recente, a taxa real efetiva atingiu aproximadamente 45% aa no fim de 1992, imediatamente após o fracasso do Plano Collor II, quando o governo teve que fixar a remuneração da dívida pública em um patamar suficientemente elevado para evitar a fuga de capitais e a aceleração da inflação. Essa estratégia ou restrição continua em vigor, mas a adoção do Plano Real e subsequente redução da inflação permitiram uma diminuição da incerteza macroeconômica no país, o que por sua vez permitiu a queda da taxa real efetiva para uma média de 22% aa já em 1993-98.
A crise cambial de 1997-99 gerou um aumento temporário da taxa real de juro, mas a adoção do câmbio flutuante, metas de inflação e regras fiscais possibilitou uma nova redução de tal indicador já a partir de 2000. Considerando o período de 2000-06 como um todo, a taxa real efetiva oscilou em torno de 12% aa, ou seja, dez pontos percentuais abaixo da média verificada durante o período de âncora cambial.
O próximo episódio de redução da taxa real efetiva ocorreu a partir de 2007, quando a acumulação de um elevado estoque de reservas internacionais diminuiu a vulnerabilidade da economia brasileira a choques e internacionais e, dessa forma, permitiu uma nova redução estrutural da remuneração real paga por ativos domésticos. Desde então a taxa real efetiva tem flutuado em torno de 5% aa, que não por acaso é um valor próximo das expectativas de mercado para 2018.4
A figura 2 (abaixo) apresenta evolução da taxa real de juro esperada desde meados de 2001, quando o Banco Central começou a fazer levantamentos sistemáticos das expectativas de mercado. Assim como na figura 1, a evolução da taxa real esperada pode ser descrita em termos da política econômica no período considerado.
Em primeiro lugar, houve um período de taxas elevadas e voláteis, em 2001-02, quando a taxa real esperada flutuou em torno de 17% aa - sim leitores, apesar de percepções "pós-verdadeiras" em contrário, a taxa real de juro esperada pelo mercado era muito mais alta no governo FHC do que no governo Lula ou mesmo no governo Dilma.
Em segundo lugar, o ajuste macroeconômico promovido pelo primeiro governo Lula possibilitou uma rápida redução da taxa real esperada, para uma média de 11% aa em 2003-06, que por sua vez é próximo ao valor observado para a média da taxa real efetiva verificada após a adoção câmbio flutuante, metas de inflação e regras fiscais, como mencionado anteriormente.
O terceiro episódio de redução da taxa real esperada aconteceu em 2007-10, devido à combinação da acumulação de reservas internacionais pelo Brasil com a redução das taxas de juro nos países avançados após a crise internacional de 2008. Esses dois fatores, juntamente com o sucesso do governo em combater os efeitos da crise internacional, possibilitaram a redução da taxa real esperada para uma média de 7% aa durante o segundo mandato do presidente Lula.
Por fim, a taxa real esperada caiu abruptamente a partir do segundo semestre de 2011, atingindo menos de 2% aa no fim de 2012. Esse período foi marcado por uma mudança de postura do Banco Central na condução da política monetária, com cortes mais agressivos da Selic devido à desaceleração do crescimento da economia e à piora no cenário internacional. O biênio 2012-13 também foi caracterizado pela redução da taxa natural de juro do Brasil, o que em princípio justificaria a atuação do Banco Central naquele momento. 5
Com o benefício da avaliação a posteriori, apesar de inicialmente correta, a redução da Selic iniciada em 2011 acabou sendo excessiva e muito longa. A taxa Selic nominal ficou abaixo de 7,5% aa por seis meses - de outubro de 2012 a abril de 2013 - e essa redução teve que ser compensada por um aumento maior e mais prolongado no período subsequente. O ciclo de aperto monetário iniciado em 2013 só terminou no fim de 2015, quando a taxa real esperada atingiu aproximadamente 9% aa. Considerando o período de 2011-16 como um todo, a média da taxa real esperada foi de 5% aa.
Hoje estamos em um período de grande elevação da taxa real de juro efetiva, mas de redução gradual da taxa real de juro esperada. De um lado, a rápida queda da inflação não foi acompanhada de uma diminuição proporcional da Selic e isso fez com que a taxa efetiva subisse de 2% para 7% aa entre janeiro e dezembro do ano passado. Do outro lado, a expectativa de redução da Selic fez com que a taxa esperada começasse a cair a partir setembro de 2015, passando de 9% naquele mês para 7% aa em dezembro de 2016.
Qual é a relação entre a taxa esperada e a taxa efetiva? Os dados indicam que, com exceção da volatilidade que marcou o fim do governo FHC, as expectativas de mercado têm sido um bom indicador da direção, mas não do valor, da taxa real de juro a ser verificada nos próximos doze meses. Mais formalmente, a correlação entre as duas taxas é de 95% para o período de 2003-16, mas em média a taxa esperada superestimou a taxa efetiva em 1,2 ponto percentual.
As expectativas mais recentes do mercado indicam que a taxa real de juro efetiva deve cair para 5% aa no fim de 2018. Com base em nossa experiência desde a década de 1990, reduções adicionais e permanentes abaixo de tal nível requerem mudanças estruturais na economia, sobretudo mudanças que diminuam a percepção de risco associada a ativos domésticos e aumentem a eficácia da política monetária.
As principais ações para reduzir a taxa real de juro são a estabilização do endividamento público, a redução relativa do volume de crédito direcionado e o aumento da produtividade da economia, que não por acaso figuram como prioridades da política de governo desde 2015. Existem várias formas e velocidades para se atingir tais objetivos, cada uma com diferentes custos sociais de transição que precisam ser debatidos em qualquer sociedade democrática. Nesse sentido, apesar de minimizar os avanços ocorridos nos últimos vinte anos, o artigo de Lara Resende é salutar por estimular o debate.

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Kassab adia plano de internet das coisas

Kassab adia plano de internet das coisas | Inovação Educacional | Scoop.it

A "internet das coisas" - tecnologia conhecida internacionalmente por IoT, na sigla em inglês - tem o potencial de movimentar a economia brasileira em R$ 200 bilhões até 2025. Essa é a estimativa que o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, adotou para falar da importância de lançar no país um Plano Nacional de Internet das Coisas. A estratégia do governo foi antecipada pelo Valor em novembro do ano passado.
O governo queria apresentar o plano ainda este mês, mas resolveu aprofundar as análises de mercado com a ajuda do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O lançamento oficial foi adiado para setembro.
Kassab afirmou que a mudança na data do lançamento ocorreu para que o governo defina com mais precisão os ajustes necessários nas áreas de política industrial, regulação de telecomunicações, financiamento de projetos de inovação e capacitação de mão de obra. "Acho que vai crescer bastante as startups ligadas à IoT, assim como o número de profissionais habilitados a desenvolver projetos por aqui", disse o ministro.
Além de revisar as políticas de fomento de iniciativa do próprio ministério, como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o plano poderá direcionar os incentivos fiscais existentes para fornecedores e empresas de inovação tecnológica que vierem compor a cadeia de valor de IoT. A decisão, se confirmada, poderá exigir alterações na atual regulamentação da Lei de Informática (8.248/1991) e da Lei do Bem (11.196/2005).
A nova tecnologia de IoT presume que todos os objetos que cercam as pessoas, os governos e as empresas no cotidiano estejam conectados o tempo todo à rede mundial. Na área de saúde, por exemplo, as operadoras poderão oferecer monitoramento dos sinais vitais das pessoas em estado fragilizado, com a possibilidade de emissão automática de alertas aos médicos. Em casa, uma geladeira com essa tecnologia é capaz de notificar o dono da casa sobre a falta de determinado produto.
O ministro explicou que o Brasil tem a vantagem de ser o 4º país do mundo em número de conexões máquina-a-máquina (M2M na sigla em inglês) e o 6º mercado de smartphones. Além disso, 60% da população têm acesso à internet e 85% vivem em áreas urbanas, onde o acesso à tecnologia é facilitado.
Comandando a comitiva do governo brasileiro na Espanha, Kassab discutirá o assunto hoje com autoridades locais, em Madri. Na próxima semana se encontrará com o alto escalão dos executivos do mercado global de telecomunicações durante o Mobile World Congress, o mais importante evento do setor, em Barcelona.
A projeção de investimento no mercado de internet brasileiro usada pelo ministério foi feita com base no estudo internacional produzido pela McKinsey, consultoria que lidera o consórcio de empresas contratado pelo BNDES para fazer o diagnóstico das potencialidades do IoT no Brasil. Ele disse que outros levantamentos produzidos pela consultoria indicam que o novo padrão de serviço digital deve adicionar US$ 11 trilhões à economia global até 2025, sendo que 38% do total devem vir para os mercados emergentes.

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20% dos desocupados estão sem trabalho há 2 anos

20% dos desocupados estão sem trabalho há 2 anos | Inovação Educacional | Scoop.it

Um em cada cinco brasileiros desempregados está sem trabalhar há mais de dois anos. Eles são 2,3 milhões, ou 20%, dos 11,7 milhões que, na média de 2016, procuraram sem sucesso por recolocação. Em 2015, eram 1,5 milhão, 17,6% do total. No Norte e Nordeste, a situação é ainda pior: praticamente um em cada quatro está sem emprego há mais de dois anos. Dados complementares da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua mostram que a participação desse grupo no total passou de 20% para 24% entre 2015 e 2016.
Assim como em 2015, a deterioração do emprego nessas duas regiões foi significativamente maior do que na média do país - quadro evidente em praticamente todas as variáveis do levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No Nordeste, o nível de ocupação recuou 4,9% em 2016, mais que o dobro da queda total média, 1,9%. A massa real de rendimentos encolheu 6,3%, contra retração de 3,5% na média. O volume de vagas com carteira assinada em ambas as localidades recuou 7%, ante 3,9% no país.
A estrutura do mercado de trabalho nos dois locais explica em parte o desempenho, já que o emprego informal, que tem maior participação na composição das vagas, é mais sensível aos ciclos econômicos, diz Adriano Pitoli, da Tendências Consultoria. No caso específico do Nordeste, ele acrescenta, somam-se ainda a seca severa dos últimos anos e a contração mais forte do Produto Interno Bruto (PIB) - de 4,7% em média em 2015 e 2016, segundo as estimativas elaboradas pela consultoria, contra 3,7% na média do país.
"A seca afetou muito a economia da Bahia", ele ressalta, referindo-se ao Estado com a maior taxa média de desemprego no ano passado, 15,9%, ante 11,5% na média nacional e de 6,3% em Santa Catarina, a menor registrada. Pernambuco, que viu o desemprego escalar de 9,9% em 2015 para 14,5%, o terceiro maior, sofre ainda os efeitos do esgotamento do modelo de crescimento que alimentou o avanço expressivo do produto em anos anteriores, com pesados investimentos públicos em empreendimentos que, em muitos casos, acabaram não sendo concluídos. "A recuperação aí vai ser mais difícil".
A região como um todo é historicamente dependente da administração pública, que, ao lado da agricultura e do comércio, está entre os maiores empregadores, destacam os economistas Aírton Valente Júnior e Hellen Leão, do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene) do Banco do Nordeste, localizado em Fortaleza. Em 2015, a região concentrava 27,5% dos empregados no setor público do país, 3,2 milhões de postos - número que encolheu a 2,9 milhões, queda de 5,8%. O volume de vagas no serviço público também diminui no Sudeste de um ano para outro, mas em magnitude menor, 1,8%.
"Embora haja diferença de nível, todas as regiões registraram elevação importante do desemprego", pondera a coordenadora do Sistema de Pesquisas de Emprego e Desemprego do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Lucia Garcia. Apesar de generalizado, o aumento teve causas distintas nas diferentes regiões. No Norte e Nordeste, o corte expressivo de vagas pesou mais. No Sul e Sudeste, a maior procura por recolocação pressionou mais a taxa.
Esse último aspecto fica claro quando se observa a taxa de atividade, a proporção daqueles empregados ou à procura de uma vaga em relação ao total da população em idade ativa. Enquanto no Norte e Nordeste ela recua de 61,4% para 60,9% e de 57% para 55,6% entre 2015 e 2016, sobe em todas as demais localidades, chegando a 63,5% no Sudeste, 64,3% no Sul e 65,2% no Centro-Oeste.
"As regiões com maior dinamismo têm tradicionalmente maior taxa de atividade", afirma Lucia. Em locais em que a escassez de oportunidades e de formas de inserção no mercado é histórica, há um desestímulo à busca por emprego em períodos de crise.
O cenário para 2017 é mais alentador, afirma Pitoli, da Tendências. No Nordeste, a melhora das condições climáticas favorecerá a agroindústria, setor que também puxará a economia do Centro-Oeste. "O país vai sair de uma quebra forte [em 2015] para uma supersafra". O alívio deve ser maior especialmente nos "polos irrigados", afirmam Valente Junior e Hellen, como o Vale do Jaguaribe, no Ceará, e Petrolina, em Pernambuco, produtores e exportadores de frutas.
O Norte será beneficiado pela recuperação cíclica do polo industrial de Manaus e pela maturação de investimentos da Vale no Pará, além da recuperação dos preços de algumas commodities. Assim, o economista projeta que a massa de rendimentos diminua 0,1% neste ano, ante 1,6% na média nacional. No Nordeste, a queda prevista é de 1,1%. Sul e Sudeste registrariam quedas fortes de 2,3% e de 1,8%, respectivamente, já que dependem da recuperação de setores mais influenciados pelo ciclo, especialmente da indústria.

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Inglês pode ser mais importante que um MBA

Inglês pode ser mais importante que um MBA | Inovação Educacional | Scoop.it
Recentes pesquisas realizadas por consultorias especializadas em recrutamento de executivos revelaram que o inglês é até mais importante do que um diploma de MBA. O segundo idioma é cada vez mais necessário no concorrido mercado de trabalho, e o profissional que possui este diferencial torna-se muito mais competitivo e amplia suas chances de alcançar cargos de destaque. Em alguns segmentos do mundo corporativo, o inglês é pré-requisito, porém há ainda uma carência de profissionais que dominam pelo menos uma língua estrangeira.
Atento a esta lacuna a ser superada, o Cel.Lep, uma das maiores e mais reconhecidas escolas de idiomas de São Paulo, que completa 50 anos em 2017, retoma as atividades após as férias, focado em ajudar este público a comunicar-se em inglês e atingir seus objetivos. A Escola atua para proporcionar a melhor e mais eficaz experiência de aprendizado de idiomas, por meio de seus cursos regulares.
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Organização da sala de aula deve mudar conforme intenção pedagógica

Organização da sala de aula deve mudar conforme intenção pedagógica | Inovação Educacional | Scoop.it

Entender a sala de aula como um local flexível é um dos primeiros passos para se pensar a diversificação das práticas pedagógicas. A mudança, no entanto, não deve acontecer de forma isolada e precisa estar inserida dentro de uma proposta política e pedagógica. “É fundamental que antes de pensar os espaços se discuta a concepção de educação colocada, bem como o que se pretende com os sujeitos ali presentes”, considera a professora Sandra Caldeira, mestre e doutora em História da Educação.
Isso porque a disposição da sala de aula e dos demais espaços educativos pode chancelar ou refutar uma proposta pedagógica. A disposição das carteiras, por exemplo, é um dos aspectos mais visíveis. “O modelo das cadeiras enfileiradas aponta para uma educação centralizada no professor, que o coloca na posição de detentor do conhecimento e direciona todos olhos e corpos a ele”, comenta Andrea Zica.
Em sua leitura, essa estrutura não atende às propostas educativas dialógicas, em que o professor se apresenta como mediador do conhecimento. “Nesse caso, espera-se que o professor saia desse lugar central e busque integrar-se ao grupo dos estudantes”, observa.
Outro ponto a se considerar é o tipo de relação que se espera que os estudantes construam com os objetos de conhecimento. Aqui, podem valer propostas em contextos individuais ou coletivos. “Tem momento que é necessário que eles estejam sozinhos frente ao conhecimento, caso de atividades que pedem uma concentração maior ou que demandam que os alunos identifiquem seu próprio grau de aprendizagem; mas também há situações em que trabalhar com o outro é fundamental para que essa relação se estabeleça; ou ainda que o professor seja fundamental na dinâmica”, considera Andrea.
A educadora reforça que nenhum arranjo deve ser validado como o mais importante sem que haja uma experimentação por parte da escola, que também tem o papel de descartá-lo, quando necessário. “Cada grupo é um encontro de pessoas, o que imprime características diferentes. Estar com o outro é uma aprendizagem constante, que muda o tempo todo”, reconhece.
Nas aulas de Língua Portuguesa e Literatura da professora Andrea Zica, docente do Instituto Casa Viva, em Belo Horizonte, por exemplo, a regra é não ter regra em relação à organização da sala de aula. Um dia, os estudantes estão organizados em formato de U. No outro, com as carteiras agrupadas. Também não são raras as vezes em que eles fazem suas leituras deitados sobre o jardim do Museu Histórico Abílio Barreto, vizinho à escola.
“A dinâmica da aula se dá em função da minha intencionalidade pedagógica”, explica a educadora que chega a trabalhar com cinco arranjos diferentes de sala de aula por semana, todos previamente pactuados com os estudantes.

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Livro e canal de vídeo reúnem estudos e práticas de jogos na educação

Livro e canal de vídeo reúnem estudos e práticas de jogos na educação | Inovação Educacional | Scoop.it

Educadores, pesquisadores, empreendedores e estudantes estão sendo convidados a contribuir com a coleção “Ludicidade, Jogos Digitais e Gamificação na Aprendizagem: Estratégias para Transformar as Escolas no Brasil”, organizada pelo Centro Lemann de Empreendedorismo e Inovação Educacional da Universidade de Stanford (EUA), em colaboração com a Universidade Federal de Pernambuco e a Joy Street. A coleção será composta por um livro e um canal no Youtube que têm o objetivo de promover o debate sobre como incentivar a inovação das práticas didáticas na escola de ensino básico no Brasil através da ludicidade, em especial através do uso de jogos digitais e estratégias de gamificação.
Para participar, é preciso submeter textos e vídeos até o dia 10 de março neste link. O anúncio dos selecionados vai ocorrer no dia 10 de abril.
O livro reunirá estudos e recomendações relacionados a atividades lúdicas na educação escolar, em duas seções, uma com pelo menos 10 artigos científicos originados em instituições de pesquisa e uma com 6 artigos técnicos originados em redes de ensino, ONGs/OSs e startups.  O canal de vídeos coletará 10 narrativas de professores e 10 de estudantes sobre eventos reais de interação entre jogos digitais e aprendizagem.
Essa iniciativa é organizada por Luciano Meira, da UFPE e Joy Stree, e Paulo Blikstein, do Centro Lemann e Universidade de Stanford, com o apoio da SBC (Sociedade Brasileira de Computação), do SBGames (Simpósio Brasileiro de Jogos e Entretenimento Digital) e da Fundação Lemann.

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Professora usa monstrinhos para falar sobre emoções com as crianças

Professora usa monstrinhos para falar sobre emoções com as crianças | Inovação Educacional | Scoop.it
O livro apresenta alguns monstrinhos para falar sobre sentimentos e depois traz um questionário para as crianças responderem. Baseada nele, eu comecei a preparar um projeto durante o recesso escolar para desenvolver com a turma após o retorno das aulas.
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