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Nestlé lança plataforma de inovação aberta para startups

Nestlé lança plataforma de inovação aberta para startups | Inovação Educacional | Scoop.it
A plataforma de inovação aberta Henri@Nestlé já está no ar e visa aumentar a qualidade e a velocidade de soluções inovadoras, em respostas a desafios sociais e de negócios com a participação de startups do mundo inteiro.

A plataforma permite que empreendedores contribuam de forma colaborativa com um time dedicado Nestlé, liderando projetos que impactam positivamente o negócio de atuação e milhões de pessoas em todo o mundo que usufruem de soluções em nutrição, saúde e bem-estar oferecidos pela companhia.

“Henri@Nestlé será o principal programa colaborativo global da empresa e irá contribuir como um catalisador para agilidade, transparência e redução de processos burocráticos,” afirma Pete Blackshaw, vice-presidente de Digital e Social Media da Nestlé.

Para Gerardo Mazzeo, Diretor Global de Inovação, “com a criatividade e espírito inovador das startups a  Henri@Nestlé pode ajudar a resolver alguns dos maiores desafios de nutrição, saúde e bem-estar do mundo, criando oportunidades de financiamento para conduzir impacto real positivo em grande escala.”
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País produz novos ricos com cabeça de classe média

País produz novos ricos com cabeça de classe média | Inovação Educacional | Scoop.it

Esqueça os nomes quatrocentões, as famílias tradicionais com educação internacional e as dinastias empresariais. Pelo menos metade da porção mais rica dos brasileiros não ostenta nenhuma dessas credenciais, não sabe o que é viajar ao exterior nem fala inglês. 
São pessoas que basicamente se criaram "com o umbigo no balcão" de um pequeno comércio e galgaram degraus na escala social a custa de uma veia empreendedora e muito trabalho. Chegaram lá faz pouco tempo, na última década apenas, e ainda desconhecem a maior parte dos códigos sociais e comportamentais da elite "de nascença".
Aproximadamente 7,5 milhões de brasileiros maiores de 24 anos ingressaram nos últimos dez anos no grupo dos 25% mais ricos da população brasileira, as classes A e B, movidos pelo aumento do consumo e pelo crescimento do estrato social médio (classe C) e seu consequente impulso consumidor.
Se o emprego formal funcionou como a grande estímulo à classe média, foi o empreendedorismo que fez crescer as classes mais altas. Os "novos ricos" representam pouco mais da metade das classes A e B. Exatamente 50,3% desse grupo.
A classe A e B é formada por famílias com renda de R$ 11,6 mil ou mais. Esse grupo social cresceu 11 pontos percentuais nesses dez anos e pulou de 14% para 25% da população brasileira.
Somados, novos e antigos integrantes dos 25% mais ricos representaram um consumo total de R$ 2,3 trilhões em 2015. É o maior mercado consumidor do país em volume de dinheiro. A classe C, maior grupo social do país, com 54% da população - mais que o dobro do grupo A/B -, consumiu o equivalente a R$ 1,5 trilhão no ano passado.
Os dados fazem parte de um estudo inédito realizado pelo recém-criado Instituto de Pesquisa Locomotiva, com base em 1.590 entrevistas realizadas no mês passado e na decupagem de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE.
O responsável pela pesquisa é Renato Meirelles e uma equipe de oito analistas, todos, como ele, oriundos do Data Popular, instituto que Meirelles presidia e que acaba de deixar justamente para criar o Locomotiva, ao lado do administrador de empresas, escritor corporativo e palestrante Carlos Alberto Júlio.
Meirelles agora preside o Locomotiva. Júlio, executivo com passagem por empresas como a HSM e Tecnisa, vai atuar como sócio e "head" de estratégia e inovação da nova organização.
Meirelles usa os números de seu estudo para mostrar que "bolso não explica mais a cabeça" do brasileiro, depois das tantas transformações dos últimos dez anos. No período, mais de 10 milhões de mulheres entraram no mercado de trabalho, mais de 53 milhões de pessoas passaram a ter acesso à internet, outros 50 milhões à conta bancária e 10 milhões conseguiram diploma de curso superior, enumera.
A partir dos anos 2000, explica, as classes A e B cresceram por conta do empreendedorismo. "É o dono de padaria que ficou rico, o dono do mercadinho. O processo de democratização do consumo fez com que também se criasse essa nova classe empresarial", afirma. "Ou seja, um número gigantesco de pessoas que tem bolso de classe A e cabeça de classe C."
Os números mostram ainda que apenas 34% desse público têm curso superior. Dos ingressantes na classe A e B diplomados em uma faculdade, "muitos são a primeira geração de universitários da família", diz Meirelles.
Dois terços não ingressaram na universidade. A maior parte, 73% estudou apenas em escola pública. Quase metade (48%) jamais andou de avião - um meio de transporte ao qual a classe C teve acesso recentemente - e apenas 20% já fizeram viagens internacionais.
"Como achar que a divisão de classes que servia há dez anos serve para entender o Brasil de hoje?", questiona o publicitário de 38 anos, cuja carreira foi construída no Data Popular, considerado sinônimo de "especialista em Classe C".
A missão de Meirelles e Júlio no Locomotiva é procurar oferecer às empresas uma radiografia mais acurada da nova organização social brasileira, na qual não necessariamente ter dinheiro significa pensar "com cabeça de rico". É preciso entender, diz Meirelles, que o capital financeiro não dialoga necessariamente com o capital cultural.
"Uma forma de entender isso é olhar para a gangorra social que o país viveu nos últimos anos", argumenta. "Imagine que hoje metade dos brasileiros que fazem parte da camada mais rica da população pertencem à primeira geração de pessoas com dinheiro na família."
"A elite econômica passou a ser menos homogênea do que era antes, passou a reunir pessoas com diferentes histórias de vida, aglutinando valores e transformando jeitos de pensar e de viver e, sobretudo, rompendo com velhos paradigmas da classificação econômica", comenta Meirelles.
O principal problema para as empresas é que elas não sabem disso e continuam trabalhando como se todos os 25% mais ricos da população pensassem de maneira uniforme. "São paradigmas que, muitas vezes, fizeram as empresas lançar produtos para a elite usando nomes em inglês, achando que todos da elite sabiam falar inglês; que usavam referências internacionais naturais para quem sempre foi rico, mas que não fazem sentido para os novos ricos que surgiram com essas mudanças econômicas."
A dificuldade é que no mundo corporativo as pessoas que desenvolvem estratégias de negócios para esse público A e B, para o mercado de luxo, por exemplo, são pessoas que sempre foram das classes A e B, explica Júlio.
"Não tem nenhum presidente de empresa para quem a gente mostrou a versão mais antiga dos dados que não tenha falado: 'opa, de fato eu tenho que repensar meus conceitos'", confirma Meirelles.
Segundo o presidente do Locomotiva, a visão tradicional de classe social está fortemente vinculada ao capital cultural e social. No caso das classes A e B, o imaginário está preso à ideia de um grupo que, "historicamente, durante séculos", foi objeto de baixíssima mobilidade social e permaneceu estático, sem grandes entradas e saídas no conjunto dessa população, explicam os sócios do novo instituto.
"A tendência do piloto automático das empresas é achar que esse cara é igual a ele", diz Júlio. "Gente que está na terceira geração de universitários da família, conhece o mundo inteiro, é nativo digital", emenda Meirelles.
O bolso também não explica a vida financeira, explica Meirelles. Embora tenham renda para integrar a elite social e econômica do país, 60% dos entrevistados afirmam que já compraram "fiado" ou tomaram emprestado o cartão de crédito alheio para fazer compras. A pesquisa indica também que metade jamais fez operações bancárias pela internet - embora o rendimento os coloque entre a clientela "premium" dos grandes bancos.
Outro dado surpreendente até para os responsáveis pelo estudo foi a proporção de pessoas dessa classe social que dá importância a alguns serviços públicos que a princípio parecem mais voltados para as demais camadas sociais. A pesquisa indica que 63% dos entrevistados dessa classe social utilizaram transporte público no mês anterior ao levantamento. "Não quer dizer que ele não tenha carro, mas que ele entende que o transporte público é um valor. Quer dizer também que ele está presente em regiões periféricas."
Essa é, aliás, uma característica das novas classes A e B: a maior pulverização geográfica. Antes concentrada nas regiões centrais das metrópoles, hoje a elite social brasileira aparece com mais frequência nas periferias e cidades do interior, conta o presidente do Locomotiva.
Para Meirelles, esse movimento não vai se esgotar. A migração tende a prosseguir, mas em ritmo mais lento em razão do cenário econômico bem mais desafiador. Mas, como para ascender a classe A e B não dependeu tanto do emprego como a classe média, o presidente do Locomotiva acha que será mais difícil haver retrocesso no número de novos ricos como tem ocorrido com a Classe C.

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Indústria da música e YouTube brigam por receita

A indústria da música está travando uma batalha épica com o YouTube, o mais popular serviço de vídeo sob demanda, por causa dos royalties cada vez menores que ele paga e de uma suposta dificuldade para detectar conteúdo protegido por direitos autorais, em meio à massa de vídeos publicados no seu site.

O YouTube oferece voluntariamente às gravadoras um sistema para automaticamente bloquear, monetizar ou tirar o som de vídeos com suas músicas, identificando os arquivos de áudio com 99,7% de precisão, afirma o serviço. Ele também dá a elas uma chance de ganhar dinheiro com vídeos postados pelos usuários, em vez de simplesmente enviar notificações para a retirada do material.

Mas muitos detentores de direitos musicais dizem que o sistema do YouTube não é infalível e exige uma busca manual trabalhosa e diária para monitorar conteúdo e coletar royalties. Eles temem que o YouTube, com as taxas mais baixas que paga pela música, ganhe uma vantagem injusta sobre outros serviços de "streaming" por demanda, como Spotify e Apple Music. Esses serviços pagam bem mais por execução, mas juntos possuem um número de assinantes relativamente menor, 68 milhões, segundo o relatório mais recente da Federação Internacional da Indústria Fonográfica.

A indústria da música acredita que seu futuro está nos serviços de streaming, não no YouTube, que ela receia que esteja condicionando os fãs a não pagarem pelas músicas sob demanda.

Mas o YouTube, uma unidade da Alphabet Inc., com seus mais de 1 bilhão de usuários, possui uma influência e um alcance que o setor não pode ignorar. O YouTube afirma ter pago cerca de US$ 3 bilhões a empresas de música desde que foi criado, há dez anos, e hoje metade de sua receita vem do conteúdo gerado por usuários e identificado por seu sistema, o Content ID.

Embora o total desembolsado pelo serviço de vídeo aumente a cada ano, ele paga uma média de oito centésimos de centavo de dólar (US$ 0,0008) por execução e menos de seis centésimos de centavos de dólar (US$ 0,0006) por conteúdo gerado por usuários, uma queda de cerca de 20% em relação a um ano atrás, dizem pessoas a par do assunto.

Já as versões gratuitas dos serviços de streaming SoundCloud e Spotify pagam até seis vezes mais que o YouTube para vídeos postados por usuários, diz um dono de direitos autorais. Outro diz receber, em média, 35% a mais por execução (US$ 0,0011) desses serviços gratuitos do que dos vídeos do YouTube. As versões por assinatura dos serviços pagam ainda mais.

No centro da disputa está o sistema Content ID, que o YouTube criou há nove anos, numa tentativa de transformar vídeos postados por usuários em uma oportunidade de negócio para os detentores de direitos autorais e, ao mesmo tempo, dar impulso à sua própria receita publicitária. O YouTube afirma que o Content ID funciona de forma quase perfeita para ajudar as gravadoras a proteger sua música e lucrar com ela.

Mas muitos na indústria da música dizem que o sistema não identifica automaticamente muitas das gravações quando os usuários alteram ou combinam músicas - ou, às vezes, até sem nenhuma razão aparente. Além disso, as gravadoras alegam que o Content ID não analisa os canais do YouTube gerenciados por grandes redes de TV e redes menores, como Fullscreen e Awesomeness TV, muitas das quais exibem amadores interpretando canções populares.

Alguns executivos de gravadoras dizem que o sistema apenas detecta cerca de 50% de suas músicas, forçando-os a procurar manualmente por vídeos postados por usuários. Em média, a indústria da música envia cerca de 2 mil reivindicações por dia de vídeos descobertos manualmente, afirma o YouTube.

A Sony Music Entertainment, da Sony Corp., afirma que, desde dezembro de 2012, suas buscas manuais levaram a reivindicações de 1,5 milhão de cópias de suas gravações que infringiram direitos autorais no YouTube sem terem sido identificadas pelo Content ID. Se não tivesse descoberto esses vídeos, a Sony afirma que teria perdido US$ 7,7 milhões em receita.

O YouTube pode criar um sistema capaz de bloquear mais violações de direitos autorais. "Não é mais um problema tecnológico", diz Vance Ikezoye, um dos fundadores de um sistema de filtragem de áudio, o Audible Magic, que o YouTube contratava até 2009. Uma porta-voz do YouTube diz que o sistema já tem uma precisão de 99,7%.

Harris Cohen, gerente sênior de produto do Content ID, diz que seu sistema tem que "encontrar um equilíbrio" entre os interesses dos donos de conteúdo e dos usuários, que geram a maior parte de sua receita de publicidade e que podem estar usando os trabalhos com direitos autorais de forma justa em seus vídeos - por exemplo, como uma incidental música de fundo ou em algum outro contexto criativo. "Há um nível de trabalho e envolvimento que realmente é exigido para esse equilíbrio", diz Cohen.

Antes do Content ID, as gravadoras não conseguiam ganhar dinheiro com vídeos publicados por usuários no YouTube e que tocavam as suas músicas. Elas apenas podiam enviar "notificações de retirada" para que o YouTube removesse os vídeos.

O YouTube afirma que investiu US$ 60 milhões para construir seu mecanismo de filtragem e que está melhorando o serviço com o tempo. A maioria das reivindicações de direitos autorais feitas pelos 8 mil usuários do Content ID resulta desse processo automatizado, mas 0,5% delas é feita em vídeos que o sistema não identifica.

Menos de 1% das reivindicações apresentadas por meio do Content ID são contestadas pelos usuários que postaram os vídeos, segundo o YouTube. Mesmo nesses casos, as gravadoras podem exigir que os vídeos sejam removidos.

Executivos do setor também estão entrando na briga, como o superempresário Irving Azoff e artistas como Taylor Swift e U2, que pediram ao Congresso americano para mudar a lei que protege sites como o YouTube da responsabilidade de hospedar música publicada por usuários sem permissão.
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Recrutadora cria divisão para encontrar especialistas em projetos digitais

A empresa de recrutamento Michael Page lançou uma divisão dedicada à seleção de executivos de projetos digitais, que vai buscar profissionais com experiência em áreas como marketing, e-commerce e desenvolvimento de plataformas on-line.

Já bem-sucedida na matriz Inglaterra, a divisão chega ao Brasil para aproveitar o aumento da demanda na área. Esta cresce com a entrada de empresas de tecnologia estrangeiras e com a digitalização que afeta a cadeia de setores tradicionais como varejo, saúde, educação e mercado financeiro, que vê o surgimento das "fintechs".

No caso do varejo, por exemplo, o cenário econômico difícil empurra as companhias para buscar novos canais de venda. "Os varejistas estão reduzindo a projeção de abertura de lojas, mas estão investindo em e-commerce", explica o presidente da Michael Page no Brasil, Gil Van Delft. Já as áreas de logística e supply chain precisam se adaptar a novos modelos de venda e distribuição, ao mesmo tempo em que surge a demanda por advogados com experiência jurídica que abarque questões digitais.

A divisão será liderada por Gabriela Gola, que prevê que a área represente 5% do faturamento da Michael Page em São Paulo neste ano e cresça cerca de 40% em 2017. Segundo a consultoria, algumas das posições mais demandadas atualmente são gerente de marketing digital, diretor de e-commerce e gerente de novos negócios e parcerias. Os salários variam com o nível, podendo chegar a R$ 35 mil.
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Os novos desafios para a área de marketing digital

Os novos desafios para a área de marketing digital | Inovação Educacional | Scoop.it
Uma carreira em constante transformação, o marketing digital vem navegando entre estratégias, ferramentas e formações variadas nos últimos anos. "Camaleônico" e cada vez mais dependente de novas plataformas e tecnologias, o profissional do setor vem conquistando um papel estratégico nas companhias - não só porque o digital vem ganhando prioridade em seus planos de marketing e vendas, mas porque as empresas valorizam cada vez mais perfis inovadores, resilientes e com capacidade de aprendizado rápido.

"O mercado vem olhando além do histórico profissional e contrata pessoas por suas habilidades. No marketing digital, a principal é a capacidade de adaptação", afirma Ana Moisés, diretora da divisão de marketing solutions do LinkedIn.

Uma pesquisa realizada pela rede social no Brasil revela uma movimentação de pessoas duas vezes mais intensa em marketing e publicidade do que a média do mercado - 8% dos profissionais do setor mudaram de emprego no último ano, mediante 4% nas outras indústrias. Novas vagas também foram criadas com a contratação de 30 mil recém-formados, segundo o levantamento. "Esse profissional não existe em grande quantidade e é muito procurado", afirma Ana, que destaca a indústria de internet como uma das principais contratantes.

Bruno D'Angelo, vice-presidente de estratégia criativa da agência Ideal H + K, explica que existem três grandes atores nessa indústria: os executivos de marketing das empresas, os profissionais de produtoras, mídia e agências de publicidade e os recém-chegados influenciadores digitais. "São blogueiros ou veículos independentes", diz.

São esses novos atores que, na opinião de D'Angelo, representam o "empoderamento das pessoas" e revelam tendências observadas pelos profissionais da área: o novo consumidor, que é um influenciador em potencial, se prende cada vez menos a marcas e rótulos e mais a grupos e comportamentos.

"As salas de reunião e as pesquisas qualitativas já não identificam todas as tendências de comportamento que o marketing digital precisa. É necessário ter sensibilidade para observar as pessoas na rua e saber como consomem conteúdo e como se relacionam com seus smartphones", afirma José Saad Neto, sócio-fundador da empresa de conteúdo GoAdMedia. Essa visão humana, já esperada dos profissionais de marketing, vem se complementando com o conhecimento de técnicas analíticas de Search Engine Optimization (SEO), performance, conversão e interpretação de dados. "O digital hoje é uma ponte entre marketing e tecnologia", diz Saad.

Engenheiros e profissionais de exatas são cada vez mais frequentes no departamento de marketing do grupo educacional DeVry, que tem 16 instituições de ensino no Brasil. O vice-presidente de relacionamento e marketing, Fernando Lau, conta que a área ganhou um caráter analítico e voltado à mensuração de dados. Aos poucos, a empresa começou a disputar com outras indústrias esse profissional técnico. "Convidar um engenheiro para o marketing ainda choca, mas conseguimos atrair pelo projeto e pelas perspectivas da empresa", diz. O perfil comportamental desses times, segundo Lau, também está em evolução. "Como as ferramentas e linguagens mudam sempre, o importante é que o profissional seja curioso, resiliente e aberto a mudanças."

Ana Moisés, do LinkedIn, explica que não são só os profissionais de exatas e tecnologia que estão sendo valorizados na área: há também cada vez mais sociólogos e antropólogos estudando o comportamento do mercado por trás das estatísticas.

A composição do time, porém, vai depender do desafio de cada empresa. Dentro do próprio LinkedIn, por exemplo, a equipe de cerca de 20 pessoas tem perfis variados, mas os profissionais têm em comum a capacidade de educar os clientes. "Trabalhamos fortemente com B2B, um mercado ainda pouco habituado ao marketing digital", explica Ana. Isso exige um time com perfil consultivo, analítico e com visão de longo prazo, uma vez que os projetos com clientes podem durar meses.

Na rede de varejo Magazine Luiza, quase 80 profissionais de diferentes formações atuam diretamente com marketing digital: eles trabalham em áreas como performance, mídias digitais, análise de dados e produção de conteúdo, e são distribuídos em duas diretorias distintas. Esse time tornou-se um exército há pouco mais de um ano, quando a varejista transformou seus 780 gerentes de loja em gestores de redes sociais: cada unidade do Magazine Luiza tem hoje a sua própria fanpage no Facebook. "Muita gente nos achou corajosos e loucos", afirma Ilca Sierra, diretora de marketing.

É a equipe de marketing digital do Magazine Luiza, porém, que desenvolve treinamentos para gerentes, gincanas e concursos de produção de conteúdo e provê ideias de postagens em texto e vídeo. "O papel do marketing é o de digitalizar a comunicação da empresa, mas não de cima para baixo. Queríamos estimular a autonomia; hoje somos um caso de sucesso e podemos dizer que temos 780 profissionais de mídias sociais dentro da empresa", diz.

Além das equipes de marketing, o Magazine Luiza também tem um laboratório de desenvolvimento e inovação com mais de 100 profissionais de TI. "Eles são responsáveis por 90% de toda a tecnologia da empresa", afirma Ilca. Batizado de LuizaLabs, o grupo atua em parceria com o marketing.

Alguns dos projetos recentes feitos em conjunto são o aplicativo de compras da rede e uma plataforma de e-commerce que permite a qualquer pessoa física se tornar um "revendedor on-line". Esse tipo de projeto, conta a diretora, exige conhecimentos como user experience, branding, mídia digital e até mesmo mídia tradicional. "É por isso que precisamos tanto do trabalho multidisciplinar", afirma.
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Internato suíço quer atrair brasileiros

Internato suíço quer atrair brasileiros | Inovação Educacional | Scoop.it
O Instituto auf dem Rosenberg está em preparação para o início do ano letivo, em setembro, como ocorre na Suíça inteira. A diferença é que trata-se de um internato exclusivo e internacional, oferecendo "educação sob medida", para jovens entre 6 e 19 anos de famílias com muito dinheiro.

Localizado em St. Gallen, perto das fronteiras da Suíça com a Alemanha e a Áustria, o Instituto auf dem Rosenberg é uma das três escolas mais caras do planeta: a anuidade chega a US$ 130 mil (R$ 426,8 mil) por estudante - supera também a fatura para estudar em Harvard, uma das melhores universidades do mundo, onde o custo é de US$ 106 mil (anuidade, hospedagem etc).

"Aqui todo mundo é rico, nenhum aluno vai ficar impressionado com o outro", diz Bernhard Gademann, presidente da escola, que aposta agora em atrair estudantes afortunados de países emergentes, como o Brasil.

A Suíça tem uma longa tradição de internatos de elite, apoiando-se na imagem que criou de qualidade, estabilidade e segurança. Tem uma liga de 11 internatos internacionais, encabeçadas pelo Rosenberg, pela Ecole de Rosey, perto de Lausanne, e pelo Colégio Alpino Internacional Beau Soleil, em Villars. O preço das três é 40% mais elevado do que o de escolas de elite similares nos Estados Unidos e no Reino Unido.

O Instituto auf dem Rosenberg está completando 127 anos. Foi fundado em 1889, quando a região de St. Gallen era uma espécie de Vale do Silício da Europa com sua indústria textil. Em 1920, após a primeira guerra mundial, o mundo mudou. Mas os pensionatos de elite foram tomando corpo e atraindo mais estrangeiros.

A família Gademann comprou o instituto nos anos 1930. Bernhard representa a quarta geração consecutiva de sua família no comando de um segmento que tem lucratividade em linha com a indústria do luxo (veja texto ao lado).

O campus de 100 mil metros quadrados, com prédios históricos de onde é possivel ver o Lago de Constance, na fronteira com a Alemanha, abriga 260 garotos e garotas de 30 nacionalidades - os de origem suíça são apenas 5% do total. O aluno pode escolher entre cinco tipos de título acadêmico: britânico, americano, Abitur alemão, o suíço Matura e o italiano Maruritá. Pode decidir ter as aulas em inglês, alemão ou italiano.

As salas de aula têm apenas seis a oito alunos. Na média, há um professor para cada três alunos. Sobretudo, a escola oferece "educação sob medida", dependendo de cada um. "Tem aluno que precisa de ensino individual, por sua habilidade, talento, histórico. Não tem nenhum problema aqui", diz o presidente do instituto. "Podemos fornecer todos os instrumentos de que o estudante precisa para responder a seus sonhos, esperanças e ambições".

Filhos de magnatas de negócios ou de políticos, príncipes e outros coabitam durante anos, na escola ou em férias e por aí criam laços de negócios futuros.

Como os outros, Rosenbeg opera sob uma estrita política de privacidade. Nenhum nome de estudante, antigo ou atual, é revelado. A única exceção é a de Mario Molina, mexicano que ganhou o prêmio Nobel de química em 1995 por ter descoberto a camada de ozônio. Ele estudou na escola suíça entre 1957 e 1959.


O instituto procura enquadrar calmamente quem é particularmente mimado. Uma regra para todos é que não podem usar celular na sala de aula e no restaurante. Devem se deitar e apagar as luzes às 21h30, regra que se torna mais flexível na medida em que obtêm a confiança dos professores.

Internato de elite não quer dizer necessariamente opulência e luxo. O quarto é individual, de cerca de 15 metros quadrados, decorado de forma simples, bem à maneira protestante suíça. Para uma garotada que deve ter suíte de 200 metros quadrados em suas mansões familiares, deve ser um choque. O luxo aqui é ter o banheiro individual.

O traje na escola é terno e gravata. Além do currículo tradicional, o aluno precisa completar a carga horária com disciplinas que vão de como falar em público, empreendedorismo, mídia digital, fotografia, design de moda, artes decorativas, música, trabalhar em grupo ou habilidades para sobrevivência.

Mas se quiser se aprofundar em cultura egípcia ou dos índios da Amazônia, por exemplo, basta pedir. A escola arranja um especialista - e a fatura para o pai aumenta.

"Damos enorme importância a ensinar capacidades que vão além da sala de aula, como pensar de forma independente, ter auto-disciplina e inteligência emocional", diz o diretor do instituto. "O objetivo é que tenham a habilidade necessária para dominar todos os aspectos de seu futuro negócio e de sua vida pessoal".

As atividades esportivas vão de tênis, golfe, equitação a xadrez, artes marciais e acrobacias. As boas maneiras são aprendidas, ou melhoradas, a todo momento, a começar na sala de refeições. Todos permanecem em pé em torno da mesa, até o sino tocar. No primeiro sino, as garotas podem se sentar. No segundo, os garotos. No terceiro, podem começar a comer. A bandeja com a refeição é trazida por um garçom, ao contrário de alguns self-service em outras escolas de elite. Bernhard avalia que o menu do almoço custaria em torno de US$ 30 (R$ 98) num restaurante.

Com a escola em férias, esvaziada, o restaurante, a sala de concerto, a sala de balé - tudo está passando por revisão para dar início ao ano escolar com 60 alunos novos, dois deles do Brasil.

Para Bernhard, o Brasil tornou-se um mercado-chave. "Há consciência nas famílias sobre a importância de investir em educação de qualidade", diz. Para atrair brasileiros, o instituto promoverá várias iniciativas no país. No dia 14 de agosto, Dia dos Pais, fará uma apresentação no Iate Clube de São Paulo.

Os brasileiros querem ver logo fotos, muitas fotos, do instituto. Algumas famílias escolhem primeiro temporadas menores, para estudos no verão ou no inverno, antes de decidir pelo pensionamento completo.

Indagado sobre algum problema com famílias envolvidas em corrupção, com filhos na escola, Bernhard sai pela tangente. "Quem paga milhares de dólares para a educação de um garoto tende a não ter problema com a origem de sua riqueza", retrucou.
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A mudança climática e a educação

A mudança climática e a educação | Inovação Educacional | Scoop.it
A mudança climática afeta a todos nós, mas ainda não estamos agindo com a devida rapidez para enfrentar suas causas, mitigar seus danos e adaptar-nos a seus efeitos. Muitas pessoas não compreendem os riscos representados pela mudança climática para as estruturas econômicas e sociais mundiais. E, infelizmente, muitos dos que compreendem desdenham os benefícios de longo alcance que uma transição mundial para a sustentabilidade e para a energia limpa traria.

Segundo estudo recente do centro de análise e pesquisa americano Pew Research Center, sete em cada dez americanos classificados como politicamente independentes não se mostraram muito preocupados com a possibilidade de a mudança climática vir a prejudicá-los. E, o que é pior, pesquisadores da Universidade de Yale detectaram recentemente que 40% dos adultos do mundo inteiro nunca ouviram falar de mudança climática. Em alguns países em desenvolvimento, como a Índia, esse percentual sobe para 65%.

Esses dados desestimulantes podem ser melhorados. O estudo de Yale concluiu que "o grau de instrução tende a ser o indicador isolado mais forte da consciência pública da mudança climática". Ao investir em educação de qualidade, poderemos colocar a próxima geração no caminho certo para enfrentar esse problema mundial.

Fazer frente aos perigos da mudança climática é uma oportunidade de avançar rumo a um caminho de desenvolvimento mais limpo, mais produtivo e mais justo. Apenas uma sociedade mundial instruída pode tomar as medidas necessárias para nos levar até lá

Educação e ação climáticas agem juntas de três maneiras. Para começar, a educação preenche as lacunas do conhecimento. As pessoas entenderem como a mudança climática já está tendo impacto sobre suas vidas pode ter benefícios práticos. Isso é particularmente verdadeiro no que se refere às populações pobres, que são as mais vulneráveis às quebras de safra e às catástrofes naturais, como deslizamentos de terra e enchentes, causados pela mudança climática. As populações que têm de reconstruir suas condições materiais de vida a partir do zero após cada nova catástrofe perdem oportunidades de vivenciar um desenvolvimento rápido. Ao entender que seu mundo está mudando - e que a probabilidade de catástrofes futuras está aumentando -, essas populações podem acumular resistência e aprender a se adaptar às repentinas e lentas tensões de um clima em mutação.

Em segundo lugar, a educação contesta a apatia. Conhecer as medidas disponíveis para fazer frente à mudança climática pode abrir amplas oportunidades de crescimento econômico. É preciso fazer com que os investidores mundiais entendam que as soluções sustentáveis podem aumentar o bem-estar e criar novas oportunidades econômicas. Para tomarmos um exemplo, em Níger, a educação e o aprimoramento de técnicas de produção agrária contribuíram para duplicar as rendas agrícolas reais de mais de 1 milhão de pessoas, ao mesmo tempo em que restauraram enormes extensões de terra gravemente degradadas. Nos Estados Unidos, em 2014, havia maior número de postos de trabalho que dependiam da energia solar do que os voltados para a mineração de carvão.

Mesmo assim, muitas pessoas insistem que implementar medidas destinadas a mitigar os efeitos da mudança climática é oneroso demais para o nosso atual modo de vida. De acordo com o estudo do Pew, quase sete de cada dez pessoas acham que, diante das limitações da tecnologia, elas teriam de assumir grandes mudanças no estilo de vida. Isso não necessariamente precisa ocorrer, e a educação pode contestar o tipo de ceticismo que fecha antecipadamente oportunidades de um modo de vida inteligente do ponto de vista climático.


Finalmente, a educação fornece o conhecimento técnico necessário para construir um futuro melhor por meio da inovação - que inclua energia limpa e segura, agricultura sustentável e cidades ambientalmente mais inteligentes. Ampliar o acesso à educação levará a mais inovação doméstica - como as oportunidades vislumbradas por empreendedores para enfrentar problemas locais. Em termos mundiais, não podemos recorrer a centros de conhecimento como o Vale do Silício ou Oxford para desenvolver uma rápida solução para o difícil problema climático. Soluções poderão vir de centros tecnológicos, mas podem vir também de povoados e cidades em desenvolvimento, de agricultores e de industriais com visões grandemente diferentes do mundo que os rodeia. E isso vai criar um círculo virtuoso. É mais fácil para pessoas instruídas migrar e se integrar em novas sociedades, compartilhando o conhecimento que trouxeram consigo.

Felizmente, as gerações mais jovens dispõem de uma educação melhor atualmente e estão mais comprometidas em reduzir suas próprias pegadas de carbono do que as gerações anteriores. Elas estão encabeçando a marcha e nos obrigando a todos a reconsiderarmos os nossos atos. Mas precisamos ampliar mundialmente o acesso à educação para garantir que os esforços delas não sejam em vão.

Em reconhecimento à importância da educação, o governo da Noruega, sob a visionária liderança da premiê Erna Solberg, criou a Comissão Internacional de Financiamento às Oportunidades de Educação Mundiais, da qual sou um dos membros. Teremos um encontro nesta semana em Oslo, e tenho esperança de que enfrentaremos os desafios da nossa época e que agiremos movidos pela consciência de que a educação é o melhor ativo de resolução de problemas que possuímos.

Fazer frente aos perigos da mudança climática não é só um imperativo existencial; é também uma oportunidade de avançar rumo a um caminho de desenvolvimento mais limpo, mais produtivo e mais justo. Apenas uma sociedade mundial instruída pode tomar as medidas necessárias para nos levar até lá. (Tradução de Rachel Warszawski)
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Harvard muda para acertar o caixa

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Enquanto reitor da Harvard Business School (HBS), parte do trabalho de Nitin Nohria é mitificar seu campus. A inauguração de um prédio no mês passado ofereceu a oportunidade de marketing perfeita. "Uma maneira de se entender a evolução dos negócios é caminhar pela HBS e observar os nomes dos prédios", disse o professor Nohria em um vídeo para celebrar a ocasião, aludindo às instalações que receberam nomes em homenagem a banqueiros como John Pierpont Morgan, Andrew Mellon e George Fisher Baker, um dos pais do Citigroup.
O novo prédio, uma base para cursos executivos chamada Centro Ruth Mulan Chu Chao, representa de fato um marco para a HBS ao celebrar a ascensão da China. Ele foi fundado com US$ 40 milhões doados por James Si-Cheng Chao, um empresário sino-americano, e nomeado em homenagem à sua falecida esposa. É o primeiro prédio da HBS a ostentar o nome de uma mulher - muito apropriadamente, uma vez que quatro das seis filhas de Chao cursaram a HBS - ou de um asiático-americano.
O Centro Chao é apenas uma das manifestações mais visíveis dos pesados investimentos que estão sendo feitos na HBS - alguns resultados de doações, outros de recursos próprios - enquanto ela tenta se ajustar às mudanças na economia mundial. Os desembolsos podem ser rastreados no balanço anual. O relatório de seu ano fiscal de 2015 mostrou que os custos aumentaram em média mais que as receitas nos cinco anos anteriores, derrubando sua margem operacional de 9,6% para 6,6%.
Reverter essa tendência é prioridade de longo prazo para a HBS, mas uma pressão sobre as margens já era esperada para esta década, em razão do aumento dos investimentos estratégicos. O curso de MBA, que Harvard criou há mais de um século, respondem por parte desse aumento dos gastos. Enquanto outras escolas direcionaram recursos para programas de um ano, como o mestrado em administração voltada para diplomados recentes, a HBS continuou dedicada ao MBA de dois anos voltado para aqueles com experiência.
Nohria descreveu o MBA em uma entrevista como o "coração e alma da escola". "Nos últimos cinco anos estamos determinados a dobrar a aposta no MBA", afirmou. "Muitos dos investimentos que estamos fazendo são para tornar mais interessantes os motivos que levam você a passar dois anos em um curso de MBA."
Um desses investimentos está sendo feito na inovação curricular que a escola chama de "Experiências de Imersão em Campo para o Desenvolvimento de Liderança", ou "Field", no acrônimo inevitável. Ela é elaborada para complementar a discussão mais abstrata dos estudos de casos em sala de aula. Um projeto típico pode envolver uma viagem à China para pesquisar de mercado de computadores pessoais em nome da Intel.
Mas nem todos estão convencidos de que ela é igual a uma experiência real. Henry Mintzberg, professor de administração da Universidade McGill, é um crítico de longa data dos MBAs e do método do estudo de casos, que ele vê como teórico demais. Ele caracteriza o Field como "jovens ignorantes tagarelando sobre o que não entendem".
O foco obstinado no curso de dois anos tem seus riscos em um mundo em que os trabalhadores lutam para conseguir tempo para estudar. Mas o MBA de Harvard, que a cada ano atrai 900 estudantes e tem um custo anual de US$ 64.000, ainda é um cartão de visita atraente para os interessados em administrar as maiores companhias do mundo. Apenas no último mês, a Nestlé e a Honeywell optaram por serem lideradas por ex-alunos da HBS.
Apesar de seus enormes recursos, a instituição ainda não conseguiu desenvolver uma reputação de estímulo ao empreendedorismo que se equipare ao seu brilho nos tradicionais corredores do poder corporativo. Um ranking de 2016 do "Financial Times" com os melhores programas de MBA para empreendedores colocou a HBS na 13ª posição, enquanto a Stanford Graduate School of Business, com seus fortes laços com o Vale do Silício, ficou na primeira posição.
No geral, a HBS teve seu curso de MBA na segunda posição mundial do ranking do "FT" deste ano, após ocupar o primeiro posto em 2015 e 2014. Harvard ainda tem uma cartada. Neste segundo trimestre, a universidade obteve a aprovação final para construir um novo prédio próximo ao da escola de negócios, que vai abrigar a maior parte da faculdade de engenharia e ciências aplicadas - um sinal de seu desejo de estimular mais parcerias entre técnicos e alunos dos MBAs.
Em meio a todo o trabalho de construção física e planos de arquitetos, há outro destino para os gastos da HBS que poderá ser mais significativo. Ela também está investindo - a soma é confidencial - em uma plataforma de aprendizado on-line chamada HBX voltada para mercados diferentes do MBA e do ensino executivo. Lançado um ano atrás, o produto é muito diferente dos Moocs ou massive open online courses (cursos online gratuitos, compactos e abertos), produzidos em grandes quantidades pelas instituições de ensino com graus de sucesso variados.
Para começar há o custo pesado. São US$ 1.800 para realizar 12 semanas na HBX sobre os fundamentos do pensamento empresarial, por exemplo. Há um elemento de aprendizado social, com os estudantes sendo incentivados a responder perguntas uns dos outros. A plataforma também contém uma versão digital de uma das mais assustadoras convenções das salas de aula de MBA de Harvard - a "cold call", em que um professor escolhe aleatoriamente um aluno para iniciar o debate. "A HBX é uma grande aposta que estamos fazendo, que acabará sendo uma vertente muito importante de nosso ensino", diz Nohria. Mas a HBS acredita que levará tempo para o projeto praticar o que prega - e obter lucro.

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A inserção do Brasil nas cadeias globais de valor

A inserção do Brasil nas cadeias globais de valor | Inovação Educacional | Scoop.it
Há cerca de três anos escrevi neste jornal um artigo sobre Beps - "Base Erosion Profit Shifitng" - em que sugeria aos leitores que anotassem essa sigla, pois a vida das empresas e dos países seria muito afetada pelos resultados da revisão das regras tributárias internacionais patrocinadas pelo G-20 e desenvolvidas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Após a conclusão dos 15 relatórios preparados pela organização é tempo de avaliação.

Nos últimos meses, tive a oportunidade de conversar com representantes de vários países e registrar a frequência de uma dimensão que tem recebido pouca atenção em nossos debates: o efeito do Beps na capacidade de um país se integrar a cadeias globais de valor. Ou seja, as regras do Beps - e a forma como os países adaptam-se no processo de implementação - podem afetar a capacidade de um país exportar, atrair investimentos, mover-se nas cadeias de valor em direção a segmentos mais nobres de pesquisa e desenvolvimento e realizar investimentos diretos de forma competitiva.

Esse é o novo elo perdido da discussão sobre as dificuldades de o Brasil se inserir nas cadeias globais de valor. É um tema suficientemente importante para exigir uma discussão além da visão fiscal que originou a decisão política de construção dessas novas regras. É importante que a Receita Federal do Brasil que, justiça se faça, teve uma participação ativa na construção das diretrizes do Beps, priorize a adaptação das regras brasileiras com foco na melhoria do ambiente de negócios e na manutenção da capacidade competitiva do Brasil.

Observar o que os nossos competidores estão fazendo e se aproximar das normas da OCDE é o caminho

Vários países estão neste momento adaptando suas regras fiscais ao Beps. E há um elemento dominante, mas ausente na reação brasileira: como obter uma fatia importante da alocação das cadeias globais de valor. China, Índia e Cingapura, para citar alguns países, estão se perguntando como capturar o valor em atividade de design e pesquisa e desenvolvimento, além de evitar a redução da competitividade do investimento direto das suas empresas.

Uma autoridade fiscal afirma que a estratégia da China deve contribuir para o upgrading das empresas multinacionais chinesas nas cadeias globais de valor e para tornar o país um dos principais mercados de atração de investimentos. E acrescenta: a reforma do imposto de renda na China deve ser considerada em combinação com a cadeia e a alocação global de valor. O centro da reforma deve ser a transição, o upgrading e uma razoável captura de valor.

E como estamos no Brasil? Uma resposta ainda presente é que finalmente o "mundo se curvou ao Brasil" e que as "regras globais estão mais próximas das brasileiras". Essa leitura é o caminho mais direto para o Brasil aumentar a sua desconexão com as cadeias globais de valor.

Há pelo menos quatro canais que exemplificam as dificuldades do Brasil se inserir nas cadeias globais de valor, potencializadas pelas novas regras do Beps. O primeiro é o do acesso a tecnologias e conhecimento. O Brasil impõe barreiras relevantes à importação de conhecimento e serviços. A tributação é superior a 46% e onera a indústria prestadora de serviços e de maior valor agregado. O Brasil perde a capacidade de ser um importante hub de prestação de serviços e reduz a competitividade da sua indústria, que consome serviços e conhecimento mais caros.

O segundo canal é o da atração do investimento direto para cadeias de valor. As barreiras citadas de acesso a serviços são também um obstáculo à atração de investimentos, mas deve-se também acrescentar os custos de transação para a integração que derivam das normas de preços de transferência, do tratamento a intangíveis e dos impedimentos à importação de serviços técnicos e administrativos. Esse ambiente é agravado pela ausência de acordos para evitar a bitributação.


O terceiro são as exportações. Os novos padrões que reformulam o conceito de Estabelecimento Permanente devem ter impactos sobre a tributação das empresas brasileiras que desenvolvem as suas atividades utilizando essa modalidade de inserção, com efeitos negativos sobre o fisco e as empresas.

O quarto canal são os investimentos diretos no exterior. As empresas brasileiras são penalizadas pelas regras de tributação nos lucros no exterior- tributação antecipada dos lucros reinvestidos - que são únicas no mundo e tornam as empresas menos competitivas.

O Brasil precisa enfrentar essa agenda. Ela é tão importante quanto a discussão tarifária para a inserção do país nas cadeias globais de valor. Observar o que os nossos competidores estão fazendo e se aproximar das normas da OCDE é o caminho para que o Brasil não seja um perdedor neste novo ambiente de regras tributárias globais.

É um tema que precisa estar nas prioridades do país com ângulos mais abrangentes que a visão fiscal. Caberia ao governo brasileiro promover uma discussão interministerial na Câmara de Comércio Exterior (Camex) para aprofundar o tema. O estudo patrocinado pela Confederação Nacional da Indústria, e com apoio da Embaixada do Reino Unido, sobre Política tributária Internacional: OCDE, Beps e G-20- implicações para o Brasil, desenvolvido por Romero J.S Tavares, é um bom roteiro para o entendimento sobre o que está em jogo.
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Como conseguir bolsas de estudo no exterior

Como conseguir bolsas de estudo no exterior | Inovação Educacional | Scoop.it
A Sqore é criação de uma startup sueca, que desenvolveu uma plataforma online de testes educacionais. Nela, os estudantes com bons resultados podem receber diversos prêmios, incluindo bolsas de estudo no exterior. Com uma proposta simples, o site pode ser um atalho para a realização do sonho educacional.

Para quem quer reforçar seu currículo com um período de intercâmbio e no processo afiar seus conhecimentos acadêmicos, a Sqore se coloca como alternativa, já que o modelo do site recompensa os mais estudiosos.

Na plataforma, são realizadas provas que testam as habilidades dos usuários em áreas como inglês, negócios, raciocínio lógico, história, entre outras disciplinas.
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Estudo mostra que permitir uso de tablets ou laptops em sala de aula tem efeito negativo no desempenho acadêmico de universitários

Estudo mostra que permitir uso de tablets ou laptops em sala de aula tem efeito negativo no desempenho acadêmico de universitários | Inovação Educacional | Scoop.it

O uso de novas tecnologias em sala de aula é um dos temas mais debatidos no campo educacional. Em defesa da tese, surge com frequência a lembrança de que nossas salas de aula são praticamente iguais àquelas do início do século passado, e que as novas gerações de alunos já nasceram acostumadas a ferramentas que permitem realizar várias tarefas ao mesmo tempo. O professor, portanto, deveria se adaptar a essa realidade, fazendo uso inteligente das novas tecnologias para melhorar a aprendizagem. É uma ideia promissora, mas não faltam também críticos. Um estudo de pesquisadores do MIT (Instituto Tecnológico de Massachusetts), divulgado em maio, reforça os argumentos dos céticos em relação ao uso de novas tecnologias em sala de aula.
Para investigar o impacto do uso de tablets e laptops no desempenho acadêmico dos alunos, os pesquisadores Susan Carter, Kyle Greenberg e Michael Walker dividiram aleatoriamente estudantes de uma academia militar de ensino superior nos EUA em três grupos. O primeiro teve acesso totalmente liberado a esses dispositivos durante as aulas. O segundo podia usar, mas apenas para acessar conteúdos ou materiais relacionados à aula, e o professor poderia a qualquer momento checar se não estavam em outras atividades. Por fim, um terceiro grupo era totalmente proibido de utilizar qualquer desses aparatos.

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Educação de Jovens e Adultos a distância facilita a entrada no Ensino Superior

Educação de Jovens e Adultos a distância facilita a entrada no Ensino Superior | Inovação Educacional | Scoop.it
Uma pesquisa realizada pelo Centro Universitário Internacional Uninter identificou os principais motivos entre os alunos que buscam a conclusão do ensino médio em uma faixa etária diferente. Entre os destaques está o fato de que 43% dos alunos não concluíram o ensino médio porque começaram a trabalhar.

Neste cenário, a oferta do Ensino Médio para Jovens e Adultos (EJA) na modalidade a distância ajuda muitos profissionais. A oportunidade mudou o rumo da vida de Lauro Leal, de 23 anos, e de Luiz Santos, de 37.

Leal começou o curso sem perspectivas de entrar no Ensino Superior, mas há apenas dois meses finalizou o EJA e já ingressou em dois cursos: bacharelado em Serviço Social e licenciatura em Sociologia. “Gostei de voltar a estudar e me adaptei bem ao formato a distância; por isso, resolvi continuar, para realizar o sonho de dar aulas. Faço duas graduações, também a distância”, explica o ex-aluno.

Já Santos aproveitou a praticidade do EJA Uninter e terminou as matérias que faltavam para conquistar o diploma do Ensino Médio: Matemática, Física, Biologia e Química. “Estudei no exterior e quando voltei faltavam horas no meu currículo escolar, o acompanhamento que tive na Uninter foi essencial. Tive um cronograma preparado especialmente para as minhas necessidades e em três meses finalizei essas matérias e dei continuidade a minha vida profissional”.
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União entre EAD e intercâmbio é caminho para internacionalizar carreira

União entre EAD e intercâmbio é caminho para internacionalizar carreira | Inovação Educacional | Scoop.it

Participar dessa rede internacional de estudantes através da facilidade da EAD proporciona uma experiência diferenciada sem sair de casa. Para quem quer ir mais além na carreira, a Laureate oferece aos seus alunos diversas oportunidades de trocar experiências com outras instituições espalhadas pelo globo - a rede abarca 80 unidades no total.
Uma dessas opções são os cursos de férias em universidades no exterior, organizados pelo Brasil International Office, departamento responsável por enviar e receber estudantes, facilitando a experiência internacional durante os estudos. Assim os intercambistas recebem apoio especializado na organização dos documentos e outros requisitos para a viagem. Estudantes da rede Laureate recebem descontos especiais para os intercâmbios, que contam com certificados internacionais. Confira as opções e avance na sua carreira!

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Conceito de nação tomou o lugar de Deus

Conceito de nação tomou o lugar de Deus | Inovação Educacional | Scoop.it
O nacionalismo pode substituir o sentimento religioso na sociedade pós-moderna e o conceito de pátria, em alguns casos, assumiu o lugar de Deus. Esse fenômeno vem desde o Iluminismo e o "desempoderamento" da Igreja Católica, observa Karen Armstrong, autora do recém-lançado "Campos de Sangue - Religião e a História da Violência" (Companhia das Letras). Nesta entrevista ao Valor, ela diz que a mídia ocidental oferece uma imagem distorcida do islamismo, que colabora com a visão de que a responsável por todos os problemas causados por terroristas muçulmanos é a religião. Para Karen, ex-freira que se tornou uma das grandes historiadoras da religião da atualidade, a opinião pública está muito mal posicionada para observar a realidade por detrás de atos essencialmente políticos.

Valor: O nacionalismo é um substituto para a busca interior, ou sentimento religioso do ser humano na sociedade pós-moderna?

Karen Armstrong: A nação aflora das mesmas emoções que a religião. O nacionalismo dos Estados Unidos, a primeira república secular do mundo, é profundamente religioso. Quando o hino nacional em qualquer país toca, os corações balançam, sentimos como se pertencêssemos a algo maior e mais importante do que nós mesmos. Em algumas partes do mundo, pode-se dizer que a nação substituiu Deus. Se considerarmos o sagrado como algo pelo qual estamos prontos a morrer, é significativo que hoje em dia não seja mais aceitável morrer por sua religião, mas honrado morrer por seu país. Depois que a Revolução Francesa criou o primeiro Estado secular na Europa, tinha de "desempoderar" a Igreja Católica, o que estava implícito no confisco de todas as propriedades da igreja, que foram colocadas à disposição do Estado. Em seguida, houve os Massacres de Setembro, quando milhares de padres foram assassinados pela multidão. Em 1793, mesmo ano do Reinado do Terror no qual jacobinos deceparam em público 17 mil pessoas, criaram uma nova religião: a nação. Eles faziam festas religiosas extraordinárias, celebrando "a França" e a liberdade. O Estado-nação identificava o aparato governamental - o Estado - e a nação, uma entidade unida pela descendência comum, a língua e a história.

Valor: A religião é sempre lembrada como fonte de violência. Mas a senhora diz em seu livro que suas raízes e objetivos estão direcionados à paz, à compaixão e à tolerância com relação ao estrangeiro...

Karen: Os jornais e a mídia amam conflitos. Uma vez tive um encontro em Washington com colegas da mídia para falar de religião. O chefe de transmissões religiosas da NPR [National Public Radio] me disse que sem conflito não há matéria. Mas creio ser agora imperativo que a mídia adote uma linha mais equilibrada, uma vez que o público está muito mal situado para compreender a chamada violência "islâmica" a que estamos assistindo desde o 11 de Setembro.

Valor: O que a leva a pensar assim?

Karen: O Instituto Gallup fez sua mais abrangente pesquisa sobre o tema em 35 países de maioria muçulmana, por um período de sete anos. Queria saber se as pessoas nesses países achavam que os ataques do 11 de Setembro eram justificáveis. Para 93% dos entrevistados, os atentados não tinham justificativa nem lugar no islã e deram motivos inteiramente religiosos para embasar suas respostas. Citaram o Alcorão afirmando que matar uma única pessoa é como matar o mundo inteiro. Os 7% que consideraram o 11 de Setembro justificável deram razões inteiramente políticas, citando problemas enormes como a questão palestina. Essa pesquisa deveria ter sido amplamente divulgada no Ocidente, mas a mídia não publicou esses resultados e ninguém parece ter lido a respeito deles. Isso significa que não estamos olhando para os fatos com a clareza necessária neste perigoso momento da história.

Valor: A senhora acha que o Estado Islâmico (EI) também estaria sendo apresentado de uma forma parcial?

Karen: É fato que muitos desses líderes do EI foram líderes do desmantelado exército de Saddam Hussein (1937-2006). Significa que não se tratam de fanáticos religiosos, mas de socialistas seculares baathistas [ligados ao Partido Árabe Socialista Baath, do Iraque]. Nunca ouvimos falar disso na imprensa. Sabemos que o EI já foi condenado nos mais fortes termos por todas as mais altas autoridades muçulmanas, das salafistas às liberais, das xiitas às sunitas. Mas, de novo, não lemos essas condenações veementes na imprensa e as pessoas ficam reclamando que os muçulmanos não condenam as atrocidades do EI. Quando o refém francês François Didier, preso pelo EI por dez meses, foi libertado, ele disse que o discurso de seus algozes era totalmente político. Um jornalista da revista "Foreign Policy", que debateu com apoiadores do EI na Jordânia, afirmou que eles não mencionaram religião, suas preocupações eram totalmente políticas e que nenhum deles atendia às chamadas para oração.

Valor: Em seu livro, a senhora cita as descobertas de Marc Sageman, ex-oficial da CIA, que entrevistou cerca de 500 pessoas conectadas com os atentados do 11 de Setembro ou aos ataques isolados que ocorreram depois daquela data...

Karen: Ele descobriu que apenas 25% vinham de uma criação muçulmana convencional; os demais eram ou novos convertidos ou não seguidores até se unirem ao movimento jihadista. O problema, concluiu Sageman, não era o islã, mas a ignorância a respeito do islã. A motivação mais forte nessas pessoas vinha de uma profunda falta de significado e a futilidade em suas vidas. Como mostro no livro, o tédio sempre foi uma força que, através da história, atraiu os jovens para a batalha. Essas conclusões deveriam ser transmitidas em alto e bom som na mídia, para que o público e nossos políticos fossem devidamente informados sobre o que acontece.
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Recessão adia sonho da universidade para jovens da favela de Paraisópolis

Recessão adia sonho da universidade para jovens da favela de Paraisópolis | Inovação Educacional | Scoop.it
A mãe do jovem Acácio Reis Pereira ficou desapontada quando ele decidiu, no ano passado, trancar o curso de licenciatura em música em uma faculdade privada. Embora nunca tenha sonhado com a carreira de músico para o filho - preferia uma profissão mais estável, como médico, advogado ou engenheiro - a perspectiva de um diploma para o filho era uma boa notícia. "Foi uma tristeza para minha mãe, mas não tive culpa", diz o jovem.

Aos 23 anos, Acácio tinha um sonho: ser o primeiro da família a concluir o ensino superior. Mas no fim do ano passado, perdeu o emprego e teve que adiar os planos. Em Paraisópolis, onde Acácio vive, 35% da população tem entre 15 e 29 anos. Símbolo da ascensão social nos anos 'dourados' de inclusão pelo consumo e de queda da desigualdade no país, a favela sente duramente o impacto da crise.

Um dos efeitos mais evidentes é o risco de redução das perspectivas abertas nas últimas décadas pelo aumento da renda, por programas como o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), ou pelos esforços de reurbanização que caminhavam para transformar a favela em bairro e estão paralisados por falta de recursos.

O pai, separado da mãe e dono de um bar, também ficou chateado quando o filho largou os estudos. "Ele me dava o maior apoio", diz Acácio, que toca percussão desde criança e integra a bateria da Unidos da Peruche. Ele viu na música erudita a possibilidade de uma carreira mais estável, desde que estudou na Orquestra Filarmônica de Paraisópolis, projeto social que já profissionalizou 284 crianças e jovens da comunidade desde 2010.

Acácio percebeu que não ia conseguir pagar as mensalidades de R$ 450 na FMU - mesmo com a bolsa de 30%- depois que perdeu salário de R$ 1.000 que recebia trabalhando como monitor e ajudando os demais alunos na orquestra.

A irmã de Acácio, que tem 21 anos e estudou só até o ensino médio, também está desempregada. A família vive com o salário da mãe, que é ajudante de cozinha. Para pagar as contas de água e luz - parte que lhe cabe das despesas mensais - Acácio tem feito bicos tocando em bares, principalmente em casas de música sertaneja. Tira cerca de R$ 600 por mês. Há três semanas, passou a trabalhar no Serviço de Assistencia Social à Família e Proteção Social Básica no Domicilio (Sasf), da prefeitura, onde tem carteira assinada e vê de perto a necessidade das famílias da comunidade. Pretende buscar alternativas para financiar a faculdade. "Vou tentar Enem, Fuvest e Vunesp."

O desemprego é o efeito da crise que mais preocupa Paraisópolis, afirma Gilson Rodrigues, presidente da União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis. Crescem na comunidade relatos de chefes de família que foram demitidos, na maioria mulheres e mães solteiras, e agora pedem ajuda para comprar itens da cesta básica.

"Nos últimos anos isso não acontecia mais, recebíamos mais pedidos de ajuda para fazer cursos", diz Gilson. Renato Meirelles, presidente do Data Favela, diz que a população carente é mais vulnerável à recessão porque tem baixa qualificação e pouca poupança. Além disso, é comum que os moradores das favelas sofram discriminação no mercado de trabalho, tanto racial quanto relacionado ao local de moradia. "Em geral estão em subempregos no setor de serviços. Homens na construção, mulheres na limpeza e vendas", diz.

"Três dos nossos alunos trancaram a faculdade porque não conseguem pagar", conta Mônica Faria Rydlewski, coordenadora da orquestra de Paraisópolis. "A partir do momento que pai perde o emprego, o dinheiro que o jovem ganha ou ele paga a faculdade ou ele ajuda a família", diz Mônica.

Relatos semelhantes aparecem também na escola comunitária gratuita mantida em Paraisópolis pela Escola Alef, financiada pela comunidade judaica. Alexandre Ostrowiecki, presidente voluntário da Alef há seis anos, diz que cinco alunos formados na primeira turma de Paraisópolis, em 2015, foram aprovados em universidades federais, mas não cursaram por falta de dinheiro. Oito alunos que entraram para faculdades privadas enfrentam o mesmo problema.

"A escola não tem verbas para financiar os alunos nos estudos", diz Ostrowiecki. Apesar disso, 45% dos formados em Paraisópolis continuam cursando a faculdade e cinco deles são bolsistas do Prouni.

A namorada de Acácio, Cleria Souza Pereira, 21 anos, também tem bolsa do Prouni. Diz que só assim consegue se manter no quinto semestre de psicologia da PUC-SP. "Ouvi que já cortaram bolsas em outras universidades. Amo meu curso demais e se não fosse o Prouni, não sei como iria me virar", diz Cleria, nascida e criada em Paraisópolis. Concluiu o ensino médio na escola particular mantida em Paraisópolis pelo Colégio Visconde de Porto Seguro, um dos mais conceituados do país, no projeto Escola da Comunidade.

Além de bolsa para a mensalidade, de R$ 3 mil, Cleria recebe pelo Prouni o subsídio para alimentação e transporte. Na casa dela, cinco pessoas vivem apenas dos eventuais bicos do pai, de 57 anos, que é pedreiro e pintor. A mãe deixou de trabalhar para cuidar da avó e do tio, que têm problemas de saúde.

Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) evidenciam maior vulnerabilidade dos jovens à crise e às demissões: no primeiro trimestre, enquanto a taxa de desemprego total era de 10,9%, chegava a 26,36% na faixa de 14 a 24 anos.

"O jovem sofre mais com o desemprego que a média da população. Por isso o impacto da crise sobre os jovens que começavam a entrar para a universidade é grande", diz Meirelles, do Data Favela. "Você junta isso com a queda das bolsas, do Fies, do Prouni, e você começa a reduzir as perspectivas de melhora educacional. "

Rodrigues, da União dos Moradores, teme que as desistências cresçam. "Sentiremos isso com mais força em julho, quando começam as férias. Os alunos têm que pagar as mensalidades atrasadas para renovar a matrícula e muitos não conseguirão", prevê.
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Travessia não é fatalidade

Travessia não é fatalidade | Inovação Educacional | Scoop.it
É imperiosa a necessidade de fortalecer políticas sociais e impulsionar o emprego, os mercados locais, o equilíbrio ambiental e laços de inclusão extensivos aos imigrantes.

Também compartilha desta convicção o Papa Francisco, com quem nos encontramos no último dia 24 de junho, no Vaticano.

A desaceleração do crescimento capturou a América Latina em uma encruzilhada que ameaça desfazer mais de uma década de avanços sociais e econômicos.

Na região, sobretudo, o risco de retrocesso é real.

Em 2015 a renda per capita regional recuou 1,5%. Para 2016, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, Cepal, prevê uma queda de 0,6% no PIB regional, severamente afetado em muitos países pela queda nos preços das exportações. No caso dos embarques agrícolas a queda foi superior a 30%, entre 2011 e 2015.

O gargalo fiscal não pode ser interpretado como uma tragédia que se abate sem deixar escolhas ou abrigos. A sociedade latino-americana dispõe de experiência e vigor democrático para contornar as transições sempre restritivas do desenvolvimento

O que se despede agora é o singular ponto de encontro entre uma oportunidade derivada do chamado "superciclo das commodities" e sua internalização, marcada por pressões sociais de urgência e densidade seculares.

Nessa janela histórica, compromissos de combate à fome e à desigualdade social se incorporaram às referências de Estados e governos, modificando ineditamente o metabolismo econômico regional.

Desde 2002, 58 milhões de latino-americanos ultrapassaram o limiar da pobreza; 28 milhões superaram a miséria e 23 milhões deixaram para trás a servidão da fome. Esse avanço permitiu que a América Latina cumprisse a ousada meta da Cúpula Mundial de Alimentação de reduzir pela metade o número total de pessoas subalimentadas entre 1990 e 2015.

E mais do que isso. A emergência de um mercado interno antes reprimido ativou o emprego, a demanda de consumo e de investimento e descongelou o hiato dramático da infraestrutura.

O Brasil destacou-se nesse mutirão ao reduzir sua taxa de pobreza em 70% desde 2004. Um ciclo de expansão acompanhado de melhor distribuição da renda, permitiu, pela primeira vez, que a desigualdade brasileira, medida pelo índice Gini, ficasse abaixo de 0,5 (0,494 em 2014, contra 0,535 em 2004, conforme a Pnad/IBGE).

Neste momento em que a economia se depara com uma dobra entre duas páginas do desenvolvimento, não é sensato desperdiçar a base arduamente construída.

Seria um truísmo dizer que na América Latina ingressamos em uma situação crítica, na qual os Estados não conseguem fluidez para cobrir seus gastos. A escassez - não propriamente de riqueza, mas sobretudo do acesso a ela - sempre foi norma na história local.

A baixa carga fiscal na América Latina, com média de 21%, explica uma parte da rigidez nessas transições, não raro acompanhadas de rupturas políticas: nessa região, os 10% mais ricos concentram 71% da riqueza - mas recolhem apenas 5,4% dos impostos.

A fotografia fiscal de corpo inteiro - e não apenas o flagrante da crise - evidencia o desafio estrutural de se ajustar orçamentos ancorados em impostos indiretos, que representam 2/3 da receita, contra apenas 1/3 de tributação sobre a renda.

O desequilíbrio da composição condiciona uma natureza orçamentária pró-cíclica, que dificulta o manejo de políticas sociais e de investimento em cenários de contração do emprego e da demanda - o que ajuda a entender a tradição errática do crescimento regional.

Se houve negligência latino-americana na curva ascendente das commodities, que durou até meados de 2012, a melhor autocrítica a fazer agora seria não repetir o comportamento de manada com sinal invertido, sob pena de se enrijecer ainda mais a demanda e o investimento no horizonte local.


Um bom ponto de partida é não desdenhar da importante adição de resiliência que as políticas de combate à pobreza e à fome introduziram no metabolismo regional.

Embora o gasto social médio na região esteja estagnado ou em retrocesso - isso depois de saltar de US$ 801 per capita, nos anos 90, para US$ 1.841 no biênio 2013/14 - cerca de 60% dos latino-americanos mais pobres estão hoje cobertos por iniciativas de proteção social.

Estamos falando de um contingente de 120 milhões de pessoas, segundo a Cepal, cujo acesso a programas de combate à fome e à miséria desempenha importante papel anti-cíclico nesse momento de incertezas renovadas

O Brexit pode desintegrar a União Europeia e infectar o mundo com uma espiral ascendente de protecionismo e xenofobia, impulsionada pelo sentimento real de perda de amplos contingentes que tiveram suas vidas mastigadas pela globalização. Proteção social não é um escudo estático.

Entre os mais vulneráveis aos solavancos da luta pelo desenvolvimento estão as crianças. No Brasil, por exemplo, o impacto mais forte da miséria atingia justamente a faixa de idade até 5 anos, onde o percentual da pobreza extrema - alvo do programa Brasil Sem Miséria - caiu de 14% para 5% nos últimos dez anos.

A América Latina já cresceu antes sem inclusão social, compondo um cardápio paradoxal de aumento da riqueza, que deixou uma conta cara às gerações futuras. O abismo da desigualdade, marcado por padrões insatisfatórios de educação, hiato de produtividade e insegurança alimentar, instalou uma bomba de efeito retardado da qual se ressente até hoje o desenvolvimento regional.

O gargalo fiscal - real, preocupante - não pode ser interpretado como uma tragédia que se abate sem deixar escolhas ou abrigos. A sociedade latino-americana dispõe de experiência e vigor democrático para contornar as transições sempre restritivas do desenvolvimento.

A valorização dos escudos e contrapesos construídos na luta recente contra a fome e a miséria oferece um bom ponto de partida para afrontar a armadilha que confunde travessia com fatalidade.
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Poucas escolas atendem à demanda por profissionais de marketing digital

Preparar profissionais para o mercado de marketing digital tem sido um desafio para escolas de negócios e um promissor nicho de atuação para novas instituições de ensino especializado. Respondendo à demanda crescente do mercado por conhecimento e formação, elas vêm criando e adaptando currículos para acompanhar tendências e ajudar a desenvolver os perfis desejados pelas empresas.

Respondendo à procura crescente de alunos e empresas por uma formação integral, a FIA criou, há três anos, o curso de pós-graduação em marketing digital. De acordo com o coordenador Fábio Lotti Oliva, a disciplina já existia em alguns programas de administração e comunicação, mas a formação específica era necessária para que a escola pudesse aprofundar ferramentas próprias do marketing digital. "Ainda há uma base forte do marketing tradicional e estratégico, mas 70% do curso é dedicado a atividades como analytics e design thinking", afirma.

O curso tem 400 horas presenciais e formação suplementar opcional na França, que dá ao participante a dupla titulação e o título de MBA internacional. A escola também organiza atividades como visitas a empresas no Vale do Silício e a companhias como Google e Facebook no Brasil, para que os alunos possam ver o marketing digital dentro das estruturas corporativas que o consagraram.

"Os participantes têm muita carência de atividades tangíveis, métricas de performance, ferramentas e aplicações práticas", afirma. Esse currículo, porém, é revisado com frequência. "É preciso ter uma atualização semestral do programa, graças às necessidades que o mercado impõe", diz Oliva.

A participação crescente de alunos brasileiros em sua sede na Suécia fez com que, há um ano e meio, a escola Hyperisland desembarcasse no país com a proposta de oferecer cursos em temas como estratégia digital e jornadas de aceleração digital. "A ideia é formar pessoas que estejam sempre prontas para o mercado, independentemente da tecnologia do momento", afirma Nathalie Trutmann, managing director da Hyperisland na América Latina. "A metodologia tem três pilares: o aprendizado 'mão na massa', o foco no mercado e o desenvolvimento pessoal."

A escola, segundo Nathalie, tenta transformar a maneira com que muitos executivos pensam o ambiente digital. "Estamos no meio de uma revolução, não só de plataformas e meios de comunicação, mas de infraestruturas e comportamentos. A maior barreira para as companhias é o modelo de liderança hierárquico e processual, que não consegue mais acompanhar essas mudanças", afirma. Diferentemente de um curso de MBA, o espectro de alunos passa por recém-formados, CEOs, empreendedores e executivos. "Nesse novo cenário, não existe expert nem guru. É importante saber desafiar e ser desafiado, testar, aprender e depois desaprender", diz.

Mesmo com a turbulência econômica, Nathalie percebe um aumento na demanda por esse tipo de curso. A crise, segundo ela, ajudou o negócio, uma vez que as empresas vêm enxergando a necessidade de mudança. Os clientes, explica, chegam com uma visão de urgência e são muito exigentes em relação ao resultado do curso na empresa. "Mas o imediatismo está na raiz do problema. Ele muda a superfície e não o conteúdo, ele enxerga a ferramenta e não o comportamento. O que falta é esse conhecimento mais amplo", diz.
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Bertelsmann vai investir em universidades no Brasil

Bertelsmann vai investir em universidades no Brasil | Inovação Educacional | Scoop.it
No momento em que o setor de educação se movimenta com a proposta de fusão de Kroton e Estácio, o grupo de mídia alemão Bertelsmann quer garantir um espaço no segmento de universidades no país. A expectativa é que até agosto a companhia anuncie a compra de participação minoritária relevante em uma instituição local. Será o primeiro de uma série de investimentos do tipo que a companhia pretende fazer no Brasil.

Segundo Marc Puskaric, que assumiu o cargo de diretor-geral da Bertelsmann no Brasil em janeiro, o alvo são instituições familiares com foco nas áreas de medicina e saúde. O executivo ressalta, no entanto, não ter intenção de entrar na disputa por negócios de maior porte com os grandes grupos, mas procurar operações de nicho.

"Se a família quiser um parceiro que não quer impor uma marca, um estilo de gestão e manter o legado, nós queremos ser a opção", disse o executivo ao Valor. A área de educação voltou ao centro das atenções da Bertelsmann no ano passado, com a criação de uma divisão específica. A companhia havia deixado o segmento no começo dos anos 2000.

Os recursos para as aquisições virão de um dos dois fundos que a companhia tem com a Bozano Investimentos. O Bozano Educacional II tem R$ 800 milhões em recursos, sendo 40% aportados pela Bertelsmann.

Em junho do ano passado, este fundo Bozano II comprou 40% da Affero Lab, de educação corporativa. O Valor apurou, à época, que o preço foi de R$ 90 milhões.

O segundo fundo é o BR Education Ventures, que tem R$ 100 milhões para aplicar em startups de tecnologia do segmento educacional. O fundo já investiu em três startups.

Além desses dois fundos com a Bozano, a companhia tem recursos em dois dos mais atuantes fundos de investimento em startups do país: Monashees e Redpoint e.ventures.


A compra de participações minoritárias faz parte da estratégia que a Bertelsmann vem colocando em prática desde que abriu um escritório próprio no Brasil em 2012. Até então, a companhia vinha atuando no país há quatro décadas por meio de subsidiárias como a empresa de serviços Arvato e a produtora de conteúdo Fremantle.

De acordo com Puskaric, comprar fatias minoritárias é uma forma de conhecer o mercado e se integrar a ele. A expectativa do diretor-geral é que em até três anos a Bertelsmann faça novos investimentos para se tornar a controladora dos negócios. "A alta gestão [da companhia] defende o investimento no Brasil. A crise é grave, a retomada não será rápida. Mas os fundamentos que justificaram o investimento em 2012 continuam firmes", afirmou.

O escritório no Brasil foi o último de cinco unidades instaladas ao redor do mundo para apoiar a expansão da companhia além da Europa e para novas áreas de atuação. A operação demandou investimento de € 356 milhões no ano passado, uma leve melhora em relação aos € 372 milhões aplicados um ano antes.

O resultado operacional (Ebitda) melhorou 9%, para €76 milhões. A estratégia dos centros de operações, como são chamados os cinco escritórios, permitiu que as receitas internacionais subissem de 20% em 2012 para 35% do total em 2015.

No plano de crescimento desenvolvido pelo presidente mundial Thomas Rabe - que assumiu em janeiro de 2012 e acaba de renovar seu contrato para mais quatro anos à frente das operações -, a companhia já investiu em mais de 100 startups ao redor do mundo e retomou os negócios de educação, de gerenciamento de direitos autorais na área de música (com a BMG) e constituiu uma joint venture com a Pearson para criar a Penguin Random House.

Controlada pela família Mohn, e com quase 120 mil funcionários em 50 países, a Bertelsmann registrou receita de € 17,1 bilhões em 2015, alta de 3%, com lucro líquido de € 1,1 bilhão - um salto de 94%.

No Brasil, as operações cresceram com os investimentos no segmento de educação e também com outras operações como a compra de 40% da editora Companhia das Letras pela Penguin Random House, e da companhia de recuperação de crédito Intervalor pela Arvato.

A BMG começou a atuar no país neste ano e o programa de talentos "The X Factor" terá sua primeira edição local exibida pelo SBT no 2º semestre.
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O sonho chinês e o pesadelo alemão - Inovação

O sonho chinês e o pesadelo alemão - Inovação | Inovação Educacional | Scoop.it
O sono de governantes em Berlim e em toda a Europa não tem sido muito tranquilo desde que a chinesa Midea ofereceu € 4,5 bilhões para controlar a Kuka, uma das mais avançadas empresas de robótica da Alemanha.

A possibilidade de aquisição da empresa alemã que produz robôs de última geração, utilizados pela BMW e Audi, assim como pela americana Boeing, amedronta europeus, americanos e japoneses. O temor é mais do que compreensível, pois se o negócio se concretizar, a quarta revolução industrial, chave para os países avançados, pode prosperar rapidamente na China.

Se realizada, a compra representará o controle da China de tecnologias críticas que estão na base das estratégias alemãs de manter sua liderança mundial em manufatura, com a plataforma chamada Indústria 4.0.

Pela sua condição de liderança na indústria inteligente, a Alemanha se converteu no prato preferido para saciar o apetite da China: em 2015, 36 empresas alemãs de tecnologia foram adquiridas por grupos chineses, e neste meio ano, outras 25 estão em negociação

A Kuka lidera segmentos que caminham aceleradamente para a digitalização de processos industriais, que têm no horizonte a automação completa das fábricas. O incômodo no governo de Angela Merkel é profundo e repercute no Parlamento Europeu, com a disseminação de fortes dúvidas sobre a oportunidade - ou não-- de se permitir a passagem de uma empresa-chave para mãos chinesas.

O espectro de que carros, máquinas e aviões do futuro deixariam de ser símbolos de Stuttgart ou Wolfsburg, e passariam a se apresentar com sotaque mandarim é fonte de fortes debates entre autoridades e empresários. Empresas alemãs como a Siemens, ou a suíça ABB e a multifacetada Airbus são insistentemente sondadas para a formação de um consórcio pan-europeu voltado para a manutenção do controle da Kuka, em uma clara tentativa de desconstrução das ambições da Midea.

A convicção de que Beijing jamais permitiria uma aquisição de tecnologia chinesa dessa qualidade alimenta mais as resistências.

Diante do nervosismo das autoridades, executivos da Midea afirmam que a aquisição seria altamente benéfica para a Kuka, que teria acesso irrestrito ao mercado chinês, que hoje conta com o maior número de robôs instalados na indústria, e se encontra em franca expansão.

A questão de fundo é que a China, mais do que a busca de robôs para a indústria, busca um passaporte para o futuro, cuja base é a integração entre manufatura, serviços e comércio. Mais do que uma fábrica de robôs, a Kuka traz a possibilidade de incorporação aos ativos chineses de toda uma plataforma tecnológica, baseada em conhecimento e processos de alto desempenho.

Pela sua condição de liderança na indústria inteligente, a Alemanha se converteu no prato preferido para saciar o apetite do Reino do Meio: em 2015, 36 empresas alemãs de tecnologia foram adquiridas por grupos chineses, sendo que neste meio ano, outras 25 estão em negociação. Com o aquecimento da demanda, o ticket médio de aquisições na Alemanha também subiu. Apenas neste ano, a ChemChina comprou a KraussMaffei Group, empresa de máquinas, por € 1 bilhão e a Beijing Enterprise Holdings arrematou a EEW Energy from Waste, empresa de processamento de resíduos e de energia, por € 1,44 bilhão. O atual lance da Midea representa uma nova escala nas aquisições, expressão maior da determinação chinesa.

A China busca robotizar aceleradamente seu parque produtivo, mas quer também se capacitar para a fabricação de produtos high tech, em que precisão e qualidade são essenciais. O trânsito para uma nova indústria, mais digitalizada e baseada em circuitos integrados, sensores, softwares e inteligência artificial é chave para elevar seu padrão produtivo, ainda muito intensivo em trabalho humano.


A travessia para a produção de bens mais sofisticados é o caminho visualizado pelas autoridades chinesas para entrar no seleto grupo dos países que desenvolvem carros autônomos, programas espaciais avançados, drones, medicamentos e equipamentos de saúde de última geração. A China tenta comprar seu ingresso no grupo de elite dos países que alimentam a construção de um novo paradigma industrial, com consequências para todo o planeta. A competição é aguda, pois também a Coreia, a Índia e outros emergentes procuram não ficar para trás, arriscando se perder nas franjas do mundo avançado, enredados no universo das commodities.

Os países atentos a esse movimento usam e abusam de todas as armas, desde a adoção de zonas especiais para o desenvolvimento de robôs e automação, passando pelos estímulos à formação de joint ventures com empresas estrangeiras e atração do investimento externo, até a construção de plataformas exploratórias de novas tecnologias, com mudanças no modo de ensinar engenharia e na qualificação das pessoas.

O Brasil, por meio de seus ministérios e órgãos como o BNDES, a Finep, ABDI, CNPq, INPI e Inmetro, deveria estar totalmente voltado para esses desdobramentos, seja pelas dificuldades da economia, seja pela profunda crise que devora nossa indústria.

No entanto, em ambiente que exala negatividade, o risco no Brasil é que a preocupação dos governantes europeus ante as pretensões chinesas seja interpretado como mais uma permissividade e interferência indevida do Estado no jogo do mercado. Enquanto nosso país decide o que o Estado pode ou não fazer, alemães, europeus e chineses, cada um a sua maneira, usam todo o arsenal disponível para blindar ou ampliar seus ativos tecnológicos. Dada a crise econômica e ausência de prioridades para a alocação dos escassos recursos, nosso país tende, mais uma vez, a ser engolido pelo curto prazo e a empurrar para o gueto nossa Ciência, Tecnologia e Inovação

Bem que governo e empresários brasileiros poderiam ter comportamento mais básico e correr atrás de algum negócio parecido, ainda que levemente, com o da China.

A internacionalização de nossas empresas e universidades, assim como a reformulação de nossa indústria a partir da busca obstinada de conhecimento e tecnologia, dentro e fora do país, são atividades que expressam inteligência e ajudam a elevar a baixa produtividade. E ainda por cima não custam caro, principalmente se comparadas ao preço que nossa economia vai pagar pelo atraso da nossa indústria que não para de se aprofundar.
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Desbravadora de mentes

Desbravadora de mentes | Inovação Educacional | Scoop.it

Suzana Herculano-Houzel entra no Gero, em Ipanema, puxando uma mala de rodinhas. Acaba de chegar de Nashville, cidade ao Sul dos Estados Unidos onde vive desde maio. A neurocientista, que participou da Festa Literária de Paraty (Flip) na semana passada, veio buscar sua coleção de cérebros dos mais variados animais: gato, girafa, pássaros, baleia etc. São centenas, armazenados em cinco freezers do seu antigo laboratório na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Suzana atravessa o salão a passos apertados e estaciona a bagagem ao lado da mesa. Veste uma camiseta preta e um lenço colorido ao redor do pescoço. Os olhos castanhos vivos mal denunciam o cansaço de quem amargou no aeroporto por causa do atraso do voo e passou um total de 12 horas no ar. Pendura o casaco na cadeira, apoia o antebraço na mesa e conta que precisa passar ainda hoje no consulado americano. Motivo? Seu filho de 12 anos recebeu, por engano, um visto de trabalho. Assim que a família pisou nos Estados Unidos, um policial estranhou que um garoto daquele tamanho já trabalhasse. Levou todos a uma pequena sala para tirar a história a limpo: "Conheci o lugar para onde são levadas as pessoas que têm problema com imigração", diz.

Já o carimbo no passaporte da neurocientista veio correto - seu visto é o H-1B. Em um debate recente, que fez sucesso na internet, o físico americano Michio Kaku disse que esse é "o visto dos gênios", arma secreta dos Estados Unidos para fisgar os melhores cérebros do mundo. É o caso da carioca Suzana Herculano-Houzel, uma das pesquisadoras brasileiras de maior projeção internacional. Graduada em biologia na UFRJ e com mestrado, doutorado e pós-doutorado em neurociência nos EUA, na França e Alemanha, a neurocientista de 43 anos deixou recentemente seu laboratório na universidade federal carioca para dar aulas nos departamentos de psicologia e ciências biológicas da Universidade Vanderbilt, no Estado de Tennessee (EUA).

Ao anunciar sua decisão, jogou luz sobre o modo como a ciência é tratada no Brasil e virou assunto na mídia e nas redes sociais. Recebeu, sobretudo, mensagens de apoio, mas também recados do coro dos descontentes.

Suzana desconsidera o couvert sobre a mesa, mas não consegue fazer o mesmo com seus detratores. "Ontem acordei aborrecida com os chatos do Facebook." Colocando a mão sobre o peito para encenar o absurdo, prossegue: "'Suzana tinha que lutar e resistir pelo Brasil.' Sou dona do meu nariz e tenho a liberdade de trabalhar onde quiser". "Não quero censurar ninguém, mas sabe de uma coisa? Comentário abusivo eu bloqueio!", diz, gesticulando bastante, até pousar as mãos no copo de suco de limão.

Suzana costuma falar sobre o funcionamento do cérebro de forma simples e instigante
O investimento destinado à pesquisa no Brasil, diz, costuma ser pífio, colocando o país em enorme desvantagem em relação aos pesquisadores de outras nacionalidades. Se seguisse à risca o conselho de "ficar e lutar pelo país", diz, estaria agora "à toa" em seu laboratório, sem condições de seguir com seus projetos por falta de recursos. Com o encolhimento das verbas que recebia do governo federal e do Estado do Rio, Suzana recorreu a uma campanha de financiamento coletivo. Arrecadou R$ 113 mil, que "sumiram no éter" em cinco meses. Praticamente o mesmo valor que o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico (CNPq) prometera (R$ 120 mil), mas com a condição de que durasse cinco anos.

Ante um quadro desalentador como esse, a decisão de partir foi muito fácil. A proposta de emprego que recebeu da universidade americana era irrecusável e a UFRJ não tinha condições de cobrir. "Meu salário é várias, várias, várias vezes maior do que eu tinha", diz, girando as mãos no ar a cada vez que repete a palavra "várias". No Brasil, era necessário dar palestras e consultorias para fechar a conta no fim do mês.

A neurocientista está de licença não remunerada da UFRJ, mas ainda mantém vínculo com a universidade. Há alunos de pós-graduação sob sua orientação e ela planeja continuar colaborando, além de intermediar a vinda de pesquisadores estrangeiros. Pelas regras, explica, um funcionário exonerado tem dois anos para resolver se desligar de vez ou retornar. Já decidiu? "Para que eu iria voltar? Não tem por quê."

Suzana não vislumbra perspectiva da ciência brasileira dar uma guinada neste espaço de tempo. Além disso, observa, as regras do funcionalismo público, que garantem estabilidade no emprego e salário, independentemente de esforço e mérito, é desestimulante. "Não importa o quanto você produz. Aliás, não importa se você produz", completa, frisando a conjunção "se", com o indicador no ar, até pousá-lo sobre o cardápio.

Ela estuda com atenção o menu até encontrar uma opção que não contenha glúten, já que tem intolerância. Depois de um tempo refletindo, anuncia: salmão marinado de entrada e risoto de lagostin com abóbora de prato principal.

"A palavra de ordem nas universidades do Brasil é isonomia", afirma Suzana, retomando o assunto. "Todo mundo tem direitos iguais, mas ninguém consegue fazer porcaria nenhuma. Não dá para fazer milagre com pouco dinheiro."

Para ela, uma saída para o nó da ciência no Brasil seria impopular: "passar a faca" no número de projetos que são apoiados e focar apenas naqueles absolutamente excelentes. Mas quem avaliaria quais seriam contemplados? Uma maneira de lidar com esse impasse, pondera, seria chamar cientistas estrangeiros para selecionar os projetos, como é praxe nas agências de fomento de outros países.

A neurociência não (...) curou o Alzheimer, não curou o Parkinson (...). Temos descobertas básicas. Isso não quer dizer que a neurociência é um fracasso

Nos Estados Unidos, é comum bilionários destinarem parte de suas fortunas a universidades, prática pouco adotada pela elite brasileira. Seria uma das saídas? Disseminar a filantropia por aqui seria "sopa no mel", diz Suzana. O problema é que o dinheiro encolhe um bocado com a burocracia. "Receber doações é uma pesadelo para uma universidade pública brasileira. Aconteceu comigo." Suzana recebeu um prêmio de US$ 600 mil de uma instituição privada americana para sua pesquisa que comparava cérebros humanos aos de animais. Calcula que perdeu 1/3 do valor que recebeu pagando taxas e com a variação do câmbio. Fora a obrigação de abrir licitações públicas para comprar qualquer coisa, o que às vezes a impedia de obter materiais que julgasse mais apropriados para sua pesquisa, mas que eram mais caros.

"Se eu quiser comprar pilhas, anticorpos, têm que ser sempre os mais fajutos. São esses problemas que os empresários brasileiros encontrariam aqui. Se o Abílio Diniz quiser fazer uma doação, aconselho: por favor, não faça!" O desafio, sugere, é passar o dinheiro de fato para o cientista, porque, se for para a universidade, "'poft', vai desaparecer no éter".

Suzana ainda não está animada com a cesta de pães e a porção de abobrinha frita sobre a mesa. Seus olhos brilham mesmo é quando passa a falar sobre a qualidade de vida que ganhou ao se mudar para Nashville. A família mora em uma casa ampla e com jardim. "Nunca me passou pela cabeça que cuidar de plantas fosse algo que eu adorasse fazer." Até seus cães descobriram um novo hobby e passam os dias a caçar os inúmeros esquilos que saltitam por aquelas bandas. A cidade é pequena, mas oferece todas as conveniências de cidades maiores, além de clima quente e temperado. Locomover-se é fácil.

A família se dividiu com a mudança. O filho caçula estuda em escola pública próxima. A filha mais velha cursa o ensino médio e preferiu terminar os estudos no Rio. Os dois são filhos do primeiro casamento de Suzana, o atual marido é americano.

Outro dia, Suzana postou nas redes sociais um trecho de uma canção de Nina Simone (1933-2003), fundo musical perfeito para sua nova vida nos EUA: "..it's a new day, it's a new life for me... and I'm felling good" (é um novo dia, é uma nova vida para mim...e estou me sentindo bem). Música bem mais interessante que o "Parabéns a Você" cantado em uma mesa próxima à nossa.

Alheia às palmas e risadas dos vizinhos, Suzana diz que o melhor de trabalhar na universidade americana é que, como tudo funciona, ela fica liberada para se dedicar apenas ao trabalho. "Não tenho que resolver problemas idiotas que não são da minha competência. Não sou administradora, não sou agente de viagens nem torneira hidráulica." As universidades americanas, diz, são geridas como empresas, sem fins lucrativos, mas focadas em fazer a máquina funcionar.
O garçom leva o couvert e traz as entradas. Já arrumando um pedaço de salmão marinado no garfo, passa a descrever com minúcia o espaço destinado a ela na nova universidade. Seu laboratório no departamento de ciências biológicas possui duas salas climatizadas, duas salas para microscópios, sala com bancadas individuais para os alunos e um escritório quatro vezes maior que seu "aquariozinho" na UFRJ. No departamento de psicologia, Suzana ocupa um escritório ainda maior. "Minha filiação principal é na psicologia."

Aproveito o mote e pergunto se as descobertas da neurociência descartam ou qualificam as teses defendidas por Sigmund Freud (1856-1939), pai da psicanálise, cujas teorias dominavam as explicações sobre o comportamento humano na primeira metade do século XX. Suzana diz que tudo que Freud tinha eram "teorias, interessantes, mas baseadas apenas em suas intuições e expectativas". Careciam de investigações sistemáticas. Para ela, psicanálise e neurociência são dois mundos à parte. O primeiro, um sistema de crenças, o segundo, uma área de investigação científica. "Se tem crença, não é ciência. Se tem ciência, não é crença."

Psicanálise e religião estariam no mesmo campo? A neurocientista abandona os talheres sobre o prato, apoia o antebraço sobre a mesa e entrelaça as mãos: "Olha só. Como a religião, ela é um sistema fechado de crenças. Por que o sol nasce? Porque Deus quis, no caso da religião. No caso da psicanálise? Por que tenho dificuldades de tomar boas decisões? Porque você tem problemas mal resolvidos com sua mãe. Ou, por que Fulano é autista ou esquizofrênico? Culpa da sua mãe, que te tratou assim".

Recupera os talheres e espeta uma fatia de salmão. Em uma de suas colunas no jornal "Folha de S.Paulo", Suzana tratou sobre o assunto: "Doenças mentais não resultam de repressão falha, neuroses não são distúrbios de função sexual originados na infância e sonhos são só acontecimentos recentes ou passados revisitados pelo cérebro".

O maior poder da psicanálise, comenta, é a possibilidade de proporcionar a seus pacientes o autoconhecimento e a clareza do por que agem de determinada forma. Mas a neurocientista nunca passou perto de um divã. "Não precisa fazer análise estruturada para isso."

A relação entre número de neurônios e capacidade de resolver problemas é um dos temas de pesquisa de Suzana
O garçom aparece com os pratos quentes. Depois de salpicar pimenta sobre o risoto de lagostin, diz que hoje sabemos como as expectativas das pessoas sobre as outras são brutalmente transformadoras. Como exemplo, cita a profecia autorrealizada sobre a suposta incapacidade das meninas de aprenderem matemática. Outra descoberta, afirma, é que a motivação, e não a vara de marmelo, é o ingrediente poderoso para que alguém faça o que o outro deseja. "Punir só serve para dizer que você fez errado. Ninguém vai querer melhorar com punição, mas, sim, com motivação e expectativa positiva", diz. Conhecimento simples, prossegue, mas que faz toda a diferença na vida das pessoas.

Suzana dá duas garfadas e prossegue. "A neurociência não tem grandes contribuições. Não curou o Alzheimer, não curou o Parkinson ou a esclerose lateral amiotrófica. A gente entende um pouco mais como o cérebro não funciona nessas situações, mas cura ainda não tem. Temos descobertas básicas. Isso não quer dizer que a neurociência é um fracasso. Não!"

O principal campo de pesquisa de Suzana é a neuroanatomia comparada. Nos Estados Unidos, os projetos de pesquisa básica costumam ser preteridos em favor de pesquisa aplicada, que acena com a possibilidade de resultados "úteis". Em um dos trechos do texto que publicou na revista "piauí" de maio, em que anunciou sua decisão de partir do país, Suzana escreveu que esse foi um dos fatores que a fez permanecer no Brasil por tanto tempo, a despeito das desvantagens de se fazer ciência por aqui.

Suzana reconhece que, nos Estados Unidos, ainda há quem tripudie da ciência básica, mas o panorama tem melhorado. Para ilustrar as mudanças nessa seara, cita o caso de uma bióloga americana que pesquisa um crustáceo capaz de romper a casca rígida de moluscos com socos minúsculos. Em princípio, o estudo foi alvo de escárnio por parte do Congresso americano, que publica o "Wastebook", "livro do lixo" em que são listados os estudos considerados puro desperdício do erário. A bióloga foi à Casa Branca, dobrou os incrédulos e agora os minissocos poderosos do crustáceo inspiram novos modelos de capacetes ultrarresistentes.

"Ciência e tecnologia andam de mãos dadas. Não teríamos radares se não fosse a pesquisa aparentemente inútil sobre como morcegos caçam no escuro. Não teríamos superadesivos se cientistas não tivessem passado anos observando lagartixas subirem paredes."

Suzana comemora o investimento em ciência e pesquisa feito por grandes potências, mas lamenta que o interesse do público sobre o assunto não se dê na mesma medida. Falar sobre o funcionamento do cérebro de forma simples e instigante é tarefa que tira de letra. Além de ser pesquisadora, Suzana atua também na divulgação científica: trabalhou no Museu da Vida, da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio; teve um quadro no "Fantástico", programa da Rede Globo; e tem sete livros publicados para o grande público. O mais recente deles, "The Human Advantage, será publicado no Brasil neste ano pela Companhia das Letras. A neurocientista mantém ainda uma coluna na "Folha de S.Paulo", em que aborda, preferencialmente, temas do cotidiano. "O porquê de a gente balançar a perna quando está apertado para fazer xixi foi uma das que tiveram mais retorno", recorda, rindo.


Na Festa Literária Internacional de Paraty, reuniu-se com o neurocirurgião britânico Henry Marsh para falar sobre cérebro. Está em seus planos atuar nesse nicho nos Estados Unidos. Já contatou jornais e rádios para apresentar a proposta. Também entregou um novo projeto de pesquisa sobre a vascularização do cérebro e está prestes a receber financiamento da National Science Foundation, que costuma exigir dos cientistas o compromisso de compartilhar os resultados de seus trabalhos com o público leigo.

Antes da sobremesa, saímos do restaurante para que ela pose para retratos ao ar livre. A tarde carioca desta quinta-feira está fria, melhor pegar os casacos. Enquanto o fotógrafo prepara a câmera, ela fala sobre as diferenças entre cérebros. Com o colega Roberto Lent, ela desenvolveu uma técnica que permitiu determinar com precisão a quantidade de neurônios do cérebro humano (86 bilhões). O estudo foi feito com uma amostra pequena e só de homens.

"O cérebro de homens é maior que o das mulheres, mas não se sabe se isso se reflete em quantidade de neurônios. A expectativa é de que não, tendo em vista os resultados dos estudos que fiz comparando cérebros de camundongos." Um estudo de sua autoria (publicado no mês passado em uma revista científica americana) revela que o cérebro das aves, de tamanho minúsculo, costuma concentrar mais neurônios do que o de mamíferos em uma região do cérebro associada ao comportamento inteligente. Como ela brinca, dizer que alguém tem cérebro de passarinho passou a ser um elogio, não mais demérito.

O fotógrafo Léo Pinheiro a interrompe e pede que olhe para um ponto fixo. Suzana obedece e fica imóvel, sob escrutínio de pedestres. "O que eu quero descobrir", continua, "é qual a relação entre número de neurônios e a capacidade de resolver problemas. Precisa separar o que é habilidade nata do que é adquirida. Em humanos, esquece, mas em animais de laboratório dá para controlar que todos tiveram as mesmas oportunidades."

Finda a sessão de fotos, voltamos para o restaurante, bem mais vazio. Já com a colher no sorbet de maracujá, ela diz que, para a inteligência, mais importante do que componente biológico inato é o uso que se faz do cérebro e os desafios que cada um se coloca. Os avanços da tecnologia não são um desserviço para a memória? Pergunto, após checar se o gravador sobre a mesa continua trabalhando. Para que guardar números de telefones, e-mails e percursos se os aparelhos podem fazer tudo isto por nós? A neurocientista, que não terceiriza a memória e diz saber de cor os telefones e e-mails de muita gente, interrompe o caminho da colher à boca e me encara com um leve sorriso.

"A tecnologia não modifica os rumos do cérebro, mas o uso que se escolhe fazer dela, sim. É tentador depender completamente desses aparelhos, mas corre-se o risco de aposentar precocemente a memória", adverte. Suzana precisa correr para o consulado. Dispensa o café, despede-se e "some no éter", puxando sua mala de rodinhas.

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Reitor da HBS acompanha de perto todas as transformações

Nascido na Índia, Nitin Nohria é o primeiro reitor da Harvard Business School de fora da América do Norte. Após sua nomeação em 2010, ele também se tornou o primeiro presidente da escola desde a década de 70 a morar na casa do reitor no campus, o que lhe proporciona uma visão privilegiada das obras em andamento.

Seus laços com o mundo além do rio Charles incluem uma diretoria não executiva na Tata Sons, a holding indiana. Ratan Tata, seu ex-presidente do conselho de administração, participou do Programa Avançado de Administração da HBS em 1975, e financiou o prédio de tijolos e vidro da escola para outros clientes de ensino executivo quatro décadas mais tarde.

O professor Nohria se descreve como um pragmático em questões políticas, dizendo que não vem sendo tentado a adotar uma posição de destaque contra o populismo econômico e a hostilidade à globalização que vem caracterizando grande parte da campanha presidencial dos Estados Unidos até agora.

Sobre a controvérsia envolvendo Donald Trump, formado pela escola de negócios da Wharton, uma concorrente, o professor Nohria diz que é importante diferenciar entre o que um candidato diz em campanha e o que ele poderá fazer se for eleito presidente. "As campanhas fazem você reconhecer que há uma série de limitações em nosso sistema político que serão um contrapeso importante à retórica de qualquer candidato."

Ele sente que não há perigo de o clima reinante criar algum tipo de reação contra as maiores escolas de negócios, como o registrado após a crise financeira, embora ele reconheça que a desigualdade é um problema sério que o capitalismo precisa enfrentar.
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Educação e trabalho em ciência e tecnologia no Brasil

Educação e trabalho em ciência e tecnologia no Brasil | Inovação Educacional | Scoop.it

Uma das funções importantes dos sistemas educativos é formar, desde o ensino básico, pessoas capacitadas nas áreas técnicas, que combinam conhecimentos e competências em ciência, tecnologia, engenharia e matemática, conhecidas em seu conjunto como STEM, na sigla em inglês, ou CTEM no Brasil, que são fundamentais para as economias modernas. A análise dos principais dados sobre o mercado de trabalho e o sistema de ensino brasileiros mostra apenas uma pequena parcela de nosso pessoal qualificado nessas áreas, e poucos dos formados se dedicam a esse setor – a maior parte acaba trabalhando em outros tipos de atividades.

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Crise de cérebros ameaça futuro da ciência brasileira

Crise de cérebros ameaça futuro da ciência brasileira | Inovação Educacional | Scoop.it
Não bastasse a falta de dinheiro, instituições de pesquisa têm de lidar com a perda de recursos humanos por aposentadorias; sem perspectivas de reposição. No Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), último concurso para reposição de vagas foi em 2009, e a média de aposentadorias é de 50 por ano
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A “revolução” educacional brasileira e a neoelitização do ensino superior

A “revolução” educacional brasileira e a neoelitização do ensino superior | Inovação Educacional | Scoop.it
A questão educacional passa ao largo do interesse desses novos gestores que são responsáveis pelo controle de parcela incrivelmente considerável do ensino superior brasileiro: quase 80% dos alunos universitários estão matriculados em IES que podem não existir até colarem grau. Podem trocar de mãos ou de carteira de ações. Podem alterar matrizes e projetos pedagógicos, por conta das chamadas “otimizações”. Ou deveríamos chamar de jogo de planilhas? Há muito, a pedagogia do oprimido, de Paulo Freire, foi pautada pela planilha dos financistas.

Os professores, antes zelosos em estudar, pesquisar, frequentar eventos e planejar aulas, sucumbem diante das aulas pasteurizadas que passam a ser obrigados a lecionar, sem autorização para criar e dar o seu tom nas disciplinas agora formatadas para atingirem um público de alunos incautos que não têm ideia do que acontece nos bastidores das escolas.

O corpo docente vai se esfacelando e se tornando acéfalo, infelizmente. Os professores correm desesperados, a cada semestre, de departamento em departamento, de campus em campus, de IES em IES, em busca das horas aula que comporão os seus orçamentos domésticos até o fim do próximo semestre letivo.

Triste sina de uma classe que seria capaz de propor inovações, novas metodologias didático-pedagógicas, reflexões a respeito do estado da arte das disciplinas em debate. Agora precisam, os mestres, seguir a cartilha com os mandamentos impiedosos de um modelo educacional financista que ignora os anseios humanos e que torna o professor um mero tutor fantoche.
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Pesquisa conclui que crianças que dormem cedo têm menos risco de sofrer com obesidade na adolescência

Pesquisa conclui que crianças que dormem cedo têm menos risco de sofrer com obesidade na adolescência | Inovação Educacional | Scoop.it

É bem comum ver uma mãe reclamando da alimentação dos filhos. Em geral, é comum pensar que apenas o que colocamos no prato dos pequenos irá influenciar no seu peso. Mas um estudo recente sugere que podemos estar mirando o alvo errado no combate à obesidade infantil.
A pesquisa foi realizada pela Universidade do Estado de Ohio, nos Estados Unidos, e aponta que crianças que vão dormir até as 20h têm menor propensão a ficar obesas na adolescência. O estudo avaliou 977 crianças nascidas em 1991 durante 15 anos e foi publicado recentemente no The Journal of Pediatrics. 
Apenas 10% das crianças que dormiam antes das 20h se tornaram obesas na adolescência. Para os que dormiam entre 20h e 21h, o número subia para 16%, enquanto os pequenos que se deitavam após as 21h, apresentaram um índice de obesidade de 23%.

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