Inovação Educacional
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Inovação Educacional
Noticias, publicacoes e artigos de opiniao que abram caminhos para a inovacao educacional.
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Technology in Education: A Future Classroom

Created by Daniel Nemroff (class of 2015)
(click 'Show more' for full credits)
Officially chosen for the 2014 White House Student Film Festival

Directed/Written/Edited/Visual Effects by Daniel Nemroff

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Os desafios da escola 2.0

Os desafios da escola 2.0 | Inovação Educacional | Scoop.it

Cada vez mais cedo, computadores, celulares, tablets e outros aparelhos digitais fazem parte da vida de crianças e adolescentes brasileiros. No País, a idade do primeiro acesso à internet é, em média, entre 9 e 10 anos. Metade dos jovens afirma conectar-se à rede diariamente. Os dados são da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2012, elaborada pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br), que analisou o uso da web entre jovens de 9 a 16 anos e seus impactos sociais.
“A rapidez com a qual crianças e jovens estão obtendo acesso a tecnologias virtuais, convergentes, móveis e interconectadas não encontra precedentes na história da inovação e difusão tecnológica”, indica no estudo Sonia Livingstone, diretora da rede EU Kids Online e professora no Departamento de Mídia e Comunicação da London School of Economics and Political Science. “Essas mudanças apresentam aos pais, aos professores e às crianças o importante desafio de adquirir, aprender a usar e definir objetivos para o uso da internet em suas vidas diárias.”
Nesse panorama, as duas principais instituições responsáveis pela formação das novas gerações – família e escola – ganham responsabilidades imensas, mas ainda se encontram perdidas diante dos desafios da inclusão e orientação digital. “Elas estão perplexas ante crianças e jovens cada vez mais informados, participantes e conscientes (mesmo que confusamente) de seus direitos, além de serem digitalmente competentes e de se mostrarem totalmente à vontade diante dessas novas tecnologias”, aponta Maria Luiza Belloni, doutora e mestra pela Universidade de Paris-Sorbonne e pós-doutora em Comunicação Política.
No ensino, fica evidente o descompasso entre o que os alunos têm nas mãos e a capacidade da escola de usar as novas tecnologias com propósitos pedagógicos. “Enquanto os alunos levam seus celulares para a sala, os professores muitas vezes não têm à disposição computadores e conexão para a realização de tarefas básicas como a busca de informações na internet”, alerta Maria Paulina de Assis, doutora em Educação pela PUC-SP.
Além disso, a falta de infraestrutura tecnológica, dificuldades de gestão escolar e problemas com a própria ação pedagógica, a dificuldade dos professores para adotar novas tecnologias, aparecem como grandes desafios. No ensino público, destaca-se também a fragilidade da implementação das políticas públicas. “A escola pública tem sempre projetos a serem implementados, e a inserção das novas tecnologias para o uso pedagógico acaba sendo muitas vezes atropelada por necessidades mais imediatas. Dessa forma, a presença de tecnologias na escola acaba sendo geradora de problemas e não de soluções”, destaca Maria Paulina.
O estudo TIC Kids Online Brasil 2012 também mostra como as novas tecnologias e a internet podem se transformar em potencial para inovações educativas, trazendo mais motivação para a aprendizagem na sala de aula e além dela. Para isso, entretanto, fica clara a necessidade de uma abordagem pedagógica que extrapole o uso dessas tecnologias pelos professores apenas como recurso para estratégias didáticas convencionais.
“A inclusão digital de jovens não depende da aplicação da tecnologia a políticas pedagógicas somente. É possível até mesmo dizer que nisto não há muita diferença entre escolas públicas e privadas, pois as privadas podem até estar mais à frente no sentido de ensinar os alunos a manipular o computador, mas também não utilizam os recursos digitais para criar novas propostas de ensino, como utilizar um game para resolver uma equação de segundo grau”, explica Regina de Assis, mestre e doutora em Educação pela Universidade de Harvard e pela Universidade de Colúmbia e consultora em mídia e educação.
A pesquisadora Ellen Helsper, doutora da London School of Economics, chama ainda a atenção para o que considera um equívoco das escolas, que é fazer uma divisão entre o universo online e o mundo real. “Esses dois campos são uma coisa só: a vida do aluno. Na escola, os piores lugares para se aprender a mexer no computador são as salas de informática, justamente porque configuram ambientes não familiares, estranhos, separados da vivência cotidiana dos jovens.”
Segundo Maria Paulina, as novas tecnologias devem ser integradas ao currículo por meio de uma pedagogia voltada para o aluno, tendo as motivações para a aprendizagem como centro da atenção do professor. Dessa forma, as dificuldades do professor em apropriar-se das novas tecnologias deixam de ser um problema, pois ele passa a atuar mais como mediador e orientador do conteúdo obtido através dessas interfaces.
“Assim, o professor fica mais atento aos objetivos de aprendizagem, à provisão de informações e orientações quando necessário, ao acompanhamento dos resultados, à avaliação, à observação de comportamentos e atitudes dos alunos que necessitam de intervenção, tendo um papel mais de mediador da aprendizagem do que de transmissor de conhecimentos”, explica.

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Inovação - Executivos experientes trocam múltis por startups

A profissionalização nos últimos anos das pequenas e médias empresas e o surgimento de um elevado número de startups no país - que chegam ao mercado com produtos e serviços inovadores e conquistam uma soma relevante de aportes de capital - estão ampliando o leque de possibilidades dos executivos.
De acordo com especialistas em gestão de carreira, embora esse mercado ainda seja pouco explorado pelos profissionais, trocar multinacionais por equipes de negócios menores tem se tornado mais comum. "Migrar para uma pequena ou média empresa é saudável e uma estratégia recomendada em alguns momentos", afirma Rafael Souto, CEO da Produtive, consultoria especializada em planejamento e transição de carreira.
Em sua opinião, a mudança pode ser interessante, por exemplo, para uma pessoa que já vem de uma trajetória em uma grande organização e quer acelerar a carreira verticalmente - subindo na hierarquia. "Nas companhias maiores, de forma geral, há uma curva mais lenta de desenvolvimento", explica.
Ir para uma pequena ou média empresa também é um movimento indicado para quem quer atuar mais com gestão, aumentar o escopo de atuação e desenvolver-se mais perto da liderança - o que atrai profissionais com perfil mais empreendedor. "É como se a pessoa deixasse de ser um peixinho em um oceano para ser um tubarão em um aquário", compara Mara Turolla, diretora de coaching, mentoring e counseling da Career Center, consultoria que auxilia profissionais em transição de carreira.
Segundo ela, a mudança pode ser motivada também por uma identificação com a causa da empresa, do produto ou serviço ofertado por ela - ou ainda por conta do momento pessoal do profissional. "A multinacional muitas vezes demanda viagens e há fases da vida que a pessoa não está disposta a se ausentar tanto."
A decisão da publicitária Paula Crespi de trocar a Whirlpool, maior fabricante mundial de eletrodomésticos, pelo GuiaBolso, uma startup de finanças pessoais fundada em 2012 com sede em São Paulo, levou em conta alguns desses aspectos.
Após seis anos e meio na Whirlpool e um MBA na Universidade de Stanford, onde teve um contato bem próximo com o ambiente das startups do Vale do Silício, Paula decidiu que queria trabalhar em um negócio menor. "Queria testar coisas novas e de forma rápida", conta. Segundo a executiva, embora a Whirlpool seja uma empresa inovadora, tem todos os processos de uma grande companhia, o que reduz a velocidade de tomadas de decisão e inovações.
Paula passou, então, a procurar não apenas por uma empresa onde pudesse se desenvolver mais rapidamente e adquirir novas competências profissionais, mas que oferecesse um produto em que acreditasse. Quando conheceu o GuiaBolso, logo se identificou com a proposta da startup, que ajuda seus usuários a organizar a vida financeira e a planejar os gastos futuros - tudo pela internet. "Eu já usava o Mint [plataforma semelhante ao GuiaBolso criada em 2005] quando morei nos Estados Unidos e via como a ferramenta impactava a vida das pessoas."
Também pesou na decisão dela de deixar o cargo de gerente de inovação na Whirlpool, em janeiro deste ano, o fato de o GuiaBolso ter uma "equipe com profissionais sérios e dedicados". Ela se refere, entre outros executivos, aos fundadores Thiago Alvarez, que foi gerente sênior da consultoria McKinsey por mais de quatro anos, e Benjamin Gleason, que tem um mestrado em finanças pela Wharton School e trabalhou sete anos como consultor financeiro na Hyperion e na McKinsey. Desde sua fundação, o GuiaBolso já recebeu aporte de três fundos de investimento: o brasileiro e.Bricks, o americano Valor Capital e o fundo latino-americano Kaszek Ventures.
A mudança também mexeu com seus ganhos financeiros, pois, embora continuasse com o mesmo salário, tinha perdido uma série de benefícios. "Mas a expectativa é ganhar mais no futuro com opções de ações da empresa", afirma a executiva, que calcula ter reduzido o total de sua remuneração entre 30% e 40% ao deixar a multinacional.
Indo para o GuiaBolso, Paula teve um ganho de cargo, pois passou a ser diretora de marketing da startup. Pouco tempo depois ganhou mais funções e hoje é diretora de marketing, produto e atendimento ao cliente - e viu sua equipe triplicar de tamanho. "Tenho muito mais responsabilidades e participo de todas as decisões da empresa. Sinto que estou 100% envolvida com o negócio, o que é extremamente motivador."
Movimento semelhante ao de Paula fez a engenheira Adriana Avó, que, apesar da formação acadêmica, sempre trabalhou em áreas de relacionamento com o cliente. Em 2012, após cinco anos na incorporadora e construtora Gafisa, a executiva deixou o cargo de gerente para assumir o posto de diretora de atendimento ao cliente em uma startup que estava abrindo as portas - a loja online de móveis Mobly, que tem como principal investidor o fundo alemão Rocket Internet. "Foi uma junção de várias coisas", diz Adriana sobre a decisão de deixar uma grande empresa por um negócio ainda em formação. "Nunca havia planejado sair do ambiente controlado de uma grande empresa, mas fiquei encantada com a possibilidade de criar algo do zero."
A entrevista de emprego na Mobly virou uma reunião de trabalho sem que ela se desse conta. Depois de conversar com o fundador da startup - "um menino que chegou de calça jeans e camiseta branca, enquanto eu estava toda arrumada, no melhor estilo ambiente corporativo" -, Adriana, já de saída da sala, foi chamada por dois executivos da loja virtual para dar sua opinião sobre a criação do site da Mobly. "Fiquei mais de três horas ali e saí deslumbrada. Não era preciso marcar reuniões e reuniões para aprovar as ideias. A velocidade e a facilidade de tomar decisões, aliadas à falta de hierarquia, contribuíram para eu aceitar a vaga", conta.
Para Adriana, o ambiente ágil da startup trouxe mais responsabilidades e aprendizado profissional. "Ajudei a construir a cultura da empresa e hoje lidero uma equipe de 122 pessoas. Até o fim do ano serão 158 funcionários trabalhando comigo."
No outro lado da equação, a executiva teve que aceitar reduzir seus ganhos financeiros para encarar a nova experiência. Ao fazer a transição, o salário fixo permaneceu o mesmo, mas o variável caiu de forma drástica. Na Gafisa, ela ganhava de seis a doze salários a mais por ano, dependendo das metas alcançadas. Na Mobly não haveria um salário extra sequer. "No segundo ano na empresa, porém, já recebi três salários a mais por conta do crescimento da startup. De qualquer forma, ainda é uma aposta", afirma a executiva, que tem uma participação na empresa.
Além da disponibilidade de abrir mão de um salário polpudo, trabalhar em uma pequena empresa requer autoconhecimento. Mara, da Career Center, afirma que o profissional terá atividades mais amplas em um negócio menor. "Todo mundo se junta para resolver um problema. Por isso, é preciso ser multifunção", diz. Em muitos casos, também será necessário lidar diretamente com o dono da empresa, o que pode interferir na forma de fazer negócios. "Quando o dono está presente, ele administra também com o emocional, não só com o racional. É preciso compreender esse cenário."
A passagem por uma pequena ou média empresa, além de trazer benefícios para o desenvolvimento profissional, também é bem vista pelo mercado. Souto, da Produtive, ressalta que a lógica da carreira é que vai ser avaliada. "Se o executivo saiu de uma multinacional e foi para um negócio menor para ganhar função, responsabilidades e ampliar seu escopo de atuação, a mudança é vista como um crescimento profissional", diz. "A coerência da trajetória é mais importante que o porte da empresa", corrobora Mara.
Esse pensamento também é compartilhado pelo administrador Ricardo Marconatto, diretor executivo da consultoria de marca GAD'. Depois de anos trabalhando em empresas líderes de mercado, como Coca-Cola e Telefônica, ele migrou para um negócio menor e passou por outras três experiências em empreendimentos de médio porte. "Sou um profissional orientado por desafios. Ao aceitar um novo emprego não é o tamanho da empresa que levo em conta, mas sim o momento estratégico do negócio e como aquilo vai contribuir para o desenvolvimento da minha carreira", afirma.
Na consultoria onde atua desde janeiro do ano passado, Marconatto chegou em meio a uma importante transição. "Eram cinco unidades de negócios e entrei para promover a integração e reestruturar o portfólio", diz. Para ele, em uma empresa média o executivo tem poder de transformação e suas decisões têm impacto maior nos negócios e para os acionistas - o que é altamente motivador. Marconatto ressalta, porém, que isso só fez sentido para ele após suas passagens por grandes empresas. "As multinacionais são verdadeiras escolas."
Para Souto, da Produtive, o ideal é equilibrar empregos em grandes ou pequenas empresas ao longo da carreira. "Isso é valorizado pelo mercado, pois o executivo leva com ele o melhor de cada lugar."

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Formação em outra área amplia visão do negócio

Se na hora de prestar vestibular e escolher qual carreira seguir existe uma divisão clara entre as áreas de exatas, humanas e biológicas, no mercado de trabalho atual conseguir transitar entre especialidades diversas é uma vantagem competitiva para executivos - sobretudo em um cenário econômico em que as oportunidades estão mais restritas.
Profissionais com boa capacidade analítica, por exemplo, têm ocupado vagas em áreas que originalmente concentram pessoas de humanidades, como os engenheiros que são cada vez mais frequentes no comando de departamentos de recursos humanos. "Eles enxergam soluções de maneira mais racional e prática. Entendem a lógica dos perfis e analisam padrões de comportamento", afirma Daniela Ribeiro, gerente sênior da empresa de recrutamento Robert Half.
A especialista ressalta que não se trata de substituir alguém com capacidade de avaliação mais voltada para aspectos emocionais e psicológicos, e sim complementar esse tipo de visão com um olhar mais frio e objetivo. "É uma função híbrida, que comporta executivos com grande bagagem em exatas", afirma.
O caminho contrário também ganha força. Atividades antes estritamente técnicas como as do setor de tecnologia agora exigem outras habilidades, que não são aprendidas nos cursos. "É essencial que esse profissional saiba se relacionar e se comunicar bem, pois ele vai precisar interagir com diversas áreas da empresa."
Finanças e marketing também têm multiplicado seus pontos de intersecção, uma vez que o caráter analítico da formação no campo financeiro é bastante útil para quem necessita de uma abordagem estatística de seu público-alvo. Outro movimento que tem se tornado comum, na percepção de Daniela, é o da migração da área de vendas para a de marketing. Nesse caso, a vantagem é que o profissional, ao atuar na linha de frente da comercialização de produtos ou serviços, passa a ter uma visão mais ampla do perfil do consumidor e a entendê-lo melhor - o que se traduz em competência na hora de trabalhar estratégias mercadológicas.
Essa transição foi apenas um entre os muitos passos que o engenheiro químico André Marques deu em sua carreira. "Muitas vezes, a melhor forma de atingir um objetivo é tentar se moldar para seguir caminhos não tão convencionais", afirma. Ele conta que, ao se formar, no início dos anos 2000, o mercado não era favorável para a engenharia. Foi o que o impulsionou a trabalhar em projetos estratégicos e de "downsizing" em uma empresa de consultoria, beneficiado por seu pragmatismo na leitura de cenários e de processos que configuram, a seu ver, transformações tanto no universo da química quanto no dos negócios.
No setor bancário, colaborou com BankBoston, Santander e American Express, onde passou a cuidar da área de inteligência de negócio e, em seguida, a gerir operações de venda. "Tornei-me gerente de marketing e mudei para a área de emissão de cartões", lembra. Em 2006, foi para a Credicard, onde exercitou seu caráter profissional mais híbrido. Ali, foi o responsável por projetos, processos e o planejamento dos orçamentos de todos os canais de venda. "Aprofundei minhas habilidades comerciais, de negociação e de alianças com outras empresas para fazer os canais crescerem". Passar por várias áreas, segundo ele, foi um movimento planejado. "Em cada uma delas, fiquei tempo suficiente para entregar resultados e adquirir conhecimento e experiência."
Ao final de 2011, foi procurado pela Englishtown, empresa de cursos de inglês on-line, que buscava alguém com competências comerciais para assumir o negócio como diretor geral. De acordo com o executivo, a receita cresceu quatro vezes em dois anos. "Ganhamos eficiência em operações de venda e processos internos. Tenho uma visão muito detalhada e muito próxima de todas as áreas devido à minha experiência", diz. Para Marques, as empresas têm trabalhado com recursos muito controlados e precisam de profissionais versáteis, de perfil mais generalista.
Murillo Marques, gerente de recursos humanos da Delta Air Lines, enfatiza que muitos processos seletivos ainda dão preferência para perfis tradicionais e buscam profissionais especializados para os departamentos de RH. No entanto, ele também já participou de processos seletivos em que ser mais generalista e ter competências distintas era uma vantagem.
Formado em economia, o executivo exerceu as funções de auditor e de gerente administrativo-financeiro em empregos anteriores. Tais habilidades, em sua avaliação, o ajudam a enriquecer as análises das opções estratégicas. Em sua opinião, uma pessoa de RH "puro" teria dificuldades para lidar com a parte de números, análise de orçamento, partilha dos lucros e resultados, acordos coletivos e o impacto dos benefícios no negócio.
Para Murillo Marques, não se pode pensar apenas em nichos - é necessário "ver as coisas na transversal e construir um cenário mais macro". O executivo conta que, em sua trajetória, sempre foi movido pela curiosidade de buscar novos conhecimentos, como ao fazer um MBA e um mestrado em psicossociologia. "É preciso ter um olhar multifacetado para o negócio. Analisar o presente e a estratégia para o futuro com base nos dados, mas de diferentes ângulos, colocando-se no lugar do acionista, dos clientes e dos funcionários."
Contudo, há ocasiões em que desenvolver um perfil híbrido é uma necessidade específica da companhia, que leva o profissional a adquirir competências que o credenciem a atuar em áreas diversas. Para Carlos Alberto Bitinas, sócio da Voc Gestão e Desenvolvimento de Pessoas, em uma fase de crescimento da empresa, por exemplo, funcionários da área de produtos, mais técnicos, terão de migrar para a de negócios e passar a lidar com atendimento a clientes.
"Às vezes, a companhia passa a atuar em um novo segmento e remodela sua estrutura. Os profissionais precisam estar preparados para esses tipos de movimento", diz. Desse modo, é essencial que os funcionários tenham interesses que não sejam apenas os de suas profissões. "Especialistas devem ampliar seu campo de visão. Isso os dará 'insights' para lidar com um ambiente em mutação", aconselha. Os gestores das corporações, porém, não podem perder de vista os pontos fortes de seus talentos ao promover mudanças.
No hotel Grand Hyatt São Paulo há a preocupação de municiar profissionais de diferentes departamentos com conhecimentos de outros, com o objetivo de facilitar o fluxo de trabalho como um todo. Durante um período - previsto inicialmente para ser de um mês, mas que poderá chegar a dois ou três -, o diretor de alimentos e bebidas, Reinaldo Queija, e a diretora de hospedagem, Alexandra Bueno, vão trocar de funções entre si.
Segundo Thierry Guillot, gerente-geral do Grand Hyatt SP, é uma oportunidade de desenvolver competências de liderança, mais que se aprofundar em especificidades técnicas. "Quando o líder não conhece bem uma área, tem que confiar em seus colegas e gerentes e escutá-los", diz. Alexandra enfatiza que a intenção é aprimorar ambas as áreas, adquirindo uma visão mais holística do funcionamento do hotel e discutindo sobre o que pode ser mudado para melhor. "O conhecimento técnico será importante, mas vamos focar o movimento de gestão de pessoas e de desenvolvimento de talentos", complementa Queija.

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Inovação - Indústria do lápis busca relevância na era do tablet

Fabricantes de lápis e canetas estão voltando à escola para aprender a vender ferramentas para a escrita na era dos smartphones, tablets e laptops.
Alguns, incluindo a americana Crayola LLC e a alemã Staedtler, estão abraçando a revolução digital com produtos eletrônicos. A Digitools da Crayola - uma gama de instrumentos de plástico com ponta de borracha - permite que as crianças "carimbem", "desenhem" e "pintem" em um tablet através de um aplicativo gratuito da Crayola que acompanha o produto.
A Staedtler lançou a Digital Pen 990, que opera como uma caneta esferográfica normal mas converte simultaneamente tudo o que é escrito em arquivos digitais. Um receptor preso ao caderno copia e armazena cerca de cem páginas escritas em até 30 línguas.
Mas nem todo mundo no setor está com pressa para abraçar a tendência.
A alemã Faber-Castell, a fabricante de lápis mais antiga do mundo, só neste mês deu o primeiro passo em direção a produtos com interface digital. A empresa, que também vende borrachas, apontadores e artigos para a produção artística, acabou de lançar um lápis com uma ponta de borracha para ser usado como "stylus" de tablets e smartphones.
Outras empresas, como a francesa Bic e a alemã Schwan- Stabilo, estão na frente da Faber- Castell ao unir o velho e o novo. A caneta Cristal Stylus, da Bic, e a Smartball, da Stabilo, parecem e funcionam como as canetas clássicas, mas uma ponta acolchoada pode ser utilizada para navegar em telas sensíveis ao toque.
A Faber-Castell, no entanto, ainda espera que os lápis de madeira continuem representando cerca de 33% de sua receita no longo prazo. "Se olharmos para a revolução digital, presumimos automaticamente que nosso negócio vai encolher", diz o conde Anton-Wolfgang von Faber-Castell, diretor-presidente da empresa que leva seu nome. Mas ele descreve a ideia de escritórios e escolas sem papel e caneta como uma "ilusão -não aconteceu".
As vendas globais de lápis e caneta estão crescendo, e o crescimento deve continuar por pelo menos cinco anos, de acordo com o Euromonitor International. As vendas de lápis devem crescer 4% este ano, para cerca de US$ 2,7 bilhões, enquanto as de canetas avançarão 4,9%, para US$ 8,5 bilhões, mostram os dados da empresa de pesquisa.
A fonte desse crescimento está, contudo, mudando. Os mercados emergentes são cada vez mais importantes para os fabricantes de lápis e canetas graças ao aumento de renda e das taxas de escolarização. Países em desenvolvimento na Ásia e na América Latina são grandes motores de crescimento. Na Ásia, as vendas de lápis devem crescer 5,4%, para US$ 1 bilhão, neste ano e na América Latina o crescimento será de 7%, para US$ 526 milhões, segundo o Euromonitor.
Essas regiões representam para a Faber-Castell cerca de 65% das vendas e a empresa espera mais crescimento nesses mercados, apesar da forte competição de rivais locais de menor preço. Para ganhar clientes, a empresa de 253 anos promove seu histórico de oito gerações como empresa familiar e seus métodos de produção e corte de madeira ambientalmente sustentáveis.
A Bic, maior produtora mundial de lápis e canetas por vendas, afirma que consegue superar produtores de baixo custo nos países em desenvolvimento porque entrou nesses mercados cedo.
"Nós vendemos bem na África e na América do Sul porque chegamos há cerca de 50 anos e oferecemos produtos de qualidade a preços baixos", diz Benoît Marotte, diretor da divisão de artigos de papelaria da Bic.
A Bic, que produz lápis mecânicos e canetas descartáveis, assim como lâminas de barbear e isqueiros, informa que seu segmento de artigos de papelaria cresceu em 5% a 10% em países em desenvolvimento no ano passado, comparado com alta de menos de 5% em economias avançadas.
No geral, as vendas de lápis e caneta na América do Norte e Europa estão estáveis ou crescendo ligeiramente, segundo a Euromonitor. Nos Estados Unidos, as vendas de lápis se recuperaram depois de uma queda em 2010.
"As pessoas estão redescobrindo a sensação de um lápis recémapontado", diz Lori Booker, portavoz da Dixon Ticonderoga, com sede nos EUA, conhecida por seus lápis amarelos "Número-Dois".
E elas estão optando por produtos melhores. O valor total das vendas está subindo enquanto o total de lápis e canetas vendidos não está, porque os consumidores ocidentais têm migrado para produtos de melhor qualidade.
A Faber-Castell tenta tirar proveito dessa tendência. Sua linha de instrumentos de escrita de luxo, chamada "Graf von Faber- Castell", é vendida principalmente na Alemanha, Itália e França. O "lápis perfeito" banhado em platina e que possui apontador e borracha embutidos custa cerca de 200 euros (US$ 255). Uma versão com diamante incrustado sai por cerca de 10.000 euros.
Felix Stöckle, especialista em marketing da consultoria Prophet, em Berlim, diz que a demanda por lápis e canetas não morrerá como consequência do boom digital. "Temos smartphones, mas existem momentos em que procuramos dar uma pausa nisso", diz ele.

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Economia da longevidade

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O Brasil sempre se enxergou como um país jovem. No imaginário coletivo, o retrato de sua demografia está a fotografia icônica da mãe, principalmente nordestina, seguida de filhos com alturas bem próximas um do outro a formar uma "escadinha". A última Pnad, no entanto, confirma, mais uma vez, o envelhecimento de nossa sociedade. O próximo mandato presidencial (2015-2018) entregará um Brasil com mais de 14% (hoje são 13%) da população com idade acima de 60 anos, isto é, atingiremos o parâmetro internacional que define as sociedades como envelhecidas. Mesmo se adotarmos a referência dos países ricos, 65 anos, serão mais de 10% nessa faixa etária. A principal constatação dessa dinâmica, porém, é o seu ritmo cada vez mais acelerado em razão do aumento da expectativa de vida simultaneamente à redução brusca da taxa de fecundidade - atualmente em 1,8 filho por mulher. O que o Brasil tem feito para frear ou mitigar o envelhecimento populacional? Nada.
É quase unânime entre os economistas de várias escolas e tendências que o crescimento econômico do país depende, na lista de fatores principais, da demografia. Com baixa produtividade, educação ainda precária e redução da população em idade ativa, a tendência é uma pressão sobre salários e, consequentemente, baixo investimento, baixo crescimento e inflação. No entanto, pouco se faz para buscar um equilíbrio populacional. É necessária uma ampliação do escopo na discussão sobre o envelhecimento populacional. O tema, até agora, está aprisionado no debate exclusivo sobre a questão da Previdência Social. Claro, esse é um ponto muito importante. Mas há outras implicações que desafiam as políticas públicas. O Brasil precisa começar a pensar o envelhecimento populacional dentro da perspectiva de uma "economia da longevidade", como já ocorre atualmente em todo o planeta, isto é, muito além da previdência. Um dos pontos cruciais, nessa perspectiva, para desbravar o crescimento econômico, é a taxa de fecundidade.
Por sete anos, em palestras, artigos e entrevistas sobre o envelhecimento populacional, venho apresentando a ideia de que o Brasil precisava adotar, imediatamente, políticas de estímulo ao segundo filho, como fazem os países europeus. Nas previsões da Organização das Nações Unidas (ONU), há duas décadas, só atingiríamos a atual taxa de fecundidade na metade do século XXI. Muitos economistas apostavam, com otimismo exagerado, no chamado bônus demográfico para catapultar nosso PIB. Atualmente, demógrafos reconhecem que o país já colheu mais de 90% desse momento favorável, quando a população tem mais trabalhadores ativos do que dependentes (idosos e crianças). A economia conta, assim, cada vez menos, com o incentivo da tal "janela de oportunidade" - amplamente prejudicada pelo nosso baixo nível educacional. Resta, agora, preparar o ambiente para um certo futuro, que está bem próximo.
Felizmente, alguns economistas e sociólogos começam a concordar com a ideia. No 11º Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas, há poucos dias, um dos temas que apareceram no debate sobre produtividade e custo do trabalho foi justamente o porquê de o Brasil, até agora, ignorar a adoção de tais incentivos para ampliar o número de filhos por mulher. Até agora, foi mais discutido entre economistas o fato de a redução da entrada de jovens no mercado de trabalho ajudar a manter a taxa de desemprego baixa. Por outro lado, poucos se dão conta de que a demografia contribui para manter a correção dos salários acima da produtividade. Isso porque a demografia está reduzindo bastante a margem das empresas brasileiras para promoverem uma rotatividade do trabalho sob critério de idade. Ou seja, demitir o trabalhador maduro - a partir dos 45 anos - e substituí-lo pelo "jovem talento" de custo mais baixo.
Esse fenômeno, pouquíssimo pesquisado no Brasil, tem seu papel quando se discute produtividade. Em que pese o custo de demissão (sobretudo com o acréscimo de mais 10% de multa sobre o FGTS), esse "jovem talento" desapareceu em quantidade, por efeito da baixa fecundidade, e em qualidade, por efeito da baixa educação da geração que chega hoje ao mercado de trabalho (um jovem de 20 anos, portanto, nascido em 1994, entrou na escola quando o país iniciava a universalização do ensino, algo concretizado apenas em 2000).
Produtividade depende, como se sabe, de investimento, infraestrutura, pesquisa e desenvolvimento, saúde entre tantos fatores, mas também de quantidade de oferta de trabalho. Se a população economicamente ativa diminui, se a população em idade ativa encolhe, quem produz precisa produzir mais e melhor. Os países europeus, envelhecidos na década de 1970, enfrentam esse desafio com alguma flexibilidade na imigração e estímulos à taxa de fecundidade, com licença-maternidade maior, subsídio à escola do segundo filho, entre outras políticas. Em alguns casos, mesmo com esses incentivos a fecundidade permanece baixa, como na Alemanha.
Um dos argumentos daqueles que são contrários aos estímulos à fecundidade é o ambiente. Uma população menor, asseguram esses críticos, demandaria menos recursos naturais do planeta. Não é verdade. De acordo com o Banco Mundial, de 2000 para 2010, a população dos países em desenvolvimento cresceu de 83% para 85% da população mundial, enquanto o consumo saltou de 18% para 30%. Seria legítimo concluir que o prejuízo ecológico maior está relacionado mais aos hábitos e valores e menos à quantidade.
É preciso investigar a consequência econômica futura do desaparecimento daquela mãe nordestina com muitos filhos. O Nordeste não é mais nossa maior taxa de fecundidade. E os casais mais pobres da população também estão reduzindo o número de filhos. Atualmente, nossa maior taxa de fecundidade está na Região Norte (o Acre é o campeão, com 2,7 filhos por mulher). Nos Estados de maior população, no Sudeste e Sul, a taxa de fecundidade e de 1,6 filho por mulher, praticamente a mesma dos países mais envelhecidos do planeta, Japão, Alemanha e Itália. O Brasil, assim como o mundo, vive um grande paradoxo: se o homem do século XXI vive mais e melhor, por que, afinal, está deixando esse legado a cada vez menos descendentes? Por que estamos tendo menos filhos? São questões de respostas complexas. Uma certeza é que as políticas de estímulo à fecundidade, em muitos países, demoram anos e até décadas para apresentar resultados. E a economia paga um preço alto por isso.

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Inovação abre espaço na agenda

Dirigentes de corporações como Ericsson, Avaya, Algar e Cremer estão reservando mais espaço em suas agendas para fermentar ações de inovação no dia a dia dos negócios. O objetivo é abrir as portas das empresas para iniciativas inovadoras em rotinas de trabalho, serviços para clientes e produtos. Para isso, costuram parcerias com universidades brasileiras, investem em capital humano e no fluxo de novas ideias entre funcionários e parceiros. "Programas internos de geração de projetos foram responsáveis pela criação de 800 ações, que resultaram em negócios de R$ 300 milhões", diz Luiz Alexandre Garcia, CEO do Grupo Algar, durante o painel Inovação e Gestão de Qualidade, realizado na Futurecom 2014, em São Paulo.
Segundo Jesper Rhode Andersen, diretor de marketing para a América Latina da Ericsson, a empresa investiu R$ 800 milhões em pesquisa e desenvolvimento (P&D) nos últimos 12 anos no Brasil. Este mês, a fornecedora do setor de telecomunicações contratou 60 novos profissionais que se somarão aos 400 especialistas em inovação que mantém no país. O reforço vai atuar no Parque Tecnológico de São José dos Campos (SP), em parceria com a Fundação de Ciência e Tecnologia (Fitec). A organização mantém uma aliança com a Ericsson desde 2008, em projetos de TV e propaganda móvel.
"Para acelerar mais ações de inovação, temos parcerias com oito universidades brasileiras", diz. Cada projeto pode durar de dois a três anos. Desde 2012, a Ericsson trabalha com a Universidade Federal do Ceará em pesquisas sobre a rede 5G. Segundo a empresa, com a proliferação de smartphones e tablets, gerações atuais de internet sem fio, como 3G e 4G, não serão suficientes para atender as necessidades dos usuários.
Na catarinense Cremer, de produtos descartáveis para o setor de saúde, a linha de produção ganhou um choque de inovação há cinco anos. "A inovação se transformou em uma meta corporativa. Em 2009, não tínhamos produtos inovadores", diz o CEO Leonardo Byrro, de 34 anos, considerado um dos mais jovens presidentes de empresas listadas pela Bovespa.
O desafio da companhia de sete mil funcionários e faturamento de R$ 800 milhões foi implantar uma cultura de inovação que atraísse capital humano especializado. "Ao contrário das startups do setor, o mercado não nos via como uma organização inovadora". Hoje, o próprio Byrro se responsabiliza pelos processos de recrutamento em universidades. "A seleção de novos talentos não é delegada para consultorias de recursos humanos. Vou a todas as entrevistas".
O alvo do executivo são enfermeiros para desenvolvimento técnico, médicos e engenheiros. Uma das novidades da marca são gazes com microchips, para impedir que o material seja "esquecido" nos pacientes depois das cirurgias. Segundo Byrro, uma intervenção hospitalar pode consumir até 600 compressas.
Garcia, do grupo Algar, afirma que a inovação deve estar na agenda dos comitês corporativos para ser usada no aumento da competitividade. O conglomerado investe em dois programas de gestão na área, focados em ideias (PGI) e projetos (PGP). A meta é direcionar iniciativas para o aperfeiçoamento de processos, produtos e serviços. A marca incentiva equipes a sugerir melhorias e distribui bônus correspondentes a uma parte dos resultados financeiros obtidos com as ações. "Em 14 anos, os programas foram responsáveis pela criação de 800 projetos, que resultaram em R$ 300 milhões em novos negócios". Com receita de R$ 3,8 bilhões, o Algar também atua no agronegócio, aviação e hotelaria.
A Avaya, de sistemas e serviços para comunicação empresarial, também estimula funcionários e parceiros com premiações dadas a projetos reconhecidos pelos clientes. "A gestão da qualidade e da inovação tem de estar associada à forma de melhorar os nossos negócios", diz o presidente da empresa americana no Brasil, Nelson Campelo. "Conseguimos diminuir o tempo médio de entrega de propostas em 40%, com um aumento médio de 20% no fechamento de contratos". O segredo? Atração e retenção de talentos, ligadas a métricas de qualidade nos serviços prestados.
De acordo com Carlos Américo Pacheco, reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), do total de egressos do ensino superior no Brasil, apenas 5% são diplomados como engenheiros. "É difícil ser um país inovador sem esses profissionais", diz. O ITA diploma 120 engenheiros ao ano.

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Inovação - Empresas não estão prontas para lidar com erros e fracassos

Inovação - Empresas não estão prontas para lidar com erros e fracassos | Inovação Educacional | Scoop.it

Como as empresas lidam com o fracasso? Como deveriam? Os gestores sempre falam em dar autonomia aos funcionários, para que assumam riscos e aprendam com seus erros. Mesmo assim, poucas organizações sabem falar sobre o fracasso quando ele acontece, e um número menor ainda sabe quais lições tirar disso - conforme ilustram muito bem as consequências da crise bancária, os projetos de TI caros demais e a enorme quantidade de lançamentos de produtos mal executados.
Algumas companhias podem não ter capacidade para investigar o que saiu errado, mas outras nem tentam. "Se um lado do negócio está ganhando muito dinheiro e o outro está tendo perdas pequenas que podem ser facilmente absorvidas, a atitude frequentemente é 'por que se preocupar?'", diz Jan Hagen, professor e especialista em falhas de gestão da European School of Management and Technology.
Apontar o que não está funcionando pode tornar pessoas impopulares, assim como alertar sobre problemas que se aproximam e que a maioria prefere ignorar. No entanto, entre as organizações que levam o gerenciamento de erros a sério - como as companhias aéreas e as de cuidados com a saúde -, várias evidências comprovam que quando as pessoas falam abertamente sobre os erros, a motivação e o desempenho melhoram.
Amy Edmondson, professora da Harvard Business School, identifica três tipos de falhas: deslizes e equívocos que podem ser evitados, contratempos que surgem de situações complexas e imprevisíveis e falhas exploratórias que merecem encorajamento como parte do processo criativo. Todas elas exigem uma condução diferente, mas frequentemente produzem uma reação inapropriada.
Um exemplo é a 3M. Sob a liderança de James McNerney, a companhia aplicou o Six Sigma - uma técnica criada para eliminar defeitos e custos de produção - em todas as suas operações, incluindo seus laboratórios de pesquisa. Os lucros melhoraram no curto prazo, mas seus cientistas perderam a disposição de se envolver com experimentos criativos, reduzindo as chances de descobertas significativas.
Não é apenas falhando de maneira criativa que os indivíduos e as equipes se aproximam de seus objetivos. Manter uma agenda dos deslizes do dia a dia e discutir o que deu errado e por quê, pode revelar oportunidades para reforçar os processos e melhorar o treinamento, reduzindo a possibilidade de ocorrência de erros.
Mesmo assim, se é esperado que os funcionários falem sobre o que não deu certo, eles precisam saber que vai ser seguro fazer isso. "Não se aprende nada se os caras que falam sobre os seus erros são crucificados", diz Andreas Hummel, diretor de gerenciamento de qualidade das operações de desenvolvimento de produtos da BMW. Por outro lado, se não há retaliação, o que vai impedir os funcionários de continuarem negligentes?
Há mais de uma década o setor da aviação enfrenta o dilema de como acabar com o jogo da culpa sem fechar os olhos à negligência. Após experimentar várias formas de prestação de contas isentas de culpa, muitas companhias aéreas agora seguem um sistema chamado "Just Culture".
Ele coloca o ônus sobre os funcionários que reportam erros que cometeram inadvertidamente - como exceder um limite de velocidade, por exemplo.
A contrapartida é que os funcionários que reportam a si mesmos não serão advertidos, embora possam receber treinamento extra. Mas há algumas ações - como quebrar as regras deliberadamente - para as quais não são feitas concessões. "O objetivo é estimular um ambiente em que fique bem claro que os funcionários que cometem erros honestos ou julgamentos errados [e os informam] não incorrerão em medida punitiva", afirma Helmut Kunz, diretor de treinamento corporativo da Airberlin.
A questão é aprender com o erro, e não permitir que aqueles que desprezam as regras escapem das consequências. Para algumas organizações, isso envolve mudar a linguagem usada na análise do que deu errado.
Em 1999, Julie Morath, uma especialista em cuidados com a saúde cujo trabalho vem sendo estudado por acadêmicos, entrou para o Children's Hospitals and Clinics of Minnesota com um mandato para melhorar a segurança dos pacientes. Ela se deparou com uma cultura da culpa clássica, em que os indivíduos raramente admitiam seus erros por temerem se transformar em uma espécie de bode expiatório. Julie treinou pessoas para investigarem sem apontar o dedo. Hoje CEO do Hospital Quality Institute da Califórnia, ela recomenda fazer perguntas neutras como "o que aconteceu?", em vez de perguntas julgadoras, como "quem fez isso?".
Erros graves são sempre o último estágio de uma série de passos menores que se acumulam catastroficamente, como colocar a pessoa errada no cargo e não supervisioná-la adequadamente. Eles podem parecer inevitáveis, mas em algum momento alguém poderia ter interferido. Eles simplesmente exigem que as pessoas ajam quando percebem que outros, inclusive seus chefes, estão cometendo erros. E aí está um problema. "Quanto mais as pessoas sobem na hierarquia, mais tendem a confiar em seu próprio julgamento e menos os outros tendem a questioná-las", afirma o professor Hagen.
Não há soluções rápidas, mas as organizações podem encorajar as pessoas a falar a verdade a quem detém o poder. Para começar, Hagen ressalta que os líderes mais graduados precisam deixar de lado a pretensão da infalibilidade e falar sobre "quando eles não acertaram", em vez de falar apenas sobre os sucessos. Elogiar publicamente os funcionários que soam o alarme passa a mensagem de que a responsabilidade pela prevenção de erros é compartilhada por todos. Na Children's Hospitals, Julie implementou o "prêmio surpresa boa", recompensando os funcionários que evitavam erros questionando situações.
De modo parecido, consolidar uma cultura de aprendizado exige a liderança certa. Em vez de promover os maiores egos, Hummel aconselha a promoção daqueles que "são abertos ao feedback e abertos em relação às suas falhas". As organizações também precisam pensar cuidadosamente sobre como vão medir o sucesso. Por exemplo, protótipos e pilotos devem ser criados para alargar fronteiras, e não para funcionar perfeitamente.
A farmacêutica Eli Lilly costumava fazer as chamadas "festas do fracasso" para homenagear os originadores de tratamentos promissores que não deram certo nos testes. Posteriormente, a companhia percebeu que essa era uma psicologia motivacional fraca. Acostumados a aprender com a experimentação, seus cientistas não gostaram de ver seus melhores esforços serem exibidos como fracassos.
Atualmente, Andrew Dahlem, diretor operacional dos laboratórios de pesquisa da Eli Lilly, diz que a companhia não comemora mais os fracassos por si. Em vez disso, ela aplaude as pessoas que realizam testes e que contribuem para o conhecimento, seja comprovando uma teoria ou acabando com ela. "Como empregadores em uma indústria em que a maioria das boas ideias não resulta em inovações comerciais, não queremos rotular nossos especialistas como fracassos. Queremos que eles permaneçam otimistas para continuarem a ter novas ideias."

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Saída da crise para indústria depende de câmbio e inovação

Saída da crise para indústria depende de câmbio e inovação | Inovação Educacional | Scoop.it

Uma desvalorização do real poderia ajudar uma grande parte dos setores industriais brasileiros a reverter a crise enfrentada nos últimos anos. Porém, seria suficiente apenas como medida de curto prazo. Independentemente do nome a ser eleito à Presidência do país, estudiosos do setor industrial ouvidos pelo Valor acreditam que, no longo prazo, o Brasil precisará repensar também a política especificamente voltada ao setor industrial, tendo foco na melhora da competitividade, em grande medida, com avanços na modernização e inovação tecnológica.
Renato Garcia, professor do Instituto de Economia da Unicamp, afirma que, embora vários setores da indústria de transformação estejam com problemas, a valorização do real atinge principalmente aqueles cuja relação preço/salário é muito importante para a sua competitividade, estando mais sujeitos à concorrência com importados, como é o caso da produção de bens de consumo de massa, como têxtil e calçados.

Garcia acredita que uma reversão da sobrevalorização pode mudar o cenário para alguns segmentos dentro de setores como esses. "Supondo que ocorra uma desvalorização do real ante o dólar, boa parte vai se recuperar. Isso deve ocorrer com a produção de itens mais commoditizados, que serão internalizados rapidamente", disse, citando como exemplo móveis, parte das cerâmicas, parte dos plásticos, sapatos e produtos têxteis mais básicos. São setores com tecnologia difusa, nos quais as dificuldades para se remontar fábricas - que possivelmente foram desativadas, em função da avalanche de produtos importados no mercado nacional - são menores.

A crise da indústria brasileira se refletiu nos últimos anos principalmente na produção de 10 setores, de acordo com a Pesquisa Industrial Anual (PIA), que apura o desempenho de 24 ramos industriais. Entre os setores mais afetados estão têxtil, madeira, papel e celulose, coque e derivados de petróleo, produtos químicos, farmacêuticos, metalurgia, metalurgia exceto máquinas, informática e outros equipamentos de transportes.

Nesses setores foi constatada, ainda que em graus diferentes, a redução da participação no Valor de Transformação Industrial (VTI) dentro do total de valor gerado pela indústria de transformação, quando comparados os dados de 2012 (os mais atuais disponíveis) com os de 2007 - um ano antes da eclosão da crise mundial.

O VTI é uma medida importante, porque é uma variável próxima ao conceito de valor adicionado que cada setor gerou dentro da indústria de transformação, contribuindo assim para o resultado do Produto Interno Bruto (PIB). Para alguns economistas, o indicador compõe a cesta de estatísticas que sinalizam uma desindustrialização em curso, com algumas interpretações entendendo que o fenômeno ocorre de maneira precoce, porque o Brasil teria começado a se desindustrializar com um nível de renda per capita muito inferior ao dos países desenvolvidos.

A professora da PUC-SP Anita Kon concorda que uma desvalorização do real seria de grande relevância, mas destaca que não bastam mudanças em uma variável macroeconômica para reverter a crise do setor. "Os empresários precisam também de juros mais baixos e uma política industrial efetiva de longo prazo", disse.

A proposta de uma nova política industrial ganha corpo entre alguns economistas pela crítica que fazem da política industrial existente, basicamente o Plano Brasil Maior. "Nós não temos uma política industrial. Não adianta ter uma política que fique só no papel. Precisamos de uma política industrial de longo prazo que não seja para tampar buraco ou apagar fogo", afirma Anita. Garcia, por outro lado, reconhece méritos no Brasil Maior, mas aponta que há algumas falhas, como o fato de ter havido medidas mais compensatórias ao setor industrial do que indutoras de internalização de capacidades tecnológicas.

Além disso, a necessidade de uma política industrial de longo prazo é ressaltada pelo entendimento de que os problemas mais de fundo do setor industrial não são resolvidos apenas com mudanças macroeconômicas, como no câmbio. Entre essas questões, Garcia cita as baixas escalas de produção, baixos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, incapacidade de as empresas brasileiras participarem mais das cadeias globais de valor, bem como pela incapacidade de o setor industrial incorporar capacitações sustentáveis no longo prazo.

Como elementos de uma nova política industrial, Anita cita melhores condições no capital de giro, melhora da infraestrutura e medidas macroeconômicas e microeconômicas em sintonia. "Se é estabelecida uma certa taxa de juros (Selic), não se deve com isso pensar só no equilíbrio macro, mas que ela vai ter influências de diferentes tipos na indústria", diz.

Assim como Anita, Garcia defende uma política industrial de longo prazo que eleja setores prioritários. "Em alguns casos, o bonde passou e o perdemos, mas temos que tentar pensar daqui para frente", disse. Como casos em que o bonde já passou, ele citou o complexo de eletrônicos, como a fabricação de chips, que não foi internalizada pelo Brasil. Isso não significa que não há o que fazer, mas é preciso identificar setores".

Entre os dez setores que apresentaram queda na PIA estão alguns de alto conteúdo tecnológico, que seriam importantes para puxar o crescimento do país, colocando-o em uma melhor posição nas cadeias globais de produção, na avaliação de alguns economistas. Além disso, a lista demonstra que há uma certa heterogeneidade da crise: ela vai do têxtil à metalurgia e ao ramo de transportes.

Apesar de o câmbio ser apontado como importante ferramenta de saída da crise para parte do setor industrial, economistas afirmam que existe uma probabilidade baixa de o governo - seja quem for o nome eleito no segundo turno - mexer no câmbio, porque essa medida traria aumento de custos e poderia ter efeitos sobre a inflação. Atualmente, existe uma atuação do governo no câmbio para evitar uma desvalorização excessiva, pelo entendimento de que isso pode ter impacto sobre a inflação, por meio do encarecimento das importações.

"É possível, portanto, que a mudança no câmbio não venha de medidas deliberadas do governo brasileiro. Está tudo mundo de olho no Fed [o banco central americano] nos Estados Unidos. Se há um aumento de juros lá, certamente vai haver mudanças no câmbio brasileiro", destaca o professor da Unicamp.

Em uma avaliação distinta de Anita e de Garcia, Sandra Rios, diretora do Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento, acha que o país não deveria temer o "desmonte" da produção vertical integrada que vem ocorrendo, o que alguns classificam como "perda de elos das cadeias produtivas" ou de desindustrialização. Ela entende que o país deve se especializar naquilo em que já tem maior competitividade. Por trás disso está a ideia de que o "desmonte" faz parte de um processo global natural, considerando a nova forma de atuação da indústria em cadeias produtivas globais, nas quais as grandes empresas escolhem onde e o que produzir em cada país, conforme seus interesses.

Embora Sandra concorde que a sobreapreciação do real prejudica a indústria, ela considera que o país precisa buscar especializações, como a de produtor de matérias-primas, vista por ela como "inescapável para um país abundante em recursos naturais".

Sobre setores intensivos em mão de obra, como é o caso de têxtil e calçados, por exemplo, Sandra considera que, antes da emergência da China no mercado internacional, trazendo todos os países da região com ela, o país podia até ter "alguma vantagem comparativa nisso", mas esse não é o caso do Brasil de hoje.

"De um lado, o Brasil concorre agora com países que são de fato abundantes em mão de obra e, de outro lado, temos um aumento da ocupação da mão de obra e um encarecimento do custo do trabalho que não nos permite mais competir nesse nicho [de mão de obra intensiva] de preço", diz Sandra.

De acordo com ela, o Brasil tenta resistir à tendência global de redução da produção integrada verticalmente. "A ênfase em políticas que buscam contrarrestar essa tendência acabam por prejudicar a competitividade", afirma. "Quando há uma política para manter a produção local de todas as partes, peças, componentes, insumos e bens de capital, é inevitável um encarecimento da produção que vai se fazer sentir de forma mais intensa nos elos da cadeia que estão mais na ponta", diz.

Para Sandra, a solução não passa por uma política industrial que eleja setores prioritários ou evite a perda de alguns segmentos. "Pode até ter fábrica têxtil para produtos mais sofisticados, com um corte especial, ou naquela que haja alguma vantagem de produzir localmente, como moda praia, com um tipo de desenho que ainda valha a pena produzir aqui por conta da proximidade com o local do produto. Mas é difícil imaginar que o país vai ser competitivo em camiseta de malha sintética ou em produção de sapatos de borracha."

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Inovação - Conectividade, a próxima revolução industrial

O futuro pertence às máquinas. Mais de um bilhão de smartphones serão vendidos neste ano e vários milhões de smartwatches e monitores de saúde de diversos tipos serão usados. Mas se as previsões sobre a chamada "Internet das Coisas" estiverem certas, num futuro não muito distante, o número de dispositivos de computação espalhados pelo mundo que operam sozinhos, conectados por cabos ou redes sem fio, vai ultrapassar o número de aparelhos que as pessoas carregam com elas.
A firma de pesquisa de mercado Gartner prevê que o total dos dispositivos conectados a redes, a maioria deles não operados por uma pessoa, vai saltar de 3 bilhões para 25 bilhões em apenas sete anos.
Entre esses dispositivos estão automóveis com conexão à internet, produtos em lojas que podem ter transmissores sem fio em seus rótulos, e frotas de caminhões nas estradas conectadas com redes que monitoram seu itinerário.
Além disso, sistemas de aquecimento, ventilação e ar condicionado terão mais capacidade para controlar a umidade e temperatura, as companhias aéreas farão melhor uso de combustível e os hospitais coordenarão melhor o agendamento de cirurgias com a disponibilidade de equipamento para as salas de operação.
Duas tendências clássicas da tecnologia estão em operação.
Primeiro, a tecnologia, como frequentemente faz, está democratizando o processo de conexão das coisas. Potências da indústria como a General Electric vêm automatizando os sistemas de controles industriais em plataformas de petróleo há décadas. E os tipos de infraestrutura em rede mencionados aqui podem ser construídos totalmente pela divisão Smarter Planet, da IBM, que gera US$ 5,5 bilhões por ano em faturamento para a gigante tecnológica, estimam analistas.
Normalmente, porém, "esses tipos de abordagem só podiam ser financiados pelas maiores empresas do mundo", diz Ed Maguire, analista de software da firma de pesquisa CLSA Americas, que já fez vários relatórios este ano sobre a Internet das Coisas. "Não era algo acessível a empresas médias."
Agora, a queda no custo de sensores, a proliferação de sistemas de conectividade a cabo e sem fio para computadores e a chegada de centros da dados mais baratos da Amazon.com e outros provedores, que podem reunir e analisar informações de máquinas ao redor do mundo, estão permitindo cada vez mais que empresas grandes e pequenas se conectem de uma forma antes só imaginada pelas gigantes.
Segundo, as capacidades estão aumentando. Agora, por exemplo, um simples sensor de movimento, luz ou temperatura pode ser preso a um dispositivo e usado para controlá-lo. Em breve, o software por trás de uma rede de sensores irá monitorar as lâmpadas das ruas de uma cidade inteira, tornando-as mais eficientes e economizando o dinheiro dos contribuintes. Ou companhias aéreas poderão usar um serviço que sabe quando partes do motor do avião estão prestes a falhar e pode pedir uma troca para minimizar o tempo parado da aeronave.
A explosão de coisas conectadas oferece oportunidades para empresas que operam em todos os setores da tecnologia, incluindo fabricantes de chips como Qualcomm e Thin Film Electronics, empresas tradicionais de equipamentos de redes como a Cisco Systems, fornecedores de software como PTC e Splunk, e provedores de serviços de computação em nuvem como Amazon.com e Salesforce.com.
Empresas da velha economia, como a Monsanto e a GE, também podem se beneficiar dando vida nova aos objetos mais simples, como equipamentos industriais e sementes.
Existem três estágios para a Internet das Coisas. Primeiro, muitos objetos tornam-se conectados, incluindo carros, casas, trens de carga, equipamentos médicos e produtos de consumo. Depois, mais e mais informação analisável é extraída desses dispositivos conectados. E, no estágio final, os fabricantes irão operar suas empresas com base nesses dados.
O primeiro estágio está muito relacionado com sensores e chips baratos. Há muitos exemplos de ponta, como a fabricante de carros elétricos Tesla. Recentemente, ela anunciou uma nova versão de seu Modelo S com sensores que, com o tempo, levarão ao desenvolvimento de um piloto automático para rodovias.
Mas há exemplos menos sofisticados se espalhando discretamente. A novata californiana Gimbal nasceu de uma cisão da Qualcomm em maio. Ela produz o chamado iBeacon, nome patenteado pela Apple, que desenvolveu o padrão. Os iBeacons da Gimbal são pedaços de plástico que custam de US$ 5 a US$ 20, podem ter apenas alguns centímetros quadrados de tamanho e contêm sensores, transmissores sem fio e um pouco de memória. Eles podem ser presos a vários lugares e transmitir informações a dispositivos que passam por perto, até 50 metros de distância.
A Apple usa os dispositivos Gimbal em suas lojas de varejo: Quando um cliente entra na loja, seu iPhone se conecta automaticamente a iBeacons escondidos sob as mesas de exposição. O iBeacon envia alertas para a tela do aparelho, como lembretes sobre a hora marcada com técnicos do Genius Bar.
O próximo estágio é a coleta de dados por todos os dispositivos conectados no campo.
A PTC, que por muitos anos vendeu software de design de produtos, comprou uma nova empresa chamada ThingWorx. Ela permite que as clientes unifiquem os dados recolhidos pelos sensores no campo e os combine com recursos de rede de vários tipos. Uma empresa pode usar os dados de um sensor de uma máquina e combiná-los com os nomes dos clientes de um banco de dados operado pela Salesforce, empresa que oferece software de administração de relações com o cliente, assim como um serviço de computação em nuvem.
No terceiro estágio da Internet das Coisas, as empresas mudarão a forma como ganham dinheiro e aprendem a cortar custos. Talvez esta seja a parte mais difícil de quantificar porque envolve trazer à tona todas as ineficiências dos modelos de negócio existentes.
A Cisco, que realinhou seu negócio para vender pacotes de interruptores, software e serviços para a Internet das Coisas, ressalta o exemplo de Barcelona, Espanha, que está usando sensores e redes para entender melhor os padrões de tráfego e reduzir congestionamentos. "Não há setor da economia onde não existam bilhões de dólares presos em ineficiências", diz Glen Allmendinger, analista da Harbor Research. "Veja como os PCs, nos anos 90, aumentaram a produtividade dos escritórios. O impacto da Internet das Coisas será muitas vezes maior."
Um bom exemplo é a Monsanto, que investiu US$ 930 milhões para comprar a Climate Corp., uma novata de previsão de tempo. Usando sensores terrestres que medem os níveis de pH e a composição do solo, a gigante das sementes e insumos agrícolas espera oferecer um serviço que diga aos produtores quais culturas terão maior produtividade em suas terras, sob determinadas condições climáticas.
A principal ameaça da Internet das Coisas é a segurança. Obviamente, coisas muito ruins podem acontecer se um hacker invade redes conectadas, como a rede de energia ou ferroviária do país.
"Muita gente vem inserindo coisas na rede sem se dar o tempo necessário para torná-las seguras. Esse é, categoricamente, o maior risco", diz Allmendinger.

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Inovação - FEI sela convênio com universidade da Suécia

Inovação - FEI sela convênio com universidade da Suécia | Inovação Educacional | Scoop.it

Diversas invenções nasceram na Suécia, mas depois que se tornaram populares no mundo todo, poucos imaginam qual sua origem. Exemplos são o cinto de segurança de três pontas (o tradicional dos automóveis), a embalagem tetra pak, o assento ejetor de avião-caça e o Skype. O país nórdico se destaca quando o assunto é o desenvolvimento de tecnologia, principalmente quando se fala em segurança veicular.
Essa é uma das razões que motivaram a FEI a selar convênio com a Universidade de Linköping, instituição pública de Ensino Superior situada na cidade homônima, com foco em pesquisa e tecnologia. Ela é sede, inclusive, do parque tecnológico Mjärdevi, que concentra 260 empresas inovadoras, desde start-ups até multinacionais dos segmentos de internet móvel, imagem e som, segurança automotiva e desenvolvimento de softwares e sistemas.
O acordo deve estimular o intercâmbio de alunos, professores e pesquisadores, tanto de graduação e pós-graduação quanto de mestrado, doutorado e pós-doutorado. “A Suécia possui nível de desenvolvimento tecnológico muito forte, que tem muito a acrescentar aos nossos profissionais. Eles poderão conhecer suas inovações e adequá-las à nossa realidade”, afirma o diretor do Instituto de Pesquisas e Estudos Industriais da FEI, Vagner Barbeta. “O modelo de atuação comum naquele país, que reúne instituições de ensino, iniciativas públicas e privadas é referência de sucesso e permite desenvolver tecnologias de forma mais ágil.”
Com o convênio, Barbeta afirma que há o intuito de despertar o interesse pela Suécia. “Hoje, temos na FEI mais de 200 alunos em programas internacionais, mas a maioria em países como Alemanha e Itália. Muitos até então nem cogitam o país devido ao idioma, mas a barreira da língua não existe lá. Em todos os lugares praticamente todos falam inglês.”
Segundo o diretor, o acordo, que ajuda a estabelecer parcerias interessantes para os dois lados, é voltado aos alunos de Engenharia, Ciências da Computação e Administração.
Para participar, é preciso antes pleitear a aprovação em programas governamentais, a exemplo do Ciências Sem Fronteiras, que utiliza recursos do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), órgão de incentivo à pesquisa no Brasil, e do Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), agência com o mesmo intuito, de fomentar a pesquisa brasileira, que tem, inclusive, edital aberto no momento.
MAIS - Também em Linköping fica a Saab, que fabrica o avião-caça Gripen NG, encomendado pela FAB (Força Aérea Brasileira) para substituir a frota atual de 36 aeronaves. A Saab, em parceria com o grupo Inbra, de Mauá, vai construir fábrica em São Bernardo para montagem de estruturas do caça a partir de 2017. Existe a perspectiva de incorporar produção nacional de parte significativa desses itens. O investimento da montadora será de US$ 150 milhões.
Dentre as peças que devem ser fabricadas na região com ajuda de fornecedores brasileiros, estão a tampa do trem de pouso e parte traseira, mas há chances de se fazer também as partes central e intermediária da fuselagem, incluindo as asas.
Ainda em São Bernardo, existe o Cisb (Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileira), há dois anos e meio, que vem trabalhando como intermediador em atividades para estreitar a rede de inovação aberta entre Brasil e Suécia em colaboração com empresas, universidades e órgãos públicos de financiamento. O Cisb também fomenta intercâmbios.

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Projeto STEM Brasil cria líderes de amanhã

Projeto STEM Brasil cria líderes de amanhã | Inovação Educacional | Scoop.it

As possibilidades profissionais em carreiras das áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM), fundamentais para a economia de qualquer país, crescem consistentemente nos últimos tempos no Brasil. Ao mesmo tempo, porém, também aumenta a necessidade de profissionais de qualidade nas áreas de STEM. No entanto, poucos estudantes brasileiros estão sendo adequadamente preparados para desempenhar de forma satisfatória nessas posições.

Estudo ainda em elaboração pela GE Foundation antecipa alguns dados que confirmam essa realidade: o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial de escassez de talentos. Ou seja, mesmo com a crescente oferta de formandos em universidades, ainda há uma dificuldade para se encontrar profissionais de determinadas carreiras, como engenharia e tecnologia da informação (TI). Todos os anos, por exemplo, mais de 20 mil postos de trabalho no setor de engenharia ficam desocupados porque não se formaram profissionais suficientes para preenchê-los. Na área de TI, há atualmente 115 mil vagas em aberto, frente aos 85 mil profissionais formados anualmente.

Para enfrentar a falta de professores qualificados em muitas das escolas públicas do país, nasceu o projeto STEM Brasil, que se dedica à formação de educadores brasileiros em Física, Química, Biologia e Matemática utilizando uma metodologia baseada em projetos. Professores mais preparados são fundamentais para inspirar alunos das escolas públicas a cursar faculdades e seguir carreiras nas áreas de STEM. Um dos lemas centrais do projeto é “STEM Brasil está treinando os professores de hoje para criar os líderes de amanhã”.

Segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) de 2013, 74% dos entrevistados apontaram que a falta de profissionais qualificados afeta principalmente a busca das empresas por eficiência e a redução de desperdícios. Em seguida, aparecem a garantia da melhora da qualidade dos produtos (61%) e a expansão da produção (39%). Essa perda de eficiência pode gerar prejuízos de até R$ 115 bilhões, segundo estima a CNI.

O projeto é coordenado pela Worldfund, que conta com parcerias e doações de várias empresas, como a GE, Microsoft e Deutsche Bank. Desde o seu lançamento em 2009, o STEM Brasil já formou 1.700 professores e coordenadores pedagógicos nos estados de Pernambuco, São Paulo e Rio Grande do Sul. E esses docentes alcançam 110 mil alunos anualmente (confira o projeto da lombada que evita apagão de semáforos desenvolvido por estudantes brasileiros que participam do projeto).

A Worldfund também oferece a plataforma online Comunidade de Aprendizagem Virtual (CAV), por meio da qual professores, formadores e membros da equipe do STEM Brasil podem compartilhar recursos e experiências. A parte virtual do programa complementa as formações presenciais e permite que os professores possam mostrar fotos e ideias de atividades que fizeram com sucesso na sala de aula e no laboratório. Saiba mais detalhes acompanhando as redes sociais do STEM.

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Arte moderna liberta a criatividade dos alunos

Arte moderna liberta a criatividade dos alunos | Inovação Educacional | Scoop.it

Pinturas, gravuras, desenhos e esculturas produzidos por crianças, misturadas a páginas de livros e fotografias decoram as paredes do antigo laboratório de ciências da Escola Municipal Valéria Junqueira Paduan, em Santa Rita do Sapucaí, Minas Gerais. Esse é o espaço de trabalho da professora de educação artística Maria da Paz Melo: uma sala de aula da imaginação e de fantasia ativa.
Nem um eco das aulas de arte tradicionais, pelas quais passaram gerações de alunos, com desenhos iguais para colorir, ilustrações para copiar ou lembrancinhas em série para o dia das mães. No verso de cartazes de filmes de uma locadora, em sobras de papel que uma gráfica iria jogar fora ou com sucatas de uma empresa recolhidas pela mãe de um aluno, as crianças fazem e desfazem, desenham, pintam, riscam, rasgam, saem das duas dimensões do papel. Usam todo tipo de material para criar arte contemporânea e , sem buscar a perfeição do desenho, expõem sua personalidade

Maria da Paz quer montar um portfólio dos alunos, expor na cidade e também dar aulas para professores, com a intenção de estimular um ensino com mais criatividade e sensibilidade, influenciando o que as crianças forem fazer em várias áreas da vida:  estudos, trabalho, relações com os outros. “Muita gente pesquisa sobre criatividade, mas ninguém tem a resposta”, ponderou. Uma aproximação de resposta talvez esteja naquilo que Jorge Mautner viu: “Beleza são coisas acesas por dentro”. Beleza que acende as crianças livres, inventivas, naturais, de Santa Rita do Sapucaí.

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Ricardo Semler: 'A educação brasileira está obsoleta'

Ricardo Semler: 'A educação brasileira está obsoleta' | Inovação Educacional | Scoop.it

Ricardo Semler ganhou projeção no mundo empresarial ao fazer da sua companhia, a Semco, um laboratório de experiências em democracia na gestão de negócios, tornando-se uma referência em inovação.
Na Semco, uma fabricante de máquinas industriais, não há departamento de recursos humanos ou sequer uma sede.Os funcionários escolhem seus chefes, decidem o quanto ganham e quando irão trabalhar.Reuniões são voluntárias, e dois assentos do conselho da companhia são reservados para os primeiros empregados que comparecerem à reunião.Todos os salários são públicos assim como as finanças da companhia.Mais recentemente, ele levou este pensamento para a educação com a escola Lumiar, que funciona no interior de São Paulo e é mantida pela fundação criada por Semler.Na Lumiar, os alunos e professores tomam as decisões mais importantes em conjunto, do que será servido no lanche ao conteúdo que será lecionado em cada bimestre.Em 2007, a Lumiar foi eleita pela Microsoft e pela Universidade de Stanford como uma das 12 mais inovadoras do mundo.Este histórico lhe rendeu um convite para dar uma palestra no TED Global, conferência de ideias e projetos inovadores em curso no Rio de Janeiro.A BBC Brasil conversou com exclusividade com Semler durante o evento.A seguir, ele explica por que considera o modelo educacional no Brasil obsoleto.Também afirma que o empresariado brasileiro precisa se renovar e abandonar modelos que estão ultrapassados.

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Inovação - Universidade Minerva recebe novo aporte

Criada há apenas dois anos, a Universidade Minerva, dos Estados Unidos, está recebendo seu segundo aporte, no valor de US$ 70 milhões. O interesse dos investidores é pelo modelo da Minerva: as aulas são on-line e não há salas, bibliotecas ou laboratórios próprios.
Setenta por cento do novo aporte vieram de um consórcio formado por três investidores chineses (a empresa de tutores Tal Education, o fundo ZhenFund e a holding Yongjin) e pelo fundo americano de venture capital Benchmark Capital. Este fundo já havia feito um aporte de US$ 25 milhões na Minerva em 2012 e também colocou dinheiro no Twitter e no eBay, entre outros.
Os demais 30% do aporte, anunciado ontem, virão de outros investidores cujas negociações devem ser concluídas em até quatro meses. Mesmo com a entrada dos novos investidores, o fundador da Minerva, Ben Nelson, continua sendo o maior acionista individual. O modelo pedagógico foi desenvolvido pelo neurocientista americano Stephen Kosslyn, que fez carreira em conceituadas universidades como Harvard e Stanford.
O interesse dos investidores é pelo modelo da Minerva, considerado inovador no setor de educação, que passando por grande transformação com a chegada da tecnologia.
Na Minerva, as aulas são on-line e não há salas, bibliotecas ou laboratórios próprios. Também não há cursos de engenharia, direito, medicina ou outra profissão específica. Seus alunos escolhem, no segundo ano do curso, uma entre cinco áreas que pretendem seguir: negócios, ciência da computação, ciência sociais, artes e humanidades ou ciências naturais. Após definir uma das áreas, há 25 especializações como economia e mercado, matemática, estatística, física aplicada, artes e comércio, psicologia e neurociência.
A premissa da Minerva é ser uma universidade menos teórica e mais voltada para o desenvolvimento de habilidades como raciocínio lógico, liderança, trabalho em equipe e tomada de decisão. Por isso, os alunos fixam residência em sete países diferentes durante o curso de quatro anos. As aulas da primeira turma - formada por 30 estudantes de 14 países, sendo um brasileiro - começaram em setembro em São Francisco (EUA). O processo seletivo recebeu quase 2,5 mil inscrições.
"Se eu tivesse que contratar um aluno de Harvard ou da Minerva, ficaria com o estudante da Minerva porque ele viveu em sete países, tem maduridade, suas habilidades cognitivas foram desenvolvidas", diz o argentino Alex Aberg Cobo, presidente da Minerva para América Latina. Cobo, que fez MBA em Harvard, trabalhou no Deutsche Bank, no Morgan Stanley e em gestoras de fundos.
Várias premissas são levadas em conta na seleção dos alunos. Há desde pessoas com QI acima da média até o caso de um rapaz que estudava de manhã e no restante do dia cuidava da mãe doente, sem tempo para atividades extracurriculares. "O senso de responsabilidade, maturidade e comprometimento desse jovem é elevado e este é um dos atributos necessários para a nova realidade do mercado de trabalho", disse Cobo.
O brasileiro aprovado foi o estudante Guilherme Nazareth, de 18 anos, que deixou o curso de engenharia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Os alunos da Minerva ficarão um ano em São Francisco, depois seguem para Berlim e Buenos Aires. Nova York e Londres devem fechar o curso. O Brasil foi um dos países pesquisados e ainda há possibilidades de a Minerva montar uma unidade por aqui. O custo anual para estudar na universidade é de cerca de US$ 28 mil.

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O colapso do apetite para liderar entre os mais jovens

Viver em um mundo corporativo sem pessoas interessadas em liderar é desesperançoso e preocupante para as nossas organizações.
Neste artigo quero demonstrar que estamos construindo esse mundo. Nossa forma de administrar empresas e pensar os negócios não estimula a formação de novos líderes. Essa caminhada inquietante rumo à extinção de gestores é um fenômeno em curso. A questão central está no declínio da atratividade da função de liderar.
No mundo do trabalho do século passado, nas turbulentas águas da falta de oportunidades e impossibilidade de pensar além do emprego, a ideia de ser chefe de alguma coisa era tentadora. Proporcionava status social e melhores ganhos financeiros. Na fase do emprego para a vida toda, aquele que era leal e atendia ao projeto empresarial tinha mais garantias de permanecer na organização e construir sua carreira. Era a troca possível: o indivíduo dava a sua vida e ganhava um trabalho que permitia pagar suas contas.
Esses executivos abriram mão da família, de seus desejos pessoais e de suas escolhas. Seus filhos cresceram vendo pais assustados e presos a um modelo de pouca felicidade no trabalho. E eles não querem mais esse projeto. A estabilidade da economia e o aumento de oportunidades permitiram que as pessoas pudessem escolher. Nessa reflexão sobre estratégias de carreira e felicidade, começam a questionar o peso da carreira executiva e o impacto disso no desenho de vida.
No último mês de setembro tivemos o caso de Mohamed El-Erian, CEO da empresa norte-americana PIMCO, que abandonou a posição após ter recebido uma carta da filha de dez anos listando momentos importantes em que ele não estava presente. No mês anterior Max Schireson, CEO da empresa de tecnologia MongoDB, abandonou a posição para ter mais tempo para a família.
São casos emblemáticos que revelam uma tendência.
Neste ano, completo 20 anos de trabalho com executivos em transição de carreira e percebo o aumento gradativo de pessoas que não querem assumir desafios de liderança ou pretendem abandonar a posição de comando. E, quando observo o ambiente, entendo a decisão. Líderes se tornaram o repositório de todas as coisas que ninguém consegue fazer.
O gestor precisa cuidar de sua equipe, motivar, pensar a carreira, planejar as demandas, ser amigo, psicólogo de plantão e, pasmem, dar resultados também. Além de suportar conselhos de administração que parecem jurados de programa de TV, mais preocupados em criticar do que ajudar a encontrar soluções. A missão beira o impossível.
O resultado está nas estatísticas médicas, com gestores tarja preta, cansados, exaustos do jogo e apenas controlando o saldo do bônus para ver se a equação fecha. Contabilizando-se o dinheiro, compensa tudo o que foi perdido. São guerreiros cansados.
Nesse contexto, não adianta promover seminários de preparação de líderes, contratar coaching ou palestras motivacionais. Isso soa como a música "She Talks to Rainbows", do Ramones. É como falar para o arco-íris, as pessoas observam o ambiente e percebem que não é aquilo que procuram. O treinamento é um mundo rosa que não combina com a realidade desestimulante da liderança contemporânea.
O encantamento pela vida executiva dura nos primeiros anos de trabalho. A visão idealizada do poder e a aspiração de construir algo significativo têm sido derrubadas pelo conflito com a vida pessoal e a sobrecarga de atividades que geram uma constante sensação de dívida, nada prazerosa.
Temos duas vertentes que deixam a escolha de liderar em uma encruzilhada. Os novos profissionais questionando se querem realmente isso para sua vida, e os líderes mais experientes repensando o interesse em seguir nessa corrida maluca.
A admiração pelo pensamento evolucionista me leva a citar o trabalho do britânico Richard Dawkins, autor do livro "Deus é um Delírio". Embora o ateu possa parecer frio e calculista, Dawkins tem uma visão poética digna de um Messias. Ele afirma que a vida é um conjunto perfeito de fatores que deram certo. É um grande presente estarmos nesse pequeno planeta azul. Muitas coisas aconteceram para termos a oportunidade de estar por aqui. Portanto, temos que aproveitar, esse momento mágico.
Os executivos e os jovens candidatos no mercado que estariam prontos para assumir a gestão de nossas empresas estão pensando nisso. Não querem mais dar a vida para ganhar um bônus ou reduzir os custos de produção de uma cervejaria. Querem uma causa que os inspire com equilíbrio no seu projeto de vida.
E não adianta irmos aos congressos de gestão reclamar da falta de líderes e da ausência de talentos, porque nós estamos matando o desejo de liderar.

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Jovens no mercado de trabalho

Jovens no mercado de trabalho | Inovação Educacional | Scoop.it

O comportamento dos jovens no mercado de trabalho brasileiro tem atraído muita atenção recentemente, pois a sua taxa de participação tem recuado significativamente. Como a taxa de desemprego é calculada com base nas pessoas que querem trabalhar, essa queda na participação tem ajudado a manter a taxa de desemprego baixa, apesar da diminuição no ritmo de crescimento da economia e no processo de geração de empregos. Afinal, o que explica esse comportamento dos jovens no mercado de trabalho? O que podemos prever para o futuro próximo, com os primeiros sinais de desaquecimento na economia aparecendo no horizonte?
A figura ao lado mostra o que aconteceu com os jovens de 15 a 24 anos de idade que moram com os pais nas últimas duas décadas, tanto no mercado de trabalho como na escola. O comportamento dos jovens pode ser analisado através da porcentagem dentre eles que só estuda; que estuda e está na PEA ao mesmo tempo (trabalhando ou procurando emprego); os que estão somente na PEA e aqueles que no momento da pesquisa não estavam estudando nem trabalhando (nem-nem). Os resultados são bastante interessantes.
A década de 90 (1992 e 1999) foi o período de inclusão de jovens na escola. Assim, a porcentagem de jovens que só estava na PEA declinou de 44% para 33% em apenas 7 anos. Interessante notar que em 1999 metade dos jovens estudantes também estava na PEA, ao passo que a outra metade (mais rica) somente estudava. Entre 1999 e 2005 houve um aumento da taxa de participação no mercado de trabalho, com redução do percentual de estudantes que só estudavam e também entre os que estudavam e trabalhavam ao mesmo tempo.

Porém, entre 2005 e 2013 a taxa de participação começou a declinar significativamente, passando de 63% para 53%. Isso ocorreu principalmente entre os jovens que costumavam trabalhar junto com a escola e que agora podem dedicar-se somente aos estudos. O que aconteceu?

Em primeiro lugar, vale notar que esse fenômeno tem ocorrido principalmente (mas não exclusivamente) com os jovens que ainda moram com os pais (70% deles). A explicação parece estar no fato de que entre 2005 e 2013 o salário médio dos pais desses jovens aumentou 33%. Além disso, a taxa de desemprego dos adultos diminuiu substancialmente. Em contraposição, no período em que a participação dos jovens aumentou (1999 e 2005), o salário médio dos pais permaneceu estagnado, assim como a taxa de desemprego. Entre 1992 e 1999, quando a taxa de participação dos jovens também declinou, o salário dos pais também aumentou bastante.

Ou seja, toda vez que o salário dos pais aumenta, a taxa de participação dos jovens diminui.

Desta forma, nos períodos em que o mercado de trabalha melhora para os pais, os filhos podem ser dedicar mais aos estudos, sem necessidade de complementar a renda familiar. Nos anos 90, esse fato, juntamente com as reformas educacionais introduzidas nesse período, permitiu que os jovens mais pobres alcançassem mais anos de escolaridade. Na primeira metade dos anos 2000, com a piora do mercado de trabalho, os jovens passaram a trabalhar mais e estudar menos. Porém, mais recentemente, quando o mercado de trabalho passou a melhorar significativamente, a porcentagem de alunos que estudavam e trabalham ao mesmo tempo declinou, assim como a dos que só trabalhavam.

Quais as consequências dessa dinâmica? Parece claro que toda a vez que o salário médio dos adultos aumenta, a oferta de trabalho dos jovens declina em sequência, o que faz com a taxa de desemprego entre eles também caia. Como os jovens (de 15 a 24 anos) representam 40% dos desempregados num dado momento do tempo, isso afeta a taxa global de desemprego.

Vale notar que 70% dos jovens desempregados ainda moram com os pais e que 50% deles nunca trabalharam antes. Desta forma, o aumento de renda dos pais evita que os jovens tenham que ingressar no mercado de trabalho para complementar a renda familiar.

Será que isso vai aumentar a produtividade futura desses jovens, já que agora eles têm mais tempo livre? Isso dependerá do que eles estão fazendo com esse tempo livre. Será que eles estão fazendo mais deveres de casa ou jogando mais futebol?

De toda forma, isso implica que se a situação se reverter e o salário dos adultos menos qualificados começar a declinar, os jovens irão retornar para o mercado de trabalho, o que vai aumentar novamente o desemprego e, portanto, a taxa agregada de desemprego rapidamente. Pelo andar da carruagem, isso deve começar a acontecer em breve. Veremos.

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Inovação - Quanto vale a informação coletada pelo big data?

O que você compra no supermercado, quais posts você "curte" no Facebook, como você usa o GPS no carro: há empresas baseando todo o seu modelo de negócios na coleta e vendas de dados como esses.
O problema é que ninguém sabe realmente quanto valem todas essas informações. Dados não são um bem físico como fábricas ou dinheiro, e não há nenhum método oficial para estimar o seu valor.
"É absurdo que as empresas tenham melhor controle contábil dos móveis de seus escritórios que de seus ativos de informação", diz Douglas Laney, analista da firma de pesquisa e consultoria de tecnologia Gartner Inc. "Você não pode administrar o que você não mede."
À medida que mais empresas manipulam informações e usam ferramentas de análise de grandes volumes de dados em busca de maneiras de gerar receita, a falta de normas para avaliar esses dados cria uma lacuna cada vez maior na nossa compreensão do mundo moderno dos negócios.
O total de dados e outros "ativos intangíveis" das empresas, como patentes, marcas registradas e direitos autorais, podem valer mais de US$ 8 trilhões, diz Leonard Nakamura, economista da regional do Federal Reserve, o banco central americano, na Filadélfia. O valor é quase igual ao produto interno bruto da Alemanha, França e Itália juntas.
Esses ativos intangíveis estão se tornando uma parte cada vez mais importante da economia global. O valor das patentes, por exemplo, vem sendo um dos principais motivadores tanto de fusões e aquisições quanto de ações judiciais por parte de gigantes da tecnologia como Google Inc., Apple Inc. e Samsung Electronics Co. Tais ativos, porém, não figuram nos balanços financeiros das empresas.
"Queremos algum tipo de informação contábil sobre isso para podermos ter uma ideia melhor de como as empresas estão investindo para crescer", diz Nakamura.
A questão não se limita ao setor de tecnologia. A Kroger Co., uma rede americana de supermercados, registra tudo que os clientes compram nas suas mais de 2.600 lojas e monitora o histórico de compras dos cerca de 55 milhões de membros do seu cartão fidelidade. A empresa analisa esses dados em busca de tendências e depois, por meio de uma joint venture, vende as informações para os fornecedores que abastecem suas prateleiras.
Fabricantes de produtos de consumo, como a Procter & Gamble Co. e a Nestlé S.A., estão dispostas a pagar por essas informações, que lhes permitem adaptar seus produtos e seu marketing às preferências do consumidor.
Laney e outros calculam que a Kroger fatura US$ 100 milhões por ano com a venda de dados, Mas os executivos da empresa não falam sobre o assunto.
A Kroger afirma que segue os princípios de contabilidade geralmente aceitos, que proíbem as empresas de tratar dados como ativos ou contabilizar o dinheiro gasto na coleta e análise de dados como um investimento e não um custo.
O Conselho de Normas de Contabilidade Financeira dos Estados Unidos (Fasb, na sigla em inglês) vem tendo dificuldade para ajustar suas regras a uma economia cada vez mais baseada na informação e propriedade intelectual. O Fasb debateu os ativos intangíveis duas vezes entre 2002 e 2007, mas abandonou a questão diante das complicações. Em setembro, o conselho consultivo do Fasb novamente recomendou o estudo dos intangíveis, diz Christine Klimek, porta-voz do órgão.
Entre as muitas dificuldades está a avaliação da vida útil e do valor futuro dos dados das empresas e o acompanhamento das alterações no valor deles. Calcular esses números seria relativamente fácil para um ativo físico como uma fábrica, mas no mundo nada sólido dos intangíveis há poucos precedentes para esses cálculos.
As discussões sobre as dificuldades de reconhecimento de ativos intangíveis também sempre estiveram presentes no cenário contábil do Brasil, sobretudo para aqueles ativos formados internamente na empresa e não em decorrência de uma aquisição, disse num e-mail a vice-presidente Técnica do Conselho Federal de Contabilidade, Verônica Souto Maior. O tratamento contábil que as empresas devem dar a recursos aplicados em intangíveis está na norma brasileira, que, ao contrário da americana, segue o padrão IFRS, do Conselho Internacional de Normas Contábeis (IASB, na sigla em inglês), acrescentou ela.
A falta de consenso sobre como mensurar o valor dos dados cria um grande ponto cego para os investidores de pesos pesados como Facebook, eBay e Google, cuja maior parte da receita vem dos dados que coletam.
"Muito do que acontece nas empresas não está sendo refletido nas divulgações públicas [de resultados] nem na contabilidade", diz Glen Kernick, diretor administrativo do banco de investimentos Duff & Phelps Co.
Subtraídas as dívidas, Facebook, eBay e Google possuem um total de US$ 125 bilhões em ativos. Mas o valor combinado das ações das três é de US$ 660 bilhões. A diferença reflete a consciência do mercado de que os ativos mais valiosos dessas empresas - como algoritmos de buscas, patentes e um enorme volume de informações sobre usuários e clientes - não aparecem nos seus balanços. Isso leva muitos investidores a avaliar as empresas com base em outros critérios mais voláteis, como fluxo de caixa e perspectivas econômicas.
De fato, muitos especialistas dizem que os investidores não precisam saber o valor específico de ativos intangíveis como dados, argumentando que a cotação da ação de uma empresa reflete a avaliação que o mercado faz desses ativos.
"Os dados não valem nada se você não souber como usá-los para ganhar dinheiro", diz Laura Martin, analista da Needham & Co., acrescentando que os dados perdem valor com o tempo e que por isso são mais difíceis de serem avaliados num dado momento.
Mas depender da sabedoria coletiva do mercado tem seus riscos, como mostrou, em 2000, o estouro da bolha das pontocom, a qual resultou da crença generalizada de que as métricas tradicionais de valor e risco não valiam mais na "nova economia".
Aquisições são uma das raras vezes que se atribui preços específicos aos dados. De fato, o valor dos dados a ser adquiridos está se tornando um fator importante na compra de empresas, diz Bruce Den Uyl, diretor administrativo da consultora AlixPartners LLP.
A Nielsen Holdings NV, que monitora o que as pessoas assistem na televisão e compram nas lojas, adquiriu a firma de monitoramento de audiência de rádio Arbitron Inc. por US$ 1,3 bilhão em setembro de 2013. Como parte do negócio, a Nielsen dividiu, no seu balanço, os ativos intangíveis que adquiriu, inclusive US$ 271 milhões em ativos "intangíveis relacionados a clientes".
O item abrangia o valor de longo prazo das relações com consumidores e as listas de clientes, mas a Nielsen não especificou quanto pagou por cada um.
A Nielsen, que não quis comentar, não atribui valor aos dados que ela mesma cria, mas avaliou em US$ 1,98 bilhão os intangíveis relacionados a clientes e em US$ 4,82 bilhões outros que adquiriu até o fim do primeiro trimestre.

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Novos ajustes nas montadoras

Novos ajustes nas montadoras | Inovação Educacional | Scoop.it

Desde o início do ano, o "layoff", mecanismo da legislação trabalhista que permite afastar operários da produção por até cinco meses, tem sido uma das principais ferramentas das montadoras para administrar o excesso de mão de obra e segurar empregos enquanto atravessam a zona de turbulência. Até o mês que vem, contudo, mais de 2 mil operários de linhas da Volkswagen e da Mercedes-Benz têm retorno ao trabalho previsto sem que o mercado tenha dado sinais consistentes de recuperação. Isso forçou as empresas a retornar às mesas de negociação com sindicatos para manter seus funcionários longe da produção por mais algum tempo.
Na fábrica da Volkswagen em São José dos Pinhais, no Paraná, a saída foi fazer um rodízio de trabalhadores em "layoff". Ontem, uma nova turma, de 422 funcionários, teve contratos de trabalho suspensos, em substituição a outro grupo de 400 operários que acaba de voltar à produção, informa o sindicato dos metalúrgicos da região. Procurada pelo Valor, a Volks confirmou o novo programa de "layoff", mas sem abrir número de funcionários envolvidos. O objetivo, diz, é "adequar a produção à demanda de mercado".

Já na fábrica da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo, no ABC, mais de mil operários voltariam do "layoff" no fim do mês que vem, mas a montadora de caminhões já fechou acordo trabalhista para manter esses trabalhadores em licença remunerada até abril.

Mais de 4 mil operários estão hoje afastados das montadoras em esquema de "layoff", incluindo 930 empregados da General Motors (GM) em São José dos Campos (SP) que tiveram contratos suspensos no mês passado. A adoção dessa ferramenta no parque industrial da GM em São Caetano do Sul, no ABC, também está em discussão, conforme informações do sindicato local, não comentadas pela empresa. Ao mesmo tempo, negociações estão em curso entre o sindicato dos metalúrgicos do ABC e a Volkswagen sobre o que fazer com a volta prevista para a próxima segunda-feira de quase 800 operários afastados, desde maio, da fábrica de São Bernardo.

Além da nova rodada de "layoffs", as empresas também estão concedendo férias para ajustar o ritmo das linhas. Ontem, Renault e Volks iniciaram as férias coletivas - de dez e vinte dias, respectivamente - de suas fábricas no Paraná. Na Renault, 10 mil veículos e 12 mil motores deixarão de ser produzidos. Já na fábrica da Volks, a parada envolve o primeiro turno de produção. O sindicato dos metalúrgicos de Curitiba, porém, adianta que há planos da montadora de também dar dez dias de férias ao segundo turno a partir de 3 de novembro.

Enquanto o país não encontra soluções mais flexíveis de proteção ao emprego, as férias e os "layoffs" estão entre as alternativas adotadas pelas empresas contra demissões em massa, mas não evitaram o corte de 9,3 mil vagas nas montadoras desde o início do ano. Acrescentando nessa conta as demissões na cadeia de suprimento, mais os "layoffs", as vagas eliminadas na indústria automobilística e de materiais de transporte chegam perto de 25 mil postos, mostra o Caged, onde estão registradas as contratações e demissões do mercado de trabalho formal.

A ocupação nas montadoras já cai há onze meses seguidos (veja gráfico), numa crise que irradiou à indústria de autopeças, cujo faturamento cai 13,5% neste ano e a ociosidade nas fábricas passa de 32%, de acordo com o Sindipeças, entidade dos fabricantes de componentes automotivos. A Cummins, por exemplo, demitiu na última semana 80 funcionários da fábrica de motores a diesel em Guarulhos, na Grande São Paulo. Outra fabricante de propulsores, a MWM, cortou 179 postos de trabalho na fábrica de Canoas, no Rio Grande do Sul, segundo informações de sindicato. Nenhum porta-voz da MWM foi encontrado para comentar as demissões. A produção de veículos caiu quase 17% entre janeiro e setembro, como resultado do recuo de 9% do mercado e de 38,5% das exportações.

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Inovação - Os serviços são a nova indústria?

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A discussão mundial sobre crescimento no mundo em desenvolvimento sofreu uma reviravolta recentemente. A badalação e entusiasmo dos últimos anos com a perspectiva de uma rápida equiparação em relação às economias avançadas evaporaram-se. Poucos analistas sérios ainda acreditam que a espetacular convergência experimentada pelos países asiáticos, e a não tão espetacular pelos africanos e latino-americanos, vai se sustentar nas próximas décadas. É improvável que persistam as baixas taxas de juros, os altos preços das commodities, a rápida globalização e a estabilidade pós-Guerra Fria que impulsionaram esse período extraordinário.
Uma nova percepção se consolidou: os países em desenvolvimento precisam de um novo modelo de crescimento. O problema não é apenas que precisam liberar-se da dependência em relação a fluxos de capital inconstantes e a ondas de valorização das commodities, que muitas vezes os deixam vulneráveis a choques, assim como propensos a crises. Ainda mais importante, a industrialização voltada às exportações, historicamente o caminho mais garantido para a riqueza, parece ter se esgotado.
Desde a Revolução Industrial, a indústria vem sendo a chave para o rápido crescimento econômico. Os países que se equipararam e acabaram passando a Grã-Bretanha, como Alemanha, Estados Unidos e Japão, o fizeram desenvolvendo sua indústria. Após a Segunda Guerra Mundial, houve duas ondas de rápida convergência econômica: uma na periferia da Europa, durante os anos 60 e 70, e outra no Leste da Ásia, a partir dos anos 60.

Ambas se basearam na indústria. A China, que emergiu como o arquétipo dessa estratégia de crescimento desde os anos 70, seguiu um caminho que já havia sido bastante trilhado.

A indústria hoje, no entanto, não é o que costumava ser. Ficou muito mais dependente de capital e de capacitação de mão de obra e viu diminuir imensamente seu potencial de absorver grandes quantidades de trabalhadores do campo.

Embora as redes de abastecimento mundiais tenham facilitado a produção industrial, também reduziram os ganhos em termos do valor agregado que fica no país. Muitas indústrias tradicionais, como a têxtil e a siderúrgica, deverão deparar-se com o encolhimento dos mercados mundiais e o excesso de capacidade, decorrentes de mudanças na demanda e de preocupações ambientais. E uma das desvantagens do êxito da China é que muitos outros países agora encontram bem mais dificuldade para estabelecer-se em algo além do que nichos na indústria. Como consequência, os países em desenvolvimento começam a desindustrializar-se e a se tornar mais dependentes do setor de serviços, mas com níveis de renda muito mais baixos do que vinha sendo o padrão nos países desenvolvidos - um fenômeno que chamei de desindustrialização prematura1.

Será que o setor de serviços pode desempenhar o papel que a indústria teve no passado? Os serviços já contribuem2 para a maior parte do Produto Interno Bruto (PIB) dos países em desenvolvimento, mesmo em alguns de baixa renda nos quais a agricultura tradicionalmente desempenhava um grande papel.

Entre os otimistas estão Ejaz Ghani e Stephen D. O'Connell, do Banco Mundial. Em um recente estudo3, argumentam que o setor de serviços poderia servir como uma escada rolante para o crescimento, o papel tradicionalmente assumido pela indústria.

Em particular, mostram que os serviços exibiram uma "convergência incondicional" na produtividade recentemente. Ou seja, países que estavam mais afastados da fronteira mundial em termos de produtividade laboral passaram a registrar os maiores aumentos na produtividade nos serviços.

Seriam notícias muito boas, se não houvesse motivo para cautela. As evidências de Ghani e O'Connell incluem dados desde o início dos anos 90, durante os quais os países em desenvolvimento passaram por uma convergência em toda a economia, impulsionada pelas entradas de capital e pelo lucro excepcional que chegou com as commodities. Não está claro se suas conclusões podem ser estendidas a outros períodos.

Há dois pontos que diferenciam os serviços da indústria. Primeiro, embora alguns segmentos de serviços sejam comercializáveis e estejam se tornando mais importantes no comércio exterior, normalmente isso se dá apenas naqueles de alta capacitação de mão de obra, que comparativamente empregam poucos trabalhadores comuns.

Os setores bancário, de finanças, de seguros e de outros serviços para empresas, juntamente com o de tecnologia da informação e das comunicações (TIC), são atividades de alta produtividade, que pagam altos salários.

É por isso que, apesar de todo seu sucesso, o setor de TIC da Índia não vem sendo o maior motor de crescimento econômico. Em contraste, a indústria tradicional oferecia um grande número de empregos para trabalhadores chegando direto do campo, em níveis de produtividade três ou quatro vezes maiores do que na agricultura.

Nos países em desenvolvimento de hoje, a maior parte do excesso de trabalho é absorvida em serviços não comercializáveis, com níveis de produtividade muito baixos, em atividades como a de comércio varejista e de prestação de tarefas domésticas. É aí que aparece a segunda diferença entre os serviços e a indústria.

Aumentos parciais de produtividade em atividades não comercializáveis são, no fim das contas, autolimitadores, porque esses serviços não podem expandir-se sem voltar-se contra seus próprios termos de comércio - derrubando seus próprios preços (e rentabilidade). Por outro lado, no setor de serviços, cujo tamanho de mercado é limitado pela demanda doméstica, a continuidade do sucesso exige ganhos complementares e simultâneos na produtividade do resto da economia.

Continuo cético, portanto, de que um modelo encabeçado pelos serviços possa trazer alto crescimento e bons empregos da forma como a indústria outrora trouxe. Mesmo se os otimistas tecnológicos estiverem certos, é difícil ver como isso vai permitir desenvolver os países a ponto de sustentar o tipo de crescimento que tiveram nos últimos 20 anos.

1- www.bit.ly/1dmxiwj

2- www.bit.ly/ZBrLTq

3- www.bit.ly/1vYjtQQ

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Inovação - Cadeias globais para cá, cadeias globais para lá

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Diante do baixo dinamismo da produção industrial desde 2011, a maior inserção brasileira nas cadeias globais de valor (CGV) tem sido apontada como solução para a elevação da produtividade e da escala de produção nacional. A noção de CGV envolve uma contínua e complexa fragmentação da origem do valor adicionado contido em um bem ou serviço - na maioria dos casos articulados por firmas multinacionais.
Cadeias globais para lá, cadeias globais para cá, o termo pop está presente nos discursos dos presidenciáveis, empresários, associações industriais e acadêmicos. Especialmente nos últimos dez anos, o fortalecimento da China na economia mundial e o insucesso das tentativas dos Estados Unidos de fazer valer suas preferências na Organização Mundial do Comércio sobre os "novos temas" de comércio internacional - propriedade intelectual, investimento, questões trabalhistas, ambientalistas etc. -, têm associado cada vez mais as CGV à proliferação de acordos preferenciais.
O Brasil tem mantido uma postura cautelosa quanto a esse movimento, pois não é um convidado tão cobiçado - já que a articulação central é entre Ásia e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) - porque tem soberania para não aceitar termos desiguais e porque não está claro qual seria a melhor maneira de o Brasil participar dessa complexa e intrincada rede.

Recentemente surgiram os primeiros resultados de novas iniciativas de bases de dados de comércio em termos de valor adicionado, como as da OMC/OCDE e da Unctad. Da base de dados Trade in Value Added da OMC/OCDE surgiu a informação que tem sido bastante utilizada para ilustrar a relativa baixa participação brasileira nas cadeias globais: em 2009, somente 9% do valor adicionado das exportações brasileiras teve origem importada. Investigando-se mais a fundo essa estatística, verifica-se que, daqueles 9%, quase 20% provêm dos EUA. Aliás, naquele ano os EUA constituíram-se a principal origem do valor adicionado importado da maioria dos países do mundo, incluindo quatro dos Briics: Brasil, Índia, Indonésia e África do Sul.

Analisando-se setorialmente, infere-se que os EUA mantiveram peso significativo em praticamente todos os setores industriais dos Briics. Interessante notar ainda a expressiva participação da Alemanha e do Japão nos setores de máquinas e equipamentos, equipamentos elétricos e óticos, e equipamentos de transporte em todos os Briics. Por sua vez, o valor adicionado chinês se achava nas exportações de manufaturas de baixa tecnologia de todos os Briics - mas também em máquinas e equipamentos, equipamentos elétricos e óticos, e equipamentos de transporte na Índia, Indonésia e África do Sul - sinalizando o aumento da penetração chinesa nas exportações de países em desenvolvimento.

Do ponto de vista financeiro, os Briics estão entre os maiores receptores de investimento estrangeiro direto no mundo, contudo, à exceção da China, não são fortes investidores. Além disso, há pouquíssimas corporações transnacionais nascidas nos Briics, de acordo com a Unctad. As evidências apontam, portanto, que a inserção dos Briics nas CGV tem sido demanda para as atividades de maior valor adicionado das multinacionais e fonte de recursos a baixo custo. Como mostram os dados da OMC/ OCDE, as contribuições dos Briics para as exportações dos outros países é relativamente homogênea, estando concentrada nos setores primários, químicos e metais em geral, e também em alguns serviços, como atacado, varejo, restaurante e hotéis.

CGV para lá, ainda que a inserção nas cadeias globais de países em desenvolvimento contribua para o crescimento econômico, não tem sido necessariamente "virtuosa" no sentido de desenvolver as atividades que geram maior valor adicionado, com fortes impactos no progresso tecnológico e possibilitando a superação da dualidade estrutural em termos de salários e produtividade.

CGV para cá, a inserção dos países em desenvolvimento precisa escapar do modelo subordinado baseado em especializações pouco intensivas em tecnologia e conhecimento, como as atividades de transformação e montagem (em contraposição às da ponta da cadeia, como P&D e design de um lado, e marketing de outro). Os casos de melhor aproveitamento da inserção externa são aqueles em que houve planejamento profundo, reunindo os setores público e privado da economia, com a preocupação especial de extraírem-se progressos para o conhecimento científico e o desenvolvimento tecnológico da indústria nacional - o que a China tem feito, de certo modo.

CGV para lá, CGV para cá, o desenho de uma trajetória virtuosa de internacionalização para o desenvolvimento econômico brasileiro, portanto, depende de políticas e instituições estratégicas para a sofisticação do perfil exportador, em conjunção com um regime macroeconômico favorável, o que passa por pelos menos três questões fundamentais.

A primeira é sofisticar a atuação das empresas multinacionais estabelecidas em nosso território, incentivando o desenvolvimento de atividades de alto conhecimento e valor adicionados, também para exportação. A segunda questão é não se render às armadilhas dos acordos preferenciais com países da OCDE e com a China que fortaleceriam uma especialização brasileira em atividades de baixo valor adicionado, privilegiando uma abordagem a favor da especialização intra-industrial regional e atenta para a negociação dos "novos temas". Por fim, avançar na superação dos problemas que deterioram a competitividade e produtividade, que vão desde o custo Brasil e os obstáculos ao empreendedorismo e inovação do setor privado à modernização do mesmo.

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Inovação - Internet das coisas mobiliza governo, teles e o setor de TI

Inovação - Internet das coisas mobiliza governo, teles e o setor de TI | Inovação Educacional | Scoop.it

A transformação da sociedade sob o ponto de vista das comunicações começa por um pequeno dispositivo implantado em equipamentos essenciais ao dia a dia das pessoas. É com um chip que as empresas de telecomunicações pretendem conquistar as áreas automotiva, de transporte, energia, segurança, saúde e seguros. Automatizados e ligados à internet, os dispositivos podem operar sem intervenção humana, em um mundo conectado conhecido como "machine to machine" (M2M).
Os números são gigantes e divergem por tipo de conceito. A Ericsson projeta 50 bilhões de dispositivos atuando globalmente como "internet das coisas" em 2020. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) estima até 70 bilhões. Já a empresa de pesquisas Gartner prevê 26 bilhões de dispositivos. O estudo da Ericsson inclui automóveis, geladeiras, dispositivos de segurança, leitores residenciais de energia, instrumentos de medicina, enfim uma legião de máquinas que farão uma revolução, acendendo uma centelha do que será a sociedade do futuro.
Por exemplo, um sensor na residência pode gerar uma chamada para o celular do proprietário ou para uma empresa de segurança se detectar um movimento não programado ou uma invasão no imóvel. Já instrumentos de medicina podem medir a pressão arterial, sensação de fadiga, taxa de açúcar no sangue, entre diversos outros indicadores, e emitir alertas para o usuário, para médicos ou familiares, em caso de alteração.
Se o estudo sair do foco de equipamentos em geral e se concentrar só em dispositivos celulares, a Ericsson calcula 200 milhões de unidades M2M em uso, com expectativa de crescer de três a quatro vezes até 2019, para até 800 milhões. As receitas do serviço também são promissoras: € 22,5 bilhões daqui a cinco anos.
O Brasil conta com 9,2 milhões de acessos M2M e a previsão é chegar a 23 milhões em 2016.
As aplicações M2M são consideradas a nova onda que vai levar bilhões de assinantes para as operadoras. Só que em vez de pessoas, são máquinas.
Um maravilhoso mundo novo na visão de alguns, uma temeridade que lembra os perigos da automação extrema que pode levar a uma revolução das máquinas, na visão de outros.
Mas a realidade é muito mais pueril. No Brasil, a principal aplicação, hoje, é para máquinas de cartão de crédito. Começa a se abrir um mundo mais amplo de iniciativas, disse Roberto Piazza, diretor de serviços digitais da Telefônica Vivo.
É o caso da rede de monitoramento de tráfego e segurança implantada pela Ericsson para a Prefeitura de São José dos Campos, interior de São Paulo. Segundo João Eduardo Yazlle, vice-presidente de estratégia e marketing da Ericsson para América Latina, o serviço, automatizado, reduziu de 12 para 9 o número de homicídios na cidade. A empresa também ajudou a Vivo a criar uma plataforma de estacionamento e semáforo inteligente para Águas de São Pedro (SP), a primeira cidade inteligente no portfólio da operadora.
"Já é um desafio conectar pessoas, imagine coisas", disse Leonardo Capdeville, diretor de tecnologia da TIM. "A conexão de coisas é cinco vezes maior do que de pessoas. É um problema em relação a antenas."
O assunto é complexo e já mobilizou o governo. O Ministério das Comunicações criou, neste mês, a Câmara de Gestão e Acompanhamento do Desenvolvimento de Sistemas Máquina a Máquina. A câmara é composta por representantes de quatro ministérios (Fazenda, Comunicações, Indústria e Comércio, e Ciência e Tecnologia) e BNDES. Nos próximos dias deverão ser escolhidos os representantes das teles, dos fabricantes e de desenvolvedores de software. A primeira reunião está marcada para novembro.
A Câmara de Gestão deverá formular políticas públicas para o desenvolvimento da comunicação M2M e acompanhar a evolução do setor, disse Maximiliano Martinhão, presidente do órgão e secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações. Martinhão disse que é preciso assegurar a qualidade do serviço, já que "as máquinas não vão ao Procon".
Em maio, as taxas cobradas sobre dispositivos M2M foram desoneradas em 80%. Ainda é considerado pouco. "Tem que ter política de redução fiscal, M2M não está no centro dos debates", disse Marcelo Bechara, conselheiro da Anatel.
Segundo Martinhão, M2M cresce a uma taxa anual de 32%, índice que será muito maior futuramente. "Em 2020, cada usuário no Brasil terá sete interfaces M2M", disse. São sensores na casa, no escritório, no carro, em pulseiras e relógios, em escova dental para detectar problemas na boca, sensores nas roupas que medem a temperatura do corpo.
"Seremos os X-Men no futuro. É a beleza da tecnologia", disse John Xiong Yihui, presidente da área de redes de operadoras da Huawei no Brasil, referindo-se aos personagens criados pela Marvel, dotados de superpoderes.

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Judiciário utiliza videoconferências para agilizar processos criminais

Judiciário utiliza videoconferências para agilizar processos criminais | Inovação Educacional | Scoop.it

No último dia 18 de setembro, Y. foi preso em flagrante portando maconha e cocaína. No próximo dia 28, ele será interrogado e acompanhará –por meio de áudio e vídeo em tempo real– a sentença que será proferida pela juíza Cláudia Calbucci Renaux. Ela é titular da 13ª Vara Criminal do Estado de São Paulo, no Fórum da Barra Funda, na capital.
A rapidez se deve ao uso da videoconferência, sistema em que o juiz e o preso se comunicam por imagens em telas duplas, instaladas no fórum e no local da detenção.
Preso no Centro de Detenção Provisória Chácara Belém 2, na capital, Y. tomou conhecimento na última sexta-feira (10) dos termos da denúncia. Trata-se da citação, o chamamento do réu ao processo.
A leitura da denúncia durou quatro minutos. Ele recebeu cópia da peça de acusação, que foi devolvida assinada com a opção de ser assistido por um defensor público. Pelo método tradicional, o mandado de citação teria que ser entregue por um oficial de justiça.

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Transformar realidade de alunos incentiva atuação de jovens professoras

Transformar realidade de alunos incentiva atuação de jovens professoras | Inovação Educacional | Scoop.it

O desejo de transmitir conhecimento e a possibilidade de transformar a realidade de jovens por meio da educação são alguns dos fatores que incentivam a atuação de duas jovens professoras recém-chegadas às salas de aula. Elas já conhecem os desafios da profissão, mas continuam certas de que fizeram a escolha correta.

Filha de professores, Agnes Serrano, 23 anos, tinha ideia dos desafios a serem enfrentados na profissão, mas não teve dúvidas quando decidiu ser professora. Há quatro meses, elá dá aulas de geografia em uma escola pública de Ceilândia, cidade do Distrito Federal próxima a Brasília, para alunos do 6° ao 9° ano do ensino fundamental.

“Sempre ouvi dizer que dar aula era um desafio, mas era prazeroso. Só fui entender agora que dar aula é difícil porque você tem que lidar com realidades muito complicadas do ponto de vista social”, conta Agnes.

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