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Inovação Educacional
Noticias, publicacoes e artigos de opiniao que abram caminhos para a inovacao educacional.
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Ensino a distância deve ter financiamento

MEC estuda ampliar crédito estudantil e reconhece 148,4 mil vagas no segmento.

O governo federal quer ampliar o Fies (financiamento estudantil) para o ensino a distância - modalidade que cresce de forma expressiva e hoje tem cerca de 1 milhão de alunos. Se o projeto for concretizado, a expansão desse segmento deve disparar, aos moldes do que ocorreu com o ensino superior presencial, já beneficiado pela iniciativa. Porém, antes de colocar o empréstimo estudantil na praça, o Ministério da Educação (MEC) dá sinais de que também planeja descentralizar esse segmento. Há cerca de dez dias, foram reconhecidas 148,4 mil vagas de cursos a distância de 40 instituições, que passam a ter mais fôlego para concorrer com Anhanguera e Kroton, que juntas detêm 50% do setor.

"Acredito que há boas chances de o Fies ser ampliado para o ensino a distância em 2014. Com o financiamento, o percentual de crescimento do segmento dobra", disse Ryon Braga, presidente da consultoria especializada em educação Hoper. Em 2011, a taxa de crescimento foi de 6,7%.

Procurado pelo Valor, o MEC informou que a ampliação da linha de financiamento está em estudo. Em 14 de maio, o ministro da Educação, Aloizio Mercandante, participou de uma audiência pública no Senado em que abordou o projeto de extensão do Fies. Uma semana depois, o ministério publicou no Diário Oficial o reconhecimento das 148,4 mil vagas.

Desde 2008, o governo não liberava um lote tão grande. Entre os 40 grupos de educação beneficiados estão empresas de porte como a Unip, do empresário Di Gênio, a carioca Estácio, a Unit e a Unifran (adquirida recentemente pela Universidade Cruzeiro do Sul). Há faculdades de várias regiões do país, tanto particulares quanto públicas. "Acredito que o governo vai liberar outros lotes no decorrer do ano. Há muitos pedidos parados no MEC", disse Ryon. Vale destacar que nesse novo lote, a Uniderp, da Anhanguera, foi a mais beneficiada, com quase 22 mil vagas.

Nos últimos cinco anos, o MEC caminhou no sentido oposto, ou seja, fechou vários cursos a distância por irregularidades. O resultado dessa fiscalização mais rígida é que sobraram poucas instituições de grande porte atuando nessa modalidade, como a Unopar e a Uniasselvi. Não à toa, elas foram compradas por cifras milionárias pela Kroton. Após essas duas aquisições, a companhia mineira tornou-se o maior grupo educacional do país e líder absoluta em ensino a distância (EAD), com 344 mil alunos, cerca de 35% do segmento.

As projeções otimistas em torno do Fies são baseadas em experiências bem-sucedidas. Em 2009, a área de ensino superior presencial patinava com um aumento de apenas 0,7%. Nos anos seguintes, quando já não havia exigências burocráticas para concessão do crédito, o percentual subiu para cerca de 6%.

Entre 2010 e março deste ano, foram firmados cerca de 880 mil contratos de Fies. O principal chamariz do financiamento é a taxa de juros, de apenas 3,4% ao ano - índice semelhante ao praticado nos Estados Unidos, onde uma parcela significativa da população faz empréstimos para estudar.

O reconhecimento do cursos pelo MEC é fundamental para que as instituições possam expandir a modalidade, com a abertura de novos polos presenciais para a realização de provas e aulas de laboratório. O trâmite no Ministério da Educação para aprovação é complexo. Primeiro, a faculdade solicita uma autorização para ministrar o curso a distância. O MEC, então, autoriza o funcionamento e somente após a formatura da primeira turma de alunos é que emite o documento de reconhecimento. Só então, num processo que pode demorar anos, a instituição está habilitada a pedir abertura mais de polos de EAD.

Entre os cursos de ensino a distância aprovados pelo MEC, uma parcela representativa é de pedagogia. Há essa forte demanda devido à exigência crescente por parte das secretarias de educação para que os professores das primeiras séries do ensino fundamental tenham curso superior. Como vários deles já trabalham, há uma procura por aulas ministradas por meio do computador.

Outro fenômeno percebido é a entrada de instituições renomadas no ensino a distância, como FGV e Ibmec. Na nova lista do MEC, há também universidades públicas como UFRJ, UnB e Universidade Federal de São Carlos. Além do EAD, o mercado acredita que governo também deve estender o Fies para cursos de mestrado e doutorado.

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‘A EAD vai forçar o ensino presencial a mudar’

‘A EAD vai forçar o ensino presencial a mudar’ | Inovação Educacional | Scoop.it

Para especialistas, o uso abundante de recursos tecnológicos pelo ensino a distância estimula os cursos presenciais

Os cursos de educação a distância (EAD) costumam fazer uso frequente de recursos tecnológicos como videoaulas, quizzes e games para garantir um melhor aprendizado e engajamento dos alunos. Segundo Roberto Paes, coordenador de produção da área de educação a distância da Universidade Estácio, os cursos a distância tem que deixar o material acessível e interessante para o aluno estudar e essa abordagem está provocando mudanças no ensino presencial.

“A EAD vai forçar a barra para os cursos presenciais mudarem e fazerem mais uso de recursos tecnológicos. As aulas presenciais são essencialmente cuspe e giz. Alguém falando e alguém anotando, sem qualquer interação. O ensino a distância tem como base a interação”, explica Paes que diz inclusive que a interação vale nota para os alunos dos cursos a distância da universidade, medida através da qualidade de suas contribuições.

Para Pavlos Dias, empreendedor especialista em tecnologias aplicadas à educação, esse cenário de mudança já é realidade. “Temos a impressão que o ensino presencial está correndo atrás, mas ele já alcançou. A tecnologia está cada vez mais presente nas salas de aula e o aumento do acesso a internet potencializa muito isso”.

A ponderação que Paes faz é em relação a aceitação do uso de tecnologias tanto pelos alunos quanto pelos professores. “Na EAD a flexibilidade de injetar inovação é muito grande, o presencial ainda é muito engessado. Conseguimos incorporar novos recursos aos cursos a distância com muita facilidade, todo mundo gosta de trabalhar com simuladores, animações, games e videoaulas. Presencialmente esse processo é mais complexo, o que nos leva a começar pelo aluno e não pelo professor”, afirma o coordenador em entrevista ao Porvir, durante o Workshop Estácio Inovação & Educação, realizado quarta-feira no Rio de Janeiro.

Segundo ele, o professor universitário brasileiro é muito resistente a mudanças. “É muito difícil para os docentes que já estão acostumados com uma abordagem que sempre funcionou em suas aulas absorverem os novos recursos. Muitos deles sequer veem email”.

Dias é otimista e diz que a tendência é que nos próximos anos a distinção entre o que é recurso de EAD e o que é ferramenta para aulas presenciais deixe de existir. “Enxergamos que vai existir um meio termo. Vemos muitos professores de cursos presenciais usando tecnologias para estimular estudos fora do horário de aula”. Como exemplos ele cita comunidades virtuais de práticas e experiências, plataformas de exercícios e simulações e banco de testes. “Esse tipo de recurso também faz parte do dia a dia do aluno do ensino presencial”, completa.

O empreendedor é responsável pela operação brasileira da Blackboard, empresa que desenvolve ambientes virtuais de aprendizagem para instituições de ensino – no Brasil já chega a 70 instituições somando quase 1 milhão de alunos. “A maioria esmagadora dos alunos que fazem uso da plataforma não são de EAD, são alunos do ensino presencial que usam o e-learning como suporte aos estudos. Isso comprova que essa aproximação já é realidade e não futurismo”.

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“Socioemocionais aumentarão produtividade do país”

“Socioemocionais aumentarão produtividade do país” | Inovação Educacional | Scoop.it

Brasileira mestranda na Universidade de Colúmbia defende inclusão de competências não cognitivas no currículo brasileiro

A administradora de empresas Tonia Casarin, 30, já trabalhou no setor privado, no público e em consultoria, mas foi a partir da experiência como coach de carreira que descobriu o potencial da inteligência emocional, tema que agora estuda em seu mestrado em Educação, na Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos. Enquanto esquenta o debate no Brasil sobre a importância do desenvolvimento de características como curiosidade, tolerância e organização na escola, Tônia trabalha em um projeto de pesquisa bem ambicioso: desenvolver um currículo de competências sociais e emocionais que toda a criança deveria aprender.

“Eu trabalho com coaching, já desenvolvo essas competências em profissionais e líderes, e quero continuar fazendo isso para adolescentes e crianças, que também vão começar a trabalhar em algum momento”, contou a mestranda em conversa por Skype com o Porvir. A importância de habilidades como perseverança e autoestima ficou clara para ela quando começou a estudar e pesquisar ferramentas para o trabalho de orientação de carreira. “Vi que o que diferencia os líderes de alta performance de outros profissionais é a inteligência emocional e social”, completa.

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Mão na massa ensina aluno de engenharia a inovar

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Métodos de aprendizagem a partir do fazer são usados na formação de alunos para o trabalho. Brasil terá 1ª faculdade só por projetos

Até a primeira metade do século 20, para aprender a ser engenheiro era preciso colocar a mão na massa e havia muitas semelhanças entre as escolas de engenharia e as oficinas de ofício estabelecidas na Idade Média, em que mestres experientes na profissão treinavam seus aprendizes. A partir do desenvolvimento das ciências aplicadas essa realidade mudou e atualmente a falta de prática dos engenheiros recém saídos da faculdade é considerada um desafio a ser enfrentado pelas universidades.

“Hoje em dia, temos um engenheiro teórico, que precisa ser colocado no ambiente fabril para se qualificar. Isso demanda tempo, se torna custo para a empresa e, quando se olha de forma mais abrangente, afeta a produtividade e a competitividade da nossa indústria”, diz Luis Gustavo Delmont, gerente de políticas para inovação da CNI (Confederação Nacional da Indústria).

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Harry Potter ensina tolerância, dizem pesquisadores

Harry Potter ensina tolerância, dizem pesquisadores | Inovação Educacional | Scoop.it

Série de livros infanto juvenis estimula jovens a serem abertos a grupos estigmatizados como homossexuais e imigrantes

Um garoto com um raio na testa, um menino com uma família que enfrenta dificuldades financeiras e uma garota esperta que não sente que pertence inteiramente à sua sociedade. E, claro, todos os três são bruxos. O enredo da série de livros infantojuvenis Harry Potter, segundo estudo de psicólogos de diferentes universidades europeias, além de instigar a imaginação dos leitores, estimula que jovens apresentem mais tolerância e qualifiquem suas percepções sobre grupos estigmatizados, como homossexuais, imigrantes e refugiados.

Para tanto, o grupo de pesquisa, que reuniu cientistas das Universidades de Modena e Régio Emília, Padova e Verona, na Itália, e Greenwich, na Inglaterra, conduziu o estudo em três etapas. Na primeira delas, foi realizada pesquisa com 34 estudantes do que equivaleria ao 5º ano do ensino fundamental, que participaram de um curso de seis semanas estudando e discutindo os livros da série.

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Autonomia para exercer a criatividade

Autonomia para exercer a criatividade | Inovação Educacional | Scoop.it

Se, hoje, Thomas Edison (1847-1931) fosse funcionário de uma empresa, provavelmente teria uma ideia nova a cada dia. Com sorte, chamaria a atenção de algum gestor disposto a apostar em algumas delas. Isso se a companhia em questão tivesse um ambiente voltado para a inovação, em que tentativas e erros são bem-vindos. Acreditar nele certamente traria bons resultados, pois, além de criativo, Edison era um homem com visão de negócios. Ele sabia que para transformar uma invenção em produto era preciso encontrar sua utilidade, seu lugar no mercado e montar uma linha de produção coerente. Pensando assim, patenteou mais de mil invenções e algumas delas, como a lâmpada incandescente, o cinescópio e o gramofone, mudaram o mundo.   

Para estar na lista dos grandes players globais, o Brasil precisa de empresas que acreditem em seu potencial criativo e valorizem as ideias e as iniciativas de seus colaboradores. Afinal, entre eles pode estar outro Edison. Embora os presidentes eleitos nesta edição de "Executivo de Valor" compartilhem dessa visão, para boa parte dos administradores do país a busca pela inovação ainda está longe de se tornar realidade. Em pesquisa com 563 executivos do primeiro escalão, realizada pela consultora Betania Tanure, apenas 14% identificam esse traço na cultura organizacional de suas empresas. “Inovação é um tema que ainda está muito mais no desejo do que no modelo de negócios das companhias”, afirma a pesquisadora.

Nos últimos anos, a internacionalização das empresas brasileiras, a preocupação com a competição estrangeira e a própria sofisticação do mercado interno vêm exigindo mudanças e a criação de novos serviços nas companhias. “Para que isso aconteça, é preciso que elas se preocupem com os processos de gestão e não apenas com a produção”, afirma Cesar Gonçalves, professor de inovação e coordenador do MBA executivo do Instituto Coppead, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).  Heraldo Marchezini, presidente da Sanofi Aventis, concorda que a inovação tem várias dimensões “que vão muito além do produto”.

“Obviamente, a face mais visível de todo o processo é o que se produz”, diz José Antonio do Prado Fay, presidente da BRF Brasil Foods.  Muitas vezes, as mudanças internas passam despercebidas pelo mercado, embora sejam fundamentais para sustentar uma estratégia inovadora de longo prazo. Para conseguir essa proeza, segundo Marcelo Bertini, presidente da Cinemark, é necessário criar um ambiente propício, no qual as pessoas se sintam a vontade para participar.

Quando se pensa em criatividade e flexibilidade, os brasileiros contam com uma vantagem, pois são reconhecidos mundialmente por se destacarem nesses quesitos. "Essas características da nossa cultura favorecem muito a inovação”, diz Betania Tanure. Mas, para que surjam as ideias, é preciso dar espaço para as pessoas participarem. “Elas precisam ter autonomia”, diz Jayme Garfinkel, presidente do conselho de administração da Porto Seguro.  “Uma boa ideia pode vir mesmo de quem não é da área.” Em sua empresa, são realizadas três reuniões semanais com todos os diretores da empresa, da área de seguros, até a jurídica e financeira. O objetivo é que um possa contribuir com o departamento do outro.

A cultura da inovação pressupõe estabelecer relações de confiança – a companhia deve acreditar genuinamente no que está sendo proposto. “Temos dificuldade de lidar com erros no Brasil. As pessoas costumam ser punidas quando algo não dá certo”, diz a consultora Betania. Trata-se aqui de falhar na tentativa de um novo processo, não da consequência de um ato fruto de incompetência. “Apenas colocar uma caixa de sugestões na fábrica é uma bobagem. A empresa deve estar disposta a apostar nas ideias”, afirma. Incentivar a competição interna e premiar as melhores invenções pode ser produtivo, mas também inibir o laço de confiança que existe entre as pessoas. “Elas podem deixar de compartilhar informações e conhecimento.”

Empresas que abrem espaço para a criatividade dos colaboradores devem estar cientes de que nem tudo vingará na prática. Na Gerdau, por exemplo, o Programa Ideias, no qual gestores dão sugestões de melhoria para o processo produtivo e para questões administrativas, recebeu no ano passado 60 mil propostas, vindas de sete mil pessoas. Dessas, 30,1 mil foram aproveitadas. “Obtivemos com elas ganhos de US$ 14 milhões”, enfatiza o presidente André Gerdau Johannpeter.

A Gerdau premiou os que emplacaram suas colaborações com aparelhos de televisão e notebooks. O reconhecimento, independentemente do valor material, tem um efetivo positivo no clima da organização. “Criar comissões sociais, oferecer folgas e turbinar promoções são incentivos que ajudam as pessoas a ter energia para pensar em como a empresa pode crescer nos próximos anos”, diz Claudio Feser, consultor da Mckinsey, autor do livro “Serial Innovator: Firms That Change the World”. Para ele, a recompensa salarial faz com que o colaborador olhe apenas para o incremento no holerite no fim do mês, o que atrapalha a sua visão de futuro.

Atrelar as metas de inovação à remuneração variável é uma prática que vem crescendo no mundo e também no Brasil, principalmente no corpo diretivo. “Nossa performance em inovação sobre o percentual da venda é um fator determinante para avaliação dos executivos”, afirma José Drummond Junior, presidente da Whirlpool. Ele explica que, em 2010, 25% da receita da companhia na América Latina veio de produtos inovadores. “Esse resultado foi maior do que o alcançado três anos atrás.”

O professor Fabian Salum, da Fundação Dom Cabral, diz que é crescente o número de empresas que condicionam o recebimento do bônus a resultados de inovação. Para ele, a prática é positiva na medida em que ajuda a diminuir o “efeito esponja” nas organizações. É quando o chefe repassa a conta-gotas para o nível superior uma ideia recebida de um colaborador. Em alguns casos, o gestor imediato simplesmente engaveta a sugestão, que nunca chega ao comando.

Oferecer oportunidades para que os níveis mais baixos da companhia tenham voz na criação de ferramentas que possam colaborar para a realização do plano estratégico é fundamental.  O modelo de organização adotado no Brasil é altamente hierárquico, o que pode minar contribuições valiosas. “Esse tipo de estrutura mata o comportamento empreendedor das pessoas”, afirma o professor Marcelo Nakagawa, coordenador do centro de empreendedorismo do Insper.  Fabio Venturelli, presidente da São Martinho, diz que em sua companhia existe a preocupação em estimular a inovação em todos os níveis, do conselho de administração aos colaboradores das operações agrícola e industrial. “Neste ano, colocamos palestrantes dentro das usinas para explicar o que é inovação para os safristas, que trabalham somente na época da colheita da cana.”

Inovação é um tema que, em seu sentido mais amplo, ainda está sendo descoberto pelos brasileiros. Pesquisa realizada pela Fundação Dom Cabral com 233 representantes de empresas de médio e grande portes, sendo 80% do primeiro escalão, revelou que a maior parte deles está pouco familiarizada com o conceito. Educar e realizar treinamentos internos para os funcionários discutirem a questão é muito importante para estabelecer as bases de uma cultura inovadora – principalmente porque existe no Brasil uma tendência de se evitar o risco.  O professor Tony O’Driscoll, da Fucqua School of Business, escola de negócios da universidade americana Duke,  afirma que, no geral, as organizações são contra novidades.  “Tudo que implica criar uma nova linha de produção ou uma cadeia de fornecedores diferente dá trabalho e a princípio é rejeitado.”

Mas nem todos os processos de inovação são tão complexos. Muitas vezes, não é necessário reinventar a roda para mudar algo na companhia. “É possível inovar nas pequenas coisas, não apenas em grandes decisões”, enfatiza Maria Luiza Helena Trajano, presidente do Magazine Luiza. Em seu negócio, isso quer dizer mudar a forma de atender o cliente ou até a maneira de colocar os produtos na loja. Garfinkel, da Porto Seguro, observa que, algumas vezes, inovar pode significar voltar atrás. Em uma reunião recente com sua equipe, por exemplo, o executivo discutiu a possibilidade de retirar alguns dos serviços agregados aos seguros de automóveis.


Ter uma equipe azeitada para discutir assuntos estratégicos sempre ajuda a inovação. A liderança deve ter a habilidade de saber formar um time diversificado para que as faíscas entre personalidades opostas ajudem a criar novos valores. O consultor Feser afirma que a tendência das pessoas que permanecem por muito tempo no mesmo grupo de trabalho é de supervalorizar uma ideia ou não enxergar oportunidades. “É necessário mexer na composição desses times para obter opiniões diferentes.”

Para Feser, as organizações também devem valorizar aqueles que gostam de aprender com os próprios erros. “Quando desafiados, são resilientes, aguentam a pressão e continuam tentando até achar uma solução”, diz. Eles também não se culpam quando erram e encaram a situação como uma oportunidade de aprendizado. A boa notícia, diz, é que esse tipo de colaborador não é recrutado, e sim formado internamente com treinamentos e o incentivo da liderança.

O papel do CEO é essencial para que se construa uma rede de inovação na companhia. “O tempo todo questiono e desafio as pessoas que trabalham comigo”, diz Helio Rotemberg, presidente da Positivo Informática. Em seu setor, não criar algo novo a cada seis meses significa sair do mercado. Desse modo, incentivar o empreendedorismo em cada colaborador faz parte do negócio. 

Atuar em um segmento altamente competitivo é quase sempre um combustível poderoso para a inovação. “A maioria dos movimentos de mercado hoje pode nos afetar”, diz Alessandro Carlucci, presidente da Natura. Áreas como a de bens de consumo, que sofrem com competição acirrada, concentram companhias mais voltadas à modernização da gestão e dos produtos. No caso do Brasil, existem exceções notáveis. “Setores com baixa competitividade como o de petróleo ou o aeronáutico, por exemplo, têm companhias consideradas altamente inovadoras como a Petrobras e a Embraer”, afirma Gonçalves, do Instituto Coppead.

Muito do sucesso das empresas campeãs em inovação está vinculado à disposição do número um da empresa em levar as boas ideias adiante. “Ele precisa saber lidar com o conselho de administração para validar o risco e as incertezas envolvidos”, diz Nakagawa, do Insper. Ao mesmo tempo, os conselheiros devem ter em vista que, para uma companhia dar um salto além de uma melhoria contínua, ela precisa se lançar em processos mais ousados. “Existe o interesse por parte do conselho em acelerar o crescimento da organização, e isso só será possível por meio de iniciativas inovadoras.”

Com o passar dos anos, muitas companhias crescem e acabam criando certa rigidez, que dificulta essas transformações – especialmente nos processos de gestão. Elas se tornam mais burocráticas e inflexíveis. O consultor Claudio Feser atribui essa situação ao próprio ser humano. “Se o líder quer que as pessoas continuem inovando por mais tempo, ele precisa criar oportunidades para isso.” Megacorporações, por exemplo, precisam estabelecer divisões para que novas ideias possam ser testadas separadamente, sem maiores danos financeiros.

Outra medida importante contra a inércia nas organizações é oferecer tempo livre para que os colaboradores possam ter pensamentos criativos. Feser explica que o ato de buscar soluções para um problema acontece no córtex frontal do cérebro. “Essa parte só é acionada quando estamos relaxados e não ansiosos”, afirma. Companhias onde os colaboradores estão cansados e sofrem com a enorme pressão por resultados tendem a ser menos inovadoras.

Não adianta, porém, oferecer esse período de reflexão se a empresa não investiu na elaboração de uma infraestrutura que permita a investigação e o desenvolvimento das sugestões apresentadas. “A inovação precisa de laboratórios de pesquisas e de convênios com universidades”, afirma Cledorvino Belini, presidente do grupo Fiat. Em sua opinião, há um grande espaço a ser explorado na indústria automobilística em áreas como nanotecnologia e biotecnologia. “Como incentivo, a empresa precisa facilitar o acesso a informações técnicas, congressos, feiras e cursos de formação”, afirma Gonçalvez, do Instituto Coppead.

Novas formas de cooperação em atividades de criação surgem com mais frequência. A nomenclatura quase sempre vem do inglês: “design thinking”, “open innovation” e “cocreation”. São modelos que envolvem não apenas os colaboradores, mas também fornecedores, parceiros e investidores. Para criar o novo Uno, a Fiat contratou um grupo de antropólogos com o objetivo de interpretar os desejos de um determinado grupo de pessoas. “O sucesso desse veículo foi exatamente em função disso”, diz Belini.

Mostrar para o consumidor que a inovação está no DNA da companhia é outra tática importante para manter acesa a chama das boas ideias. Com a intenção de dar inteligência à rede de telefonia, a Vivo abriu um centro de inovação em 2010 e incentivou projetos de grande visibilidade como o Campus Party, que reúne programadores e fãs de tecnologia, e o Wayra, no qual a companhia atua como incubadora.

Ter um líder apaixonado pelas descobertas e disposto a ouvir os colaboradores é o meio mais eficaz de inspirar possíveis inventores na organização. “O exemplo precisa vir do primeiro escalão”, diz Fabio Swartzman, presidente da Klabin. Administradores como Steve Jobs souberam perpetuar seu entusiasmo pela inovação por meio de um time afinado e uma marca consolidada com essa imagem. Isso sempre será possível, desde que exista esforço extra da corporação. “É preciso muita disciplina para transformar uma ideia em produto”, diz Betania Tanure.  “Só inova quem não tem medo de trabalhar”, afirma Garfinkel, da Porto Seguro. Nesse sentido, ele concorda com as palavras de Thomas Edison: “Nossa maior fraqueza está em desistir. A maneira mais segura de ter sucesso é sempre tentar mais uma vez”.

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Biotecnologia - Produção potencial

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Presidente da Embrapa sugere intervenção do Estado para potencializar ganhos científicos

O Brasil pode desenvolver ainda mais seu potencial de produtor de alimentos, fibras e biocombustíveis se for capaz de manter investimentos em biotecnologia e desenvolver políticas públicas baseadas em produção científica. O país precisa também criar sistemas de inteligência para antecipar mudanças e tendências da sociedade e da economia, a fim de evitar escolhas erradas no campo tecnológico. Erros nas escolhas podem custar dinheiro e atraso no desenvolvimento econômico e científico, em época de rápidas mudanças. Essa foi, em resumo, a tese defendida pelo presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Mauricio Antônio Lopes, corroborada pelo ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, no seminário Biotecnologia e Inovação, promovido pelo Valor esta semana.

A preocupação é com a complexidade do mundo atual, que tende a se intensificar, disse o presidente da Embrapa. "Não podemos correr o risco de tratar os desafios com uma visão verticalizada e reducionista", afirma. "A tecnologia não vai ajudar a resolver todos os problemas, mas é preciso compreender as possibilidades que ela oferece."

Pesquisador de origem (geneticista), Lopes defende a inovação aberta, na qual o desenvolvimento é promovido em cooperação por várias instituições e empresas. Ele rebateu críticas sobre o relacionamento da Embrapa com empresas privadas e revelou que em breve a estatal vai lançar um produto biotecnológico em parceria com a alemã Basf.

"Nenhuma instituição trabalhando isoladamente vai conseguir impactar significativamente (a produção científica) em um mundo complicado como esse", comenta. Lopes cita a indústria farmacêutica, na qual muitos laboratórios trabalham em parceira entre si e com institutos de pesquisa para baratear e apressar o desenvolvimento de novos princípios ativos. "Não dá para produzir conhecimento sem interação com a academia e o setor privado, porque a inovação não acontece nas bancadas dos laboratórios, mas no mundo real."

De acordo com Lopes, a Embrapa coordena hoje pesquisas de 400 cientistas dos quadros da estatal e de instituições parceiras trabalhando em temas importantes para o desenvolvimento agropecuário brasileiro. A entidade está empenhada na solução de questões como agricultura de baixo carbono e no crescimento "vertical" da produção - expansão do volume sem aumento significativo da área cultivada.

Roberto Rodrigues, ex-ministro e hoje coordenador do centro do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV), aponta a importância de políticas públicas para dar impulso ao desenvolvimento científico. Ele cita a produção de soja transgênica. Quando assumiu o Ministério da Agricultura, no primeiro mandato do presidente Luis Inácio Lula da Silva (2003), a soja geneticamente modificada representava 12% do total produzido pelo país. Havia resistência à aprovação do cultivo do produto inclusive pelo Congresso Nacional. Foi preciso esclarecer o governo de como funcionava a modificação genética.

O esclarecimento foi liderado pelo atual presidente da Embrapa, funcionário de carreira da estatal. Convencido, Lula editou medida provisória autorizando a produção de transgênicos. No ano passado, a soja geneticamente modificada representou 90% do total colhido. Em dez anos, a produção do grão no Centro-Sul cresceu 50%, com aumento de 43% na área plantada.

Rodrigues acredita que a área de bioenergia também pode ser beneficiada por políticas públicas voltadas para a exploração dos potenciais do país, de modo a manter o Brasil como líder mundial na produção de energia a partir de biomassa. Ele afirma que o atual governo "abandonou o setor" ao impedir o reajuste dos preços nos derivados de petróleo. Rodrigues também menciona a revolução tecnológica ocorrida nos últimos 40 anos pela Embrapa na transformação de solos ácidos do Cerrado em terras férteis para apontar o potencial brasileiro de produzir alimentos e bioenergia em outras áreas do globo, em especial na África e Ásia. A Embrapa já participa de programas de desenvolvimento da produção agrícola em partes do território africano.

Na exposição sobre "Qualidade de Vida, Alimentação e Transgênicos", o médico cancerologista Drauzio Varella afirmou que a discussão sobre a segurança dos transgênicos é "quase religiosa", porque existe a crença, infundada, de que ocorrem transformações profundas nos organismos geneticamente modificados (OGM). "Isso sempre foi feito, através de cruzamentos para melhoramento genético. O que se faz agora é mudar a sequência de genes, utilizando características já existentes", explica. Para o médico, é preciso ampliar o conhecimento das pessoas sobre o processo. "Só isso vai acabar com a resistência aos transgênicos."

Varella ressalta que carecem de fundamento científico as afirmações de que produtos geneticamente modificados podem ser perigosos para a saúde. Medicamentos como interferon e insulina sintética não passam de OGMs, e no entanto não existe um clamor contra seu emprego. Ele diz que também faltam evidências médicas de que alimentos naturais, como a carne bovina, por exemplo, sejam danosos à saúde. Segundo Varella, um estudo para comprovar supostos malefícios da carne vermelha, para ter validade estatística, teria de envolver ao menos 100 mil pessoas por 20 anos, ao custo estimado de US$ 1 bilhão. Por isso não foi feito.

"No mundo da biotecnologia, a propriedade intelectual é decisiva", disse o advogado Luiz Henrique do Amaral, membro da Associação Brasileira de Propriedade Intelectual (ABPI). Segundo ele, a discussão de patentes no Brasil será importante para o desenvolvimento econômico e tecnológico dos próximos 20 anos, sem o que, o país não conseguirá sustentar o processo de inovação.

Também participaram do seminário dois especialistas internacionais. Nicola Cenacchi, pesquisador do International Food Policy Research Institute (IFPRI), falou sobre mudanças climáticas. Ele apresentou estudos em andamento sobre o emprego de variedades resistentes à seca e mais capazes de absorver nitrogênio do solo como o caminho para superar as dificuldades da produção de alimentos no futuro, com o aumento da temperatura global.

Já Gregory Stock, fundador do Programa de Ciência, Tecnologia e Sociedade da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), traçou um paralelo entre os avanços da ciência na área eletrônica e na biotecnologia. Ele se concentrou na perspectiva de um futuro melhor na área da saúde e da qualidade de vida.


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Biotecnologia - Investimento privado é conservador

Recursos que viabilizam empresas da área têm origem nas agências de fomento estatais

Apesar do desenvolvimento da agropecuária no Brasil e da possibilidade de descobrir plantas que podem no futuro se transformar em medicamentos, nem sempre é fácil para novas empresas de biotecnologia conseguir fundos privados para alavancar seu negócio.

Há cinco anos, Sandra Pereira Faça e seus sócios resolveram montar uma empresa, a Veritas Life Sciences, para descobrir alvos moleculares nas áreas de saúde e bioenergia. Na época, moravam em Seattle, nos Estados Unidos, país com histórico de investimento em startups. Mas, com a crise econômica que abalou o país, decidiram realocar a Veritas no Brasil, onde os impactos eram menos sentidos.

Aqui, no entanto, se depararam com a dificuldade de conseguir recursos para alavancar a empresa. "No Brasil, os investidores ainda são conservadores, não existe esse modelo de investimento privado", diz Sandra. "Foi um banho de realidade nacional". Por aqui, normalmente os recursos que viabilizam empresas desse tipo têm origem nas agências de fomento estatais.

Os sócios da Veritas acabaram se adequando aos recursos governamentais. Receberam recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Atualmente a empresa faz parte da incubadora Supera, da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto. "Tivemos que nos adequar. A proposta inicial era mais ambiciosa", diz Sandra. Dos quatro ou cinco alvos que tinham se proposto a desenvolver, focaram em dois: câncer e tuberculose. Em agosto já devem começar as análises clínicas. Patentes estão na mira da Veritas.

Uma das razões apontadas por Sandra para a escassez de recursos privados é a necessidade de retorno a curto prazo do investimento. Mas isso dificilmente acontece em pesquisa inovadora, diz ela, principalmente quando na área de saúde, onde as pesquisas levam no mínimo de dez a 15 anos para estarem completas. Além de que o risco pode ser bastante alto.

Para João Fernando Gomes de Oliveira, diretor presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), o processo que envolve pesquisas médicas pode ser um empecilho. Os períodos longos de desenvolvimento dos projetos, a pouca familiaridade do país com o assunto e a burocracia podem atrapalhar. "Em tecnologia industrial, um sistema robótico pode ser adotado no mês seguinte por uma empresa. Não envolve pessoas (como na análises clínica)", diz. "O processo biotecnológico é muito lento e envolve muito custo de capital".

A Embrapii opera há dois anos e nesse período focou em três áreas: materiais de alto desempenho, manufatura integrada e processos químicos industriais. Hoje, analisa proposta relativa a biotecnologia.

Também há dois anos no mercado, o fundo de venture capital Pitanga recebeu mais de dez projetos de biotecnologia, mas nenhum foi aprovado. "Não quer dizer que sejam projetos ruins", afirma Fernando Reinach, sócio-gestor do fundo, que dirigiu também a Votorantim Novos Negócios. "Somos super rigorosos". Para se ter uma ideia, desde sua formação o Pitanga já estudou centenas de propostas, mas até agora apenas uma, a I. Systems, que faz softwares para automação industrial, recebeu investimentos.

A In Vitro Brasil, especializada na produção de embriões, especialmente de gado, também não recebeu aportes de fundos privados. Mas do Programa Fapesp Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), a In Vitro recebeu quatro aportes, que giram em torno de R$ 100 ou R$ 120 mil cada um. O maior deles chegou a R$ 160 mil, afirma Andréa Cristina Basso, diretora de pesquisa e desenvolvimento da empresa.

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Biotecnologia - Monitoramentos caseiros serão mais úteis na prevenção

Biotecnologia - Monitoramentos caseiros serão mais úteis na prevenção | Inovação Educacional | Scoop.it

Para biofísico americano, tecnologia vai permitir mais diagnósticos que antecipam doenças

A tecnologia é fundamental não apenas para o desenvolvimento econômico. Ela está por trás também da forma como moldamos nossas vidas. Permeia a saúde pública, a medicina, a agropecuária, as comunicações. Em resumo, está e vai estar cada vez mais entranhada em basicamente todas as nossas atividades. É no que acredita o biofísico americano Gregory Stock, empreendedor em biotecnologia, bioético, celebrado autor e palestrante, que participou do seminário Biotecnologia e Inovação, do Valor, realizado terça-feira, em São Paulo. Durante dez anos ele dirigiu o programa de medicina, tecnologia e sociedade da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), que fundou em 1997. Stock deu a seguinte entrevista ao jornal:

Valor: O que podemos esperar das novas tecnologias para a área da saúde?

Gregory Stock: Nos próximos dez a 20 anos o que veremos será o sequenciamento completo do genoma de indivíduos. Vai ser bem barato, cerca de algumas centenas de dólares, para conhecer a genética das pessoas. Isso vai se relacionar a quais medicamentos podemos tomar e às suas reações.

Valor: Quando o sequenciamento do genoma humano foi completado em 2000, todo mundo comentava que ele seria muito útil. Mas até agora não se viu muito. Ele realmente será útil?

Stock: O que aconteceu - e isso não foi só com o genoma, mas com várias outras tecnologias - é que vemos esses avanços e as pessoas acham que isso vai transformar a medicina ou o cuidado com a saúde de forma drástica. E isso não acontece. Naquela época, a moda era imaginar como isso ia mudar tudo, como teríamos medicamentos fantásticos e poderíamos saber muito sobre nós mesmos. Realmente, quase nada disso aconteceu.

Valor: E por que não?

Stock: Há duas razões para isso. Primeiro, é a complexidade de nossos genomas, o fato de que não há genes únicos agindo nas doenças mais comuns. É muito mais complicado do que isso. A segunda razão é que é muito caro, ainda, conseguir esse tipo de informação. Na época, cinco ou seis anos atrás, custava cerca de US$ 350 mil para sequenciar um genoma. Então isso significava duas coisas: que as pessoas não conseguiam essa informação sobre si mesmas e que era impossível fazer estudos mais amplos para desvendar algumas das conexões que são importantes. O que eu anteciparia que vai acontecer na próxima década é que esses estudos, os mais amplos, serão feitos. Sei de uma iniciativa atual para analisar mil sequências de genes em um milhão de pessoas. E associá-los com doenças, assim como reações a medicamentos. Um estudo de Portugal mostrou que cerca de 20% dos meninos são particularmente sensíveis ao mercúrio, a níveis inferiores aos considerados seguros hoje em dia. Essas crianças têm um atraso de três a cinco anos no desenvolvimento de aspectos como atenção, memória e cognição. Se olhamos a população como um todo, sem analisar sua genética, nada disso fica aparente. Provavelmente, nos próximos anos, veremos mais estudos como esse.

Valor: Há outros exemplos de o que podemos esperar?

Stock: Algumas coisas muito mais óbvias serão medir as atividades do organismo, como o batimento cardíaco, o nível de glicose, todas essas coisas que antes podiam ser feitas somente em hospitais ou no máximo no consultório médico. Agora está sendo possível medir tudo isso constante e passivamente e isso terá um enorme impacto. Pensemos em algo muito simples, como nível de glicose. Se for possível medir isso continuamente por várias semanas, talvez possamos ver picos, de níveis baixo ou alto, de glicose durante o dia, determinar uma pré-diabetes. Em um prazo bem curto, será possível fazer esse tipo de monitoramento por menos de US$ 100. Seremos capazes de segmentar a população e entender quem realmente está sob risco em relação a várias doenças. E agir nos estágios iniciais da doença, com um diagnóstico preventivo.

Valor: O que podemos esperar em termos de novas tecnologias para a agricultura?

Stock: Acho que veremos uma quantidade cada vez maior de modificação genética em cultivos a fim de que se tornem, por exemplo, mais resistentes à seca, menos dependentes de herbicidas ou pesticidas, resistentes a tipos específicos de pragas. Esse tipo de intervenção vai ser cada vez mais comum, é uma continuação do que já vem ocorrendo. Não há dúvida de que essas coisas são o futuro da agricultura. Acredito que a produção brasileira hoje em dia esteja atrás apenas da americana em safras geneticamente modificadas. O mesmo deve acontecer com animais domesticados, como bois, carneiros, que são cada vez mais usados para produção de medicamentos. E também com a clonagem para criar rebanhos geneticamente superiores.

Valor: E quanto a outras áreas?

Stock: Há algumas coisas muito interessantes acontecendo com tecnologia da informação, como carros que não precisam de motoristas. O Google está fazendo uso disso em São Francisco. Os automóveis hoje conseguem se movimentar pelas cidades com bastante eficácia. Acho que o primeiro uso será em termos de transporte de mercadoria em áreas remotas, onde os veículos não terão motoristas. Isso vai reduzir custos e fazer com que seja mais fácil receber produtos. No começo, com as novas tecnologias, tudo parece muito lento, mas são processos exponenciais que tomam corpo e no final se chega a coisas surpreendentes. Por exemplo, a maioria das pessoas jamais teria previsto há 15 anos que teríamos carros que andam sem motorista. Ou que o genoma humano poderia ser decifrado de forma barata, como é hoje em dia.

Valor: Se as máquinas vão passar a desempenhar muitas de nossas tarefas, como o senhor acha que pessoas sem muita escolaridade irão sobreviver?

Stock: Colocaria isso como uma questão mais profunda. Normalmente a crença é de que as pessoas com menos escolaridade são substituídas pela tecnologia. Mas na realidade acho que não são apenas as pessoas com menos escolaridade. Várias tarefas de trabalhadores não braçais também estão sendo substituídas. Por exemplo, os call centers estão sendo cada vez mais automatizados. Nos próximos 15 anos as interações de linguagem, que não estavam muito desenvolvidas até agora, serão automatizadas. Outro exemplo é a escrita dos programas esportivos. Hoje há programas que podem escrever notícias sobre eventos esportivos apenas com a informação passo a passo do que aconteceu. E não será possível distingui-las da escrita humana. Podemos ver isso também em educação. Atualmente há acesso a material gratuito, que antes era muito difícil de ser obtido, como palestras. Vê-se isso em música, onde muitas pessoas podem produzir e distribuir música on-line. Mas existe um grupo muito limitado que realmente está ganhando dinheiro, e muito, com isso. As novas tecnologias criam essas situações em que o vencedor leva tudo. As mais difíceis de ser substituídas pela tecnologia são tarefas que exigem escolaridade limitada, como a de encanador ou faxineiro. Por outro lado, no jogo de xadrez, não existe uma pessoa no mundo que consiga competir com um computador. A questão fundamental é: quando se usa mais tecnologia, o que as pessoas vão fazer?

Valor: O que o senhor acha que farão?

Stock: Esse vai ser um enorme desafio, como evitar as diferenças dramáticas em termos de riqueza que estão surgindo. É quase como se houvesse uma riqueza muito maior, por que a eficácia da tecnologia significa que é possível produzir coisas cada vez mais baratas. Mas, na verdade, onde as diferenças são maiores é onde o custo de produção é quase zero, como na música. Portanto, a questão mais importante é como se distribui essa riqueza para que as pessoas mantenham sua dignidade e sintam que são necessárias de alguma forma. Esse será um enorme desafio. Uma das tarefas que poderia parecer a mais difícil de substituir ou de automatizar seria a do médico, certo? Eles tomam decisões complicadas sobre saúde, mas na realidade o diagnóstico e o tratamento serão cada vez mais guiados pela inteligência artificial. Os médicos também estão sendo atacados por baixo, porque muito do que fazem pode ser feito por profissionais de saúde, como enfermeiros. As respostas não estão ainda nem um pouco claras.

Valor: É possível tentar prever quais serão as boas profissões no futuro, já que a de médico ou músico não serão mais lucrativas?

Stock: Vamos falar no curto prazo, porque se falamos em 20 ou 30 anos, tenho certeza de que as coisas mudarão. Serão atividades que envolvem a colaboração entre pessoas e tecnologia, ou facilitação. Por exemplo, as mais resistentes devem ser do assistente de médico, do enfermeiro, de pessoas que trabalham com tecnologia da informação. Se vamos mais para o lado da educação, haverá muitas pessoas que ajudarão os alunos a entender, a trabalhar com as palestras que serão dadas, por exemplo. Atividades como de encanador ou de massagista, que envolvem grande contato e interação, essas vão persistir e serão muito importantes. Mas não são áreas onde se ganha uma fortuna. Nos negócios, áreas onde se pode ganhar muito dinheiro serão aquelas guiadas pela tecnologia. Serviços como o de taxi Uber [em São Paulo, usado pelo 99taxi ], que escolhe o carro mais perto do smartphone do cliente. Em cerca de cinco anos desde que foi criada, a empresa agora vale mais de US$ 17 bilhões e está desmantelando o serviço tradicional de táxi. Há centenas de exemplos, que se aproveitam da tecnologia para fornecer novas coisas, onde pequenas empresas podem servir centenas de pessoas. Não se pode ignorar a tecnologia, ela será o centro de nossas vidas.


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Biotecnologia - Marco regulatório tenta seguir ritmo veloz das inovações

País tem hoje mais de 300 instituições e todas produzem um relatório anual que precisa ser analisado pela CTNBio

As normas brasileiras que tratam da biotecnologia vêm se adaptando à velocidade das novas tecnologias sem colocar em risco a segurança da população. "Nosso marco regulatório é bem confiável, o que nos dá uma segurança muito grande na liberação de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs)", diz Edivaldo Domingues Velini, presidente da Comissão Técnica Nacional de Segurança (CTNBio), que falou sobre "Biossegurança e o Marco Regulatório Brasileiro " no seminário promovido pelo Valor.

"As soluções fundamentadas na biotecnologia têm se tornado cada dia mais diversificadas e complexas, então o marco regulatório tem sempre que ser ajustado", diz. Ele cita, como exemplo, propostas de trabalho com eucalipto e cana-de-açúcar que a CTNBio vem recebendo. "São fatos novos e novas culturas em termos de Brasil que exigem novos procedimentos. O desenvolvimento do marco regulatório não para." Velini imagina um futuro pleno de biotecnologias voltadas para diversas questões, como meio ambiente, novas sementes e a pecuária que vão, a cada momento, exigir novas normas.

A contrapartida está no aumento de processos em análise, que já cria filas de espera e que pode crescer no futuro. E que, como consequência, dificulta que a comissão se debruce sobre novas regulamentações. "Temos hoje mais de 300 instituições e todas produzem um relatório anual que precisa ser analisado pela CTNBio. E dentro desse espaço precisamos encontrar tempo para desenvolver novas legislações", afirma.

Velini diz que a pauta da CTNBio, hoje, contempla algumas centenas de demandas de todas as naturezas e que a meta da comissão "é equalizar o problema até o final do ano". Segundo ele, há 21 liberações comerciais em processo de análise, 18 delas para agricultura e pecuária, duas vacinas para produção agrícola e uma enzima para produção industrial.

Segundo o presidente da CTNBio, no ano passado foram feitas cerca de cinco liberações, e neste ano já foram duas e 2014 deve fechar com pelo menos três outras. "O Brasil está no mesmo nível de desenvolvimento das demais nações com uso intensivo de biotecnologia - Estados Unidos, Canadá, Argentina e União Europeia."

De acordo com Velini, desde 2006 - um ano depois da criação da lei de biossegurança do país - até 2013, o saldo do agronegócio na balança comercial saltou de US$ 40 bilhões para US$ 80 bilhões. Ela acrescenta que 94% das liberações comerciais feitas pela CTNBio estão ligadas à agricultura e pecuária. Cerca de 92% da soja brasileira é geneticamente modificada, contra 82% do milho e 65% do algodão.

"Se hoje o Brasil está nesse nível, é porque, nos últimos 60 anos, desenvolveu um sistema de pesquisa centrado, principalmente, em algumas universidades e institutos", diz Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que também participou do seminário. "São Paulo saiu na frente, porque foi o Estado que mais cedo se dedicou a criar universidades, financiá-las, desenvolvê-las com valores acadêmicos e elevada competitividade internacional."

O diretor da Fapesp considera que, em São Paulo, a intensidade do relacionamento entre empresas e universidades para atividades de pesquisa é comparável à que se verifica entre as 20 principais universidades americanas. "Centenas de empresas em São Paulo, na área de biotecnologia, estão em torno de centros de pesquisa universitários que têm pesquisas competitivas mundialmente." De acordo com ele, em 2007, o Brasil contava com 71 empresas de biotecnologia, passando para 127 em 2009 e fechando 2011 com 237.

O programa Fapesp de apoio a pesquisas de pequenas empresas aprovou em 2013 três projetos por semana para pequenas empresas, em São Paulo, com menos de 250 empregados. O valor do financiamento, não reembolsável, vai de R$ 100 mil a RS$ 1,25 milhão. Os segmentos mais demandados são saúde humana e animal.

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Pela 1ª vez, eleitores com ensino superior ultrapassam analfabetos

Pela 1ª vez, eleitores com ensino superior ultrapassam analfabetos | Inovação Educacional | Scoop.it

Segmento de ensino superior tem o maior avanço no eleitorado

Pela primeira vez, o Brasil terá mais eleitores com ensino superior completo que analfabetos. O balanço oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apresentado nesta terça-feira (29), mostra que nas eleições de 5 de outubro, votarão 8 milhões de graduados. Os analfabetos somam 7,4 milhões. Na últimas eleições gerais, em 2010, participaram da disputa 6,2 milhões de formados em universidades, enquanto o número de pessoas que não sabem ler nem escrever era de 7,8 milhões. No total, o país terá 142,8 milhões de pessoas aptas a votar, um crescimento de 5,17% em relação a 2010, quando a quantidade de eleitores era de 135,8 milhões.

Houve aumento da participação de todas as faixas de eleitores de escolaridade considerada alta, com ensino médio completo ou maior e redução em todos os segmentos de menor escolaridade. A participação do eleitorado com ensino superior aumentou 54,6% desde a última eleição geral, o maior avanço de todas as faixas. Passou de 5,1 milhões em 2010 para 8 milhões em 2014.

Um ano depois que o país registrou algumas de suas maiores mobilizações de rua da história o número de jovens eleitores registrados para votar caiu. O número de jovens eleitores, com 16 anos, caiu de 900 mil em 2010 para 480 mil este ano.

Os dados do TSE mostram que o eleitorado está envelhecendo, enquanto jovens perdem participação, pessoas com idades acima de 35 anos ganham espaço. A faixa etária predominante em 2014 é a de eleitores com idade entre 45 e 49 anos, com 23,66% do total. Em 2010 a concentração era na faixa dos jovens adultos, com idade entre 25 e 34 anos. Os idosos com mais de 60 anos aumentaram a participação em relação às últimas eleições presidenciais. Hoje são 17,1% do eleitorado contra 15,29% em 2010. O presidente do TSE, ministro Dias Toffoli, explicou que isso é o reflexo do envelhecimento da população como um todo. "A cada eleição, diminuirá o número de eleitores em faixas etárias mais baixas em relação às mais altas", disse, em entrevista.

De acordo com o professor da Universidade de Brasília, especialista em evolução do eleitorado, Alexandre Gouveia, o crescimento dos graduados é o reflexo do aumento do número de vagas em universidades e da queda abrupta do valor das mensalidades: "Há cursos que custam R$ 199 por mês."

Os investimentos agressivos de fundos estrangeiros na compra de grandes grupos educacionais brasileiros, é um dos componentes que justificam a queda nos preços e o aumento da oferta de cursos superiores. Conglomerados como o Kroton Educacional e o Anhanguera Educacional, que se fundiram no ano passado, são exemplos disso. Juntos, possuem mais de um milhão de alunos e 800 escolas de ensino superior.

O TSE também apresentou estatísticas relacionadas ao gênero dos eleitores. A proporção de votantes do sexo feminino em comparação ao do sexo masculino aumentou este ano em comparação com 2010. São 74,5 milhões de eleitoras, ou 52,13%, contra 65,3 milhões de eleitores, que representam 47,8% do total. Há quatro anos a proporção era de 51,8% de mulheres para 48,7% de homens.

O TSE também divulgou que a quantidade de registros fora do país aumentou 76,75%. Em 2010 eram 200 mil contra 354,2 mil este ano, sendo que mais da metade estão localizados nos Estados Unidos. Toffoli atribuiu o crescimento à campanha publicitária realizada pelo TSE em emissoras brasileiras que transmitem no exterior.



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Computação em nuvem impulsiona a produtividade

Computação em nuvem impulsiona a produtividade | Inovação Educacional | Scoop.it

Para muitos, é a porta de entrada para instalação de sistemas de gestão empresarial e CRM

O avanço da computação em nuvem no Brasil é uma ótima notícia para empresas de pequeno e médio portes. Para muitos negócios, a nuvem será a porta de entrada para a informatização de processos, instalação de sistemas de gestão empresarial (ERP), gerenciamento do relacionamento com clientes (CRM) ou operação no comércio eletrônico. "É uma forma eficiente de oferecer infraestrutura e softwares que antes só estavam ao alcance de grandes corporações. Trata-se de democratizar a tecnologia", destaca Rui Gonçalves Pereira, diretor da unidade de negócios empresariais da Oi.

Para Victor Gureghian, diretor de novos negócios da Microsoft, o impacto na produtividade e na competitividade, a partir da adoção de tecnologia da informação (TI), é significativo. "Para fortalecer as cadeias produtivas, o avanço tecnológico é primordial. Empresas organizadas ampliam suas chances de crescimento", afirma.

O executivo cita estudo realizado com empresas brasileiras pelo The Boston Consulting Group (BCG), a pedido da Microsoft. De acordo com a pesquisa, empresas de pequeno e médio portes que adotaram TI aumentaram a receita anual em 16% e criaram mais empregos - e 11% mais rápido - do que as concorrentes entre os anos de 2010 e 2012.

A pesquisa identificou ainda que, se mais empresas de pequeno e médio portes utilizassem tecnologias como software de produtividade, internet e serviços baseados na nuvem, o acréscimo no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro seria de US$ 122 bilhões no período. Na seara dos empregos, seriam 2,5 milhões de novos postos de trabalho. A conta não considera lucros potenciais da economia informal, estimada em 33% do PIB e 27% da mão de obra pelo Banco Mundial e Organização Internacional do Trabalho. "A demanda é grande em todos os segmentos da tecnologia da informação. A empresa de menor porte tem de ser mais competitiva para sobreviver no mercado", diz Gureghian.

A grande vantagem da nuvem está no compartilhamento da infraestrutura de base para a tecnologia da informação - que exige a instalação de computadores com alta capacidade de processamento, soluções complexas de segurança, discos rígidos para armazenar informações e a instalação de softwares para controlar toda a operação. Na prática, a empresa contrata pacotes de serviços e infraestrutura moldados às suas necessidades, o que derruba o preço de instalação das soluções e evita compras desnecessárias de maquinário. "É o provedor de serviço que mantém o centro de dados com os recursos necessários para rodar as soluções e também se responsabiliza pela atualização tecnológica constante", explica Eduardo Carvalho, presidente da Alog.

Segundo ele, em 2014 a receita com soluções em nuvem deve ficar perto de US$ 1 bilhão no Brasil. No ano passado, os provedores registraram faturamento de US$ 300 milhões com a plataforma. "O amadurecimento da estrutura em nuvem permitirá o avanço", comenta Carvalho.

Outra vantagem para negócios em trajetória de crescimento está no que o mercado chama de "escalabilidade". "O cliente pode mudar de patamar rapidamente, contratando maior capacidade de processamento quando necessário. Se tem um pico de crescimento, ajusta a infraestrutura de tecnologia em questão de horas", afirma.

O mesmo vale para aumento da demanda computacional em períodos sazonais (como datas comemorativas para o comércio) ou campanhas especiais de lançamento de produtos. Nesse caso, ao término do período, a empresa 'devolve' ao provedor a capacidade adicional e volta a operar com sua infraestrutura anterior. O pagamento pelo uso é um dos principais atrativos. Além disso, destaca Leonel Nogueira, CEO da Global TI, para empresas que declaram imposto pelo sistema de lucro real, existe vantagem fiscal. "O parque tecnológico deixa de ser um ativo da empresa para ser uma despesa, como o aluguel, no balanço."

As empresas em processo de internacionalização também ganham com a solução, afirma Nogueira. "Com as soluções em nuvem, é possível acessar os sistemas da companhia de qualquer parte do mundo. Facilita muito a gestão e a operação global dos negócios." Nas contas do executivo, os custos com instalação de um sistema de ERP, por exemplo, caem entre 40% e 50% quando a arquitetura de nuvem é utilizada. "Vale lembrar que os investimentos em centro de dados próprios e armazenamento de dados caem 100%."

Se a opção for pagar o software como serviço, os ganhos financeiros são ainda melhores. Segundo André Bretas, diretor da Totvs, existem soluções para organizar a empresa a partir de R$ 99,00 por mês.

A oferta é possível pela própria dinâmica das ferramentas de ERP: são modulares. "O cliente pode contratar de acordo com a sua necessidade e ir avançando à medida que a complexidade do negócio aumenta", explica. Ao adquirir os softwares, a empresa leva no pacote toda a experiência das desenvolvedoras dos sistemas, que já atuaram na implementação de soluções em empresas dos mais diferentes tamanhos e setores.

Mauricio Fernandes, presidente da Dedalus, afirma que a computação em nuvem está se mostrando estratégia eficiente para seus clientes de menor porte. Mais da metade da carteira da empresa é formada por empresas com até 200 funcionários. "São companhias que não mantêm uma área de TI e precisam de um provedor que se ocupe com a tecnologia, enquanto os gestores cuidam do negócio", explica. Entregar a infraestrutura e todas as questões relacionadas ao licenciamento de software nas mãos de um terceiro exige, lembra Fernandes, afinidade com provedor - que fará o papel da equipe de TI da empresa. "São muitas opções de formatação dos serviços. Por isso, é preciso entender o que o cliente precisa. Antes de contatar, vale uma boa conversar e, é claro, a construção de um contrato que preveja todas as obrigações", aconselha.

A computação em nuvem é uma plataforma em rede que permite o acesso a serviços online. Na prática, as empresas não precisam manter em seus prédios infraestrutura com servidores de alta capacidade para instalar e executar softwares corporativos. Com a nuvem, é possível operar sistemas e serviços pela internet.

Os equipamentos e softwares necessários para executar as soluções de tecnologia da informação ficam em centros de dados que estão ligados à rede (ou à nuvem). A tecnologia permite acesso a documentos, bancos de dados e sistemas de qualquer lugar do mundo, a partir de dispositivos (computadores, notebooks, tablets ou smartphones) com acesso à internet. As informações geradas também ficam armazenadas na nuvem.

A tecnologia reduz o investimento em ativos de tecnologia da informação (hardware e software). Para ter acesso aos serviços, as empresas precisam de conexão à internet e computadores com menor capacidade de processamento e armazenamento. Também não é necessário adquirir licenças de software e soluções de segurança, que podem ser contratadas em nuvem.

Os serviços mais procurados são do de virtualização de servidores - que envolvem a instalação dos softwares das empresas nas máquinas dos centros de dados -, serviços de mensageria (web mail), softwares de produtividade (como pacote Office), backup e armazenamento de dados. Com o crescimento da oferta, os provedores esperam explosão na contratação de sistemas de gestão empresarial (ERP) e gestão de relacionamento com o cliente (CRM).

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Analistas indicam compra de Kroton após incorporação

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Casas de análise veem ganhos com a aquisição de Anhanguera e projetam perços-alvo entre R$ 59 e R$ 71

As perspectivas para a Kroton, após a incorporação da Anhanguera, são de ganhos com sinergias acima do que foi anunciado, segundo analistas que acompanham a empresa de educação. Após ajustes das projeções, de sete corretoras procuradas pelo Valor, apenas uma não recomenda compra das ações. Os preços-alvo dos ativos variam de R$ 59 a R$ 71. Desde o anúncio da operação, os papéis acumulam alta de 156%, saindo de R$ 23,98 em 19 de abril de 2013 para R$ 61,35, no fechamento de terça-feira, dia 15 de julho.

Na visão do Bank of America Merrill Lynch (BofA), com a incorporação da até então concorrente, a Kroton poderá anunciar ganhos com sinergias acima dos R$ 300 milhões estimados pela instituição. Além disso, segundo Diego Moreno, analista do BofA, a Anhanguera irá alcançar suas projeções para o ano e a Kroton irá bater em 10% suas perspectivas para o Ebitda em 2014. "Isso tem acontecido nos últimos dois anos e os sólidos resultados do primeiro trimestre permitem que a empresa ultrapasse suas metas."

Com a aprovação da operação pelos acionistas no início do mês, as duas instituições se fundiram e foi criada a maior companhia de educação do mundo, com 1,2 milhão de estudantes. O valor de mercado é de R$ 24,64 bilhões

O banco Brasil Plural ressalta que as abundantes oportunidades de sinergias e ganhos de eficiência estão sendo mapeadas pelo grupo. "Muitas oportunidades, sobretudo as relacionadas com mudança estratégica e integração acadêmica, não estão embutidas nas estimativas da empresa, o que pode levar a mais surpresas positivas ao longo do caminho", avalia, em relatório.

Na divisão do processo de integração entre operações, estratégia, cultura e cenário acadêmico, apenas o último deve ficar para um segundo momento. A empresa está focada em minimizar qualquer possibilidade de problema com o processo de integração, considera o relatório do Brasil Plural. Segundo o banco, todos os funcionários estão alinhados com a operação e haverá apenas uma pequena redução do número de efetivos, diferente da integração com a Iuni que teve corte de 25% de pessoal. Para a instituição, a maior parte dos profissionais serão realocados a outras áreas, o que mostra que o valor gerado com a fusão vai além do simples corte de custos.

Na análise do BTG Pactual, a operação abre oportunidades de sinergias, sobretudo na área de despesas gerais e administrativas. O segmento de ensino a distância também oferece vantagens operacionais significativas e as despesas de marketing poderiam ser otimizadas.

"Nós vemos ganhos menores com custos e na integração do modelo acadêmico, mas estimamos um total de R$ 3,2 bilhões em sinergias em valor presente líquido, acima da indicação das companhias", afirma João Carlos Santos, do BTG, em relatório.

Para acelerar o processo de fusão, as empresas têm trabalhado com a consultoria McKinsey desde o anúncio do negócio. No entanto, a previsão é que a nova companhia capture 50% das sinergias em 2015, 75% em 2016 e 100% a partir de 2017. A projeção de ganhos do BTG inclui despesas gerais e administrativas, alavancagem operacional e vendas cruzadas, aspectos parcialmente compensados pela venda da Uniasselvi, exigida pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Ao considerar a maturidade das instituições e a recente melhora nas operações da Anhanguera, na opinião do Grupo Bursátil Mexicano (GBM) a Kroton representa a melhor oportunidade de investimento no setor brasileiro de educação. Segundo o banco, os benefícios da fusão mais do que superam qualquer risco de queda das ações.

Um dos principais pontos positivos destacados pelo GBM é a experiência da administração da Kroton. "Considerando o histórico de sucesso da administração, a adição da experiência da empresa nas operações da Anhanguera pode destravar um valor interessante para a nova companhia", diz Vitor Sousa, da GBM, em relatório.

A integração, no entanto, deve ser mais desafiadora do que o esperado. Entre os possíveis riscos, o GBM afirma que as operações da Anhanguera poderiam decepcionar o mercado, além disso, alterações relevantes em programas do governo poderiam ser prejudiciais e processos de fusões de outras empresas do setor aumentariam a concorrência.

No médio e longo prazos o aumento esperado do ticket médio, como consequência da maior penetração do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e da percepção de qualidade melhor no ensino, aumenta os riscos regu latórios da empresa, na visão do BTG Pactual, dada a maior dependência do programa do governo. Garantir retorno sobre investimento positivo por aluno deve ser a chave para evitar esses problemas, estima o banco.

O Cade aprovou em maio a operação entre Kroton e Anhanguera com restrições e impôs algumas mudanças. A nova companhia precisa vender a Uniasselvi e suspender graduações em determinadas cidades. O órgão liberou a abertura de novos cursos em alguns mercados, mas para apenas uma marca, e a empresa não poderá oferecer mais vagas em municípios específicos. Além disso, a Kroton terá de investir na qualidade dos cursos.



© 2000 – 2014. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico. 

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http://www.valor.com.br/financas/3616372/analistas-indicam-compra-de-kroton-apos-incorporacao#ixzz399qHio3F



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Docência universitária precisa se aproximar da ciência

Docência universitária precisa se aproximar da ciência | Inovação Educacional | Scoop.it

Em artigo, pesquisadores da USP alertam para necessidade de formação pedagógica para atuação no ensino superior

Os professores de ensino superior em geral não tem nenhuma formação durante sua graduação ou mesmo na pós-graduação voltada para uma possível carreira acadêmica. Para ingressar em universidades, também não se exige na maioria dos concursos nenhuma comprovação de formação para exercer a atividade de ensino. Essas ausências têm impacto direto na formação dos futuros engenheiros e faz com que cerca de 25% deles sejam mal formados, segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas).

Na sociedade do conhecimento e das redes sociais, o docente tem um papel diferenciado e necessita ser preparado para cumprir com excelência essa missão. Infelizmente, os conhecimentos pedagógicos se constituíram distantes do espaço universitário e só tardiamente alcançaram alguma legitimação científica, posto que o foco da pedagogia sempre foram as crianças, o que criou uma imagem distorcida da amplitude e complexidade da pedagogia. A docência é uma atividade complexa que exige uma preparação cuidadosa e múltiplos saberes que precisam ser apropriados e compreendidos. Outro ponto relevante é que os assuntos relacionados à pedagogia estão atrás de barreiras cognitivas, como as metodologias, os termos, entre outros, especialmente para os profissionais das áreas exatas.

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Edital apoia pesquisa sobre competências socioemocionais

Edital apoia pesquisa sobre competências socioemocionais | Inovação Educacional | Scoop.it

Capes, em parceria com o Instituto Ayrton Senna, lança programa que fomenta a produção acadêmica sobre habilidades não cognitivas

Para fomentar a produção acadêmica sobre o desenvolvimento de habilidades não cognitivas na educação, a Capes irá oferecer bolsas para projetos em nível de pós-graduação, mestrado e doutorado. Desenvolvido em parceria com o Instituto Ayrton Senna, o Programa de Apoio à Formação de Profissionais no Campo das Competências Socioemocionais busca fortalecer redes de pesquisa que tenham foco no desenvolvimento de socioemocionais e a formação de professores nessa área. Os projetos poderão ser inscritos até o dia 5 de setembro.

As propostas de pesquisas devem propor ações que buscam construir condições favoráveis para a articulação de competências socioemocionais nas escolas. Os projetos podem abordar alguns eixos temáticos como educação integral, educação básica, ensino superior, profissionalizante e tecnológico, educação inclusiva e ensino a distância.

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Documento ajuda escolas a implementar inovações

Documento ajuda escolas a implementar inovações | Inovação Educacional | Scoop.it

Lançado pelo Movimento Todos Pela Educação e o Inspirare, relatório visa orientar gestores e educadores sobre o uso de tecnologia

O cotidiano dos jovens de hoje é intensamente mediado pela tecnologia, exceto, em grande parte, enquanto estão na escola. Enquanto isso, processos de ensino e aprendizagem tradicionais não respondem mais às demandas do mundo contemporâneo, muito menos ao perfil do aluno do século 21. Para mostrar como as inovações geradas pelo uso de tecnologias digitais podem contribuir nesse contexto, o Movimento Todos Pela Educaçãoe o Inspirare produziram colaborativamente um documento com a participação de organizações governamentais, não governamentais e especialistas intitulado de Inovações Tecnológicas na Educação.

O objetivo do material é orientar gestores públicos na formulação e implementação de políticas e programas eficazes nessa área. “A ideia não é apenas informar, é para fazer as pessoas conhecerem as várias ferramentas que já existem, apresentar cases nacionais e internacionais para fomentar a reflexão dos gestores e educadores, para que eles tenham um maior embasamento para escolherem o que querem fazer em suas redes e instituições”, explica Heloisa Mesquita, gestora do programa Educação Pública Inovadora do Inspirare.

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Wise irá apoiar projetos educacionais de tecnologia

Wise irá apoiar projetos educacionais de tecnologia | Inovação Educacional | Scoop.it

Programa dará aconselhamento nas áreas de gestão, marketing, implantação operacional, recursos humanos e jurídicos

O Wise (World Innovation Summit for Education), um projeto da Fundação Qatar que busca inspirar, apoiar e divulgar pensamentos e práticas inovadores em educação, está à caça de projetos que utilizam a tecnologia para enfrentar desafios educacionais. Estão abertas as inscrições para o Accelerator, programa de acompanhamento personalizado que irá apoiar o desenvolvimento de sete projetos inovadores. Durante um ano, os selecionados irão receber aconselhamento de especialistas e integrarão uma rede internacional para compartilhar conhecimentos e encontrar apoio de possíveis investidores.

Podem participar organizações de todo o mundo que exercem diferentes atividades com o uso da tecnologia, desde a concepção de aplicativos, jogos digitais e plataformas on-line até o desenvolvimento de programas pedagógicos que integram a tecnologia na sua metodologia. O importante é que os projetos tenham escalabilidade e apresentem um impacto positivo na educação.

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USCS faz aniversário e abre quatro cursos

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Universidade completa 46 anos hoje e amplia opções de formação na área da Saúde

A USCS (Universidade Municipal de São Caetano) completa 46 anos hoje. Uma dascomemorações programadas pela instituição de ensino é a abertura de quatro cursos na área da Saúde: Psicologia, Odontologia, Ciências Biológicas e Biomedicina.

Conforme explica o pró-reitor de graduação da universidade, Marcos Antônio Biffi, serão ofertadas 60 vagas para cada um já no vestibular de 2015. As inscrições para o processo seletivo terão início no dia 1º de outubro e a prova está marcada para o dia 7 de dezembro. “Esses cursos vão enriquecer a área da Saúde, cujo pontapé foi dado com a abertura da formação em Medicina, iniciada em janeiro.”

escolha pela área médica levou em conta as políticas públicas adotadas pelos governantes das três esferas do poder, explica Biffi. “É uma área que receberá atenção pelos próximos dez anos”, diz Biffi.

Entre as comemorações, será realizado encontro de estudantes das primeiras turmas da USCS, formados entre os anos de 1970 e 1973, amanhã, às 10h, no Campus Barcelona (Avenida Goiás, 3.400). Além disso, haverá exposição e entrega do primeiro título de doutor honoris causa concedido pela instituição de ensino. A honraria será entregue ao professor José de Souza Martins, sociólogo de extensa carreira acadêmica.

A instituição surgiu em 1968 com o nome de Faculdade de Ciências Econômicas, Políticas e Sociais e se consolidou sob a marca do Imes (Instituto Municipal de Ensino Superior de São Caetano).

REFORMAS - Conjunto de adequações realizado no campus Barcelona da USCS também faz parte do pacote de aniversário. Conforme o pró-reitor de graduação, foram investidos R$ 3,5 milhões nas melhorias, que incluem ampliação das áreas de convivência, reforma dos banheiros, pintura interna e construção de duas salas para a área administrativa até o fim do ano. “Os alunos poderão desfrutar de prédio revigorado no retorno às aulas, previsto para o dia 11”, destaca.

Já a unidade do Centro, na Rua Santo Antônio, 50, deve entrar em reforma até o início de janeiro. A expectativa é que sejam erguidos três laboratórios, sendo um para a Morfologia, um para a Odontologia e outro para a Biologia. Não há estimativa sobre os gastos com a obra, segundo Biffi. “Esse projeto está em estudo. Em breve vamos finalizá-lo para dar início à licitação.” 

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Suecos investem para fazer do Brasil um polo de inovação

Suecos investem para fazer do Brasil um polo de inovação | Inovação Educacional | Scoop.it

Companhias e instituições criam parceiras e projetos para promover o desenvolvimento local

Conhecidas pelo trabalho que desenvolvem para se manterem na vanguarda da tecnologia, empresas e instituições suecas de pesquisa e desenvolvimento querem replicar no Brasil o sistema de inovação aberta que ajudou a Suécia a conquistar as primeiras posições no ranking mundial entre as nações mais inovadoras. A Saab, uma das empresas que integra o projeto, já investiu US$ 15 milhões no Brasil e estima mais US$ 50 milhões para os próximos cinco anos.

No modelo de inovação aberta, laboratórios de pesquisa e desenvolvimento de grandes empresas, universidades, institutos de tecnologia, empreendedores e investidores de capital de risco trabalham juntos nos parques de ciência e tecnologia instalados em pontos estratégicos, um ambiente propício à colaboração para a inovação, disse Bruno Rondani, diretor do Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro (Cisb) no Brasil.

Esse modelo começou a ser testado no Brasil há um ano, por meio do Cisb, que se apoia no tripé formado por universidade, empresa e governo. Os testes incluem o desenvolvimento de projetos na área de redes elétricas urbanas inteligentes e de biocombustíveis de segunda geração, visando a produção de polímeros verdes. São diversos setores beneficiados pelos projetos, que dependem da tecnologia para conquistar inovações. O Cisb foi fundado pela Saab e conta com 11 membros e 40 parceiros, entre suecos e brasileiros.

Um laboratório de alta tecnologia, por exemplo, inspirado em uma experiência bem-sucedida da sueca Saab, na África do Sul, será montado na Universidade do ABC com o objetivo de abrigar pesquisas sobre demandas complexas da sociedade, especialmente nas áreas de segurança e transporte.

Para incentivar a formação de pessoal especializado, a Saab, segundo o vice-presidente de tecnologia, Pontus de Laval, cofinanciou em parceria com o CNPq cem bolsas de estudos para o programa Ciência sem Fronteiras, com foco nas áreas de segurança e defesa. No total, o governo sueco ofereceu 1.800 bolsas para realizar projetos em diferentes áreas.

Para que os pesquisadores brasileiros possam interagir entre si, com a comunidade científica sueca e com os engenheiros da Saab, foi desenvolvido pelo Cisb e pela Saab um sistema que permite a colaboração entre todos os integrantes do projeto.

O matemático brasileiro Joni Amorim está se beneficiando dessa integração. Ele já está preparando as malas para iniciar um pós-doutorado de um ano na Suécia, em 2013. Doutor em engenharia da computação pela Unicamp, Amorim disse que terá oportunidade de desenvolver uma metodologia de treinamento em segurança cibernética, para ser aplicada no treinamento de civis e militares no Brasil, voltada para grandes eventos, como a Copa do Mundo e a Olimpíada.

"A bolsa era de € 2.100, mas como o valor seria insuficiente para o custo de vida da Suécia, a Saab aumentou 100%", disse Amorim. O pós-doutorado será na Universidade de Skövde, especializada em tecnologia da informação. O campus está integrado a um parque tecnológico, onde a Saab tem uma unidade para interagir com a área de pesquisa de interesse da empresa.

Além da Saab, oito empresas e instituições suecas de pesquisa e desenvolvimento participam do Cisb, como as montadoras de veículos Scania e Volvo; a Stora Enso, da área de papel e celulose; empresas de tecnologia, além do SP Technical Institute, Innventia, Chalmers-Frauhoferg, KTH (Royal Institute of Technology) e as universidades de Linköping e de Chalmers.

Por ser um país pequeno, a Suécia concentra seus projetos de inovação em soluções que visam negócios globais, disse Rondani, do Cisb no Brasil.

Laval, da Saab, disse que a empresa desenvolveu uma gama de radares de curto alcance (até um quilômetro), com aplicações diversas em segurança, gestão de tráfego e minas. A empresa investiu € 30 milhões no projeto do radar e agora procura um parceiro no Brasil que tenha interesse em adaptar essa tecnologia às necessidades locais, disse o executivo. A companhia já está trabalhando com uma empresa que fornece tecnologia para a Companhia Vale do Rio Doce e existe uma oportunidade de fazer o mesmo com a Petrobras, segundo Laval.

Na inovação aberta, os parceiros precisam estar dispostos a abrir seus planos e ideias aos demais. "Isso funciona bem com as universidades brasileiras, mas ainda vemos certa hesitação por parte das empresas e também alguns problemas com os órgãos públicos, devido à existência de lei mais rigorosa, em comparação com a Suécia", disse ele, referindo-se às normas para pesquisa e desenvolvimento no Brasil.

Para o vice-presidente de pesquisa e desenvolvimento da Scania, Lars Stenqvist, os projetos feitos em colaboração com diferentes empresas e universidades permitem um fluxo maior de conhecimento. "Nem sempre somos os melhores em determinadas áreas, e essa troca é extremamente rica."

A Scania investe 550 milhões de coroas suecas por ano (US$ 83,5 milhões) em pesquisa e desenvolvimento e considera o Brasil seu maior mercado no mundo. "Nosso maior desafio é encontrar soluções para a redução do consumo de combustível e das emissões de gases", disse.

A Scania desenvolve um projeto pelo sistema de inovação aberta na área de segurança do tráfego. Batizado de Safer, o projeto reúne 26 parceiros na Suécia, entre eles o Parque de Ciências de Lindholmen, em Gotemburgo, a empresa Autoliv e a Volvo. O objetivo é reduzir a zero o número de mortes e lesões graves nas estradas do país. "A combinação de pessoas da indústria, da academia e do setor público gera muitos resultados interessantes e valiosos", disse Lotta Jakobsson, da Volvo Car Corporation.

"Estamos pensando em levar esse projeto para o Brasil. A Scania já ofereceu um caminhão equipado com sensores e medidores para analisar o comportamento do caminhoneiro nas estradas", revelou o diretor de Engenharia da Scania, Lars-Henrik Jörnving.

A Universidade de São Paulo (USP) e o Centro Universitário da FEI, segundo ele, também deverão participar do projeto. "Queremos ampliar os campos de testes de veículos no Brasil, tendo em vista as particularidades do país em relação a umidade e calor", afirmou Stenqvist.

A companhia trabalha também em cooperação com as Universidades de Estocolmo e de Linköping e com o instituto KTH nas área de testes, simulação de impacto e redução de ruído.

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Biotecnologia - Brasil quer liderar rota de biocombustíveis avançados

País lidera pesquisa e desenvolvimento de biocombustíveis que poderão elevar o patamar de produtividade no cenário mundial

Mais competitivo produtor de etanol do mundo, o Brasil lidera uma série de iniciativas de pesquisa e desenvolvimento sobre biocombustíveis que poderão representar um novo patamar de produtividade no cenário mundial de energia. O etanol celulósico, chamado de segunda geração e cujo processo de produção está baseado em enzimas e no uso de bagaço e palha para produção de combustível, será essencial para que o país possa acompanhar o aumento da demanda de combustíveis.

Em 2012, o país registrou um déficit de 4,6 bilhões de litros no etanol hidratado. Esse déficit poderá aumentar quase cinco vezes até o fim da década, diante do consumo em ascensão e de estagnação da produção atual por conta da política de combustíveis do governo, que tem evitado reajustes no preço da gasolina.

Um dos principais investimentos no mundo na nova rota tecnológica de produção de etanol de segunda geração está sendo feito no Brasil pela GranBio. A usina Bioflex 1, localizada em São Miguel dos Campos, em Alagoas, com capacidade para 82 milhões de litros anuais, está em fase de testes, que devem terminar em breve. A planta deve alcançar plena capacidade dentro de um ano, como previsto originalmente, afirma Alan Hiltner, vice-presidente Executivo da GranBio. A ideia é explorar tanto a demanda interna quanto externa do biocombustível.

A GranBio mantém o plano de investir R$ 4 bilhões em dez anos, o que contempla a construção e inauguração de dez plantas nesse período, entre usinas de segunda geração, unidades bioquímicas e biorrefinarias. "Temos a visão de produzir um bilhão de litros de etanol de segunda geração e um milhão de toneladas de açúcar para bioquímicos também nos próximos 10 anos", diz Hiltner. "Isso será possível com a adoção de parcerias e modelos associativos com usinas de primeira geração, além de estrutura de capital dimensionada para cada projeto", destaca. O executivo afirma que a localização das próximas plantas industriais e os investimentos ainda estão sendo definidos.

Os investimentos ocorrem pelas oportunidades existentes. "O potencial brasileiro na produção deste biocombustível é muito grande, principalmente porque aqui temos a fonte de biomassa mais competitiva do mundo, a cana-de-açúcar. Ao utilizar palha e bagaço como matéria-prima, ampliamos em aproximadamente 50% por hectare a capacidade atual da produção de etanol, sem a necessidade de ampliar a área planta de canavial. Com os avanços em tecnologia e acesso à biomassa dedicada ao açúcar de celulose, conseguiremos uma maior produção de etanol segunda geração. Assim, será possível dobrar a capacidade de produção em 20 a 30 anos", diz.

Outra vertente de pesquisa está sendo conduzida pelo Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), iniciativa do Ministério de Ciência e Tecnologia e instalado em Campinas, que está analisando propostas de pesquisas a serem realizadas em sua Planta Piloto para Desenvolvimento de Processos, criada para estudos de escalonamento de tecnologias voltadas à produção de etanol celulósico e outros compostos a partir de biomassas. Ela possui seis diferentes módulos para testar experimentos, em escala semi-industrial, nas áreas de pré-tratamento, produção de enzimas, hidrólise de biomassa, fermentação alcoólica e bioprocessos em geral. A ideia é que processos possam ser concebidos em uma escala maior que em laboratórios menores e quase em escala pré-comercial, o que poderia reduzir o tempo de lançamento das inovações.

Comprometida com uma meta de crescimento neutro nas emissões de carbono até 2020 e em reduzir em 50% as emissões de dióxido de carbono sobre os níveis verificados em 2005 até 2050, a indústria de aviação mundial tem buscado o uso de combustíveis renováveis. Hoje o segmento responde por 2% das emissões de poluentes globais, fatia que pode crescer para 3% até 2030, segundo estudo da Fapesp e da Unicamp, lançado ano passado sobre o tema. Além do apelo sustentável, o uso de biocombustíveis reduziria o peso dos combustíveis fósseis nas planilhas de custo das aéreas, cujas despesas com compra de querosene de aviação chegam a representar 40% dos custos totais.

Exemplo nesse sentido é uma recente parceria firmada pela Gol e Amyris - companhia americana de biotecnologia que tem uma usina em Brotas, no interior paulista - para uso de um combustível renovável de aviação. A novidade poderá ser usada nos voos internacionais da empresa brasileira dos Estados Unidos para o Brasil. Pelo acordo, a Gol se compromete a usar uma mistura de até 10% do combustível renovável nas rotas em sua frota de Boeing 737.

Trata-se de uma mistura de bioquerosene, feita a partir de açúcares de biomassa, com querosene convencional, o farnesane, que, quando produzido sustentavelmente, pode reduzir em até 80% as emissões de poluentes globais em relação ao uso de outros combustíveis fósseis. Apoiada pela Boeing, pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e outros parceiros, a Amyris está trabalhando para trazer este novo combustível renovável para as companhias aéreas comerciais. Além de reduzir as emissões de gases do efeito estufa, estudos mostraram que o farnesane reduz as emissões de partículas em 3%, diminuindo a poluição perto de aeroportos e principais áreas metropolitanas. O combustível, feito no Brasil a partir da cana, pode ser até 30% mais eficiente no uso da terra em relação a outros combustíveis renováveis e pode ser até 70% mais eficiente.

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Biotecnologia - Falta pesquisador na área de medicamentos

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Pesquisa em medicamentos também precisa de mão de obra qualificada

Enquanto no exterior algumas empresas já fazem roupas com tecido produzido por bactérias, no Brasil a indústria nacional engatinha na produção de medicamentos biotecnológicos e as multinacionais químicas e farmacêuticas sequer consolidaram projetos em torno da novidade.

O problema não é de fontes de financiamento, mas de falta de projetos e carência de mão de obra especializada para desenvolver as pesquisas. As empresas brasileiras de biotecnologia começaram a se movimentar há cerca de dois anos, incentivadas pela estratégia do governo de reduzir o impacto da importação de medicamentos na balança comercial, que passou de US$ 5 bilhões, em 2005, para US$ 11 bilhões, em 2013. Os remédios biotecnológicos representam 5% das compras, mas consumiram 43% da verba do Ministério da Saúde com medicamentos em 2012.

"O Brasil tem uma das legislações mais modernas do mundo do ponto de vista dos pacientes. O governo fornece mais de cem medicamentos de graça para a população que a maioria dos países não dá. Mas da ótica da detenção de tecnologia e produção, o gap é muito grande. O mundo descobriu a biotecnologia nos anos 80 e até os anos 2000 o Brasil não fez nada", diz Leda Castilho, coordenadora do Laboratório de Engenharia de Cultivo Celulares da Coppe/UFRJ.

"Existe muito discurso, mas na prática o Brasil ainda está muito atrás em biotecnologia. Não se produz nada em biotecnologia sem material humano, que é extremamente escasso no país. Mesmo doutores em 'biotec' precisam ser qualificados para trabalhar na indústria porque as faculdades só formam professores", afirma Ogari Pacheco, presidente do laboratório Cristália.

O Cristália trabalha com biotecnologia há 15 anos. Um dos projetos que desenvolve, no complexo industrial do laboratório em Itapira (SP), é a Colagenase, que já é comercializada, atende 50% do consumo do mercado interno e está pronta para ser exportada. Vendido em forma de pomada, o produto remove tecido necrosado (morto). Outros quatro projetos passam por estudo clínicos - avaliação em pessoas depois de já aprovado em testes com animais.

O hormônio do crescimento entrou na fase 1 e o Interferon Alfa começa a ser avaliado também na fase 1 até o fim do ano. Os outros dois estudos são de anticorpos monoclonais - produzidos por um único clone de um linfócito B injetado no sistema imunológico para identificar e neutralizar corpos estranhos como bactérias, vírus ou células tumorais. Os mabs são considerados a fronteira do conhecimento humano em terapêutica. O Trastusumab (indicado em diferentes tipos de câncer) está na fase 1 dos estudos clínicos. Já o Etanercept, indicado para artrite reumatoide, começa a fase 1 até o fim do ano. As três plantas industriais de Itapira tiveram investimento de R$ 120 milhões. Sessenta pessoas, 27 delas pesquisadores, trabalham nas unidades.

O laboratório público Hemobrás e o laboratório Baxter Internacional firmaram uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) que prevê a transferência de tecnologia voltada para a produção do Fator VIII Recombinante. Trata-se de um medicamento elaborado por meio de engenharia genética e destinado a portadores de hemofilia tipo A. Apenas três empresas no mundo produzem o remédio. O contrato inclui a importação e distribuição do medicamento para os pacientes do SUS.


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Biotecnologia - Bactérias ajudam a despoluir o solo e a tratar esgoto

Aperto das normas ambientais aqueceu a oferta de soluções

No Estado de São Paulo, há mais de 4,5 mil áreas contaminadas por produtos tóxicos, com aumento de 10% entre 2012 e 2013, de acordo com dados da Cetesb, agência ambiental paulista. Em três de cada quatro pontos cadastrados na lista, a poluição do solo é causada por postos de combustíveis. O aperto das normas ambientais contra o principal vilão aqueceu nos últimos anos a oferta de soluções para sanar o problema acumulado por décadas, abrindo janela para o mercado de produtos biotecnológicos que intensificam processos já existentes na natureza com objetivo de degradar derivados do petróleo de forma mais rápida e eficiente.

Entre as alternativas está o uso de microrganismos que "comem" hidrocarbonetos e são cultivados em condições controladas para uso no tratamento de solos. Conhecido como "biorremediação", o método baseado nas "bactérias do bem" é aplicado há mais de 20 anos no mundo e hoje se expande no país devido ao crescimento do mercado de combustíveis e à necessidade de reduzir custos com o depósito em aterros especiais para resíduos perigosos. Com a Resolução Conama 273/2000, que obriga os postos de combustível a construir tanques subterrâneos mais seguros contra vazamentos, é maior a retirada de solos para aplicação da tecnologia.

"O desafio é criar condições adequadas de umidade, temperatura e nutrientes para as bactérias agirem a favor, degradando o óleo, assim como costumam fazer com os demais componentes orgânicos do solo", diz Antonio Januzzi, superintendente de tecnologia da Estre, empresa de limpeza urbana e tratamento de resíduos, com capacidade de processar 450 mil toneladas de solo nas unidades de Paulínia (SP) e Curitiba (PR), a partir de processo biotecnológico alemão. "Além dos postos de gasolina, há demanda por descontaminação em refinarias e empresas de óleo e gás", diz Januzzi, ao lembrar que outras soluções, como a queima em fornos de cimento, nem sempre é viável devido ao poder calorífico inadequado.

Há tecnologias que limpam o solo no próprio local, sem necessidade de removê-lo e de levar para galpões. É o caso de veículos que funcionam como máquinas de lavar terra. Neles o material recebe descontaminantes naturais à base de terpeno, subproduto do processamento do suco de laranja, e ao final do processo o óleo é separado para nova utilização. "A lógica é imitar no controle da poluição o papel de assepsia desempenhado pelo terpeno na natureza", explica Marcelo Ebert, diretor da TerpenOil, empresa que inicialmente absorveu o know-how, 100% nacional, para retirar graxas de peças de fogões e geladeiras na fábrica da Whirlpool. A demanda cresceu e recentemente a empresa se associou ao Banco Santander para formar a Ambievo, negócio com foco em áreas contaminadas, com previsão de faturar R$ 100 milhões até 2016. "O mercado é muito promissor, porque o passivo de solo contaminado é estimado em 53 milhões de toneladas no país", analisa o empresário.

O produto de origem vegetal e renovável é utilizado para descontaminação do ar em edificações, principalmente as que recebem selo de construção sustentável. A fórmula é empregada ainda para inativar odores do tratamento de esgoto doméstico, como ocorre em Rio Claro (SP). Durante a Copa do Mundo, a Inova - concessionária de limpeza urbana em São Paulo - aplicou a solução para acabar com o mau cheiro do lixo produzido pelos torcedores que se concentraram no bairro paulistano da Vila Madalena.

"Não existe alternativa única para a questão dos resíduos e o Brasil está longe do ideal", afirma Diógenes Del Bel, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos (Abetre). "Os avanços são tímidos porque as leis não são cumpridas e falta fiscalização, o que dá margem ao descarte clandestino."

Além de reduzir a poluição, métodos biológicos geram oportunidades de negócio, como é o caso da empresa Bioland, de Piracicaba (SP), que transforma resíduos orgânicos de indústrias alimentícias e de produtos de higiene e cosméticos em fertilizantes para a agricultura. Desenvolvida nos EUA, a tecnologia é baseada na melhor dosagem de ar, nutrientes e água para os microrganismos trabalharem sem restrições na decomposição do resíduo. "O mercado é atraente, ainda mais diante da necessidade de se recuperar e enriquecer solos hoje degradados no país", avalia Kátia Beltrame, diretora da empresa, com capacidade de processar 3 mil toneladas mensais de lodo industrial para fazer adubo orgânico.

O método de tratamento de esgoto pela ação de bactérias, conhecido como "lodo ativado", é antigo. Em 2014, completou cem anos. Foi desenvolvido na Inglaterra, em resposta ao avanço da urbanização e hoje é comum em todo o mundo. No entanto, a atual oferta de soluções biotecnológicas importadas que prometem maior eficiência é vista com reserva por empresas de saneamento, como a Sabesp, em São Paulo. "A viabilidade econômica não está comprovada", ressalta o superintendente de inovação, Américo Sampaio.

Para ele, produtos à base de enzimas e bactérias precisam de estudo criterioso para evitar o risco de desequilíbrio ecológico quando disseminados no ambiente. "Pozinhos à base de microorganismos vendidos no mercado como solução mágica são inadequados para uso em larga escala, mas podem ajudar em atividades pontuais, como tratamento de efluente industrial."

Recentemente, para despoluir e reduzir os odores do rio Pinheiros, em São Paulo, a Cetesb realizou teste-piloto com produtos de empresas interessadas na futura obra. Dos 24 fornecedores que participaram da avaliação, três apresentaram soluções de biotecnologia. O estudo concluiu que todas as opções, em maior ou menor escala, promoveram melhorias na qualidade da água, provando que é possível mudar a realidade do rio. A redução dos contaminantes não atingiu o padrão Classe 4 do Conama, necessário para que o rio possa ser utilizado para navegação e harmonia paisagística.

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A próxima proeza da internet

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Será que todo mundo está sendo beneficiado pela nova economia? Apenas uns poucos felizardos, principalmente os que associam pensamento inovador a perspicácia financeira.

Dez anos atrás o mundo se recuperou do estouro das pontocom e começou a encarar com mais moderação o potencial da internet. Embora a ganância especulativa e o medo de perder oportunidades possam ter ressaltado exageradamente a perspectiva de curto prazo, as imensas perspectivas de mais longo prazo da internet nunca foram postas em dúvida. Eu, e outros economistas otimistas, pressupus que a informação e a comunicação livres anunciariam uma era de crescimento acelerado da produtividade e de mais bem-estar - em maior ou menor grau - para todos, independentemente de suas qualificações, patrimônio ou histórico social. Será que estávamos certos?

Sob muitos aspectos, a revolução da tecnologia da informação e da comunicação (ICT, nas iniciais em inglês) proporcionou mais do que o prometido - e, muitas vezes, de forma imprevisível. Para muitos, o verdadeiro milagre da era digital é a criação de um universo paralelo. Qualquer pessoa munida de um laptop e de uma conexão à internet pode fofocar com (ou sobre) amigos virtuais; testemunhar acontecimentos extraordinários que podem ou não ter acontecido; ou jogar jogos num universo simulado de complexidade incomparável.

A internet criou uma paisagem onírica acessível a todos e passível de nos inspirar a alcançar alturas ainda maiores da imaginação. Na verdade, os que fazem pouco do valor que isso tem deveriam se lembrar que, desde que Homero cantou ao pé da lareira sobre a cólera de Aquiles, os sonhos têm sido nossa maior fonte de prazer e inspiração.

Mas os benefícios da internet não são colhidos apenas pelos que trabalham ou jogam on-line. Todo mundo obteve ganhos em algum grau. Basta ir a uma superloja da WalMart, Costco, Tesco ou Lidl e comparar o preço, a qualidade e a variedade dos produtos atuais com os de uma geração ou dias atrás. Essa drástica mudança para melhor reflete, em grande medida, o rápido desenvolvimento das cadeias de suprimento mundiais, com o monitoramento em tempo real das preferências do cliente possibilitando a fabricantes instalados no outro lado do mundo saber, no mesmo instante, o que, quando e quanto produzir.

Há muito mais por vir. As empresas estão usando a internet para "conceber coletivamente" novas ideias e até para permitir que os clientes sejam os co-criadores de seus próprios produtos. Novas plataformas de internet permitem que pessoas comuns - sem dinheiro ou qualificações especiais - compartilhem seus automóveis, dormitórios vazios ou até ferramentas de lazer utilitário, desafiando, assim, a hegemonia das corporações mundiais. A "Internet das Coisas" está conectando simples aparelhos domésticos - como um termostato - à internet, o que contribui para os proprietários economizarem dinheiro e até reduzirem suas emissões de carbono.

Ainda assim, é preciso perguntar: será que todo mundo está mesmo sendo beneficiado pela nova economia? Apenas uns poucos felizardos, principalmente os que associam pensamento inovador a perspicácia financeira, colheram os lucros monetários da revolução da ICT, tornando-se suas figuras emblemáticas nesse processo.

Em níveis mais baixos da escala econômica, a maioria das pessoas, embora goze de acesso fácil à tecnologia e a baixos preços, perdeu terreno, já que o salário real cai há muitos anos. Não é uma queda temporária: a mão de obra das economias ocidentais avançadas não consegue mais obter um grande prêmio salarial, e a situação dos trabalhadores pode se agravar ainda mais.

Além disso, diretores e funcionários de colarinho branco - os cérebros que mantêm a intrincada máquina corporativa mundial em movimento, e no passado a espinha dorsal da classe média - não são mais tão procurados. Muitas de suas qualificações, que por muito tempo sustentaram seu status, carreira e ganha-pão, estão se tornando supérfluas.

Atualmente, para a família de classe média comum, um infortúnio que requer atendimento médico pode se tornar uma catástrofe financeira. Ter uma casa própria envolve uma vida de endividamento. Oferecer uma boa educação aos filhos exige luta e sacrifício. Os pressupostos que definiram as famílias de classe média - e muitas famílias da classe operária por pelo menos duas gerações - estão se esfacelando aos nossos olhos.

Quem fala por elas? A maioria das famílias deverá colher benefícios da continuidade da revolução da ICT. Mas famílias de classe média e da classe operária se beneficiariam mais se os produtos e serviços hiperbaratos, se a informação gratuita e as experiências de lazer virtual aumentarem, em vez de corroerem, suas habilidades comercializáveis. O político que conseguir imaginar como conduzir a revolução em conformidade com isso pode vir a jamais perder outra eleição.

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Serviço ganha peso na indústria sem agregar valor, aponta estudo

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Estudo de Jorge Arbache, da Universidade de Brasília, feito a pedido a CNI conclui que a baixa produtividade e o alto custo do setor de serviços afetam a competitividade industrial

O setor de serviços vem ganhando peso crescente na produção de bens manufaturados. Em 2000, o consumo intermediário de serviços equivalia a 55% do valor adicionado da indústria. Onze anos depois, em 2011, a soma de custos financeiros, energia, água, propaganda, royalties, manutenção e outros já representava, em média, 65% da parte que cabia à indústria na produção de um automóvel, um sapato, uma calça jeans ou uma tonelada de aço. Essa participação se assemelha a dos países ricos. Nas estatísticas mundiais mais recentes, de 2005, o peso dos serviços no valor adicionado da indústria era de 68% nos Estados Unidos e de 90% na França.

No caso do Brasil, contudo, essa alta participação é uma notícia ruim, porque os serviços mais consumidos não são aqueles que agregam valor ao bem industrial, defende o professor da Universidade de Brasília (UnB), Jorge Arbache. Ele concluiu um estudo a pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que destrincha as relações entre serviços e indústria. O estudo, que será apresentado amanhã em seminário na sede da entidade, conclui que a baixa produtividade e o alto custo do setor de serviços afetam a competitividade industrial.

Arbache fez um detalhado cruzamento de dados entre a Pesquisa Anual de Serviços (PAS) e a Pesquisa Industrial Anila (PIA), ambas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "Essa alta participação dos serviços no valor adicionado da indústria decorre de uma mudança nos preços relativos. Ao longo dos anos, o preço dos serviços subiu muito acima dos demais preços na economia", diz Arbache. Nos últimos dez anos, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 71%, o grupo de serviços dentro do indicador subiu 98%, segundo série do Banco Central.

"Ao contrário do que ocorre nos países ricos, e que tem sido parte da nova dinâmica da produção industrial, no Brasil o setor de serviços pouco contribui para elevar a competitividade da indústria", diz Arbache. Entre os serviços mais consumidos pelo setor estão os financeiros (25,9% do total), os industriais e de manutenção (19,3%) e os transportes (15,9%). Esses serviços, na maioria, diz Arbache, aumentam o custo, mas não agregam valor ao produto. Juntos, royalties e assistência técnica e despesas de propaganda, que contribuem para diferenciar um produto e dar valor a ele, representam apenas 17,5% do total, pondera Arbache.

Essa situação vem mudando ao longo dos anos, mas o consumo da indústria ainda é muito dependente dos serviços que não acrescentam valor ao seu produto. O peso das despesas financeiras, por exemplo, era de 41% na média dos anos de 1996 a 1998, e passou para 27,8% na média de 2009 a 2011, queda de 32%. O peso de royalties e assistência técnica (que envolvem marca), passou de 2,3% para 9% na mesma comparação, alta de 292%.

O professor da UnB pondera que o setor de serviços é muito heterogêneo e, provavelmente, o mais diverso da economia brasileira. Ele reúne desde tecnologia da informação até serviços de limpeza. Na média, em 2011, o salário pago a um profissional do setor era de R$ 1.368, mas esse funcionário gerava, para a empresa, um valor adicionado de R$ 4.326.

Apesar da situação de baixa produtividade e custo elevado, o professor da UnB não considera correto dizer que a indústria está em dificuldades, porque o segmento de serviços é seu vilão. "É quase um abraço de afogados", diz ele. Sobre o setor incide uma pesada carga tributária - de acordo com dados da Confederação Nacional de Serviços (CNS) citados por Arbache, o setor de serviços privados não financeiros recolheu 24% do seu Produto Interno Bruto (PIB) na forma de impostos e contribuições - e os salários, nos últimos anos foram diretamente afetados pela política de aumento real do salário mínimo.

No estudo, Arbache não atribui todo aumento do peso dos serviços no valor adicionado da indústria ao setor. A indústria, diz, também reduziu o valor que ela gera na produção ao usar uma parcela crescente de insumos importados. Assim, o custo dos serviços subiu e ele passou a pesar mais sobre um valor gerado menor, explica.

O professor da UnB também fez a conta do peso dos serviços no valor bruto da produção: 17,6%. Arbache, porém, prefere olhar para a conta do valor adicionado, porque ela elimina a dupla contagem e mostra dentro de uma etapa da produção - como a montagem de um veículo, por exemplo - qual o peso dos serviços no valor adicionado pela montadora ao juntar pneus, bancos, aço e transformar tudo isso em um automóvel.

Olhando para a diversidade do setor de serviços, Arbache observa que é muito difícil desenhar uma política de apoio ao setor. Ao mesmo tempo, para romper com a armadilha do baixo crescimento e ganhar espaço nas cadeias globais de produção, é fundamental que o país aposte em serviços que agreguem valor e diferenciem produtos. O Brasil já está atrasado nessa "disputa", diz Arbache, que acrescenta uma preocupação: nas negociações mundiais de livre comércio, Estados Unidos e União Europeia já estão focando seus esforços em garantir que serviços (isolados ou embutidos nos bens industriais) possam circular sem tarifas.

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Recursos para a ciência precisam de transparência, diz presidente da SBPC

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Para a bióloga molecular Helena Nader, 66, presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) desde 2011, a falta de investimento em ciência ainda é um dos grande entraves ao desenvolvimento da área.

Segundo ela, falta transparência sobre as origens dos recursos que deverão financiar programas recém-lançados pelo governo, como as Plataformas do Conhecimento e a segunda fase do Ciência sem Fronteiras.

Em entrevista concedida em seu laboratório na Unifesp, Nader faz um balanço sobre a 66º Reunião da SBPC, que terminou no domingo (27) em Rio Branco (AC), e comenta o papel da entidade.

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