TALENTOS
79 views | +0 today
Your new post is loading...
Your new post is loading...
Scooped by Ihering Guedes Alcoforado
Scoop.it!

TRANSIÇÃO TECNOLÓGICA SUSTENTÁVEL DO AGRO BUSINESS (Soja): A Contribuição do Investimento Responsável e Sustentável  (SRI) ! Carol  Crissan

TRANSIÇÃO TECNOLÓGICA SUSTENTÁVEL DO AGRO BUSINESS (Soja): A Contribuição do Investimento Responsável e Sustentável  (SRI) ! Carol  Crissan | TALENTOS | Scoop.it
Posicionada na perspectiva da Modernização Ecológica trato da contribuição dos Investimento Sustentável e Responsável (Sustainable and Responsible Investments - SRI)., enquanto um instrumento de política pública não governamental, na transição do complexo tecnológico tecnológico da soja no Brasil do paradigma produtivista (agricultura industrial) para o paradigma pós-produtivista (agricultura orgânica)
Ihering Guedes Alcoforado's insight:
O trabalho alinha-se com a nova concepção de política (policy) que explora as possibilidades das políticas públicas não governamentais, configuradas no âmbito das convenções privadas. O instrumento evidenciado no trabalho é   a contribuição do setor financeiro a minimização do impacto ambiental das atividades produtivas em geral e, do agronegócio em particular.
more...
No comment yet.
Scooped by Ihering Guedes Alcoforado
Scoop.it!

Cidade e Meio Ambiente: A Contribuição da Reciclagem ! Mateus Gavazza 

Cidade e Meio Ambiente: A Contribuição da Reciclagem ! Mateus Gavazza  | TALENTOS | Scoop.it
MacroPaper de Econmia Urbana
Ihering Guedes Alcoforado's insight:
MacroPaper de Econmia Urbana
more...
No comment yet.
Scooped by Ihering Guedes Alcoforado
Scoop.it!

SALVADOR: Cidade Portuária vs. Cluster Portuário ! Arnon Júnior

SALVADOR: Cidade Portuária vs. Cluster Portuário ! Arnon Júnior | TALENTOS | Scoop.it
MacroPaper de Economia Urbana
Ihering Guedes Alcoforado's insight:
MacroPaper de Economia Urbana
more...
No comment yet.
Scooped by Ihering Guedes Alcoforado
Scoop.it!

EFICIÊNCIA ENERGÉTICA URBANA: A Contribuição da Ana lise Sociotécnica ! Alice Sales

EFICIÊNCIA ENERGÉTICA URBANA: A Contribuição da Ana lise Sociotécnica ! Alice Sales | TALENTOS | Scoop.it
MacroPaper de Economia  Urbana
Ihering Guedes Alcoforado's insight:
MacroPaper de Economia Urbana
more...
No comment yet.
Scooped by Ihering Guedes Alcoforado
Scoop.it!

SHOPPING CENTER: Um Approach da Teoria da Localização ! Natalie de Oliveira

SHOPPING CENTER: Um Approach da Teoria da Localização ! Natalie de Oliveira | TALENTOS | Scoop.it
Proposta do MacroPaper de Economia UrbanaProposta do MacroPaper de Economia Urbana
Ihering Guedes Alcoforado's insight:
Share your insight
more...
No comment yet.
Scooped by Ihering Guedes Alcoforado
Scoop.it!

LULOPETISMO: Da Esperança ao Escárnio

LULOPETISMO: Da Esperança ao Escárnio | TALENTOS | Scoop.it

Cármen Lúcia, ministra do STF, em discurso sobre a prisão do líder do governo comparou a Lava-Jato com o mensalão.

more...
No comment yet.
Scooped by Ihering Guedes Alcoforado
Scoop.it!

The International Association for Feminist Economics (IAFFE)

The International Association for Feminist Economics (IAFFE) | TALENTOS | Scoop.it

The International Association for Feminist Economics (IAFFE) was created to foster a 
community of economists and non-economists, of academics, practitioners, and activists 
from across the world who are interested in feminist viewpoints on questions of 
economic analysis, policy, and practice

Ihering Guedes Alcoforado's insight:

What is IAFFE?
. Our goals are wide-ranging and include:
creating collaborations to develop a feminist analysis of economic issues; educating   economists, policy makers, and the general public on feminist points of view on   economic matters; providing aid in expanding opportunities for women, and especially   women from underrepresented groups within economics; and encouraging inclusion of
feminist perspectives in the economics classroom. IAFFE was incorporated in 1992. Its   journal, Feminist Economics, began accepting submissions in 1994. From the outset, in  its vision and membership, IAFFE has sought to be inclusive and open.



Why join IAFFE?


Joining IAFFE will connect you with a vibrant and supportive community of feminist   scholars and activists. IAFFE hosts an annual conference that is truly international, with  plenaries and research presentations from members from around the world. The   conference venue rotates across the globe to ensure that members from different places   in the world have the opportunity to attend. Membership includes a subscription to the
journal Feminist Economics, which is dedicated to providing a space for a variety of  theoretical perspectives and cutting edge research on contemporary issues. In addition,   membership provides a newsletter, access to the IAFFE listserv, and an active web site 
that fosters communication and collaboration among members.


What can you contribute to IAFFE?


IAFFE is a member-run organization. Members may be called upon to review articles for  the journal, organize sessions for the annual conference, serve on ad hoc committees,  and run for the IAFFE Board of Directors.
IAFFE is committed to being truly international and truly diverse, open to the ideas,   experiences, and approaches of feminist scholars and activists within and without  economics, around the world. IAFFE aims to promote interaction among researchers,   activists, and policy-makers, with a goal of better analytical frameworks, better policy,  better scholarship, and better activism. These are important, ambitious, and difficult
goals. IAFFE will succeed to the extent that it maintains an active, international, and  diverse membership dedicated to furthering its goals.
If you share these goals, IAFFE is an organization in which you can make a difference.


How to Join


You may join online at: http://www.iaffe.org/members/join.php or download a
membership form and mail it to the main office. IAFFE membership rates are based on a sliding scale.


IAFFE Main Office:
International Association for Feminist Economics
University of Nebraska-Lincoln
Department of Agricultural Economics
208A Filley Hall, East Campus
Lincoln, NE 68583-0922
Web page: http://www.iaffe.org

more...
No comment yet.
Scooped by Ihering Guedes Alcoforado
Scoop.it!

RONALD COASE & A (DES)CONSTRUÇÃO DA TEORIA ECONÔMICA: Um Approach Antropofágico by Ihering Guedes Alforado

RONALD COASE & A (DES)CONSTRUÇÃO DA TEORIA ECONÔMICA:   Um Approach Antropofágico by                                                                 Ihering Guedes Alforado | TALENTOS | Scoop.it
Ihering Guedes Alcoforado's insight:

RONALD COASE & A (DES)CONSTRUÇÃO DA TEORIA ECONÔMICA

Um Approach Antropofágico

 

                                                                Ihering Guedes Alforado

 

Por motivo do seu passamento, a  obra de Coase tem sido amplamente revisitada, e a marca da  avalanche de textos, revisitando sua obra,  apenas começou.  E uma característica recorrente  é o fato de ressaltarem o resultado do seu esforço, ou seja,  seus textos clássicos e a fertilidade e influência dos seus insights na gestão empresarial e na política governamental. Mas,  nada sobre a forma como ele  conseguiu gerar seus insights,  fundamentar seus argumentos, enfim, implementar seu programa, que segundo ele , era  fazer com que os economistas passassem a ter uma nova relação com seu objeto.  

Neste sentido, gostaria de sublinhar que, em todos os seus artigos seminais,  desde a Natureza da Firma, passando pelo Problema dos Custos Sociais, chegando a Os  Faróis na  Economia  temos não apenas textos que devem  ser revisitado por todos aqueles  comprometidos com a construção de mercados e governos mais eficientes, mas também exercícios de filosofia econômica impar, marcada por uma orientação desconstrutivista/construtivista dos conceitos que ancoram boa parte da Teoria microeconômica,  a exemplo do conceitos de firma, de externalidade e de bem público, dos três artigos referidos acima,  devem ser revisitados também  por todos aqueles comprometidos com a evolução criativa da Teoria econômica, tendo em vista adequá-las ao tempo presente, sempre mutante.

 

 Em todos estes artigos,  o ponto de partida de Coase foi a desconstrução seguida da  imediata reconstrução de um conceito central na estrutura do pensamento microeconômico, alimentando-se da tradição para inovar.    O proceder metodológico de Coase,  sempre foi orientado pela   flexibilização de   uma premissa, de  um pressuposto de uma abordagem tradicional,  e, mantendo-se no marco da tradição,  extrair as implicações do ponto de vista teórico e prático.  Resultado: abordagens criativas, inovadoras, mas plenamente agasalhável no marco tradicional neoclássico.

Em A Natureza da firma (1937) temos a desconstrução da firma marginalista marshalliana, e  a construção dos fundamentos   da firma  orgânica;   em o Problema dos Custos Sociais, o que é desconstruindo é o conceito pigouviano de externalidade, enquanto que em Os faróis na Economia o conceito descontruindo é o de bem público, tal como difundido então por Paul Samuelson.  Com este trio de artigos Ronald Coase não só lançou as bases  de uma plataforma para uma nova compreensão da economia necessária a fundamentação da criação de novos mercados e de novas formas de atuação do governo , mas principalmente uma nova forma de relacionamento com a tradição, a qual a falta melhor nome, nomeio de antropofágica.

 

Enfim, é  esta orientação metodológica antropofágica que lhe permite uma  apropriação criativa da tradição econômica que   chamo de MÉTODO COSEANO , criado e aplicado por ele durante toda sua vida já que teve sua estreia em 1937 com a Natureza da Firma,  que propomos resgatar no momento do passamento,   uma  singela homenagem ao meu 

more...
No comment yet.
Scooped by Ihering Guedes Alcoforado
Scoop.it!

9 QUESTÕES PARA 9 BILHÕES by Marcos Fava

9 QUESTÕES PARA 9 BILHÕES by Marcos Fava | TALENTOS | Scoop.it
Ihering Guedes Alcoforado's insight:

AGRONEGÓCIO



A Universidade de Purdue, nos EUA, lançou pesquisa mundial, contando com a participação da USP, chamada de "nove questões para nove bilhões". O estímulo foi o nascimento do habitante de número sete bilhões, que representa um marco no desenvolvimento da humanidade. A população mundial deve atingir a marca de nove bilhões, e provavelmente se manter nesse patamar, por volta de 2050.

O agronegócio, e consequentemente a sociedade brasileira, tem se beneficiado desse crescimento do consumo mundial, pois pulamos de uma exportação de US$ 20 bilhões em 2000 para provavelmente mais de US$ 100 bilhões em 2013, com claras possibilidades de se atingir US$ 200 bilhões em 2020. A safra de grãos chega a 184 milhões de toneladas e a renda da agricultura e pecuária chega a R$ 450 bilhões em 2013, um recorde de geração e distribuição de renda.

Vivemos a era do consumo mundial de alimentos, puxado pelos fatores de principal impacto, que são o crescimento populacional, urbanização, desenvolvimento econômico, distribuição de renda, programas governamentais de acesso a alimentos, como os recém implementados na China e na Índia, o uso de terra para biocombustíveis e bioprodutos e para geração de eletricidade.

A questão logística, que causará um prejuízo de US$ 4 bilhões aos produtores em 2013, é só um dos problemas

Estima-se que a economia global crescerá 3,3% ao ano até 2022, puxada pelo mundo emergente, com média de 5,6% ao ano, com destaque para a China, 7,8%, e a Índia com 7,5%. Os emergentes se tornarão os grandes compradores dos nossos alimentos, pois em 2020 serão 82% da população consumidora (China e Índia serão quase 40%). África e Oriente Médio responderão por 50% do aumento da importação global de carnes e outros alimentos e a China deve importar 25 milhões de toneladas de milho e 100 milhões de soja, sendo a maior parte do Brasil.

Graças a este consumo viveremos décadas de enorme pressão em cima dos recursos produtivos, que são a terra, a água, as pessoas (recursos humanos), a tecnologia, a informação, a conectividade, o crédito, os governos e instituições, a capacidade de armazenagem, de transporte e, finalmente, a capacidade de gestão.

As sociedades que tiverem estes recursos, que é o caso do Brasil, com amplo estoque de solo, água e clima para colocar à disposição do consumo mundial, e souberem manejá-los melhor, estarão à frente na promoção de seu desenvolvimento econômico, social e ambiental, puxado pelas exportações de alimentos.

O Brasil passa por grande crescimento nos custos de produção, devido ao manejo insuficiente de alguns dos recursos citados acima. O problema logístico, que causará um prejuízo de US$ 4 bilhões aos produtores em 2013, é apenas um exemplo que preocupa não apenas a nós, mas ao mundo consumidor.

É fundamental que seja feita uma avaliação das principais preocupações que os sistemas de produção agrícola devem enfrentar no mundo, identificando nove dos maiores desafios que a agricultura e a indústria de alimentos enfrentam ou enfrentarão, avaliar sua situação e como o conhecimento está se desenvolvendo para guiar futuras pesquisas e estruturar discussões relacionadas a como alimentar, vestir e movimentar o mundo de maneira sustentável.

Vamos às nove questões:

1- O crescimento econômico e aumento de renda vão permitir uma adequada distribuição de recursos, suficientes para comprar alimentos adicionais e melhorar sua ingestão nutricional?

2- Quais serão as características demográficas de saúde e exigências nutricionais da futura população?

3- Os recursos estarão disponíveis para suprir o esperado aumento de demanda por produtos agrícolas relacionados a alimentos, rações, combustíveis, fibras, plásticos, eletricidade, entre outros?

4- As políticas dos governos irão impedir ou impulsionar a produção e produtividade agrícola?

5- Qual será o aumento de produtividade e capacidade de produção agrícola mundial que as tecnologias e inovações proporcionarão?

6- Como estão os solos, recursos hídricos, para suprir alimentos de maneira sustentável sendo social e ambientalmente responsável e economicamente viável?

7- Como os transportes e logística e as políticas internacionais serão adequados e dispostos para levar a produção ao consumo?

8- Como as mudanças climáticas, incluindo o aquecimento global e maiores variações de pluviosidade e temperaturas, vão impactar na localização dessas produções agrícolas?

9- Quais serão as informações, conhecimentos, habilidades e competências necessárias para fazer frente ao aumento da demanda mundial?

Estas discussões e este grande crescimento das importações mundiais de alimentos abrem ao Brasil uma enorme oportunidade. Trata-se provavelmente do único setor ou negócio produzido no país que apresenta, após os nossos portos, chances tão claras de exportações, de venda de produtos e de colocar nossa sociedade no primeiro mundo.

Para aproveitar esta oportunidade o Brasil deve agir para melhorar o uso dos seus recursos, seja na remoção dos entraves logísticos, de armazenagem, tributários, trabalhistas, financeiros, ambientais, de governança, de pesquisa, de seguros, de segurança no campo, entre outros há muito tempo apontados.

Quanto mais cedo o Ministério da Agricultura, num país onde o agronegócio representa mais de 35% do PIB, receber do governo federal o devido holofote, sendo blindado, fortalecido e ocupado por técnicos qualificados, coordenando todos os esforços desta área de alimentos, bioenergia, mais cedo a sociedade brasileira conquistará esta renda do consumo mundial para ser aqui amplamente distribuída.

Precisa-se sair do Brasil para ver que a capacidade do agronegócio brasileiro de responder a essa demanda mundial é internacionalmente reconhecida. Falta o reconhecimento nacional, não apenas em palavras, mas em ações efetivas, em prioridade e capacidade de implementação de estratégias. É uma chance única que se abriu a nossa sociedade.

Marcos Fava Neves é professor titular da FEA/USP Ribeirão Preto e professor visitante da Purdue University (EUA) em 2013. (mfaneves@usp.br)

more...
No comment yet.
Rescooped by Ihering Guedes Alcoforado from ENSAIOS
Scoop.it!

Institutional Change and American Economic Growth by Lance E. Davis and Douglass C. North (with the assistance of Calla Smorodin (Review Essay by Cynthia Taft Morris)

Institutional Change and American Economic Growth by Lance E. Davis and Douglass C. North (with the assistance of Calla Smorodin (Review Essay by Cynthia Taft Morris) | TALENTOS | Scoop.it

Davis and North Launch Neoclassical Institutional Theory

more...
Ihering Guedes Alcoforado's curator insight, August 5, 2013 7:58 AM





This book is an early major step in the evolution of the thinking of Douglass North and his collaborators on the "new" neoclassical theory of institutional change -- the institutional arm of the new economic history that began to flourish in the 1960s. Among the many notable later steps are The Rise of the Western World (1973) with Robert Paul Thomas and "Constitutions and Commitment: The Evolution of Institutions Governing Public Choice" with Barry Weingast (1989) -- which ranks third in citations among articles ever published in the Journal of Economic History.

Lance Davis and Douglass North develop a theory of institutional change so familiar that it is easy to forget the theory was ever "new." They lay out a model where the core logic of institutional change is neoclassical cost-benefit analysis and the motivating drive for institutional change is profit maximization. The goal of the authors' "intellectual journey through American economic history [is] . . . to provide a description of the processes that have produced the present structure of economic institutions. That description, in turn, is the basis for a first (and very primitive) attempt at the formulation of a specified, relevant, and logical theory of the birth, growth, mutation, and, perhaps, death of these institutions. The book is a study of the sources of institutional change in American history. It is concerned with the relationship between economic organization and economic growth" (p. 4).

Chapter 1 presents the concepts and definitions (institutional and economic environments, institutional arrangement, institutional instruments, and institutional innovation). An institutional arrangement will be innovated if the expected net gains exceed the expected costs. Arrangements range from purely voluntary to totally government controlled and operated and seek to realize economies of scale, lowered transactions costs, internalization of external economies, reduction of risk, or redistribution of income (pp. 10-11).

Chapter 2 analyses the government's role in redistribution. The authors' purpose is to include the role of government in their theory of institutional change in spite of the unsatisfactory state of political theory. To exclude it would likely "yield a model of institutional change no more useful in the growth context than are the present models with their ceteris paribus assumptions about institutions" (pp.37-38). In their analysis, governments with effective coercive power will be the preferred vehicle for institutional innovations where governments are well developed but markets are not, where external benefits are large but property rights are dispersed, where benefits are substantial but indivisible, and where benefits are not increased and the goal is redistribution. The costs of using government to appropriate others' wealth and income depends on the numbers and heterogeneity of the persons organized, the feasibility of excluding outsiders from benefiting, the complexity of political coalitions, the rules of the political game, and the character of electoral suffrage.

Chapter 3 specifies the dynamics of the model in the context of American history. The authors seek to predict both the institutional "level" of change and the time lag from first perception of profit opportunity to institutional innovation: New institutional arrangements will be innovated where profit or income opportunities appear that require institutional changes or where cost reductions can be achieved with new business forms or political moves redistributing income. Among many influences changing the benefits and costs of institutional innovations are changes in market size, technical change, changes in income expectations, organizational changes in closely related activities, cost reductions associated with government-financed information or reductions in risk, and political changes altering voting or property rights. All these except political changes have parallels in neoclassical theories of technical change. However, "to do no more than assert a relationship between income changes and arrangemental innovation is hardly a significant step; . . . it is our intention to offer a theory that helps predict (or explain) the emergence of these new or mutated arrangements. In particular, the theory predicts the level (individual, voluntary cooperative, or governmental) of the new institutional arrangement and the length of time that passes between the recognition of the potential profit and the emergence of the new arrangement" (p. 39).

The core of chapter 3 divides the causes of varying lags between the perception of an innovation and its successful emergence into four steps: perception and organization, invention, menu selection, and start-up time. (i) The time lag between perceived profit and the organization of a "primary action group" depends on how much profits there are and their certainty. (ii) Where no suitable options are immediately available, time is required for invention. (iii) Where options are available, time is required to search out and select the most profitable ones. (iv) The start-up time for the innovation will vary with the "level" of institutional change, that is, according to whether it is an individual arrangement (shortest lag), a voluntary cooperative one (a longer lag because of more complex arrangements), or a governmental innovation (a still longer lag because political organization is required).

The final chapter of Part I on the theory deals with the exogenous institutional environment, and thus the initial conditions in Davis and North's model of institutional change. Chapter 4 sketches substantial historical changes in the institutional environment: the rules governing the extent and weighting of voting rights, the legal basis for private property, and "the expectational weights that the community chooses to apply to the future costs and revenues of particular arrangemental innovations -- weights that are the product of experience triggered by events exogenous to the model" (p.65). Important sources of change in these three aspects of economic life are (i) the Constitution and its interpretation by the courts, (ii) the common law, and (iii) "the external changes in the political and economic life of the nation that affect the people's attitudes toward government" (p. 65). A lively sketch of dramatic historical changes and fluctuations over 175 years in each of these categories follows.

Part II consists of six historical chapters in which Davis and North apply their model of institutional change to American economic history by telling vivid stories of changes in land policies, financial institutions, transportation, market structure in manufacturing, the organization of the service industry, and labor market changes affecting unions and education. These stories illustrate well the explanatory potential of their model by describing the history of business and labor responses to changing profit and income opportunities through the adoption of new institutions or adaptations of old ones. No attempt is made here to evaluate these stories since this reviewer has no specialized expertise in American economic history. Of necessity given space constraints, they are selective and reflect the specialties of the authors, as they themselves carefully state in the introduction to the book.

The great strength of the neoclassical theory of institutional change is that it yields an insightful and plausible "explanation" of a wide range of institutional changes over time in individual market economies where the private profit motive is strong and neoclassical-type market supply responses are already widespread. An enormous volume of literature has developed in response to the work of Douglass North and his colleagues. North himself has been an outstanding leader in the expansion of the scope of applications of neoclassical institutional theory.

The limitations of the theory are most evident in the study of cross-country differences in institutional responses to the challenges of opportunities for profit and higher incomes. The new economic theory of institutional change is a variant of historical challenge and response theories, all of which suffer from a similar problem. To quote Nathan Rosenberg's discussion of David Landes's Unbound Prometheus (1969), "the industrial world is full of 'challenges' and always has been. Why do some challenges in some places at certain times generate successful responses and at other times do not?" (1971, p. 498). Telling historical stories consistent ex post with theories of institutional change does not address the questions raised by many historical instances when profitable opportunities for institutional change did not bring forth historical responses that helped accelerate economic growth. Constrained by its focus on market opportunities and responses, the neoclassical institutional theory poorly accommodates institutional changes driven by nationalist, religious, or imperialist motives so intense as to sacrifice economic gain. Also, the theory accommodates poorly historical country-specific institutional developments that are the outcome of chance and strong path dependency such as are evident in historical patterns of private land acquisitions or foreign domination in some developing countries.

The limitations to the excellent work of North and his collaborators are noted here as a warning that no one theory handles well the diversity of comparative historical experience. Casual empiricism is the usual practice in delimiting the countries and periods to which each theory applies. Because of this, the entire literature on institutional change is particularly weak on the diverse consequences of similar economic, demographic, and technological changes in different institutional settings. We all need to delimit more effectively the domains to which familiar models apply (Morris and Adelman, 1988, p. 32).

References

David S. Landes. 1969. The Unbound Prometheus: Technological Change and Industrial Development in Western Europe from 1750 to the Present. Cambridge: Cambridge University Press.

Cynthia Taft Morris and Irma Adelman. 1988. Comparative Patterns of Economic Development, 1850-1914. Baltimore: Johns Hopkins University Press.

Douglass C. North and Robert Paul Thomas. 1973. The Rise of the Western World: A New Economic History. Cambridge: Cambridge University Press.

Douglass C. North and Barry Weingast. 1989. "Constitutions and Commitment: The Evolution of Institutions Governing Public Choice in Seventeenth-Century England," Journal of Economic History, 49 (December): 803-832.

Nathan Rosenberg. 1971. "Review of the Unbound Prometheus," Journal of Economic History, 31 (June): 497-500.

Cynthia Taft Morris is distinguished economist in residence, American University and Charles N. Clark Emeritus Professor of Economics, Smith College. She is past president of the Economic History Association.

Scooped by Ihering Guedes Alcoforado
Scoop.it!

CIDADE, ENERGIA E MEIO AMBIENTE: A Contribuição da Análise Sóciotécnica ! Alice Sales 

CIDADE, ENERGIA E MEIO AMBIENTE: A Contribuição da Análise Sóciotécnica ! Alice Sales  | TALENTOS | Scoop.it
MacroPaper de Economia Urbana de Alice
Ihering Guedes Alcoforado's insight:
MacroPaper de Economia Urbana de Alice Sales
more...
No comment yet.
Scooped by Ihering Guedes Alcoforado
Scoop.it!

LOGÍSTICA URBANA DE SALVADOR: A Contribuição da Economia Urbana ! Joelma Sampaio

LOGÍSTICA URBANA DE SALVADOR: A Contribuição da Economia Urbana ! Joelma Sampaio | TALENTOS | Scoop.it
MacroPaper de Economia Urbana
Ihering Guedes Alcoforado's insight:
MacroPaper de Economia Urbana
more...
No comment yet.
Scooped by Ihering Guedes Alcoforado
Scoop.it!

TRANSPORTE E QUALIDADE DE VIDA: A Contribuição da Mobilidade e da Acessibilidade ! Ruan Carlos

TRANSPORTE E QUALIDADE DE VIDA: A Contribuição da Mobilidade e da Acessibilidade ! Ruan Carlos | TALENTOS | Scoop.it
MacroPaper de Economia Urbana
more...
No comment yet.
Scooped by Ihering Guedes Alcoforado
Scoop.it!

OS FUNDAMENTOS ECONÔMICOS DA CIDADE SUSTENTÁVEL: A Contribuição da Economia Urbana ! Caroline Mattos

OS FUNDAMENTOS ECONÔMICOS DA CIDADE SUSTENTÁVEL: A Contribuição da Economia Urbana ! Caroline Mattos | TALENTOS | Scoop.it
MacroPaper de Caroline Mattos
Ihering Guedes Alcoforado's insight:
Share your insight
more...
No comment yet.
Scooped by Ihering Guedes Alcoforado
Scoop.it!

Blog do magno

Blog do magno | TALENTOS | Scoop.it
No  Jogo viciado de  André Singer  temos um exemplo emblemático da estratégia petista  de esquivar do  debate.  O objeto da matéria, em principio são  grampos cuja divulgação foram autorizados pelo Juiz Sérgio Moro.  No artigo o teor e a gravidade do revelado pelos grampos são colocado debaixo do tapete.  O autor não se posiciona sobre a prova gerada de crime de fraude da presidenta, ao nomear Lula com a finalidade de lhe assegurar um foro privilegiado. O problema deixa de ser o "mal feito" evidenciado e, passa a ser a forma como esse fato chegou ao público. A ameaça ao Estado de Direito não é a criminalização dos atos do presidente, mas a forma de fazer chegar esses fatos as pessoas interessadas. 
more...
No comment yet.
Rescooped by Ihering Guedes Alcoforado from Come Creare e Pubblicare un eBook
Scoop.it!

Bookby: il tool online di Youcanprint.it per creare gratis i tuoi eBook

Bookby: il tool online di Youcanprint.it per creare gratis i tuoi eBook | TALENTOS | Scoop.it

Via Fulvio Colasanto
more...
Fulvio Colasanto's curator insight, August 3, 2013 7:32 AM

Bookby è il nuovo servizio online gratuito del team di Youcanprint.it rivolto sia ai singoli autori, sia alle grandi redazioni, che permette in qualsiasi momento di editare (anche in modalità collaborativa), modificare ed esportare i propri libri digitali in maniera semplice ed intuitiva.


Grazie all'editor WYSIWYG presente sulla piattaforma, i layout e la formattazione creati per gli eBook, vengono mantenuti e convertiti in modo accurato nel formato digitale prescelto.


Il tool online consente l'esportazione degli eBook nei seguenti formati: pdf (pronto per la stampa), ePub e mobi per i dispositivi di lettura digitale come iPad, Kobo, Kindle, etc.

Con Bookby è possibile, inoltre, scrivere in modalità collettiva (collaborative writing) attraverso gli strumenti per l’editing simultaneo, la live chat e il sistema interno di messaggistica.


Prova subito il tool Bookby...

Per maggiori info sul servizio Bookby...

Scooped by Ihering Guedes Alcoforado
Scoop.it!

RONALD COASE & A (DES)CONSTRUÇÃO DA ECONOMIA AMBIENTA Um Novo Olhar Sobre os Sistemas Sócio-Ecológicos by Ihering Guedes Alcoforado

RONALD COASE & A (DES)CONSTRUÇÃO DA ECONOMIA AMBIENTA Um Novo Olhar Sobre os Sistemas Sócio-Ecológicos  by                                                            Ihering Guedes Alcoforado | TALENTOS | Scoop.it
Ihering Guedes Alcoforado's insight:

RONALD COASE & A (DES)CONSTRUÇÃO DA ECONOMIA AMBIENTAL

Um Novo Olhar Sobre os Sistemas Sócio-Ecológicos

                                                                Ihering Guedes Alforado

 

Por motivo do seu passamento, a  obra de Coase tem sido amplamente revisitada, e a marca da  avalanche de textos, revisitando sua obra,  apenas começou.  E uma característica recorrente  é o fato de ressaltarem o resultado do seu esforço, ou seja,  seus textos clássicos e a fertilidade e influência dos seus insights na gestão empresarial e na política governamental, mas pouca atenção tem sido dada a sua contribuição a renovação da Economia e da Politica Ambiental, em especial sobre  a forma como ele  conseguiu gerar seus insights,  fundamentar seus argumentos, enfim, implementar seu programa, que segundo ele , era  fazer com que os economistas em geral,  e em decorrência os economistas ambientais e ecológicos passassem a ter uma nova compreensão da relação com a teoria econômica e os sistemas sócio-ecologicos.

 

Neste sentido, gostaria de sublinhar que, em todos os seus artigos seminais,  desde a Natureza da Firma, passando pelo Problema dos Custos Sociais, chegando a Os  Faróis na  Economia  temos não apenas textos que devem  ser revisitado por todos aqueles  comprometidos com a construção de mercados e governos mais eficientes, em especial os dedicados a operar as  politicas ambientais.   Estes textos de Coase também devem ser considerados como  exercícios de filosofia econômica impar, marcada por uma orientação desconstrutivista/construtivista dos conceitos que ancoram boa parte da Economia ambiental e da Economia Ecológica no que se relaciona com a problemática  econômica envolvida na exploração dos sistemas sócio-ecológicos..    

 

Em função da sua problematização dos conceitos  de firma, de externalidade e de bem público, nos três artigos referidos acima,  esse trio de outro deve ser revisitado  por todos aqueles comprometidos com a evolução criativa da Teoria econômica, tendo em vista adequá-las a problemática ambiental do tempo presente, sempre mutante.      Em todos estes artigos,  o ponto de partida de Coase foi a desconstrução seguida da  imediata reconstrução de um conceito central na estrutura do pensamento microeconômico aplicado a questão ambiental, alimentando-se da tradição para inovar.     O proceder metodológico de Coase,  sempre foi orientado pela   flexibilização de   uma premissa, de  um pressuposto de uma abordagem tradicional,  e, mantendo-se no marco da tradição,  extraiu as implicações do ponto de vista teórico e prático.  Resultado: abordagens criativas, inovadoras, mas plenamente agasalhável, tanto  no marco tradicional neoclássico, como no marco de abordagens ditas heterodoxas.


Em A Natureza da firma (1937) temos a desconstrução da firma marginalista marshaliana, e  a construção dos fundamentos   da firma  orgânica, a partir do que abre todo um novo universos de possibilidade de governança ambiental.   Em  O  Problema dos Custos Sociais, o que é desconstruído é o conceito pigouviano de externalidade, criando as condições para se repensar os conflitos ambientais estabelecidos entre agentes econômicos e, entre o sistema produtivo e o meio ambiente, tendo  em vista a eficiência de todo o sistema.  Enquanto que em Os faróis na Economia o conceito descontruindo é o de bem público, tal como difundido então por Paul Samuelson, criando uma ampla janela de possibilidade de política ambientais baseadas no mercado.    Com este trio de artigos Ronald Coase  lançou as bases  de uma plataforma para uma nova compreensão da economia ambiental fundada na  criação de novos mercados, a exemplo do mercado de carbono e do mercado de direitos de captura,s ejam basedos nas espécies (ITQs) sejam baseados no territórios(TURFs), fundamentando novas  formas de atuação do governo no desenho da política e da regulamentação ambiental em geral e, dos recursos naturais renováveis em particular.


Enfim, é  esta orientação metodológica que   chamo de MÉTODO COSEANO , criado e aplicado por ele durante toda sua vida já que teve sua estreia em 1937 com a Natureza da Firma,  que propomos resgatar no momento do passamento,   uma  singela homenagem ao meu mestre. 

more...
No comment yet.
Scooped by Ihering Guedes Alcoforado
Scoop.it!

LONGA JORNADA JUNHO A DENTRO: Debate com Jairo Nicolau, Eugênio Bucci, Bruno Torturra e José Álvaro Moisés

LONGA JORNADA JUNHO A DENTRO: Debate com Jairo Nicolau, Eugênio Bucci, Bruno Torturra e José Álvaro Moisés | TALENTOS | Scoop.it


Protestos em São Paulo, Brasília, no Rio e capitais foram comentados por Jairo Nicolau, Eugênio Bucci, Bruno Torturra e José Álvaro Moisés 

Ihering Guedes Alcoforado's insight:




Dois meses depois que uma série de pequenas passeatas pela revogação do aumento das tarifas do transporte público em São Paulo e outras cidades se transformou em onda gigantesca de manifestações em todo o país, ainda é difícil imaginar como vai ser o impacto na política no Brasil daqui por diante. Mas um desejo irrefreável de maior participação na democracia e ampliação das possibilidades de comunicação emerge das análises expressas em mesa-redonda promovida pelo Valor entre os professores de ciência política José Álvaro Moisés (Universidade de São Paulo) e Jairo Nicolau (Universidade Federal do Rio de Janeiro), o professor de comunicação e jornalista Eugênio Bucci (USP) e Bruno Torturra, cofundador do coletivo Mídia Ninja (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação).

As variáveis ainda em jogo são inúmeras: a atuação da polícia, estopim que deu início à expansão dos protestos, diante da atuação violenta de grupos (como Black Bloc) que atacam símbolos do capitalismo; as novas formas de mídia, diante da imprensa dita tradicional, num embate de formas de atuação; a resposta dos partidos instituídos, diante de uma massa de cidadãos que começa a exigir um papel na decisão política. E a grande dúvida que ainda paira: o que ocorrerá em 2014, ano de Copa do Mundo e processo eleitoral?

Leia a seguir os principais trechos do debate, que ocorreu na tarde de sexta-feira, ao longo de 2h40, na sede do Valor, em São Paulo.

Valor: Em que medidas as manifestações mudam a maneira de fazer política no Brasil?

Eugênio Bucci: Eu queria dar uma ideia ao Zuenir Ventura: que escreva o livro: "Junho, o Mês que Não Acabou". Todo mundo fala das manifestações de junho, mas já é agosto e não acabaram.

Bruno Torturra: Estamos nos apressando em tentar tirar um saldo, mas a história mal começou. E também não começou em junho. O Brasil vem acumulando pequenas manifestações há alguns anos. Há uma tendência de ocupar ruas e tentar criar movimentos horizontalizados. Isso explodiu em junho. É inevitável que o jeito de fazer política seja transformado, mas não me arrisco a dizer como.

"O brasileiro se acostumou à vida instável, a se preocupar com o fim do mês. Exigir cidadania era um luxo", diz Torturra

Jairo Nicolau: Será que as manifestações não têm um componente que as diferencia do que veio depois? Minha impressão sobre junho está ligada ao volume de pessoas, sobretudo jovens, que não tinham vínculos com a política e foram para a rua. As manifestações podem continuar, podem acabar em outubro, ou não vão acabar nunca. Mas junho teve algo diferente, que não percebo nas manifestações que continuam, mesmo no Rio. Percebo uma diferença no perfil de quem se manifesta e o tipo de ação política das manifestações agora.

José Álvaro Moisés: Esses acontecimentos trouxeram uma variável que estava fora do debate: a cultura política. Os movimentos foram resultado da democracia e ao mesmo tempo reivindicação de mais democracia. Muitos participantes são jovens que nasceram na nova democracia, mas têm um mal-estar com a democracia; não com o regime, mas com o funcionamento das instituições. No desenvolvimento da democracia, escolhas institucionais foram feitas no Brasil sob a égide de concepções muito tradicionais. O modelo de representação vem dos anos 30. Da maneira como vem funcionando, levou ao esvaziamento dos partidos e do parlamento. A percepção disso pelos jovens está levando a uma forma nova de participar.

Nicolau: O movimento não é anticapitalista. Na agenda que apareceu, o que havia de mais antissistêmico era o movimento contra a mídia. Até pelos novos sistemas de comunicação, em que é possível furar a mídia. Cadê a Mídia Ninja dos partidos? A agenda que identifiquei nos cartazes é típica dos partidos social-democratas da década de 70. As pessoas querem justiça social, serviços públicos de qualidade, educação, saúde. Talvez o que furasse essa imagem fosse o tema dos direitos individuais. Mas não tem crítica à democracia, ao capitalismo, não tem frases contra a exploração.

Valor: Como os protestos se refletirão na política tradicional, por exemplo nas eleições de 2014?

"[O papa] disse uma palavra que o mundo político no Brasil não entende: diálogo. Como manifestação de rua, foi uma grande lição", afirma Bucci

Nicolau: Como as forças emergentes vão se comportar eleitoralmente é um enigma. Essa vitalidade não tem passagem na velha ordem. Como essas pessoas que entenderam a relação entre ir para a rua e a passagem de ônibus cair vão se comportar? O Congresso, o presidencialismo de coalizão, tudo vai ser avaliado. Podemos supor que esses jovens que estão pensando em política pela primeira vez não se comportarão homogeneamente e isso não vai ter efeito para ninguém. Mas será surpresa se a eleição do ano que vem gerar um Congresso parecido com o atual.

Torturra: Quem tomou posição mais clara tende a crescer, como a Rede, de Marina Silva. Porque ela se chama rede, vem de uma lógica horizontal, tem um discurso oriundo do ativismo, uma crítica ao funcionamento dos partidos, e está fazendo algo que tende a ganhar espaço: candidaturas autônomas.

Moisés: Mecanismos tradicionais de mediação entre interesses da sociedade e o núcleo decisório do sistema político estão entupidos. Nas minhas pesquisas de confiança nas instituições, desde meados dos anos 80 já tinha insatisfação com partidos e o Congresso, mas não nesse nível. As últimas pesquisas mostram que a desconfiança nos partidos ultrapassa 80%, e no Congresso bate em 79%. A pergunta sobre democracia chama atenção. 30% das pessoas acham que ela pode funcionar sem partidos. É um terço da cidadania. Há 30% também que acham que ela pode funcionar sem o Congresso. A novidade de junho é que pela primeira vez se fez na rua uma conexão entre o mau funcionamento das instituições e o mau funcionamento dos serviços públicos.

Nicolau: Um tema fundamental é a relação dos movimentos com a democracia representativa tradicional. Não é uma relação fácil. Como interpretar a invasão da Câmara Municipal do Rio? Nunca vi cenas assim. Gente pisoteando a mesa. Primeiro, tentaram entrar no Congresso em Brasília e na Câmara do Rio, que foi Câmara Federal até 1960. As duas casas que expressam historicamente o Legislativo do Brasil. Essa onda tem um componente decisivo, que estava adormecido na democracia brasileira: a participação. Mas me preocupa a relação ambígua de alguns segmentos com a democracia representativa. Ano que vem os movimentos vão ter de se posicionar em relação às eleições. Ficarei preocupado se começar uma onda a favor do voto nulo, por exemplo.

Moisés: Há uma imagem de que no Brasil o presidencialismo de coalizão funciona muito bem e garante a governabilidade. Esses acontecimentos levantaram uma dúvida sobre isso. A opinião pública está implicitamente rejeitando um sistema que faz alianças para todo lado.

Valor: Se as manifestações são em parte um rechaço ao presidencialismo de coalizão, como entender o que ocorreu na Espanha, nos EUA, na Turquia?

Bruno Torturra, de 34 anos, é cofundador da Mídia Ninja, coletivo de jornalistas que se propõe como alternativa ao "mainstream" ao transmitir protestos pelo Brasil

Moisés: Há um reflexo no tema da mediação entre instituições e sociedade. Um problema na qualidade da democracia. A diferença da democracia para outros regimes é o poder que ela dá aos cidadãos para participar e controlar. Não é que o presidencialismo de coalizão provocou a insatisfação, mas tem conexão com o sentimento de não se sentir representado.

Bucci: Há um denominador comum nesses países. O contingente que se manifestou vem do mundo da vida, não de setores organizados. São atores novos, que não passaram pela escola de teatro político. Há um descompasso entre o ritmo da vida, que trafega na velocidade da luz, e a linguagem da representação. A lógica pela qual construímos a institucionalização da vida política, a confecção de leis, impostos, licitação, ficou lenta demais. A política precisa se modernizar. O apelo é mundial.

Torturra: É preciso falar da fragilidade da sociedade em rede. Ela é ágil para ir à rua, mas sua atenção dura pouco. Ela é tão acelerada que sempre precisa pedir a próxima pauta. O plebiscito caiu, agora é o Amarildo [de Souza, pedreiro desaparecido no Rio depois de convocado para depor na UPP], daqui a duas semanas vai ser o quê? O metrô de São Paulo? Se a sociedade não se responsabilizar, o Estado não precisa ser reformado: é só esperar que a coisa esfrie. Isso reforça o pior sentimento: o cinismo. Dizer que não adianta, o mundo é assim.

Valor: Quando as manifestações começam com Movimento Passe Livre e terminam com Black Bloc, não há risco de desencadear uma reação conservadora?

Bucci: A dicotomia entre vândalos e pacíficos esconde nuanças. Grupos que explodem em violência contam com alguma cobertura. Quando não contam, há uma ruptura, a passeata esvazia. A Polícia Militar em São Paulo deu uma grande contribuição ao crescimento do movimento quando disparou contra todo mundo, fez aquela baixaria, o vandalismo fardado. Naquele dia, editoriais de dois jornais tinham clamado por rigor policial. Ela foi com toda a confiança, fez o que fez, o país não engoliu.

Torturra: A presença do Black Bloc é reação ao sentimento de que o movimento estava sendo tomado por fascistas. Mas isso é uma alucinação. O Black Bloc foi para a rua com o seguinte discurso: "Chega de ver a sede da Fiesp fazendo projeção em verde e amarelo. Chega de classe média alienada querendo determinar o que o protesto é".

Segundo Jairo Nicolau, "será surpresa se a eleição do ano que vem gerar um Congresso parecido com o atual"

Bucci: Um aspecto pouco trabalhado é a linguagem. Foi adotada uma linguagem que tem tudo a ver com manifestações que pipocaram em outros lugares. É algo próprio de um movimento que emerge não da esfera pública organizada, mas do mundo da vida. O mundo da vida é o território onde temos as conversas mais íntimas. Esse mundo não tinha acesso à visibilidade política e passou a ter. A pessoa sai diretamente da mesa de bar, sem passar por nenhuma assembleia, nenhuma convocação, e vai diretamente para a cena pública. Isso é novo.

Moisés: É outra maneira de perceber a política, mas tem enraizamento na experiência democrática brasileira. Por um lado, a democracia abriu possibilidades, por outro tem déficits sérios no funcionamento das instituições que deveriam dar espaço para a realização das escolhas das pessoas.

Bucci: Muita gente fala em despolitização. Não, há politização, só que com signos diferentes. O que é atacado com violência são signos do poder, como os bancos, palácios do poder, concessionárias, vans de empresas de mídia. Essas são vistas, numa face, como representantes do poder. Em outra face, são aqueles que podem mostrar para o mundo o que acontece aqui. Criou-se um vínculo fraterno quando jornalistas foram vítimas da violência policial. Mas os carros da mídia representam o poder. As coisas são signos e as passeatas sabem ler esses signos. Nas passeatas antiglobalização, há alguns anos, atacavam lanchonetes McDonald's. Não era porque as pessoas detestassem o sanduíche, mas porque era o símbolo de um poder que eles combatiam.

Torturra: O Black Bloc não é um movimento. É uma estética, um código simples de reproduzir. Quando vão para a rua a sociedade identifica: o Black Bloc chegou. É um comportamento emergente. A ausência de liderança, que virou clichê, é ausência de mediação. A ação direta das pessoas, seja alguém de classe média que pintou a cara de verde e amarelo, seja o garoto de periferia que vai quebrar um banco.

Bucci: Algo que me preocupou foi a omissão da PM, em alguns atos quando nem havia mais manifestação, e houve saques que eram pura bandidagem. A polícia não agia, como se esperasse a temperatura subir, para que viesse um clamor por repressão. Esse clamor não veio. Tenho falado no vandalismo fardado, mas de modo geral um capítulo muito negativo foi o papel da PM.

Especialista no estudo de partidos políticos e eleições, Jairo Nicolau é professor de ciência política na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Valor: Depois de tanto clamor por repressão, o que a ausência desse clamor pode significar?

Torturra: É muito significativa. A violência foi dirigida aos bancos. Se fosse uma quebradeira na avenida Paulista inteira, arrebentando bares e comércio, batendo em pessoas, o clamor por repressão viria. Grande parte da sociedade pacata se sente representada. Não está disposta a fazer como o Black Bloc, mas se diz intimamente: "Pode continuar, não quero que a Rota quebre esses meninos".

Moisés: O tema da Polícia Militar é importante. Em uma sociedade complexa, tem de ter polícia, alguém tem de garantir a lei. Mas na democracia, a polícia tem de ser democratizada: o procedimento, a ordem, o mecanismo. A autoridade civil tem de controlar a força militar. Senão, a democracia tem baixa qualidade. Em São Paulo, vi o governo jogar com isso, ora dar ordem de repressão muito forte, depois recuar, depois retomar. Por um lado, é o jogo político. Por outro, é descontrole democrático.

Torturra: Há uma cultura profunda na polícia e na sociedade de que a ordem é um valor em si, mais importante que a justiça, por exemplo. Grande parte da sociedade que está na rua acha o oposto. Que a ordem emana de um mundo um pouco mais justo.

Bucci: A desordem é uma ordem que não nos interessa. No Brasil, as contradições do país, que conduziram à situação que desencadeou nas manifestações de junho, tornaram rotineira uma desordem aviltante na vida de grandes parcelas da população. Não conseguir marcar uma cirurgia, não conseguir pegar ônibus, ser maltratado por policiais, ser desprezado pelo cinismo do poder público. Isso é uma desordem que o hábito ensinou a chamar de ordem. É contra isso que as manifestações se levantam. A própria corrupção também é uma desordem.

Valor: A desordem travestida em ordem remete a um país de desigualdades. A mudança recente da pirâmide social, que não foi acompanhada por melhores serviços públicos, amplificou a rejeição a esse estado de coisas?

"Uma coisa que deixa desconcertados os donos do poder é que os manifestantes não são candidatos a nada. Não querem substituir o poder", diz Bucci

Moisés: Mexer na estrutura social tem efeitos em várias dimensões. Nas manifestações, conta muito a entrada de jovens com acesso a educação maior que a dos pais. As pessoas querem mais do sistema.

Torturra: O brasileiro se acostumou à vida instável, a se preocupar com o fim do mês. Exigir cidadania era um luxo. Agora as pessoas respiram mais aliviadas. A classe média se sente com poder. Elas se perguntam: "Cadê a cidadania?". Até mesmo um governo de esquerda as tratou como consumidoras, não cidadãs. Por mais que 40 milhões de pessoas tenham subido, e é uma conquista histórica, a ascensão social não veio acompanhada de afluência democrática.

Valor: A opinião pública flutuou nesse período de um jeito bastante curioso. Primeiro clamou por repressão, depois apoiou, depois ficou sem saber o que pensar.

Torturra: Parte da causa da paranoia sobre a direita capturar o movimento é que a opinião pública não é mais estável. Ela está em rede, tem narrativas múltiplas e uma salada ideológica, não só na sociedade, mas na cabeça de quem está na rua. Tem gente que é anticomunista, mas defende a estatização dos bancos, quer pena de morte, quer saúde pública. A opinião publicada, que sempre teve o monopólio sobre o que é a opinião pública, está sendo constrangida. Na fusão de rede com rua, a salada ideológica se manifesta de milhões de maneiras. As placas tectônicas que estão se mexendo estão longe de parar. O ano que vem vai ser ainda mais intenso, com eleições e a Copa.

Nicolau: No início, houve um componente de ineditismo, a ausência de liderança que ajudou esse plasma a ir para a rua. A rua é um lugar de fazer política, claro. Mas é possível fazer política na rua por muito tempo? É possível criar agendas para manter os jovens na rua? No Rio, os jovens estão na rua porque descobriram um tema: "Fora Cabral". No começo, não ter tema foi importante para a vitalidade do movimento, como no lema de 1968: "Que floresçam flores". Esse ciclo dificilmente se recoloca.

Professor doutor da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da USP, Eugênio Bucci escreveu livros como "Sobre Ética e Imprensa" (Companhia das Letras)

Moisés: As pessoas diziam: "Quero participar, ser ouvido". Não é por acaso que tentaram invadir o Congresso, a Assembleia do Rio, a Prefeitura de São Paulo. São símbolos físicos das instituições. As pessoas estão expressando a percepção de que a participação é importante. Elas querem ocupar esse espaço, e podem. Agora, vão fazer um balanço das respostas do Executivo, do Legislativo, dos partidos. Com a Copa e as eleições, tem grande chance de voltarem as manifestações. Não sei se os partidos vão ser capazes de ouvir. Até onde percebo, não vão ouvir nada.

Bucci: A política é indispensável, mas ela precisa renovar seus procedimentos. Precisa ser capaz de escutar. Por exemplo, o papa. Ele andou no meio das pessoas, ficou no congestionamento. A organização mais conservadora do mundo é o Vaticano, mas o papa vem aqui e é mais horizontal que qualquer deputado, mais aberto ao diálogo que qualquer diretor de ministério. Tem mais abertura para o contato com as pessoas e disse uma palavra que o mundo político no Brasil não entende: diálogo. Como manifestação de rua, o papa Francisco foi uma grande lição.

Moisés: Ele fez uma frase absolutamente precisa: é preciso recuperar a dignidade da política, entendida como uma forma de atuação ética e eficaz no ambiente público, mas também uma forma de caridade. Não foi por acaso. Ele foi informado, percebeu o que se passa no país. A coisa mais interessante da visita do papa é que ele se colocou na posição de quem quer ouvir as pessoas. Num contexto em que ninguém ouve ninguém, isso teve um papel simbólico.

Torturra: Não podemos esquecer o lado emocional. Há algo de psicodrama, terapia coletiva, catarse, nas manifestações. Vem de uma certa carência das pessoas, na falta do espírito público que não seja estatal. As pessoas têm desejo de participação pública no mundo todo, na Turquia, nos Estados Unidos, na Espanha. É uma nova psicologia de massas. Há um caráter emocional represado, uma carência pública de sociedades segmentadas em classes de consumidores.

Bucci: Vou mais longe. As pessoas foram para a rua porque estavam insatisfeitas, mas também porque é um barato. E conecta as pessoas. É um sentimento de pertencimento: não pertencer a nada disso que está aí, mas a essas outras pessoas que se manifestam. É uma integração da sociedade que vem diretamente do mundo da vida, numa era transnacional de protestos

Valor: Uma novidade é o jornalismo cidadão. Mas o jornalismo é caro e muitos dizem que mídia tradicional pode se deixar capturar por interesses econômicos. Como fazer jornalismo cidadão sem ser capturado também?

Segundo Moisés, pela primeira vez se fez na rua uma conexão entre o mau funcionamento das instituições e dos serviços públicos

Torturra: O papel da mídia está subestimado, inclusive na percepção de que é um inimigo e alvo. A crise de linguagem é uma crise narrativa. As pessoas não se sentem traduzidas. Além da violência policial, além dos editoriais, um componente decisivo foi a percepção de que estão mentindo para nós. Não estão respeitando nossa inteligência, nossa cidadania. A mídia independente, da qual sou representante, é um fenômeno de cidadãos conectados. O cidadão que filma e compartilha representa a crise de mediação. Os partidos estão em crise, o Congresso, a mídia, as igrejas. Antes eles tinham o monopólio da mediação. A capacidade de se comunicar diretamente e coletivamente significa que o que era uma conversa de bar, e podia facilmente tornar-se a cultura cínica de que é assim mesmo, mudou.

Bucci: É um discurso que se faz através e para além das massas. Assim como o uso da bandeira nacional, embora seja um símbolo um tanto conservador. As pessoas abraçam a bandeira para dizer o quê? Que o país somos nós, não são vocês. A torcida, na Copa das Confederações, cantava o hino nacional além do protocolo. Vou fazer a confissão de uma coisa brega: eu achava aquilo lindo, eu ficava até mesmo bastante emocionado. Eram pessoas tomando posse do símbolo da nação. Cantamos isso até aonde quisermos. Não são vocês do protocolo que vão dizer quando começa e termina.

Moisés: A linguagem serve para expressar conteúdos. Quando vamos examinar os conteúdos, tem uma reivindicação forte de ser incluído, participar e influir. É uma reivindicação democrática. Não vi ninguém com cartaz contra a democracia. O mundo da vida está presente. A maneira como as pessoas percebem sua vida e como isso tem ligação com a esfera pública. É a constatação de um mal-estar com a democracia existente, não com a democracia ideal. É a reivindicação de mais democracia. Não é pouca coisa, no Brasil de tanta tradição conservadora, tutelar, patrimonialista.

Torturra: O jornalismo cidadão não vai substituir o jornalismo comercial. Ele vem provocá-lo, arejá-lo, causar uma saudável crise de consciência. É uma operação cara, claro, mas precisa ser tão cara? A TV precisa ter o tamanho que tem hoje? Será que não se pode diminuir o custo com equipamentos e tecnologia, para difundir a informação de outra forma? Será preciso gerar tanto lucro para tão pouca gente e pagar tão mal os jornalistas? Será que não podemos criar estruturas um pouco mais democráticas? Ao mesmo tempo, o leitor, o espectador, que já se sente mais com poder, vai ter que se reformular. Vai ter que entender que com esse novo poder de confrontar as narrativas vem a responsabilidade de não ser só um replicador de informação. Precisa checar também. E precisa decidir se está disposto a financiar formas colaborativas de mídia, já que rejeita, por exemplo, a notícia de um jornal que tem anúncios e talvez seja manipulado por causa disso. Mesmo assim, não defendo o fim do modelo vigente. Seria um país pior se os jornais fechassem.

Bucci: O país seria melhor se a imprensa fosse melhor e seria pior se a imprensa fechasse. A imprensa é uma instituição e não se confunde com o conjunto dos meios. Mídia Ninja é imprensa, Valor Econômico é imprensa. A distinção é crucial para entender por que os manifestantes abraçavam jornalistas e agrediam viaturas de imprensa. Há problemas que precisam ser enfrentados. Os jornalistas se sentem descartáveis. Há inclinações partidárias nas redações. Mas quem faz a imprensa são bons jornalistas profissionais. Sem redações independentes, que pagam os custos da reportagem, não temos imprensa livre.

Valor: Um símbolo surgido das manifestações mais recentes é o pedreiro Amarildo. O que se pode esperar do confronto com a arbitrariedade da polícia?

"Um erro do movimento é achar que a ausência de liderança é um valor em si. Precisamos de mais lideranças, não menos", diz Torturra

Nicolau: Fiquei bastante surpreso com a força desse movimento. Teve outro episódio em que a polícia invadiu o complexo da Maré, no Rio, e morreram dez pessoas. Isso não foi tão politizado. O que motiva as manifestações no Rio de Janeiro é a política do governador. O caso Amarildo envolve a polícia e a UPP, que é a melhor coisa que o governador pode oferecer com resultados palpáveis para a vida da cidade. Por que o Amarildo? Porque é a polícia atuando à maneira tradicional numa UPP.

Torturra: Há algo no movimento que vem da rede e se funde com a rua. Há coisas que sobem e, por algum motivo, ecoam. São os memes, ninguém sabe por que pegou. Por que a Maré não pegou e o Amarildo pegou? Talvez o nome Amarildo soe melhor, ou veio no dia certo. Alguém fez uma frase, "Onde está Amarildo", quase um slogan. Tem uma coisa publicitária da nossa geração. Quem sabe manipular isso se dá muito bem. A Rocinha se sentiu com poder quando viu manifestantes de classe média pedindo satisfação sobre um morador da favela. Houve uma articulação em rede, muito contato no Facebook. Essas pontes estão se estabelecendo através de signos e códigos.

Valor: A política tradicional tentou responder, primeiramente, com a proposta de reforma política, mas as manifestações não parecem muito animadas com essa perspectiva.

Nicolau: A reforma política não mobiliza as redes e as pessoas porque estamos falando em reformar a velha ordem. Isso não interessa ao jovem. É uma questão sistêmica e inclui o funcionamento do presidencialismo de coalizão, mas essa não é a questão das pessoas. O que apequenou a política nos últimos tempos foram os desmandos. O governo do Rio não caiu em desgraça com a população por causa das políticas públicas. Foi o abuso, o tratamento que deu aos bombeiros, a proximidade com os empresários. A política pública foi testada nas urnas e teve 66% dos votos há dois anos e meio.

Moisés: Quando as pessoas querem pensar em soluções, parte do bloqueio é porque as instituições não oferecem nada. Hoje, o movimento talvez não queira colocar esse tema, mas em algum momento isso virá à tona. Vamos ter de mexer nisso. É uma implicação do movimento. Para criar um quadro com a mínima possibilidade de participação e intervenção das pessoas, é inevitável voltar ao tema: como é a representação?

Bucci: Uma coisa que deixa desconcertados os donos do poder é que os manifestantes não são candidatos a nada. Não querem substituir o poder, eleger deputado, fazer um senador. As pessoas são candidatas a cidadãs. O movimento é candidato a ser tratado com respeito, ele vem enquadrar o poder. O político reage propondo chamar essas pessoas e fazer aliança. Mas eles não querem. Isso desprograma o automatismo do vício político.

Professor titular do departamento de ciência política da Universidade de São Paulo (USP), José Álvaro Moisés estuda teoria democrática e comportamento político

Moisés: O tema da reforma política é importante. O sistema eleitoral, financiamento de campanha e o excesso de poder do Executivo sobre o Legislativo, que diminui a importância dos parlamentares e dos partidos. Com a importância diminuída, o político entra em qualquer coisa. A reforma política pode ser a via para dar voz ao mundo da vida. Mas ao fazer isso, ela toca nas instituições. Vamos fazer democracia sem nenhuma instituição? Não somos uma sociedade de 5 mil atenienses na Antiguidade, somos 200 milhões.

Nicolau: Os partidos, instituições que processam demandas e ligam os cidadãos ao governo, envelheceram. Quando ouço meus estudantes falando do sistema representativo e da elite brasileira, parece o tempo da Revolução de 1930. Eles lidam com os signos da velha política como algo que não diz nada da vida. Como compatibilizar uma juventude que opera numa velocidade incrível, com organizações da velha ordem democrática, que operam em outra? Como compatibilizar uma nova ordem de comunicação, de sociabilidade, com instituições criadas com parlamentos de origem medieval e partidos com origem no seculo XIX? No Brasil, esse distanciamento apareceu de maneira cabal. Talvez porque o partido mais bem-sucedido na conexão entre sociedade e política, que foi o PT, também envelheceu.

Torturra: Quando entrevistamos pessoas que repudiavam a bandeira do Partido dos Trabalhadores, não era repúdio à política social. Era contra a aliança com Renan Calheiros e Sarney, o apoio de Marco Feliciano. Tem uma juventude que, quando ouviu falar de política, Lula já era presidente e agia de maneira incoerente com a tradição de luta popular. Na cabeça do jovem que está começando a descobrir política, a bandeira do PT representa hipocrisia. Quando veem as bandeiras, gritam: "Oportunistas!". E os petistas, que foram à rua para defender seu histórico, não a presidenta, respondem: "Fascismo!". Mas a maioria das pessoas com bandeira do Brasil defendia valores que o petista de carteirinha defenderia.

Bucci: Quando gente de camisa vermelha foi atacada, tinha, talvez, alguma semente de fascismo. Mas é preciso lembrar que camisa vermelha, hoje, é símbolo do poder, não da contestação. É uma dessas ironias do Brasil, mas a bandeira vermelha virou chapa branca. Quando as pessoas repudiam a camisa vermelha, não repudiam um partido com histórico de lutas, mas o governo.

Torturra: Um erro do movimento é achar que a ausência de liderança é um valor em si. Precisamos de mais liderança, não menos. Não seria alguém para mandar em todo mundo, mas para representar as vozes. Alguém que vai ser bem mais cobrado que as lideranças analógicas. Também não tem ninguém traduzindo isso culturalmente. Os porta-vozes que faltam na política, capazes de traduzir e atualizar o sistema, também faltam na arte. Algumas pessoas captam esse sentimento. Se não é mais o líder político ou o artista, talvez sejam [Julian] Assange, [Edward] Snowden, [Bradley] Manning.

Bucci: São pessoas que defenderam o direito ao segredo da pessoa humana contra a opacidade do Estado. Exigem o dever de transparência do Estado. Isso é uma palavra de ordem atual e democrática. O Estado tem o dever de ser transparente. E nós temos o direito de ter segredos, individualmente.

 

more...
No comment yet.
Scooped by Ihering Guedes Alcoforado
Scoop.it!

FOUDATIONS OF ECONOMIC EVOLUTION: A Treatise on the Natural Philosophy of Economics by Carsten Herrmann-Pillath

FOUDATIONS OF ECONOMIC EVOLUTION: A Treatise on the Natural Philosophy of Economics by Carsten Herrmann-Pillath | TALENTOS | Scoop.it

 Academic Director, East–West Centre for Business Studies and Cultural Science, Frankfurt School of Finance and Management, Germany

Ihering Guedes Alcoforado's insight:

This book is an ambitious intellectual enterprise to build a naturalistic foundation for economics, with amazingly vast knowledge of physical, biological, social sciences and philosophy. Readers will discover that approaches and insights emergent in institutional studies, (social)-neuroscience, network theory, ecological economics, bio-culture dualistic evolution, etc. are persuasively placed in a grand unified frame. It is written in a good Hayekian tradition. I recommend this book particularly to young readers who aspire to go beyond a narrowly specified discipline in the age of expanding communicability of knowledge and ideas.’
– Masahiko Aoki, Stanford University, US

‘Carsten Herrmann-Pillath’s new book is an in-depth application of natural philosophy to economics that draws up an entirely new framework for economic analysis. It offers path-breaking insights on the interactions between human economic activity and nature, and outlines a convincing solution to the long-standing reductionism controversy. A must-read for everyone interested in the philosophical underpinnings of economics as a science.’
– Ulrich Witt, Max Planck Institute of Economics, Jena, Germany

‘“Big picture” philosophy of economics drifted into a dull cul-de-sac as it became obsessively focused on falsifiability and rationality. In this book, Carsten Herrmann-Pillath pushes the field back onto the open highway by locating economics in the larger frameworks of metaphysics, evolutionary dynamics and information theory. This is large-scale, ambitious synthesis of ideas of the kind we expect from time to time to see devoted to physics and biology. Why should economics merit anything less? But of course, this kind of intellectual tapestry must await the appearance of an unusually devoted scholar, with special patience and eccentric independence from the pressure for quick returns that characterizes academic life. In the person of Herrmann-Pillath, this scholar has appeared. No one who wants to examine economics whole and in its richest context should miss his virtuoso performance in this book.’
– Don Ross, University of Cape Town, South Africa and Georgia State University, US

‘Herrmann-Pillath’s work attempts to bring to bear upon the discipline of economics perspectives from other discourses which have been burgeoning recently – namely, thermodynamics, evolutionary biology, and semiotics, aiming at a consilience contextualized by economic activity and problems. This marks the work as a contemporary example of natural philosophy, which is now at the doorstep of a revival. The overall perspective is that human economic activity is an aspect of the ecology of the earth’s surface, viewing it as an evolving physical system mediated through distributed mentality as expressed in technology evolution. Knowledge is taken to be “physical” with a performative function, as in Peirce’s pragmaticism. Thus, the social meanings of expectations, prices and credit are found to be rooted in energy flows. The work draws its foundation from Hegel and C.S. Peirce and its immediate guidance from Hayek, Veblen and Georgescu-Roegen. The author generates an energetic theory of economic growth, guided by Odum’s maximum power principle. Economic discourse itself is reworked in the final chapter, in light of the examinations of the previous chapters, naturalizing economics within an extremely powerful contemporary framework.’
– Stanley N. Salthe, Binghamton University, SUNY, US

‘An Oscar-winning performance in the “theatre of consilience”. It’s hard to know which to praise first: Carsten Herrmann-Pillath’s humility or his ambition. He says his book “is not a great intellectual feat” because he pursues the “humble task” of putting together “the ideas of others”. When he finally gets to economics he tries to “be as simple as possible” and to conceive of economics in terms of the basics, at “undergraduate level, so to say”. On the other hand, the scale of his ambition is to rethink the foundations of economics from first principles, while, at the same time, holding a running dialogue between contemporary sciences and classic philosophy. He’s much too modest, of course, because Foundations is a major achievement, but his modesty points to what makes it such a powerful treatise: the book is not about his preferences or prejudices; it is a “scientific approach that aims at establishing truthful propositions about reality”. That is much harder to achieve than grand theories or “complicated mathematics,” because it amounts to a new modern synthesis of the field – an achievement on a par with Julian Huxley’s, whose own modern synthesis of evolutionary theories in the 1940s allowed for the explosive growth of the biosciences over the next decades. The structure of the book is simple enough, providing a framework for the “naturalistic turn” in economics. Starting from material existence, causation and evolution, Herrmann-Pillath takes us through four fundamental concepts – individuals, networks, institutions and technology – before coming finally to the “realm of economics proper,” i.e. markets. However, Herrmann-Pillath believes that the “foundations of economics cannot be found within economics” but only in dialogue with other sciences, or what he calls the “theatre of consilience”. It’s a theatre in which various characters come and go, where dialogue ebbs and flows, conflicts arise and are resolved, and where individual actions can be seen as concepts as, leading to higher levels of meaning as the plot unfolds. The magic of theatre, of course, is that the point of intelligibility, where the characters, actions and narrative resolve into meaningfulness, is projected out of the drama itself, into the spectator. That’s you, dear reader. So it is with economics as a discipline. Economics is a player in a much larger performance about what constitutes knowledge, and how we know that. It is also a player in the economy it seeks to explain. To understand why money, firms, growth, prices, markets and other staples of economic thought emerge and function the way they do, it is necessary situate the analysis beyond economics (and the economy), and to engage with developments across the human, evolutionary and complexity sciences. This is what Herrmann-Pillath does, analyzing a breathtaking range of illuminating and sometimes challenging work along the way. We are treated to new ideas about the externalized brain, the evolution of knowledge in the Earth System (i.e. not just among humans), the role of signs and performativity in these processes, as well as that of “energetic transformations.” But Herrmann-Pillath is not satisfied with the “modest” task of bringing the best of modern scientific thought to bear on economic concepts and performances; he really does harbor a deeper purpose. The clue is in his apparently quixotic desire to hang on to philosophical insights associated with pre-evolutionary thinkers like Aristotle and Hegel, and his apparently eccentric desire to place the semiotic philosophy of C.S. Pierce at center stage. But the patient observer will see that he is not seeking to change the facts by imposing idealist notions on them after the event. Instead, he is arguing for a change in the way we perform ourselves in the face of these facts. He is looking for a modern-day equivalent of Confucius or Socrates: one who can imagine values and beliefs that “define the human species in a new way.” For those who have eyes to see, as the drama unfolds, it may be that we have found such a figure in Carsten Herrmann-Pillath himself, modesty, ambition and all. This is “Cultural Science” as it should be done.’
– John Hartley, Curtin University, Australia and Cardiff University, UK


September 2013 704 pp Hardback 978 1 84720 474 5 Regular Price $150.00  Web Price$135.00  

New Horizons in Institutional and Evolutionary Economics series

more...
No comment yet.
Scooped by Ihering Guedes Alcoforado
Scoop.it!

READING NEOCLASSICAL ECONOMICS: Toward an Erotic Economy of Sharing

READING NEOCLASSICAL ECONOMICS: Toward an Erotic Economy of Sharing | TALENTOS | Scoop.it


FEINER,  Susan F, Reading neoclassical economics: toward an erotic economy of sharing in BARKER , Drucilla K & KUIPER, Edith (eds) Toward a Feminist Philosophy of Economics. Routledge, 2003   pp. 180/193

Ihering Guedes Alcoforado's insight:

" This work is part of larger project which seeks to read the history of economic ideas through the psychonalitic vision of human development formulated by the object relations school (GREENBERGH, J & MITCHELL, S (1983) Object Relations in Psychoanalysis Theory. Cambridge: Harvard University Press. 1983).   The object relations school considers the mother/child   to be of primary concern since the qualities of this relationship play a profound role in the genesis of human capacities, including, of course, the capacities to produce, distribute, and consume."  FEINER, 2003, p.180]

more...
No comment yet.