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Para fazer à tarde no Porto: sem travão nem acelerador

Para fazer à tarde no Porto: sem travão nem acelerador | Bolso Digital | Scoop.it

Podíamos pensar que andar de segway equivale a preguiçar, mas como o preconceito não é amigo da prática, o melhor é deixarmo-nos de coisas, subirmos para a máquina e rendermo-nos à razão. A planta dos pés já pedia mesmo algum descanso e há outras vantagens em conhecer o Porto sobre rodas.

Um passeio de segway pelo Porto custa entre 40 e 55 euros por pessoa 

Por Miguel A. Pinto

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Advogado português deslumbra com desenhos realistas feitos com canetas BIC | Cultura | Diário Digital

Advogado português deslumbra com desenhos realistas feitos com canetas BIC | Cultura | Diário Digital | Bolso Digital | Scoop.it
Samuel Silva, um advogado português de 29 anos, tem já uma legião de fãs na Internet após divulgar alguns dos seus desenhos ultra-realistas feitos com canetas BIC.
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A vida das mulheres - António Lobo Antunes

A vida das mulheres - António Lobo Antunes | Bolso Digital | Scoop.it
Porque razão nós as mulheres não somos felizes, quer dizer até podemos ser felizes mas não somos felizes felizes e muito menos felizes felizes felizes, também não somos infelizes, é um estado de alma assim assim que o facto de termos uma família vai compondo, uma família, a casa paga, os electrodomésticos pagos, tudo pago

 

António Lobo Antunes

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Indicios de Ouro / Mário de Sá-Carneiro - Biblioteca Nacional Digital

Indicios de Ouro / Mário de Sá-Carneiro - Biblioteca Nacional Digital | Bolso Digital | Scoop.it


Epígrafe

 

A sala do castelo é deserta e espelhada.

 

Tenho medo de Mim. Quem sou? De onde cheguei?...
Aqui, tudo já foi... Em sombra estilizada,
A cor morreu - e até o ar é uma ruína...
Vem de Outro tempo a luz que me ilumina -
Um som opaco me dilui em Rei...

 

Mário de Sá-Carneiro

 

Nota(s): Conjunto de 32 poemas autógrafos, em caderno de capa dura azul, com assinatura do autor na capa, na diagonal. - Na 1ª folha, na parte superior, «1º caderno» e «Versos pª os Indícios de Ouro»; na última linha, assinatura, local (Paris) e data (2 Julho 1914). No final do caderno, «Sumario [do] (1º Caderno) (1913-1915)», assinado na margem inferior, que inclui os 32 poemas numerados. No fim da lista, outra data: «(Paris, 30 Dez 1915)». - Estes poemas, escritos em vários locais (Paris, Lisboa, Camarate, Barcelona) e em várias datas (1913 Jun-1915 Dez.), foram ordenados e passados a limpo pelo poeta com vista à sua publicação e enviados ao amigo Fernando Pessoa pouco antes da sua morte, em 1916. Pessoa era já, desde 1913, depositário das suas produções, estando incluídas, em cartas recebidas pelo poeta, versões anteriores de nove poemas desta colectânea. Após a morte do poeta, Pessoa foi publicando alguns poemas de Indícios de Oiro em revistas, como Contemporânea, Athena e Presença, mas a obra completa só foi editada pela primeira vez em 1937, pela Presença, com base em cópia cedida por Fernando Pessoa: Indícios de Oiro. Pôrto : Presença, 1937. Esta colectânea esteve na posse dos herdeiros de Fernando Pessoa até 2007, altura em que foi adquirida pela BNP, a 6 de Dezembro, em leilão realizado pela Potássio4.

 

 

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Descubiertas en Triacastela las primeras pinturas rupestres de Galicia

Descubiertas en Triacastela las primeras pinturas rupestres de Galicia | Bolso Digital | Scoop.it

Los trabajos arqueológicos desarrollados en la cueva de Eirós, en Triacastela (Lugo), han propiciado el descubrimiento de los "primeros restos de arte parietal paleolítico" del noroeste, en forma "de pinturas y grabados rupestres". El resultado de la investigación ha sido presentado esta mañana en Triacastela por el conselleiro de Cultura de la Xunta, Xesús Vázquez Abad, acompañado por el rector de la Universidad de Santiago de Compostela (USC), Juan Casares e integrantes del equipo responsable de los trabajos arqueológicos.

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100 Livros Portugueses do Século XX - Observatório da Língua Portuguesa

100 Livros Portugueses do Século XX - Observatório da Língua Portuguesa | Bolso Digital | Scoop.it

"Esta obra – afirma Pinto do Amaral no prefácio – não pretende estabelecer o cânone dos últimos cem anos da literatura portuguesa" trata-se, afirma-o "de uma simples escolha de apenas uma centena de livros".


Via Maria Margarida Correia
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Não lemos Camões? Não somos portugueses - Opinião - DN

Não lemos Camões? Não somos portugueses - Opinião - DN | Bolso Digital | Scoop.it

Está lá Homero. Está lá Platão. Está lá Santo Agostinho. Está lá Dante. Está lá Cervantes. Está lá Shakespeare. Está lá Voltaire... A lista é grande, continua com nomes indiscutíveis: Está lá Stendhal. Está lá Victor Hugo. Está lá Tolstoi. Está lá Machado Assis. Está lá, até, e recuando na linha do tempo, Montaigne!!... Na lista dos "50 livros que toda a gente deve ler" não está, porém, Luís Vaz de Camões ou, melhor, não estão Os Lusíadas.

 

por Pedro Tadeu

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"História do Rei Transparente" de Rosa Montero

"História do Rei Transparente" de Rosa Montero | Bolso Digital | Scoop.it

Sou mulher e escrevo. Sou plebeia e sei ler. Nasci serva e sou livre. Vi na minha vida coisas maravilhosas. Fiz na minha vida coisas maravilhosas. Durante algum tempo, o mundo foi um milagre. Depois a escuridão voltou. A pena estremece entre os meus dedos cada vez que o aríete investe contra a porta. Um portão sólido de metal e madeira que não tardará a ficar em pedaços. Pesados e suados homens de ferro amontoam-se à entrada. Vêm buscar-nos. As Boas Mulheres rezam. Eu escrevo. É a minha maior vitória, a minha conquista, o dom de que me sinto mais orgulhosa; e embora as palavras estejam a ser devoradas pelo grande silêncio, constituem hoje a minha única arma. Com as pancadas, a tinta continua a estremecer no tinteiro, também ela assustada. A sua superfície encrespa-se como a de um pequeno lago tenebroso. Mas depois aquieta-se, inexplicavelmente. Levanto a cabeça esperando um empurrão que não chega. O aríete parou. As Perfeitas também cessaram o zumbido das suas orações. Será que os cruzados conseguiram aceder ao castelo? Julgava-me preparada para este momento mas não estou. O sangue esconde-se nas minhas veias mais profundas. Empalideço, toda eu entorpecida pelos frios do medo. Mas não, não entraram, teríamos ouvido o estrondo da porta a rachar, a queda dos sacos de areia com que a reforçámos, os passos apressados dos predadores a subir a escada. As Boas Mulheres tentam ouvir. Eu também. Tilintam os homens de ferro sob as amei as da nossa fortaleza. Retiram-se. Sim, estão a retirar. Falta pouco para o sol se esconder e devem preferir celebrar a vitória à luz do dia. Não precisam de se apressar, nós não podemos fugir e não existe ninguém que possa ajudar-nos. Deus concedeu-nos mais uma noite. Uma longa noite. Tenho todas as velas da despensa à minha disposição, uma vez que não vamos precisar mais delas. Acendo uma, acendo três, acendo cinco. O quarto ilumina-se com bonitos brilhos de palácio. E pensar que passámos todo o Inverno às escuras para não as gastarmos! As Boas Mulheres tornam a murmurar os seus Pais-Nossos. Eu molho a pena na tinta parada. A mão treme-me tanto que desencadeio uma marejada.

 

Vejo-me a arar o campo com o meu pai e com o meu irmão, há tanto tempo que parece outra vida. A Primavera aperta, o Verão precipita-se sobre nós e estamos muito atrasados na sementeira; este ano não só tivemos de lavrar primeiro os campos do Senhor, como é habitual, mas também de reparar os fossos do seu castelo, de abastecer de víveres e de água os torreões, de escovar os poderosos cavalos de combate e de limpar o mato dos terrenos fronteiriços à fortaleza, para evitar que os arqueiros inimigos possam emboscar-se. Estamos novamente em guerra, e o senhor de Abuny, nosso amo, vassalo do conde de Gevaudan que, por sua vez, é vassaIo do Rei de Aragão, combate contra as tropas do Rei de França. O meu irmão e eu apertamo-nos contra os arreios e puxamos pelo arado com todas as nossas forças, enquanto o pai mergulha no solo pedregoso a nossa preciosa relha, essa lâmina de metal que nos custou onze libras, mais do que ganhamos em cinco anos, e que constitui o nosso maior tesouro. As correias de esparto entrançado afundam-se-nos na carne, embora tenhamos colocado um peitilho de feltro para nos protegermos. O sol está muito alto por cima de nós, já próximo do zénite da hora sexta. Ao puxar pelo arado tenho de afundar a cabeça entre os ombros e olho para o chão: torrões ressequidos e amarelos e um calor de frigideira. O sangue concentra-se nas fontes e fico enjoada. Empurro e empurro mas não avançamos. A nossa respiração arquejante é silenciada pela algazarra e pelos gritos agónicos dos combatentes. No campo ao lado, muito perto de nós, fica a guerra. Há já três dias que quatrocentos cavaleiros combatem entre si numa luta desesperada. Chegam todas as manhãs, ao amanhecer, ansiosos por se matarem, e durante todo o dia ferem-se e cortam-se com as suas espadas terríveis enquanto o sol avança pelo arco do céu. Depois, ao entardecer, partem cambaleantes para comer e dormir, dispostos a voltar no dia seguinte.

 

Dia após dia, enquanto nós arranhamos a pele ingrata da terra, eles regam o campo vizinho com o seu sangue. Caem os cavalos estripados, relinchando com uma angústia semelhante à dos porcos na matança, e os cavaleiros da mesma bandeira apressam-se a socorrer o guerreiro abatido, tão impotente no chão, enquanto os ajudantes lhe trazem outro cavalo ou conseguem desmontar um inimigo. A guerra é um fragor, um estrondo insuportável; bramam os homens de ferro ao desferir um golpe, talvez para se animarem; gemem os feridos calcados em terra; uivam os cavaleiros, de raiva e de dor, quando o aço ardente lhes amputa uma mão; embatem os escudos com um retumbar metálico; batem com as patas no chão os cavalos; rangem e entrechocam as armaduras.

 

Antoine e eu puxamos pelo arado, o pai arranca uma pedra do chão com uma blasfémia e eles, aqui ao lado, matam-se e mutilam-se. O ar cheira a sangue e a agonia, a vísceras expostas, a excrementos. Ao entardecer, os movimentos dos guerreiros são muito mais lentos, os seus gritos mais afogados, e, por cima da massa confusa dos seus corpos, levanta-se uma bruma de suor. Vejo ondular a bandeira azul do senhor de Abuny e o estandarte escarlate de quatro pontas dos reis de França: estão sujos e rasgados. Vejo as feridas monstruosas e consigo distinguir os rostos desfigurados, mas não sinto por eles qualquer compaixão. Os homens de ferro são todos iguais, vorazes, brutais. No sofrimento que flutua no ar, muita daquela dor é nossa.

 

Rosa Montero
História do Rei Transparente

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As Velas Ardem Até ao Fim, Sándor Márai - WOOK

As Velas Ardem Até ao Fim, Sándor Márai - WOOK | Bolso Digital | Scoop.it

O general volta ao seu quarto. No fim do corredor, a ama está à sua espera.


– Agora estás mais tranquilo? – pergunta a ama.


– Sim - diz o general.


Caminham juntos em direcção ao quarto. A ama anda com agilidade, com passos curtos, como se acabasse de se levantar e se apressasse para o seu trabalho matinal. O general avança lentamente, apoiando-se na bengala. Percorrem o corredor, cheio de quadros pendurados na parede. A mancha que indica o lugar do retrato da Krisztina, faz parar o general.


– O quadro – diz – já podes voltar a pô-lo no seu lugar.


– Sim – responde a ama.


– Não tem importância – diz o general.


– Eu sei.


– Boa noite, Nini.


– Boa noite.


A ama ergue-se nas pontas dos pés e com as mãos pequenas, ossudas, de pele amarela e enrugada, desenha o sinal da cruz sobre a testa do ancião. Beijam-se. É um beijo estranho, breve e singular: se alguém o visse, sorria de certeza. Mas como todos os beijos humanos, este também é uma resposta, à sua maneira disforme e terna, a uma pergunta, que não se pode dizer com palavras.

 

Sandor Márai
As velas ardem até ao fim

 

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Quase tudo sobre maus rapazes

Quase tudo sobre maus rapazes | Bolso Digital | Scoop.it

Londres é o teatro de um rapto que serve a Robert Wilson para provocar o leitor. O escritor usa o crime, mais uma vez, para escrever sobre a condição humana. Conversa a propósito de "Pena Capital", livro de viragem em que um novo detective, Charles Boxer, se apresenta ao serviço

(...)
Escrito no isolamento da Serra da Ossa, no interior do Alentejo, este romance é um permanente interpelar do leitor, colocado em situações em que é obrigado a pensar na sua própria moral. "Não passa por ajuizar os outros, mas, perante o comportamento tantas vezes ambíguo das personagens, por interrogar-se sobre si próprio", sublinha Robert Wilson antes da apresentação formal do seu último romance, numa livraria de Lisboa. Num sotaque cerrado de Londres, Wilson insiste: "O leitor costuma ter uma posição muito mais confortável do que as personagens, mas aqui forço o incómodo. De onde vêm os nossos juízos morais? Dos nossos pais, dos nossos amigos, mas tudo muda à medida que crescemos e envelhecemos. Tudo pode mudar, até mesmo as nossas convicções morais, quando, por exemplo, nos apaixonamos por alguém. Tantas vezes nos vemos a acertar passo com o comportamento do outro, a aceitá-lo, ainda que nos víssemos a condená-lo se o nosso olhar não estivesse condicionado pelo filtro da paixão. Isso não significa que não tenhamos espinha dorsal, que sejamos amebas. Acontece."
(...)
por Isabel Lucas 

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Boletim Cultural editado pela Fundação Calouste Gulbenkian — XVIII Encontro de Literatura para Crianças — PALAVRA DE TRAPOS - a língua que os livros falam

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Primitivos portugueses: Cómo se hizo...

El Museo Nacional de Escultura inaugura la exposición temporal "Primitivos. El siglo dorado de la pintura portuguesa 1450 - 1550". Mostramos lo que no se ve en la exposición: Personas que gesticulan, piensan, deambulan; luces y sombras; arte por los suelos; devoción por el oficio; todo entre cuatro paredes. La magia del montaje expositivo.

 
Spot TV - Primitivos Portugueses ☛ http://www.youtube.com/watch?feature=endscreen&NR=1&v=xqPkKdTolDg

 

Primitivos. El siglo dorado de la pintura portuguesa 1450-1550. ☛ http://www.youtube.com/watch?feature=endscreen&NR=1&v=lhC40SDCKcc

 

Museo Nacional de Escultura ☛ http://museoescultura.mcu.es/index.html

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Vitorino Nemésio O conhecimento da perda

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Nemésio diz que a morte é a foz das vidas de modo que o finito se torna completo como um rio o é em si mesmo na sua infinidade...

 

por Fernando Guimarães (JL)

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"Por Detrás da Magnólia" de Vasco Graça Moura

"Por Detrás da Magnólia" de Vasco Graça Moura | Bolso Digital | Scoop.it

Por Detrás da Magnólia. Grande Prémio de Romace e Novela da Associação Portuguesa de Escritores 2004

Um crime esquecido, uma casa habitada pelo sangue. Sangue que une os que viveram e vivem ainda hoje na ancestral Casa dos Lemos. Conduzindo-nos subtilmente entre antigas histórias de família e amores proibidos, Vasco Graça Moura traça um elegante fresco histórico. Contando a família Lemos conta o país, a mentalidade, as pessoas. Um romance de clara influência camiliana – capaz de um exímio retrato social, e da revelação da intimidade de cada uma das suas personagens.

 

A acção deste livro decorre em Gouvães do Douro, aldeia do Alto Douro que o autor conhece desde que nasceu, por de lá ser originária a família materna de sua avó materna, e onde sempre passou as férias grandes, na infância e na adolescência. A história contada, as personagens que nela intervêm e as casas solarengas em que o fazem, são meras criações de ficção sem qualquer correspondência com a realidade histórica e, por vezes, com ligeira distorção de alguns pormenores da topografia.

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GEÓRGICAS E TRAQUIBÉRNIAS

 

O padre Aloísio da Anunciação Castelo Branco, dois anos mais novo do que seu irmão Aires, e também mais baixo e mais atarracado do que ele, como ele tinha uma fortíssima compleição física e uma mistura singular de qualidades e defeitos. Era grande latinista e grande amador da Natureza. Citava sempre as Geórgicas a propósito do seu cavalo com as ferraduras chispando no escarvar das pedras irregulares do pavimento: «Cavatque tellurem el solido graviter sonat ungula cascu.» Grande caçador e calcorreador de montes e vales. Grande comedor de viandas e exaltado apreciador de mulheres «e muito achegador a elas», como Fernão Lopes dizia de el-rei D. Fernando. E também leitor apaixonado de Paulino António Cabral, cujos versos sabia de cor. Frequentemente recitava para si mesmo, ou nas rodas de amigos, se lho pediam no fim das jantaradas ou durante alguma pausa à mesa do voltarete, sonetos do Abade de Jazente, seleccionando, de entre os menos alambicados, os que lhe pareciam dizer melhor com o seu próprio temperamento e modo de vida:

 

Eu como, eu bebo, eu durmo, e sem receio
Do que há-de vir a ser, a vida passo,
Ora de Nize no gentil regaço,
Ora das Musas no sonoro enleio.

 

As vezes pesco, às vezes jogo, ou leio,
E torres vãs também no vento faço;
Depois me vou meter naquele espaço,
Onde Descartes tinha o seu passeio.

 

Também fazia improvisos facetos, alguns propendendo seriamente para a obscenidade, e tinha-se tornado um dos cabecilhas da Patuleia no Douro, em permanente ligação com o Perna de prata, filho do conde de Vila Real, e com outros reverendos da região que tinham alinhado com a Maria da Fonte na jacquerie insubmissa e cruel que pusera a província a ferro e fogo. Não escondia as suas simpatias miguelistas, correspondendo-se com Ribeiro Saraiva e com alguns representantes do príncipe exilado nas cidades do Norte, e rugindo contra os pedreiros-livres e os malhados a propósito de tudo e de nada. Quando rebentou a Maria da Fonte, chegou a anunciar do alto do púlpito ter uma caixa de zagalotes reservados especialmente para quem ousasse enterrar alguém no futuro cemitério de Gouvães. Durante a missa, fazia dramáticos sermões de apologia da insurreição, de mistura com increpações excitadas das suas ovelhas sobre os pecados mortais, as fogueiras rechinantes do Inferno e a salvação celestial das almas, com as feições injectadas de sangue e de indignação, enquanto gesticulava muito e os pulsos cabeludos lhe saltavam das mangas da sobrepeliz, dando murros tremendos no ar e na alma penitente dos paroquianos.

 

Com tudo isto, ávido de dinheiro, emprestava a juros pesados aos lavradores em dificuldades e escondia o ouro amoedado numas pias de pedra que mandara cavar em cantaria e que depois ele mesmo tinha embutido a sós, com grande esforço muscular a retesar-lhe as veias do pescoço, numa das paredes da casa em que vivia, a casa dita «da tia D. Ana», na parte de baixo da aldeia, perto da igreja. Só ele seria capaz de localizá-las e, que se saiba, não deixou nenhuma indicação útil a esse respeito. Nem consta que o seu neto, de quem adiante se falará, alguma vez tenha sabido delas quando mandou fazer obras na casa.

 

Mas nem as suas simpatias políticas, nem as suas várias ocupações, o distraíam do exercício do seu múnus pastoral e de outras competências. O padre Aloísio tanto era capaz de se por a caminho para levar o viático a um moribundo a qualquer hora do dia ou da noite, como de saltar para o cavalo para ir ajudar a tratar de uma égua com sezões ou de uma vaca parida. E aí lá lhe voltava o Virgílio à memória e ia resmungando para consigo: «Post partum cura in vitulos traducitur omnis...» Se o tempo requerido era incerto, e acaso previa que tivesse de jornadear pela noite dentro, aperreava duas pistolas aos coldres da sela e fazia-se acompanhar de um bacamarte e de uma lanterna para o que desse e viesse. Contava-se que uma vez, em quente noite de luar de Agosto, quando regressava a casa muito tarde num chouto ameno do cavalo, descendo pela vereda de um cabeça, já amodorrado pelo sono entre os perfumes da esteva e do rosmaninho, de uma brenha mais escura e enramada de tojo e silvedos lhe tinham saltado ao caminho três meliantes prontos a tudo. O padre, subitamente alerta do alto da montada, sem proferir uma só palavra, deitou abaixo o do meio, a trinta metros de distância, com um tiro certeiro da clavina. 0s outros fugiram numa gritaria descompassada. Chegado à aldeia, o padre mandou avisar o Eliseu regedor, apesar de serem já duas da manhã, e este foi lá imediatamente, com seis homens estremunhados, de archotes e padiola, para cuidarem do ferido ou transportarem o morto. Mas não encontraram ninguém e havia mesmo quem dissesse que aquela história não passava de invenção, para o padre dar azo à gabarolice própria e meter medo a hipotéticos candidatos a assaltantes.

 

Vasco Graça Moura

 

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Os nossos velhos - Opinião - DN

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Querem ausentá-los mas eles não se ausentam. A sociedade coloca-os nos jardins, por inúteis, mas não o são; e recordam-se e fazem correr os rosários das memórias, e martirizam-se com as dores no corpo e as dores na alma, estas as piores de todas elas; são deixados, mesmo que, aparentemente, os não deixem; por vezes desorientam-se e perdem-se nas ruas. Os nossos velhos foram tipógrafos, estradeiros, carpinteiros, construíram prédios e barragens, navios e pontes; as suas mãos tornearam a madeira e furaram as montanhas e montaram os carris e fizeram as vindimas e afagaram-nos e tiveram-nos ao colo, protegem-nos, vigiam-nos, nossos pais, nossos avós. Os nossos velhos.

 

por Baptista-Bastos

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Virgem Suta "Linhas Cruzadas" (exclusivo Antena 3)

Virgem Suta com Manuela Azevedo.Mais informações em http://antena3.rtp.pt...
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El Códice Calixtino será expuesto al público cuatro días en Santiago

El Códice Calixtino será expuesto al público cuatro días en Santiago | Bolso Digital | Scoop.it

Durante años cada vez que alguien solicitaba a la Catedral de Santiago poder disponer del Códice Calixtino para realizar una exposición siempre obtenían la misma respuesta sobre la imposibilidad de contar con la obra, pero las cosas van a cambiar a partir de mañana ya que el original del Códice, un volumen del siglo XII conocida como la primera guía del Camino de Santiago, estará expuesto desde este jueves y hasta el domingo en el Pazo de Xelmírez dentro de una exposición organizada por el Museo de la Catedral de Santiago sobre esta pieza. Esta es la segunda vez que podrá ver la preciada obra en público después de que fuera mostrada cuando el presidente del gobierno, Mariano Rajoy acudió a Santiago a delvolver el Códice a la catedral. La muestra sobre Códice Calixtino recorrerá desde este septiembre y durante 2013 diversas ciudades españolas y extranjeras para "satisfacer" la expectación causada por la desaparición y posterior recuperación del libro. Con una salvedad y es que la obra se queda en casa, durante su recorrido por España será sustituida por copias.

por Ignacio Touza 

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«O nosso sistema de ensino não ensina a estudar»

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Especialista defende ensino de técnicas de estudo na escola.

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Plágio e integridade jornalística: a importância da clareza no domínio da autoria

Plágio e integridade jornalística: a importância da clareza no domínio da autoria | Bolso Digital | Scoop.it

No campo rela­tivo ao assunto da men­sa­gem que há uma semana recebi do lei­tor Rui Ribeiro lia-se sim­ples­mente “Plá­gio no Público”. Sus­pei­tei desde logo, e a lei­tura do texto confirmou-o, que esta­ria perante mais um da mão cheia de casos simi­la­res que têm sido objecto de quei­xas de lei­to­res que encon­tram, geral­mente na edi­ção on line, notí­cias e outras peças jor­na­lís­ti­cas que repro­du­zem, sem indi­ca­ção da ori­gem (em alguns casos) ou identificando-a de forma defi­ci­ente (na maior parte das vezes), o que já tinham lido em outros órgãos de comu­ni­ca­ção (geral­mente sites noti­ci­o­sos estrangeiros).

 

Desta vez, porém, a recla­ma­ção apre­sen­tava duas par­ti­cu­la­ri­da­des: a notí­cia que o lei­tor con­si­de­rou con­fi­gu­rar um caso de plá­gio saíra (com des­ta­que) na edi­ção impressa e era expli­ci­ta­mente assi­nada por um jor­na­lista do PÚBLICO. Veja­mos o que escre­veu Rui Ribeiro: “Assi­nante da edi­ção digi­tal do Público, fiquei enor­me­mente sur­pre­en­dido quando, ao con­cluir a minha lei­tura da edi­ção de dia 12 de Agosto, me depa­rei, na última página do caderno prin­ci­pal, com uma notí­cia da auto­ria (?) de Filipe Esco­bar de Lima, sob o título ‘Famí­lias dos cam­peões olím­pi­cos Dou­glas e Lochte estão na falên­cia’. A sur­presa de que falo tem uma razão de ser – no dia 9 de Agosto tinha lido uma notí­cia muito seme­lhante, no sítio do The Daily Beast, que achei tão inte­res­sante que par­ti­lhei o link na minha página do Face­book”.

 

“A lei­tura da notí­cia, que no ori­gi­nal já me tinha des­per­tado grande inte­resse”, con­ti­nu­ava o lei­tor, “tinha dema­si­a­das seme­lhan­ças com a memó­ria [que tinha] da notí­cia ori­gi­nal, algo que rapi­da­mente con­fir­mei revi­si­tando essa notí­cia. O ori­gi­nal, da auto­ria de Kevin Fal­lon, é muito mais extenso, mas as par­tes que Filipe Esco­bar de Lima apro­vei­tou, cor­res­pon­dem, no essen­cial, à forma como essas par­tes foram nar­ra­das por Kevin Fal­lon. Fiquei, por isso, à espera de, no final do texto, ver uma refe­rên­cia à notí­cia ori­gi­nal. No entanto, infe­liz­mente para a repu­ta­ção do Público, essa refe­rên­cia está ausente. Nada na notí­cia do Público refere a auto­ria do tra­ba­lho que levou à publi­ca­ção do texto ori­gi­nal. Parece-me, por­tanto, que se trata de uma situ­a­ção de plá­gio des­ca­rado, situ­a­ção que emba­raça o Público e devia enver­go­nhar o jor­na­lista que a ela recorreu”.

 

Está apre­sen­tado o caso.

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Paula Oliveira & Bernardo Moreira - Estrela da Tarde

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

 

Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

 

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

 

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram

 

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

 

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

 

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto.

 

José Carlos Ary dos Santos

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Vasco Graça Moura - Fradique num dia muito quente - DN

Vasco Graça Moura - Fradique num dia muito quente - DN | Bolso Digital | Scoop.it

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«O autor textual que apresenta a Correspondênciade Fradique Mendes diz-nos do primeiro encontro com o seu herói, contando como tinha passado a noite anterior a preparar umas frases profundas para cumprimentar o poeta insigne das Lapidárias, tendo "com amoroso cuidado burilado e repolido esta: 'A forma de V. Exa. é um mármore divino com estremecimentos humanos!'". Mas, quando o seu amigo Marcos Vidigal o apresenta a Fradique e este, por sua vez, o convida a subir aos seus aposentos e alude "ao tórrido calor de Agosto", o nosso narrador exclama "- Sim, está de escachar!" e depois não consegue mais do que dizer uma série de vulgaridades grotescas: "E debalde rebuscava desesperadamente uma outra frase sobre o calor, bem trabalhada, toda cintilante e nova! Nada! Só me acudiam sordidezas paralelas, em calão teimoso: "é de rachar!" "está de ananases!" "derrete os untos!...".»
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