Assistência Social
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Benefícios socioassistênciais de transferência de renda: imagem distorcida do PBF

Mulher reclama que com a Bolsa Família não pode comprar calça de R$ 300 para filha adolescente.
Ana Caroline Vieira's insight:

A fala desta usuária ilustra as ambiguidades existentes no Programa Bolsa Família que desde os primeiros anos de sua implantação vem sendo veemente criticado por uma parcela da sociedade brasileira que vê no benefício um mecanismo de lucro por meio da pobreza, onde os usuários se favoreceriam do benefício sem a necessidade assegurar proventos por meio do labor. Ser usuário do PBF significaria, portanto, enriquecer sem precisar trabalhar, onde há a possibilidade da geração de estado de dependência entre a população beneficiada, pois este não traria soluções a médio e longo prazo para eliminar a situação de pobreza, focando apenas na solução à curto prazo, insuficiente para o tratamento desta questão tão complexa no Brasil, pois não seria suficiente para transformar a vida dos pobres.

No entanto, o Programa Bolsa Família é um programa de transferência direta de renda que beneficia famílias em situação de pobreza e extrema pobreza em todo país. Está baseado na garantia de renda, inclusão produtiva e no acesso aos serviços públicos, constituindo-se por três eixos principais:

a transferência de renda promove o alívio imediato da pobreza;as condicionalidade reforçam o acesso a direitos sociais básicos nas áreas de educação, saúde e assistência sociais;e as ações e programas complementares objetivam o desenvolvimento das famílias, de modo que os beneficiários consigam superar a situação de vulnerabilidade.
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Assistente Social Voluntária que ama os pobres - Zorra Total

Assistente Social Voluntária que ama os pobres - Zorra Total | Assistência Social | Scoop.it

Umbelina é uma Assistente Social Voluntária, porque ama os pobres que são “gente quase como nós, só que não têm direitos” e que tem uma missão: ajudar os pobres, pois é para “dar as coisas para vocês” que exerce esta profissão.

Ana Caroline Vieira's insight:

É unanime no Serviço Social a crítica ao personagem Umbelina, interpretada pela atriz Katiuscia Canoro que se apresenta como assistente social voluntária no programa humorístico Zorra Total, da Rede Globo que retrata de maneira distorcida o trabalho do assistente social. Não se quer, com esta análise, discordar da preocupação ético política da profissão que está em voga. No entanto, para além da crítica, o quadro humorístico apresenta uma caricatura da imagem da assistência social no Brasil que por muitos anos apresentou-se como assistência aos pobres.

A preocupação pelos pobres sempre esteve presente ao longo dos tempos, sendo acentuada a partir da era industrial, em que o Estado era um mero distribuidor de isenções clientelistas a grupos privados e religiosos que concentravam à atenção ao atendimento à população vulnerável. A pobreza neste período era tida como fatalidade e a assistência era deixada à iniciativa da Igreja e dos clamados “homens bons”, mancada por uma assistência esmolada, que aos poucos foi sendo substituída pela assistência disciplinada, baseada nas obras de misericórdia e sociais, de modo que o reconhecimento da Assistência Social pelo Estado, no Brasil, aconteceu lentamente.

Esta predominância da assistência esmolada se deu até o advento da Revolução de 1930 que conduziu a questão social ao centro da agenda pública, proporcionando o aumento da atuação estatal na área social em resposta ao fortalecimento das lutas sociais e trabalhistas.

O período pós-revolução baseava-se no Estado de compromisso, onde o acesso aos benefícios estava condicionado ao pagamento de contribuição, deixando de lado qualquer ação de proteção social para os não trabalhadores ou trabalhadores do mercado informal.

No decorrer dos anos, o amparo passou a ser dirigido aos que não conseguiam garantir sua sobrevivência, possibilitando a reprodução do modelo assistencialista que já hegemônico no campo não governamental, reforçando os laços de dependência dos mais vulneráveis, que deu início ao chamado primeiro-damismo junto à assistência, promovendo a expansão da LBA pelo país por meio da criação das comissões municipais que estimulou o voluntariado feminino.

Este modelo social baseado na caridade e na benemerência, sem a perspectiva de direito na sociedade brasileira até o século XX, quando em meados do século, no período do regime militar; embora a assistência social tenha se burocratizado, com regras, normas e critérios de atendimento à população excluída, inicia-se o processo de construção democrática que culminou na Constituição de 1988, onde a Assistência Social passou a ser reconhecida como política pública, que representou uma ampliação dos direitos sociais, perfilada por um Estado que cabe oferecer e garantir a proteção social.

O personagem Umbelina é um retrato dessa história recente da Assistência Social que imprimiu traços desta imagem clientelista e assistencialista predominante na história brasileira.

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